Vale relembrar a memória de duas vezes nas quais a Seleção Brasileira convocou a Torcida do Flamengo para o Maracanã. A massa rubro-negra em ambas as vezes respondeu, e nas duas vezes o escrete do Brasil venceu com gols marcados pelos jogadores do Flamengo em campo!
A primeira destas duas oportunidades aconteceu em 1958. A Seleção Brasileira iniciava a sua preparação para a Copa do Mundo sob o comando de um novo treinador, o ex-técnico do São Paulo, Vicente Feola. Nos primeiros jogos sob o seu comando, duas partidas contra o Paraguai, com uma goleada por 5 a 1 no Maracanã, no Rio de Janeiro, e um empate sem gols no Pacaembu, em São Paulo, e um jogo-treino (no Maracanã, aberto ao público e com cobrança de ingresso, com ambas as equipes utilizando a seus uniformes oficiais) contra o Flamengo, que acabou com vitória rubro-negra por 1 a 0. O time do Flamengo, comandado pelo técnico paraguaio Manuel Fleitas Solich, entrou em campo jogando com: Fernando, Joubert, Milton Copolillo, Jadir e Jordan; Dequinha e Duca; Babá, Henrique, Luís Carlos e Alfredinho. Jogava desfalcado dos jogadores que estava servindo àquela mesma Seleção Brasileira, e que eram quatro: Moacir, Joel, Dida e Zagallo.
O amistoso seguinte, em 14 de maio de 1958, era contra a Bulgária no Maracanã. Para ampliar o apoio da torcida local, Feola lançou a campo um onze brasileiro que tinha aos quatro jogadores rubro-negros como titulares. Só não havia jogador do Flamengo na defesa, formada pelo goleiro Castilho, do Fluminense, os laterais De Sordi, do São Paulo, e Nilton Santos, do Botafogo, e uma dupla de zaga com Mauro Ramos, do São Paulo, e Zózimo, do Bangu. O meio de campo tinha a Zito, do Santos, na função de contenção, e a Moacir, do Flamengo, na função de armação. No ataque, uma linha cm três rubro-negros, formada pelo ponta-direita Joel, o ponta de lança Dida e o ponta-esquerda Zagallo. Só não era jogador rubro-negro nesta linha o centroavante Altafini Mazzola, do Palmeiras.
Com apoio maciço e ainda mais robusto vindo da arquibancada, naquele campo que os jogadores do Flamengo tão bem conheciam, o Brasil venceu impiedosamente por 4 a 0, com todos os quatro gols tendo sido marcados por jogadores rubro-negros: Dida e Moacir no 1º tempo, e Moacir novamente e Joel no 2º tempo.
Ficha do Jogo:
14/05/1958 - BRASIL 4 x 0 BULGÁRIA
Amistoso - Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro
Gols: Dida (20'1T), Moacir (44'1T) e Moacir (9'2T), e Joel (36'2T)
Brasil: Castilho, De Sordi, Mauro Ramos, Zózimo e Nilton Santos; Zito e Moacir; Joel, Altafini Mazzola, Dida (Pelé) e Zagallo.
Técnico: Vicente Feola
Bulgária: Georgi Naydenov, Kiril Rakarov, Manol Manolov, Stefan Bozhkov (Yoncho Arsov) e Metodi Nestorov; Ivan Dimitrov e Todor Diev; Georgi Dimitrov, Panayot Panayotov (Spiro Debarski), Nikola Kovachev e Krum Yanev.
Técnicos: Stoyan Ormandzhiev e Krum Milev
A segunda vez aconteceu em 1961. O Brasil tinha sido Campeão Mundial na Suécia em 1958. Em 1961, seria novamente Campeão Mundial, desta vez no Chile. A base de ambas as seleções campeãs mundiais eram basicamente as mesmas, mudando a penas a dupla de zagueiros. O ataque daquela Seleção Brasileira todos sabem pronunciar até hoje: Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo.
O técnico do time em 1961 era Aymoré Moreira, mesmo que estaria a frente do comando da verde e amarela no ano seguinte no Chile. Tomando os jogadores mais utilizados por aquele naquele ano, o time titular do Brasil era formado por: Gilmar, goleiro do Corinthians, Jair Marinho, lateral-direito do Fluminense, por um revezamento entre os zagueiros Bellini, do Vasco, e Mauro Ramos e Calvet, ambos do Santos, e com o sistema defensivo fechando com Nilton Santos, do Botafogo, na lateral-esquerda. No meio de campo, Zito, do Santos, e Didi, do Botafogo, e uma linha de frente na qual se revezavam Garrincha e Amarildo, do Botafogo, e Coutinho, Pelé e Pepe, do Santos. Portanto, uma base na qual nenhum jogador do Flamengo fazia parte naquele momento.
Em 29 de junho, o Brasil entrava em campo para enfrentar ao Paraguai em partida amistosa no Maracanã. O técnico do selecionado simplesmente lançou a campo um ataque inteiro formado por jogadores rubro-negros: Joel, Henrique, Dida e Babá. No resto do time estavam escalados Gilmar no gol, Djalma Santos, então no Palmeiras, na lateral-direita, com uma zaga formada por Valdemar Carabina, do Palmeiras, e Jadir, quarto-zagueiro do Flamengo. Na lateral-esquerda entrou Ary Clemente, do Corinthians. O meio de campo era todo do Palmeiras, formado por Zequinha e Chinesinho. Também eram do Palmeiras os dois jogadores que entraram no segundo tempo, o zagueiro Aldemar e o atacante Zeola.
O fato é no onze inicial, nada menos do que cinco jogadores eram do Flamengo. Jogando no Rio de Janeiro, no Maracanã, a torcida rubro-negra foi prestigiar de forma maciça a aquele time com 5 jogadores do time rubro-negra que entrariam em campo com a camisa amarela. A torcida empurrou, e em campo o ataque do Flamengo resolveu.
A linha de frente do Flamengo em 1961
Da esquerda para a direita de pé estão
Gérson, Henrique Frade e Dida
e agachados estão Joel e o pequenino Babá
O time alvi-rubro saiu na frente, com gol logo a 8 minutos de bola rolando. E nisto ficou o resultado do primeiro tempo. Na etapa final, o ataque do Flamengo decidiu. O ponta-direita Joel empatou, com a sua camisa 7, o ponta de lança Dida, envergando a camisa 10, marcou o gol da virada, e foi o centroavante Henrique Frade quem ampliou, marcando o terceiro tento. Os paraguaios ainda diminuíram, mas o Brasil venceu por 3 a 2 graças à participação mais do que ativa dos jogadores do Flamengo dentro de campo, e do empurrão extra de apoio que veio de almas rubro-negras que estavam aquela tarde nas arquibancadas do Maracanã.
Ficha do Jogo:
29/06/1961 - BRASIL 3 x 2 PARAGUAI
Amistoso - Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro
Gols: Fretes (8'1T), Joel (5'2T), Dida (18'2T), Henrique Frade (27'2T) e Silvio Parodi (33'2T)
Brasil: Gilmar, Djalma Santos, Valdemar Carabina, Jadir (Aldemar) e Ary Clemente; Zequinha e Chinesinho; Joel, Henrique Frade, Dida (Zeola) e Babá.
Téc: Aymoré Moreira
Paraguai: Epifanio Benítez, Salvador Breglia, Carlos Monín (Antonio Insfrán), Idalino Monges e Elígio Echague; Claudio Lezcano (Ángel Giménez) e Enrique Jara Saguier; Juan Giménez (Eliseo Insfrán), Alejandro Fretes, Benicio Ferreira e Silvio Parodi.
Téc: Aurelio González


