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terça-feira, 7 de outubro de 2025

FLAMENGO x LIBRA: os embasamentos da Guerra Judicial

Já há muito tempo que a "Guerra Fria" no futebol brasileiro, especialmente um embate "Paulistas vs Flamengo" pela penetração em quantidade de torcida Brasil afora, e pelos consequentes acessos econômicos derivados disto, tornou-se uma "Guerra de Fato". Os soldados já estão identificados na Mídia Esportiva, e os (e as) generais já não escondem suas estratégias!

Abaixo, seguem análises postadas pelo advogado Lucas Mourão analisando a tese, a posição oficialmente divulgada pelo clube, e matéria do site Consultor Jurídico, com a opinião de diferentes advogados sobre os argumentos.

Matéria do Mundo Bola Flamengo divulgando postagens do advogado Lucas Mourão e a Nota Oficial do Flamengo:

A disputa entre Flamengo e Libra, que envolve o contrato de direitos de transmissão com a Rede Globo, ganhou novo capítulo após decisão da Justiça do Rio de Janeiro. O advogado Lucas Mourão, especialista em direito esportivo, publicou uma análise detalhada sobre o caso em sua conta no Twitter, trazendo luz aos argumentos do clube carioca.

O ponto central: a divisão da "audiência": o contrato firmado entre a Libra e a Globo prevê que 30% do valor total seja destinado à rubrica "audiência". O problema é que, na assinatura do acordo, os critérios de distribuição desse montante não foram definidos. Isso abriu brecha para contestação, já que o Estatuto da Libra determina que qualquer deliberação sobre essa divisão deve ser aprovada por unanimidade entre os membros.

Na prática, a assembleia de clubes aprovou as regras por maioria, com Flamengo e Volta Redonda votando contra. Para Mourão e outros juristas, essa decisão fere o estatuto da própria Libra.

A regra ignorada: período de transição

Outro ponto destacado pelo advogado é que o estatuto prevê um período de transição, garantindo aos clubes receita mínima equivalente ao que receberam em 2023, corrigida pelo IPCA. Segundo a interpretação de Mourão, a Libra também não estaria cumprindo essa regra estatutária, o que fragiliza ainda mais a posição da liga.

A decisão da Justiça: diante da controvérsia, a Justiça do Rio determinou que a Globo siga pagando normalmente as parcelas referentes à divisão equânime (40%) e à colocação no campeonato (30%). Já a parte da audiência (30%) deve ser depositada em juízo até que haja decisão final. O mérito do caso será julgado pela Câmara de Mediação e Arbitragem, foro previsto no estatuto da Libra para solucionar conflitos internos.

Na avaliação de Lucas Mourão, o Flamengo tem razão em questionar a forma como a Libra está conduzindo a divisão das receitas. Para o clube, não se trata apenas de defender sua fatia no contrato, mas também de assegurar que as regras previamente estabelecidas sejam cumpridas. A disputa, portanto, vai além do aspecto financeiro. Está em jogo a credibilidade da Libra como entidade organizadora e o futuro do modelo de distribuição de receitas no futebol brasileiro.

Flamengo divulgou comunicado à Imprensa: o clube explicou que recorreu à Justiça para evitar prejuízos na divisão das receitas por audiência. O clube afirmou que os critérios adotados pela Libra não reconhecem seu poder de geração de receita e destacou que o estatuto da liga prevê unanimidade, mas seu veto foi desconsiderado na assembleia. A nota reforçou que o clube buscou uma solução amigável antes da ação judicial e que está disposto a negociar, desde que sejam respeitados os direitos estatutários e a representatividade rubro-negra.


Nota do Flamengo sobre a Libra (01/10/2025)

"Para tentar esclarecer de forma direta a questão envolvendo Libra e Flamengo seguem abaixo Fatos e Fakes a respeito do assunto.

Em resumo:

O Flamengo entrou na Libra porque quis e porque acredita numa liga. O clube quer um acordo, não impõe nada a ninguém e nem pode aceitar imposição.

A questão gira em torno dos critérios para a divisão da verba de 30% das receitas de transmissão de TV.

A Libra botou em votação 6 cenários para a divisão. O Estatuto determina que a solução tem que ser por unanimidade. Flamengo e outros clubes votaram em cenários diferentes. Não houve consenso, o Flamengo entrou na Justiça porque a verba estava sendo paga segundo a divisão não aprovada por todos os clubes.

FATO OU FAKE?

É falso que o Flamengo não queira participar de uma Liga. Se fosse o caso, não teria ingressado na Libra.

É falso que o Flamengo esteja buscando uma 'virada de mesa'. O Clube respeita os contratos — basta consultar todas as atas de reuniões para comprovar.

É falso que o Flamengo negue ter assinado contrato e queira reverter suas condições, mudando a regra do jogo. A convocação da Assembleia Geral da Libra em maio de 2025 é clara: convoca para a votação e aprovação de cenários relativos à audiência na venda dos direitos de transmissão.

É falso que o Flamengo esteja pleiteando receber de volta R$ 100 milhões.

É falso que tenha sido acordada qualquer definição de percentuais de audiência. O Estatuto é omisso nesse ponto. Por isso, a assembleia geral da Libra teve que deliberar sobre a lacuna existente no estatuto. Não houve uma conclusão. O Flamengo votou contra a opinião dos demais clubes. Mesmo assim, a Globo pagou as parcelas, segundo o cenário proposto pela Libra, o que é ilegal, pois fere a unanimidade do Estatuto.

FATO

O Flamengo está cumprindo o Estatuto. Acontece que o Estatuto precisa ser complementado. Do Estatuto não constam os percentuais de audiência dentro dos 30% destinados a essa fatia na divisão dos direitos de transmissão — justamente o ponto que precisa ser regulamentado.

O Flamengo sempre buscou diálogo. A Liga apresentou cinco opções de cenários e o Flamengo acrescentou mais uma. Após a assembleia de agosto, o Flamengo procurou três clubes para negociar. Nos encontros, o Flamengo reiterou a proposta de se ter um cenário alternativo para 2025 (cenário 4) e discutir um critério para os anos de 2026 a 2029. Nenhum clube aceitou discutir nada, mantendo postura irredutível.

O Flamengo sempre esteve aberto a acordo, mas nem a Libra nem os clubes apresentaram qualquer contraproposta em qualquer momento, desde fevereiro de 2025.

Não há qualquer documento que comprove a definição dos percentuais de audiência.

O Estatuto tem uma regra de transição que assegura, a todos os clubes, receber um valor mínimo garantido nos anos de 2025 a 2029, equivalente à quantia recebida em 2023 corrigido pelo IPCA. Se esta regra do Estatuto tivesse sido respeitada em 2025 o Flamengo receberia R$ R$ 321.181.432 nesse ano.

Ao considerar como válida uma aprovação irregular (sem unanimidade) e distribuir recursos sem respaldo estatutário, (pagamentos feitos pela Globo) a Libra age de forma ilegal."


Complementarmente, segue matéria sobre o processo do site Consultor Jurídico (www.conjur.com.br), na qual os advogados Fernanda Perregil, José Jerônimo Nogueira de Lima, Matheus Annes Ferrão, e novamente Lucas Mourão expõem as suas análises:

"Em uma disputa tão eletrizante quanto uma final de campeonato, o Flamengo desafiou a Ligas de Futebol Brasileiro (Libra) no tapetão judiciário. A questão objetiva é se o time com maior torcida do país deve se dobrar ao comando absoluto de times com menos expressão, mas em maioria na liga.

A contenda abriu um debate novo no Direito Associativo nos trechos em que trata do poder de veto — assegurado a todos associados — e as regras de transição que funcionam como mecanismos de proteção, especialmente quando há risco de prejuízo para qualquer dos membros.

O princípio que governa o estatuto tem como base a convivência entre interesses coletivos e individuais, buscando equilibrar a vontade da maioria com a proteção de direitos da minoria. Esse equilíbrio é testado em situações que envolvem decisões financeiras ou contratuais relevantes.

A discussão promete abrir o próximo embate arbitral de repercussão nacional, para se definir os valores a receber pelos direitos de transmissão dos jogos da primeira divisão do campeonato nacional.

Teses em conflito

No Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a desembargadora Lucia Helena do Passo, da 11ª Câmara de Direito Privado reconheceu a procedência da argumentação e concedeu liminar para que R$ 83 milhões devidos pela TV Globo fossem depositados em juízo durante a discussão.

A alegação é que o estatuto da Libra foi descumprido diante da distribuição do dinheiro sem a concordância de todos os membros quanto aos critérios para o cálculo de audiência. Já a Libra afirma que o estatuto é autoaplicável e não necessita de definições adicionais. E que o fato de o Flamengo e outros não concordarem não inviabiliza os pagamentos — mesmo diante da necessidade de unanimidade.

Como a Libra foi criada há apenas dois anos, o estatuto também prevê uma regra de transição, para que o rearranjo dos valores não prejudique direitos adquiridos: os clubes permaneceriam recebendo o mesmo que receberam em 2023, corrigido pelo IPCA. No pedido à Justiça, o Flamengo alega que essa previsão foi ignorada, o que a Libra nega.

Paradigmas análogos

Segundo Fernanda Perregil, diretora de Advocacy do Instituto Sea Shepherd Brasil, embora seja um mecanismo mais comum em sociedades empresariais, como ocorre na Lei das Sociedades Anônimas, no caso das associações, o direito de veto pode existir se estiver expressamente previsto no estatuto social.

“O estatuto social, portanto, é o documento central que disciplina a maior parte das questões internas, incluindo eventuais regras de transição aplicáveis quando há mudanças no critério de votos, nos direitos dos associados ou em aspectos financeiros”, afirma a advogada.

Ela acrescenta que essas regras têm como finalidade proteger direitos adquiridos, garantir o mínimo de segurança jurídica, evitar que novas normas prejudiquem imediatamente os associados, preservar contratos e compromissos assumidos, além de estabelecer prazos razoáveis para adaptação às novas regras

Ela lembra que o artigo 54, I, do Código Civil, reforça essa prerrogativa ao exigir que o estatuto disponha sobre a forma de administração da associação, incluindo competências, forma de votação e direitos dos associados.

“Nesse contexto, o direito de veto pode ser instituído como mecanismo de proteção de interesses estratégicos de determinados membros ou categorias, bloqueando deliberações coletivas mesmo quando aprovadas pela maioria”, ressalta.

Perregil explica que a finalidade do veto não é favorecer grupos específicos, mas equilibrar o poder interno da associação, garantindo que decisões estruturais ou de grande impacto sejam tomadas de forma mais cautelosa e em consonância com os interesses e a finalidade da organização.

“Por essa razão, em associações como clubes esportivos, o direito de veto costuma representar uma ferramenta de segurança e confiabilidade na tomada de decisões, evitando abusos e assegurando maior legitimidade às deliberações”, completa.

Previsões estatutárias

José Jerônimo Nogueira de Lima, especialista em Direito Administrativo, sócio do Nogueira e Grieco Advogados Associados, explica que o formato associativo previsto no ordenamento jurídico brasileiro assegura uma margem de liberdade para seus integrantes definirem suas regras internas, tais como a atuação dos seus órgãos deliberativos.

“A previsão estatutária de um direito de veto a uma decisão associativa por um integrante é possível e o seu desrespeito pode ser questionado no Judiciário”, ressalta Nogueira de Lima.

Sobre a definição de regras de transição, segundo Lima, uma deliberação associativa é suficiente “para a alteração segura de um regime para outro, desde que observados as regras estatutárias.”

Lucas Mourão, advogado da Flora, Matheus & Mangabeira Sociedade de Advogados, esclarece que, quando todos os membros de uma associação detêm o direito de veto, ele se converte em instrumento de controle coletivo mais rígido: “Não basta maioria, exige-se consenso pleno para alterações críticas como essa”.

Diferentemente de outros advogados ouvidos, Mourão analisou o estatuto da Libra e garante: todos os membros têm direito de veto para alterações nos critérios de rateio da parcela audiência. “O Flamengo sustenta que a assembleia da Libra aprovou o novo critério sem unanimidade, o que violaria a cláusula estatutária de veto”.

A respeito da alegação do clube de que foi desconsiderada a norma de transição estatutária que garantia a receita mínima dos clubes com base nos valores de 2023, Mourão reconhece que a regra serve de proteção contra perdas abruptas decorrentes da nova formulação.

Simetria e equilíbrio

“A regra de transição funciona como mecanismo de mitigação de risco econômico e institucional, concedendo um ‘acolhimento gradual’ à nova norma, de modo a respeitar expectativas já consolidadas”, afirma Mourão.

Para o advogado, as duas figuras estatutárias — o veto universal e a norma de transição — atuam “em conjunto para proteger os clubes de modificações abruptas que possam desestruturar suas receitas e sua confiança nas regras da associação”.

Matheus Annes Ferrão, sócio do escritório Eduardo Ferrão Advogados Associados, salienta que a divergência entre Flamengo e Libra joga luzes nesses dois institutos, pouco explorados no direito associativo: o direito de veto e as regras de transição.

“Enquanto o veto é um instrumento de bloqueio para salvaguarda de posições específicas, as regras de transição são instrumentos de acomodação, que asseguram equilíbrio e estabilidade em processo de mudança. O debate é relevante porque evidencia como a governança das ligas esportivas demanda soluções jurídicas que conciliem a força dos grandes e sustentabilidade dos demais. Enfim, o caso do Flamengo x Libra não é só sobre dinheiro de TV. É sobre como o direito associativo lida com poder e equilíbrio”, afirma Ferrão".

Integra da matéria: "Poder de veto e regras de transição opõem clubes".


Argumentos jurídicos detalhados pela Diretoria do Flamengo em Reunião do Conselho Deliberativo do clube realizada na noite de 7 de outubro de 2025 na Gávea:


Necessidade de Unanimidade no Estatuto da Libra

O departamento jurídico do Flamengo apresentou trechos do estatuto da Libra que embasam o argumento de que qualquer alteração do Anexo 1, o qual trata da fórmula de rateio da verba de Audiência de TV, só poderia ser aprovada por unanimidade:

"Art. 15 - ... Parágrafo segundo. Quando as deliberações envolverem a alteração do Anexo I deste Estatuto Social, deverão ser aprovadas pela unanimidade dos Clubes Associados".

"Art. 51 - Os critérios de repartição entre os Clubes Associados de quaisquer recursos oriundos dos direitos, serviços e produtos dos Clubes Associados integrantes da Série A e da Série B do principal campeonato nacional em curso no Brasil durante os anos de 2025, 2026, 2027, 2028 e 2029 serão aqueles aprovados pela unanimidade dos Clubes Associados, observadas as premissas obrigatórias estabelecidas no Anexo 1 deste estatuto".

O documento também cria um Período de Transição para o biênio 2025-2029 que garantiria que todos os clubes continuassem a receber no mínimo os percentuais de receita referentes à temporada de 2023. Mas a cláusula foi ignorada nos cenários "aprovados" pelos clubes sem unanimidade.


Uma fórmula de rateio incompleta

O ponto central é que, embora a fórmula do Anexo 1 tenha sido aprovada na assembleia de setembro de 2024, a cláusula é indefinida para uso prático. O contrato com a Rede Globo não especifica quanto é pago por cada plataforma (TV aberta, TV fechada e pay-per-view). A fórmula do Anexo 1 exige essa discriminação para calcular corretamente a participação de cada clube. Sem estes dados, não é possível realizar um rateio que reflita corretamente as receitas.

O Flamengo deixou claro que aprovou o estatuto da Libra, o que inclui o Anexo 1, mas reforça que a cláusula não delimita todo o rateio de audiência, porém: "É FATO que nas discussões com a Libra a atual direção do Flamengo tem afirmado, de forma peremptória, que a fórmula de rateio dos 30% da remuneração fixa, denominada por Audiência estabelecida no Anexo 1 do Estatuto, aprovada na assembleia de setembro de 2024, é incompleta".

"É FALSA a afirmação veiculada em redes sociais de que o Flamengo nega ter aprovado, na assembleia da Libra realizada em setembro de 2024, a alteração da fórmula de rateio dos 30% da remuneração fixa denominada por Audiência, constante do Anexo 1 do Estatuto da Libra. É FATO que o Flamengo jamais alegou isso e reconhece que aprovou a alteração do Anexo 1 do Estatuto". 

"TANTO É FATO que a fórmula de rateio dos 30% da remuneração fixa, denominada por Audiência, estabelecida no Anexo 1 do Estatuto é incompleta, que na primeira reunião que o Flamengo realizou com a Matos Projects, empresa contratada pela Libra para gerir o contrato celebrado com a Globo, ela apresentou 5 cenários diferentes, construídos a partir de variadas premissas e com uma ponderação de receitas arbitradas, tudo com o objetivo de complementar a fórmula do Anexo 1 do Estatuto, no que tange à verba de Audiência".

A apresentação complementou: "Sem estas informações ninguém poderá fazer um rateio da verba de Audiência através da simples aplicação da fórmula descrita no Anexo 1".

A disputa envolveu cinco cenários elaborados pela Matos Projects, cada um com uma forma diferente de calcular quanto cada clube receberia da verba de audiência da Globo. Alguns cenários consideram o número de domicílios ligados durante os jogos, outros o número de indivíduos que assistiram, e alguns ainda aplicam ponderações ou incluem dados do pay-per-view. O Flamengo entende que esses 5 cenários não refletem corretamente a distribuição real e, por isso, propôs um sexto cenário, que busca equilibrar melhor os critérios e garantir que a fórmula do Anexo 1 seja aplicada de forma completa e justa.

Para ilustrar a diferença, a variação nos percentuais ajustados para o Flamengo vai de 10,5% no Cenário 1 a 14,4% no Cenário 5. Ou seja, dependendo do cenário adotado, o valor a ser recebido pelos clubes pode variar significativamente, o que evidencia a importância de definir corretamente os critérios de rateio.


Assembleia da Libra irregular

A Libra convocou Assembleia Geral Extraordinária em maio de 2025 para deliberar sobre os parâmetros de mensuração da audiência e o Fundo de Compensação. Durante a suspensão da assembleia, a Matos Projects autorizou a primeira parcela da verba sem consentimento do Flamengo:

"Em 25 de julho de 2025, a Matos Projects, sem o prévio consentimento do Flamengo, instruiu e autorizou a Globo a efetuar o pagamento da primeira parcela da verba de Audiência com base no Cenário 1, sem que este cenário tivesse sido aprovado pelo voto da unanimidade de clubes associados à Libra, em flagrante desrespeito ao Estatuto".

A assembleia da Libra foi inicialmente convocada para 16 de maio de 2025, mas foi suspensa antes da conclusão. Quando retomada em 26 de agosto, a pauta foi alterada sem aviso prévio, o que contraria o estatuto da associação. O Flamengo considera a mudança um abuso de poder, já que uma assembleia suspensa deveria se restringir aos temas originalmente convocados, e qualquer novo ponto exigiria um novo edital. O Flamengo notificou a Libra solicitando acesso às gravações da assembleia, mas ainda não recebeu o material.


A reunião do Conselho Deliberativo realizada em 07/10/2025 foi integralmente postada na Flamengo TV, disponível no YouTube:


Se os argumentos rubro-negros já não tivessem ficado claros o suficiente na reunião do seu Conselho Deliberativo, estes argumentos estão ainda mais detalhados na entrevista também publicada pela Flamengo TV em seu programa Mengocast, com Marcelo de Campos Pinto, representante do Clube de Regatas do Flamengo na LIBRA, e antes por 22 anos Diretor Executivo na Rede Globo responsável pelas negociações de Direitos de Transmissão do futebol brasileiro.

Além de detalhar os argumentos rubro-negros na ação judicial movida contra a LIBRA, o advogado e executivo de negócios ainda terminando falando qual é o seu ponto de vista sobre o futuro da Flamengo TV assumir todas as transmissões dos jogos do clube como Mandante a partir de 2029, o que poderá colocar de vez por todas um ponto final em todas as discussões de repartição de direitos de transmissão a partir de 2030. A Flamengo TV já está desde este ano de 2025 se preparando para isto, dado que faz as transmissores internacionais, sendo o único clube brasileiro das Séries A e B a negociar os direitos de transmissão internacional individualmente, enquanto os outros 39 clubes o fizeram coletivamente, unidos.



Veja também aqui no blog:


- A Guerra Fria no Futebol Brasileiro (artigo de 2012)


- LIBRA: outra oportunidade perdida


- Só o Flamengo faz frente aos paulistas (artigo de 2017)


quinta-feira, 15 de maio de 2025

POLÍTICA & ECONOMIA na GÁVEA


Com um click nas imagens abaixo, acesse o respectivo link com o histórico de cada uma das histórias narradas sobre situações políticas e econômicas do futebol rubro-negro e brasileiro:



POLÍTICA INTERNA:















POLÍTICA EXTERNA:












FATOS ECONÔMICOS:




quarta-feira, 30 de abril de 2025

Reunião do Conselho Deliberativo do Flamengo em 29/04 expôs os Detalhes do Acordo LIBRA - REDE GLOBO


Trazendo a reprodução de algumas matérias que resumiram muito bem a exposição feita pelo Conselho Diretor do Flamengo da Gestão de Luiz Eduardo Baptista (triênio 2025-2027) na qual foram detalhados os prejuízos impostos aos cofres do Flamengo imposto pelo Acordo de Direitos de Transmissão assinado entre a LIBRA e as Organizações Globo durante o segundo mandato da Gestão de Rodolfo Landim (triênio 2022-2024).

A matéria do site Fla.MundoBola (ex site Mundo Rubro-Negro), publicada em 30 de abril foi a que melhor detalhou. O título da matéria foi "Flamengo expõe bastidores da Libra: oferta superior à da Globo foi ignorada", de autoria de Matheus Celani, que pode ser integralmente vista em: https://fla.mundobola.com/flamengo-expoe-bastidores-da-libra-oferta-superior-a-da-globo-foi-ignorada/


Em resumo:

- a LIBRA desconsiderou uma oferta maior para assinar com a Rede Globo

- PROPOSTA ORIGINAL DA GLOBO (apreciada e aprovada na LIBRA) era de R$ 1,3 bilhão, desde que todos os clubes assinassem

- LIBRA recebeu proposta de até R$ 1,6 bilhão anual do grupo investidor da Liga Forte União (LFU)

- PROPOSTA DO GRUPO INVESTIDOR DA LFU (desconsiderada): valor mínimo garantido de R$ 1,3 bilhão pelos direitos dos clubes da LIBRA, com receitas adicionais podendo chegar a até R$ 1,6 bilhão que seriam 100% da Libra (performance atingível: mercado pagou R$ 3,1 bi em 2023)

- ainda na PROPOSTA DO GRUPO INVESTIDOR DA LFU (desconsiderada): receitas adicionais acima de R$ 1,6 bilhão seriam rateadas na proporção de 70% para a LIBRA e 30% para o Grupo Investidor

- também foi apresentada uma proposta do Grupo Mubadala que não foi devidamente avaliadas: "Por pressão de Flamengo, Palmeiras e Botafogo, foi decidido fechar com a Globo sem maior análise das demais propostas"

- com a retirada do Corinthians, o acordo da LIBRA com a Globo prevê pagamento de R$ 1,17 bilhão por ano, abrangendo TV aberta, fechada e streaming, a ser distribuído entre os clubes

- no Novo Contrato, o Flamengo abriu mão de receber um ganho de valor mínimo garantido

- projeção é que Flamengo receba em torno de R$ 195 milhões anuais no Novo Contrato assinado com a Globo

- este montante representa uma redução de quase R$ 100 milhões por ano frente à média de R$ 292 milhões anuais que o Flamengo arrecadou com o contrato com a TV Globo para o período 2019-2024

- a proposta da LFU, segundo a apresentação feita na reunião do CoDe, reconhecia o Flamengo como "principal blockbuster do país" e oferecia R$ 275 milhões por ano ao Flamengo a partir de 2025

- na conclusão das negociações, a LIBRA fechou com a Rede Globo os direitos como mandante de seus nove filiados, e a LFU optou por um modelo pulverizado entre Rede Record na TV aberta, CazéTV no YouTube, Amazon Prime com uma partida exclusiva por rodada, e a Rede Globo com imagens em diversas plataformas mas sem exclusividade.


Na Proposta do Grupo de Investidores da LFU não aceita pelos clubes da LIBRA, caso a receita total gerada ultrapassasse R$ 1,6 bilhão, o valor excedente seria dividido. Segundo o exemplo mostrado ao CoDe: sendo R$ 3,1 bilhão, os primeiros R$ 1,6 bilhão seriam distribuídos na Libra seguindo os critérios, e os R$ 1,5 bilhão excedentes seriam então divididos em 70% para a Libra (R$ 1,05 bilhão) e 30% com o grupo investidor (R$ 450 milhões). Reconhecido como força do mercado, o Flamengo possivelmente seria o maior beneficiado.

A recusa da proposta maior fez o Corinthians abandonar a Libra. A postura de Flamengo, Palmeiras e Botafogo de não apreciar a melhor oferta fez o Corinthians decidir abandonar o bloco e migrar para Liga Forte União, onde conseguiu um montante anual de R$ 230 milhões. A decisão foi muito prejudicial para os times da LIBRA, já que o contrato com a Globo previa a redução do valor em caso da saída de Flamengo, Palmeiras, São Paulo ou Corinthians. O acordo reduziu de R$ 1,3 bilhão para os R$ 1,17 atuais.

Conclusão da apresentação em powerpoint feita para os conselheiros do Flamengo: a LFU reconheceu o tamanho do Corinthians em termos de audiência e o clube negociou um acordo que lhe garante um mínimo anual de R$ 230 milhões, valor que nenhum outro clube jamais receberá no contrato da Globo assinado com a LIBRA.

A fotografia de alguns slides foi reproduzida pelo perfil de Matheus Leal (@matheusleal1) no X (twitter):



A Diretoria do Flamengo também detalhou os números com Direito de Transmissão, os mesmos publicados no site do clube no Demonstrativo Financeiro, adicionando um comparativo com o valor arrecadado divulgado pelos rivais: em 2024, o Flamengo foi o que mais arrecadou com cotas de TV no Campeonato Brasileiro, somando R$ 292 milhões (dos quais R$ 197 milhões por conta do sistema pay per view), fechando o ano a frente de Corinthians (R$ 210 milhões), Palmeiras (R$ 170 milhões), Grêmio (R$ 134 milhões) e São Paulo (R$ 128 milhões). Desses cinco clubes, quatro fazem parte da Libra. O único integrante da Liga Forte União (LFU) no top 5 é o Corinthians, que migrou da LIBRA para a LFU em julho de 2024 pelas razões expostas acima, e que passará a ser o maior arrecadador com Direitos de Transmissão nos novos termos acordados pela Gestão de Rodolfo Landim. Na soma arrecadada pelos clubes que compõem os dois blocos em 2025, em 2024 os clubes da LIBRA arrecadaram R$ 1,058 bilhão e os da LFU arrecadaram R$ 1,090 bilhão.


Veja também todo o histórico das negociações entre 2022 e 2024 aqui: Liga de Clubes do Brasil: mais uma chance perdida



sábado, 1 de março de 2025

Compromissos da Gestão 2025-2027 de Luiz Eduardo Baptista


GESTÃO 2025-2027 do FLAMENGO: Quem é Quem na Direção do Clube



OS 11 COMPROMISSOS DE CAMPANHA DE LUIZ EDUARDO BAPTISTA

1. GOVERNANÇA
PROFISSIONALIZAÇÃO, TRANSPARÊNCIA E INDEPENDÊNCIA
Priorizamos a profissionalização, modernização, transparência, trabalho em equipe e independência em todas as nossas ações, construindo um legado duradouro para o clube

2. CLUBE SOCIAL
O MELHOR CLUBE SOCIOESPORTIVO DO RJ ATÉ 2030
Nosso objetivo é tornar o Flamengo o melhor clube sócio-esportivo do Rio de Janeiro até 2030, oferecendo uma infraestrutura de excelência para todos os associados

3. REMO
RESGATAR A VISIBILIDADE DO REMO COMO O ESPORTE ICÔNICO DO RIO
Honramos nossa tradição desde 1895, continuando a investir e promover essa modalidade que é a raiz do nosso clube

4. ESPORTES OLÍMPICOS
UM DOS MAIORES FORMADORES DE ATLETAS OLÍMPICOS
Estamos comprometidos em ser um dos maiores formadores de atletas olímpicos do país, contribuindo para o esporte nacional e para o legado do Flamengo

5. FUTEBOL
HEGEMÔNICO NAS AMÉRICAS
Flamengo, hegemônico nas Américas!

6. PATRIMÔNIO
PROTEÇÃO, VALORIZAÇÃO E CRESCIMENTO
Nosso foco está na proteção, valorização e crescimento do patrimônio do clube, garantindo que o Flamengo continue a ser um gigante também fora das quatro linhas

7. RELAÇÕES EXTERNAS
LIDERAR PELO EXEMPLO
Vamos liderar pelo exemplo, estabelecendo padrões de excelência em todas as nossas interações e parcerias

8. RESPONSABILIDADE SOCIAL
REFERÊNCIA NA LUTA CONTRA O RACISMO
Engajamento na luta contra o racismo usando nossa plataforma para promover a igualdade e a justiça social

9. MARKETING
NOSSO MAIOR GERADOR DE NEGÓCIOS
O marketing será nosso maior gerador de negócios, com foco na monetização da nossa marca, explorando novas oportunidades e expandindo a marca Flamengo globalmente

10. TECNOLOGIA & INOVAÇÃO
BASE PARA A INDEPENDÊNCIA E HEGEMONIA NOS ESPORTES
A tecnologia e a inovação serão a base para nossa independência e hegemonia nos esportes, garantindo que o Flamengo esteja sempre à frente

11. FINANÇAS
MANTER E PROTEGER A ESTABILIDADE FINANCEIRA INICIADA EM 2013
Decisões esportivas e estratégicas do clube alinhadas para que nunca haja retrocesso da estabilidade financeira





OS 5 COMPROMISSOS PARA O CONSELHO DELIBERTATIVO

1. Reforma do Estatuto
O principal ponto na candidatura de Lomba é a reforma do Estatuto do Flamengo, em plano que casa com o que Bap planeja para a gestão do clube. A ideia do presidente é reduzir o número de vice-presidências e esvaziar cargos amadores, tornando o clube profissional no maior número possível de áreas.

Para isso, Bap precisa submeter uma proposta ao Conselho Deliberativo, que aprecia e vota as mudanças. Com Lomba no comando, a aprovação do projeto fica mais próxima, algo já confirmado por Luiz Eduardo Baptista nos dias anteriores ao pleito do CoDe.

"O Estatuto do Flamengo foi elaborado em 1992 e já passou por diversas emendas. Substituir por um novo não é tarefa simples, nem imediata. Então, existem mudanças urgentes que podem antecipar alterações. O clube precisa caminhar para o profissionalismo. Ao CoDe, precisa ser encaminhada uma proposta para adequar estrutura e papéis do Conselho Diretor ao tipo de governança proposta do Plano de Governo do presidente Bap, recém-eleito", explicou Lomba de forma exclusiva ao MundoBola.

2. Profissionalismo como Lei
Tornar o clube profissional nos próximos anos é uma meta de Lomba e Bap, mas não apenas isso. A intenção de Ricardo é fazer do profissionalismo uma Lei do Flamengo para o futuro, norteando também as gestões que ainda virão. Para isso, o próprio regimento interno do clube precisa prever o profissionalismo como algo obrigatório.

"O Flamengo tem que seguir avançando, com governança reforçada, com poderes independentes, com pesos e contrapesos bem definidos e principalmente com um clube democrático tocado de forma profissional, não só como opção, mas como obrigação estatutária. Precisamos escrever em pedra o que José Bastos Padilha iniciou, o que a transformação das finanças e a gestão do clube iniciou, mas ainda ficou para trás. Isso não pode mais ser uma escolha, mas um pilar do clube", explicou.

3. Modernização do CoDe
Dentro do próprio Conselho Deliberativo, Lomba também planeja executar algumas mudanças. As principais passam pela modernização da estrutura, que já contou com reuniões híbridas e realiza votações eletrônicas. A disponibilização de documentos, porém, só acontece de forma presencial — e representa um dos tópicos que Ricardo pretende mudar.

"Temos visto tentativas de melhorar a dinâmica das reuniões, com votações eletrônicas sendo conduzidas, mas ainda temos um conselho em que poucos conselheiros conseguem ter acesso com antecedência aos documentos avaliados nas reuniões. Isso por termos documentos somente disponíveis de forma presencial. Isso não combina com um mundo digital, em que reuniões híbridas, já testadas até no clube durante a pandemia, são a realidade das relações de trabalho e de governança de empresas de faturamento do porte do nosso", disse Lomba.

4. Mudanças no processo eleitoral
As recentes judicializações durante as eleições também incomodam Lomba. Segundo ele, é um sinal de que os processos não são "claros e seguros o suficiente". O novo presidente do CoDe, inclusive, citou a evolução das regras eleitorais como um dos três principais itens que deseja mudar no Flamengo.

"Também temos que discutir como se dá o processo eleitoral, melhor sinal de que algo em nossa governança interna e regras não estão claras e seguras o suficiente é a sucessão de casos de judicialização de eleições no clube. Aqui não faço uma crítica a um cidadão ou grupo de cidadãos buscarem a Justiça, mas um indicativo de regra antiga é todo momento haver disputa na Justiça, isso aqui é Flamengo, meus caros", analisou.

5. Estádio
O estádio do Flamengo também foi um tema debatido por Lomba recentemente. Para ele, há a necessidade de obter mais informações sobre o projeto, principalmente em relação ao terreno comprado pelo clube no Gasômetro. Ricardo afirmou que a aprovação aconteceu "na empolgação", mas também crê na importância da arena para o futuro rubro-negro.





OS 6 PILARES DE GESTÃO PROMETIDOS

Profissionalismo: a base que garante a sustentabilidade e o sucesso a longo prazo do clube. No cenário competitivo do esporte moderno, a gestão eficiente e profissionalizada é essencial para maximizar receitas, otimizar recursos e manter a alta performance tanto
dentro quanto fora de campo.

Integridade e transparência: fazer as coisas de forma certa, evitando retrocessos, apostando em gestão e governança profissional, com gente reconhecidamente competente, comprometida com a governança e as boas práticas de gestão corporativa. Transparência nos atos, processos, contratos e pagamentos.

Responsabilidade: manutenção de austeridade e seriedade da gestão financeira, fiscal, social, jurídica e institucional, especialmente no que tange aos níveis de endividamento, nos investimentos e na prestação de contas de quaisquer iniciativas que impactem nas finanças, na imagem ou na estratégia do clube. Responsabilidade em relação à inclusão social.

Independência: o Flamengo é de TODOS, É multirracial, cultural e social. Caminhar com as próprias pernas, ser sustentável no patrimônio e na gestão financeira. Flamengo jamais terá sócio ou será vendido. Não à SAF!

Respeito: preservaremos a instituição, suas tradições, seus símbolos e o seu papel de inclusão social por meio do esporte e da convivência social. Seremos os guardiões do respeito aos ídolos e aos ex-dirigentes, aos sócios, aos conselheiros e aos poderes estatutários do clube. À torcida - nosso maior patrimônio. Aos nossos adversários e parceiros comerciais.

Comprometimento: com o mantra de gestão “Não basta ter talento, há que se ter fome de seguir no topo", em todos os campos de atuação do clube”.




sábado, 21 de dezembro de 2024

Quem é quem na Gestão 2025-27 do Flamengo


Presidente
Luiz Eduardo Baptista, Bap

Vice-Presidente Geral
Flávio Willeman

CEO
Paulo Dutra

Vice-Presidente de Relações Externas
Carlos Peixoto

Diretor de Relações Institucionais do Futebol
Marcelo "Dekko" Roisman

Representante na LIBRA
Marcelo de Campos Pinto

Vice-Presidente de Marketing & Comunicação
Ricardo Hinrichsen

Diretor de Marketing
Roberto Trinas

Diretor de Patrocínios
Marcos Senna Motta

Diretora de Comunicação
Flávia Da Justa

Diretor de Comunicação do Futebol
Rodrigo Paiva

Gerente de Redes Sociais
Paulo César Pereira

Gerente de Relacionamento com a Torcida
Marcelo Conti

Vice-Presidente de Finanças
Cláudio Pracownik

Diretor de Finanças
Fernando Góes

Vice-Presidente de Planejamento
Sérgio Bessa

Vice-Presidente de Administração
Marcos Motta

Vice-Presidente de Patrimônio
Rodrigo Tostes

Vice-Presidente de Patrimônio Histórico
José Antônio da Rosa

Vice-Presidente de TI
Fábio Coelho

Vice-Presidente de Futebol
Fábio Palmer

Diretor Executivo de Futebol
José Boto

Gerente de Scouting
Andrii Fedchenkov

Diretor de Categorias de Base do Futebol
Carlos Noval

Gerente de Administração e Logística do Futebol
Gabriel Skinner

Vice-Presidente de Esportes Olímpicos & Remo
Édson Figueiredo Menezes

Diretor de Esportes Olímpicos
Marcus Vinícius Freire

Vice-Presidente de Responsabilidade Social
Ricardo Campelo

Vice-Presidente de Secretaria Geral
Fábio Domingos

Vice-Presidente de Gabinete da Presidência
Pedro Iootty

Presidente do Conselho Deliberativo
Ricardo Lomba

Presidente da Assembleia Geral
Carlos Henrique Fernandes dos Santos 

Vice-Presidente da Assembleia Geral
Gustavo Gomes Fernandes



O Curriculum do Novo Corpo de Gestores do Flamengo:

Flávio Willeman: advogado e procurador do Estado do Rio de Janeiro, mestre em Direito da Empresa e Tributação pela Universidade Candido Mendes e doutor em Direito, Instituições e Negócios pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Foi Desembargador Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro de 2014 a 2016.

Rodrigo Tostes: é diretor financeiro da Light, distribuidora de energia do Rio de Janeiro, já tendo ocupado posições executivas em Thyssenkrupp, Comitê Olímpico Rio 2016, CCR VLT, e Descomplica Edtech. Participou do Conselho de Administração de Thyssenkrupp e CEDAE.

Cláudio Pracownick: foi sócio, diretor e presidente em instituições financeiras, como Banco Pactual, Banco Bozano-Simonsem, Banco Santander, Ágora Corretora, Banco Brasil Plural e Corretora Genial Investimebntos. Foi também sócio da Macedo Lobo & Pracownik Advogados, diretor financeiro do Grupo Brasif e sócio-fundador e presidente da Win The Game. É membro do Conselho de Administração do Banco Digimais e presidente da Flowa Technologies e da Base Exchange (projeto de futura Bolsa de Valores no Rio de Janeiro).

Fábio Coelho: é presidente do Google Brasil e vice-presidente da Google Internacional. Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com mestrado em Administração pela COPPEAD-UFRJ e pós-graduação pela Universidade de Harvard. Foi presidente do negócio digital da AT&T.

Marcos Motta: sócio-fundador da Bichara e Motta Advogados, tem pós-graduação em Direito Empresarial Contemporâneo, mestrado em Direito Econômico Internacional na University of Warwick (Inglaterra) e em Direito Honoris Causa em International Sports Law pelo Instituto Superior de Derecho y Economia-ISDE (Espanha).

Ricardo Hinrichsen: especializado em marketing esportivo, já teve como clientes a Corinthians, Grêmio, Internacional, Atlético Mineiro, Confederação Brasileira de Vôlei, FIFA, Vivo, Ipiranga, Coca Cola, Mastercard, etc. Foi diretor de marketing da Confederação Brasileira de Basquete, consultor do Ministério do Esporte e Diretor Executivo e Vice-presidente de Marketing do Flamengo entre 2006 e 2009.

Sérgio Bessa: administrador com MBA em Administração e Finanças e mestre em Direito Empresarial, com especialização em Concorrência e Regulação de Mercado. Foi Coordenador de Projetos na Fundação Getúlio Vargas, e diretor do Banco Bozano-Simonsen. Também trabalho no Banco Meridional, e foi auditor na Price Waterhouse.

Fabio Palmer: economista pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), com MBA Executivo no Coppead/UFRJ, e MBA em Derivativos pela FGV/RJ. É CEO do Grupo Seres desde 2005 e gestor de fundos na USB Asset Management.

Pedro Iootty: engenheiro formado pela UFRJ e mestre em Gestão Internacional pela Lancaster University (Inglaterra), com especializações em Engenharia Econômica e em Desenvolvimento Econômico e Social, pela UFRJ. Funcionário do BNDES há mais de 21 anos. No Flamengo, foi VP de Secretaria entre 2013 e 2015, e Presidente da Assembleia Geral de 2015 a 2018.

Carlos Peixoto: desde 2001 é sócio-diretor da Integral Sports. Foi VP de Relações Externas do Flamengo de 1993 a 1994.

José Antônio da Rosa: é sócio-fundador das redes de academia Bodytech (1994-2010) e Smart Fit Rio (2011-2019).

Marcus Vinícius Simões Freire: gaúcho, é ex-jogador de vôlei da Seleção Brasileira, foi Diretor Executivo do COB entre 2009 e 2016, e foi CEO do Fluminense entre 2017 e 2018

Roberto Trinas: paulista, foi diretor de marketing e implementador do Programa de Sócio-Torcedor Avanti, do Palmeiras

Rodrigo Paiva: foi assessor de imprensa do Flamengo, do atacante Ronaldo Nazário e da Seleção Brasileira

Marcelo de Campos Pinto: é sócio-administrador da Sportsmaster Marketing Esportivo, foi responsável pela implementação e gestão da Globo Esportes, unidade de negócios do Grupo Globo voltada ao setor esportivo, onde teve um papel fundamental na aquisição de direitos de transmissão, na organização de eventos esportivos e no fortalecimento das relações das Organizações Globo com clubes e entidades.





sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Pontos de Atenção sobre a chegada de José Boto ao futebol do Flamengo



JOSÉ BOTO, o Novo Diretor de Futebol na Gestão 2025-2027 que assume o Flamengo

Português, nasceu na cidade de Loures, que fica nos arredores de Lisboa, em 2 de março de 1966. Chega ao Flamengo, portanto, às vésperas de completar 59 anos de vida.


TREINADOR JOVEM

Nunca foi jogador de futebol profissional. Começou a sua carreira como treinador aos 30 anos, em 1996. Treinou à equipe do Loures por 1 temporada, e depois ficou por 4 temporadas a frente do Sacavenense, até 2001. Daí em diante trabalhou por 2 temporadas como um dos assistentes na Comissão Técnica do Benfica, nas temporadas 2002/03 e 2003/04, e voltou a ser treinador para estar por mais 2 temporadas comandando novamente ao Sacavenense.

Em 2007 estava com 41 anos quando foi convidado, e aceitou, mudar de função, passando a integrar a Equipe de Olheiros e de Mapeamento de Scout do Benfica, na 1ª Divisão do futebol português. Sua principal atividade deixava assim de ser treinar equipes, e passava a ser controlar estatísticas e rastrear talentos para municiar o elenco do Sport Lisboa e Benfica.


CHIEF-SCOUT DO BENFICA

Em seu trabalho de maior destaque na carreira, especializou-se em ter visão e entendimento do jogo para saber mapear de onde um jogador pode se encaixar dentro das necessidades de um elenco, montando e cuidando de uma rede de Observação e Recrutamento essencial como um catalisador de sucesso do futebol de um clube. Sua função era encontrar características de um certo jogador que se encaixassem no sistema táctico da equipe, fornecendo relatórios para as Comissões Técnicas.

Foi membro da Equipe de Scout do Benfica de 2007 até 2010, ano no qual se tornou o Chief-Scout (Olheiro-Chefe, ou Chefe do Departamento de Scout). O técnico do Benfica naquele momento era justamente Jorge Jesus - aquele que viria a ter uma passagem épica pelo Flamengo entre 2019 e 2020 - que foi treinador do Benfica entre 2009 e 2015. Boto chefiou o departamento de junho de 2010 a junho de 2018, tendo trabalhado por pouco mais de 10 anos nos Encarnados de Lisboa.

Entre os nomes históricos considerados aqueles maiores casos de sucesso que ele recrutou para atuar pelo Benfica durante este período, vamos analisar caso a caso para entender quais foram as caraterísticas no recrutamento utilizadas em cada caso:

- David Luiz: o zagueiro brasileiro chegou ao Benfica em Benfica em 2007, mesmo ano que José Boto por lá chegou. Tinha 20 anos, tendo sido adquirido junto ao Vitória, de Salvador. Não dá para dizer que Boto tenha tido grande atuação nesta aquisição.

- Jan Oblak: o goleiro esloveno foi contratado pelo Benfica no ano em que Boto se tornou chief-scout, em 2010, adquirido ao Olimpia Ljubljana, da Eslovênia, quando estava tão só com 17 anos. Primeiro emprestado a Beira-Mar, Olhanense, União de Leiria, e Rio Ave, depois atuou por apenas 16 partidas com a camisa do Benfica. Em 2014 foi comprado pelo Atlético de Madrid, onde efetivamente vingou e atuou por mais de uma década.

- Axel Witsel: o volante belga foi comprado pelo Benfica em 2011 junto ao Standard Liége quando estava com 22 anos. Já tinha passagem por toda as divisões de base da Seleção da Bélgica. Ficou apenas 1 temporada no clube, e foi vendido. Seguiu carreira atuando por Zenit, da Rússia, Tianjin Quanjian, da China, Borussia Dortmund, da Alemanha (onde começou a obter destaque), e Atlético Madrid, da Espanha.

- Rodrigo Moreno: o centroavante brasileiro naturalizado espanhol havia passado pelas bases de Flamengo, no Brasil, e do Celta de Vigo e do Real Madrid, na Espanha. Foi então adquirido pelo Benfica em 2010 quando estava com 19 anos. Foi primeiramente emprestado ao Bolton, da Inglaterra, depois regressou e vestiu a camisa do Benfica por 68 vezes, tendo marcado 27 gols. Em 2014 deixou o clube, atuando por Valencia, onde se destacou, e Leeds United, da Inglaterra, antes de ir atuar no Oriente Médio.

- Nemanja Matic: o volante sérvio foi contratado pelo Benfica em 2011, quando estava com 22 anos. Antes já tinha passado pelo Chelsea, da Inglaterra, e pelo Vitesse, da Holanda. Ficou 3 temporadas em Lisboa, quando foi recontratado pelo Chelsea, tendo depois defendido a Manchester United, Roma, Rennes e Lyon. Pelo Benfica, foram 56 jogos e 6 gols.

- Lazar Markovic: o meia-atacante sérvio foi contratado pelo Benfica aos 19 anos juntos ao Partizan, da Sérvia. Ficou 1 temporada, tendo feito 26 jogos e marcado 5 gols, tendo então sido contratado pelo Liverpool, onde viria a atuar somente por 19 partidas. Não chegou a ter uma grande e destacada carreira na Europa.

- Ljubomir Fejsa: o volante sérvio foi contratado pelo Benfica em 2013 quando estava com 24 anos. Tinha passado por Partizan, da Sérvia, e Olympiacos, da Grécia. Pelo Benfica teve uma carreira relativamente longa, tendo disputado 114 jogos. Caiu nas graças da torcida, mas não chegou a chamar atenção de nenhum outro clube de ponta da Europa.

- Victor Lindelof: o zagueiro sueco chegou ao Benfica em 2013 quando tinha apenas 17 anos. Ficou no clube por 4 anos, disputando 48 partidas. Quando conseguiu ganhar projeção, após a sua melhor temporada (2016/17) foi contratado pelo Manchester United, onde ficaria por muitas temporadas e construiria uma longa história.

- Álex Grimaldo: o lateral-esquerdo espanhol foi roubado pelo Benfica das divisões de base do Barcelona. Chegou a Lisboa em 2016 quando estava com 20 anos. Destacou-se e entre 2016 e 2023, vestindo a camisa do Benfica 197 vezes, até ser vendido ao Bayer Leverkusen, da Alemanha.

- Andrija Zivkovic: o ponta sérvio foi contratado junto ao Partizan em 2016, quando estava com 20 anos. Jogou 4 temporadas no Benfica, atuando em 55 partidas e marcando 3 gols. Em 2020 foi contratado pelo PAOK, da Grécia.

Portanto, o que podemos ver é que o trabalho de José Boto no Benfica foi marcado principalmente por peneirar jovens talentos que serviram mais para fazer caixa para o clube do que propriamente para gerar desempenho técnico em campo. Quanto ao desempenho futebolístico do clube, em termos de títulos do Campeonato Português foram 5 conquistados ao longo de sua passagem, 3 deles tendo a Jorge Jesus como treinador. Um aproveitamento de 50% no período em que esteve no Benfica.

Curiosamente, entre os principais nomes que ele peneirou para o Benfica havia uma grande quantidade de sérvios. Pelo visto José Boto conversará bastante com Dejan Petkovic... será que o Flamengo terá um novo talento sérvio brilhando com a sua camisa?

Após 10 anos no Scout do Benfica, quando deixou o clube, a sua mensagem de despedida reflete o seu pensamento em relação a como enxerga o futebol e do que gosta: "o que faz a verdadeira diferença entre os jogadores é a capacidade técnica, a inteligência e a forma como um jogador toma decisões em campo".


DIRETOR DE FUTEBOL NA UCRÂNIA

Ele iniciou a Temporada 2018/19 comandando a tomada de decisões de todo o Departamento de Futebol do Shakhtar Donetsk, na Ucrânia, assumindo pela primeira vez a função que executará no Flamengo. Executou esta função no clube ucraniano por três temporadas inteiras: 2018/19, 2019/20 e 2020/21. Ainda esteve por lá no início da temporada 2021/22, tendo pedido demissão em 20 de dezembro de 2021 para assumir a mesma função no PAOK, da Grécia. Saiu somente alguns meses antes de estourar a guerra entre Ucrânia e Rússia, a qual lhe fez perder todos os seus pertences deixados no país, pois não teve tempo de regressar para buscá-los.

Na Ucrânia ele também coordenava o scout do clube, e com uma missão em especial: identificar talentos no futebol brasileiro e recrutá-los para que atuassem na Ucrânia. Assim como em seu trabalho no Benfica, sua atuação consistia mais em peneiras jovens talentos do que na contratação de talentos já formados.

Um dos treinadores que contratou no Shakhtar foi o também português Luis Castro, que ficou no clube de 2019 a 2021, e que posteriormente conseguiria destaque no futebol brasileiro a frente do Botafogo.

Quando José Boto chegou, o clube de Donetsk já era o então Tri-campeão Ucraniano. Enquanto esteve por lá, o Shakhtar foi Bi-campeão Ucraniano nas temporadas 2018–19 e 2019–20, completando uma série de 5 títulos consecutivos. Mas na sua última temporada inteira, o clube perdeu o título para o Dínamo Kiev.


DIRETOR DE FUTEBOL NA GRÉCIA

No futebol grego, José Boto atuou por 1 temporada e meia. Iniciou seu trabalho de Diretor de Futebol do PAOK em janeiro de 2022, e ficou no clube até o fim da temporada 2022/23. Foi Vice-campeão Grego na Temporada 2021/22, perdendo o título para o Olympiacos, e depois terminou em 4º lugar no Campeonato Grego na Temporada 2022/23, atrás do campeão Panathinaikos, e de AEK Athenas e Olympiacos. Portanto, em linhas gerais, pode-se dizer que fez um trabalho não mais do que mediano na Grécia.


DIRETOR DE FUTEBOL NA CROÁCIA

No futebol croata, José Boto também atuou por 1 temporada e meia, a Temporada 2023/24 inteira, e a primeira metade da temporada 2024/25, quando comunicou que deixaria o clube em 21 de dezembro de 2024 para assumir o cargo de Diretor do Flamengo. Neste período, ele foi o Diretor de Futebol do Osijek. O modesto clube croata vinha de uma sequência na qual foi Vice-campeão Croata da Temporada 2020/21, e com dois 3º lugares consecutivos, nas Temporadas 2021/22 e 2022/23.    

Durante o trabalho de José Boto, acabou a sequência. Na Temporada 2023/24 o clube terminou em 4º lugar, atrás de Dinamo Zagreb, Rijeka, e Hajduk Split. Na Temporada 2024/25 estava em 5º lugar quando José Boto. Mais uma vez, um trabalho que não teve um grande destaque.

Uma curiosidade de sua passagem pela Croácia: em maio de 2024, quando ele não estava no país, o carro que ele costumava utilizar foi alvejado por 7 tiros em Eslavônia, na Croácia, naquilo quer a imprensa local tratou como um atentado de protesto da máfia local.



PONTOS DE ATENÇÃO

1 - Chega ao Flamengo sem qualquer experiência ou conhecimento sobre a cultura do clube, do Rio de Janeiro ou do futebol brasileiro. O que ao mesmo tempo que é uma vantagem, é um risco.

2 - Tecnicamente só mostrou serviço na aquisição de jovens talentos a serem revendidos a um preço mais caro, com nomes que não deram ou muito pouco deram retorno dentro de campo para o clube. Não é o perfil que a cultura do Flamengo espera.

3 - Nunca foi o dono de um orçamento tão grande como o que encontrará no Flamengo. A ampla maioria de suas experiências como Diretor de Futebol só ocorreram em clubes que não estavam acostumados a brigar na ponta da tabela. Nenhum deles com uma pressão por resultados esportivos similares às que enfrentará no Flamengo.

4 - A mesma preocupação que persistiu em 2023 e 2024, persistirá sobre o trabalho dele: a necessidade de uma Gerência de Vestiário, capaz de evitar os "processos de fritura" de treinador que são comuns no Flamengo. Talvez, apenas talvez, começar com Filipe Luís como treinador, um cara acostumado a esta identidade rubro-negra e às pressões de vestiário, minimize este risco.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Os Caminhos de uma Nova Revolução Rubro-Negra

Ricardo Lomba obteve uma vitória arrasadora (dos 1.120 votos totais, recebeu 943, 84,2%, enquanto o adversário teve apenas 171, 15,8%), tendo sido eleito Presidente do Conselho Deliberativo do Flamengo. Junto à gestão eleita para a presidência do clube, ele se torna uma peça chave daquilo que se propõe a ser uma Nova Revolução Rubro-Negra.

Para entender os pilares de mudança por ele propostos, segue uma excelente entrevista publicada pelo site Mundo Bola Flamengo, que deu o título à matéria de "Retomada do Flamengo com visão de futuro". Eis a seguir a íntegra do que foi publicado:

O Flamengo é muito mais do que um clube. É uma instituição que move milhões de corações e paixões ao redor do mundo.

Você já deve ter lido ou ouvido isto em muitos lugares, certo?

Foi com esta plataforma que a dita Chapa Azul, um movimento constituído por centenas de sócios insatisfeitos com a velha política rubro-negra que afundava este gigante do futebol brasileiro em dívidas e vitimava seus torcedores nas chacotas dos adversários, conseguiu ascender ao poder com a eleição de Bandeira de Mello em 2012.

Nesta entrevista, conversamos com um dos mais notórios insatisfeitos com os rumos recentes do Flamengo. Ricardo Lomba, ex-vice-presidente de Futebol e agora Presidente do Conselho Deliberativo do Flamengo.

Vamos entender suas novas motivações, ideias e propostas para um dos papéis mais importantes na governança do clube, e que nos últimos anos da gestão de Rodolfo Landim, foi se desviando do caminho prescrito pelos ditames da Chapa Azul.

Motivado pela paixão que vive intensamente e transmite à sua família, ele afirma: “O Flamengo tem que seguir avançando, com governança reforçada, com poderes independentes e bem definidos, e, principalmente, com um clube democrático tocado de forma profissional, não só como opção, mas como obrigação estatutária”.

Lomba destacou a importância do Conselho Deliberativo, que funciona como o “Poder Legislativo” do clube: “Nele são aprovados os grandes contratos do Flamengo, como os de patrocínio, estádio e televisão. É também o responsável por zelar pelo nosso Manto Sagrado, aprovar as contas e acompanhar o orçamento".

Sua candidatura foi lançada antes mesmo da eleição do Conselho Diretor, uma postura atípica na política rubro-negra, mas que ele justifica com convicção: “O Conselho Deliberativo não é um Conselho pouco importante que deva esperar a eleição do Conselho Diretor para, de forma improvisada e na correria, se descobrir quem tem certidões em dia e montar um projeto às pressas".

O candidato também ressaltou os desafios que o Flamengo enfrentará no próximo triênio, como o Mundial de 2025, o sonho do estádio próprio e a competitividade crescente do mercado brasileiro: “O Deliberativo precisará ser outro diante de tantos grandes desafios. Precisamos de estruturas de controle à altura dos investimentos do clube”.

Com um olhar para o futuro, ele defende uma reforma significativa no Estatuto Social do Flamengo, sem esquecer a importância de uma governança moderna: “O clube precisa caminhar para o profissionalismo. Precisamos reformar as regras eleitorais e a maneira como são conduzidas questões disciplinares”.

Ao final do seu mandato, ele espera deixar como legado um modelo profissional como pilar do clube, a evolução da governança com regras eleitorais claras e a modernização dos processos internos do Conselho Deliberativo: “Isso aqui é Flamengo. Precisamos fazer jus à nossa grandeza em todos os aspectos”.


A eleição para a presidência do Conselho Deliberativo do Flamengo, o CoDe, ocorreu numa segunda-feira, 16 de dezembro de 2024, na Gávea. Lomba disputou com o candidato Álvaro Ferreira, apoiado por Rodrigo Dunshee. Eis a entrevista:


- O que te motivou a tentar ser presidente do Conselho Deliberativo do Flamengo?

A resposta é muito simples: minha paixão pelo Flamengo, a paixão que transmiti para minhas filhas, a paixão que vivo intensamente e a paixão que me move a buscar que as transformações que o clube vivencia desde 2013 se tornem cada vez mais perenes.

O Flamengo tem que seguir avançando, com governança reforçada, com poderes independentes, com pesos e contrapesos bem definidos e principalmente com um clube democrático tocado de forma profissional, não só como opção, mas como obrigação estatutária.

- Para quem não conhece tanto a política do Flamengo, qual é a importância do Conselho Deliberativo?

O Deliberativo é um Conselho muito importante no Flamengo, nele são aprovados os grandes contratos do clube (como patrocínio, estádio e Televisão), é o responsável por zelar pelo nosso Manto Sagrado, aprovar as contas, acompanhar o orçamento do clube e, principalmente, exerce um papel de Poder Legislativo dentro do Flamengo. Nele é aprovada o equivalente a nossa Constituição Federal, que é o Estatuto Social do Flamengo.

- Você lançou a candidatura antes da eleição para o Conselho Diretor, o que não é muito comum na política do Flamengo. Por que você fez isso?

O Conselho Deliberativo não é um Conselho pouco importante que deva esperar a eleição do Conselho Diretor para, de forma improvisada e na correria, se descobrir quem tem certidões em dia e mesmo sem projeto ou uma equipe já estabelecida para se preparar para essa responsabilidade tão grande.

De fato, subvertemos um pouco a lógica das eleições para esse conselho visto nas últimas eleições e com isso pude começar os contatos com uma rede ampla de apoio não somente a mim, mas às minhas propostas de reforma e a maneira como pretendo conduzir o Conselho com apoio dos conselheiros.

- Como você acha que deva ser pautada a relação entre o Conselho Diretor e o Conselho Deliberativo?

Independência, diálogo e respeito. Todos os sócios querem e trabalham pelo bem do Flamengo, e para que isso possa ser feito da melhor maneira, sempre que possível, os assuntos devem ser avaliados com a devida calma e profundidade, sem atropelos e isso se conquista com boa relação entre os poderes, cada um exercendo seu papel e se esforçando para que sempre se eleve o nome e a grandeza do Flamengo.

O próximo triênio se apresenta com desafios gigantescos para o clube: um novo mundial, em 2025, uma obra gigantesca para a realização do sonho da nossa torcida de um estádio próprio, os compromissos assumidos com o Maracanã e um ambiente mais competitivo com a presença das SAF no mercado brasileiro.

O Deliberativo precisará ser outro diante de tantos grandes desafios novos, para exemplificar, a obra do estádio justifica estruturas de controles novas à altura do Investimento do Clube.

Controles novos, parceria, independência e diálogo entre os poderes levarão o clube mais longe.

- Você foi capaz de unir forças que, na eleição para o Conselho Diretor, estavam espalhadas pelas três candidaturas. É possível mover tanta gente junta numa mesma direção?

Fico muito feliz em conseguir liderar um movimento capaz de agregar apoios numa frente tão ampla e isso para mim reflete uma vontade de mudança, de modernização e de pacificação, que não pode ser confundida com descontrole ou falta de punição para excessos. 

Sobre ser possível mover tanta gente junta, há dois aspectos: em primeiro lugar, o que nos une é o Flamengo e isso não mudará nunca; além disso, o Deliberativo já é um conselho de muitas pessoas, mais de 2.500 integrantes.

- Qual é o tamanho da reforma de Estatuto que o Flamengo precisa? Quais são os principais tópicos dessa reforma?

O Estatuto do Flamengo foi elaborado em 1992 e já passou por diversas emendas desde, então. Substituir por um novo não é tarefa simples, nem imediata, então existem mudanças urgentes que podem antecipar alterações, antes de outras.

O clube precisa caminhar para o profissionalismo, ao Deliberativo precisa ser encaminhada proposta para adequar a estrutura e papéis do Conselho de Diretor ao tipo de governança proposta do Plano de Governo do Presidente BAP, recém-eleito.

Também precisamos de uma reforma eleitoral e da maneira como são conduzidas questões disciplinares, portanto o tamanho de reforma que o Estatuto requer é grande, mas isso não demanda necessariamente uma virada única de chave.

- Durante a campanha para o Conselho Diretor, formou-se uma espécie de consenso em torno da questão da extensão do profissionalismo ao conjunto da gestão do Clube, sobretudo ao Futebol. Em que medida isso facilita o trabalho de reforma?

Se o Flamengo cansou dos desmandos e desorganização e esse movimento fez a Chapa Azul vencer, em 2012, a falta de condução profissional, com governança bem estabelecida, foi o mote de unidade em discursos dos 3 candidatos a presidente do clube. Dada a existência desse consenso, entendo que essa medida facilita, sim o início do trabalho de reforma, mas tudo vai depender de existir esta mesma vontade entre os conselheiros do clube, veja bem, não comandarei o Conselho sozinho, mas junto dos demais conselheiros levaremos nossa governança a outro patamar.

- E, na governança do próprio Conselho Deliberativo, o que precisa mudar?

Temos visto tentativas de melhorar a dinâmica das reuniões, com votações eletrônicas sendo conduzidas, mas ainda temos um conselho em que poucos conselheiros conseguem ter acesso com antecedência aos documentos avaliados nas reuniões. Isso por termos documentos somente disponíveis de forma presencial. Isso não combina com um mundo digital, em que reuniões híbridas, já testadas até no clube durante a pandemia, são a realidade das relações de trabalho e de governança de empresas de faturamento do porte do nosso.

Também temos que discutir como se dá o processo eleitoral, melhor sinal de que algo em nossa governança interna e regras não estão claras e seguras o suficiente é a sucessão de casos de judicialização de eleições no clube. Aqui não faço uma crítica a um cidadão ou grupo de cidadãos buscarem a Justiça, mas um indicativo de regra antiga é todo momento haver disputa na Justiça, isso aqui é Flamengo, meus caros. 

- Ao final do seu mandato cite as três principais mudanças que você quer deixar como marca?

Modelo Profissional como Lei no Clube, precisamos escrever em pedra o que José Bastos Padilha iniciou, o que a transformação das finanças e gestão do clube iniciou, mas ainda ficaram para trás isso não ser mais uma escolha, mas um pilar do clube.

A segunda mudança seria uma evolução da governança do clube, especialmente no que se refere às regras eleitorais.

Finalmente, a terceira principal mudança passaria pela melhoria dos processos do próprio Conselho, que precisa se modernizar para fazer frente aos desafios do Clube.



AS 5 PROMESSAS DE CAMPANHA:

1. Reforma do Estatuto
O principal ponto na candidatura de Lomba é a reforma do Estatuto do Flamengo, em plano que casa com o que Bap planeja para a gestão do clube. A ideia do presidente é reduzir o número de vice-presidências e esvaziar cargos amadores, tornando o clube profissional no maior número possível de áreas.

Para isso, Bap precisa submeter uma proposta ao Conselho Deliberativo, que aprecia e vota as mudanças. Com Lomba no comando, a aprovação do projeto fica mais próxima, algo já confirmado por Luiz Eduardo Baptista nos dias anteriores ao pleito do CoDe.

"O Estatuto do Flamengo foi elaborado em 1992 e já passou por diversas emendas. Substituir por um novo não é tarefa simples, nem imediata. Então, existem mudanças urgentes que podem antecipar alterações. O clube precisa caminhar para o profissionalismo. Ao CoDe, precisa ser encaminhada uma proposta para adequar estrutura e papéis do Conselho Diretor ao tipo de governança proposta do Plano de Governo do presidente Bap, recém-eleito", explicou Lomba de forma exclusiva ao MundoBola.

2. Profissionalismo como Lei
Tornar o clube profissional nos próximos anos é uma meta de Lomba e Bap, mas não apenas isso. A intenção de Ricardo é fazer do profissionalismo uma Lei do Flamengo para o futuro, norteando também as gestões que ainda virão. Para isso, o próprio regimento interno do clube precisa prever o profissionalismo como algo obrigatório.

"O Flamengo tem que seguir avançando, com governança reforçada, com poderes independentes, com pesos e contrapesos bem definidos e principalmente com um clube democrático tocado de forma profissional, não só como opção, mas como obrigação estatutária. Precisamos escrever em pedra o que José Bastos Padilha iniciou, o que a transformação das finanças e a gestão do clube iniciou, mas ainda ficou para trás. Isso não pode mais ser uma escolha, mas um pilar do clube", explicou.

3. Modernização do CoDe
Dentro do próprio Conselho Deliberativo, Lomba também planeja executar algumas mudanças. As principais passam pela modernização da estrutura, que já contou com reuniões híbridas e realiza votações eletrônicas. A disponibilização de documentos, porém, só acontece de forma presencial — e representa um dos tópicos que Ricardo pretende mudar.

"Temos visto tentativas de melhorar a dinâmica das reuniões, com votações eletrônicas sendo conduzidas, mas ainda temos um conselho em que poucos conselheiros conseguem ter acesso com antecedência aos documentos avaliados nas reuniões. Isso por termos documentos somente disponíveis de forma presencial. Isso não combina com um mundo digital, em que reuniões híbridas, já testadas até no clube durante a pandemia, são a realidade das relações de trabalho e de governança de empresas de faturamento do porte do nosso", disse Lomba.

4. Mudanças no processo eleitoral
As recentes judicializações durante as eleições também incomodam Lomba. Segundo ele, é um sinal de que os processos não são "claros e seguros o suficiente". O novo presidente do CoDe, inclusive, citou a evolução das regras eleitorais como um dos três principais itens que deseja mudar no Flamengo.

"Também temos que discutir como se dá o processo eleitoral, melhor sinal de que algo em nossa governança interna e regras não estão claras e seguras o suficiente é a sucessão de casos de judicialização de eleições no clube. Aqui não faço uma crítica a um cidadão ou grupo de cidadãos buscarem a Justiça, mas um indicativo de regra antiga é todo momento haver disputa na Justiça, isso aqui é Flamengo, meus caros", analisou.

5. Estádio
O estádio do Flamengo também foi um tema debatido por Lomba recentemente. Para ele, há a necessidade de obter mais informações sobre o projeto, principalmente em relação ao terreno comprado pelo clube no Gasômetro. Ricardo afirmou que a aprovação aconteceu "na empolgação", mas também crê na importância da arena para o futuro rubro-negro.

"A compra do terreno pode ser analisada por duas óticas. Primeiro, a do torcedor apaixonado. É espetacular. Era tudo que a gente queria. Como vai votar contra isso? Mas o dirigente tem que ter um pouco mais de cuidado na análise. Houve uma precipitação. Havia um momento político do governo do Estado do Rio e uma campanha para presidente do Flamengo. Essas duas coisas se uniram. Aí, aprova de qualquer maneira, porque isso é voto certo. Mas você atropela uma série de questões que foram ignoradas", destacou.

"A gente não sabe o que tem pela frente. É claro que a gente quer o estádio, o terreno, mas o que estamos comprando? O que precisa fazer para construir? Essa história de descontaminação: o que é isso? Como é o projeto? É uma série de detalhes que a gente não sabe. Não estou julgando a gestão que se encerra no dia 31. Mas nós, conselheiros, ninguém sabe nada. Sem medo de errar: aprovamos na empolgação. Acho que valia o risco. Porém, vamos ver o tamanho do risco a partir do dia 2 de janeiro", afirmou.