segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O Rei do Rio: a caminhada do 11º até o 20º título do Carioca

Esta postagem é inspirada no livro "O Rei do Rio", de Celso Unzelte, publicado em 2009 pela Globo Livros, mas embora se inspire neste trabalho, não o reproduz aqui, objetivo de como a história é aqui mostrada é outro. A série também só pode ser elaborada graças ao trabalho do livro "História dos Campeonatos Cariocas de Futebol", de Roberto Assaf e Clóvis Martins, publicado em 2010 pela Editora Maquinária. Por fim, há que se mencionar que todo o trabalho de imagens só foi possível graças ao excepcional trabalho histórico do site Fla-Estatística (www.flaestatistica.com.br), obra de Arturo Vaz e Celso Júnior.

Eis então a Caminhada Rubro-Negra que o tornou o Rei do Rio, detalhando aqui as conquistas do 11º ao 20º título de Campeão Carioca de Futebol: 1953, 1954, 1955, 1963, 1965, 1972, 1974, 1978, 1979.I e 1979.II.

O gol de Valido em 1944 selou o Primeiro Tri e deu ao clube seu 10º título de Campeão Carioca. E se o primeiro tricampeonato fechou o primeiro decil de troféus estaduais, o segundo decil foi aberto com a série do Segundo Tri e fechado com a série do Terceiro Tri. É a história a ser agora contada:

O clube viveu um logo jejum entre os dois primeiros tricampeonatos, foram 8 anos sem um título, num período em que o Vasco dominou a cidade, com seu time que ficou conhecido como "Expresso da Vitória". Nestas oito temporadas, o Vasco faturou cinco títulos, sobrando a quantidade de títulos que tinha conquistado até então.


Time titular em 1953: Garcia, Servílio, Marinho, Pavão e Jordan; Dequinha e Rubens; Joel, Benítez, Indio e Esquerdinha. Téc: Fleitas Solich.

A diretoria apostou na contratação de Fleitas Solich, técnico que havia conquistado o Campeonato Sul-Americano de 1953 com a Seleção do Paraguai. Era ousada a aposta num treinador que não tinha experiência no futebol brasileiro. Mas o risco valeu. O time de Rubens, Dequinha e Pavão, como versava a música, e recheado de paraguaios, pois além do técnico também tinha Garcia e o artilheiro Benítez. O torneio ainda era de pontos corridos em turno e returno, mas com um 3º turno a ser jogado só pelos seis melhores colocados. Dentre os que não foram a este 3º turno, o time rubro-negro teve duas vitórias sobre Madureira, Olaria, Portuguesa, Bonsucesso e Canto do Rio, e uma vitória e um empate contra o São Cristóvão, frente aos demais: venceu três vezes a Bangu e América, venceu uma e empatou duas frente ao Vasco, teve duas vitórias e uma derrota frente ao Fluminense, e uma vitória, um empate e uma derrota nos duelos contra o Botafogo. Conquistou o título com uma rodada de antecedência, num jogo em que goleou ao Vasco por 4 x 1, dois gols de Benítez, um de Esquerdinha e outro de Rubens.

Os campeões de 1953

Na conquista do segundo título, emergiram dois nomes que fizeram história com a camisa rubro-negra, o meia-atacante Evaristo de Macedo, contratado ao Madureira, e o ponta-esquerda Zagallo, emergido da base do clube.

Time titular em 1954: Garcia, Jadir, Tomires, Pavão e Jordan; Dequinha e Rubens; Joel, Evaristo, Indio e Zagallo. Téc: Fleitas Solich.

O time do "Feiteceiro" Solich continua dominando a cidade no ano seguinte, num campeonato que permanecia com a mesma fórmula. Dentre os adversários que não avançaram ao 3º turno, o Flamengo venceu duas vezes a Canto do Rio, São Cristóvão, Bonsucesso, Portuguesa e Madureira, e teve uma vitória e um empate diante do Olaria. Diante dos demais, foram duas vitórias e um empate contra América, Vasco e Botafogo, duas vitória e uma derrota contra o Bangu, e dois empates e uma derrota frente ao Fluminense. O título veio com folga, a três rodadas do fim. No 3º turno, um empate no primeiro jogo e quatro vitórias seguidas, não dando chance aos adversários.

Os campeões de 1954

No ano de consolidação do Segundo Tri, além da base titular dos anos anteriores, emergiram também duas figuras das divisões de base que foram decisivas para a conquista, o meia-atacante Dida e o ponta-esquerda Babá.


Time titular em 1955: Chamorro, Jadir, Tomires, Pavão e Jordan; Dequinha e Paulinho; Joel, Evaristo, Indio e Zagallo. Téc: Fleitas Solich.

A primeira troca no time titular de 55 frente à equipe do anterior foi a mudança de goleiro estrangeiro no gol, com o argentino Chamorro ganhando a posição e colocando o paraguaio Garcia no banco de reservas. A outra foi a dura saída do craque do time, Rubens, contratado pelo rival Vasco.

O campeonato teve uma ligeira mudança na fórmula, para apimentar o 3º turno. Os dois primeiros turnos eram em pontos corridos, com o vencedor avançando para fazer uma final com vantagem de dois resultados iguais contra o vencedor do 3º turno. O Flamengo foi o campeão dos pontos corridos, com duas vitórias sobre Canto do Rio, Bonsucesso, Portuguesa, Madureira, São Cristóvão, América e Botafogo, uma vitória e um empate contra o Bangu, uma vitória e uma derrota frente a Olaria e Fluminense, e um empate e uma derrota com o Vasco. No 3º turno, só venceu a Bangu e Bonsucesso, perdendo para América, Fluminense e Vasco. Uma campanha bem abaixo dos anos anteriores. O adversário na final foi o América, que goleou impiedosamente ao rime rubro-negro por 5 x 1 no primeiro jogo da final. Em mal momento, Solich tirou uma carta da manga, lançou como titulares dois jogadores sub-20 no jogo decisivo - Dida e Babá - e a surpresa deu resultado, o Flamengo venceu de goleada, por 4 x 1, com quatro gols do garoto Dida, levantando uma taça que parecia perdida.

Os campeões de 1955

O clube não conquistou títulos por cinco temporadas - 1956, 1957, 1958, 1959 e 1960 - tendo sido Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1961, troféu que minimizou o jejum no Carioca, que se estendeu até 1963.


Time titular em 1963: Marcial, Murilo, Ananias, Luís Carlos e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho; Espanhol, Dida, Airton e Osvaldo Ponte-Aérea. Téc: Flávio Costa.

Dida despontou avassalador no Carioca de 55. Foi um craque, um dos maiores do Flamengo, mas não conseguiu muitos títulos, não conseguiu desequilibrar a ponto de dar ao clube a hegemonia no futebol da cidade durante seus anos em campo. No título de 63, ele era o craque do time. O equilíbrio, no entanto, estava no meio de campo cerebral formado por Carlinhos e Nelsinho Rosa. Destaque também para Espanhol, o Ufarte, que anos depois fez sucesso pelo Atlético de Madrid e pela Seleção da Espanha, ele fez grande temporada. Aquele time tinha ainda toda a experiência de Flávio Costa, mais uma vez no banco.

O Botafogo, que reinava na cidade nestes tempos, bi-campeão de 61-62, tinha vendido Amarildo para a Internazionale, e via Garrincha já sofrer seguidamente com os problemas no joelho, mas era apontado como favorito no início da temporada. O campeonato era por pontos corridos, em turno e returno. O time rubro-negro venceu duas vezes a Canto do Rio, Portuguesa, Campo Grande, Olaria, Bonsucesso e São Cristóvão, obteve uma vitória e um empate frente a Madureira, Vasco e Botafogo, venceu uma e perdeu outra para América e Bangu, e empatou duas vezes sem gols nos jogos contra o Fluminense. Um destes foi o que lhe deu o título. Na última rodada, o Flamengo chegou com um ponto de vantagem frente ao tricolor, e um empate lhe bastava para ser campeão. O Maracanã recebeu o maior público numa partida entre clubes da história do futebol mundial, foram 177 mil pagantes e 194 mil presentes. Uma festa monumental merecia mais do que o 0 x 0 que bastou para fazer o rubro-negro voltar a ser campeão.

Os campeões de 1963

Em 1965, a cidade do Rio de Janeiro viveu uma ano de intensas comemorações, pela celebração de seu Quarto Centenário de fundação. Um ano de festa não poderia ter tido um campeão melhor no futebol senão aquele cuja torcida é a maior especialista em festa.


Time titular em 1965: Valdomiro, Murilo, Ditão, Jaime Valente e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho; Paulo Alves, Silva, Almir Pernambuquinho e Rodrigues. Téc: Armando Renganeschi.

O time comandado pelo argentino Armando Renganeschi se apoiava na qualidade do meio de campo, formado por Carlinhos e Nelsinho, tinha em Silva, o "Batuta", o craque do time, e em Almir, um atacante com muita raça. Mais uma vez em pontos corridos, o Flamengo foi campeão com uma rodada de antecipação. Na campanha, venceu duas vezes a América, Portuguesa, Bonsucesso e Vasco, obteve uma vitória e um empate contra o Fluminense, uma vitória e uma derrota contra o Botafogo, e um empate e uma derrota para o Bangu, que foi o vice-campeão. Na penúltima rodada, a vitória por 2 x 1 sobre o Fluminense, no Maracanã, com gols de Silva e Neves, assegurou-lhe o troféu do Quarto Centenário.

Os campeões de 1965

O período de 1966 a 1971 foi não só de um longo jejum de títulos para a torcida do Flamengo, como um dos piores momentos da história rubro-negra. Em 1970, terminou o Campeonato Carioca tão só em 5º lugar e em 1971 como 4º colocado.


Time titular em 1972: Renato, Aloísio, Chiquinho Pastor, Reyes e Rodrigues Neto; Liminha, Zé Mário e Doval; Rogério, Caio e Paulo César Caju. Téc: Zagallo.

Para quebrar o jejum de títulos, a diretoria apostou pesado, contratando o polêmico e indisciplinado Paulo César Caju ao Botafogo. O investimento surtiu efeito. O campeonato de 72 foi o primeiro conquistado pelo Flamengo fora do formato de pontos corridos, o torneio teve três turnos, o primeiro com 12 clubes, e os outros dois com 8. Os campeões de cada turno se enfrentaram num triangular final, valendo o título. O time venceu todos os quatro clubes que só jogaram o 1º turno: Campo Grande, Portuguesa, Madureira e Bangu. Contra os demais: obteve três vitórias sobre o Bonsucesso; duas vitórias e um empate contra o Botafogo; uma vitória e dois empates contra América e Vasco; duas vitórias e uma derrota para o São Cristóvão; uma vitória, um empate e uma derrota contra Olaria e Fluminense. No triangular final, venceu o Vasco por 1 x 0, gol de Paulo César Caju, e bateu o Fluminense por 2 x 1, gols de Doval e Caio Cambalhota, sobre quem também já havia conquistado a Taça Guanabara (1º turno), num Fla-Flu que terminou com uma implacável goleada por 5 x 2.

Os campeões de 1972

O ano de 1974 é emblemático na história do Flamengo, pois representa a ascensão ao time titular dos dois maiores jogadores da história do clube, Zico e Júnior. Eles já estavam no elenco profissional desde 1971 e 1972, respectivamente, mas foi em 74 que assumiram a posições de titulares, a qual manteriam por mais de uma década.


Time titular em 1974: Renato, Júnior, Jaime de Almeida, Luís Carlos e Rodrigues Neto; Liminha, Geraldo e Zico; Paulinho, Doval e Zé Mário. Téc: Joubert.

O time do técnico Joubert tinha Júnior improvisado na lateral-direita, Jaime na zaga, e uma dupla ofensiva sensacional, formada por Zico e pelo argentino Doval. O torneio mantinha o molde do de 72, e o time rubro-negro só chegou ao Triangular Final por ter vencido o 3º turno. Dos quatro clubes que só jogaram o 1º turno, o Flamengo venceu São Cristóvão, Portuguesa e Olaria, e empatou com o Bangu. Contra os demais: venceu três vezes ao América; venceu duas e empatou uma contra Campo Grande e Vasco; venceu uma e empatou duas contra o Botafogo; venceu duas e perdeu uma para o Madureira; venceu uma, empatou uma e perdeu uma contra Bonsucesso e Fluminense. Na série final, venceu o América por 2 x 1, e na sequência viu Vasco e América empatarem. Assim, entrou m campo contra o Vasco jogando por um empate para ser campeão, e assim o foi, após um 0 x 0 acirrado no Maracanã. Zico explodiu nesta temporada como grande craque, bateu o recorde que Dida havia firmado em 1959, como maior artilheiro rubro-negro no ano: foram 49 gols, marca que ele mesmo iria subsequentemente bater nos anos seguintes.

Os campeões de 1974

O Terceiro Tri foi o ponto de partida para o time que alcançou as maiores glórias da história do Flamengo, entre 1980 e 1983. No Terceiro Tri, foram jogados 7 turnos, e o time rubro-negro foi o campeão dos sete!


Time titular em 1978: Cantareli, Toninho Baiano, Manguito, Rondinelli e Júnior; Carpegiani, Adílio e Zico; Tita, Cláudio Adão e Marcinho. Téc: Cláudio Coutinho.

O ano de 78 marcou o início de um período de absoluto reinado do time de Cláudio Coutinho na cidade do Rio de Janeiro. Desde 1977 o formato de disputa passou a ser em dois turnos, com o campeão de cada turno fazendo a final do Campeonato Carioca. Em 78, o Flamengo sobrou na turma, venceu os dois turnos. Mas a conquista do 2º turno aconteceu de forma dramática, com o gol de cabeça de Rondinelli aos 45 minutos do 2º tempo contra o Vasco. Na campanha rubro-negra, o time venceu duas vezes a São Cristóvão, Campo Grande, Portuguesa (numa delas por 9 x 0), Olaria, Bonsucesso e Bangu, teve uma vitória e um empate frente a Madureira, América, Botafogo e Vasco, e uma vitória e uma derrota contra o Fluminense.

Os campeões de 1978

Em 1979 houve o imbróglio de criação do primeiro campeonato da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ). Acabara-se disputando dois torneios. O primeiro ano de organização já foi repleto de muita bagunça. A confusão acabou prejudicando a disputa do Campeonato Brasileiro, que teve em 1979 sua forma mais curta na história, disputado somente entre novembro e dezembro, o que obviamente gerou grande insatisfação aos clubes dos outros estados.


Time titular em 1979: Cantareli, Toninho Baiano, Manguito, Rondinelli e Júnior; Carpegiani, Adílio e Zico; Reinaldo, Cláudio Adão e Júlio César. Téc: Cláudio Coutinho.

Assim como em 1978, o Flamengo venceu os dois turnos e foi, de forma invicta, o campeão. Venceu duas vezes a Volta Redonda, Fluminense de Friburgo, Goytacaz, Americano e São Cristóvão, venceu uma e empatou outra contra América, Vasco e Botafogo, e empatou duas vezes com o Fluminense. Foi assim o primeiro Campeão Invicto da era profissional no Rio de Janeiro (a partir de 1933), assim como da era Maracanã (a partir de 1950). O jogo do título foi um empate em 2 x 2 com o Botafogo.


Time titular em 1979esp: Cantareli, Toninho Baiano, Manguito, Rondinelli e Júnior; Carpegiani, Adílio e Zico; Tita, Cláudio Adão e Júlio César. Téc: Cláudio Coutinho.

A edição especial teve uma fórmula muito confusa. Para atender politicamente a reivindicações de clubes que se consideraram excluídos do primeiro campeonato, o 1º turno teve 18 participantes, com oito eliminados ao final. O 2º turno reuniu 10 clubes, com os quatro últimos eliminados, e dois voltando da repescagem entre os oito primeiros eliminados. Assim, o 3º turno reunia 8 clubes. Dentre os que caíram ao fim do 1º turno, o Flamengo venceu a São Cristóvão, ADN Niterói, Volta Redonda, Madureira, Fluminense de Friburgo e Olaria. Dentre os que enfrentou duas vezes, foram duas vitórias sobre Portuguesa, Serrano, Campo Grande, Bangu e América, e obteve uma vitória e um empate contra o Bonsucesso. Contra os demais: foram três vitórias sobre o Goytacaz, duas vitórias e uma derrota para Americano, Fluminense e Vasco; e uma vitória, um empate e uma derrota frente ao Botafogo. O Flamengo foi o campeão dos três turnos! O jogo de confirmação do título foi um empate em 0 x 0 diante do Botafogo.

Os campeões invictos de 1979 e campeões do carioca especial



Nenhum comentário:

Postar um comentário