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sábado, 10 de dezembro de 2022

A NOTA OFICIAL do C.R. FLAMENGO sobre Direitos de Transmissão do Campeonato Carioca 2023


Publicada no site do Clube de Regatas do Flamengo em 06/12/2022 às 12:37, é uma lição de profissionalismo sore o mercado futebolístico do Rio de Janeiro e do Brasil, a qual deveria levar a uma profunda reflexão daqueles que ainda não entendam a dinâmica financeira atual do futebol, sejam dirigentes, jornalistas ou torcedores, sejam rubro-ngros ou de outros clubes.

O contexto sobre a qual a nota foi publicada foram os protestos de Vasco e Botafogo, ambos agora já organizados sob Sociedades Anônimas de Futebol (SAFs) e com proprietários das ações majoritárias, em ambos os casos nos Estados Unidos. A TV sinalizou R$ 18 milhões para o Flamengo, e R$ 9 milhões para os demais "grandes do Rio".


A íntegra da Nota Oficial Rubto-Negra:

Em relação às notas oficiais publicadas por dois clubes coirmãos quanto aos direitos de transmissão do Campeonato Carioca, o Clube de Regatas do Flamengo, mesmo defendendo que qualquer negociação financeira deva ser tratada como algo particular de cada agremiação, vem a público deixar claro seu posicionamento na referida questão.

O Flamengo, graças ao trabalhado realizado nos últimos anos, tem feito investimentos importantes em seu Departamento de Futebol, de forma a dar mais competitividade ao time e oferecer um melhor espetáculo, não só aos seus milhões de torcedores como a todos os amantes do futebol. São investimentos bancados exclusivamente pela capacidade financeira do Clube, sem qualquer receita advinda de investidores externos. Assim sendo, é necessário que o clube se remunere de forma adequada e condizente com o potencial de renda que gera para seus parceiros comerciais.

É público e notório que o mercado esportivo remunera os clubes por seus direitos de transmissão de forma proporcional ao seu potencial comercial, não havendo razão que justifique uma distribuição diversa em nível estadual.

Para um melhor entendimento sobre os valores oferecidos ao Flamengo pelos direitos de imagem no Campeonato Carioca, seguem alguns dados que, por si só, esclarecem bem o que está ocorrendo.

TORCIDA - A torcida do Flamengo, em pesquisa publicada recentemente, representa 21,8% da população brasileira. Os outros três grandes times cariocas (Vasco, Botafogo e Fluminense) somados, representam 6,6%. Isto dá ao Flamengo uma participação de 76% do total de torcedores quando colocamos lado a lado os quatro grandes clubes do Rio.

PAY-PER-VIEW - A participação do Flamengo sempre representou 20% do mercado nacional e 60% do mercado carioca. Nos últimos dois anos, em contrato fechado diretamente pelos clubes cariocas com as distribuidoras de TV paga, mostrou-se um número ainda mais expressivo: 63% do total para o Flamengo, restando 37% para Botafogo, Fluminense e Vasco.

REDES SOCIAIS - O número de seguidores do Flamengo em suas redes sociais já ultrapassa hoje 50 milhões contra pouco mais de 20 milhões dos demais três grandes clubes do Rio somados. Ou seja, uma participação de 70% do total.

Os percentuais apresentados acima comprovam a enorme capacidade de geração de receitas para as empresas de mídia que estarão negociando com a Brax, empresa contratada para realizar o planejamento comercial do campeonato. São números que estão sendo levados em conta na hora da proposta comercial a ser feita pela Brax para o Campeonato Carioca.

Apesar de termos todos os percentuais de potencial comercial acima de 60%, a diretoria do Flamengo, de forma inclusiva e com a preocupação em proporcionar melhores condições financeiras a todos os clubes participantes do Campeonato Carioca, aceitou a proposta feita pela Brax e estará recebendo um montante correspondente a 42% do designado pela empresa para pagamento mínimo aos quatro clubes grandes.

Vale apenas registrar que este valor proposto e aceito pela diretoria do Clube ainda terá sua aceitação subordinada a uma aprovação final pelo Conselho Deliberativo do Flamengo.

A diretoria do Flamengo tem total consciência da importância do Clube no futebol brasileiro. Por isso, trabalha para que todo o ecossistema do futebol se desenvolva de forma justa e harmônica, apoiando, sim, as iniciativas que fortaleçam todos os clubes brasileiros, mas nunca deixando de considerar as diferenças e o potencial comercial de cada agremiação.



Veja também aqui no Blog A NAÇÃO:






quarta-feira, 28 de setembro de 2022

A questão do dinheiro do Brasileirão e Pay Per View


Excepecional a série de postagens no Twitter publicadas pelo jornalista Allan Simon (@allansimon91) relembrando o histórico da questão de contratos de Direitos de Transmissão negociados entre a Rede Globo e os clubes brasileiros após a implosão do Clube dos 13. Segue abaixo a íntegra das publicações de Allan Simon:


Resumirei aqui algumas coisas que tenho falado há semanas em várias plataformas sobre a questão do dinheiro do Brasileirão e PPV. 

1 - A vantagem de Flamengo e Corinthians para os demais não nasceu "ontem" e nem é culpa de um só fator. Nos últimos 11 anos, especialmente. 

2 - Esse vácuo começou a ser produzido quando acabaram com o Clube dos 13 em 2011. Pela primeira vez, teríamos licitação com envelopes fechados e garantia de proposta vencedora sendo a que oferecesse mais. 

3 - O Corinthians, e não o Flamengo, foi quem saiu primeiro do C13.

4 - Curiosamente, o primeiro anúncio oficial de contrato individual com a Globo não foi de nenhum deles. Era óbvio que o Corinthians assinaria, mas o primeiro acordo divulgado foi com o Grêmio. Botafogo e Vasco também tinham saído do Clube dos 13.

5 - O Flamengo só fechou acordo em abril de 2011, mês seguinte à treta toda com a licitação "vencida" pela RedeTV! (concorreu sozinha e ainda perdeu, porque não levou nada).

6 - O Flamengo oficializou seu contrato individual com a Globo quando não só Grêmio e Corinthians, mas também Bahia, Coritiba, Cruzeiro, Goiás, Palmeiras, Santos, Vasco e Vitória já tinham feito isso.

7 - Os tópicos anteriores são bons para contextualizar, mas pouco importa agora quem começou, puxou a fila, etc. O problema é o resultado: a lei da época previa que o direito era dos dois times em campo. Quando a Globo fecha com tantos clubes pesados, todo mundo tem que fechar.

8 - A Globo foi "vítima" dessa própria arma em 2016, quando a Turner chegou cheia de dinheiro e começou a oferecer contratos melhores de TV paga para os clubes. A maioria nem sabia quanto valia o pacote do Sportv, já que o acordo era por todos os direitos.

9 - Reportagens da época mencionavam valores ditos nos bastidores, algo em torno de R$ 100 milhões pelos direitos de TV paga. Não se sabe se era isso mesmo. A Turner oferecia mais de R$ 500 mi só por essa mídia.

10 - A Globo obviamente sentiu o baque de uma concorrência estrangeira. Até então ela vencia facilmente Record, SBT, Band, o que aparecesse por aqui, por causa da sua audiência e alcance, além do poder financeiro.

11 - Com a lei prevendo que o direito era dos dois times em campo, o mais óbvio era fechar com as duas maiores torcidas, Flamengo e Corinthians. Se perdesse para a Turner esses dois clubes, um abraço. Então era óbvio que a Globo teria que fazer algo.

12 - O contexto em 2016 era bem complexo também, porque a Turner não vinha só com grana, mas com mentalidade de ligas europeias na distribuição do dinheiro. Em vez de cotas fixas, como até então na Globo, vinha o modelo 50/25/25 da Premier League.

13 - Nesse modelo, 50% do total pago pela emissora é dividido em parte iguais, 25% vai para a premiação do campeonato escalonando por posição na tabela, e os outros 25% por fatores de audiência. Isso animou muitos clubes e preocupou a Globo.

14 - Para não perder os times para a concorrência, a Globo topou adotar um modelo parecido, que era 40/30/30. A emissora colocou como critério de audiência para o bolo dos 30% o número de jogos transmitidos. E fez uma proposta alta, R$ 1,1 bilhão por TV aberta + TV paga.

15 - Esse modelo faria com Flamengo e Corinthians perdessem a vantagem que eles tinham até então, porque o contrato antigo botava tudo no mesmo balaio, TV aberta, paga e PPV, e quase ninguém sabia quanto valia cada mídia. Esse é o problema.

16 - Para convencer Flamengo e Corinthians, a Globo ofereceu um mínimo garantido para eles. Anos mais tarde eu tive acesso aos valores, eram R$ 120 mi para o Fla e pouco mais de R$ 80 mi para o Timão. Na época a notícia era de que ambos receberiam igualmente. Não foi assim.

17 - Esses valores não foram tirados do nada. A Globo oferecia aos 20 clubes um pacote total de PPV valendo pouco mais de R$ 650 milhões em 2019. Mínimo garantido, tanto faz quanto vendesse. Cada clube receberia o seu percentual de vendas em cima disso.

18 - Lembra que eu publiquei matéria no UOL com percentuais de cada clube? Lembra que o Flamengo tinha 19% das vendas? Agora faça aí as contas. Quanto é 19% de R$ 650 mi? R$ 123,5 milhões. Bem próximo ao valor mínimo que o Flamengo garantiu.

19 - O Corinthians não tem cerca de 12% das vendas? Faça de novo a conta. Quanto dá 12% de R$ 650 mi? Isso mesmo, R$ 78 milhões. Os valores não eram irreais. Era o percentual de cada clube sobre o total do PPV nos mínimos garantidos.

20 - Só que os mínimos garantidos coletivos foram para o espaço quando clubes começaram a pedir adiantamento de cotas para a Globo, que topava antecipar valores em troca de acabar com a cláusula que a obrigava a pagar R$ 650 mi mesmo se não vendesse isso de PPV.

21 - O Grêmio também tem até hoje uma garantia mínima contratual, mas nunca consegui uma fonte segura que me dissesse qual é esse valor. Eu não vi documentos que indiquem isso. Mas sei que existe esse mínimo de PPV.

22 - Quando o Palmeiras fechou com a Globo, em 2019, a garantia mínima já tinha ido para o beleléu. Outros clubes já tinham antecipado receitas. A gestão do Galiotte ainda conseguiu pegar um mínimo garantido de cerca de R$ 80 mi fixos para 2019.

23 - O Athletico Paranaense nunca topou fechar PPV com a Globo também porque sabia que os mínimos não existiam mais. Na ocasião, falava-se no clube negando ganhar R$ 6 milhões por achar pouco. Hoje seria ainda menos que isso pelos motivos dos próximos tópicos.

24 - Em 2019, o mínimo de R$ 650 milhões já não valeu. E as vendas foram abaixo do esperado, o que resultou em arrecadação menor para os clubes que já não tinham mais os mínimos garantidos. Só Flamengo, Corinthians, Palmeiras e Grêmio se deram bem.

25 - Em 2020, veio a pandemia que desgraçou a humanidade e, por consequência, a economia. Paralisação do futebol por quatro meses, queda na renda da população brasileira e crise da TV paga, fizeram o Premiere despencar na base de assinantes.

26 - O resultado: os clubes que não tinham mais mínimos garantidos viram seus percentuais incidindo não mais sobre R$ 650 mi, mas pelo que fosse repassado. Esse valor tem caído e já está na casa de R$ 400 mi esse ano. Com viés de queda. Assinatura do Premiere custa bem menos.

27 - Flamengo, Corinthians e Grêmio, que ainda mantiveram seus mínimos garantido, têm por contrato uma atualização monetária anual com base em um fator que usa a média do IPCA com o IGP-M, dois índices de inflação. Por isso, os valores não só ficaram intactos, como foram repostos

28 - Como eu falei, não sei quanto o Grêmio recebe atualmente (e hoje não faz diferença na conta da Série A, uma vez que o PPV é sua única receita na Série B, não há cota de TV aberta e paga para ele lá). Mas o Flamengo pulou para R$ 160 mi, e o Corinthians para R$ 110 mi.

29 - Esse aumento é apenas reposição de inflação, não se trata de bondade. É contrato. Há essa reposição nos contratos de TV aberta e paga também. O que valia R$ 1,1 bi em 2019 já está passando de R$ 1,5 bi agora. É o dinheiro que vai para o 40/30/30 e todos recebem.

30 - Pense no Brasil de 2019: o preço que você pagava nos alimentos é o mesmo de hoje? Não, era menor. Várias coisas custam mais hoje. É a inflação. O Premiere custa menos, tenta ganhar no volume, mas ainda esbarra na pirataria e na crise econômica. Arrecada menos, portanto.

31 - Quando trazemos a público esses dados, várias discussões puramente clubistas dão o tom. Acusações de parte a parte para não aceitar a real: a diferença de valores no Brasileirão é muito acima do que um campeonato deveria ter para ser mais forte. Mas a culpa é dos clubes.

32 - O Cruzeiro é um que antecipou cotas até 2022 ou 2023, ainda na gestão que levou ao rebaixamento de 2019. Foi uma boa? Não, né? Mas ajudou a matar o mínimo garantido do PPV. Vários fizeram isso. Os torcedores desses times precisam saber que a culpa é de seus dirigentes.

33 - Não tem jeito de continuar assim com uma nova liga, seja a proposta da Libra, que tem Flamengo e Corinthians, seja a do Forte Futebol. Eles vão discordar das contas de cada um, da diferença máxima entre Flamengo e o último, mas do jeito que está não ficará.

34 - Ou melhor: tem sim. Não havendo liga. Se os clubes perderem essa chance histórica e fecharem simplesmente renovações individuais com a Globo em 2025, esse problema vai se eternizando.

35 - Por isso, em vez de ficar com briguinhas no Twitter, os torcedores deveriam focar em exigir dos seus dirigentes que cheguem a um termo em comum para fundar a nova liga. Porque ela fará o Brasileirão valer muito mais. E ajudará a todos os clubes.

36 - O Flamengo não precisa ganhar tanto a mais que o Goiás no PPV, como acontece hoje por causa do fim dos mínimos garantidos. Ele precisa ganhar mais dinheiro em valores nominais, tanto faz quanto o Goiás ganhar, para rivalizar lá fora, jogar de igual para igual sempre.

37 - Esse "ganhar mais dinheiro em valores nominais" virá se houver uma liga com 40 clubes, Série A e Série B, fazendo um processo transparente de venda de todas as propriedades comerciais, e aproveitando a chuva de dólares que está caindo sobre o Brasil. Só ver a Libertadores...

38 - Com um processo transparente de licitação, a Libertadores tem batido recordes de arrecadação em dólar. Vai ter Globo, como os clubes tanto querem, mas vai ter chuva de moeda estrangeira vinda da Disney e da Paramount entre 2023 e 2026.

39 - Sem falar que a liga de clubes não é só sobre direitos de transmissão. É sobre produto. É sobre padronizar gramados, transmissões, calendários, parar com esse festival de mudanças nas tabelas do Brasileirão e fazer o nosso futebol ser mais poderoso no mercado internacional.






quinta-feira, 24 de março de 2022

Flamengo vira dor de cabeça para TV Globo e pode alterar programação da emissora

 
Texto abaixo escrito por Bruno Guedes para o site Mundo Rubro-Negro:

A vitória do Flamengo por 1 a 0 sobre o Vasco no Maracanã, pelo Cariocão, levou a Record TV à liderança da audiência. De acordo com o site Teleguiado, especialista em televisão, a partida teve média de 19,8 (20) pontos contra 11,5 (11) da TV Globo. Os números são referentes à região metropolitana do Rio de Janeiro. A nova derrota voltou a incomodar a direção da emissora carioca.

O índice da concorrente preocupa a TV Globo para as finais do Estadual. No horário do futebol, a emissora carioca vem exibindo The Masked Singer Brasil, um dos programas com melhores audiências do canal. Mas a tentativa de segurar o Ibope não vem dando certo. O canal dos Marinho repetiu a vice-liderança, com a Record em primeiro.

Entretanto, os números mais expressivos vieram do pico de audiência: 23,8 pontos, registrado no segundo tempo do jogo. É um novo recorde, superando 19,5 pontos, do mesmo Flamengo x Vasco, mas na primeira fase do Campeonato Carioca.

Os dados viraram dores de cabeça para a Globo. Sem os direitos de transmissão dos jogos do Cariocão, o canal adotou a estratégia de apostar num público diferente do esportivo. No entanto, vem se mostrando ineficaz e derrubando a audiência do reality e do Domingão com Huck.

O temor da emissora é que seja prévia dos próximos meses. Além do Estadual do Rio, a Globo não poderá exibir a Libertadores. A competição continental segue com o SBT na TV aberta, os canais ESPN no circuito fechado, o Facebook em transmissões pela internet e os serviços de streaming Conmebol TV e Star+.

Flamengo foi a equipe com maior média na audiência do Campeonato Carioca de 2021

Há motivos para a TV Globo estar preocupada com o futebol. No ano de 2021, o Flamengo se consolidou como a maior audiência da Record no Campeonato Carioca. Somando os jogos exibidos, o clube alcançou média de 12,9 durante a competição contra 6 dos rivais. Assim, dos cinco maiores índices, apenas um não foi em partida do Rubro-Negro.

Cada ponto na cidade equivale a 49.809 domicílios e 125.721 indivíduos. Assim, cerca de 1,6 milhão de pessoas assistiram o duelo, em média. Entretanto, como no clássico contra o Botafogo, a Record chegou a ter a liderança no Ibope do Distrito Federal e foi recorde no Rio de Janeiro.







sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Semi-finais da Libertadores 2021: mais uma demonstração da força diferenciada de audiência que tem o Flamengo


Jogo do Flamengo contra o Barcelona de Guayaquil pela semi-final da Copa Libertadores atingiu 15 pontos de audiência e bateu o recorde da TV Paga (por assinatura). A partida transmitida pela Fox Sports bateu o recorde de audiência da TV paga em 2021, marcando 14 pontos de média com ápices de 15 pontos. De acordo com o portal Notícias da TV, o canal do grupo Disney ficou atrás apenas da Rede Globo.

Ao fim do primeiro tempo, a partida alcançou 14 pontos de média, liderando a audiência da TV paga. O SporTV marcava 0,5 pontos com a transmissão de Ponte Preta e Operário pela Série B do Brasileirão. Só neste intervalo, o jogo do Flamengo já era assistido por 2,9 milhões de domicílios.

O recorde de audiência na TV paga em 2021 já era do Flamengo, com a vitória contra o Olímpia, do Paraguai, pelas quartas de final da Libertadores. Naquela oportunidade, a Fox Sports registrou 12 pontos de média com picos de 14.


Apesar do duelo decisivo entre dois brasileiros na outra semi-final, um dia antes, o confronto entre Palmeiras e Atlético Mineiro levou um banho de audiência da Rede Globo, porém garantiu o 2º lugar na grade de programação do horário. O SBT exibiu, com exclusividade na TV Aberta, o primeiro jogo da semi-final da Libertadores, e no horário da transmissão das 21:30h às 23:22h conquistou a vice-liderança absoluta em 10 capitais: Manaus, Distrito Federal, São Paulo, Fortaleza, Goiânia, Rio de Janeiro, Belém, Recife, Florianópolis e Porto Alegre.

Em São Paulo, a transmissão do confronto rendeu ao canal a maior média, com 15,3 pontos, 22,9% de share e 17,2 pontos de pico. O índice foi 82% superior ao registrado pela TV Record, que na mesma faixa de exibição. No mesmo horário, a TV Globo obteve 24,4 com o tripé "Jornal Nacional", novela "Império" e reality "The Masked Singer Brasil". A TV Record obteve 8,3 com o tripé novelas "Gênesis" e "Quando Chama o Coração" e o reality show "A Fazenda 13". Entre 22h47 e 23h25, o SBT marcou o dobro da Record, vencendo por 16,4 a 8,6. Cada ponto de audiência corresponde a 76,5 mil domicílios sintonizados, ou 205.377 telespectadores.

Em Brasília, o SBT incomodou a Globo e alcançou a liderança durante 55 minutos consecutivos, das 22h27 às 23h22. Na média geral da transmissão, das 21h30 às 23h22, Palmeiras e Atlético fechou na vice-liderança com 16,1 pontos de média, 26% de share e 19,3 pontos de pico, o melhor desempenho em audiência da Libertadores no SBT desde a estreia da temporada 2021 da competição sul-americana. O índice foi 220% maior que o registrado pela Record, que ficou com apenas 5 pontos de média. A líder cravou 17,3 pontos de média.

Mesmo com duas equipes de fora do Rio, o SBT também obteve bons índices na capital fluminense, fechando na segunda colocação isolada no Rio de Janeiro ao registrar 9,4 pontos de média, 15% de share e 11 pontos de pico. Índice 25% superior ao registrado pela Record, que marcou 7,5 de média na mesma faixa horária. A Globo ficou com 26,5 pontos de média.

Em Porto Alegre, considerando o horário de bola em campo, das 21h30 às 23h22, o SBT fechou com 51% mais de audiência do que a TV Record. Na média geral, marcou 7,3 pontos de média, 12% de share e 9 pontos de pico. A Globo fechou com apenas 4,8 pontos de média e a líder com 23,8. Em Manaus, o SBT alcançou seu melhor desempenho entre todas as praças aferidas, registrando 20,2 pontos de média. A Globo ficou com apenas 3 pontos de vantagem e fechou com 23,1 e a Record com apenas 5,4 pontos de média. Em Goiânia, a diferença para a Globo também foi pequena: apenas 1,7 ponto separou as duas emissoras. O SBT marcou 13 pontos de média e a líder fechou com 14,7 pontos de média. A Record registrou 9,4 pontos de média. Em Fortaleza, o SBT alcançou 13,5 pontos de média contra 5,6 da Record e 22,6 da Globo. Em Belém, o SBT registrou 9,4 pontos de média, contra 7,6 da Record, com a Globo marcando 25,4 de média. Em Recife, o SBT fez 9,2 pontos de média, com a Record ficando com 6,5 pontos de média e a Globo 21,4. Em Florianópolis, o SBT teve 7,6 pontos de média, a Record marcou 4,3 pontos e a Globo encerrou com 22,9.

Apesar da satisfação interna no SBT por ter desbancado a Record e alcançado a vice-liderança, o resultado não foi bom, pois o jogo Palmeiras x Atlético-MG registrou a pior audiência da história de uma semi-final de Copa Libertadores da América transmitida no Brasil! Uma audiência bem abaixo do que a competição obteve historicamente quando chegou a esta fase. Como parâmetro: no jogo de volta da semi-final de 2020, quando o River Plate venceu ao Palmeiras por 2 a 0, um resultado que classificou os palmeirenses à final, o SBT alcançou 18 pontos de média, com picos de 23, ficando em primeiro lugar durante 40 minutos de jogo.


Para dar outro parâmetro: na semi-final de 2019, por exemplo, entre Flamengo e Grêmio, que terminou com goleada rubro-negra por 5 a 0 no Maracanã, os dados consolidados de audiência da partida representaram grandes números em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Na capital paulista, o jogo marcou 32 pontos de audiência com 48% de participação, marcando o recorde da Libertadores em 2019, inclusive frente aos jogos envolvendo times paulistas. Em Porto Alegre, o jogo obteve 46 pontos e 66% de participação, também recorde na Libertadores em 2019, superando em 2 pontos (5%) a audiência do primeiro jogo da semi-final da Libertadores entre Grêmio e Flamengo. Além disso, foi a maior audiência da Libertadores desde a final entre Grêmio e Lanus em 2017, que registrou 51 pontos.

Na capital fluminense, os índices foram extremamente imponentes: 52 pontos de média, com 55 de pico e 70% de participação. Ou seja, 7 em cada 10 domicílios estavam ligados na partida. Foi a maior audiência histórica de um jogo da Libertadores no Rio de Janeiro, segundo a Rede Globo. A emissora diz que não se tem registro de uma audiência maior em partidas da competição desde 2000, quando foi estabelecido um novo parâmetro de medição de audiência. A audiência da partida se igualou a jogos decisivos da Seleção Brasileira. Foi a média mais alta desde as oitavas de final da Copa do Mundo de 2018, quando Brasil x México marcou 56 pontos no Rio de Janeiro. Excluindo os jogos da seleção, foi a maior audiência em 15 anos, desde que o Flamengo disputou a final da Copa do Brasil contra o Santo André (53 pontos), em 2004.



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sexta-feira, 26 de março de 2021

Flamengo ganha de goleada na audiência da Record TV


Mais uma evidência inquestionável do peso econômico do Flamengo no ecossistema do futebol brasileiro. Se por um lado há todo um movimento organizado de mídia (com seus interesses econômicos próprios) e de interesses daqueles que se esforçam orquestradamente para tentar destronar o Flamengo de seu posto, por outro o vermelho e o preto constantemente se reafirma e prova o seu peso.

No Campeonato Carioca de 2021 a transmissão pela primeira vez em décadas deixou de ser feita pelas Organizações Globo, com a transmissão em TV Aberta sendo feita pela emissora Record, e em TV Fechada pelo canal condicionado a assinatura (pay-per-view) da Claro Net, ademais da estreia da transmissão por streaming da Fla TV+. Sem ter ainda as divulgações dos resultados obtidos pelos outros meios, na TV Aberta o que se constatou logo nas primeiras rodadas foi uma grande goleada rubro-negra sobre os rivais.

Eis a seguir, os dados das transmissões feitas pela Record:


1ª Rodada: Flamengo x Nova Iguaçu, com um time sub-23 rubro-negro em campo
Audiência no Rio: 14,2 pontos com picos de 16 pontos

A estreia do Flamengo fez a Record dobrar sua audiência no Rio de Janeiro. A partida, numa terça-feira a noite, marcou no Rio uma média consolidada de 14,2 pontos de audiência, com picos de 16. Ou seja, até 2,01 milhões de telespectadores foram alcançados pela emissora na Região Metropolitana da capital fluminense. A Globo obteve 34 pontos, e o SBT, 5. Uma semana antes, a Record tinha conseguido um índice de 7 pontos. Isso significa que com o Flamengo teve um crescimento de 102% na sua audiência.

Em Brasília a Record obteve o maior crescimento, marcando 11,9 pontos de média, o canal subiu 126% em relação ao mesmo horário da semana anterior, quando havia alcançado 5,3 pontos. A Globo obteve 22 pontos com as exibições no mesmo horário da novela "A Força do Querer" e do "Big Brother Brasil 2021". O SBT ficou com 2 pontos. Também houve crescimento em Vitória e em Manaus. No Espírito Santo, a Record subiu 64%, indo de 6,8 para 11,1 pontos. No Amazonas, um crescimento mais modesto, porém muito celebrado na emissora: 31% - de 6,6 para 8,7. Porém, a audiência não cresceu seus números em todos os lugares. Em Belém, cidade que costuma dar ótimos índices ao futebol, a partida derrubou a audiência da Record em 42% em relação à semana anterior - de 8,8 para 5,1. Em Goiânia, caiu de 9,9 para 7,7, queda de 22%. Em Salvador, os números quase caíram pela metade, com a Record derrapando de 9,3 para 4,7, uma queda de 49%. Em Curitiba, a Record desceu de 5,9 para 3,0, menos 50% em audiência.

 
2ª Rodada: Vasco x Volta Redonda
Audiência no Rio: 6,3 pontos com picos de 7 pontos

A Record marcou 6 pontos de audiência, com picos de 7, na vitória por 1 a 0 do Volta Redonda sobre o Vasco no sábado a noite. O jogo alcançou até 880 mil telespectadores na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, menos da metade da quantidade de televisores ligados para verem o sub-23 do Flamengo em ação contra o Nova Iguaçu quatro dias antes. Na semana anterior, a audiência da emissora no horário havia sido de 5 pontos na exibição do compacto da novela "Gênesis", um aumento, portanto, de 20%. A Globo liderou o horário com 28 pontos com a novela "A Força do Querer" e com o "Big Brother Brasil 2021". O terceiro lugar ficou com o SBT, que marcou 4 pontos.

 
3ª Rodada: Botafogo x Bangu
Audiência no Rio: 5,7 pontos com picos de 7 pontos

A transmissão da partida entre Botafogo x Bangu numa noite de sábado fez a Record TV alcançar uma média de 6 pontos e 9,4% de share, obtendo o segundo lugar na audiência da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, com um resultado 50% maior do que o terceiro colocado, o SBT. O jogo teve pico de 7 pontos. A emissora registrou um aumento de 63% na audiência do público masculino, 39% nas classes ABC e 24% na faixa-etária de 18 a 49 anos.


4ª Rodada: Fluminense x Bangu
Audiência no Rio: 6,1 pontos com picos de 7 pontos

A transmissão em mais um sábado a noite da vitória do Fluminense sobre o Bangu, a emissora alcançou 6 pontos de audiência com um pico de 7, alcançando a vice-liderança no Rio de Janeiro. O SBT teve 4 pontos, e a Globo 27 pontos, tendo no horário havido as exibições do Jornal Nacional, da novela "Amor de Mãe" e do "Big Brother Brasil". Apesar de ter igualado a audiência de Vasco x Volta Redonda e Bangu x Botafogo, nos dois sábados anteriores, os números ficaram muito atrás da estreia da competição na Record, com Flamengo x Nova Iguaçu, que alcançou 14 pontos de audiência.


5ª Rodada: Flamengo x Botafogo
Audiência no Rio: 15,4 pontos com picos de 18 pontos

Na transmissão pela primeira vez de um dos clássicos locais, na noite de uma quarta-feira, a Record TV bateu seu recorde de audiência. O jogo registrou picos de 17,9 (18) pontos no país e bateu recorde do ano da emissora. Durante toda a partida, o canal permaneceu acima dos 15 pontos, mantendo média superior aos 14 pontos de auge na estreia do Flamengo contra o Nova Iguaçu.

Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, teve 15 pontos de média e picos de 19 entre 21:35h e 23:28h. No mesmo horário, com as exibições da novela "Amor de Mãe" e do filme "Velozes e Furiosos 8", a Globo marcou 23 pontos. A partida alcançou até 2,388 milhões de espectadores só na região metropolitana do Rio. No 1º tempo, a concorrência forte dos capítulos inéditos da novela "Amor de Mãe" na Globo conseguiu manter os números de audiência "globais" em bons patamares, acima dos 30 pontos no Rio. Mas, assim que começou o filme protagonizado por Vin Diesel e Charlize Theron na concorrente, a Record disparou, subindo de 14 para 18 pontos e mantendo-se neste patamar até o fim da etapa inicial. Na média, foram 17 pontos com picos de 18 para a Record contra 27 da Globo e 5 do SBT. No 2º tempo, a Record variou entre 15 e 17 pontos, enquanto o "blockbuster" norte-americano na Globo conseguiu segurar a audiência na casa dos 19 pontos, mantendo a Record atrás no placar com 15 de média.

Em Brasília, o clássico marcou 12 pontos de média contra 13 da TV Globo, que transmitiu o jogo do Campeonato Paulista entre Palmeiras x São Bento, tendo a Record, no entanto, obtido picos de 15 pontos não alcançados pela Globo. A média de audiência somada de todo o Brasil foi de 17,9 pontos. A menor diferença para a Globo foi registrada por volta de 22:20h, quando a audiência ficou em 20,8 x 17,5 em favor da Rede Globo.

Com os bons números, a Record TV focou sua estratégia no Flamengo como a oportunidade de alavancar a audiência do canal. Assim, a transmissão na 6ª rodada voltou a ser de uma partida rubro-Negra, num sábado a noite, em partida na cidade de Bacaxá, vizinha a Saquarema, na Região dos Lagos, com o duelo contra o time local Boavista.


6ª Rodada: Flamengo x Boavista
Audiência no Rio: 9,4 pontos com picos de 12 pontos

O primeiro jogo do Flamengo num sábado à noite na tela da Record elevou a audiência da emissora frente aos sábados anteriores, mas não foi o suficiente para fazer a emissora se aproximar da líder TV Globo em medição de audiência no Rio de Janeiro. O empate por 1 a 1 com o Boavista, a estreia de Gabigol na temporada, teve média de 9 pontos com pico de 12. A Rede Globo concorreu nessa mesma faixa de horário com as apresentações do Jornal Nacional, da novela "Amor de Mãe" e do "BBB 21", obtendo média de 28 pontos. Por outro lado, a Record superou o rendimento da emissora em suas últimas transmissões nos sábados anteriores com Botafogo, Fluminense e Vasco, que ficaram na casa de seis pontos. Além disso, o jogo também serviu para que a Record TV aumentasse sua vantagem sobre o SBT. Seu concorrente em uma já longa disputa pela vice-liderança do Ibope marcou 4 pontos, tendo apresentado no horário à novela "Chiquititas" e ao reality "Bake Off Brasil Celebridades". Em Brasília, onde a Record chegou a liderar o Ibope na quarta-feira anterior com o clássico Flamengo x Botafogo, a audiência da TV Globo também foi mais do que o dobro do que a Record obteve com o Campeonato Carioca: 19 pontos a 7.

Segundo matéria do Portal UOL: "audiência do Carioca despenca após troca de emissoras". Mas há um "porém" a ser feito sobre esta manchete. O UOL faz a comparação da audiência da Record TV no Carioca 2021 com os números obtidos pela Rede Globo no Carioca 2020, constatando que houve uma expressiva queda de audiência. A audiência da Record gira em torno de 41,1%, o que significa um terço de alcance perdido de um ano para o outro.

Em 2020, a Globo não exibiu nenhum jogo do Flamengo no Cariocão (passou todos os jogos na TV Fechada, no canal pay-per-view Premiere), o que aumenta a discrepância no volume de acesso às partidas. Ainda conforme o UOL, no Campeonato Carioca de 2020 a transmissão da Rede Globo alcançou em média a 806 mil domicílios no Rio de Janeiro (sem jogos do Flamengo). Já a Record, em 2021, contabilizando a exibição de partidas rubro-negras, só chegou 498 mil casas do Rio, representando uma queda de 38% de alcance do Estadual. O "porém" a ser feito, é que em 2020 só havia duas opções para se ver as partidas, ou na TV Aberta ou na TV Fechada. Em 2021 além destas duas há uma terceira, já que as partidas estão sendo transmitidas através do streaming, através da Fla TV+.


7ª Rodada: Fluminense x Vasco
Audiência no Rio: 9,2 pontos com picos de 11 pontos

A Record TV transmitiu o clássico entre Fluminense e Vasco na noite de terça-feira, no qual atingiu 9 pontos de média com picos de 11. Líder, a Rede Globo atingiu 36 pontos com as transmissões da novela "Amor de Mãe" e o dia de eliminação no "BBB 21". O SBT ficou em 3º lugar com 3 pontos, com as transmissões da novela "Chiquititas" e do "Programa do Ratinho". Foi o jogo de meio de semana com menor audiência registrada pela Record TV no Carioca 2021, que havia atingido 14 pontos transmitindo Flamengo x Nova Iguaçu, e 16 pontos com Flamengo x Botafogo. Por outro lado, foi a maior audiência em jogos que não envolveram o Flamengo na Record. Historicamente, foi a menor audiência do confronto Fluminense x Vasco no Rio de Janeiro pelo Campeonato Carioca desde 2000. O menor índice de uma transmissão deste clássico na TV Globo antes era de 21 pontos, obtidos duas vezes em 2017. Até 2020, os índices de audiência mais baixos registrados no Rio de Janeiro em partidas do Fluminense tinham sido de 12 pontos em duas partidas disputadas em 2014, e no caso do Vasco, a menor audiência anterior à estreia da Record havia sido de 13 pontos, também em dois jogos realizados em 2014.


8ª Rodada: Fluminense x Macaé
Audiência no Rio: 6,2 pontos com picos de 12 pontos

A vitória do Fluminense por 4 a 0 sobre o Macaé na noite de terça-feira no Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, teve audiência no Rio de Janeiro de 6,2 pontos de média, chegando a 12 pontos de pico e 9% de share na sua totalidade, números que representaram mais de 1,3 milhões de telespectadores ligados. Na mesma faixa de horário, a TV Globo registrou uma média de 42 pontos no Rio com as exibições da novela "Amor de Mãe" e "BBB 21", chegando a 46 pontos de pico nos momentos finais da novela. A Record ficou em 2º com seus 6 pontos e o SBT teve 3 pontos de média.

Para efeito de comparação, em São Paulo na mesma noite também teve futebol na TV Aberta, com o SBT transmitindo o triunfo do Santos por 3 a 1 contra o San Lorenzo, na Argentina, válido pela Copa Libertadores, marcando 6 pontos de média e ápices de 7 pontos, deixando o SBT em 3º lugar na Grande São Paulo, contra 7 pontos de média da Record TV, que exibiu as novelas "Topíssima" e "Gênesis", e 34 pontos da Rede Globo.


9ª Rodada: Botafogo x Volta Redonda
Audiência no Rio: 5,4 pontos com picos de 6 pontos

A partida num sábado a noite poderia ter um apelo um pouco maior uma vez que o Volta Redonda dividia a liderança da Taça Guanabara com o Flamengo, mas a atratividade foi muito baixa, repreentando a pior audiência de até então no Carioca 2021. O empate marcou 5 pontos de média com picos de 6, alcançando até 754 mil telespectadores só no Grande Rio, um número bem ruim para transmissões de futebol na TV brasileira. No mesmo horário, com a exibição de "Chiquititas", "Esquadrão da Moda" e "Bake Off Brasil", o SBT ficou com 4 pontos. A Rede Globo, com o "Jornal Nacional" e a reprise do último capítulo de "Amor de Mãe", obteve 28 pontos.


10ª Rodada: Flamengo x Portuguesa
Audiência no Rio: 11,1 pontos com picos de 13 pontos

A partida do Flamengo bateu o recorde de audiência da Record TV no Campeonato Carioca 2021 para noites de sábado. O empate por 2 a 2 com a Portuguesa na Ilha do Governador, teve o segundo lugar na audiência do Rio de Janeiro, a Record manteve média de 11 pontos com pico de 13, atingindo 647 mil televisores e 1,6 milhão de telespectadores no Grande Rio. A Rede Globo, que exibiu a novela "Império" e o "BBB 21", ficou com 23 pontos de média, e o SBT, que mostrou o "Esquadrão da Moda" e o "Back Off Brasil", anotou 4 pontos.

Para efeito de comparação, três dias depois o Flamengo fez sua estreia na Libertadores com transmissão na TV Aberta feita pelo SBT, e sem exclusividade, pois na TV Fechada a partida foi transmitida pelo canal Fox Sports. A vitória rubro-negra na Argentina marcou 16 pontos de média com picos de 18 na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, tendo no mesmo horário a Rede Globo ficado com 29 pontos com a novela "Império" e o paredão do "BBB21", e a Record TV obtido 7 pontos com "Gênesis", "Topíssima" e o "Cine Record Especial". Com seu jogo de estreia, o SBT conseguiu marcar o mesmo índice que o recorde do Campeonato Carioca 2021 transmitido pela Record. Em Brasília, o jogo do Flamengo cotra o Vélez conseguiu 12 pontos, contra 4 da Record e 22 da TV Globo. Na Fox Sports, o índice medido pelo Ibope nas 15 principais metrópoles do Brasl entre os canais pagos marcou 4 pontos de audiência com picos de 6, tendo no universo da TV por assinatura ficado com o primeiro lugar entre todas as transmissões em canais pagos durante a partida.


11ª Rodada: Fluminense x Madureira
Audiência no Rio: 4,2 pontos com picos de 5 pontos

Na última rodada da Taça Guanabara, a Record deixou de passar a partida entre Flamengo e Volta Redonda na noite de sábado, às 19h, partida que decidia o título do turno, conquistado pelos rubro-negros. Ela preferiu mudar o horário de sua transmissão e passar o duelo entre Fluminense e Madureira às 11h da manhã de domingo. A emissora paulista optou por passar um jogo num "horário de paulista" e pagou o preço por decisão tão estapafúrdia e sem qualquer sentido.

A partida Fluminense x Madureira bateu 4,1 pontos em média, com picos de 5 ao longo da partida. No mesmo horário, o SBT ficou com a segunda colocação no ranking de audiências com o programa "Domingo Legal", somando 6,3 pontos. Com o "Esporte Espetacular" e o começo da sessão de filmes "Temperatura Máxima", a TV Globo marcou 8,5 pontos de média. Dos 11 jogos exibidos pela Record TV na primeira fase de Carioca, 10 ficaram na vice-liderança e somente Fluminense x Madureira ficou com a medalha de bronze.

Nos fins de semanas seguintes seriam disputadas as duas partidas de cada semi-final e as duas da final do campeonato. Para efeito de comparação, na edição de 2020, que teve os direitos de transmissão nas mãos do SBT, a final do Campeonato Carioca fez a emissora atingir 35 pontos de pico no Rio de Janeiro e 15 em São Paulo.


Em resumo da transmissão da Taça Guanabara: só uma partida sem o Flamengo em campo teve mais de 6 pontos de média de audiência: o clássico entre Fluminense e Vasco teve 9 pontos de média. Das partidas transmitidas do Flamengo, só uma deu menos de 11 pontos de média: o jogo contra o Boavista teve 9 pontos de média. Só o Flamengo deu dois dígitos de audiência para a emissora durante a 1ª Fase, nas partidas contra Nova Iguaçu, Botafogo e Portuguesa.



Jogo 1 da Semi-final: Flamengo x Volta Redonda
Audiência no Rio: 13 pontos com picos de 15 pontos

Volta Redonda x Flamengo, primeiro jogo da fase semifinal do Cariocão 2020, garantiu 13 pontos de média e 15 pontos de pico à Record na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Um ponto de audiência equivale a 125.721 telespectadores. Foi a maior audiência da Record TV nas noites de sábado até então em todo o Campeonato Carioca, e a terceira maior em todo o campeonato até então. Durante o período de exibição da partida, a TV Globo - com Jornal Nacional, a novela "Império" e o BBB - liderou a audiência no Rio com uma média de 25 pontos. O SBT, 3º colocado, ficou com 4 pontos de média com as exibições de "Chiquititas", "Esquadrão da Moda" e com o reality show culinário "Mestres da Sabotagem".


Jogo 2 da Semi-final: Flamengo x Volta Redonda
Audiência no Rio: 13 pontos com picos de 14 pontos

A classificação do Flamengo à final do Carioca 2021 voltou a render 13 pontos de média à Record TV, e a emissora bateu com folga ao SBT, que marcou 2,7 pontos, mas não conseguiu incomodar a TV Globo, que amealhou 22,8 pontos com as transmissões do "Jornal Nacional", da novela "Império" e do humorístico "Vai Que Cola". O pico de audiência da transmissão foi de 14,4 pontos, registrado às 21:54h. Nesse minuto, o SBT tinha 2,5 pontos e a Globo tinha 22,8. Antes das tranmissões do futebol carioca, a audiência média da Record TV nestes horários nos sábados a noite era na faixa de 8 pontos, sendo que um ponto de audiência no Rio de Janeiro engloba 49.809 domicílios e 125.721 telespectadores.



Os dois jogos semi-finais renderam as duas maiores audiências da Record em transmissões na noite de sábado, mas ainda ficaram atrás de duas tranmissões, dos jogos do Flamengo contra o Nova Iguaçu, estreia rubro-negra no capeoneto, e do clássico contra o Botafogo. Por escolha da Record, ela não transmitiu os clássicos do Flamengo contra Fluminense e Vasco, que certamente teriam superado todas estas marcas.



Antes da Final do Carioca 2021, a transmissão da Copa Libertadores voltou a dar provas inequívocas de atratividade maior do que o Campeonato Carioca. E o Flamengo mais uma vez provou sua dimensão diferenciada. Os direitos de transmissão da Libertadores 2021 foram adquiridos pelo SBT. Pela 4ª rodada da Fase de Grupos, numa terça-feira a noite, o Flamengo foi ao Chile enfrentar à Unión La Calera, na mesma noite o canal transmitiu para a capital paulista o duelo entre o Palmeiras e o Independiente Del Valle, na altitude de Quito, no Equador. O jogo do Flamengo desbancou a Rede Globo durante mais de 14 minutos no Rio de Janeiro e em Brasília, enquanto na capital paulista o jogo palmeirense ficou em segundo lugar, mas bem distante dos índices de audiência da TV Globo.

No Rio de Janeiro, a partida rubro-negra marcou 19 pontos de média com picos de 23, enquando a TV Globo marcou 27 pontos com as transmissões do "Jornal Nacional", da novela "Império" e da estreia de reality show "No Limite 5". A Record TV obteve 7 pontos com a novela "Gênesis" e os programas "Topíssima" e "Power Couple Brasil". No 1º tempo, o jogo registrou 17 pontos de média com picos de 20, com a Globo tendo 29 e a Record 9 pontos. No momento de pico, por volta das 22:15h, o SBT chegou a 20 pontos contra 30 pontos da Globo. A audiência do Flamengo superou a da Globo no final da partida. A estreia do reality show "No Limite 5" fechou com 25 pontos de média no confronto com o jogo, com o SBT marcando média de 20 pontos com picos de 23. Por volta de 23:10h, o Flamengo assumiu a liderança e só deixou a posição ao fim do jogo, às 23:25h. Para segurar o público, a Rede Globo ficou 45 minutos sem comerciais durante a estreia do reality. No momento de máxima audiência, entre 23:15h e 23:19h, o SBT chegou a 23 pontos contra 20 da Globo. Em Brasília, o Flamengo também liderou por cerca de 20 minutos, entre 23:05h e 23:25h, com o SBT ficando com 15 pontos contra 13 da TV Globo. No jogo inteiro, a Globo marcou 16 pontos de média na capital federal, contra 14 do SBT e 4 da Record.


Jogo 1 da Final: Flamengo x Fluminense
Audiência no Rio: 22 pontos com picos de 25 pontos

Mesmo com a transmissão da final fora dos horários nobres tradicionais do futebol, com o Fla-Flu sendo jogado num sábado a noite, o empate no 1º jogo da Final entre Flamengo e Fluminense deixou a Record TV na liderança da audiência no Rio de Janeiro. A emissora marcou média 20,8 pontos entre 20:58h e 23:00h, contra 20,6 da Globo, que nesse intervalo exibiu três atrações. Excluídos os minutos de pré-jogo, a vantagem cresce sete décimos: 21,3 vs 20,4.

O jogo começou a abrir distância na liderança às 21:35h, quando atingiu 22,1 pontos contra 20,9 da novela "Império". Para segurar o público, a TV Globo estendeu o bloco de abertura da novela o quanto pôde, mas a estratégia não surtiu efeito. Com a entrada do primeiro intervalo, a Record cresceu ainda mais, chegando a 23,9 pontos às 21:49h. A Globo só virou o jogo às 21:54h, quando terminou o 1º tempo e a rival chamou os comerciais. Mas às 22:10h a Record já era líder de novo: 22,1 vs 21,8. A novela, em seus quase 80 minutos no ar, perdeu para o Campeonato Carioca na média de audiência por 21,5 vs 20,7. Durante o humorístico "Vai Que Cola", a vantagem da Record disparou, com a Globo ficando  com 17,4 pontos, contra 24,1 do clássico.

No total, o jogo marcou 22 pontos de média com picos de 25 no horário de bola rolando, entre 21:05h e 22:56h. Neste horário, com as transmissões do "Jornal Ncional", da novela "Império" e do "Vai Que Cola", a Globo ficou com 21 pontos de média. Longe, em terceiro, o SBT marcou 3 pontos de média com os programas "Chiquititas", "Esquadrão da Moda" e "Mestres da Sabotagem". Foi a 1ª vez que o Carioca na Record superou Globo no Ibope. E foi a segunda derrota que o Flamengo impõs à Rede Globo em menos de uma semana. Na terça-feira anterior o jogo rubro-negro na Libertadores deu ao SBT o pico de 23 pontos e venceu por alguns minutos a estreia do reality show "No Limite".

A Record TV também venceu no Distrito Federal, tendo conquistado 13 pontos de média contra 12 da TV Globo em Brasília. Em Belo Horizonte, Recife e Curitiba, a audiência foi de 6 pontos. Em Salvador e Curitiba, 11 pontos. Em Fortaleza, a Record registrou 7 pontos e em Belém a audiência também foi satisfatória, com 12 pontos de média.


Jogo 1 da Taça Rio: Vasco x Botafogo
Audiência no Rio: 8 pontos com picos de 10 pontos

Embora a final da Taça Rio fosse uma mera "decisão de 5º lugar", e mesmo com a Record optando por passar um jogo de Campeonato Carioca num "horário de paulista", como é domingo às 11h da manhã, o jogo entre Vasco e Botafogo ainda rendeu 7,8 pontos de média de audiência no Rio, empatando na média com a Globo, que exibiu o "Esporte Espetacular" e a sessão de filme "Temperatura Máxima". A Record chegou a registrar picos de 10 pontos, vencendo a Globo no 2º tempo por 10 x 7.


Jogo 2 da Taça Rio: Vasco x Botafogo
Audiência no Rio: 9 pontos com picos de 12 pontos

No jogo no sábado a tarde entre Vasco e Botafogo, que foi para a decisão por pênaltis, deu à Record TV uma média de 9 pontos de média, com pico de audiência acontecendo justamente durante a decisão por pênaltis, quando o índice bateu 12 pontos (valores contabilizados para o Estado do Rio de Janeiro). A TV Globo, isolada na liderança, marcou 14 pontos durante o horário, ficando em terceiro lugar o SBT, com 5 pontos.


Jogo 2 da Final: Flamengo x Fluminense
Audiência no Rio: 23 pontos com picos de 30 pontos

Com o Fla-Flu decisivo que deu ao Flamengo o tri-campeonato carioca, na noite de sábado, a partir das 21h, a Record TV bateu uma marca inédita nos índices de audiência, o canal somou 30 pontos de picos e foi a líder de audiência da noite de sábado. A Record somou 23 pontos de média, seu maior índice em todo o Carioca 2021. A Globo, na vice-colocação, teve 20 pontos de média com a novela "Império", e o SBT marcou 2 pontos, em terceiro (valores são referentes ao Estado do Rio de Janeiro).

No final dos 45 minutos iniciais, a emissora já tinha superado a Globo, principalmente após o fim da exibição do "Jornal Nacional" e o início da novela "Império", quando a faixa de horário começou a ser dominada pela Record. Durante o "JN" a Globo teve 22 pontos de média, enquanto a Record mantinha 20 pontos. No 2º tempo, o resultado foi o melhor, com a Record se sustentando sempre próximo aos 30 pontos de pico alcançados.


Consolidado da Record TV no Carioca 2021:

- no total o líder de audiência, com uma média de 15,14 pontos por jogo, foi o Flamengo, que teve 8 partidas transmitidas. Na sequência, o Fluminense, nas 6 partidas que teve transmitidas, teve média de 11,78 pontos, o Botafogo teve média de 8,70 nas suas 5 partidas transmitidas, e o Vasco teve média de 8,13 nas suas 4 partidas tranmitidas. Empilhando os índices e analisando a participação relativa, o Flamengo teve 52% da audiência, enquanto o Fluminense teve 41%, o Botafogo teve 30% e o Vasco teve 28%. Entretanto, estes números são enviesados pela audiência rubro-negra, que teve clássicos contra Fluminnse e Botafogo transmitidos, e não teve Flamengo x Vasco na TV Aberta.

- limpando um pouco os números, para uma comparação mais justa, e excluindo a audiência dos jogos finais, o Flamengo teve 12,68 pontos de audiência média em 6 jogos, contra 8,83 do Botafogo em 3 jogos, 7,75 do Vasco em 2 jogos, e 6,43 do Fluminense em 4 jogos. Novamente, empilhando os índices e analisando a participação relativa, o Flamengo teve 44% da audiência, o Botafogo 31% em 3 jogos, o Vasco 27% em 2 jogos, e o Fluminense 22% em 4 jogos.

- para se ter uma limpeza mais profunda, e eliminar efetivamente qualquer viés, a comparação mais justa e eliminar os clássicos da grade, de forma que a audiência rubro-negra não afete os números das demais. Considerando apenas jogos disputados entre os 4 de maior torcida e clubes de menor expressão, a liderança do Flamengo foi em média de 11,57 pontos de audiência em 3 jogos trasmitidos, seguido pelo Vasco com 6,30 em 1 jogo transmitido, e por Fluminense e Botafogo empatados com 5,5 pontos de média de audiência, tendo os tricolores tido 3 jogos transmitidos e os alvi-negros 2 jogos.  Empilhando os índices e analisando a participação relativa, o Flamengo teve 40% da audiência, seguido pelo Vasco, com 22%, e por Fluminense e Botafogo empatados com 19%. A distribuição é próxima à detectada pela média das últimas pesquisas de tamanho de torcida no Rio de Janeiro, que apontam a torcida do Flamengo sendo de aproximadamente 46%, a do Vasco sendo 17%, Fluminense 13% e Botafogo 11%, havendo cerca de 13% ou de pessoas que não acompanham futebol (11%) ou torcem para clubes ou menores ou de outros estados (2%).


Conclusões:

Muito difícil entender a estratégia da Record TV para o Carioca 2021, sendo incompreensível que a emissora não tenha optado por transmitir mais clássicos, tendo em especial descartado o jogo que certamente lhe daria mais audiência: Flamengo x Vasco. Além de ter ignorado a transmissão do jogo Flamengo x Volta Redonda que definiu o campeão da Taça Guanabara. Por mais que os executivos paulistas desconheçam muito do produto que compraram, um mínimo de conhecimentos gerais sobre futebol já seria suficiente para uma estratégia racional mais bem ajustada.

Se confiavam no futebol para melhorar sua audiência (e bastava avaliar os números obtidos pelo SBT em 2020 e comparar com a audiência de sua grade para saber que havia oportunidade), é incompreensível uma outra estratégia. A não ser que tenha havido qualquer outro objetivo envolvido que não fosse o de obter o máximo de audiência possível, escolher por horários de transmissão fora aos tradicionais construídos ao longo de muitos anos pela TV Globo jamais poderia ser a opção mais acertada. Recém entrando no ônibus, já quiz logo se sentar na janela? Achou que agora sendo a dona do produto, era ela quem mandaria? Grande engano, quem manda no ônibus é a audiência televisiva, os desejos do público, e não nenhuma emissora. A incapacidade de compreender isto certamente lhe custou alguns pontos de audiência.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Lei do Mandante pode estar voltando à pauta


O blog Lei em Campo publicou dois textos muito interessantes sobre o tema. O primeiro texto saiu em 16/02/2021 sob o título "MP do Mandante está de volta à pauta. Especialistas analisam o cenário atual", texto de autoria de Gabriel Coccetrone e reproduzido a seguir:

Os direitos de transmissão do futebol brasileiro deverão voltar às discussões nos próximos dias. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não desistiu de mudar o formato das negociações e deverá publicar em breve uma nova versão da Medida Provisória 984, também conhecida como "MP do Mandante". A informação foi divulgada primeiramente pelo jornalista Jorge Nicola, do Yahoo Esportes, e confirmada pelo Lei em Campo.

Segundo apurou o Lei em Campo com duas fontes, o presidente da República deve cumprir uma promessa feita ao Flamengo após a MP 984 caducar e publicar o novo texto no Diário Oficial da União nos próximos dias. Dessa forma, a lei entrará em vigência pelos próximos 180 dias até que seja votada pela Câmara dos Deputados.

Assinada por Bolsonaro no dia 18 de junho de 2020, o texto da MP 984 buscava mudar as regras de transmissão do futebol brasileiro. Nele, a exibição da partida passava a ser de responsabilidade do mandante do evento, e não mais das duas entidades envolvidas, como prevê a Lei Pelé. A única mudança do novo texto é a inclusão de atletas e árbitros na distribuição percentual dos direitos de transmissão pagos pelas emissoras de TV.

Imediatamente após a publicação, a MP 984 foi muito criticada por pessoas influentes no meio do futebol por conta das articulações políticas envolvendo o presidente Bolsonaro e o presidente flamenguista Rodolfo Landim. Na época, o Flamengo estava sem contrato com a Rede Globo para a transmissão do Campeonato Carioca e, por isso, seria o único clube imediatamente beneficiado pelo texto.

Apesar da grande discussão causada, a MP 984 acabou caducando após não ser votada pela Câmara dos Deputados dentro do tempo estipulado. Uma das especulações é de que o presidente da casa na época, Rodrigo Maia (DEM-RJ), articulou-se com os deputados para que o projeto fosse engavetado devido a desavenças políticas com Bolsonaro.

Agora o cenário é diferente. Com a mudança na presidência da Câmara após a eleição de Arthur Lira (PP-AL), o presidente Jair Bolsonaro está confiante de que conseguirá fazer a nova MP do Mandante triunfar. É preciso esperar, mas tudo leva a crer que um novo texto sobre o tema trará de volta a insegurança jurídica e judicialização do futebol brasileiro.

"Se realmente houver essa MP, é mais uma oportunidade para que o Congresso Nacional discuta um novo marco regulatório para o futebol brasileiro, o único mercado entre os 10 maiores do mundo sem clube empresa e sem liga profissional que organize competições e negocie direitos coletivamente", afirma Pedro Trengrouse, advogado especialista em direito desportivo e professor da FGV.

Insegurança Jurídica
O que se viu algumas semanas após a MP 984 entrar em vigor foi um show de disputas jurídicas e muita insegurança. A Rede Globo, emissora responsável por transmitir a maioria das partidas do Campeonato Brasileiro Série A, travou inúmeras batalhas judiciais com a Turner e principalmente com o Athletico Paranaense.

O clube paranaense, único a não possuir contra de TV aberta com a emissora brasileira, assinou um acordo com a empresa Livemode durante a vigência da MP, para transmitir suas partidas da competição nacional através de seu pay-per-view próprio, o Furacão Play. A Globo reagiu e foi à Justiça para impedir a transmissão, alegando que seu contrato foi assinado com as equipes antes da assinatura da MP do Mandante, e que, portanto, o acordo deveria ser respeitado.

Para Pedro Juncal, advogado especialista em direito desportivo, uma possível segunda edição da MP do Mandante trará novas ações judiciais.

"Há quem acredite que possa gerar insegurança jurídica, pois há clubes que estão sob contrato e exclusividade de transmissão, enquanto outros não estão. Ao meu entender, porém, o contrato apenas faz lei entre as partes, não perpetuando seus efeitos sobre terceiros. Ainda assim, imagino que poderemos ter muitas ações judiciais durante as competições, já que as partes sempre buscarão o melhor para si", avaliou.

"Há uma importante diferença no cenário político de momento em comparação com aquele existente quando da edição da MP 984. Ainda que isso não afaste a possibilidade de litígios (conforme os que se iniciaram em decorrência da MP 984, ou também em função de aspectos formais relacionados à edição dessa possível nova medida provisória), o atual contexto sugere uma maior probabilidade de sua conversão em lei pelo Congresso Nacional", pondera Pedro Mendonça, advogado especialista em direito desportivo e colunista do Lei em Campo.

Reflexos econômicos
Apesar de caducar, a MP 984 trouxe reflexos para o futebol brasileiro. Um deles foi a desvalorização dos direitos de transmissão do Campeonato Carioca. Após a Globo rescindir o contrato em 2020, a TV Record será a nova casa da competição a partir de 2021.

A proposta apresentada pela Record pelos direitos do campeonato estadual foi de R$ 11 milhões (valor total a ser dividido pelos times) em 2021 e outros R$ 15 milhões no ano seguinte. A quantia representa 10% do que era pago pela Globo até o ano passado, que era em torno de R$ 100 milhões se tivesse todos os times.

"Cada vez que o setor público coloca a mão o mercado é reduzido. Esse novo contrato infinitamente menor demonstra que mudanças estruturais não podem misturar interesses individuais. Não há quem pague o que a Globo paga. A questão é que o mandante deveria ter o direito, mas a forma utilizada (através de MP) reduz o nosso mercado", afirma o consultor de marketing Amir Somoggi.

"Continuo achando que não havendo negociação coletiva poderemos ter uma redução e, por outro lado, um potencial crescimento na disparidade de receitas televisas entre os clubes, o que naturalmente pode levar a um maior desequilíbrio competitivo. Acredito que qualquer alteração do direito de arena deva ser realizada com prévia discussão e debate de ambos os lados, os que apoiam e os que não, o que novamente não parece ter ocorrido", analisa Juncal.

Se o ambiente for o mesmo vivenciado pelo o da MP 984, os clubes poderão ter perdas enormes em suas receitas.

"O ambiente criado pela MP, com uma possível judicialização e falta de segurança jurídica dos direitos de TV, pode causar um estrago ainda maior que a própria crise do coronavírus. Segundo estudo recente da Sports Value, as receitas dos Top 20 clubes do Brasil podem cair R$ 2,5 bilhões em 2021 por conta dos impactos da crise. Deste total, os direitos de TV podem representar R$ 500 milhões em perdas de receitas", completa Amir.

Opinião do Blog A NAÇÃO: a comparação feita acima é injusta e errônea, os direitos do Campeonato CArioca não se reduziram a 10% do que era pago em 2020, para esta conta, o texto acima comparou o total pago pela Globo em 2020 por exclusividade de todos os meios de distribuição a todos os clubes e à FERJ com o pagamento individual a cada um dos 4 "grandes" do Rio em 2021 exclusivamente pelos direitos da TV Aberta. A Rede Globo pagava R$ 18 milhões tanto pela TV Aberta quanto pela TV Fechada, e com proibição de vinculação em outras mídias (Streaming), e a Rede Record pagará R$ 11 milhões pela TV Aberta. A TV Fechada está sendo negociada em paralelo com a CLARO/NET, devendo render valores adicionais ainda não divulgados, e ainda há a possibilidade de arrecadação com transmissões de Streaming (Youtube, Facebook, ou outro similar). Portanto, ainda é muito cedo para se afirmar que houve perda coletiva! E ainda que eventualmente haja a curto prazo, na edição 2021, é mais cedo ainda para se afirmar que haverá perda de longo prazo!!

Complementarmente à matéria acima, o blog Lei em Campo também publicou o texto abaixo, sob o título "MP do Mandante: vale a pena ver de novo?",  texto de Pedro Henrique Mendonça publicado em 18/02/2021, e reproduzido abaixo:

Era junho de 2020 quando foi editada pelo governo federal a Medida Provisória nº 984. Na ocasião, vivíamos a primeira onda da pandemia de Covid-19 e as competições de futebol ainda não haviam sido retomadas – a MP foi publicada no mesmo dia em que Flamengo e Bangu reiniciaram o Campeonato Carioca.

Embora o diploma versasse também sobre outros temas, o centro das atenções (e das discussões) foi a alteração do art. 42 da Lei Pelé. Modificava-se substancialmente a lógica dos direitos de arena, que até então eram compartilhados entre as duas equipes que disputavam uma partida e, a partir da redação conferida pela MP 984, passavam a pertencer exclusivamente ao clube mandante. Em outras palavras, a MP permitia que uma partida de futebol pudesse ser transmitida conforme desejado e negociado exclusivamente pelo mandante, independentemente da vontade do visitante. A necessidade de anuência de ambos restringir-se-ia às hipóteses de "eventos desportivos sem definição do mando de jogo".

De plano, a reação de muitos foi de surpresa. Provavelmente pelo fato de que, em meio à pandemia e com os campeonatos paralisados, não se esperava que o Governo Federal fosse apresentar alteração legislativa tão importante para o futebol – devemos lembrar que a cessão de direitos de transmissão representa a principal (ou, na pior hipótese, uma das principais) fonte de receita da maioria absoluta dos clubes brasileiros.

Sob o prisma técnico, a surpresa se deu pela via eleita para promover a alteração legislativa. Ao invés de submeter ao Congresso Nacional um projeto de lei, o Poder Executivo federal optou por legislar via medida provisória, um instrumento (a princípio) excepcional e que deve ser utilizado somente em casos de relevância e urgência, conforme preconiza o art. 62 da Constituição Federal. Conforme exposto acima, não se discute a relevância do tema; mas, afinal, qual era a urgência?

Por isso, ainda que o mérito da alteração à Lei Pelé pudesse ser interessante (e diversos clubes das divisões principais do Campeonato Brasileiro depois se manifestaram favoravelmente à mudança), sua forma suscitou críticas. De um lado, porque a MP não foi precedida por qualquer debate sobre o tema; de outro, pela aparente inconstitucionalidade diante da inobservância dos requisitos para edição de uma medida provisória.

Mas o problema não se esgotou aí. Nos termos do §3º do art. 62 da Constituição, a MP 984 precisaria ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado em até 120 dias para ser convertida em lei e, assim, passar a produzir efeitos de forma definitiva. Ocorre que seu teor não foi sequer apreciado nesse período, tendo a MP caducado; assim, passados os 120 dias, voltou a viger a redação anterior (e novamente atual) do art. 42 da Lei Pelé: "Pertence às entidades de prática desportiva o direito de arena, consistente na prerrogativa exclusiva de negociar, autorizar ou proibir a captação, a fixação, a emissão, a transmissão, a retransmissão ou a reprodução de imagens, por qualquer meio ou processo, de espetáculo desportivo de que participem". Consequentemente, restabeleceu-se o cenário em que não basta a autorização do clube mandante para a transmissão de uma partida; é necessária a anuência de ambos os clubes.

Essas idas e vindas acabaram por gerar insegurança jurídica, e culminaram em litígios judiciais. O grande debate girou em torno da execução de contratos firmados sob um regime jurídico e que se estendem por um período em que a lei passa a preconizar uma nova regra. Assim, por exemplo, estiveram em causa tanto os contratos anteriores à MP 984 (com relação aos efeitos produzidos durante a vigência da MP) quanto aqueles firmados durante o período de vigência da medida provisória (no que tange à produção de efeitos após a MP caducar).

Esta não é a primeira vez em que tratamos da MP 984 por aqui. Em outubro de 2020, abordamos precisamente a insegurança jurídica por ela causada, e sob o mesmo prisma trouxemos à baila também o Projeto de Lei nº 4889/2020. A propósito: ainda que esse PL contenha propostas questionáveis à luz da Constituição Federal, fato é que sob o aspecto formal sua propositura afigura-se mais adequada do que uma medida provisória editada ao arrepio dos requisitos de relevância e/ou urgência estabelecidos pelo art. 62 da Constituição.

Hoje voltamos ao tema e rememoramos o histórico acima exposto diante das recentes notícias que indicam a possível edição de nova MP, para mais uma vez alterar o art. 42 da Lei Pelé e atribuir ao mandante os direitos de arena.

É bem verdade que o cenário político atual é distinto, e sugere uma maior probabilidade de que eventual MP seja convertida em lei. Ainda assim, ao nos depararmos com a possibilidade de sua edição, é impossível deixar de lado os capítulos anteriores dessa novela iniciada com a MP 984 e os efeitos negativos por ela causados: insegurança jurídica, questionamentos quanto à sua inconstitucionalidade, litígios… Nada disso ajuda o futebol brasileiro e os clubes.

A incerteza, a instabilidade e os riscos delas decorrentes atrapalham o planejamento e o estabelecimento de relações comerciais de longo prazo. Justamente por isso, ideal seria que uma nova proposta de alteração do art. 42 da Lei Pelé fosse apresentada por meio de projeto de lei, não via medida provisória. Afinal, se uma nova MP trouxer a reboque todos os riscos que a MP 984 revelou (e, ao menos no que tange à sua constitucionalidade, as chances são consideráveis), uma conclusão parece clara: não vale a pena ver de novo.


quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Um fenômeno: Flamengo tem a 3ª melhor média de audiência em São Paulo no Brasileirão


Em 2019, o UOL já havia destacado, em matéria publicada em 21 de agosto de 2019: "Flamengo vira 'time da Globo' em São Paulo e supera IBOPE de clubes locais".

Relatava a matéria: pela terceira vez em menos de um mês, a Globo transmitiu um jogo do Flamengo teve para o público paulista. Ontem (21), a partida do Rubro-Negro contra o Internacional marcou 25,5 pontos na Grande São Paulo. O desempenho é superior ao confronto de ida entre Palmeiras x Internacional na Copa do Brasil, que teve 23,5 de média em 10 de julho. O resultado também é melhor do que os dois confrontos eliminatórios do São Paulo contra o Bahia, que marcaram 22,7 e 24,4 de média nas duas últimas quartas de maio.


Uma semana depois desta matéria acima, o "Notícias da TV" também destacou que "Flamengo bate Palmeiras e São Paulo e só fica atrás do Corinthians no IBOPE"

O jogo que confirmou a classificação do Flamengo contra o Internacional para as semifinais na Libertadores marcou 28,6 de média na Grande São Paulo na quarta (27). O desempenho é superior a todas as partidas de São Paulo e Palmeiras transmitidas pela Globo no meio de semana neste ano. O duelo mais visto do Tricolor foi contra o Talleres (ARG), com 25,4 de média em 13 de fevereiro; o confronto do Palmeiras com mais ibope foi o da eliminação na Copa do Brasil: 26,9 pontos em 17 de julho O queridinho do torcedor de São Paulo às quartas é mesmo o Corinthians, que conseguiu dar mais audiência do que o Flamengo em jogos contra Ferroviária (28,9) e Chapecoense (28,8). A partida entre clubes com maior audiência na Globo no meio de semana em 2019 é justamente um Flamengo x Corinthians. O confronto pelas oitavas de final da Copa do Brasil, em 4 de junho, marcou 32,9 no Ibope.


Em 2020, o rubro-negro conrinuou a ser o penetra na capital paulista, com a audiência do Flamengo na TV na cidade de São Paulo sendo a terceira melhor em média de audiência no Campeonato Brasileiro.

Relata a matéria publicada em 5 de novembro de 2020 que "com mais jogos exibidos que São Paulo e Santos, o rubro-negro tem a terceira melhor média de audiência do Brasileirão na capital do Estado de São Paulo. No domingo (01/11), o Flamengo amargou uma traumática derrota para o São Paulo, dentro do Maracanã. Mas, em termos de IBOPE, a goleada sofrida por 4 a 1 reforçou um número que dá a dimensão da força da Nação Rubro-Negra na capital paulista. Com 22 pontos de audiência, o "Mais Querido do Brasil" alcançou o terceiro lugar no ranking de média de audiência no Brasileirão na cidade.

Os dados são referentes à TV Globo, detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Em 2020, foram 5 jogos do clube carioca transmitidos para São Paulo. Quatro deles foram os confrontos contra os grandes do Estado. Dentre eles, a maior audiência foi no duelo das maiores torcidas do país: 23 pontos para a vitória do Flamengo por 5 a 1 para cima do Corinthians.

O último jogo do primeiro turno, contra o São Paulo, marcou 22 pontos. Contra o Palmeiras, no Allianz Parque, o fato dos visitantes estarem cheios de garotos no time titular não derrubou a audiência: 19 pontos de audiência para o empate em 1 a 1. Já o triunfo contra o Santos, na Vila Belmiro, por 1 a 0, registrou 18.

A única partida do Fla transmitida para a Grande São Paulo que não tinha uma equipe do estado foi na primeira rodada. Na ocasião, a intenção da TV Globo era levar para seus telespectadores o jogo entre Goiás x São Paulo. Mas, por conta de um surto de Covid-19 no elenco esmeraldino, a emissora improvisou de última hora e decidiu passar o clássico entre Flamengo x Atlético Mineiro. A transmissão alcançou 16 pontos.

É boa a média de audiência também na Libertadores. Não foi somente no maior torneio de futebol do país que o Flamengo conseguiu excelentes números. O primeiro desafio do rubro-negro na Libertadores contra o Junior (COL), em Barranquilla, também foi televisionado para os paulistas. A vitória por 2 a 1 obteve 24 pontos de audiência.

Para efeito de comparação, o jogo do São Paulo contra a LDU, pela 2ª rodada da mesma competição, registrou apenas 1,5 pontos a mais. Enquanto Corinthians x Fortaleza, o jogo de maior audiência na TV Globo São Paulo no Brasileirão, alcançou 27 pontos. Lembrando que a TV Globo só transmitiu as duas primeiras rodadas da Copa Libertadores, por ter rescindido seu contrato com a CONMEBOL.

É bom ressaltar que não está sendo apenas em 2020 que o Flamengo tem conseguido boas audiências na Grande São Paulo. Desde 2019, o clube carioca tem feito sucesso com os telespectadores paulistas. A comprovação disso vem através dos números gerais de IBOPE. Em 2019, o Flamengo ficou atrás apenas do Corinthians no ranking de médias de audiência em São Paulo. Foram 16 jogos transmitidos por lá, que registraram uma média de 26,9 pontos, apenas quatro décimos atrás do time do Parque São Jorge. O Tricolor do Morumbi, assim como em 2020, ficou atrás do "Mais Querido", na terceira colocação da lista. A diferença foi de 2,8 décimos.

E o destaque, é claro, fica para a final da Libertadores, transmitida para todo o Brasil. O jogo, que marcou a conquista do bicampeonato da Libertadores pelo Flamengo, registrou 32 pontos. Tal número foi maior que o de duas finais de Copa do Mundo (2010 e 2014). Um número impressionante na virada épica do Flamengo para cima do River Plate, que teve alcançou audiência histórica em São Paulo.

Além disso, há uma outra estatística de respeito relacionada à decisão entre Flamengo e River Plate: 51% dos televisores ligados em São Paulo naquela faixa de horário estavam sintonizados na partida. Nem a derrota para o Liverpool na final do Mundial de Clubes, com 26 pontos, registrou números tão expressivos.

Ao todo, foram 16 jogos do Flamengo exibidos pela maior emissora do país em São Paulo. Todos eles válidos por torneios nacionais (Copa do Brasil e Brasileirão) e internacionais (Libertadores e Mundial de Clubes).


sábado, 26 de setembro de 2020

A Quebra de Monopólio da Rede Globo: parecer do CADE

O CADE - Conselho Administrativo de Defesa Econômica - se manifestou sobre a situação especificamente enfrentada pelo Flamengo durante o Campeonato Carioca de 2020 no que tange à negociação de televisionamento, e deu um importante parecer, que tem implicações, ao menos deveria ter, para a discussão no Congreso Nacional sobre o texto da Medida Provisória 984.

Segue abaixo uma matéria publicada pela CNN Brasil sobre esta manifestação: "Cade instaura inquérito sobre direitos de transmissão do futebol".

"O CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) instaurou inquérito para examinar possível monopólio nos direitos de transmissão do futebol brasileiro. Para o órgão, as práticas seguidas pela TV Globo poderiam ser enquadradas como monopolistas por uma série de fatores.

A Nota Técnica do Cade, a que a CNN teve acesso, diferencia exclusividade de monopólio e faz uma relação com o futebol. Segundo o documento, "exclusividade consiste em atributo do contrato firmado entre emissora e clubes que garante que o clube não cederá os direitos de transmissão de suas partidas para nenhuma outra rede de televisão. Trata-se, portanto, de uma cláusula contratual que obriga as partes nos limites definidos pelo ordenamento jurídico no que tange à existência, validade e eficácia das obrigações".

Já monopólio "diz respeito a um conceito das ciências jurídicas e econômicas que denomina uma estrutura de mercado em que há oferta de determinado bem por um único agente". Segundo o relatório do CADE, exclusividade não implica em monopólio. Ou seja, o direito de ter exclusividade para determinado campeonato ou jogos não pode gerar a formação de um monopólio.

O CADE dá alguns exemplos de práticas da Rede Globo que poderiam ser entendidas como monopolistas. No Campeonato Carioca, a emissora possuía contrato com todas as equipes, exceto com o Flamengo. Pela legislação brasileira, um clube só pode vender os direitos de transmissão de seu jogo caso o adversário também tenha contrato com a mesma emissora. Ou seja, na prática, o Flamengo perdeu os direitos sobre seus jogos, já que enfrentaria um clube com contrato com a Rede Globo.

Para o CADE, isso estaria "impedindo que o clube decidisse, de forma autônoma, a negociação de seus jogos, a regra da concordância possibilitava a instituição de monopólios de fato nos campeonatos de futebol".

Outra característica desses contratos têm sido a longa duração e um número elevado de jogos contratados. Para o Cade, isso "pode levar ao fechamento de mercado".

Assim, "as características do mercado de transmissão de jogos de futebol – com poucos agentes econômicos e marcado pela clara existência de posição dominante – podem desvirtuar o paradigma de ‘competição no mercado’ por uma competição 'pelo mercado', sobretudo no caso de negociação de campeonatos inteiros".

Os poucos concorrentes neste mercado ainda têm que enfrentar ações judiciais que prejudicam seus negócios. É o caso das ações judiciais que a Globo entrou contra o Grupo Turner, sua única concorrente pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro no país.

A Globo acionou judicialmente a concorrente para que esta não tenha o direito de transmitir jogos em que os mandantes tenham contrato com a Turner, mas os visitantes tenham firmado compromisso com a TV.

A exigência fere proposta feita pela Medida Provisória 984/2020, a chamada Lei do Mandante, segundo a qual, os clubes mandantes teriam os direitos de transmissão de seus jogos, independentemente do contrato assinado pelos visitantes. Essa medida limitou ainda mais o número de jogos transmitidos pela Turner.

Para os clubes que assinaram com a concorrente, também há uma pressão econômica. Segundo o documento do CADE, a Globo "estaria impondo preços diferentes para aqueles clubes que tivessem contratos com outras emissoras".

Ou seja, se uma equipe tiver firmado compromisso com algum concorrente, em qualquer plataforma (TV aberta, TV fechada, PPV ou streaming), o Grupo Globo ofereceria um valor menor do que é pago aos outros times. Para o Cade, a medida pode caracterizar diversas infrações.

É uma transgressão à ordem econômica "discriminar adquirentes ou fornecedores de bens ou serviços por meio da fixação diferenciada de preços, ou de condições operacionais de venda ou prestação de serviços".

Além disso, a empresa que detém posição dominante no mercado não pode "induzir comportamentos de fornecedores, produtores, consumidores etc. capazes de causar prejuízo aos seus concorrentes".

Para o CADE, essa prática foi feita pela Globo ao oferecer valores menores para adquirir transmissão de jogos na TV aberta e PPV (pay-per-view). Com isso, o canal hegemônico no futebol “induz os clubes a não negociarem com outras emissoras, seja para produtos de interesse da Globo ou mesmo para aqueles que a empresa não pretenda adquirir”.

O próprio documento esclarece que essa denúncia foi feita por apenas um clube e que são necessárias investigações complementares para relatar se tal prática da emissora é generalizada com outras equipes.