domingo, 18 de dezembro de 2011

Que chocolate! Lembrou e muito o Flamengo de 1981


Durante este ano de 2011 muito se falou sobre as semelhanças em estilo de jogo do Barcelona de 2011 com o Flamengo de 1981. Posse de bola constante, bola correndo de pé em pé, inversões constantes de posição, muita movimentação. Até o placar do primeiro tempo foi o mesmo: Flamengo 3 x 0 Liverpool e Barcelona 3 x 0 Santos.

A final do Mundial 2011 em Yokohama no Japão vem a reforçar esta comparação. O Barcelona faz até jogadas de overlaping, conceito inventado por Cláudio Coutinho no Flamengo de 1978 a 1980 e espelhado naquele time comandado por Paulo César Carpegiani em 1981.

Se Zico, Adílio e Nunes foram monstros em Tóquio em 1981, Messi, Xavi e Fábregas foram tão monstros quanto em Yokohama em 2011. Se aquele time ainda tinha Leandro, Mozer, Júnior e Andrade, este time catalão ainda tem Daniel Alves, Puyol, Iniesta e Busquets. E olha que David Villa e Alexis Sanches estavam fora.

Se aquele Flamengo fez um primeiro tempo fantástico em 81, desta fez quem fez um primeiro tempo fantástico foi o azul e grená catalão. 75% de posse de bola. O Santos ficou na roda, não viu a bola.
A soberba brasileira caiu por terra, como a soberba inglesa caiu em 81. Quanta ironia, como o mundo muda.

O Liverpool de 1981 também podia jogar mais do que jogou. O Flamengo não deixou!
O Santos de 2011 podia jogar mais do que jogou. O Barcelona não deixou!

Cada vez mais é o futebol europeu jogando como brasileiro e o brasileiro jogando como europeu. Muricy Ramalho então é um clássico exemplo de futebol bucólico e de resultado, mas que levanta troféu. Foi assim com o tri do São Paulo em 2006-07-08, como se fosse o futebol alemão dos anos 70. É o Brasil refém do estilo de jogo gaúcho, que não por coincidência é a escola de treinadores que reina no cenário nacional hoje. O Corinthians de Tite, campeão brasileiro de 2011 também é só isso: laterais presos, nenhuma criatividade em nenhum setor do campo e destaque do time na marcação dos cabeças de área (Mineiro e Josué lá no time sãopaulino, Paulinho e Ralf cá neste time corinthiano).

Enquanto isso o Barcelona joga com alas que marcam e chegam no ataque, fazendo papel de falsos pontas, como Leandro e Júnior com apoio de Tita e Lico. O Barcelona tem Thiago Alcântara como um típico ponta, aberto no extremo do campo. Ele que é um retrato dos novos tempos, globalizados, filho de brasileiros, nascido na Itália por acaso, pois era onde o pai Mazinho estava jogando, formado nas divisões de base do Barcelona, jogou na Espanha Sub 20 e hoje é jogador pronto para defender a Seleção Espanhola. Típico exemplo de quem soube se modernizar, enquanto o Brasil seguiu preso a seus clichês, refém de de uma aversão cultural à modernização.

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