segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Reflexão sobre o preço do ingresso para a final da Copa do Brasil


Eu também fiquei assustado, alarmado, contrariado... num primeiro momento em que me deparei com a notícia do preço do ingresso para a final da Copa do Brasil. Trocando idéia com outros rubro-negros, no entanto, a revolta passou. O argumento que derruvou meu descontentamento está no brilhante texto abaixo...

Texto de Wálter Monteiro publicado no Magia Rubro-Negra

Antes de tudo, que fique bem claro uma coisa: não sou defensor incondicional da diretoria do Flamengo e, ao que tudo indica, eles sequer gostam de mim. E tenho sido um crítico bem atuante de muitas das coisas que acontecem na Gávea. Aqui no MAGIA RUBRO-NEGRA um pouco menos, mas nos círculos mais restritos, que reúnem sócios e torcedores do clube, sou bem mais contundente. Não abro mão da minha independência e de dizer o que penso, até porque não devo nada ao clube, nem ele a mim. Por isso mesmo, fico à vontade para tratar de temas difíceis, com a naturalidade de quem escova os dentes.

No dia 27/03, dia seguinte ao lançamento do programa Nação Rubro-Negra, eu tomei 2 decisões: a) me associei à modalidade Raça; b) publiquei um artigo elogiando a concepção do projeto.

Naquela altura, o programa estava sob uma saraivada de críticas. Parecia que os valores eram caros e a contrapartida, mínima. Todos apostavam em um retumbante fracasso e faziam mirabolantes comparações com programas do Inter, do Corinthians, do Botafogo, que custam muito menos e oferecem muito mais.

Foi quando eu me lembrei da história da Xerox, um dos meus casos prediletos do mundo corporativo. O sujeito que inventou a Xerox não conseguia vender a novidade para ninguém. Chegaram a fazer pesquisas provando que o investimento não compensaria mesmo se a nova máquina conquistasse 100% do mercado de mimeógrafos, que era a tecnologia então utilizada para produzir documentos em larga escala.

O sujeito resolveu bancar a aventura sozinho e a Xerox foi um estrondoso sucesso. Afinal, o que ninguém percebia era que a máquina não fora criada para ocupar um mercado que existia (o de produzir documentos em escala), mas sim para dominar um mercado oculto (a cópia de documentos já produzidos). E isso virou uma lição para todos: nunca compare algo novo com coisas parecidas que já existem, porque a chance de quebrar a cara é alta.

Foi o que aconteceu com o Nação Rubro-Negra: enquanto todos os programas de STs eram centrados na contrapartida de ingressos para a parcela que frequenta os estádios (minoria da torcida), o programa do Flamengo mirava apenas a paixão dos que podem e querem ajudar, pouco importando se vão ou não aos estádios (maioria da torcida).

Um sucesso absoluto, mas até eu mesmo fui enganado por um componente secundário do programa.

Eu critiquei na época (e segui criticando) a existência de tantas modalidades simultâneas à disposição sem uma definição clara das vantagens entre elas, exceto uma vaga prioridade na compra de ingressos. E foi aí que eu errei...

Porque agora, com o clube prestes a disputar uma final de campeonato relevante (algo que não acontecia desde 2009, assumindo que o jogo contra o Grêmio foi uma espécie de "final"), fica nítido para que servem as diferentes modalidades: é a parte do programa voltada para aquela parcela minoritária da torcida, a que frequenta os estádios.

Por lançar seu plano mais tarde que os rivais, o Flamengo teve a chance de observar os problemas dos que saíram na frente agora precisam lidar. Quando o plano é um sucesso e atrai milhares de torcedores interessados em vantagens para irem aos jogos, simplesmente não há como lidar com a alta demanda se todos possuem o mesmo direito. Tem gente que vai ficar de fora.

O que fez o Flamengo? A sua escala de prioridades estabelece uma regra objetiva: quanto mais você paga, menor o risco de ficar de fora de um jogo que você realmente quer ir. Se você mora no Canadá, ok, siga pagando R$ 40,00. Mas se você é rato de estádio e não pode nem sonhar em perder a decisão, é melhor começar a pensar em planos mais caros.

Ao contrário do discurso demagógico tão popular nessas horas, considero essa a forma mais JUSTA de resolver um drama: no Maracanã, só há 50 mil lugares à disposição para venda (ou talvez um pouco mais, o que nem vem ao caso). Em outros tempos e em outros clubes, essa escassez se resolve da pior forma possível, com tráfico de influência, desvio de ingressos por amigos da diretoria, cambistas, tudo de ruim que se possa imaginar.

No Flamengo isso se tornou democrático. Basta pagar mais caro e pronto, não precisa ficar devendo favor para ninguém ou enriquecer um cambista.

Ah, mas é caro...

Sim, não tenho dúvidas. Mas não é só futebol que está caro. Algodão doce também, hoje comprei dois para minhas gêmeas, mais um balão da Galinha Pintadinha, outro da Minnie, arrematei com duas garrafas de água mineral e deixei R$ 55,00 para o simpático camelô do Parque da Redenção em Porto Alegre. Fora os R$ 15,00 do estacionamento.

Isso nos leva a um segundo e relevante aspecto: os preços da final contra o Atlético PR, motivo de uma reação enfurecida e raivosa de amigos queridos e desconhecidos em geral.

Eu também já havia tocado nesse assunto aqui no MAGIA, ao lembrar que o Flamengo atual depende mais da bilheteria do que dependia em épocas passadas. E que é fundamental, para a recomposição da saúde financeira do clube, arrecadar. Dos itens que integram a receita do Flamengo, o único em que realmente ele tem mais flexibilidade de gestão é a bilheteria.

Embora o ingresso mais barato da final contra o Atlético PR seja, teoricamente, R$ 250,00, poucos pagarão esse valor. Sócios torcedores têm desconto de 40%. Estudantes, de 50%. Estudantes que sejam Sócios Torcedores, então, pagarão menos de R$ 100,00. Não é barato, mas está longe de ser caro.

Além do que não dá para perder de vista um dado que já citei antes e que é de uma obviedade gritante, porém quase sempre menosprezado: a capacidade do Maracanã é reduzida. Ora, preço sempre será uma forma de ajustar e controlar a demanda.

Todos os que estão aí esperneando feito loucos contra os valores cobrados padecem de memória curta: em 2009 e antes disso a forma de resolver esse problema era caótica. Os ingressos custavam R$ 40,00, atraíam multidões à bilheteria, com direito à gás de pimenta, gente pisoteada, muita revolta e grande apropriação de entradas por cambistas, que dominavam os primeiros lugares das filas. Na prática, o torcedor que não queria ou não podia enfrentar aquela via crucis pagava o mesmo que agora se cobra (ou até mais), mas o sobrepreço não ia para o clube.

Como eu disse, adoraria que ingressos, algodão doce e balões da Galinha Pintadinha custassem menos. Mas tanto o Flamengo quanto o Seu Jair cobram por eles o valor que é o ponto de encontro entre o que eu estou disposto a pagar e o quanto eles precisam receber para melhorar seus respectivos sustentos.

Eu sei que a vida devia ser bem melhor - e será. Enquanto isso, vamos fazendo nossas escolhas. Eu acho um absurdo pagar R$ 20,00 por um balão que esvaziará em 2 dias, mas a Catherine não consegue entender isso. Da mesma forma que minha mãe não entende como eu posso pagar R$ 150,00 para ir a um estádio ver um jogo que vai passar na TV ao vivo. É difícil mesmo os pais entenderem as loucuras dos filhos.

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