segunda-feira, 22 de junho de 2015

Porque já não se fazem mais ídolos como antigamente

Luiz Carlos Nunes da Silva, o Carlinhos, nasceu no Rio de Janeiro em 19 de novembro de 1937. Sua luz se apagou em 22 de junho de 2015, aos 77 anos de idade.

Em 12 de fevereiro de 2011 foi inaugurada dentro da Gávea uma praça, na qual foi posta o busto de bronze com a imagem de Carlinhos no centro; era a Praça Carlinhos, ao lado do Ginásio Togo Renan Soares. Era a segunda homenagem pelos serviços prestados ao clube pelo ex-jogador e ex-técnico do Flamengo, que havia recebido em 2008 um busto de bronze dentro das dependências do clube.


Como jogador profissional, Carlinhos defendeu o Flamengo de 1958 a 1969. Foi campeão do Torneio Início do Campeonato Carioca de 1959, do Torneio Rio-São Paulo de 1961 e dos Campeonatos Cariocas de 1963 e 1965. Formou dois meio-campos clássicos da história do clube, primeira ao lado de Gérson, e depois ao lado de Nelsinho Rosa. É o oitavo jogador de mais partidas disputadas pelo Flamengo com 517 jogos.

Gérson e Carlinhos

No dia 20 de janeiro de 1954, o lateral-direito Biguá fazia seu jogo de despedida dos gramados e entregava a Carlinhos o seu par de chuteiras, gesto que simbolizava a entrega do instrumento de trabalho. História repetida em 1970, quando Carlinhos entregou seu par de chuteiras a um jovem promissor das categorias de base chamado Arthur Antunes Coimbra, o Zico.

Zico recebendo as chuteiras de Carlinhos

Carlinhos também carregou uma marca: nunca foi expulso em toda a sua carreira. O que lhe rendeu o Prêmio Belfort Duarte. Sua forma de jogar com grande classe e o toque de bola refinado o renderam o apelido de "Violino".

A bela história como jogador foi superada pelo brilhante desempenho como técnico. A Gávea sempre foi chamada carinhosamente por Carlinhos de "segunda casa". Mesmo após a aposentadoria dos campos, o jogador nunca perdeu o vínculo com o clube de coração. Trabalhou no Flamengo por muitos anos, treinando times nas categorias de base, coordenando a transição dos juniores para o profissional, e sendo auxiliar-técnico. Recebeu uma primeira oportunidade como treinador ao substituir Paulo César Carpegiani em 1983, tendo assumido interinamente por cinco partidas. Sendo 1 vitória, 3 empates e 1 derrota. Carlinhos deu lugar a Carlos Alberto Torres que se sagrou campeão Brasileiro de 1983.

Nos momentos de crise sempre era chamado para comandar o Clube. Voltou a assumir como interino por 6 jogos no início de 1987, entre a saída de Sebastião Lazaroni e a contratação de Antônio Lopes, que ficou apenas cinco meses no cargo, vendo a ser substituído, agora sim pela primeira vez de forma definitiva, por Carlinhos. A Copa União de 1987 estava em suas rodadas iniciais. Um elenco de estrelas em campo, com os experientes Zico, Leandro, Edinho, Andrade e Nunes, e os jovens Jorginho, Aldair, Leonardo, Ailton, Bebeto e Zinho, além do badalado Renato Gaúcho, contratado a peso de ouro ao Grêmio. Conhecido pela simplicidade, pela humildade, pela fala manda e pela habilidade em contornar situações desagradáveis, o que fez ser sempre bastante respeitado como treinador. A mescla deu certo e o Flamengo foi Campeão Brasileiro de 1987, seu quarto título nacional.


Em 1991, o ex-jogador assumiu mais uma vez o Flamengo. Conquistou os títulos de Campeão Carioca de 1991 e Campeão Brasileiro de 1992. Se haviam sido 9 meses na função entre 1987 e 1988, desta vez ficou 1 ano e meio a frente do Flamengo, tendo sido o técnico de agosto de 1991 a março de 1993. O time era comandado pela experiência de Júnior, Wilson Gotttardo, Zinho e do goleiro Gilmar Rinaldi, mesclado ao talento da jovem geração que tinha Júnior Baiano, Gélson Baresi, Rogério Lourenço, Piá, Marquinhos, Fabinho, Marcelinho Carioca, Djalminha, Paulo Nunes e Nélio. O Flamengo conquistava seu Quinto título nacional, o segundo sob a regência do Violino.

Teve uma rápida passagem, a mais infrutífera, durante 5 meses em 1994. O Flamengo estava carente de títulos e voltou a ser campeão com ele sentado no banco de reservas. Nos Anos 1990, Flamengo campeão foi sinônimo de Carlinhos treinador. Reassumiu no início de 1999 no lugar de Evaristo de Macedo, e com um time tecnicamente bastante limitado em mãos, foi Campeão Carioca de 1999 e Campeão da Mercosul de 1999. Mesmo após o inesperado título sul-americano naquele ano, foi substituído, já que a diretoria queria montar um time forte e dizia precisar de um treinador com mais personalidade e voz forme. Para seu lugar foi contratado Paulo César Carpegiani, que era o "treinador da moda" no São Paulo, após um belo trabalho com o Paraguai na Copa do Mundo de 1998. O fracasso no Torneio Rio-São Paulo de 2000 levou à demissão de Carpegiani. Carlinhos, humildemente aceitaria o convite para voltar, e novamente com um time tecnicamente inferior ao do Vasco, como havia ocorrido no ano anterior, foi Campeão Carioca de 2000. 

Foram 7 passagens como técnico pela Gávea, nelas Carlinhos comandou o Flamengo em 313 partidas como técnico, obtendo 158 vitórias, 84 empates e 71 derrotas. Foram 8 títulos: Taça Guanabara de 1988 e 1999, Campeonato Carioca de 1991, 1999 e 2000, Campeonato Brasileiro de 1987 e 1992 e Copa Mercosul de 1999.

Carlinhos, Violino Rubro-Negro

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