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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

RAIO-X: Flamengo Tri-Campeão da Libertadores 1981 - 2019 - 2022


Vamos fazer aqui um raio-x completo dos times do Flamengo que entraram em campo no jogo decisivo que selou a conquista dos títulos de Campeão da Copa Liberadores da América em cada uma das edições. Um retrato não só do 11 titular, como também dos três reservas mais utilizados em cada uma das campanhas, de forma a ter uma visão comparativa das 14 peças mais utilizadas em cada campanha. Um raio-x da defesa, do meio de campo, do ataque, e do banco de reservas.

1981
Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Nei Dias.
Técnico: Paulo César Carpegiani
Outros: Figueiredo, Baroninho e Lico

2019
Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Mari e Filipe Luís; Willian Arão, Gérson e Arrascaeta; Bruno Henrique, Gabigol e Éverton Ribeiro.
Técnico: Jorge Jesus
Outros: Piris da Motta, Diego Ribas e Vitinho

2022
Santos, Rodinei, David Luiz, Léo Pereira e Filipe Luís; João Gomes, Thiago Maia e Arrascaeta; Gabigol, Pedro e Éverton Ribeiro.
Técnico: Dorival Júnior
Outros: Ayrton Lucas, Arturo Vidal e Éverton Cebolinha


DEFESA

Goleiros


Lateral Direita


Zaga pela Direita


Zaga pela Esquerda


Lateral Esquerda


Na média de idade, uma escadinha das defesas. O sistema defensivo de 1981 tinha apenas 27,1 anos de média de idade, a de 2019 tinha 31,1 anos, e a de 2022 era a mais experiente das três, com 32,6 anos de idade na média.


MEIO DE CAMPO




No meio de campo, médias de idade muito parecidas, tendo sido de 26,3 em 1981, o mais experiente das três, e quase iguais entre os titulares de 2019 e de 2022, com um meio com pouco mais de 25 anos como idade média.


LINHA DE FRENTE




A média de idade da linha de frente apresenta uma escadinha também, assim como a da defesa. O sistema ofensivo de 1981 tinha 26,6 anos de média de idade, em 2019 tinha 27,6 anos, e em 2022 tinha a mais experiente das três, ,as apenas um pouquinho a mais, com 28,4 anos de idade na média.



TIME TITULAR

Médias de idade dos 11 jogadores que entraram em campo na partida que selou a conquista do taça, em 1981 o terceiro jogo, de desempate, contra o Cobreloa, em 2019 no jogo único contra o River Plate em Lima, e em 2022 no jogo único contra o Athlético Paranaense em Guayaquil:


Na mediana de idade destes mesmos 11 jogadores:


OUTROS 3+




ELENCO COM 14 + USADOS

Médias de idade do Elenco de 14 jogadores mais destacados nas campanhas de conquista das edições da Copa Libertadores da América de 1981, 2019 e 2022:



domingo, 7 de setembro de 2025

A narrativa da 3ª vez como Campeão da América em 2022


Depois de levar 21 anos para disputar pela primeira vez uma edição de Copa Libertadores da América, tendo, entre os clubes mais tradicionais do Brasil, levado menos tempo apenas do que o Grêmio para isto, o Flamengo debutou já sendo campeão em 1981. Seguiram-se então mais 38 anos até que o Flamengo regressasse a uma final, tendo em 2019 voltado a conquistar o título. Na edição anterior, em 2021, o clube havia disputado novamente a final, quando acabou derrotado por 2 a 1 pelo Palmeiras na prorrogação, no histórico lance do escorregão de Andreas Pereira que resultou no gol de Deyverson. Em 2022 conseguiu mais uma vez chegar à final, tendo sido tão só a 9ª oportunidade na história na qual tal feito foi obtido - o de chegar a 3 finais num intervalo de 4 anos -. Um feito ainda mais impressionante quando considerando que até a edição de 1965 a quantidade de participantes por ano de disputa não ia além de 10 clubes em cada edição, e que até a edição de 1988, o campeão do ano anterior entrava direto na fase semifinal.

Só 8 vezes antes isto havia acontecido. Nas três primeiras edições, o uruguaio Peñarol chegou à final três vezes seguidas, sendo duas vezes campeão e uma vez vice. Entre 1968 e 1971, o argentino Estudiantes de La Plata jogou quatro finais consecutivas, sendo três vezes campeão e ficando uma vez com o vice. Entre 1972 e 1975 foi a vez do argentino Independiente de Avellaneda também chegar a quatro finais consecutivas, tendo sido o campeão em todas as quatro. Entre 1977 e 1979, o argentino Boca Juniors disputou três finais consecutivas, vencendo duas e ficando com um vice. Entre 1985 e 1987 foi a vez do colombiano América de Cali chegar a três finais, sendo derrotado em todas elas. Entre 1989 e 1991 foi o paraguaio Olimpia quem disputou três finais seguidas, vencendo uma e sendo derrotado em duas. As duas oportunidades posteriores em que isto aconteceu foi com o São Paulo Futebol Clube com três finais consecutivas, sendo bi-campeão e perdendo a oportunidade do tri numa disputa de pênaltis. Depois aconteceu com o argentino Boca Juniors, que disputou quatro finais nas cinco edições disputadas entre 2000 e 2004, sendo três vezes campeão, em 2000, 2001 e 2003, e vice em 2004. Em termos comparativos, portanto, o feito do Flamengo igualava o desempenho do São Paulo do técnico Telê Santana, e só era superado por aquele Boca que tinha sido liderado dentro de campo por seu genial camisa 10 Juan Roman Riquelme.

Em sua terceira final num intervalo de quatro anos o Flamengo chegou com autoridade, fazendo a melhor campanha de um clube em toda a história da Copa Libertadores da América. O clube foi campeão em 2022 com 13 jogos disputados e 12 vitórias e 1 empate obtidos, um aproveitamento de 94,9% dos pontos disputados. Foi a única vez na história na qual um clube venceu a todos os seus jogos na fase mata-mata (play-offs) desde que este modelo foi implementado, a partir de 1989.

A largada desta campanha foi como visitante, contra o Sporting Cristal, do Peru, no dia 5 de abril de 2022 no Estádio Nacional de Lima. O time rubro-negro era novamente comandado por um treinador português - Paulo Sousa - e fazia a sua estreia em meio a um momento turbulento, uma vez que três dias antes havia perdido a final do Campeonato Carioca para o Fluminense, perdendo a oportunidade de pela primeira vez em sua história conquistar um quarto título de Estadual consecutivo. Em Lima, o time jogou desfalcado de Arrascaeta, e entrou em campo com a formação: Hugo Souza, Matheuzinho, Gustavo Henrique, David Luiz e Filipe Luís; Willian Arão, Thiago Maia, Andreas Pereira e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabigol. O Sporting Cristal, do técnico Roberto Mosquera, de camisas e meiões azuis claros, e calções brancos, foi a campo escalado com: Duarte, Johan Madrid, Chávez, Merlo e Loyola; Leandro Sosa, Calcaterra, Castillo, Christofer Gonzáles, Irven Ávila e Percy Liza. Esta partida de estreia teve a sua realização ameaçada em função de uma crise política vivida pelo Peru naquele momento. Em função de manifestações populares nas ruas, o então presidente do país, Pedro Castillo, impôs um toque de recolher na cidade. A partida chegou a ser cancelada, e a delegação flamenguista só foi informada sobre a manutenção do jogo minutos antes da bola rolar. A Conmebol negociou com as autoridades locais a manutenção da realização do jogo com portões fechados, sem a presença de público.


Quando a bola rolou, o Flamengo não tardou muito em conseguir abrir vantagem. Aos 21 minutos do 1º tempo, o time roubou a bola na saída de jogo peruana, a bola chegou ao lateral-direito Matheuzinho, que fez um excelente cruzamento que atravessou a área e encontrou Bruno Henrique entrando por trás da zaga para completar com um toque cruzado, no contrapé do goleiro. Daí em diante o jogo se seguiu sempre sob controle do Sporting Cristal, que teve diversas oportunidades para empatar, mas não conseguiu aproveitar. Até que aos 41 minutos do 2º tempo o Flamengo fechou a conta. O jovem Lázaro, que havia entrado na segunda etapa, deu uma excelente assistência em profundidade para Matheuzinho entrar pela área e bater cruzado para decretar o 2 a 0 definitivo.


Uma semana depois, pela segunda rodada, a estreia rubro-negra como visitante, contra o argentino Talleres no Maracanã. O estádio recebeu cerca de 43 mil espectadores, um público baixo para os padrões rubro-negros. Era um duelo de treinadores portugueses, já que o time argentino era comandado por Pedro Caixinha. Ele mandou como titulares a campo a: Herrera, Enzo Díaz, Benavídez, Rafael Pérez e Matías Catalán; Ignácio Méndez, Villagra, Matías Esquivel e Christian Oliva; Fértoli e Girotti. Do lado rubro-negro, com a volta de Arrascaeta, Paulo Sousa mandou a campo uma formação já muito parecida à que entraria em campo em novembro na final: Santos, Matheuzinho, Willian Arão, David Luiz e Filipe Luís; Thiago Maia, João Gomes, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabigol. Somente três destes jogadores não entrariam em campo entre os onze iniciais da decisão, pois Metheuzinho perderia a posição para Rodinei como lateral-direito, Léo Pereira assumiria a titularidade na zaga, e Bruno Henrique viria a sofrer uma grande lesão no joelho que o tiraria da reta final, com a dupla de ataque passando a ser formada por Gabigol e Pedro.


O Flamengo não tardou em sair em vantagem. Logo aos 9 minutos do 1º tempo o time rubro-negro entrou na área trocando passes, a bola acabou nos pés do uruguaio Giorgian De Arrascaeta, que foi derrubado e o pênalti marcado. Gabigol bateu com perfeição e abriu o placar. Aos 25 minutos saiu o segundo, numa transição rápida da defesa para o ataque, Bruno Henrique desceu pelo lado esquerdo e cruzou rasteiro, a bola encontrou o pé de Everton Ribeiro, que bateu da entrada da área e ampliou a vantagem. O jogo estava relativamente tranquilo, e o Flamengo acumulava oportunidades. Porém, antes do fim da primeira etapa, já nos acréscimos, Girotti recebeu na grande área e deu um passe de calcanhar para o meio, achando Fértoli livre dentro da área para concluir a gol e diminuir. No início do 2º tempo o jogo ficou aberto, com ambas as equipes tendo oportunidades, mas o Flamengo não tardou em matar o jogo. Aos 14 minutos, João Gomes recuperou uma bola na saída de jogo do Talleres e acionou Éverton Ribeiro, que tabelou com Bruno Henrique, recebendo de volta na área e batendo rasteiro para marcar o seu segundo gol na noite. Foi isso: 3 a 1.


A parada seguinte foi em Santiago, no Chile, contra a Universidad Católica. No Estádio San Carlos de Apoquindo, a Universidade Católica entrou em campo, escalada por seu treinador Rodrigo Valenzuela, jogando com: Pérez, Fuenzalida, Asta-Buruaga, Parot e Cristian Cuevas; Rebolledo, Juan Leiva, Galani e Felipe Gutiérrez; Orellana e Zampedri. O time rubro-negro foi a campo escalado com: Santos, Mauricio Isla, Willian Arão, Pablo e Filipe Luís; Thiago Maia, João Gomes, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabigol. Era a terceira dupla de zaga diferente utilizada por Paulo Sousa em três jogos.

A curiosidade daquela noite na capital chilena é que todas as bolas que balançaram a rede foram convertidas por jogadores em vermelho e preto. O Flamengo saiu em vantagem logo aos 8 minutos do 1º tempo. Bruno Henrique recebeu a bola em profundida na ponta esquerda e partiu para cima da defesa, o camisa 27 enxergou Gabigol bem colocado entrando pela área na diagonal e lançou, o camisa 9 não desperdiçou a oportunidade, batendo de primeira com a sua perna esquerda para abrir o placar. Oito minutos depois, os chilenos empataram. Orellana deu assistência para Zampedri entre os zagueiros rubro-negros, o lateral-direito chileno rubro-negro Isla tentou cortar, mas o toque na bola a desviou do goleiro Santos, marcando um gol contra.


Aos 35 minutos do 1º tempo, a dupla de ataque rubro-negra voltou a fazer a diferença: Bruno Henrique avançou novamente pela esquerda, desta vez indo até o fundo e cruzando, e encontrando, ao cruzar rasteiro, Gabigol entrando pelo meio, ele só escorou para marcar o segundo dele na noite. A Católica ameaçava, e o Flamengo se segurava. Na reta final da etapa final, aos 39 minutos, a vitória rubro-negra se consumou com jogada construída entre os atacantes reservas que tinham entrado na etapa final: Marinho, Pedro e Lázaro. Pedro apertou a saída de bola, Marinho roubou e lançou a Lázaro, que havia entrado no lugar de Bruno Henrique. O garoto revelado na base rubro-negra, pegou de primeira no ângulo: 3 a 1. Mas as emoções ainda não tinham terminado. Nos acréscimos, aos 49 minutos, Buonanote chutou, o zagueiro Pablo tentou tirar, mas a bola desviou em seu joelho e encobriu o goleiro Santos. Mais um gol contra rubro-negra na fria noite santiaguina. Final: Flamengo 3 a 2. Com três vitórias em três jogos, e com duas partidas ainda para disputar como mandante no Maracanã, a classificação estava praticamente assegurada.


Os jogos de volta começaram contra o Talleres na Argentina, em em 4 de maio no Estádio Mário Alberto Kempes, em Córdoba. Um novo confronto entre treinadores portugueses. Paulo Sousa mandou a equipe com: Santos, Mauricio Isla, Pablo, David Luiz e Filipe Luís; Willian Arão, João Gomes, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabigol. Os mandantes, comandados por Pedro Caixinha, entraram escalados com: Herrera, Catalán, Benavídez, Rafael Pérez e Enzo Díaz; Villagra, Ignácio Méndez e Fértoli; Matías Godoy, Girotti e Michael Santos. Uma formação mais ofensiva do que havia entrado em campo no Maracanã.


Um jogo no qual o Flamengo ficou atrás no marcador duas vezes, e buscou o empate as duas vezes. Logo aos 11 do 1º tempo o zagueiro Pablo sentiu dores na coxa esquerda e teve que sair para a entrada de Andreas Pereira, com Arão sendo recuado para atuar como zagueiro. E aos 33 minutos foi ele, Arão, quem marcou um gol, mas contra. O terceiro gol contra do Flamengo naquela edição. Um cruzamento despretensioso para a área que ele tentou cortar, mas encobriu o goleiro, um presente para os argentinos. O empate rubro-negro só saiu no início da etapa final, aos 4 minutos, com um chutaço de Arrascaeta de fora da área. Só que o empate durou pouco, pois aos 11 minutos a bola foi lançada na área nas costas do lateral chileno Isla, e Michael Santos escorou para marcar. Mas o time rubro-negro voltou a reagir. O centroavante Pedro entrou em campo aos 22 minutos do 2º tempo, e no minuto seguinte foi ele mesmo quem voltou a empatar a partida. Gabigol recuou para armar, pegou a bola na intermediária e meteu uma enfiada que deixou o camisa 21 frente a frente ao goleiro para escorar na saída dele: 2 a 2. Invencibilidade mantida, e a classificação muito perto de ser matematicamente confirmada.


Para o duelo contra a Universidade Católica no Maracanã, que recebeu mais de 43 mil torcedores, mais uma vez um público baixo para os padrões rubro-negros, num duelo o qual valia a classificação matemática em caso de vitória, o técnico Paulo Sousa mandou a campo uma equipe formada por: Hugo Souza, Matheuzinho, Rodrigo Caio, Pablo e Ayrton Lucas; Willian Arão, Andreas Pereira, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabigol. Já a equipe chilena, que havia trocado de treinador frente ao confronto anterior, havia passado a ser comandada pelo argentino Ariel Holan, que escalou sua equipe com: Sebastian Pérez, Fuenzalida, Asta-Buruaga, Alfonso Parot e Nehuén Paz; Astudillo, Ignácio Saavedra e Felipe Gutiérrez; Diego Valencia, Zampedri e Cristian Cuevas.


O momento desde a perda do título do Carioca era agitado, e o técnico português vinha sendo intensamente criticado. Sem dar tempo a um clima ruim, logo aos 6 minutos do 1º tempo o Flamengo saiu em vantagem: Arrascaeta cobrou escanteio aberto, e Arão escorou de cabeça quase da marca do pênalti, no canto, para fazer 1 a 0. Ainda no primeiro tempo, aos 39 minutos, troca de passes na intermediária e a bola chega a Matheuzinho nas lateral direita de ataque, ele cruza para a área, Bruno Henrique escora de cabeça na segunda trave, e Éverton Ribeiro aparece no meio da pequena área para cabecear para dentro do gol e ampliar a vantagem. Daí em diante, o time administrou o resultado. No fim, aos 45 do 2º tempo, o centroavante Pedro, que havia entrado na etapa final no lugar de Gabigol, fez uma bela jogada individual dentro da área, driblou os zagueiros e bateu forte para estufar as redes e colocar um 3 a 0 definitivo no marcador.


Já classificado, na última partida, o treinador Paulo Sousa, que naquele momento ninguém sabia ainda, mas fazia a sua última participação com o Flamengo na Libertadores, pouparia alguns jogadores, e testaria uma equipe começando a partida num esquema 4-2-4, iniciando com: Hugo Souza, Mauricio Isla, Pablo, David Luiz e Ayrton Lucas; Thiago Maia e João Gomes; Lázaro, Pedro, Gabigol e Marinho. O Maracanã recebeu 38 mil espectadores naquela noite de 24 de maio. O time peruano, do técnico Roberto Mosquera, foi a campo trajando um uniforme completamente diferente de seu tradicional, usando camisas e meiões brancos, e calções vermelhos. Iniciou o jogo escalada com: Duarte, Johan Madrid, Chávez, Merlo e Loyola; Calcaterra, Távara, Carlos Lora, Christofer Gonzáles, Yotún e Irven Ávila.


Aos 29 minutos do 1º tempo o Flamengo saiu em vantagem. David Luiz lançou em profundidade a Isla, que entrou por trás da zaga e ficou frente a frente ao goleiro, concluindo a gol uma bola que bateu no goleiro, e desviou no lateral Johan Madrid para ir para dentro do gol. O tento poderia ter sido creditado ao chileno, mas o árbitro assinalou como um gol contra do lateral peruano. A partida seguiu em ritmo morno, até que Pedro, aos 28 minutos do 2º tempo, cabeceou bem um cruzamento em falta cobrada por Andreas Pereira para fazer 2 a 0. Sem nada mais por ser definido a partir de então, o Sporting Cristal ainda diminuiu: aos 41 minutos, Christofer Gonzáles concluiu a gol, e Hugo Souza falhou em uma bola que era perfeitamente defensável. Foram os números finais, uma vitória rubro-negra por 2 a 1. Com 16 pontos conquistados nos 18 possíveis, o Flamengo concluiu a Fase de Grupos fazendo a sua segunda melhor campanha nas 17 participações nesta fase feitas até então, igualando os desempenhos de 5 vitórias e 1 empate obtidos nas edições de 1984 e de 2007, mas com um saldo de gols de 9 positivos, perdia para os 13 positivos da campanha de 1984. Ainda assim, o técnico Paulo Sousa vivia um momento turbulento, sob grandes contestações.


Repetindo 2019, o Flamengo trocou o treinador ao fim da 1ª Fase. Com uma campanha irregular no Campeonato Brasileiro, Paulo Sousa foi demitido, substituído por Dorival Júnior. O elenco também foi mexido. Os titulares absolutos na Fase de Grupos eram os remanescentes do título de 2019: Filipe Luís, Willian Arão, Arrascaeta, Éverton Ribeiro, Bruno Henrique e Gabigol. No gol, Santos e Hugo Souza se alternaram, e como lateral-direito foram utilizados Matheuzinho, Isla e Rodinei. Na zaga, David Luiz teve companheiros diferentes a cada jogo, e na cabeça de área, Thiago Maia e João Gomes revezaram ao lado de Arão.

O Flamengo se reforçou na janela de transferências do meio do ano, com a chegada ao clube de três estrangeiros, o lateral-direito uruguaio Varela, e os meio-campistas chilenos Erick Pulgar e Arturo Vidal, contratados, respectivamente a Dínamo Moscou, da Rússia, e Fiorentina e Internazionale, ambas da Itália. Além deles, foi contratado também o ponta Éverton Cebolinha ao Benfica, de Portugal. Na rota inversa, saíram o lateral chileno Isla e o cabeça de área Willian Arão, vendido ao Fenerbahce, da Turquia. Além disso, o elenco perderia também a Bruno Henrique, por uma grave lesão no joelho que o forçou a uma cirurgia, tirando-o do resto da temporada.

As mudanças no time titular promovidas por Dorival Júnior a partir de sua chegada, no entanto, foi elevando à condição de titulares, jogadores que já estavam no elenco, na reserva, durante a fase de grupos. O time titular que chegaria a mais uma final de Copa Libertadores da América era formado por Santos, Rodinei, David Luiz, Léo Pereira e Filipe Luís; Thiago Maia, João Gomes, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Gabigol e Pedro. O forte elenco rubro-negro tinha um banco de reservas formado por: Hugo Souza, Matheuzinho, Fabrício Bruno, Pablo e Ayrton Lucas; Pulgar, Arturo Vidal, Victor Hugo e Diego Ribas; Marinho e Éverton Cebolinha. Ainda participavam com frequência dois garotos revelados pelas divisões de base, no Ninho do Urubu: Lázaro e Matheus França. Assim o Flamengo foi para a fase de play-offs.

O sorteio colocou ao Deportes Tolima, da Colômbia, como o adversário rubro-negro nas oitavas de final. Na primeira partida, o Flamengo iria como visitante. E aquela foi a última partida de mais um jogador que tinha atuado na Fase de Grupos e que naquele momento deixava o elenco: Andreas Pereira regressava ao Manchester United após ter sido cedido por empréstimo. O confronto foi no Estádio Manuel Morillo Toto, na cidade de Ibagué.

Os duelos de oitavas de final da Libertadores aconteceram em paralelo aos de oitavas de final da Copa do Brasil, do qual o Flamengo saiu vitorioso sobre o Atlético Mineiro. No primeiro jogo, na Colômbia, Dorival Júnior mandou a campo uma formação diferente, num esquema 4-5-1, com Santos, Rodinei, David Luiz, Léo Pereira e Filipe Luís; Thiago Maia, Diego Ribas, Andreas Pereira, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; e Gabigol sozinho no ataque. Do outro lado, o técnico Hernán Torres mandou sua equipe a campo escalada com: Dominguez, Leider Riascos, Julián Quiñonez, Moya e Junior Hernández; Rovira, Ureña, Raziel Garcia e Lucumí; Luis Miranda e Juan Caicedo.


Em seu último jogo como jogador do Flamengo, foi o camisa 18 Andreas Pereira quem foi o responsável pelo gol da vitória, e um golaço, com um chute no ângulo, de fora da área, no contrapé do goleiro Dominguez, que ficou sem reação. O relógio marcava 17 minutos do 1º tempo. Desde então, o controle do jogo foi colombiano, mas o time rubro-negro resistiu e segurou o resultado. Léo Pereira, duas vezes, e o goleiro Santos impediram o empate. O Tolima chegou a balançar a rede, com Caicedo, mas o impedimento foi assinalado após revisão da arbitragem de vídeo. Assim, a vitória como visitante assegurava a vantagem na partida de volta como mandante.


O jogo no Maracanã foi um amasso histórico, celebrado com uma goleada imponente. Diante de pouco menos de 62 mil presentes no estádio, o Flamengo foi construindo sua vitória em torno da eficiência na conclusão a gol de seu centroavante Pedro, autor de 4 gols naquela noite de 6 de julho. Foi nela que Dorival Júnior mandou a campo pela primeira vez junta a formação que conquistaria o tri da Libertadores: Santos, Rodinei, David Luiz, Léo Pereira e Filipe Luís; Thiago Maia, João Gomes, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Gabigol e Pedro. O Tolima entreou escalado com: Cuesta, Marulanda, Julián Quiñones, e Junior Hernández; Rovira, Ureña, Cataño e Lucumí; Luis Miranda e Michael Rangel.


Um massacre no Rio de Janeiro. E aquela goleada marcou um ponto de inflexão definitivo na temporada rubro-negra, que até então se arrastava repleta de contestações. Foram precisos apenas 5 minutos para que o Flamengo inaugurasse o placar: ao fazer tabelinha com Arrascaeta, Pedro entrou na área para finalizar cruzado: 1 a 0. O segundo gol saiu aos 20 minutos, num lance no qual Éverton Ribeiro teve liberdade para lançar a Arrascaeta, que por sua vez encontrou Pedro livre na área, com um passe de calcanhar o camisa 9 deixou Gabigol em condições de marcar, mas o goleiro Cuesta defendeu; no rebote a bola voltou sobre o corpo do zagueiro Quiñones, que nada pode fazer para evitar que a bola batesse nele e entrasse: 2 a 0. Este foi o placar ao fim do 1º tempo.

Na volta do intervalo, mais gols rubro-negros foram saindo com naturalidade. Já com 1 minuto, David Luiz escorou para a área uma falta cobrada por Arrascaeta, encontrando Pedro na pequena área para ajeitar o corpo e finalizar: 3 a 0. E o segundo do centroavante rubro-negro na noite. Ainda aos 10 minutos, o Flamengo voltou a balançar a rede: Thiago Maia desarmou e serviu Gabigol, que avançou até a área, puxou para a esquerda e chutou forte: 4 a 0. Aos 17 minutos, numa cobrança de escanteio, o zagueiro Quiñones marcou, desta vez a favor, diminuindo. Aos 21 minutos, o terceiro gol do camisa 21 rubro-negro naquela noite: jogada construída de pé em pé pelo sistema ofensivo flamenguista, desde a defesa até um cruzamento de Rodinei na linha de fundo, que encontrou a Pedro, que de cabeça colocou 5 a 1 no placar.

Estava fácil, e o ataque rubro-negro seguiu atacando à defesa colombiana. Mais seis minutos se passaram e Dorival mexeu no time e, em sua primeira participação, Matheus França tabelou com Pedro e, na saída do goleiro, tocou para fazer mais um: 6 a 1. Para fechar, aos 33 minutos, Gabigol fez uma grande jogada pela esquerda e concluiu, obrigando o goleiro do Tolima a fazer uma grande defesa. Só que no rebote estava atente o artilheiro da noite, tendo Pedro tocado para marcar o seu quarto gol naquela noite: 7 a 1! Quatro gols de Pedro!


Nas quartas de final, o Flamengo teria um clássico nacional pela frente, enfrentando ao Corinthians, que tinha eliminado ao Boca Juniors nas oitavas nos pênaltis, após dois empates sem gols. Em paralelo, o Flamengo disputaria as quartas de final da Copa do Brasil contra o Athlético Paranaense. O "copeiro" time rubro-negro engrenava à medida que superava à sequência de grandes duelos pelas duas copa.

O primeiro confronto foi em Itaquera, em São Paulo, na Arena do Corinthians, que recebeu pouco mais de 45 mil pessoas para ver o confronto. O time rubro-negro levado a campo por Dorival Júnior era exatamente o mesmo que havia metido 7-1 no Tolima, a mesma escalação que viria a entrar a campo na final diante do Athlético Paranaense. Do outro lado o treinador era o português Vítor Pereira, que levou a campo para aquele duelo em 2 de agosto sua equipe inicialmente escalada com: Cássio, Fágner, o paraguaio Balbuena, o uruguaio Bruno Méndez e Lucas Piton; o colombiano Victor Cantillo, Du Queiroz, Maycon e Ádson; Gustavo Mosquito e Yuri Alberto.


O Corinthians começou pressionando, mas foi o Flamengo quem foi mais eficiente. Aos 32 minutos do 1º tempo, Arrascaeta finalizou da entrada da área para a defesa de Cássio, quase marcado o primeiro gol. Quatro minutos depois, o uruguaio abriu o placar, após falha de Cantillo na saída de bola, o camisa 14 acertou um chutaço cruzado da entrada da área que superou ao goleiro Cássio e entrou no ângulo: 1 a 0. O time rubro-negro matou definitivamente o jogo logo na volta do intervalo. Eram 5 minutos do 2º tempo quando Rodinei encontrou Gabigol na área, e ele bateu forte e colocado, de esquerda, para marcar o segundo gol rubro-negro. Desde então o time alvi-negro paulista se lançou ao ataque e pressionou por diminuir mas não conseguiu. Uma vantagem enorme conquistada pelo Flamengo já no jogo de ida, e como visitante. Restava sacramentar a vaga no Rio de Janeiro.


No jogo de volta, o Maracanã recebeu mais de 68 mil pagantes. Dorival manteve a mesmíssima escalação da primeira partida em São Paulo. Já Vítor Pereira mudou bastante a sua equipe para tentar reverter o resultado, iniciando o jogo com: Cássio, Fágner, Raul Gustavo, Bruno Méndez e Fábio Santos; Du Queiroz, o argentino Fausto Vera, Roni e Ádson; Willian e Yuri Alberto. A ansiedade estava toda do lado corinthiano. Então o time rubro-negro jogou um 1º tempo administrando a vantagem. Os paulistas pressionaram, mas seguiram sem conseguir vazar o gol do camisa 1 Santos.


Na etapa final, o Flamengo matou definitivamente o confronto logo aos 7 minutos: Arrascaeta conseguiu escapar nas costas do lateral-direito Fagner e cruzou de trivela para a área, com a bola fazendo uma curva e encontrando o centroavante Pedro entrando por trás da zaga para, de carrinho, na pequena área, escorar para dentro do gol. 1 a 0 no placar, 3 a 0 no agregado. A fatura estava liquidada. O Flamengo estava mais uma vez na semifinal!


O adversário na semi-final foi o Vélez Sarsfield, da Argentina, que nas fases anteriores tinha eliminado a duas equipes também argentinas, primeiro o River Plate e depois o Talleres. O primeiro do confronto foi no Estádio Jose Almafitani, em Buenos Aires. O time rubro-negro estava embalado por uma sequência de duelos decisivos, já que também havia avançado à semi-final na Copa do Brasil, na qual iniciou com uma vitória fora de casa contra o São Paulo. O "copeiro" time do Flamengo estava impiedoso nos duelos em mata-mata, tendo eliminado na Copa do Brasil a Palmeiras, Atlético Mineiro, Athlético Paranaense e deixando contra o São Paulo bem encaminhado, e na Libertadores a Tolima e Corinthians. Foi neste embalo que viajou para a capital argentina para o jogo de ida, disputado em 31 de agosto. O time rubro-negro entrou em campo com os 11 titulares mantidos em sequência desde a impiedosa goleada sobre o Tolima. Os argentinos, escalados por Alexander Medina, iniciaram a partida com: Hoyos, Leo Jara, De Los Santos, Valentín Gómez e Francisco Ortega; Garayalde, Santiago Cáseres e Orellano; Walter Bou, Lucas Pratto e Lucas Janson.


Em plena Argentina, com uma atuação histórica, o Flamengo amassou ao Vélez Sarsfield. O jogo já começou com o time rubro-negro dominsndo amplamente as ações e os argentinos tentando responder com truculência para segurar aquele ímpeto ofensivo em vermelho e preto. O time acumulou oportunidades boas, o Vélez só veio a ter a sua primeira real chance aos 27 minutos do 1º tempo, quando Janson recebeu na entrada da área e chutou colocado e o goleiro Santos espalmou. Logo depois, saiu o primeiro gol da noite, aos 31 minutos: Rodinei iniciou a jogada pelo lado direito de ataque, passou para Léo Pereira, que cruzou para Pedro, que livre e bem colocado só precisou de um toque para empurrar para a rede: 1 a 0. Aos 35 minutos, o Vélez ainda acertou uma cobrança de falta na trave. Mas a primeira parte, de amplo domínio rubro-negro, terminou premiada com um segundo gol ainda antes do intervalo, nos acréscimos, aos 46 minutos: roubada de bola de João Gomes, que passou para Filipe Luís, este para Pedro, que tocou para Éverton Ribeiro, que encontrou Arrascaeta, que cruzou para Gabigol, que escorou com maestria, de primeira, sem deixar a bola tocar o chão, para o meio da área, encontrando Éverton Ribeiro entrando pelo meio dos zagueiros, e com um leve toque de categoria desviou do goleiro: 2 a 0. Um passo a diante gigantesco rumo à final. Mas o ritmo no 2º tempo não foi diminuído.


Na etapa final, o Flamengo voltou a balançar a rede aos 15 minutos: mais uma troca de passes na entrada da área até Filipe Luís encontrar a Gabigol desmarcado pela direita, ele lançou em profundidade para Pedro nas costas da zaga adversária, e ele tocou com categoria na saída do goleiro: 3 a 0. O domínio rubro-negro era total! Aos 22, João Gomes lançou Gabigol na cara do gol, mas o goleiro Hoyos conseguiu desviar o toque com o pé. Aos 30 minutos, mais uma troca de passes que colocou o Vélez na roda, com a bola passando por Pedro, Éverton Ribeiro, Arturo Vidal, João Gomes e Gabigol, mas de novo ficou no quase. Já aos 37 minutos não teve jeito: Pedro iniciou fazendo o pivô e finalizou a jogada, primeiro inverteu o jogo para o chileno Vidal, que tentou dar o passe para Gabigol, mas a bola desviou na defesa e sobrou para o próprio camisa 21 chutar colocado, marcar o seu terceiro gol na noite, e decretar em definitivo a goleada: Flamengo 4 a 0! Depois de marcar 4 vezes nos 7-1 sobre o Tolima, Pedro marcou 3 vezes nos 4-0 sobre o Vélez Sarsfield. A vaga para a final parecia já estar decretada, ainda que restasse o jogo de volta no Maracanã por ser jogado.

A histórica vitória registrada no placar eletrônico do Estádio Jose Almafitani

O Maracanã recebeu mais de 66 mil pessoas na noite do feriado de 7 de setembro. Com a larga vantagem, o técnico Dorival Júnior poupou fisicamente a alguns dos titulares, lançando a campo uma equipe formada por: Santos, Rodinei, Fabrício Bruno, Pablo e Filipe Luís; João Gomes, Vidal, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Éverton Cebolinha e Pedro. O técnico argentino tentou mudar alguma coisa em relação ao primeiro confronto, e mexeu no seu onze inicial, jogando com: Burián, Leo Jara, De Los Santos, Brizuela e Francisco Ortega; Garayalde, Santiago Cáseres, Orellano Florentín; Lucas Janson e Lucas Pratto. E o aguerrido time do Vélez Sarsfield entrou no mítico estádio carioca mostrando que iria lutar para cair de pé. Aos 20 minutos do 1º tempo, o veterano centroavante Lucas Pratto, ex-jogador de São Paulo e Atlético Mineiro, e personagem na histórica final de 2019 quando defendia ao River Plate, marcou 1 a 0 para o time argentino. Mas contendo o ímpeto de luta do Vélez, aos 41 minutos do 1º tempo, Rodinei tocou para Éverton Ribeiro na direita, o camisa 7 cruzou e Pedro cabeceou para empatar ainda antes do intervalo. Um gol histórico para o atacante, que, com 12 gols marcados, passou a ser o maior artilheiro até então em única edição de Libertadores com a camisa do Flamengo.


A partida teve um ritmo mais lento no segundo tempo, com um baixo número de finalizações. O Vélez Sarsfield perdeu o seu ímpeto e o Flamengo contava os minutos para a garantia em definitivo da vaga na final. Aos 23 minutos do 2º tempo, logo depois de entrar no lugar de Everton Cebolinha, o ponta Marinho marcou o gol da virada: Pedro ganhou pelo alto no meio de campo, meteu a bola entre as pernas do defensor, e lançou para o camisa 31 na entrada da área, que acertou um chutaço no ângulo. Um golaço! 2 a 1! Mais um gol histórico, pois ainda que ninguém soubesse disto naquele momento, foi o gol que sacramentaria uma histórica campanha só com vitórias nos confrontos de mata-mata: duas vitórias nas oitavas, duas nas quartas, e duas na semi. Faltava só vencer à final, que mais uma vez seria em jogo único.


A final aconteceu quase dois meses depois da classificação na semi-final. O palco do jogo decisivo foi o Estádio Monumental Isidro Romero Carbo, pertencente ao Barcelona de Guayaquil, na capital do Equador. O adversário era o Athlético Paranaense, que na outra semifinal derrubou ao Palmeiras após uma vitória por 1 a 0 em Curitiba e um empate por 2 a 2 na capital paulista. Por pouco a final da edição anterior não foi repetida! Seria o terceiro ano consecutivo com a final sendo entre dois clubes brasileiros. Isto só estava acontecendo pela 5ª vez até então na história, e em todas as cinco vezes com os dois envolvidos sendo clubes do Brasil, assim foi nas edições de 2005, 2006, 2020, 2021 e 2022.

O técnico Dorival Júnior mandou a campo a escalação que tinha se consagrado como a titular desde as oitavas de final: Santos, Rodinei, David Luiz, Léo Pereira e Filipe Luís; Thiago Maia, João Gomes, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Gabigol e Pedro. Time titular que tinha 4 remanescentes do título de 2019: Filipe Luís, Giorgian De Arrascaeta, Éverton Ribeiro e Gabriel Barbosa, o Gabigol. O time paranaense era comandado pelo veterano Luiz Felipe Scolari, e foi a campo com Bento, Khellven, Pedro Henrique, Thiago Heleno e Abner; Fernandinho, Hugo Moura, Alex Santana e Vitor Bueno; Vitinho e Vitor Roque.


Final não se joga, final se ganha! O que o Flamengo precisava fazer quando entrou em campo em Guayaquil era conquistar o título. Ainda mais como um prêmio à majestosa campanha que fez até ali. E foi o que o time do Flamengo fez. Não teve uma atuação exuberante, fez o justo e suficiente para obter a vitória que lhe deu o terceiro título sul-americano, o segundo em quatro anos. O confronto se iniciou sem que o Flamengo conseguisse se impor nos primeiros minutos. O time flamenguista tinha mais posse de bola, mas não conseguia levar perigoso ao gol adversário. Aos 11 minutos, David Luiz vacilou ao tentar ajeitar de peito para trás, sem ter visto a penetração de Vitinho, que tomou sua frente, entrou pela direita da grande área e bateu cruzado para defesa de Santos. No rebote, a zaga flamenguista espanou para a lateral. Na cobrança, a bola foi alçada na área e passou por um monte de gente até alcançar a Alex Santana nas costas de Éverton Ribeiro, o volante pegou de voleio, praticamente na linha da pequena área, mas a bola espichou e saiu por cima do travessão. Foi por muito pouco que o Flamengo não saiu em desvantagem.


O acaso do destino também teve seu papel. Aos 19 minutos, Filipe Luís pisou mal no chão após uma dividida e teve que ser substituído, entrando em seu lugar Ayrton Lucas. Uma substituição que foi crucial para o desenrolar dos fatos no decorrer daquele jogo. Aos 27 minutos, Gabigol recebe na entrada da área, de costas para o gol, e toma um chute por trás aplicado pelo zagueiro Pedro Henrique, que recebe cartão amarelo do árbitro argentino Patrício Loustau. Aos 43 minutos do 1º tempo, numa troca de passes ofensiva do Flamengo, Pedro lança na ponta esquerda uma bola que parecia perdida, mas Ayrton Lucas acelera a corrida e chega na bola antes de Pedro Henrique, que dá um carrinho atrasado e com as duas pernas derruba abruptamente ao lateral rubro-negro, falta e segundo cartão amarelo, o zagueiro estava assim expulso de campo. O zagueiro reserva Matheus Felipe foi para a beira do campo, mas Scolari preferiu retardar a substituição, deixando para fazê-la no intervalo, recuando Fernandinho para atuar improvisado na zaga nos minutos finais. Um erro crucial, que mudou a história do jogo.

O Flamengo não tinha criado sequer uma chance clara de gol até aquele momento da partida. A partida demorou a ser reiniciada após a expulsão, com o time paranaense tratando de retardar o jogo. Quando a bola rolou novamente, aos 46 minutos, o Flamengo quase marcou. João Gomes pegou de primeira da entrada da área, e a bola passou tirando tinta da trave do goleiro Bento. Aos 48 minutos, nos acréscimos, Éverton Ribeiro deu uma sequência de dribles pela direita de ataque e tabelou com Rodinei, que recebeu passe projetado a frente e cruzou curva cruzado, a bola atravessou a área e encontrou Gabigol entrando por trás da linha de zaga para só escorar para dentro do gol: 1 a 0. Na final de 1981, quatro gols rubro-negros nos três jogos, e todos marcados por Zico; nas três finais de 2019, 2021 e 2022, quatro gols rubro-negros nos três jogos, e todos marcados por Gabriel Barbosa.


No 2º tempo, o Flamengo seguia com mais posse de bola e sem criar chances. Ainda assim, Gabigol perdeu chance clara aos 6 minutos, depois de ser lançado em profundidade por Arrascaeta e entrar frente a frente ao goleiro, mas chutando em cima dele. A pressão do Athlético foi aumentando, com o Flamengo cada vez mais defensivo. Um jogo tendo e nervoso, com o placar magro se estendendo e o tempo passando. Mas o Athlético também não conseguia levar perigo, tendo pouquíssimas vezes ameaçado à meta de seu ex-goleiro, Santos. A melhor oportunidade do adversário aconteceu aos 45 minutos, com falta perigosa cobrada pelo uruguaio David Terans que Santos encaixou e fez a defesa. Mas nada mais do que isso: Flamengo, Tri-Campeão da América!

Com o título de 2022, o Flamengo igualou-se em três conquistas a Santos, São Paulo, Palmeiras e Grêmio entre os brasileiros mais vezes campeões da competição. Igualou-se também a dois clubes tradicionais da América do Sul com 3 conquistas: o Nacional, de Montevidéu, e o Olimpia, de Assunção. Com mais títulos do que o Flamengo, após a conquista de 2022, só havia 5 clubes, quatro argentinos e um uruguaio: Estudiantes e River Plate com 4, Peñarol com 5, Boca Juniors com 6, e Independiente com 7.


quarta-feira, 27 de agosto de 2025

A narrativa da 2ª vez como Campeão da América em 2019


Em 1981, o Flamengo foi tão só o 3º clube brasileiro na história a conquistar a Copa Libertadores da América, depois de Santos e Cruzeiro. Dois anos depois, o Grêmio foi o 4º a conseguir levantar a taça. Entretanto, até 1991 ainda era muito raro que brasileiros fossem campeões da Libertadores. Nas 32 edições disputadas até esta data, a taça havia ido 15 vezes para a Argentina (praticamente metade das edições até então), 8 para o Uruguai, 5 para o Brasil, 2 para o Paraguai, 1 para a Colômbia (em 1989) e 1 para o Chile (em 1991). Foi então que o São Paulo Futebol Clube foi-bi-campeão em 1992 e 1993, e a partir de então as conquistas brasileiras se tornaram uma rotina.

Entre 1992 e 2006, em 15 edições disputadas, o título foi conquistado 8 vezes pelo Brasil (mais da metade), 5 pela Argentina, 1 pelo Paraguai e 1 pela Colômbia. Depois de um jejum de 3 anos, o título foi de clubes brasileiros por quatro oportunidades consecutivas, mantendo o país com mais das metade das conquistas das 22 edições disputadas entre 1992 e 2013. O Flamengo não participou desta "farra de conquistas", assim, dentro do clube de brasileiros campeões da Libertadores, era o clube que estava havia mais tempo sem conseguir levantar o troféu. Entre 2014 e 1018, só houve mais 1 título brasileiro.

O retrospecto rubro-negro em Copa Libertadores da América no Século XXI era péssimo até então. Em 8 participação até 2018, o clube havia chegado uma única vez às quartas de final, na edição de 2010, quando acabou eliminado pela Universidade de Chile. Nas edições de 2002, 2012, 2014 e 2017. E havia sido eliminado nas oitavas de final nas edições de 2007 (para o Defensor Sporting, do Uruguai), de 2008 (para o América do México) e de 2018 (para o Cruzeiro). Um péssimo desempenho!

Em 2019, quando o Flamengo encarava um jejum de 38 anos sem conseguir ser campeão da Copa Libertadores, já se acumulavam 18 títulos brasileiros: São Paulo, Santos e Grêmio tinham 3 títulos, Cruzeiro e Internacional tinham 2, e Flamengo, Vasco, Palmeiras, Corinthians e Atlético Mineiro tinham 1 título cada um. Dentre estes 10 clubes, os que estavam havia mais tempo sem vencer eram os dois cariocas, tendo o Vasco sido campeão em 1998 e o Flamengo em 1981. Estava mais do que na hora do Flamengo conquistar esta taça da América do Sul novamente. E o clube vinha se preparando para isto, por desde 2013 vinha passando por uma profunda reformulação financeira, cujo grande objetivo era voltar a levantar a Libertadores. E a edição de 2019 seria diferente, pois pela primeira vez se adotaria o modelo europeu, com a disputa da final em jogo único a ser disputado numa cidade eleita antes do início de competição. A final de 2019 estava prevista para ser disputada no Estádio Nacional de Santiago, capital do Chile (embora por instabilidades políticas em solo chileno às vésperas de sua realização, a sede tenha sido forçada a ser mudada para Lima, no Peru.

O Flamengo chegava para a disputa da Libertadores de 2019 após ter terminado como Vice-campeão brasileiro de 2018. Na maior parte desta campanha, tinha tido como treinador a Maurício Barbieri, que acabou demitido após a 26ª rodada do Brasileirão, no final de setembro. Como era fim de mandato da diretoria que estão ocupava a gestão, o time terminou a competição com Dorival Júnior aceitando um contrato-tampão de apenas três meses de validade. O elenco rubro-negro no Brasileiro, que havia feito grande campanha, embora tivesse perdido o título para o Palmeiras tinha como titulares a Diego Alves, Pará, Réver, Léo Duarte e Renê; Cuéllar, Willian Arão, Lucas Paquetá e Éverton Ribeiro; Vitinho e Fernando Uribe. O time reserva tinha: César, Rodinei, Rhodolfo, Matheus Thuler e Miguel Trauco; Piris da Motta, Rômulo e Diego Ribas; Orlando Berrío, Henrique Dourado e Marlos Moreno.

Em cima deste trabalho com uma base já montada e entregando resultado (embora não o título), a nova diretoria fez uma reformulação, escolhendo como treinador ao experiente Abel Braga, e fazendo quatro contratações de grande impacto, que exigiram um expressivo volume de investimentos desembolsados. Foram contratados no começo de 2019 o zagueiro Rodrigo Caio, ao São Paulo, o meia uruguaio Giorgian De Arrascaeta, ao Cruzeiro (maior contratação da história do Flamengo até então em termos de recursos financeiros pagos), o ponta Bruno Henrique, do Santos, e o centroavante Gabriel Barbosa, o Gabigol, que chegava por empréstimo, cedido pela Internazionale, de Milão. Do elenco do ano anterior, Lucas Paquetá foi vendido para o Milan, da Itália, por uma expressiva quantia, e não tiveram seus contratos prorrogados: Réver, Rômulo, Marlos Moreno e Henrique Dourado. Estava formado, assim, um elenco com um material humano de qualidade, visando conquistas expressivas a nível nacional e internacional.
      
O sorteio da Libertadores de 2019 foi ingrato para o Flamengo, pois colocou o clube num grupo que lhe forçou fazer duas partidas em altas altitudes da Cordilheira dos Andes. Os três adversários eram o tradicional Peñarol, do Uruguai, a LDU, do Equador, e o San Jose, de Oruro, da Bolívia. E a estreia era em Oruro, a Oruro, a 3.735 metros de altitude (quase 4 mil metros! Ar rarefeito intenso!). A estreia foi em 5 de março. Foi um ano inteiro de disputa da Libertadores, num formato no qual se chegava à fase final com outro elenco diferente ao que iniciava a trajetória. O técnico Abel levou a campo uma equipe escalada com: Diego Alves, Pará, Rodrigo Caio, Léo Duarte e Renê; Cuéllar, Willian Arão, Diego Ribas e Arrascaeta; Bruno Henrique e Gabigol. O time boliviano entrou em campo escalado pelo técnico Nestor Clausen jogando com: Lampe, Segovia, Toco, Rodríguez e Jair Torrico; Kevin Fernández, Didi Torrico, Ramallo e Sanguinetti; Iker Hernández e Saucedo.

O primeiro tempo foi lento e embolado, no qual a equipe rubro-negra ainda buscava se adaptar à velocidade diferente de movimentação da bola em função do ar rarefeito, e ao mesmo tempo o time boliviano não conseguia ameaçar a meta de Diego Alves. O cenário arrastado se repetia no 2º tempo quando o Flamengo conseguiu escapar num contra-ataque, com a bola chegando a Gabigol, que penetrou pela área e concluiu na saída do goleiro para consumar uma importante vitória na largada daquela campanha. O time ainda teve outras oportunidades para ampliar a vitória, mas não conseguiu. Aquele magro 1 a 0 no primeiro jogo representava importantes três pontos somados, e isto era o que mais valia, já que as condições impostas pela altitude aos que não atuam em tais condições com frequência sempre impedem atuações tecnicamente vistosas.


Na segunda rodada, duelo contra a Liga de Quito, como costuma ser chamada na América Hispânica, ou LDU, como é mais conhecida no Brasil. Jogo diante de um excelente público no Maracanã naquele dia 13 de março. A equipe escalada por Abel para começar o confronto tinha apenas uma modificação frente à da semana anterior: Diego Alves, Pará, Rodrigo Caio, Léo Duarte e Renê; Cuéllar, Willian Arão, Diego Ribas e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabigol. O treinador tirou De Arrascaeta e colocou Éverton Ribeiro no lugar dele. Já se desenhavam os questionamentos por parte da torcida ao trabalho do treinador que viriam a minar sua permanência no cargo. Segundo Abel Braga viria a dizer pouco depois, no entendimento dele não havia espaço para Arrascaeta, Everton Ribeiro e Bruno Henrique jogarem juntos, e as arquibancadas não aceitavam esta opinião. O tempo provou que os torcedores do Flamengo estavam certos.


O time equatoriano foi escalado pelo técnico Pablo Repetto com: Gabbarini, Quinteros, Carlos Rodríguez, Nico Freire e Christian Cruz; Intriago, Orejuela, Edison Vega e Jhojan Julio; Ayovi e Rodrigo Aguirre. No meio de campo um velho conhecido dos rubro-negros, Orejuela, que estava emprestado pelo Fluminense, e que na final do Campeonato Carioca de 2017 havia terminado a partida como goleiro após uma expulsão depois de que todas as substituições permitidas tinham sido feitas, tendo levado o gol de Rodinei nos acréscimos que sacramentou a conquista que já estava endereçada. 


O Flamengo se impôs em campo já desde os primeiros momentos da partida. Logo aos 8 minutos do 1º tempo, Everton Ribeiro colocou a equipe em vantagem após Diego invadir a área pela esquerda e rolar para o meio, onde encontrou o camisa 7 livre para bater no contrapé do goleiro e estufar a rede: 1 a 0. Apesar do maior volume, a equipe não conseguiu ampliar ainda na etapa inicial. Ainda se livrou de sofrer o empate, quando a LDU teve um pênalti a seu favor que Intriago cobrou e Diego Alves defendeu. O Flamengo definiu o jogo só no 2º tempo, primeiro quando Everton Ribeiro lançou para a área, Bruno Henrique tentou dominar mas deixou a bola escapar, ajeitando para Gabigol chegar de trás betando com força: 2 a 0. Depois foi a vez do colombiano Fernando Uribe, que havia entrado no lugar de Bruno Henrique, e aproveitou uma ajeitada de cabeça de Arão para chutar cruzado: 3 a 0. Nos acréscimos, os equatorianos ainda diminuíram, quando voltaram a ter um pênalti assinalado a seu favor, que o colombiano Cristian Borja, que havia tido uma breve passagem sem sucesso pelo Flamengo, cobrou e converteu. Assim, nas duas primeiras rodadas, duas vitórias importantíssimas, que acabaram sendo fundamentais para garantir a classificação nos momentos finais de desfecho daquele grupo, que viria a ter episódios derradeiros de riscos reais de uma eliminação rubro-negra precoce.

Diego Alves defende o pênalti cobrado por Intriago no 1º tempo

Na terceira rodada, o adversário algumas semanas depois, no dia 3 de abril, era o Peñarol. Uma vitória rubro-negro praticamente selaria a classificação às oitavas de final. O Maracanã recebeu quase 67 mil pessoas, prontas para festejar e celebrar uma arrancada fulminante. Só que os uruguaios não estavam dispostos a deixar que isto acontecesse. Abel Braga escalou a equipe com: Diego Alves, Pará, Rodrigo Caio, Léo Duarte e Renê; Cuéllar, Willian Arão, Diego Ribas e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabigol. Mesma escalação da partida anterior contra a LDU. Os uruguaios, que entraram em campo com o uniforme inteiramente amarelo, foram escalados por seu treinador, Diego López, com: Dawson, Giovanni González, Formiliano, Lema e Lucas Hernandéz; Gusmán Pereira, Gargano, Brian Rodríguez e Cristian Rodríguez; Canobbio e Darwin Núñez; uma forte equipe, que tinha como principal jogador ao jovem centroavante Núñez, que viria a brilhar em poucos anos no futebol europeu.

Léo Duarte dando combate ao jovem grandalhão Darwin Núñez

O time rubro-negro dominou completamente ao adversário no 1º tempo, mas criava pouquíssimas oportunidades reais de marcar. Os uruguaios escapavam em contra-ataques, e num deles quase saíram em vantagem ainda na primeira etapa: Agustin Canobbio recebeu na pequena área e, sozinho, chutou à queima-roupa, mas em cima de Diego Alves. No 2º tempo, o time rubro-negro balançou a rede com Gabigol, o Maracanã explodiu, mas o trio de arbitragem corretamente anulou por posição de impedimento. Aos 30 minutos, Gabigol deu um carrinho inconsequente e desnecessário, e recebeu o cartão vermelho. O time aurinegro cresceu então em campo, até conseguir chegar a marcar o seu gol, quando eram 43 minutos do 2º tempo: Lucas Hernández cruzou e Viatri apareceu livre na área ao se antecipar a Renê para cabecear com precisão no ângulo direito do goleiro Diego Alves. Decepção total da torcida, uma derrota que não estava nos planos. O turno do grupo terminava embolado, com Peñarol e Flamengo com 6 pontos e a LDU com 4.


A oportunidade de alcançar os 9 pontos que deixariam o clube muito próximo da classificação se materializava no último jogo da 1ª Fase no Maracanã, em 11 de abril contra o San Jose. Era o jogo, em teoria, mais fácil da fase. Mais uma vez o principal estádio do Rio de Janeiro encheu, recebendo a quase 65 pessoas. Sem poder contar com Gabigol, expulso no jogo anterior, Abel Braga lançou a campo uma formação em 4-5-1, com a escalação tendo a: Diego Alves, Pará, Rodrigo Caio, Léo Duarte e Renê; Cuéllar, Willian Arão, Diego Ribas, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique.


Desta vez a equipe não decepcionou. Logo com 2 minutos de bola rolando, o camisa 10 Diego balançou as redes pela primeira vez. Os bolivianos empataram aos 18 minutos, mas logo Everton Ribeiro recolocou o time em vantagem. Na etapa final, aos poucos o time foi marcando gols uns atrás do outro, e a vitória logo virou goleada: inapeláveis 6 a 1! Os dois jogos restantes eram como visitante, contra a LDU na altitude de Quito, e contra o sempre aguerrido Peñarol dentro de Montevidéu. A matemática apontava que para ser eliminada, só se a equipe sofresse duas derrotas. Eram confrontos complicados, então havia um clima de apreensão, e muitas críticas ao trabalho do treinador, pois no entendimento dos torcedores, o investimento em contratações havia sido alto demais perante todo este risco de eliminação precoce.


A primeira das duas partidas decisivas como visitante era no dia 3 de maio na altitude de Quito, no Equador, a 2.850 metros acima do nível do mar. Era a segunda vez naquela edição da Libertadores que o time rubro-negro precisava subir a Cordilheira dos Andes. Havia vencido na primeira rodada eu Oruro, mas não havia dúvida que o adversário desta vez, a LDU, era uma equipe tecnicamente melhor do que a do San Jose. A parada era dificílima! O time da LDU que entrava em campo naquele 24 de abril era quase o mesmo do duelo de pouco mais de quarenta dias antes no Maracanã: Gabbarini, Jose Quinteros, Carlos Rodríguez, Franklin Guerra e Christian Cruz; Intriago, Orejuela, Anderson Julio e Jhojan Julio; Ayovi e Anangonó. Já o Flamengo, enfim tinha mudanças alinhadas ao que os torcedores vinham pedindo, entrando com: Diego Alves, Pará, Rodrigo Caio, Léo Duarte e Renê; Cuéllar, Willian Arão, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabigol. O camisa 14 Arrascaeta começava de titular, com Diego na reserva.

O Flamengo deu grandes esperanças de um bom resultado a seus torcedores quando, logo aos 18 minutos do 1º tempo, Bruno Henrique marcou um gol. O camisa 27 recebeu cruzamento preciso de Pará e, entrando por trás da zaga, escorou de cabeça no canto oposto do goleiro Gabbarini para colocar o time rubro-negro em vantagem. Apesar disto, a atuação não era boa, com as mesmas dificuldades típicas de sempre numa atuação em ar rarefeito: a velocidade acelerada da bola, pela menor resistência do ar, a dificuldade em acertar passes e de calibrar os chutes de longa distância decorrentes disto, e as limitações físicas impostas pela maior dificuldade para respirar. Ainda assim, no finzinho da primeira etapa, Everton Ribeiro chutou rasteiro da entrada da área e acertou a trave, quase ampliando a vantagem. Teria mudado a história do jogo, pois nos acréscimos os equatorianos empataram. Lançamento a partir da intermediária que pegou a linha de defesa avançada, Anangonó aproveitou e entrou sozinho, frente a frente com Diego Alves, e concluindo com precisão. Foi literalmente o último lance da etapa inicial. Ao invés do 2-0, ida para o intervalo com um 1-1 no placar.


O 2º tempo foi de pura pressão equatoriana, até que aos 27 minutos, o camisa 10 Chicaiza, que havia entrado em campo pouco antes, acertou um chute preciso de fora da área para virar o jogo. Festa total nas arquibancadas do Estádio Casa Blanca. Com a vitória, a LDU voltava a ter chances matemáticas de classificação. Nos minutos finais, Diego Alves ainda se machucou e precisou ser substituído pelo goleiro reserva César. Ao fim da rodada, Flamengo e Peñarol tinham 9 pontos (o clube tinha saldo de gols +6 e os uruguaios um saldo + 2), em terceiro a LDU tinha 7 pontos, e jogava em casa na última rodada contra o frágil San Jose, que estava em quarto, com 4 pontos. Já o Flamengo iria a Montevidéu, e se fosse derrotado tinha enormes possibilidades de ser eliminado. Um empate, como tinha vantagem sobre os uruguaios no saldo de gols, iria lhe assegurar a classificação.


A partida derradeira seria no Estádio Campeón del Siglo. Era a primeira vez que o Flamengo entraria em campo no novo estádio do Peñarol, que havia sido inaugurado em 2016. Na lembrança do torcedor rubro-negro, uma situação muito similar à da Libertadores de 2017, quando o Flamengo tinha enfrentado ao San Lorenzo no Estádio Nuevo Gasometro, em Buenos Aires, e havia sido eliminado ao sofrer um gol já nos acréscimos. O clube queria exorcizar aos seus próprios fantasmas. Todos sabiam que seria um jogo duríssimo e sofrido. E assim foi.

O Peñarol entrou em campo com seu tradicional primeiro uniforme, com listras verticais em preto e amarelo e calção preto. O treinador Diego López levou a campo a equipe formada por: Dawson, Giovanni González, Formiliano, Lema e Lucas Hernandéz; Guzmán Pereira, Gargano, Brian Rodríguez e Cristian Rodríguez; Lucas Viatri e Darwin Núñez. Já o Flamengo, naquela noite de 17 de maio, na qual atuou com uniforme inteiramente branco, entrou em campo desfalcado de seu goleiro titular, ainda lesionado, tendo sido escalado com: César, Pará, Rodrigo Caio, Léo Duarte e Renê; Cuéllar, Willian Arão, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabigol. O técnico Abel Braga havia cedido à pressão e posto Arrascaeta, Éverton Ribeiro e Bruno Henrique jogando juntos, coisa que ele teimava não ser possível de funcionar. Ninguém sabia disto ainda naquele momento, mas aquela seria a última partida de Abel a frente do time rubro-negro naquela Libertadores.


Logo com 1 minuto de jogo, Everton Ribeiro fez excelente jogada e serviu Arrascaeta, que com um toque rápido colocou Gabigol frente a frente ao goleiro uruguaio. Ele deu um toque e desviou a bola, que passou rente à trave, numa chance claríssima de saltar a frente no marcador. Mais sólido em campo, o time rubro-negro criou diversas chances de gol, mas não conseguiu sair na frente. O Peñarol havia tido só uma chance clara antes do intervalo, num belo chute de fora da área que roçou a trave. A primeira etapa terminou sem que ninguém balançasse a rede.


No 2º tempo, tudo mudou quando Pará recebeu o segundo cartão amarelo aos 19 minutos e foi expulso. Quase ao mesmo tempo, em Quito, saía um gol de Cristian Borja para a LDU. Três minutos depois Anderson Julio marcou outro para os equatorianos, e com este segundo gol, o empate passava a eliminar ao Peñarol. Assim, uma derrota eliminava o Flamengo. A LDU resolveu sua situação com mais dois gols de Anderson Julio, aos 29 e aos 43 minutos (4 a 0). Já em Montevidéu, nos 25 minutos finais, o controle do jogo foi todo do Peñarol, que pressionava muito em busca de sua classificação. Aos 48 minutos do 2º tempo, num contra-ataque, Vitinho teve a chance de sacramentar o resultado, penetrando frente a frente ao goleiro desde antes da linha do meio de campo, mas não conseguindo fazer o gol.

Com muito sofrimentos, o Flamengo conseguiu segurar o empate sem gols e sacramentar o seu avanço às oitavas de final. Flamengo, LDU e Peñarol terminaram com 10 pontos. O Flamengo com saldo de gols +6, seguido pelo saldo +4 dos equatorianos e o saldo +2 dos uruguaios. Com um 1º lugar no grupo, o Flamengo avançou então para a fase mata-mata, e a partir dali começava uma nova competição. A própria equipe seria outra, e com outro treinador. O time titular na Fase de Grupos era formado por Diego Alves, Pará, Rodrigo Caio, Léo Duarte e Renê; Cuéllar, Willian Arão, Diego Ribas (Arrascaeta) e Everton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabriel Barbosa. Duas peças desta equipe deixaram o elenco, com o jovem zagueiro Léo Duarte vendido ao Milan da Itália, e o volante de contenção colombiano Gustavo Cuéllar vendido ao Al Hilal, da Arábia Saudita. E quatro peças novas foram contratadas: o lateral-direito Rafinha, do Bayern de Munique, o zagueiro espanhol Pablo Marí, que estava jogando na 2ª Divisão da Espanha pelo Deportivo La Coruña, o lateral-esquerdo Filipe Luís, do Atlético de Madrid, e o meia Gérson, da Roma. Quatro reforços de peso adquiridos no futebol europeu. E foi da Europa também que foi adquirido um novo treinador.

Os primeiros comentários que apareceram na mídia esportiva brasileiro associados ao treinador português Jorge Jesus eram de que ele estaria negociando para assumir ao Vasco da Gama. Logo depois as especulações mudaram, e as notícias davam conta de que ele estaria em negociações avançadas para assumir ao Atlético Mineiro. Tanto que ninguém estranhou quando ele esteve presente no Estádio em Independência, em Belo Horizonte, para assistir em 18 de maio a partida entre Flamengo e Atlético válida pela 5ª rodada do Campeonato Brasileiro. Os donos da casa venceram aquela partida por 2 a 1, mas ao que parece os olhos do treinador português estavam com outro foco, diferente do que vinha sendo noticiado pelo jornalismo. Muito rapidamente os rumores mudaram para uma eventual negociação dele com o Flamengo. A ponto de que logo após a partida seguinte pelo Brasileirão, uma vitória por 3 a 2 sobre o Athlético Paranaense pela 7ª rodada do campeonato, Abel Braga pediu demissão, alegando desconforto com a situação. Em uma similaridade com a campanha na Libertadores de 1981, o Flamengo trocava de treinador mais por fatores extracampo do que pelos resultados em campo. Campeão Carioca pouco antes, apesar do sufoco, tendo classificado o time na Libertadores, após 4,5 meses de trabalho, tendo em 32 jogos disputados, vencido 19, empatado 8 e perdido apenas 5 vezes, o clube fazia a troca de treinador. O português Jorge Jesus era o novo técnico do time para o restante da temporada.

Jorge Jesus

O adversário nas oitavas de final era o Emelec, mais um clube equatoriano no caminho rubro-negro naquela campanha. Desta vez, porém, sem precisar jogar na altitude, já que o clube era da cidade de Guayaquil, que está ao nível do mar. No dia 24 de julho a equipe rubro-negra viajou ao Equador para a partida de ida das oitavas, a ser disputada no Estádio George Capwell. O técnico Ismael Rescalvo mandou sua equipe a campo escalada com: Dreer, Caicedo, Jaime, Leandro Vega e Bagui; Arroyo, Godoy, Nicolas Queiroz e Cabezas; Fernando Guerrero e Angulo. Do lado rubro-negro, o time teria os desfalques de Arrascaeta e Everton Ribeiro, e, sem eles, Jorge Jesus mandou a campo uma escalação confusa, com dois laterais-direito jogando juntos, um dos quais - Rafinha - adiantado para jogar como meio-campista. A equipe rubro-negra, com esta formação, não se encontrou em campo, e não tardou a ser castigada por isso. O time rubro-negro foi a campo com: Diego Alves, Rodinei, Rodrigo Caio, Léo Duarte e Renê; Willian Arão, Diego Ribas, Rafinha e Gérson; Bruno Henrique e Gabigol.


Logo aos 10 minutos do 1º Tempo, Bryan Cabezas lançou na área e a bola chegou para Guerrero, que mandou cruzado para Wilmer Godoy, que com liberdade e oportunismo bateu de primeira para vencer a Diego Alves: Emelec 1 a 0. O Flamengo só foi chegar ao gol adversário pela primeira vez já na reta final do 1º tempo, primeiro com Gabigol e depois com Arão desperdiçando boas oportunidades de se ter conseguindo um empate antes do intervalo. Na etapa final, a vida rubro-negra ficou mais fácil quando, logo aos 8 minutos, Leandro Vega acertou o rosto de Rafinha, recebendo corretamente o cartão vermelho, e deixando a equipe equatoriana com um a menos em campo. 


Mas o time só pode aproveitar a vantagem numérica por cerca de 20 minutos, pois o camisa 10 Diego recebeu uma entrada duríssima que lhe provocou uma fratura no tornozelo esquerdo. Como Jorge Jesus já havia feito as três substituições permitidas, a equipe rubro-negra também ficou com 10 jogadores em campo. E cinco minutos depois, aos 33 minutos do 2º tempo, o segundo golpe, e pelos pés de um jogador com nome inspirado em craque brasileiro: contra-ataque e Fernando Guerrero dá o passe para Romario Caicedo completar para o gol e ampliar: Emelec 2 a 0. E assim terminou o jogo, com uma desvantagem indigesta e o treinador rubro-negro sofrendo fortes críticas pelas inovações que não funcionaram na escalação lançada a campo. Seriam necessários três gols para reverter o quadro no Maracanã, ou dois para levar a uma disputa de pênaltis.

O Maracanã recebeu mais de 67 mil pessoas em suas arquibancadas que foram ao estádio esperançosas com uma virada rubro-negra. O trabalho de Jorge Jesus já largava pressionado, e uma eventual eliminação certamente geraria uma enorme instabilidade no clube. Na equipe equatoriana, uma única alteração, com a entrada de Mejía na vaga de Veja, que havia sido expulso em Guayaquil. No lado rubro-negro, o desfalque desta vez era do zagueiro Rodrigo Caio. O técnico português mandou a campo, desta vez, uma equipe sem inovações táticas. Apostou no jovem Thuler para a vaga de Rodrigo Caio, e deixou Arrascaeta no banco de reservas, escalando a equipe num tradicional 4-4-2 que por vezes, com Éverton Ribeiro caindo pela ponta-direita virava um 4-3-3. A escalação rubro-negra para mais uma decisão: Diego Alves, Rafinha, Thuler, Pablo Marí e Renê; Cuéllar, Willian Arão, Gérson e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabigol. Era a primeira partida do espanhol Pablo Marí e a última do colombiano Cuéllar naquela Libertadores.


Com o Maracanã em polvorosa, o Flamengo começou avassalador. Com 19 minutos do 1º tempo, a equipe já tinha conseguido os dois gols que necessitava para igualara de novo as condições no placar. Restava um tempo e meio para converter o gol derradeiro que selaria a classificação sem a necessidade de viver a angústia dos pênaltis. Logo aos 7 minutos, Rafinha driblou o marcador dentro da área quase junto à linha de fundo e caiu, o árbitro argentino Néstor Pitana marca pênalti. Eram 9 minutos no relógio quando Gabigol correu para a bola e marcou o primeiro gol rubro-negro na noite. Aos 19, Bruno Henrique ganhou em velocidade pela ponta esquerda, foi a linha de fundo e cruzou rasteiro para Gabigol chegar por trás da zaga e bater no contra-pé do goleiro: 2 a 0. Festa no Maracanã, pressão sobre os equatorianos, domínio rubro-negro, mas o gol não saiu. O placar não se alterou mais até o final, e a decisão da vaga nas quartas de final avançou para ser decidida em cobranças de pênalti. Quanta coisa diferente na história do Clube de Regatas do Flamengo teria acontecido se não fosse aquela decisão por pênaltis.


O Flamengo começou cobrando. Arrascaeta, Bruno Henrique e Renê converteram as três primeiras cobranças rubro-negras. Diego Alves, que já havia tocado na bola e quase defendido a primeira cobrança, na terceira, cobrada por Arroyo, fez aquilo que mais o fez brilhar em sua carreira de goleiro: defender pênalti. Tornou-se assim o herói da noite. Quando Rafinha converteu a quarta cobrança, o 4-2 no marcador jogava uma enorme pressão sobre a equipe do Emelec. Queiroz bateu com força, no meio, mas errou a dosagem na força e na direção aplicadas, a bola estourou no travessão e o barulho ressoou forte. O Flamengo estava, de forma extremamente sofrida, classificado às quartas de final. No Século XXI, era tão só a segunda vez que o clube rubro-negro avançava às quartas de final na Libertadores. e desta vez para um duelo brasileiro, o adversário seguinte a ser enfrentado era o Internacional. Desde 1984 que o Flamengo não chegava a uma semifinal de Libertadores da América!



De volta às quartas de final da Libertadores, fase à qual não conseguia se classificar de 2010, o confronto era brasileiro, com o Flamengo tendo pela frente ao Internacional, de Porto Alegre, que nas oitavas de final havia eliminado ao Nacional de Montevidéu. E o confronto se iniciava com um decisivo duelo no Maracanã. Estádio lotado, com mais de 66 mil presentes, e o Jorge Jesus lançava a campo uma formação quase igual à que entraria para a história dali a pouco tempo, a única exceção era a presença do colombiano Cuéllar, que ainda não havia seguido para o futebol árabe com Gérson iniciando no banco de reservas e só entrando durante a partida. A equipe rubro-negra naquela noite: Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Cuéllar, Willian Arão, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabigol. Do lado colorado, o time escalado pelo técnico Odair Hellmann para ier a campo era formado por: Marcelo Lomba, Bruno, Rodrigo Moledo, Victor Cuesta e Uendel; Rodrigo Lindoso, Edenílson, Patrick e Andrés D'Alessandro; Rafael Sóbis e Paolo Guerrero. Era um baita time, e muito experiente, com o camisa 10 argentino D'Alessandro articulando o meio, e o peruano e ex-atacante do Flamengo, Paolo Guerrero, como centroavante.

O time de Jorge Jesus havia superado a instabilidade inicial, e chegava para confronto após dois excelentes resultados pelo Campeonato Brasileiro, com vitórias por 3 a 1 sobre o Grêmio e sobre 4 a 1 sobre o Vasco. Era o ponto de inflexão da temporada, porque dali em diante só seria derrotado na última rodada do Brasileirão, caindo perante o Santos numa partida que já não valia mais nada, pois os troféus já tinham sido erguidos. O Flamengo teve amplo domínio no 1º tempo, mas não balançou as redes. O Inter tentava escapar em contra-ataques, mas não tinha muito sucesso.


No 2º tempo, o time melhorou depois que Gérson entrou no lugar de Arrascaeta. O jogo era tenso e catimbado. A pressão rubro-negra se mantinha, mas a bola não entrava. O alívio começou aos 30 minutos do 2º tempo, quando Éverton Ribeiro lançou Bruno Henrique entre os dois zagueiros, o argentino Victor Cuesta tirou de carrinho, só que a bola sobrou para Gérson, que acompanhava paralelamente a corrida. Os zagueiros e o goleiro correram para impedir a conclusão, e BH, já de pé após a queda ficou livre no meio. Gérson viu, tocou, e o camisa 27 só teve o trabalho de empurrar para dentro do gol escancarado: Mengão 1 a 0. Aberta a porteira! Três minutos depois saiu o segundo: desta vez foi Gabigol quem serviu a Bruno Henrique na meia-lua. Ele fintou Victor Cuesta para a direita e chutou cruzado na diagonal, vencendo o goleiro; a gola tocou caprichosamente na trave e entrou: 2 a 0! BH, herói da noite! Nos momentos derradeiros, o atacante uruguaio Nico López, que havia entrado na etapa final, ainda quase descontou, mas não conseguiu. O Flamengo seguia para o jogo de volta em Porto Alegre com uma importante vantagem conquistada em casa.


No Estádio Beira-Rio, o Internacional entrou em campo com a mesmíssima formação do jogo de ida. Do lado rubro-negro, JJ era obrigado a fazer uma substituição, dado que não podia contar com o Willian Arão. Vestindo uniforme branco, o Flamengo foi a campo com: Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Cuéllar, Gérson, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabigol. Aquela seria a última participação do Gustavo Cuéllar naquela campanha, tendo até então sido titular absoluto da cabeça de área. Dali em diante, Jorge Jesus recuaria Arão para ser o primeiro volante, e lançaria Gérson definitivamente entre os titulares.


A partida na capital gaúcha foi uma batalha de nervos, como era esperado que fosse ser. Quase 50 mil colorados nas arquibancadas empurravam ao Internacional, que precisava de uma vantagem de dois para levar a decisão aos pênaltis, ou de três gols para uma classificação direta. Mas no 1º tempo foi o time rubro-negro quem começou pressionando, desperdiçando oportunidades em série, especialmente em duas nas quais Gabigol entrou frente a frente com o goleiro Marcelo Lomba, formado na base rubro-negra. Mas ninguém balançou as redes na etapa inicial, com as equipes indo para o intervalo num empate sem gols. Restava ao Flamengo mais 45 minutos para selar um regresso a uma semi-final, fase à qual não chegava dedes 1984.

Na segunda etapa, o time colorado voltou melhor e subiu de produção, e aos 16 minutos conseguiu diminuir a vantagem acumulada do time rubro-negro, com gol do cabeça de área Rodrigo Lindoso. Falta cobrada para a área que ele testou para dentro da rede. A pressão então cresceu, e pelo 23 minutos seguintes o Flamengo esteve acuado em sua defesa. Até que aos 39 minutos a bola sobrou para Bruno Henrique na intermediária de defesa rubro-negra. Ele atravessou o campo conduzindo, enquanto a defesa colorada voltava em desespero para tentar se recompor. Não deu tempo. BH cortou para a esquerda e serviu Gabigol entrando livre pelo meio, só tendo o trabalho de empurrar para o gol vazio. Não havia tempo para mais nada: o Flamengo estava de volta a uma semi-final. E o adversário seria o mesmo enfrentado em 1984, e jogando novamente em Porto Alegre, desta vez contra o Grêmio, que havia eliminado ao Palmeiras naquelas quartas de final.


O primeiro jogo da semi-final foi na Arena do Grêmio, está inaugurado menos de sete anos antes. Estádio mais uma vez lotado, com mais de 50 mil torcedores do tricolor gaúcho. O time rubro-negro, líder do Campeonato Brasileiro naquele momento, chegava embalado por uma sequência de bons resultados. E entrava em campo escalado pela primeira vez naquela edição com a formação que entraria para a história como o time que ganhou tudo naquele mágico ano de 2019: Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Willian Arão, Gérson, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabigol. O time gaúcho, escalado pelo técnico Renato Gaúcho, foi a campo com: Paulo Victor, Rafael Galhardo, David Braz, Walter Kannemann e Bruno Cortez; Michel, Matheus Henrique, Luan e Alisson; Éverton Cebolinha e Diego Tardelli. Curiosamente, assim como nas quartas, o goleiro adversário defendendo um clube gaúcho era formado na base rubro-negra. O lateral-direito Rafael Galhardo também era formado na Gávea, por onde também tinham passado o zagueiro David Braz e o centroavante Diego Tardelli. O fortíssimo adversário tinha uma espinha dorsal formada pelo viril e raçudo zagueiro argentino Kannemann, e por dois daqueles que eram considerados os maiores destaques do futebol brasileiro naquele momento, o meia Luan e o ponta Éverton Cebolinha, herói da Seleção Brasileira poucos meses antes na conquista da Copa América daquele ano.


O time de Jorge Jesus já estava jogando por música, e dominou amplamente ao tricolor gaúcho no 1º tempo, quando já poderia ter saído em vantagem. As chances se acumulavam, mas a bola não entrava. O Grêmio era amplamente dominado. Aos 19 minutos a bola entrou, Éverton Ribeiro pegou rebote na entrada da área, chutou, e marcou. Seria gol rubro-negro, mas a arbitragem de vídeo chamou o árbitro para revisar no monitor, apontando um empurrão de Gabigol em Kannemann no início da jogada. Gol anulado. Aos 23 minutos, o Flamengo marca de novo: Gabigol recebe de Bruno Henrique e bate cruzado, metendo a bola na rede. O auxiliar marca o impedimento. A arbitragem de vídeo revisa, e indica que o centroavante rubro-negro estava como "meio pé" a frente do zagueiro. Em outros tempos não seria anulado, pois como se considerava: "mesma linha não é impedimento". Mas em tempos das revisões milimétricas, perla segunda vez um gol rubro-negra era anulado. Assim, a primeira etapa terminou num empate sem gols.


O Flamengo continuava melhor na etapa final, criando mais oportunidades de gol. Somente aos 17 minutos do 2º tempo, o Grêmio levou um perigo real: Cebolinha cruzou por tras de Pablo Mari e bateu cruzado da entrada da grande área, e Diego Alves fez uma defesaça, espalmando a escanteio. O time tricolor cresceu, e um minuto depois o goleiro rubro-negro teve que fazer outra grande defesa. Quando o Grêmio melhorou, aos 23 minutos foi o Flamengo quem marcou: Arrascaeta cruzou e Bruno Henrique subiu mais que o lateral Galhardo, na segunda trave, para testar para o chão, a bola ainda resvalou na trave e entrou: Flamengo 1 a 0!

Aos 34 minutos o Flamengo ainda marcou de novo. E pela terceira vez na noite teve um gol anulado. Arão chutou cruzado e encontrou Gabigol no meio da pequena área para empurrar para dentro de gol, mas estando de fato em posição adiantada em relação à linha defensiva gremista. Aos 42 minutos, no finzinho, o time rubro-negro acabou castigado. Contra-ataque do Grêmio, a bola chega a Éverton Cebolinha pelo lado direito de ataque, que bate cruzado, em diagonal, e encontra o jovem ponta Pepê entrando em sentido oposto para escorar na pequena área e decretar o empate. Um 1 a 1 definitivo que não refletiu a ampla superioridade rubro-negra em Porto Alegre. Decisão no Maracanã.

No segundo jogo, quase 70 mil rubro-negros lotando o estádio. O time de JJ era o mesmo que havia iniciado a primeira partida. Já o do técnico Renato Portaluppi tenha a volta do zagueiro Pedro Geromel, desfalque no jogo de ida. Começou jogando com: Paulo Victor, Paulo Miranda, Pedro Geromel, Walter Kannemann e Bruno Cortez; Michel, Matheus Henrique, Maicon e Alisson; Éverton Cebolinha e André.

A superioridade no primeiro jogo que não se refletiu no resultado, no segundo se refletiu amplamente, uma goleada fantástica que colocou o clube após 38 anos novamente numa final de Copa Libertadores da América. Um baile vermelho e preto no Maracanã, no qual o Grêmio foi atropelado com um imponente e inapelável 5 a 0. A goleada foi a sexta maior numa semi-final de Libertadores na história até então, contabilizando as edições entre 1960 a 2019. O time rubro-negro matou o jogo no início do segundo tempo, tendo marcado quatro gols num intervalo de vinte e cinco minutos que acabaram com a partida e garantiram a classificação para jogar a final continental, rumo ao sonho cantado por sua torcida de conquistar o mundo de novo.


Foi uma atuação de gala do ataque do Flamengo! O time comandado pelo técnico português Jorge Jesus vivia um momento mágico, era o líder absoluto da tabela de classificação do Campeonato Brasileiro, e numa sólida campanha em paralelo na Libertadores, tendo eliminado ao Internacional nas quartas de final, estava forte na luta por reconquistar a América. O técnico gremista, Renato Gaúcho, no entanto, desdenhava via imprensa da qualidade do trabalho do "Mister" Jorge Jesus: "com um elenco de R$ 200 milhões é fácil, me dá R$ 160 milhões para investir e eu monto uma seleção". A resposta estava entalada na garganta de JJ, e foi dada naquela noite, quase em silêncio. Ao menos por parte do técnico, porque pelo canto da torcida, foi uma noite ensurdecedora.


Porteira aberta aos 41 minutos do 1º tempo, com gol de Bruno Henrique. Na volta do intervalo, aos 2 minutos em chute cruzado, e aos 10 minutos cobrando pênalti sofrido por BH, selou o destino da semi-final: 3 a 0. O Flamengo repetia 1981 e chegava novamente a uma final de Copa Libertadores da América. A goleada definitiva foi decretada em dois escanteios, com gols de cabeça da dupla de zaga, primeiro com o espanhol Pablo Marí aos 21 minutos, e depois com Rodrigo Caio aos 25 minutos. O adversário na final seria o River Plate, que derrubou ao Boca Juniors, no clássico argentino disputado na outra semi-final, após vencer o primeiro jogo por 2 a 0 e perder o segundo por 1 a 0.


A final estava inicialmente marcada para o Estádio Nacional de Santiago, no Chile. Mas protestos políticos com manifestações nas ruas da capital chilena levaram o confronto para o Estádio Monumental de Lima, no Peru. O jogo foi em 23 de novembro de 2019, exatos 38 anos após a noite de 23 de novembro de 19812, quando o Flamengo derrotou ao chileno Cobreloa em Montevidéu, no Uruguai, para conquistar a Libertadores da América pela primeira vez. Era a primeira vez na história em que a Libertadores seria decidida em jogo único em sede fixa.

O adversário do outro lado era o imponente River Plate, do jovem técnico Marcelo Gallardo. Uma equipe fortíssima, que iniciou a partida atuando com: Armani, Montiel, Martínez Quarta, Pinola e Casco; Exequiel Palacios, Enzo Pérez, Nico De La Cruz e Nacho Fernández; Matías Suárez e Rafael Borré. Do banco de reservas, no segundo tempo, ainda entraram Julián Álvarez e Lucas Pratto. O Flamengo de Jorge Jesus, com a formação clássica que entrou para a história daquele ano de 2019 como Campeã Brasileira e Campeã da Libertadores: Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Willian Arão, Gérson, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabriel Barbosa, o Gabigol. No elenco naquela reta final de ano, o time reserva era formado por: César, Rodinei, Matheus Thuler, Rhodolfo e Renê; o paraguaio Piris da Motta, Jean Lucas, Diego Ribas e Vitinho; o colombiano Orlando Berrío e Reinier. Este era o elenco que o técnico português Jorge Jesus tinha em suas mãos.


Antes de levantar o troféu, no entanto, o Flamengo teve que jogar uma das partidas mais dramáticas da história do futebol, com uma das viradas nos minutos finais mais épicas de todos os tempos. O adversário era capacitadíssimo, dominou o 1º tempo, e ainda que a partida fosse acirrada e truncada, conseguiu um gol pelos pés do centroavante colombiano Borré que poderia ter escrito uma outra história. Quando o cronômetro marcava 14 minutos do 1º tempo, Enzo Pérez abriu para Nacho Fernández, que recebeu pela direita e cruzou rasteiro antes que Filipe Luís pudesse interceptar. Willian Arão e Gérson vacilaram, não cortando e deixando um para que o outro metesse o pé; com a indecisão dos dois, a bola passou e chegou aos pés do atacante colombiano Borré, perto da marca do pênalti, ele chutou colocado e rasteiro no canto esquerdo, longe do alcance de Diego Alves: River 1 a 0.


Foi o time argentino quem teve as melhores oportunidades até o intervalo. A superioridade tática na primeira etapa foi toda do River Plate. No 2º tempo, tenso, o Flamengo seguia envolvido na marcação executada com perfeição pelo River Plate, que também gastava o tempo com muita eficiência. O relógio corria, e o nervosismo - em campo, nas arquibancadas e em frente aos monitores - crescia. Aos vinte minutos, Gérson levantou a mão, sinalizando para o banco de reservas que havia sentido um desconforto muscular. E o Flamengo mexeu no meio de campo, com Jorge Jesus lançando Diego em seu lugar. Uma substituição que viria a ser crucial para o desenrolar das ações naquele fim de tarde de sábado. O segundo tempo passava de sua metade quando a partida começou a mudar: claramente o River Plate a partir dali até o final da partida sentiu fisicamente o cansaço imposto pelo intenso volume de jogo imposto pelo time de Jorge Jesus, que passou então a ter o domínio, embora em pouquíssimas vezes conseguindo transformar isto em reais chances de gol.


O relógio já marcava 43 minutos do 2º tempo. Muitos já dariam o título como perdido. Mas aquele time do Flamengo acreditava até o final! Gabriel Barbosa estava completamente apagado no jogo, o time argentino não o tinha deixado jogar. O River Plate estava no ataque. A bola estava com Lucas Pratto na intermediária de defesa rubro-negra quando ele adiantou um pouco a bola e a perdeu. Diego e Arrascaeta deram o combate, e foi o uruguaio quem interceptou. Ele avançou e acionou Bruno Henrique pela lateral direita da intermediária e correu em direção à área. BH progrediu com a bola, cortou Montiel para trás, teve calma e levantou a cabeça... Um momento crucial! BH foi cercado por quatro, e neste momento percebeu a movimentação de Arrascaeta por trás da defesa, penetrando em diagonal na área, e fez um lançamento com precisão. A bola ficou um pouco longa, mas Arrasca se esticou e tocou para o meio. A bola atravessou a pequena área cruzando em diagonal e encontrou Gabigol entrando com total liberdade no segundo poste, que só teve o trabalho de empurrar para o gol vazio. O relógio indicava 43 minutos e 15 segundos. Explosão de emoção no Estádio Monumental, no Maracanã, nas ruas do Rio de Janeiro, no Brasil inteiro!

Na épica narração de Luiz Penido na Rádio Globo: "Esse time não morre nunca! É o Flamengo das vitórias, na raça, amor e paixão!". Na naração de João Guilherme: "Pelos poderes de Gabigol! Nada é impossível! Isso aqui é Flamengo! É o 'ai Jesus'! Vibra a maior torcida do mundo! Uma página épica começa a ser escrita na história do Flamengo!". Palavras que pareciam uma premunição. O narrador parecia antever o que viria a acontecer três minutos depois.

Aos 46 minutos, o River Plate pressionava em seu campo de ataque quando Diego Ribas recuperou a posse de bola, levantou a cabeça, e decidiu fazer um lançamento longo para Gabigol, que próximo à entrada da área, era vigiado pelo lateral chileno Paulo Díaz e pelo zagueiro Javier Pinola. Ele disputou fisicamente, escorando no corpo, e Pinola, ao tentar cortar, raspou de cabeça um pouco para frente. Serviu como uma ajeitada para Gabi, que arrumou o corpo e fuzilou com o pé esquerdo, enchendo o pé e pegando na bola de cima para baixo. A bola quicou embaixo de Armani e estufou a rede! O relógio indicava 46 minutos e 23 segundos. Virada majestosa! Gol do título do Flamengo!


Na narração épica de João Guilherme, eternizada: "Olha a virada, Gabriel! Incrível! Incrível! Gol do Mengão! Épico! Memorável! O maior momento da história do Flamengo! Eu só acredito porque estou narrando! Quem foi que disse um dia que o Flamengo não tem tradição na Libertadores da América? Se não tinha, tem a partir de agora! Um dos roteiros mais incríveis da história do futebol!". Histórica também a narração do chileno Alberto Jesus López: "Gol! Gol! Gol! Gol del Fla! Gol del Fla! Gol del Fla caralho! Goooooool del Flamengo! Emocionante final señoras y señores! Gabriel! Le puzo corazón Gabriel! Le puzo el alma Gabriel! Le puzo empeño Gabriel! Tocó la Copa caralho, tocó la Copa y dijo la quiero para mi caramba! Y para este equipo que se lo merece!". O êxtase rubro-negro foi incontido! O Flamengo havia concluído com louvor o árduo processo de reestruturação financeira vivido entre 2013 e 2019, e coroava o trabalho com uma glória espetacular! Com dois gols de Gabigol, o Flamengo se sacramentou como Campeão da Copa Libertadores da América de 2019! E por coincidência, o adversário na final Intercontinental seria novamente o Liverpool.