quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Casas do Flamengo: a Gávea

100 Anos de Futebol do Flamengo

Mais uma série aqui no blog, extraída das páginas de A NAÇÃO, para celebrar o Centenário do Futebol Rubro-Negro: Casas do Flamengo.

Sem casa própria, o Flamengo viveu 100 anos de futebol em muitas casas, fossem emprestadas, alugadas, cedidas pelo poder público. A história do Flamengo começou sem haver sequer campo para treinar, os jogadores treinavam em praça pública, na Praia do Russel. O primeiro campo foi a na Rua Paissandu, naregião limítrofe entre os bairros do Flamengo e Laranjeiras. Depois foi o modesto campo da Gávea. Nenhuma delas, propriedade à altura do C.R. Flamengo. Vamos visitar cada uma destas casas.
Serão 6 capítulos:
Maracanã, o Templo Maior / Estádios dos Rivais / A Rua Paissandu / A Gávea / Juiz de Fora e Taguatinga / Arena da Ilha, Raulino e Moacirzão
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O Estádio da Gávea

"O Flamengo sempre parecia mais vivo, mais agitado, como em ebulição permanente. No início dos anos 30, o Flamengo estava em guerra, e estando em guerra, aceitou a disciplina prussiana de Bastos Padilha, seu novo presidente. O mais curioso é que Padilha pertencera à República Paz e Amor, vivera aquela vida de estudantes. Padilha queria transformar o Flamengo no maior clube do mundo. Mandou construir o estádio da Gávea (há anos o Flamengo fora despejado de seu primeiro estádio, na rua Paissandu). Aquilo foi taxado como uma loucura. Construir um estádio de futebol naquele pântano de fim de mundo. Em 1930, se questionava como as pessoas chegariam à região da Gávea". (A NAÇÃO, pg. 44)
 
"Foi na segunda rodada do Carioca de 1938 que o Flamengo jogou pela primeira vez em sua história no estádio da Gávea. Perdeu para o Vasco por 2 a 0. Na terceira rodada, o segundo jogo na Gávea e uma nova derrota: 2 a 0 para o Fluminense. Dori Kruschner foi demitido. A primeira vitória na Gávea só foi acontecer na quinta rodada: 7 a 1 no Bonsucesso". (A NAÇÃO, pg. 52)
 
 
"E, no primeiro turno, o time rubro-negro goleou os campeões de 1941. No returno, chegou à última rodada para jogar um Fla-Flu, a ser disputado no estádio da Gávea. O tricolor das Laranjeiras tinha a vantagem do empate. O jogo terminou 2 a 2 e entrou para a história porque no segundo tempo os jogadores do Fluminense passaram a isolar a bola sobre o muro do estádio, para dentro da lagoa Rodrigo de Freitas, que àquela época chegava até bem perto do campo. Perdia-se muito tempo para que os remadores do Flamengo saíssem a remo para trazer a bola de volta. A partida ia assim esfriando, terminou empatada, e os tricolores conquistaram o bicampeonato. Esse jogo ficou eternizado como o Fla-Flu da Lagoa". (A NAÇÃO, pg. 59)
 

"Foi a decisão de 1944 que consagrou de vez o duelo Flamengo e Vasco. O jogo foi na Gávea e o Flamengo se preparou. Os portões foram abertos mais cedo e os torcedores rubro-negros ocuparam as posições mais estratégicas na arquibancada. Havia gente de mapa em punho fazendo a distribuição dos que chegavam. Quando Valido cabeceou para o fundo das redes, no gol que seria o do título e do tricampeonato, todo o Vasco começou a protestar que o argentino teria subido nas costas do zagueiro Argemiro antes de meter a testa na bola. Até filme, o Vasco exibiu, no Capitólio, em sessão especial, para provar que estava com a razão. Quem era Vasco via com precisão, quem não era ficava na dúvida. Ary Barroso foi quem pôs um ponto final na discussão: o ideal de uma vitória sobre o Vasco para decidir campeonato é Flamengo 1 a 0 e gol feito com a mão, todo mundo vendo, inclusive o juiz, porque se o juiz não visse, não tinha graça nenhuma". (A NAÇÃO, pg. 62)
 
"O Flamengo sempre foi diferente dos outros. Para jogar no time rubro-negro tinha que ter um algo mais. Eis que, para o Campeonato Carioca daquele ano, o Flamengo foi buscar um craque no time do Vasco: Jair da Rosa Pinto. Ele foi o principal nome do time na temporada, ao lado de Zizinho, mas, mesmo assim, o Flamengo ficou fora da luta pelo título. Como também ficou em 1948 e 1949. Jair acabou sendo mandado embora em 1949, após uma partida contra o Vasco na Gávea. O motivo? Falta de raça. Apesar de craque do time, ele saiu de campo naquela partida, segundo dirigentes e torcedores, com a camisa seca. Por não haver corrido em campo, foi expulso do clube. Foi para o Palmeiras, onde viveu os melhores momentos de sua carreira". (A NAÇÃO, pg. 66)
 
Vista lateral da arquibancada: a pista de corrida de cavalos do Jóquei Clube e o Corcovado.
A vista frontal é a Lagoa Rodrigo de Freitas
 
"O atacante húngaro Florian Albert, do Ferencvaros, da Hungria, fora um dos grandes destaques da Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. No final daquele ano de 1967, ele seria eleito o melhor jogador do ano pela revista francesa France Football. E em janeiro de 1967, em dois amistosos contra o Vasco, um na Gávea, e outro em General Severiano, Albert jogou com a camisa rubro-negra. Em 15 de janeiro, o Flamengo venceu o Vasco por 2 a 0 na Gávea. Três dias depois, perdeu por 2 a 0 em General Severiano, no campo do Botafogo. Em ambos os jogos Albert foi substituído no segundo tempo, sentindo o peso do forte calor. Embora, a presença do húngaro não tenha contagiado os cariocas – na primeira partida, na Gávea, somente 6,5 mil torcedores compareceram e na segunda, em General Severiano, foram só 4,5 mil pagantes". (A NAÇÃO, pg. 94)
 
"Já em 1988, houve um Flamengo x Goytacaz, na Gávea, que recebeu só 976 pagantes. Não foram poucas as vezes, nestes anos, em que houve públicos inferiores a mil torcedores". (A NAÇÃO< pg. 164)
 
 
"A partir de 1938, o Flamengo começou a jogar no estádio da Gávea, cujas obras haviam sido iniciadas em 1933. Entre 1938 e 1950, o time fez 116 partidas no pequeno estádio rubro-negro, que comportava pouco mais de oito mil espectadores. Até que, depois da inauguração do Maracanã, o time passou a atuar menos em seu modesto estádio. De 1957 a 1960, jogou lá outras vinte vezes. Depois passou alguns anos sem pisar em seu gramado; retornou no período entre 1966 e 1976, quando lá fez dezesseis jogos. Descartou mais uma vez a ideia de utilizá-lo e por doze anos não mandou partidas ali. Voltou a usar o estádio entre 1988 e 1996, quando lá atuou outras 71 vezes. No total, foram 223 partidas jogadas na Gávea". (A NAÇÃO, pgs. 200-201)

Por competições nacionais, a primeira vez que o estádio foi utilizado foi na Copa do Brasil de 1989, numa vitória de 2 x 0 sobre o Paysandu, do Pará. Na Copa do Brasil de 1990 nova vitória por 2 x 0, desta vez sobre o Taguatinga, de Brasília. Pelo Campeonato Brasileiro de 1990, o Flamengo venceu o Inter de Limeira por 3 x 1. No Brasileiro de 1991, foram 3 jogos, duas vitórias e uma derrota: 1 x 0 no São Paulo, 1 x 0 no Náutico e 1 x 3 para o Atlético Mineiro. Pela Copa do Brasil de 1995 foram mais três jogos na Gávea: vitórias por 1 x 0 sobre o Souza, da Paraíba, 3 x 0 no Gama, de Brasília, e 8 x 0 no Kaburé, de Tocantins. O último jogo em competição nacional, foi no Brasileiro de 1996, uma derrota por 1 a 0 para o Juventude, do Rio Grande do Sul.

Além desta goleada de 8 x 0 sobre o Kaburé, aquele campo viu algumas outras grandes goleadas em sua história. No Campeonato Carioca de 1945, houve uma 10 x 1 no Bonsucesso. No Carioca de 1946 um 7 x 1 e no de 1947 um 8 x 1 sobre o Bangu. Em 48, 7 x 0 no Canto do Rio. Em 49, 7 x 0 no São Cristóvão. Em 58, 8 x 0 no Olaria. No Carioca de 1989, 8 x 1 no Nova Cidade. No Carioca de 1997, num dos últimos jogos no campo da Gávea, vitória por 7 x 0 no Madureira.

A última vez que o Estádio da Gávea foi utilizado pelo time profissional foi em 27 de abril de 1997, com uma vitória por 3 a 0 sobre o Bangu, gols de Evandro, Fábio Baiano e Romário. Desde então só as categorias de base utilizaram o estádio.
 
Foto panorâmica do Complexo Esportivo da Gávea, a sede administrativa e as piscinas,
no lado oposto a onde estão o Estádio, o Ginásio de Basquete e a Arena de Ginástica Olímpica

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