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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Sergio Hernández: A energia e a conexão do Maracanã, eu só havia sentido antes em La Bombonera



Sergio Santos Hernández, "El Oveja", é uma figura emblemática do esporte argentino. Ele é, sem dúvida alguma, um dos treinadores de basquete mais influentes da história da Argentina, tanto em nível de clubes quanto na seleção nacional. Nascido em 1º de novembro de 1963 em Bahía Blanca, uma cidade com profunda tradição no basquetebol, Hernández construiu uma carreira que o consolidou como uma referência tática revolucionária, formador de equipes e líder de gerações de jogadores.

Sua carreira como treinador começou na década de 1990 e, desde então, deixou uma marca indelével em alguns dos clubes mais prestigiados da Argentina. O auge de sua trajetória foi a frente de Estudiantes de Olavarría, Boca Juniors e Peñarol de Mar del Plata, equipes pelas quais conquistou inúmeros títulos e consolidou uma reputação como estrategista vencedor. Entre seus principais feitos em clubes destacam-se: 6 campeonatos da Liga Nacional Argentina de Basquete (2000, 2001, 2004, 2010, 2011 e 2012), colocando-se entre os técnicos mais bem-sucedidos da história do país, 2 títulos da Liga das Américas (2008 e 2010), e uma Liga Sul-Americana de Clubes (2001). Seu sucesso não reflete apenas sua capacidade de montar equipes fortes, mas também sua visão profunda de jogo, adaptação a diferentes contextos e habilidade para liderar projetos competitivos e duradouros.

Porém, o impacto mais reconhecido de Hernández se deu com o seu trabalho a frente da Seleção Argentina de Basquete. Ele foi técnico principal em dois períodos decisivos: 2005–2010 e 2015–2021, além de ter atuado como assistente em 2012. No total, dirigiu 116 partidas oficiais, o maior número na história da seleção masculina da Argentina, alcançando o melhor aproveitamento (72,4%: com 84 vitórias e 32 derrotas). Entre seus marcos mais importantes estão: Medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, Vice-campeonato na Copa do Mundo 2019 na China, em uma campanha histórica que levou a seleção à final do torneio, sendo derrotada somente pela Espanha, Medalha de Ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima em 2019, e participações olímpicas sob seu comando em Pequim 2008, Rio de Janeiro 2016 e Tóquio 2020.

A influência de Sergio “Oveja” Hernández vai muito além dos títulos. Para o esporte, ele foi um construtor de projetos sólidos e duradouros, responsáveis por manter a Argentina constantemente entre as melhores seleções do mundo, foi um mentor de gerações, contribuindo para a formação técnica e humana de inúmeros jogadores, foi um ícone de profissionalismo e evolução estratégica, combinando disciplina, planejamento, inteligência tática e capacidade de adaptação, e foi uma ponte entre eras, garantindo a continuidade do sucesso argentino após a lendária Geração de Ouro e preparando novos ciclos competitivos.

Quando Hernández deixou o comando da seleção após Tóquio 2020, ele encerrou seu ciclo com uma das marcas mais importantes da história do basquete argentino: recorde de vitórias, identidade de jogo e continuidade de alto rendimento. Grandes figuras da seleção reconheceram publicamente sua liderança e impacto. Sergio "Oveja" Hernández não foi apenas um treinador vencedor, mas um verdadeiro pilar do basquete argentino. Sua carreira, repleta de títulos, momentos históricos e transformações estratégicas, faz dele uma figura essencial para compreender por que a Argentina foi — e continua sendo — uma potência mundial no basquete.

Com toda esta bagagem, Oveja chegou ao Flamengo, para assumir a equipe de basquete, tendo o anúncio oficial sido feito em 12 de fevereiro de 2025, quando o Flamengo comunicou a saída de Gustavo De Conti, e a entrada de Sergio em seu lugar. Sua estreia como técnico do Flamengo aconteceu em 28 de fevereiro daquele ano. Em sua primeira temporada, levou o basquete do clube a conquistar a Liga dos Campeões das Américas naquele ano de 2025.

Em dezembro de 2025, quando o futebol masculino do Flamengo perdeu a final da Copa Intercontinental de Clubes para o Paris St-Germain, nos pênaltis, ele ainda era o treinador do basquete rubro-negro. E suas palavras após a derrota tiveram uma enorme repercussão na Argentina. A mídia esportiva argentina repercutiu as palavras do treinador:

Destacando matéria do site BasquetPlus: "Não contente com a América do Sul, o Flamengo partiu para o cenário internacional. Primeiro, chegou às oitavas de final do Mundial de Clubes, perdendo um jogo emocionante para o Bayern de Munique. Mais recentemente, terminou em segundo lugar na Copa Intercontinental, perdendo a final nos pênaltis para o super PSG de Luis Enrique. Na sequência, Sergio Hernández, o treinador argentino de basquete do Flamengo, compartilhou em seu Instagram que havia se tornado fã do time: "Um ano incrível chegou ao fim para o futebol do Flamengo. Com a dor compreensível de ter chegado tão perto, perdendo a final do Mundial de Clubes para o PSG, mas também com imenso orgulho do que este time representa. Sou torcedor do Boca Juniors, isso não mudou. Mas desde que cheguei ao Flamengo, nasceu uma profunda admiração por este clube, seu povo e sua identidade. Estive no Maracanã assistindo a um jogo ao vivo e senti algo muito especial. Aquela energia e aquela conexão que, para mim, eu só havia sentido antes na Bombonera".

"A energia e a conexão do Maracanã, eu só havia sentido antes em La Bombonera"
Sergio Hernández, "El Oveja"

Seguindo as palavras de Hernandez em sua rede social: "Orgulhoso de compartilhar o clube e o cargo com Felipe Luís, um treinador que trabalha silenciosamente em tempos de barulho, com profissionalismo e humanidade. E uma alegria pessoal: vestir as mesmas cores que Agustín Rossi, um amigo e entusiasta do basquete antes do futebol. Obrigado, Flamengo. Orgulhoso de estar aqui".




quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

A história de Fritz Engel, o alemão que jogou no Flamengo nos Anos 1930


Mais uma maravilhosa história contada com maestria e envolvente narrativa por Emmanuel do Valle, na minha opinião, o melhor cronista sobre história do Flamengo de todos os tempos, que assim narrou tais detalhes em seu blog Flamengo Alternativo:



O alemão Engel, primeiro à direita no Flamengo de 1937. Ao seu lado, Leônidas da Silva

Personagem obscuro e um tanto insólito de um importante período de transição da história do Flamengo, o meia alemão Fritz Engel ficou quase esquecido por muitas décadas. Entretanto, sua trajetória rubro-negra, além de explicitar um imenso choque cultural entre o futebol que se jogava no Brasil e o da Europa, entrelaça-se com a de três nomes que marcaram os anos 1930 no clube, ainda que não conseguissem tirar o Fla de um jejum de títulos cariocas: o presidente José Bastos Padilha, o técnico húngaro Izidor "Dori" Kurschner e o médio Fausto dos Santos, a "Maravilha Negra". O texto a seguir é, portanto, mais do que sobre a história de um jogador: é a crônica e o retrato de uma época.


SEU COMEÇO NA EUROPA

Foi num contexto de profundas mudanças no futebol da Europa continental, na virada dos anos 1920 para os anos 1930, que começou a carreira de Fritz Engel. Em vários países houve a implementação do regime profissional e a criação de ligas nacionais no formato de pontos corridos em turno e returno, substituindo os velhos torneios regionalizados. Na Alemanha onde o meia nascera no dia 3 de abril de 1910, porém, não foi assim: a liga nacional – Bundesliga – só chegaria em 1963/64. E o profissionalismo era não só proibido como combatido.

Engel estreou aos 19 anos no time principal do Rot-Weiss Frankfurt, clube que era algo como uma terceira força da cidade, atrás do Eintracht e do FSV, e que, como eles, jogava a Bezirksliga Main-Hessen, um dos torneios que, entre 1927 e 1933, compunham o campeonato regionalizado do Sul da Alemanha. Este, por sua vez, classificava seu vencedor para a fase decisiva do Campeonato Alemão. De perfil modesto, o clube vermelho ("rot") e branco ("weiss") nunca conseguiu avançar para a fase principal do campeonato nacional naquele período.

Mesmo assim, Engel havia conseguido se firmar como um dos destaques da equipe, ao lado do goleiro Willibald Kress (que chegou a defender a seleção alemã em 1929), até ser envolvido, junto com vários outros atletas, num caso de violação das regras do amadorismo descoberto pela Deutscher Fussball-Bund (DFB, a federação alemã) em 1932. O episódio, sobre cuja origem pairam duas versões distintas, teve Kress como pivô e desencadeou uma investigação que durou alguns meses, colocando a carreira dos envolvidos em suspenso.

Quando o caso estourou, Engel foi levado por Kress, junto com outros atletas, para a vizinha França, onde defenderam o Mulhouse em amistosos pouco antes do início da temporada 1932/33, a primeira do profissionalismo no país. Mas, com o processo ainda correndo, a federação alemã vetou sua transferência em definitivo. O Mulhouse havia sido pentacampeão da Alsácia nas últimas cinco temporadas amadoras e regionalizadas do futebol francês. Naquela que se iniciaria, além do profissionalismo, seria instituída uma liga nacional.

A sentença da DFB sairia no fim de setembro de 1932, com a condenação dos envolvidos. A Engel coube uma suspensão de dois anos, gancho que acabaria cancelado com o perdão por parte da federação alemã no fim de julho de 1933. Mas o meia não quis continuar no país: preferiu se mudar para a Suíça, onde continuou sua carreira de jogador atraído por uma excelente proposta do Grasshoppers, de Zurique, então presidido por Willy Escher, acionista majoritário da Nestlé, e dirigido desde 1925 pelo húngaro Izidor "Dori" Kurschner.

Em suas duas temporadas com o Grasshoppers, Engel não chegou a vencer a liga suíça, terminando em segundo e em quarto lugar. Mas, sob o comando de Dori Kurschner, levantou a copa nacional em 1934. O time formava com o Servette a base da seleção helvética ao incluir destaques do futebol do país como o goleiro Willy Huber, os zagueiros Severino Minelli e Walter Weiller e o atacante André "Trello" Abegglen. E na final, disputada no estádio Wankdorf, de Berna, no dia 2 de abril de 1934, bateu exatamente o clube de Genebra por 2 a 0.

Na temporada seguinte, 1934/35, Engel terminaria como vice-artilheiro do Grasshoppers na liga com oito gols marcados, um a menos que o maior goleador da equipe, o lendário Max "Xam" Abegglen, irmão mais velho de "Trello". Três deles foram anotados no que seria seu último jogo pelo time de Zurique no campeonato: a vitória de 5 a 3 sobre o Young Boys, de Berna, em 22 de maio de 1935. Curiosamente, seu próximo clube seria justamente este adversário, seguindo os passos de Dori Kurschner, que também havia migrado para lá.


A AVENTURA BRASILEIRA

Mas Engel não ficaria muito tempo em Berna. Faria apenas duas partidas pelo Young Boys em outubro de 1935, antes de receber uma interessante proposta de trabalho como técnico em eletricidade da firma de importações Paul J. Christoph no Brasil, mais exatamente na então capital, o Rio de Janeiro. O jogador, no entanto, também pretendia procurar algum time onde pudesse continuar a atuar. E, munido de uma carta de recomendação assinada pelo secretário da FIFA, começou a bater à porta dos principais clubes.

Engel (à esquerda) na redação de O Jornal com o amigo e intérprete Welmans

Indicado pela carta do secretário ao Vasco, ao Fluminense e ao Flamengo, Engel procurou primeiro os cruzmaltinos, já por volta do Natal de 1935, após um contato com o técnico da equipe, o inglês Harry Welfare. Mas nada em caráter definitivo, como explicou em visita à redação de O Jornal: "Tomei parte do treino na última quinta-feira (26 de dezembro), mas nada me prende ao Vasco. Confesso que desejava ser experimentado no Fluminense e no Flamengo, pois estou decidido a jogar no clube que melhores vantagens me oferecer".

Na mesma visita, acompanhado do amigo Josef Welmans, que lhe serviu de intérprete, Fritz Engel falou um pouco de sua trajetória e comentou onde costumava jogar: "Atuei no final da temporada na posição de center-half, mas anteriormente ocupara as meias direita e esquerda, em cujas posições atuo com bastante familiaridade". Center-half, vale explicar, era o médio central no velho sistema 2-3-5, que recuaria para se tornar o zagueiro central no WM, esquema nascido na Inglaterra e que se difundira pela Europa nos anos 1930.

Engel também teceu suas impressões sobre os jogadores brasileiros: "São extremamente rápidos e desconcertantes" e "cabeceiam com oportunidade, o que os torna elementos realmente perigosos". E se disse ansioso para disputar uma partida de verdade e testar sua própria adaptação ao jogo daqui e suas chances de ser aprovado em algum dos grandes clubes da cidade. "Sem que surja essa oportunidade, que tanto almejo, tudo será dificuldade para mim, pois não é possível conseguir agradar sem demonstrar o meu exato valor".

Sem acerto no Vasco, tentou a sorte no São Cristóvão, já depois da virada do ano, antes de seguir para o Fluminense. Lá, com o técnico uruguaio Humberto Cabelli, passou um tempo treinando e jogando com os reservas, mas também sem nenhuma definição. Sua última chance seria o Flamengo. Treinou e agradou, assim como ficou satisfeito com o que lhe foi oferecido. Em 17 de março de 1936, ele assinou contrato até o fim de 1938. Era um reforço significativo para os planos ambiciosos do presidente José Bastos Padilha.

Quando Bastos Padilha assumira o cargo, em fevereiro de 1933, o Flamengo vinha em situação lamentável desde o fim da década anterior: exceto por um milagroso segundo lugar em 1932, acostumara-se a se arrastar pelas colocações mais baixas do campeonato, apanhando de grandes e de pequenos – qualquer Bonsucesso, qualquer Syrio e Libanez dava de seis nos rubro-negros. Era – e pode-se dizer que ainda é – a pior fase de sua história. Mas para o presidente não bastaria tirar o Fla da lama: era preciso transformá-lo em referência.

Seria durante sua gestão que o Flamengo abriria de vez suas portas aos jogadores negros – já presentes em bom número na equipe de atletismo, mas ainda raros no futebol. Outro projeto ambicioso era a construção de estádio próprio, no então distante e periférico bairro da Gávea. Também foi Bastos Padilha que convenceu, logo no início de seu mandato, o clube a adotar o nascente profissionalismo e não perder o bonde da história. Contar com um jogador oriundo do futebol europeu era mais um movimento de vanguarda.

Havia, no entanto, muito a ser modificado na estrutura e no dia a dia do futebol brasileiro. E Engel ficou bastante impactado com o que experimentou logo que começou a se integrar a ele: "Quando vi o Flamengo de perto, fiquei estarrecido. Lá, tudo se fazia sem nenhum método. Não havia preparação física dirigida, não havia assistência médica, não havia concentração – era o caos", relembrou em depoimento ao jornalista Geraldo Romualdo da Silva numa série de reportagens publicada pelo Jornal dos Sports entre 11 e 15 de setembro de 1974.

"Basta dizer que os treinos de conjunto só se realizavam uma vez por semana, às quintas-feiras, geralmente na parte da tarde", prosseguiu Engel. "Corria-se então dois tempos de 45 minutos, igual a uma partida normal, e quando não havia mais o que fazer, Flávio Costa marcava o dia da apresentação no clube, normalmente aos domingos, na hipótese de haver jogo. Caso não houvesse, ficaria tudo para a outra quinta-feira. Nesses tempos de heroísmo e boemia, treino substituía jogo e jogo substituía treino. Na mesma proporção".

O Flamengo entra em campo em 1936: Engel é o primeiro à esquerda

As declarações de Engel eram o retrato de um período confuso no futebol brasileiro, o da transição do amadorismo para o profissionalismo. Se o regime amador no futebol brasileiro havia começado a morrer, pelo menos formalmente, ao farejar internamente ares de profissionalismo (como no caso do chamado "amadorismo marrom"), ainda haveria muito resquício de amadorismo nos primeiros tempos de regime profissional. Velhos vícios administrativos ainda eram evidentes, e alguns demorariam décadas para serem superados.

Era também muito simbólico de como havia sido feita essa transição no Brasil: a passagem do regime amador para o profissional não foi pacífica ou encarada como desdobramento natural. Veio por meio de rompimentos, cisões de liga, concorrência entre entidades. Até a imprensa se dividia entre defensores do amadorismo (como o Jornal do Brasil) e partidários do novo regime. No fim, a única semelhança entre o profissionalismo brasileiro e o europeu (de onde vinha Engel) parecia ser o fato de ambos admitirem oficialmente os pagamentos.


O COMEÇO RUBRO-NEGRO

O futebol carioca no qual Engel aportou no fim de 1935 se dividia em duas ligas principais, ambas profissionais: a Liga Carioca de Football (LCF), introdutora do regime remunerado e liderada por Flamengo, Fluminense e América, e a nova Federação Metropolitana de Desportos (FMD), criada naquele ano no lugar da extinta Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA), após o Vasco deixar a LCF junto com alguns clubes para se unir ao Botafogo – até então o último resistente ao profissionalismo – na formação de uma outra entidade.

A estreia de Engel pelo Flamengo viria cinco dias após a assinatura do contrato, em 22 de março de 1936, num amistoso contra a Portuguesa de Desportos na capital paulista. A Lusa era o principal clube – e a então campeã – do fraco certame da Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA), entidade coirmã da LCF em terras bandeirantes. E, diante de um Fla que não entrava em campo há mais de dois meses, saiu vencedora pelo elástico placar de 6 a 4. Engel, mesmo assim, saiu elogiado pela crônica ao fazer o passe para dois gols rubro-negros.

A qualidade do passe, aliás, era a principal virtude do meia alemão. Comparado aos companheiros brasileiros, Engel era um jogador de forte compleição física, porém mais lento, como ele próprio admitia. Por outro lado, era pródigo em colocar os outros atacantes em condições de marcar, ou então ele próprio balançava as redes, graças ao seu forte chute. Seu primeiro gol pelo Fla, aliás, viria em um disparo poderoso de fora da área na revanche contra a Portuguesa, vencida pelos rubro-negros por 3 a 2 em Laranjeiras no dia 2 de abril.

"O Flamengo conseguiu, afinal, um 'insider' esquerdo que faltava para maior eficiência do seu ataque", elogiou o Jornal dos Sports, que destacou sua inteligência e poder de decisão, formando uma ala esquerda perigosa com o ponta Jarbas. Aquela partida também marcava a estreia de outro grande reforço do Flamengo para a temporada 1936: o celebrado centromédio maranhense Fausto dos Santos, a "Maravilha Negra", revelado pelo Bangu e que defendera a Seleção na Copa do Mundo de 1930, trazido após ficar em litígio com o Vasco.

O pacote de reforços que o clube contrataria ao longo daquela temporada incluía ainda o zagueiro Domingos da Guia, outro nome decantado no futebol brasileiro e sul-americano, repatriado do Boca Juniors; seus irmãos Médio e Ladislau da Guia (atacante de chute fortíssimo, apelidado "Tijolo Quente", maior artilheiro da história do Bangu); e o atacante Leônidas da Silva, então posto à margem no Botafogo. Juntamente com Fausto, eram cinco novos atletas negros que se incorporavam ao elenco do clube de Bastos Padilha. Mais o alemão Fritz Engel.

O Flamengo de 1936: sete negros e o alemão Engel, o penúltimo agachado

Por ironia, o Flamengo no qual Engel desembarcara naquele início de 1936 contava com um jogador apelidado Alemão – o médio-direito carioca Nelson Pereira da Motta, nascido em 1910 assim como o "verdadeiro" alemão e que já integrava o quadro rubro-negro desde 1933, o ano em que o clube adotara o profissionalismo. O Alemão daqui permaneceria como dono da posição pelas temporadas de 1934 e 1935, saindo de cena somente em meados de 1936, quando da contratação de Médio, o irmão mais novo de Domingos da Guia.

Naquela temporada, além de amistosos contra a Portuguesa, contra adversários da própria LCF e contra as maiores forças do futebol mineiro (América, Atlético, Palestra Itália – atual Cruzeiro – e o tetracampeão Villa Nova), o Fla disputaria os dois certames organizados por sua liga: primeiro, de abril a setembro, o Torneio Aberto, que, como o nome indica, permitia a participação de clubes amadores e profissionais, filiados a outras entidades, de outras cidades e até de outros estados. Depois, de outubro a dezembro, o Campeonato Carioca.

Contra os mineiros, Engel também mostrou suas qualidades: balançou as redes do Atlético, na vitória por 2 a 0 em Laranjeiras no dia 3 de março, aproveitando o rebote de seu próprio cabeceio para fechar o placar. Já contra o Palestra Itália, no mesmo local, em 18 de junho, abriu a contagem na vitória rubro-negra por 3 a 0. E mesmo quando o Flamengo acabou surpreendido pelo América Mineiro, ao perder por 4 a 2 em Campos Sales exatamente um mês depois, coube a ele, jogando improvisado como centroavante, anotar o primeiro gol do time.

Já no Torneio Aberto, Engel participou de quase toda a campanha rubro-negra. O torneio tinha várias etapas eliminatórias e uma grande repescagem antes do quadrangular final. Nessa fase de mata-mata, o alemão entrou em campo nas goleadas de 9 a 2 no Villa Joppert e 8 a 2 no Bandeirantes, marcando duas vezes na primeira e uma na segunda. Esteve ainda na vitória de 2 a 0 sobre o Engenho de Dentro e anotou um gol de pênalti (e desperdiçou outra cobrança) no difícil 2 a 1 sobre o Bonsucesso, decidido apenas na prorrogação.

No quadrangular final, ele participou do 2 a 2 com o Fluminense e dos 2 a 1 sobre o América, ficando de fora por lesão do 1 a 1 com o Bonsucesso que deixou rubro-negros e tricolores empatados em primeiro lugar, necessitando de uma final extra. Esta seria disputada em dois jogos: no primeiro, em Campos Sales e com Engel no time, houve empate em 1 a 1. O alemão, porém, voltou a sentir a lesão e foi baixa no ataque rubro-negro na grande decisão, em que o Fla derrotou o Flu em Laranjeiras por 1 a 0 e conquistou o título do torneio.

A luxação no pé sofrida ainda na partida contra o América no quadrangular final do Torneio Aberto e que já o deixara de fora daquela competição fez com que Engel perdesse boa parte da campanha rubro-negra no Campeonato Carioca da LCF, recebendo do Departamento Médico do clube uma licença para se afastar temporariamente do futebol, o que fez por cerca de um mês, retornando na segunda quinzena de novembro para a reta final da competição, que reunia apenas seis clubes se enfrentando em três turnos corridos, ou 15 rodadas.

Assim como no Torneio Aberto, Flamengo e Fluminense terminariam empatados ao fim dos três turnos e teriam de disputar o título em decisão extra – agora numa melhor de três. No primeiro jogo, empate em 2 a 2. No segundo, Engel chegou a empatar para os rubro-negros no primeiro tempo, mas o Flu disparou na etapa final e venceu por 4 a 1. No terceiro, o Fla teria de vencer para tentar dividir o título (!), mas ficou sem seu meia alemão. Leônidas abriu o placar, Hércules empatou no segundo tempo, e o 1 a 1 deu a taça aos tricolores.


A CONTROVERSA REVOLUÇÃO

Naquele fim de 1936, Bastos Padilha planejava outro passo ambicioso para o futebol do Flamengo: a contratação de um treinador estrangeiro para o lugar de Flávio Costa. E abordou seu meia europeu em busca de um nome "capaz de trazer relevante contribuição para o futebol brasileiro". Engel sugeriu três: o inglês Jimmy Hogan (um dos técnicos mais influentes na Europa no início do século), o suíço Robert Pache (ex-atacante da seleção helvética vice-campeã olímpica nos Jogos de Paris, em 1924) e o húngaro Dori Kurschner.

A justificativa apresentada por Engel de que todos os três eram de primeira linha na Europa não satisfez Bastos Padilha. O presidente queria um nome que poderia revolucionar o jogo em âmbito nacional. A preferência do meia recaía naturalmente sobre Kurschner, já que o conhecia bem pelos anos de trabalho juntos. Mas, sem querer parecer suspeito para indicá-lo, hesitava. O presidente, que falava alemão fluentemente, foi apertando o jogador, que acabou contando tudo sobre sua experiência profissional com o técnico húngaro na Suíça.

Fritz Engel (de braços cruzados) e Dori Kurschner (de terno): histórias entrelaçadas

Depois disso, veio a segunda parte do "interrogatório": Bastos Padilha perguntou a Engel, então já plenamente ambientado e adaptado, o que ele achava do jogador brasileiro. Com base em suas observações, o meia disse exatamente o que o dirigente esperava ouvir: "O jogador brasileiro, senhor presidente, sempre foi considerado na Europa como o melhor do mundo em malabarismo. Mas é, em contrapartida, um jogador falho por causa da precária preparação física, falta de assistência técnica e ausência total de controle médico", opinou.

O presidente rubro-negro então perguntou se já poderia telegrafar a Dori Kurschner, mas Engel preferiu escrever uma carta objetiva expondo e explicando o convite ao treinador. E pediu ainda a Bastos Padilha que Flávio Costa ficasse no clube trabalhando ao lado de Kurschner, o que acreditava ser, além de boa política, muito proveitoso ao treinador brasileiro. O presidente concordou com o argumento e aceitou. E prontamente o jogador se pôs a escrever a carta ao velho comandante com a proposta do clube, além de um comentário pessoal.

"O que lhe posso adiantar é que este é um país maravilhoso, de futebol igualmente maravilhoso, mas desorganizado. Se a proposta for aceita, o senhor deve vir preparado para assumir uma grande responsabilidade perante o Flamengo, um clube apaixonante, de torcedores que às vezes se tornam exaltados. A convivência com o futebol brasileiro me leva a deduzir que seu material humano é riquíssimo, superior até ao europeu. Falta-lhe disciplina", relatava Engel, radiografando as virtudes e defeitos do jogo por aqui.

"A técnica individual", prosseguia o alemão na carta, "é perfeita, nascente em qualquer pé que bate numa bola. A tática, entretanto, primitiva. Também não existe assistência médica, e a alimentação deixa muito a desejar. Espero que o senhor compreenda bem isto tudo antes de assumir a decisão de viajar", concluía. Aconselhado por seu antigo comandado, Dori Kurschner topou a empreitada e, no dia 16 de março de 1937, desembarcava no porto do Rio de Janeiro de sua viagem no Augustus, navio de luxo da frota marítima italiana.

Nada mais seria como antes no Flamengo. A chegada de Kurschner impactaria a todos: imprensa, torcida, jogadores e até o próprio treinador e a trajetória de Engel no clube (até a Seleção Brasileira, dado que Flávio Costa em alguns anos viria a assumir a Seleção Brasileira, à qual levou um esquema tático inspirado no que ele viu Kurschner utilizar no Flamengo, culminando com o vice-campeonato na Copa do Mundo de 1950). Logo nas primeiras declarações, mostrou ter prestado atenção à recomendação do meia alemão e anunciou que seu trabalho na direção no time só começaria após analisar a condição física e clínica de cada jogador: "Meu trabalho, em grande parte, terá de ser orientado pela palavra do médico". Só depois é que viria a avaliação técnica e a implementação do esquema tático.

"Tática", aliás, era uma palavra quase inédita nas discussões sobre futebol por aqui. A ponto de Mário Filho ter de escrever artigos no Jornal dos Sports destrinchando o que se queria dizer com o termo. Jogava-se aqui na mesma formação desde que o futebol chegara ao país, na virada do século: o que ficaria mais tarde conhecido numericamente por 2-3-5 (ou "pirâmide"). E o resto se deixava por conta do jogo intuitivo próprio dos craques. Qualquer outra maneira de se fazer era encarada com estranhamento, como invenção de moda.

O mesmo acontecia nos treinos: o que se fazia aqui era correr e jogar, como se fosse um grande "rachão". Quando Kurschner mandou trazer uma dúzia de bolas para o campo com o objetivo de fazer os jogadores aprimorarem o domínio, passes longos e curtos, chutes, cabeceio, piques, enfim, fundamentos do jogo, não tardou a virar piada no Café Rio Branco, inflamado reduto rubro-negro do Centro da cidade. Afinal, a cultura do futebol daqui era a do quem é bom já nasce feito. "Futebol se joga é com uma bola só", diziam, entre risadas.

A novidade tática que Kurschner trazia, porém, tinha menos a ver com o WM clássico britânico, em que o beque central era uma figura parruda, um mero rebatedor, do que com sua adaptação centro-europeia, em que o centromédio atuava no espaço entre os dois zagueiros e os outros dois médios e tinha perfil de distribuição de jogo. Um meio do caminho entre o 2-3-5 e o sistema com três zagueiros. Era nessa função que ele pretendia instaurar Fausto dos Santos, com base nas suas observações feitas logo nos primeiros treinamentos.

Leônidas e Engel (ao centro) ouvem atentos a preleção de Dori Kurschner

Tanto Kurschner quanto Engel conheciam Fausto da Suíça. O médio havia sido vendido pelo Vasco ao Barcelona em 1931, mas não durou muito na Catalunha: os médicos detectaram um problema em seus pulmões e, diante de um quadro inicial de tuberculose (doença fatal na época), recomendaram seu empréstimo ao Young Fellows, um dos rivais do Grasshoppers em Zurique, certos de que os ares da cidade poderiam ajudá-lo no tratamento. O problema é que Fausto, boêmio notório desde os tempos de Bangu, não se interessava em se tratar.

Fausto então logo retornou à América do Sul, primeiro em rápida passagem pelo Nacional do Uruguai e em seguida a volta ao Vasco, de onde saiu brigado para o Flamengo. E já nos primeiros treinos de Kurschner, os problemas entre jogador e treinador começaram. Conhecendo o quadro clínico delicado do médio, o húngaro – que não falava português e tinha que recorrer a um alemão professor de natação do clube como seu intérprete – tentava se aproximar de Fausto para convencê-lo de que naquela função ele pouparia a saúde e renderia bem mais.

Mas havia no futebol brasileiro da época não só a noção de que um esquema com três zagueiros seria por demais defensivo, como também a de que recuar um médio – que atuava numa das posições mais nobres em campo – para a zaga – uma das mais ignaras – seria um desprestígio, quase uma ofensa ao jogador, que se sentiria rebaixado. Fausto, nome de peso e, portanto, influente no elenco, na torcida e na imprensa, rebelou-se. Com isso, automaticamente Dori Kurschner começava a cair em desgraça no início de seu trabalho.

Só que o húngaro também tinha seus partidários: setores da imprensa (entre eles Mário Filho e o Jornal dos Sports), outros nomes pesados do elenco (Domingos e principalmente Leônidas) e sobretudo o presidente Bastos Padilha, que deu carta branca a Kurschner para as reformulações. E quando a paciência do quase sempre polido treinador se esgotou, ele decidiu barrar de vez Fausto. E quem passou a ocupar a posição de centromédio na função pretendida pelo técnico? O alemão Fritz Engel, que já atuara assim na Alemanha e na Suíça.

No início, Kurschner chegou a hesitar entre Engel e o experiente médio Otto, jogador consagrado no Bonsucesso de Gentil Cardoso (o primeiro a esboçar o WM no país), para aquela posição. Mas o fato de já ter trabalhado com o alemão (que, como ele, vinha de uma escola onde o sistema estava mais assimilado) e a qualidade do passe do jogador pesaram para escalá-lo em função tão crucial. E Engel também poderia, quando preciso, fazer o beque central do WM clássico, fixo na área, usando de seu porte físico para marcar o centroavante adversário.

Atuando mais recuado, Engel naturalmente balançaria bem menos as redes em 1937 do que havia feito no ano anterior, quando marcou 13 gols em 26 jogos. Nesta segunda temporada no clube ele seguiria como titular, mas só anotaria quatro tentos, todos eles nas vezes em que atuou na linha de ataque. Um deles na vitória de 5 a 3 sobre o Atlético Mineiro, que acabara de vencer o Torneio dos Campeões da Federação Brasileira de Football (entidade rival de CBD).

Outro gol simbólico viria no empate em 2 a 2 com o Vasco em São Januário no dia 15 de agosto. Afinal era o primeiro confronto entre os rivais desde a debandada vascaína da LCF para fundar a FMD, em 1935. Acontece que, em julho de 1937, as duas ligas concorrentes haviam chegado a um acordo, que selou a chamada "pacificação" e levou à criação de uma entidade única, a Liga de Football do Rio de Janeiro (LFRJ). Com todos os principais clubes sob o mesmo guarda-chuva, uma série de amistosos entre eles foi realizada.

Um pouco antes, no dia 16 de julho, Engel também havia participado (atuando como médio) de um amistoso que discretamente entraria para a história rubro-negra: a vitória por 4 a 2 sobre um combinado argentino chamado Aliança Beccar-Varela. Nesta equipe estava o ponta Agustín Valido, que dentro de pouco tempo se juntaria ao clube para fazer história anos depois. Mas ele não seria o único reforço oriundo do país vizinho: do meio daquela temporada em diante, o elenco rubro-negro passaria a contar com diversos jogadores argentinos.

Engel ganha a disputa aérea na vitória sobre o Atlético Mineiro em Laranjeiras

Com efeito, no jogo contra o Madureira pelo Carioca no velho campo do Tricolor Suburbano na rua Domingos Lopes, em 31 de outubro, o Flamengo entrou em campo com nada menos que sete forasteiros: Engel de centromédio, o goleiro espanhol Talladas (ex-Celta de Vigo e Galícia, da Bahia) e cinco argentinos: o zagueiro Atmio Luis Villa (ex-Lanus), o médio-esquerdo Arcádio López (ex-Ferro Carril), o meia-direita Agustín Valido (ex-Boca e Lanus), o centroavante Agustín Cosso (ex-Vélez) e o meia-esquerda Emilio Novo (também ex-Ferro Carril).

Engel deixava de ser o único estrangeiro no time, mas desde que entrara no lugar de Fausto, no início do ano, ele também se tornara alvo dos que atacavam o técnico. "A partir dessa data tornei-me um 'espião de Kurschner'. Poucos me encaravam de frente. Raros me tinham na conta de amigo. Que podia fazer, se já não me queriam bem? Provar que não estava ali para espionar ninguém? Era direito isso? Estava em boa paz com a minha consciência. Tinha outro ofício. Podia procurar outro clube. Não liguei", comentou no depoimento de 1974.

Alguns jornais também carregavam nas tintas e caprichavam no tratamento cruel aos dois europeus. O Diário de Notícias, por exemplo, era um dos que extrapolavam, falando em "influência nefasta" do húngaro e publicando uma caricatura do treinador (ou "destreinador", como o chamava) caracterizado como "Açougueiro de Viena". Engel também não era poupado: apelidavam-no desde "funcionário" até de "cunhadinho" e "doce de coco" de Kurschner, além de afirmar que seu estilo de jogo atrapalhava o de Domingos da Guia.

A desastrosa estreia no Campeonato Carioca, com goleada de 4 a 0 para o São Cristóvão em Laranjeiras no dia 3 de outubro, também não ajudou. Porém, nem mesmo quando o time passou invicto por todos os 11 jogos do segundo turno da competição, aplicando incríveis goleadas como os 9 a 3 no Andarahy e os 5 a 1 no Vasco, os méritos do treinador foram reconhecidos: na ocasião, o Diário de Notícias preferiu atribuir a melhora sensível da campanha ao fato de o time do Flamengo vir "empregando somente o padrão brasileiro" de jogo.

A reação no returno (que adentrou o ano de 1938) não bastou, e no fim das contas o Fluminense levou outro título. O jejum rubro-negro no campeonato já chegava a uma década, e a pressão sobre o treinador só crescia. Quando Fausto foi enfim trazido de volta ao time, na metade do returno, Engel passou de novo ao ataque e balançou as redes não só naqueles 5 a 1 sobre o Vasco, batendo pênalti, como também em outra vitória elástica sobre o rival: 5 a 2 num amistoso em Campos Sales em 12 de fevereiro, logo após o fim do Carioca.

Veio então uma excursão a Salvador (na qual o Flamengo enfrentou o Botafogo local, o Bahia, o Ypiranga e o Galícia), o Torneio Início (resgatado após quatro anos) e, em meados de abril, o novo Torneio Municipal, que reunia os mesmos nove clubes que disputariam o Carioca de 1938 se enfrentando em turno e returno. Com o trabalho do treinador minado por todos os lados, o Fla perdeu nada menos que nove dos 12 primeiros jogos nesta competição. "Mestre, há raios no céu!", dizia Engel. "Deixe que caiam!", teria respondido Kurschner.

Até que Engel não suportou mais. "Cada dia que a gente passa aqui, mestre, representa um novo desafio, um novo passo no caminho de uma úlcera ou um enfarte. Por mim, prefiro ir embora". Bastos Padilha já havia renunciado à presidência. Os jornais que defendiam Kurschner já admitiam a batalha como perdida. E do lado dos opositores do treinador não havia mais respeito algum, fosse da parte de jornalistas, de jogadores ou de dirigentes, como o diretor de futebol Joaquim Guimarães e suas constantes interferências na escalação.

O alemão vestiria a camisa rubro-negra pela última vez em 3 de julho de 1938, no empate em 2 a 2 com o Botafogo pelo Torneio Municipal. Ao todo, fizera 73 partidas e 22 gols. Pediu rescisão de contrato com o Flamengo e acertou sua transferência exatamente para o Botafogo, seu último adversário em vermelho e preto. Ficaria no clube de General Severiano até o fim de 1939, numa passagem minada por lesões. Ainda tentaria continuar a carreira no São Cristóvão, em 1940, mas logo se retiraria dos gramados para se dedicar a outra profissão.

O primeiro à direita no Fla de 1938: a cara fechada indica a saída iminente

Pouco tempo depois da saída de Engel do Flamengo, Kurschner também veria seu fim da linha no clube. Sua situação se agravara com as derrotas para Vasco e Fluminense nos dois primeiros jogos do time em seu novo estádio na Gávea. No dia 26 de outubro de 1938 ele entregaria o cargo ao diretor Hilton Santos, mas sua rescisão só seria acertada em 17 de novembro. E logo ele receberia um convite do dirigente botafoguense Carlito Rocha para comandar seu time, no qual se encontraria outra vez com Engel e trabalharia até agosto de 1940.

Pouco tempo depois, em 8 de dezembro de 1941, o húngaro faleceria no Rio vitimado por um ataque cardíaco. Fausto, seu suposto antagonista na berlinda, já havia falecido de tuberculose em Minas Gerais com apenas 34 anos, em 28 de março de 1939. Por outro lado, neste mesmo ano quem saía consagrado era Flávio Costa, a quem Engel atribuía ter tramado nos bastidores para o declínio do treinador europeu. Após passar pela Portuguesa carioca, Flávio voltou ao Flamengo e levou o time ao título carioca, pondo fim ao jejum de 12 anos.

Fritz Engel, por sua vez, afastou-se definitivamente do futebol e foi tocar a vida. Fez-se industrial, estabeleceu uma família e por muitas décadas permaneceu no anonimato, até ser procurado em Duque de Caxias, onde vinha morando, pelo jornalista Geraldo Romualdo da Silva, do Jornal dos Sports, para falar de sua passagem e da de Kurschner pelo clube, em aspas que reproduzimos aqui. Tempos depois, em 1º de abril de 1983, a dois dias de completar 73 anos, faleceria no Hospital de Bonsucesso, com cobertura discreta da imprensa.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Pontos de Atenção sobre a chegada de José Boto ao futebol do Flamengo



JOSÉ BOTO, o Novo Diretor de Futebol na Gestão 2025-2027 que assume o Flamengo

Português, nasceu na cidade de Loures, que fica nos arredores de Lisboa, em 2 de março de 1966. Chega ao Flamengo, portanto, às vésperas de completar 59 anos de vida.


TREINADOR JOVEM

Nunca foi jogador de futebol profissional. Começou a sua carreira como treinador aos 30 anos, em 1996. Treinou à equipe do Loures por 1 temporada, e depois ficou por 4 temporadas a frente do Sacavenense, até 2001. Daí em diante trabalhou por 2 temporadas como um dos assistentes na Comissão Técnica do Benfica, nas temporadas 2002/03 e 2003/04, e voltou a ser treinador para estar por mais 2 temporadas comandando novamente ao Sacavenense.

Em 2007 estava com 41 anos quando foi convidado, e aceitou, mudar de função, passando a integrar a Equipe de Olheiros e de Mapeamento de Scout do Benfica, na 1ª Divisão do futebol português. Sua principal atividade deixava assim de ser treinar equipes, e passava a ser controlar estatísticas e rastrear talentos para municiar o elenco do Sport Lisboa e Benfica.


CHIEF-SCOUT DO BENFICA

Em seu trabalho de maior destaque na carreira, especializou-se em ter visão e entendimento do jogo para saber mapear de onde um jogador pode se encaixar dentro das necessidades de um elenco, montando e cuidando de uma rede de Observação e Recrutamento essencial como um catalisador de sucesso do futebol de um clube. Sua função era encontrar características de um certo jogador que se encaixassem no sistema táctico da equipe, fornecendo relatórios para as Comissões Técnicas.

Foi membro da Equipe de Scout do Benfica de 2007 até 2010, ano no qual se tornou o Chief-Scout (Olheiro-Chefe, ou Chefe do Departamento de Scout). O técnico do Benfica naquele momento era justamente Jorge Jesus - aquele que viria a ter uma passagem épica pelo Flamengo entre 2019 e 2020 - que foi treinador do Benfica entre 2009 e 2015. Boto chefiou o departamento de junho de 2010 a junho de 2018, tendo trabalhado por pouco mais de 10 anos nos Encarnados de Lisboa.

Entre os nomes históricos considerados aqueles maiores casos de sucesso que ele recrutou para atuar pelo Benfica durante este período, vamos analisar caso a caso para entender quais foram as caraterísticas no recrutamento utilizadas em cada caso:

- David Luiz: o zagueiro brasileiro chegou ao Benfica em Benfica em 2007, mesmo ano que José Boto por lá chegou. Tinha 20 anos, tendo sido adquirido junto ao Vitória, de Salvador. Não dá para dizer que Boto tenha tido grande atuação nesta aquisição.

- Jan Oblak: o goleiro esloveno foi contratado pelo Benfica no ano em que Boto se tornou chief-scout, em 2010, adquirido ao Olimpia Ljubljana, da Eslovênia, quando estava tão só com 17 anos. Primeiro emprestado a Beira-Mar, Olhanense, União de Leiria, e Rio Ave, depois atuou por apenas 16 partidas com a camisa do Benfica. Em 2014 foi comprado pelo Atlético de Madrid, onde efetivamente vingou e atuou por mais de uma década.

- Axel Witsel: o volante belga foi comprado pelo Benfica em 2011 junto ao Standard Liége quando estava com 22 anos. Já tinha passagem por toda as divisões de base da Seleção da Bélgica. Ficou apenas 1 temporada no clube, e foi vendido. Seguiu carreira atuando por Zenit, da Rússia, Tianjin Quanjian, da China, Borussia Dortmund, da Alemanha (onde começou a obter destaque), e Atlético Madrid, da Espanha.

- Rodrigo Moreno: o centroavante brasileiro naturalizado espanhol havia passado pelas bases de Flamengo, no Brasil, e do Celta de Vigo e do Real Madrid, na Espanha. Foi então adquirido pelo Benfica em 2010 quando estava com 19 anos. Foi primeiramente emprestado ao Bolton, da Inglaterra, depois regressou e vestiu a camisa do Benfica por 68 vezes, tendo marcado 27 gols. Em 2014 deixou o clube, atuando por Valencia, onde se destacou, e Leeds United, da Inglaterra, antes de ir atuar no Oriente Médio.

- Nemanja Matic: o volante sérvio foi contratado pelo Benfica em 2011, quando estava com 22 anos. Antes já tinha passado pelo Chelsea, da Inglaterra, e pelo Vitesse, da Holanda. Ficou 3 temporadas em Lisboa, quando foi recontratado pelo Chelsea, tendo depois defendido a Manchester United, Roma, Rennes e Lyon. Pelo Benfica, foram 56 jogos e 6 gols.

- Lazar Markovic: o meia-atacante sérvio foi contratado pelo Benfica aos 19 anos juntos ao Partizan, da Sérvia. Ficou 1 temporada, tendo feito 26 jogos e marcado 5 gols, tendo então sido contratado pelo Liverpool, onde viria a atuar somente por 19 partidas. Não chegou a ter uma grande e destacada carreira na Europa.

- Ljubomir Fejsa: o volante sérvio foi contratado pelo Benfica em 2013 quando estava com 24 anos. Tinha passado por Partizan, da Sérvia, e Olympiacos, da Grécia. Pelo Benfica teve uma carreira relativamente longa, tendo disputado 114 jogos. Caiu nas graças da torcida, mas não chegou a chamar atenção de nenhum outro clube de ponta da Europa.

- Victor Lindelof: o zagueiro sueco chegou ao Benfica em 2013 quando tinha apenas 17 anos. Ficou no clube por 4 anos, disputando 48 partidas. Quando conseguiu ganhar projeção, após a sua melhor temporada (2016/17) foi contratado pelo Manchester United, onde ficaria por muitas temporadas e construiria uma longa história.

- Álex Grimaldo: o lateral-esquerdo espanhol foi roubado pelo Benfica das divisões de base do Barcelona. Chegou a Lisboa em 2016 quando estava com 20 anos. Destacou-se e entre 2016 e 2023, vestindo a camisa do Benfica 197 vezes, até ser vendido ao Bayer Leverkusen, da Alemanha.

- Andrija Zivkovic: o ponta sérvio foi contratado junto ao Partizan em 2016, quando estava com 20 anos. Jogou 4 temporadas no Benfica, atuando em 55 partidas e marcando 3 gols. Em 2020 foi contratado pelo PAOK, da Grécia.

Portanto, o que podemos ver é que o trabalho de José Boto no Benfica foi marcado principalmente por peneirar jovens talentos que serviram mais para fazer caixa para o clube do que propriamente para gerar desempenho técnico em campo. Quanto ao desempenho futebolístico do clube, em termos de títulos do Campeonato Português foram 5 conquistados ao longo de sua passagem, 3 deles tendo a Jorge Jesus como treinador. Um aproveitamento de 50% no período em que esteve no Benfica.

Curiosamente, entre os principais nomes que ele peneirou para o Benfica havia uma grande quantidade de sérvios. Pelo visto José Boto conversará bastante com Dejan Petkovic... será que o Flamengo terá um novo talento sérvio brilhando com a sua camisa?

Após 10 anos no Scout do Benfica, quando deixou o clube, a sua mensagem de despedida reflete o seu pensamento em relação a como enxerga o futebol e do que gosta: "o que faz a verdadeira diferença entre os jogadores é a capacidade técnica, a inteligência e a forma como um jogador toma decisões em campo".


DIRETOR DE FUTEBOL NA UCRÂNIA

Ele iniciou a Temporada 2018/19 comandando a tomada de decisões de todo o Departamento de Futebol do Shakhtar Donetsk, na Ucrânia, assumindo pela primeira vez a função que executará no Flamengo. Executou esta função no clube ucraniano por três temporadas inteiras: 2018/19, 2019/20 e 2020/21. Ainda esteve por lá no início da temporada 2021/22, tendo pedido demissão em 20 de dezembro de 2021 para assumir a mesma função no PAOK, da Grécia. Saiu somente alguns meses antes de estourar a guerra entre Ucrânia e Rússia, a qual lhe fez perder todos os seus pertences deixados no país, pois não teve tempo de regressar para buscá-los.

Na Ucrânia ele também coordenava o scout do clube, e com uma missão em especial: identificar talentos no futebol brasileiro e recrutá-los para que atuassem na Ucrânia. Assim como em seu trabalho no Benfica, sua atuação consistia mais em peneiras jovens talentos do que na contratação de talentos já formados.

Um dos treinadores que contratou no Shakhtar foi o também português Luis Castro, que ficou no clube de 2019 a 2021, e que posteriormente conseguiria destaque no futebol brasileiro a frente do Botafogo.

Quando José Boto chegou, o clube de Donetsk já era o então Tri-campeão Ucraniano. Enquanto esteve por lá, o Shakhtar foi Bi-campeão Ucraniano nas temporadas 2018–19 e 2019–20, completando uma série de 5 títulos consecutivos. Mas na sua última temporada inteira, o clube perdeu o título para o Dínamo Kiev.


DIRETOR DE FUTEBOL NA GRÉCIA

No futebol grego, José Boto atuou por 1 temporada e meia. Iniciou seu trabalho de Diretor de Futebol do PAOK em janeiro de 2022, e ficou no clube até o fim da temporada 2022/23. Foi Vice-campeão Grego na Temporada 2021/22, perdendo o título para o Olympiacos, e depois terminou em 4º lugar no Campeonato Grego na Temporada 2022/23, atrás do campeão Panathinaikos, e de AEK Athenas e Olympiacos. Portanto, em linhas gerais, pode-se dizer que fez um trabalho não mais do que mediano na Grécia.


DIRETOR DE FUTEBOL NA CROÁCIA

No futebol croata, José Boto também atuou por 1 temporada e meia, a Temporada 2023/24 inteira, e a primeira metade da temporada 2024/25, quando comunicou que deixaria o clube em 21 de dezembro de 2024 para assumir o cargo de Diretor do Flamengo. Neste período, ele foi o Diretor de Futebol do Osijek. O modesto clube croata vinha de uma sequência na qual foi Vice-campeão Croata da Temporada 2020/21, e com dois 3º lugares consecutivos, nas Temporadas 2021/22 e 2022/23.    

Durante o trabalho de José Boto, acabou a sequência. Na Temporada 2023/24 o clube terminou em 4º lugar, atrás de Dinamo Zagreb, Rijeka, e Hajduk Split. Na Temporada 2024/25 estava em 5º lugar quando José Boto. Mais uma vez, um trabalho que não teve um grande destaque.

Uma curiosidade de sua passagem pela Croácia: em maio de 2024, quando ele não estava no país, o carro que ele costumava utilizar foi alvejado por 7 tiros em Eslavônia, na Croácia, naquilo quer a imprensa local tratou como um atentado de protesto da máfia local.



PONTOS DE ATENÇÃO

1 - Chega ao Flamengo sem qualquer experiência ou conhecimento sobre a cultura do clube, do Rio de Janeiro ou do futebol brasileiro. O que ao mesmo tempo que é uma vantagem, é um risco.

2 - Tecnicamente só mostrou serviço na aquisição de jovens talentos a serem revendidos a um preço mais caro, com nomes que não deram ou muito pouco deram retorno dentro de campo para o clube. Não é o perfil que a cultura do Flamengo espera.

3 - Nunca foi o dono de um orçamento tão grande como o que encontrará no Flamengo. A ampla maioria de suas experiências como Diretor de Futebol só ocorreram em clubes que não estavam acostumados a brigar na ponta da tabela. Nenhum deles com uma pressão por resultados esportivos similares às que enfrentará no Flamengo.

4 - A mesma preocupação que persistiu em 2023 e 2024, persistirá sobre o trabalho dele: a necessidade de uma Gerência de Vestiário, capaz de evitar os "processos de fritura" de treinador que são comuns no Flamengo. Talvez, apenas talvez, começar com Filipe Luís como treinador, um cara acostumado a esta identidade rubro-negra e às pressões de vestiário, minimize este risco.

sexta-feira, 24 de maio de 2024

Flamengo no Campeonato Brasileiro Sub-20 de 2024


Campeonato Brasileiro Sub-20 de 2024

Campeão Brasileiro Sub-20 de 2023 e Campeão da Copa Libertadores da América Sub-20 de 2024, o Flamengo entrou em busca da conquista de seu segundo título nacional consecutivo.

Uma das atrações do time estava na dupla de nigerianos jogando pelas pontas de ataque: Hassan Haruna e Elijah Oluwashola Ogundana, o Shola, este último o autor do primeiro gol na final da Libertadores contra o Boca Juniors. Hassan foi o responsável pelos dois primeiros gols rubro-negros na competição, mas depois não marcou mais nenhuma vez. Durante o torneio, após disputar 11 jogos, acabou negociado após a 13ª rodada pelo detentor de seus direitos federativos, o XV de Piracicaba, seguindo para defender ao Al Bataeh, dos Emirados Árabes.


No Brasileiro Sub-20 de 2024

Shola: 16 jogos e 4 gols

Hassan: 11 jogos e 2 gols

Hassan Haruna e Shola Ogundana


Artilharia Rubro-Negra: Shola (4), Wallace Yan (4), Adriel (3), Weliton (3), Iago (3), Hassan (2), Matheus Gonçalves (2), Felipe Teresa (2), Zé Welinton (2), Guilherme Gomes (2), Carbone (1), Victor Silva (1), Jean Carlos (1), Lorran (1), Luiz Aucélio (1) e Germano (1)


Campanha:

Primeira Fase (Turno Único)

1ª Rodada - 03/04/2024 - Flamengo 1 x 2 Goiás
Local: Estádio Hailé Pinheiro, Goiânia
Gols: Halerrandrio (21'1T), Xavier (36'1T) e Hassan (45'1T)
Fla: Lucas Furtado, Lucyan (João Alves), Victor Thiago, Carbone (Da Mata) e Zé Welinton (Jean Carlos); Rayan Lucas, Daniel Rogério (Victor Silva) e Wallace Yan; Hassan (Daniel Sales), Weliton (Pedro Estevam) e Shola.
Téc: Mário Jorge


2ª Rodada - 11/04/2024 - Flamengo 3 x 1 Cuiabá
Local: Estádio da Gávea, Rio de Janeiro
Gols: Hassan (7'1T), Dudu (23'1T), Carbone (43'1T) e Weliton (45+1'1T)
Fla: Dyogo Alves, Lucyan, Iago (Victor Thiago), Carbone e Ainoã; Rayan Lucas, Jean Carlos e Wallace Yan (Daniel Rogério); Hassan (Pedro Estevam), Weliton (Felipe Teresa) e Shola (Victor Silva).
Téc: Mário Jorge


3ª Rodada - 17/04/2024 - Flamengo 1 x 2 Palmeiras
Local: Estádio da Gávea, Rio de Janeiro
Gols: Wallace Yan (7'2T), e Luighi (32'2T) e (45+2'2T)
Fla: Dyogo Alves, Lucyan, Iago, Carbone e Ainoã; Rayan Lucas (Daniel Rogério), Jean Carlos (João Alves) e Matheus Gonçalves; Hassan (Weliton), Wallace Yan (Felipe Teresa) e Shola (Victor Silva).
Téc: Mário Jorge


4ª Rodada - 24/04/2024 - Flamengo 3 x 1 Santos
Local: Vila Belmiro, Santos
Gols: Shola (23'1T), Matheus Xavier (3'2T), Felipe Teresa (37'2T) e Victor Silva (45+4'2T)
Fla: Lucas Furtado, Daniel Sales (Felipe Teresa), João Victor, Carbone e Ainoã; Fabiano, Jean Carlos e Lucyan (Felipe Brian); Hassan (João Alves), Pedro Estevam (Victor Silva) e Shola.
Téc: Mário Jorge


5ª Rodada - 01/05/2024 - Flamengo 1 x 0 Cruzeiro
Local: Estádio da Gávea, Rio de Janeiro
Gol: Felipe Teresa (39'2T)
Fla: Lucas Furtado, Daniel Sales (Lucyan), Iago, João Victor e Carbone (Ainoã); Rayan Lucas (Fabiano), Jean Carlos e Wallace Yan (Victor Silva); Hassan (Pedro Estevam), Weliton (Felipe Teresa) e Shola.
Téc: Mário Jorge


7ª Rodada - 16/05/2024 - Flamengo 3 x 2 Atlético Mineiro
Local: Estádio Castor Cifuentes, Belo Horizonte
Gols: Weliton (35'1T) e (36'1T), Isaac (42'1T), Caio Maia (33'2T) e Iago (44'2T)
Fla: Lucas Furtado, Daniel Sales, Iago, João Victor e Carbone (Ainoã); João Alves, Jean Carlos (Lucas Oliveira) e Wallace Yan (Lucyan); Hassan (Victor Silva), Weliton (Felipe Teresa) e Shola.
Téc: Mário Jorge


8ª Rodada - 22/05/2024 - Flamengo 1 x 1 América Mineiro
Local: Estádio da Gávea, Rio de Janeiro
Gols: Wallace Yan (5'1T) e Paulinho (22'1T)
Fla: Lucas Furtado, Daniel Sales (Lucyan), Iago, João Victor e Carbone (Ainoã); Rayan Lucas, Jean Carlos (Fabiano) e Wallace Yan (Felipe Brian); Hassan (Victor Silva), Weliton (Felipe Teresa) e Shola.
Téc: Mário Jorge


9ª Rodada - 29/05/2024 - Flamengo 3 x 1 Atlético Goianiense
Local: Estádio da Gávea, Rio de Janeiro
Gols: Matheus Gonçalves (17'1T) e (45'1T), Yuri Alves (14'2T) e Jean Carlos (21'2T)
Fla: Dyogo Alves, Daniel Sales (Lucyan), Iago, João Victor e Carbone; Rayan Lucas (Fabiano), Jean Carlos (João Alves) e Matheus Gonçalves; Wallace Yan (Hassan), Weliton (Felipe Teresa) e Shola (Victor Silva).
Téc: Mário Jorge


10ª Rodada - 18/06/2024 - Flamengo 0 x 1 Fluminense
Local: Estádio Luso-Brasileiro, Rio de Janeiro
Gol: Arthur (37'2T)
Fla: Dyogo Alves, Daniel Sales (Jean Carlos), Iago, João Victor e Carbone; Rayan Lucas (Victor Silva), Fabiano (Lucyan) e Matheus Gonçalves (Hassan); Wallace Yan (Felipe Teresa), Weliton (Caio Garcia) e Shola.
Téc: Márcio Torres (interino)


11ª Rodada - 26/06/2024 - Flamengo 0 x 3 Fortaleza
Local: Estádio da Gávea, Rio de Janeiro
Gols: Kauê Canela (38'1T), (4'2T) e (25'2T)
Fla: Lucas Furtado, Lucyan (Gusttavo Sousa), João Victor, Carbone e Ainoã; Fabiano, Caio Garcia (João Alves) e Wallace Yan (Rodriguinho); Hassan (Guilherme Gomes), Weliton (Felipe Teresa) e Shola (Victor Silva).
Téc: Filipe Luís


12ª Rodada - 02/07/2024 - Flamengo 2 x 0 Bahia
Local: Estádio Reitor Edgar Santos, Simões Filho
Gols: Shola (26'1T) e (36'1T)
Fla: Dyogo Alves, Daniel Sales (Lucyan), Iago, João Victor e Carbone; Rayan Lucas (João Alves), Jean Carlos (Caio Garcia) e Guilherme Gomes (Victor Silva); Felipe Teresa, Weliton (Hassan) e Shola (Wallace Yan).
Téc: Filipe Luís


13ª Rodada - 10/07/2024 - Flamengo 0 x 2 Athlético Paranaense
Local: Estádio da Gávea, Rio de Janeiro
Gols: Sorriso (25'1T) e Lucca (7'2T)
Fla: Dyogo Alves, Daniel Sales (Lucyan), Iago, Da Mata e Carbone (Ainoã); Rayan Lucas, Jean Carlos (Caio Garcia), Guilherme Gomes e Wallace Yan (Adriel); Shola e Weliton (Lucas Oliveira).
Téc: Filipe Luís


14ª Rodada - 17/07/2024 - Flamengo 2 x 1 Corinthians
Local: Estádio Jardim Inamar, Diadema, São Paulo
Gols: Guilherme Gomes (8'1T), Shola (33'1T) e André (16'2T)
Fla: Dyogo Alves, Daniel Sales (Gusttavo Sousa), Iago, Da Mata e Carbone (Zé Welinton); Rayan Lucas (João Alves), Jean Carlos (Caio Garcia), Guilherme Gomes e Wallace Yan; Shola e Adriel (Rodriguinho).
Téc: Filipe Luís


15ª Rodada - 24/07/2024 - Flamengo 2 x 1 Botafogo
Local: Estádio da Gávea, Rio de Janeiro
Gols: Fabiano (16'1T), Lorran (9'2T) e Zé Welinton (39'2T)
Fla: Dyogo Alves, Daniel Sales (Gusttavo Sousa), Iago, João Victor e Carbone (Zé Welinton); Rayan Lucas, Jean Carlos (Felipe Lima), Lorran (Caio Garcia) e Guilherme Gomes; Shola e Wallace Yan (Da Mata).
Téc: Filipe Luís


16ª Rodada - 30/07/2024 - Flamengo 2 x 1 São Paulo
Local: Estádio Raulino de Oliveira, Volta Redonda
Gols: Wallace Yan (44'1T), Paulinho (17'2T) e Wallace Yan (20'2T)
Fla: Dyogo Alves, Daniel Sales (Adriel), Iago, João Victor, Da Mata (Jean Carlos) e Zé Welinton (Felipe Lima); Rayan Lucas, Guilherme Gomes (Fabiano) e Lorran (Gusttavo Sousa); Shola (Caio Garcia) e Wallace Yan.
Téc: Filipe Luís


17ª Rodada - 08/08/2024 - Flamengo 2 x 0 Ceará
Local: Estádio Presidente Vargas, Fortaleza
Gols: Iago (5'1T) e Zé Welinton (8'2T)
Fla: Lucas Furtado, Daniel Sales, Iago, João Victor e Zé Welinton (Jean Carlos); Rayan Lucas (Gusttavo Sousa), Caio Garcia (Da Mata), Guilherme Gomes e Lorran (Fabiano); Shola e Wallace Yan.
Téc: Filipe Luís


18ª Rodada - 14/08/2024 - Flamengo 2 x 0 Red Bull Bragantino
Local: Centro de Performance e Desenvolvimento, Atibaia
Gols: Adriel (22'2T) e Iago (28'2T)
Fla: Dyogo Alves, Daniel Sales (Gusttavo Sousa), Iago, João Victor e Zé Welinton; Rayan Lucas (João Alves), Caio Garcia (Jean Carlos), Guilherme Gomes e Pedrinho Leão (Felipe Lima); Victor Silva (Felipe Teresa) e Adriel (Da Mata).
Téc: Filipe Luís


6ª Rodada (atrasado) - 17/08/2024 - Flamengo 3 x 2 Grêmio
Local: CT Hélio Dourado, Eldorado do Sul
Gols: Guga (8'1T), Adriel (10'2T) e (11'2T), Kaick (40'2T) e Guilherme Gomes (41'2T)
Fla: Dyogo Alves, Da Mata, Iago, João Victor e Zé Welinton; Rayan Lucas, João Alves, Caio Garcia e Guilherme Gomes; Adriel e Wallace Yan.
Téc: Filipe Luís


19ª Rodada - 21/08/2024 - Flamengo 2 x 2 Internacional
Local: Estádio da Gávea, Rio de Janeiro
Gols: Alexsandro (11'1T), Amaral (18'2T), Luís Aucélio (25'2T) e Germano (45+4'2T)
Fla: Caio Barone, Daniel Rogério, Wesley Juan, Felipe Vieira e Thiago Medeiros; Germano, Iago Lacerda e Felipe Lima; Lucas Oliveira, Pedrinho Leão e Rodriguinho.
Téc: Filipe Luís


Quartas de Final

26/06/2024 - Flamengo 0 x 1 Fortaleza
Local: Estádio da Gávea, Rio de Janeiro
Gol: Kauê Canela (45+4'2T)
Fla: .
Téc: Filipe Luís



Shola e Hassan


sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Pivô europeu no FlaBasquete!


O basquete do Flamengo inovou no seu último reforço para a temporada 2023/24 e fechou com um pivô da Seleção da Hungria.

Marko Filipovity é a quinta contratação do FlaBasquete para a temporada 23/24. Do alto dos seus 2,04m de altura e 27 anos (30.07.1996), o húngaro chega para preencher o garrafão rubro-negro e espaçar a quadra com seus arremessos de três pontos precisos.

Marko começou sua carreira no basquete de seu país, aos 17 anos, e por lá permaneceu por seis temporadas. Em 2020 se transferiu para o Carpegna Pesaro da elite do basquete italiano, onde teve 12.8 pontos e 6 rebotes de média por partida. Depois da Itália, o pivô passou pela primeira divisão da Espanha e da Turquia, até chegar no Niners Chemnitz, da Alemanha, clube que atuou na temporada 22/23 com 11.6 pontos e 2.2 rebotes de média - além de incríveis 40% de aproveitamento do perímetro.

Desde novo, Marko era figurinha carimbada em convocações de seleção de base da Hungria, tendo jogado nas Euros Sub-18 e Sub-20. Depois, jogou a Euro adulta. Pela seleção principal em 22/23, teve 16 pontos de média em duas partidas pelas classificatórias da Copa do Mundo de Basquete.

Marko Filipovity se une a Olivinha, Maique, Gabriel Jaú, Gui Deodato, Loku Cuello, Didi Louzada, Scott Machado, Franco Balbi, Felipe Motta, Matheus Leoni e Emanuel, além do técnico Gustavo De Conti, como os nomes confirmados do elenco rubro-negro para 23/24.



MARKO FILIPOVITY
Carreira: 2013-2015 Kaposvari (Hungria), 2015/16 Alba Fehervar (Hungria), 2016/17 Szedeak (Hungria), 2017-2019 Alba Fehervar (Hungria), 2019/20 Falco Szombathely (Hungria), 2020/21 Pesaro (Itália), 2021 Obradoiro (Espanha), 2021/22 Afyon Beledíyesi (Turquia), e 2022/23 Chemnitz (Alemanha)



A estreia do húngaro Marko Filipovity com a camisa rubro-negra foi promissora. Num amistoso em 3 de outubro de 2023 contra o Mogi, em Mogi das Cruzes, o Flamengo venceu por 108 x 75, tendo Filipovity sido o destaque, anotando 32 pontos! Uma largada para dar muita esperança asem desempenho na Temporada 2023/24.



Marko Filipovity é o 2º europeu na história a ter vestido a camisa do Basquete do Flamengo. O primeiro estrangeiro na história do basquete rubro-negro, o francês Robert Zagury, que jogou algumas partidas pelo clube na campanha entre o fim de 1957 e o início de 1958 que levou à conquista do Campeonato Carioca de 1957.

Marko Filipovity


Depois da estreia impactante no amistoso contra o Mogi, Filipovity alterou bons e maus momentos. No amistoso de Pré-Temporada da NBA contra o Orlando Magic, saiu de quadra zerado, sem converter nenhum ponto. Na estreia do NBB, uma derrota para o Minas Tênis Clube, converteu 10 pontos. Na segunda rodada, foi o cestinha na vitória sobre o Pato Basquete, marcando 15 pontos. Nas duas rodadas seguintes, nos dois clássicos cariocas, converteu 9 pontos sobre o Botafogo e 4 pontos sobre o Vasco. Chegou a escutar críticas da imprensa, mas as superou sendo o principal pontuador nos dois jogos seguintes, fazendo 23 pontos no Cerrado e 26 no Brasília.

Deixou uma boa impressão inicial: nas 6 primeiras rodadas do NBB, foi o cestinha rubro-negro em 3 partidas, o único a ter sido mais de uma vez cestinha naquele time do Flamengo. Foi o principal pontuador rubro-negro nesta largada, superando o forte calor ao qual não estava acostumado, para totalizar 87 pontos convertidos, 14,5 pontos por partida (20º pontuador do torneio naquele momento). Destacou-se também nos rebotes, com médias de 7,0 por jogo (11º neste ranking naquele momento), sendo 4,8 deles defensivos e 2,2 ofensivos. Um bom começo. Restava saber se ele manteria este desempenho diante das equipes da parte de cima da tabela.

Ele de fato caiu de produção nas rodadas seguintes. Entretanto, ainda terminou o 1º Turno da Temporada 2023/24 com números de uma contribuição expressiva à equipe: em 17 jogos, ficou 440 minutos em quadra, covertendo 208 pontos, com médias de 12,2 pontos, 0,8 assistências, 0,6 recuperações de bola, 5,1 rebotes e 0,1 tocos, e com uma eficiência de 11,6.

Filipovity chegou ao Rio de Janeiro acompanhado daesposa, e na cidade nasceu a primeira filha do casal. E ao que tudo indica foram problemas de adaptação a família que fizeram seu desempenho despencar. Com ele, o time foi Campeão da Copa Super 8. No returno, ele jogou as 6 primeiras rodadas, até que ficou fora da viagem a Brasília, onde o clube enfrantaria aos dois clubes locais. Ele não voltaria mais a vestir a partir de então a camisa rubro-negra. Em 24 de janeiro de 2024, o Flamengo anunciou oficialmente a ruptura de contrato a pedido do jogador. Marko Filpovity regressava então para defender o clube que o formou, o Kaposvari, pelo restante da temporada. Disputou um total de 32 partidas com a camisa do Flamengo.

O cimunicado oficialmente distribuído pela assessoria de imprensa do húngaro no dia do anúncio do encerramento do contrato, reforçava que foram fatores de adaptação familiar aquilo que o levava a deixar o clube: "Eu e minha família chegamos ao Flamengo muito animados em setembro, com grandes planos. Nós recebemos muito do Rio e do Flamengo. Nossa filha nasceu aqui, o que é uma benção. Mas nossa rotina pesou, eu e minha mulher não estávamos preparados para o dia a dia nessa nova realidade e estávamos sofrendo. Eu desejo tudo de melhor para o time e os fãs, que nos trataram tão bem".






quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Estrangeiros Recordistas de Hat Tricks pelo Flamengo na História


O jogador estrangeiro recordista de Hat Tricks na História do Flamengo é o argentino Doval, ídolo da massa rubro-negra nos Anos 1970.

Estrangeiros Recordistas de Hat Tricks:


3 VEZES

Narciso DOVAL (Argentina)
04/03/1972 - Campeonato Carioca: Flamengo 6 x 1 São Cristóvão (Maracanã)
19/07/1973 - Campeonato Carioca: Flamengo 8 x 0 Bangu (Maracanã)
02/04/1975 - Campeonato Carioca: Flamengo 5 x 0 Portuguesa (Maracanã)




2 VEZES

Alfredo GONZÁLEZ (Argentina)
09/10/1938 - Campeonato Carioca: Flamengo 5 x 0 Botafogo (Estádio da Rua General Severiano)
30/10/1938 - Amistoso: Flamengo 3 x 1 Corinthians (Parque São Jorge, São Paulo)

SIDNEY PULLEN (Inglaterra)
28/09/1919 - Campeonato Carioca: Flamengo 6 x 1 Vila Isabel (Estádio da Rua Paissandu)
23/11/1919 - Campeonato Carioca: Flamengo 4 x 1 Andaraí (Estádio da Rua Campos Sales)

Harry WELFARE (Inglaterra)
27/11/1915 - Amistoso: 5 x 1 Combinado de Belém, Pará
03/01/1916 - Amistoso: 4 x 0 Paysandu (Belém, Pará)


1 VEZ

Giorgian De ARRASCAETA (Uruguai)
14/07/2019 - Campeonato Brasileiro: Flamengo 6 x 1 Goiás (Maracanã)

Paolo GUERRERO (Peru)
22/06/2017 - Campeonato Brasileiro: Flamengo 5 x 1 Chapecoense (Estádio Luso-Brasileiro)

Dejan PETKOVIC (Sérvia)
30/09/2000 - Campeonato Brasileiro: Flamengo 4 x 2 Gama (Estádio Mané Garrincha)

Jorge BENÍTEZ (Paraguai)
22/08/1954 - Campeonato Carioca: Flamengo 4 x 3 Canto do Rio (Maracanã)

Agustín COSSO (Argentina)
13/10/1937 - Campeonato Carioca: Flamengo 5 x 1 Andaraí (Estádio das Laranjeiras)


domingo, 26 de junho de 2022

Argentinos na história do basquete do Flamengo


A tradição de jogadores naturais da Argentina vestindo a camisa rubro-negra no basquete é longa. Foi iniciada m 1984, levou décadas para que um segundo argentino jogasse no FlaBasquete, mas nos Anos 2010 a lista cresceu bem rápido.

Eis a seguir a lista destes nomes:

1º - GERMÁN FILLOY

O histórico ala nascido em 1957, de 2,02 metros, começou a se destacar pelo Hindú Club, da cidade de Córdoba. Filloy chegou ao basquete brasileiro em 1983 para defender ao Sírio, de São Paulo, por quem se sagrou campeão da Taça Brasil na temporada 1983/84. Foi contratado então pelo Flamengo em 1984, e com a camisa rubro-negra disputou duas edições da Taça Brasil, tendo na primeira delas, na temporada 1984/85, sido vice-campeão, perdendo o título para o Monte Líbano, de São Paulo. Com o Flamengo, foi Bi-Campeão Carioca em 1984 e 1985. Depois disto, regressou à Argentina para se tornar ídolo do Atenas de Córdoba, onde atuou de 1986 a 1992, tendo sido 4 vezes Campeão Argentino, em 1987, 1988, 1990 e 1992, tendo sido escolhido na 1ª vez na qual o prêmio foi entregue na nova Liga Argentina, organizada pela Associação de Clubes, como o Jogador Mais Valioso (MVP) da temporada. Também obteve cidadania italiana, a qual lhe facilitou para que seus dois filhos se profissionalizassem na Itália, Damian e Ariel Filloy.



2º - FEDERICO KAMMERICHS

O ala-pivô de 2,05 metros nascido em 1980 na cidade de Goya já era um jogador bastante experiente e rodado quando chegou ao Flamengo em 2011, onde atuou por uma temporada. Começou no basquete argentino defendendo ao Ferro Carril Oeste, onde atuou de 1998 a 2001. Foi então construir uma trajetória no basquete da Espanha, onde atuou por Ourense, Valencia, Girona, Gipuzkoa e Murcia. Com a Seleção da Argentina foi medalha de prata das Copa Américas de 2003, 2005 e 2007, e foi Medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos de 2008. Regressou então ao basquete de seu país para defender ao Regatas de Corrientes, onde atuou de 2008 a 2011, sagrando-se Campeão e Jogador Mais Valioso (MVP) da Liga das Américas de 2011. Foi então que o Flamengo o contratou, numa equipe cujo técnico também era argentino, Gonzalo Garcia. Ele jogou só uma temporada na Gávea, a de 2011/12, na qual o Flamengo foi 4º lugar. Após a passagem pelo clube, jogou mais uma temporada pelo Regatas de Corrientes e terminou a carreira pelo clube de sua cidade natal Goya.



3º - NICO LAPROVITTOLA

Dentre os argentinos que atuaram no Flamengo, um dos que construiu carreira mais brilhante no basquete internacional. O armador de 1,91 metro, nascido em 1990 em Morón, começou a carreira jogando entre 2007 e 2013 pelo Lanus. O Flamengo então o contratou e ele atuou duas temporadas na Gávea, 2013/14 e 2014/15, sendo-Bi-Campeão Brasileiro nestas duas temporadas, e ainda sendo Campeão em 2014 da Liga das Américas e da Copa Intercontinental, tendo sido escolhido o Jogador Mais Valioso (MVP) desta edição do Mundial de Clubes. Seguiu carreira na Europa, atuando por Lietuvos Rytas, da Lituânia, e Estudiantes de Madrid, da Espanha. Teve então uma oportunidade na NBA, atuando no início da temporada 2016/17 por 18 partidas pelo San Antonio Spurs. Dispensado nos EUA, regressou à Europa, onde defendeu ao Zenit, da Rússia, e na Espanha a Saski Baskonia, Joventut Badalona, Real Madrid e Barcelona.



4º - WALTER HERRMANN

Chegou à Gávea em 2014 já veterano e consagrado. Campeão Olímpico, Medalha de Ouro com a Seleção da Argentina nas Olimpíadas de 2004. O ala-pivô de 2,06 metros nasceu na cidade de Venado Tuerto, província de Santa Fé. Começou a carreira no Olimpia de Venado Tuerto, onde atuou de 1996 a 2000, e passou pelo Atenas de Córdoba, onde foi Bi-Campeão Argentino e o Jogador Mais Valioso (MVP) na temporada 2000/01. Seguiu para a Espanha, onde defendeu a Fuenlabrada (MVP da temporada 200/03) e Unicaja Málaga (Campeão Espanhol da temporada 2005/06). Seguiu então para a NBA, onde atuou por três temporadas, com as camisas de Charlotte Bobcats e Detroit Pistons, disputando um total de 152 partidas. Regressou à Espanha, para defender a Saski Baskonia, Campeão Espanhol da temporada 2009/10. Voltou à Argentina, e com o Atenas de Córdoba, voltando a ser MVP, desta vez na temporada 2013/14. Foi então que foi contratado pelo Flamengo, onde não foi titular, mas teve participações bastante relevantes na conquista da Copa Intercontinental 2014 e de Campeão Brasileiro na temporada 2014/15. Regressou então a seu país ainda a tempo de ser mais uma vez Campeão Argentino, com o San Lorenzo, na temporada 2015/16.



5º - FRANCO BALBI

O armador de 1,88 metro nasceu em Junín, na grande Buenos Aires. Antes de aportar na Gávea, onde ficou por 4 temporadas e se tornou o jogador argentino de basquete a ter mais vezes vestido a camisa rubro-negra. Antes, em seu país, atuou por Ciclista Juninense, Quimsa, San Martin de Corrientes, Argentino de Junín, e Ferro Carril Oeste, camisa com a qual foi escolhido para o Quinteto Ideal, como melhor armador da Liga Argentina na temporada 2016/17. Foi então contratado pelo Flamengo, e brilhou, Bi-Campeão Brasileiro, nas temporada 2018/19 e 2020/21, e campeão da Liga dos Campeões das Américas de 2021, e da Copa Intercontinental de 2022. "El Mago" fez história em vermelho e preto. Depois disto passou uma temporada no Boca Juniors e regressou, para então ter se tornado o estrangeiro a mais vezes ter vestido a camisa do Flamengo na história do basquete do clube.



6º - LUCIANO CHUZITO GONZÁLEZ

O ala-armador de 1,88 metro nasceu em Entre Ríos em 1990. Atuou por Atlético Echague, San Martin de Corrientes e Obras Sanitárias antes de ter uma primeira experiência no Brasil, pelo Minas Tênis Clube, de Belo Horizonte, na temporada 2011/12. Depois passou por Juventud Sionista, La Unión de Formosa, Atenas de Córdoba, Quimsa, Instituto de Córdoba e San Lorenzo, onde foi Campeão Argentino na temporada 2018/19. Chegou então à Gávea, e com o Flamengo foi Campeão Brasileiro da temporada 2020/21.   



7º - DIEGO FIGUEREDO

A passagem pela Gávea do armador de 1,85 metro nascido em 1991 em Córdoba foi muito rápida e muito vitoriosa. Ele foi contratado para substituir ao lesionado Franco Balbi na Fase Final da Liga dos Campeões das Américas de 2021. Sagrou-se campeão. O jogador tinha passado pelo basquete brasileiro com a camisa do São José na temporada 2019/20, e depois do Flamengo, jogou pelo Corinthians na temporada 2021/22.

8º - FABIAN SAHDI

Outro a ter tido passagem relâmpago pela Gávea e também para substituir ao lesionado Franco Balbi, o armador de 1,85 metro, nascido em 1989 em Bahía Blanca, jogou o Campeonato Carioca de 2021 e o início da Liga Brasileira 2021/22 num contrato de apenas três meses. Com Balbi recuperado, ele saiu do clube. Tinha tido uma passagem anterior pelo basquete brasileiro com o São José na temporada 2018/19 e com o UniFacisa, da Paraíba, na temporada 2020/21.


9º - ESTEBAN CÁFFARO

O jovem ala disputou a Liga de Desenvolvimento 2022 com a camisa rubro-negra. Irmão de dois jogadores da Seleção Argentina, Agustín Cáffaro (jogou o Mundial de 2019) e Francisco Cáffaro (jogou as Olimpíadas de 2021), o irmão caçula, aos 19 anos, jogou pelo Flamengo a LDB 2022.


10º - JOSE VILDOZA

O armador foi Campeão da Copa América de 2022 com a Seleção da Argentina, e logo na sequência chegou à Gávea para as disputas da Temporada 2022/23 da Liga Brasileira e para a Champions League Americas 2023. Com 1,91 metro, estava com 26 anos quando foi contratado. Na Argentina tinha defendido a Libertad Sunchales e San Lorenzo, por quem na temporada 2017/18 foi Campeão da Liga Argentina e da Liga das Américas. Chegou ao clube após uma temporada no Cibona Zagreb, da Croácia, onde também foi campeão nacional.

11º - NICOLÁS "PENKA" AGUIRRE

O armador de 1,91 metro chegou à Gávea já aos 34 anos após construir uma carreira super vitoriosa na Argentina. Com passagens por Quilmes, Boca Juniors, La Unión de Formosa, Juventud Sionista, Quimsa e San Lorenzo, foi 5 vezes Campeão Argentino, em 2015, 2016, 2017, 2018 e 2021, a primeira pelo Quimsa, e as demais pelo San Lorenzo. Também defendeu ao Fuerza Regia, do México. E no curriculum tinha sido MVP da Liga Argentina na temporada 2014/15.

12º - MARTIN CUELLO

Para fechar o triunvirato de argentinos vestindo rubro-negro na temporada 2022/23, o ala-armador de 1,93 metro Cuello chegou ao clube com 29 anos como campeão e MVP da Final da Liga Argentina na temporada anterior. Acumulando passagens por Lanus, Ferro Carril Oeste, Libertad Sunchales e Instituto de Córdoba, por quem foi campeão argentino da temporada 2021/22. Cuello ficou 2 temporadas na Gávea.

Aguirre, Vildoza e Cuello


13º - TAYAVEK GALLIZZI

O pivô Taya Gallizzi chegou no Flamengo na temporada 2024/25 para defender a camisa rubro-negra, com histórico de passagens pela Seleção da Argentina.