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quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Hall da Fama do C.R. Flamengo: JÚNIOR


JÚNIOR: o Maestro de Pele Rubro-Negra

Carreira: 1974-1984 Flamengo; 1984-1987 Torino (Itália); 1987-1989 Pescara (Itália); 1989-1993 Flamengo

O jogador de futebol que mais vezes vestiu a camisa do Flamengo em toda a história! E títulos, foram vários: 6 vezes Campeão Carioca, 4 vezes Campeão Brasileiro, Campeão da Copa do Brasil, Campeão da Libertores da América e do Mundial Interclubes.

Como jogador do Flamengo, ele fez 876 jogos e marcou 73 gols. Como técnico do Flamengo foram outros 76 jogos. Entre jogador e técnico, somou, portanto, 952 partidas! Treinou ao Flamengo em 1993-94 (53 jogos) e em 1997 (23 jogos). Ainda foi Diretor de Futebol do clube em 2004.


Abaixo, a combinação de vários textos sobre a carreira do jogador, os principais deles foram os textos escritos por Leonardo Sacco no site "Calciopedia", o do site "Imortais do Futebol", e o escrito por Cláudio Sampaio para o site "Coluna do Fla":

Leovegildo Lins da Gama Júnior nasceu em João Pessoa, capital da Paraíba, no dia 29 de junho de 1954. Filho de um empresário, migrou para o Rio de Janeiro quando tinha entre 5 e 6 anos de idade porque o seu pai, dono de uma fábrica de mosaico (azulejos e pisos), decidiu tentar a sorte e explorar um mercado consumidor maior.

Testemunha Júnior: "saí muito pequeno de João Pessoa, guardo poucas lembranças de minha terra. Recordo-me, mais ou menos, da fazenda do Tio Américo, casado com a irmã de minha saudosa Avó Adiza. Naquela grande propriedade eram realizadas as tradicionais festas juninas, com fogueiras altas, quentões, milho assado". As lembranças de infância são mais vivas em Copacabana: "as lembranças são deveras muito mais claras, como as brincadeiras de rua: "polícia e ladrão", "pique-bandeira", "garrafão", "carniça" e, principalmente, as "peladas" na Rua Domingos Ferreira, na área interna do 32, bem espaçosa, aliás, para servir de nosso campinho".

A relação com o futebol começou a ganhar outra proporção nas areias da Praia de Copacabana. Lembra Júnior: "o meu irmão mais velho já ia à praia, jogava futebol de areia no Juventus (tradicional time da praia nos Anos 1970) e depois ele começou a jogar vôlei. Eu tinha 8 anos e ele tinha 10. Ele começou a jogar no mirim e eu fui atrás quando tinha idade. A praia representou para mim a descoberta da diversão. E quem mora perto da praia não tem como não se envolver com isso".

Depois, já entre os 13 e os 14 anos, ele jogou os primeiros torneios de futebol de areia pelo Juventus, desde a categoria mirim até ao primeiro time de adultos. Quando tinha 14 anos, jogou futebol de salão contra o time federado da Primeira Divisão do Campeonato Carioca de Futebol de Salão, o Clube Sírio e Libanês, do bairro de Botafogo. Diante de sua boa atuação, foi convidado ao final da partida para fazer parte do time infantil do clube. O futebol de salão no Sírio e Libanês, sob a orientação técnica do professor Orozimbo - um profundo conhecedor do assunto - exigia muita disciplina e empenho de todos os jogadores e foi muito importante. Pelas próprias palavras de Júnior: "obtive ali a base de quase toda minha técnica desenvolvida mais tarde no futebol de campo". Em seguida ele ainda passou pelo Centro Israelita Brasileiro. E paralelamente ao futebol de salão, ele nunca deixou de praticar também o futebol de praia no Juventus, esta sim a grande paixão de sua vida. Aos 16 anos, já jogava no time de adultos do Juventus e tinha alguns privilégios com o Tião e o Neném Prancha, que comandavam a equipe. Ao final dos treinos na praia, ganhava um sanduíche e um refrigerante. Nos dias de jogos, as beiras do campo na praia ficavam tomadas de gente. Era um grande evento popular nas areias.

Durante a sua adolescência, Júnior era torcedor fanático do Fluminense, ele não perdia uma única partida do clube. Do futebol de praia para o futebol de salão, e dos clubes de bairro, foi encaminhado para testes no Fluminense e no América, mas onde ficou mesmo durante um tempo foi no juvenil do Botafogo. Acabou dispensado e quase desistiu. Mas tanto o futebol de campo quanto o Flamengo entraram em sua vida meio que por acaso. Atleta amador de futebol de areia, seu sonho era mesmo ser veterinário. E só não se formou em administração por causa do futebol.

Conta Leovegildo Júnior: "na verdade, eu não gostava de jogar futebol de campo porque as chuteiras me machucavam os pés, joguei muito tempo futebol de salão e não estava nem mais querendo jogar futebol, eu estava fazendo vestibular. Foi quando um amigo do meu tio-avô, que era amigo do Bria do Flamengo, falou: 'pô vamos lá treinar'. Eu não estava muito a fim, eu fui mais para agradar aos dois coroas, eu já tinha 19 anos. Sempre é aquela história de um dia você querer jogar futebol. Eu desde muleque gostaria, mas em questão de tudo que vinha acontecendo, eu nunca viajei muito nesta história, sempre fui pés no chão, eu venho de uma família de uma classe diferente de tudo o que é jogador de futebol, sempre tive praticamente tudo o que eu quis, estudei em bons colégios, a minha mãe, a Dona Wilma, a única coisa que ela me disse foi o seguinte: 'tudo bem, você vai jogar, mas a escola é a prioridade'. Então eu nunca me deixei muito me levar por este entusiasmo, claro quando as coisas começaram a tomar uma dimensão e uma proporção que eu poderia me tornar e viver do futebol, aí a coisa passou a ser completamente diferente. Passei a me dedicar muito mais como se fosse um profissional, porque eu joguei só um ano de categoria de base, no outro ano eu fui para o profissional e em dezembro de 74 eu já era campeão carioca e a revelação, então a minha vida deu uma reviravolta praticamente em um ano e meio".

Júnior fez vestibular para veterinária e por muito pouco não se dedicou exclusivamente à universidade. Quando começou a jogar no Flamengo, mudou a carreira universitária e fez vestibular para administração de empresas, entrando na Faculdade Cândido Mendes, cursando até o segundo ano. Nas palavras do Maestro: "era o único curso que tinha condição de eu fazer, por eu estar jogando, qualquer outro curso que eu ia fazer era período integral; para jogar futebol eu tinha um certo limite de idade, pra estudar eu tinha a vida inteira".

O então técnico da base do Flamengo, o paraguaio Modesto Bria, observou ao ambidestro Júnior nos testes e o aprovou. A habilidade e a visão de jogo apuradas fizeram com que o lateral fosse aceito. Júnior começou a jogar como volante nos juvenis (sub-20) do Flamengo, mas lhe recomendaram a lateral, que era uma posição menos disputada. Ele topou.

Jogou apenas um ano nas categorias de base e teve sua primeira oportunidade entre os profissionais. Atuando como lateral-direito, estreou na equipe profissional em 1974 no empate em 2 a 2 contra o Operário de Campo Grande, entrando no lugar de Humberto Monteiro. Não demorou muito para o jovem de cabelão "black power" conseguir um lugar entre os titulares e ser um dos destaques do time na reta final do Campeonato Carioca daquele ano, principalmente depois de anotar dois gols na vitória sobre o América que valeu ao Flamengo o gás necessário para arrancar para o título: Campeão Carioca de 1974. Entre os companheiros, Júnior ganhou o apelido de "Capacete", exatamente em razão do corte de cabelo que usava.

Dois anos após sua profissionalização, uma mudança definitiva marcaria sua carreira. Após o Flamengo acertar a contratação de Toninho Baiano para a lateral-direita, o treinador Cláudio Coutinho improvisou Júnior na lateral-esquerda e nesta posição ele se mostrou um jogador muito mais útil ao time. Ambidestro e com uma técnica diferenciada, passou a ser um jogador muito mais útil ao time naquele lado do campo. A rápida adaptação à nova posição consagrou ao atleta como uma peça versátil, tornando-o - ainda jovem, com apenas 22 anos - um jogador essencial para o time. Júnior era um destro nato. Para se adaptar melhor à posição, passou a frequentar o paredão de madeira da Gávea, que servia para os jogadores aperfeiçoarem seus fundamentos. Nele, o jovem só chutava cruzamentos com a perna esquerda até ficar craque no assunto.

Um lateral que mostrava extrema facilidade de defender e apoiar, com bons passes e cruzamentos. A perna esquerda cobrava faltas impecáveis, realizava cruzamentos impressionantes e marcava gols estrondosos. Pela lateral-esquerda, tornou-se o melhor e mais completo jogador brasileiro na posição depois de Nilton Santos.

Já em 1976 seu desempenho o levou à sua primeira convocação para a Seleção Brasileira, nos Jogos Olímpicos de Montreal. Apesar da boa fase no Flamengo e da experiência adquirida nas Olimpíadas, Júnior não foi lembrado por Cláudio Coutinho para a Copa do Mundo de 1978. Foi só a partir de 1979 que Júnior começou a ser presença constante nas convocações da Seleção Brasileira principal. O craque já havia sido lembrado em convocações da equipe amadora em 1976, e em uma partida amistosa contra o Internacional no mesmo ano. Mas seria na década de 80 que o craque se transformaria, enfim, em um jogador incontestável. E vencedor. Com a camisa rubro-negra, ele estava prestes a iniciar uma fase espetacular: Tri-Campeão Carioca em 1978, 1979.I e 1979.II, Campeão Brasileiro de 1980, Campeão da Copa Libertadores da América e do Mundial Interclubes de 1981. Júnior vivia seu apogeu físico e técnico. Apesar de gostar muito de um samba e de apreciar uma cerveja gelada, o que sempre fez na hora adequada, ele era um profissional extremamente dedicado.

Em 1980, Júnior venceu o primeiro grande título de sua carreira e que serviu como trampolim para ele e o Flamengo iniciarem uma dinastia fenomenal: o Campeonato Brasileiro. Na decisão daquele ano, o time rubro-negro fez dois jogos alucinantes contra o fortíssimo Atlético Mineiro de Reinaldo, Luizinho, Toninho Cerezo e Éder. Na finalíssima, em um Maracanã lotado, venceu por 3 a 2 e ficou com a taça. Dali em diante, a equipe só colecionou títulos. Em 1981, três taças: o Carioca, a Libertadores e o Mundial.


Jogando muito, ganhou vários prêmios: incluindo um 3º lugar na eleição do jornal "El Mundo" de Melhor Jogador da América do Sul em 1981 - atrás apenas de Zico e Maradona, e a frente de Passarella, Falcão, Sócrates e Figueroa - e de maior lateral-esquerdo do planeta na época. Júnior virou uma unanimidade na Seleção Brasileira comandada por Telê Santana que era tida como favorita para a Copa do Mundo de 1982; ainda mais depois de bater a Inglaterra, França e Alemanha em uma excursão pelo Velho Continente. Campeão de tudo pelo Flamengo, só faltava mesmo um título com a camisa amarela para coroar de vez a carreira do craque.

Antes da Copa, Júnior - amante da música e do samba - lançou um disco compacto com músicas que refletiam a Seleção Brasileira. Uma delas era a canção "Voa Canarinho", que reuniu vários atletas cantando-a, e rapidamente se tornou o hino oficial daquele time no Mundial. O disco foi um dos mais tocados do ano e chegou a vender cerca de 200 mil cópias em seis meses. A música cujo título verdadeiro era "Povo Feliz", e acabou ficando conhecida como "Voa Canarinho", trazia na letra: "Voa, canarinho, voa / Mostra pra esse povo que és um rei / Voa, canarinho, voa / Mostra na Espanha o que eu já sei / Verde, amarelo, azul e branco / Forma o pavilhão do meu país / O verde toma conta do meu canto / O amarelo, azul e branco / Fazem o meu povo feliz / E o meu povo toma conta do cenário / Faz vibrar o meu canário / Enaltece o que ele faz / Bola rolando e o mundo se encantando / Com a galera delirando / Tô aí e quero mais / Quero mais / Quero mais".

Porém, todo aquele show não duraria muito. Após fazer partidas irresistíveis na primeira fase do Mundial e vencer à Argentina de Maradona por 3 a 1 já na segunda fase, com direito a gol e "sambadinha" de Júnior para a torcida, a Seleção Brasileira perdeu para a Itália de Paolo Rossi por 3 a 2 nas quartas de final, dando adeus ao sonho do título. Aquela foi uma enorme decepção para Júnior, que perdia a chance de ser campeão do mundo no auge de sua carreira, assim como seus colegas de Flamengo que integravam o time titular (Leandro e Zico) e os outros craques que compunham aquele timaço canarinho (Luizinho, Oscar, Falcão, Toninho Cerezo, Sócrates e Éder). Mesmo sem a taça, Júnior foi eleito pela FIFA o melhor lateral-esquerdo daquela Copa do Mundo. Reconhecido como um dos melhores times de futebol de todos os tempos mesmo com a inesquecível eliminação para a Itália de Paolo Rossi, o esquadrão canarinho tinha em Júnior uma arma fundamental para a troca de bola precisa e veloz que encantou ao planeta.

Para esquecer a decepção com a seleção, o Flamengo vivia sua Era de Ouro e não parava de conquistar títulos: Campeão Brasileiro em 1982 e em 1983. Além das taças, o que mais ficou marcado foi a qualidade do futebol apresentado pelo time, que entrou para a história com um dos maiores esquadrões de todos os tempos no futebol mundial.

A fama conquistada em campo, somada aos títulos cariocas, brasileiros e internacionais, chamou a atenção do mercado europeu e seus pagamentos muito maiores do que os vistos no Brasil. Foi assim que em 1984 Júnior deixou o Flamengo para tentar reproduzir na Europa o sucesso que obtivera no futebol brasileiro. Zico havia ido alguns meses antes, e Júnior havia passado a ocupar uma posição no meio de campo rubro-negro. No Mundialito de Clubes de 1983, contra Internazionale, Milan, Peñarol e Juventus, que acabou campeã, deixando o time rubro-negro - já sem o "Galinho de Quintino" - com o vice-campeonato.

Por aproximadamente 2 milhões de dólares, o Torino adquiriu o lateral brasileiro, de 30 anos, para ser a principal peça de seu time. Na campanha que rendeu ao time de Turim o vice-campeonato italiano – o scudetto daquela temporada iria para o Hellas Verona, que tinha como destaques ao alemão Briegel, ao dinamarquês Elkjaer e ao italiano Di Gennaro - o jogador pediu para ser deslocado para atuar mais avançado, preservando-se mais para poder continuar sua carreira por mais tempo.

Assim, Júnior – ou Léo Júnior, como era conhecido na Itália – começou sua trajetória no futebol italiano jogando como meio-campista. A mudança deu certo: aliando a velocidade para atuar pelas pontas, que os anos na lateral lhe deram, com sua visão de jogo acima do comum, Júnior foi eleito o melhor jogador da temporada granata. O brasileiro também marcou sete gols e foi, ao lado do meio-campista Giuseppe Dossena, o arquiteto do time treinado por Luigi Radice, que quase retomou as glórias de um clube que havia dominado o futebol italiano na década de 1940. Com a camisa 5, foi eleito o melhor jogador do campeonato numa época em que brilhavam astros como Maradona, Platini, Rummenigge, Falcão e Zico pelos gramados italianos. O time por pouco não faturou o scudetto. Em 30 partidas, o Torino obteve 14 vitórias, 11 empates e apenas 5 derrotas, quatro pontos a menos que o campeão Verona. Rapidamente, o craque virou ídolo da torcida do Torino.

O primeiro ano de Júnior na Itália, apesar da idolatria da torcida granata, teve também algumas turbulências sérias. O então meio-campista sofreu em duas oportunidades com o preconceito de torcidas rivais. O primeiro caso aconteceu em um duelo contra o Milan, no qual foi insultado pela torcida rival durante toda a partida no Estádio San Siro, sendo ainda alvo de mais xingamentos e cusparadas quando saía do estádio ao lado de seus familiares. Em outra ocasião, sofreu com torcedores da Juventus que levaram ao dérbi faixas ofensivas ao jogador, mencionando principalmente a cor de sua pele. Como resposta, a torcida do Torino tentou fazer sua parte e levou cartazes de apoio. Esses, porém, ainda continham um certo cunho racista nos dizeres "Melhor negro do que juventino". Preconceitos a parte, Júnior manteve seu futebol de alto nível em seu segundo ano na Itália, sendo a principal peça de um Torino que chegou ao quarto lugar da Serie A. A idade, porém, chegava, e começava a ser sentida.

O técnico da Seleção Brasileira Telê Santana o convocou para a Copa do Mundo de 1986, na qual levou ao México a geração de 1982 envelhecida e alguns reforços mais jovens. Assim como no Torino, Júnior foi escalado no meio por Telê. Voltou a cair com a equipe canarinho nas quartas de final, o algoz da vez foi a França de Platini, que eliminou ao Brasil nos pênaltis.

Após a Copa, voltou ao Belpaese para fazer aquela que seria sua última temporada pelos granata. A queda de rendimento do jogador, já com 32 anos, e os desentendimentos com o técnico Radice – a quem Júnior chamou de egoísta, por não reconhecer erros – foram essenciais para que ele não fosse mais utilizado com frequência em um Torino que terminou o campeonato daquele ano em uma modesta décima colocação. Júnior, porém, continuou na Itália. Saiu do Torino para se apresentar ao Pescara, equipe que, sob o comando do histórico técnico Giovanni Galeone, havia acabado de subir para a Serie A.

Os "golfinhos do Abruzzo" viam no jogador brasileiro a peça ideal para dar experiência necessária a um time que teria que lutar muito para se manter na Serie A. Capitão do Pescara, com todo o seu grande carisma, o brasileiro ainda mantinha um programa na TV local chamado "Brasi… Leo", onde falava de futebol, mas também de música, uma de suas grandes paixões. Ele foi o primeiro estrangeiro na história a vestir a camisa do Pescara. Atuando ainda como meio-campo, mas sem contar com a velocidade que lhe era característica, livrou os "azzurri" do rebaixamento apenas nas últimas rodadas, permanecendo no clube por mais uma temporada. Em seu último ano, não resistiu à falta de qualidade do time, que voltou à Serie B – por coincidência, a queda da equipe de Júnior aconteceu no mesmo ano em que o Torino foi rebaixado. No entanto, Júnior foi eleito o segundo melhor estrangeiro da Serie A, ficando à frente de nomes como Careca, Gullit, Rijkaard, Van Basten e Maradona, perdendo apenas para Lottar Matthaus, que levou a Internazionale a um scudetto cheio de recordes.

Apesar de plenamente adaptado à Europa, com ótimo salário e perspectivas de permanência, Júnior - sensível a um pedido de seu então pequeno filho Rodrigo (o Digo Gama, que nos Anos 2000 vestiu a camisa da Seleção Brasileira de Beach Soccer) que gostaria de vê-lo jogar no Maracanã - cedeu ao coração e retornou ao "Mais Querido do Brasil" em 1989 para jogar ao lado de Zico, que naquele mesmo ano decidiria por sua aposentadoria. Mas por uma última temporada, Zico e Júnior vestiram vermelho e preto juntos.

Com visíveis cabelos brancos, muitos duvidaram da capacidade de Júnior em sua volta ao Brasil. Vestiu vermelho e preto de 1989 a 1993. O recomeço em 89 foi difícil, tendo inclusive sido testado durante algumas partidas como zagueiro. Mas depois as coisas se arrumaram, e nesse período ele foi Campeão da Copa do Brasil de 1990, do Campeonato Carioca de 1991 e do Campeonato Brasileiro de 1992, o quarto de sua carreira e quinto da história do Flamengo. O agora veterano Júnior além de ter que ser decisivo dentro das quatro linhas, tinha que capitanear uma promissora geração de "bad boys" egressada das divisões de base, que tinha Júnior Baiano, Djalminha, Marcelinho Carioca, Nélio, Paulo Nunes, Fabinho, Fábio Augusto e Luís Antônio. Revelou então o traço que gravou definitivamente seu nome na história eterna do Mengão: a maestria. O outrora "Capacete", revelou-se um inspirado "Maestro", apelido que marcou a fase final de sua carreira nos gramados, na qual abusava de passes e gols decisivos.

Em 1990, Júnior comandou o Flamengo rumo ao título inédito e invicto da Copa do Brasil, conquistado após uma vitória (1 a 0) e um empate sem gols contra o Goiás de Túlio Maravilha na final. Em 1991, foi a vez de comemorar o título do Campeonato Carioca com direito a goleada por 4 a 2 sobre o Fluminense de Ézio na decisão, com o quarto gol marcado por Júnior, que havia anunciado na véspera do jogo que aquela provavelmente seria sua última partida no futebol. Poderia ter se despedido com uma taça e um gol. Mas decidiu ficar um ano mais.

Teve mais uma vez uma chance ideal para encerrar com chave de ouro sua brilhante carreira. Jogando praticamente num 4-5-1, só com o atacante Gaúcho na frente e Zinho e Júnior como principais maestros do meio de campo, o Flamengo superou um início regular no Brasileiro de 92 para dar a volta por cima e chegar até a final. Na primeira fase, a equipe terminou na quarta posição com oito vitórias, seis empates e cinco derrotas em 19 partidas. Júnior mostrou seu poder de decisão e brilho ao marcar vários gols, incluindo um golaço de fora da área no empate em 2 a 2 contra o Botafogo na 3ª rodada. Na segunda fase, o Flamengo seguiu com chances de classificação até a 4ª rodada, quando teve pela frente ao Vasco de Bismarck, Bebeto e um jovem Edmundo. E foi no "Clássico dos Milhões" que Júnior provou mais uma vez sua genialidade ao cobrar um escanteio cheio de veneno e marcar um gol olímpico. No finalzinho do jogo, Júnior deu um passe na medida para Nélio fazer o gol da vitória: 2 a 0. Após a derrota para o São Paulo por 2 a 0 na partida seguinte, o time se classificou para a final ao vencer o Santos por 3 a 1 num Maracanã lotado. A final foi contra o Botafogo, onde estava Renato Gaúcho. Uma vitória rubro-negra por 3 a 0, com Júnior abrindo o placar. Neste jogo, com dois dribles épicos que fizeram o falastrão atacante Renato Gaúcho sentar por duas vezes no gramado do Maracanã, o Maestro deu um show! Na sequência, no segundo jogo, o Maestro Júnior abriu o placar novamente, quando o time rubro-negro abriu 2 a 0; acabou cedendo o empate, mas se sagrou campeão nacional.

O Maestro Júnior, então com 38 anos de idade, ganhou a Bola de Ouro da Revista Placar, alusiva à condição de melhor jogador do certame nacional. O craque mostrou uma qualidade impressionante para sua idade e deu um banho de bola em muita molecada na época. Ademais, a reboque de suas brilhantes atuações na maturidade, retornou à Seleção Brasileira para mais algumas partidas.

Ele poderia ter se aposentado ali, mas decidiu ficar um ano mais, sonhando que poderia voltar a conquistar a Libertadores em 1993. Mas quando cruzou com o São Paulo de Telê Santana e Raí (que eliminou o rubro-negro do torneio nas quartas de final), o sonho naufragou. Entendeu então que era a hora da aposentadoria...

O Maestro Júnior chegou a ser convidado pelo técnico Telê Santana para integrar a equipe do São Paulo, a qual estava na iminência de sagrar-se campeã mundial de clubes, mas negou de modo enfático, afirmando que não tinha condições de, no Brasil, vestir outra camisa que não fosse a do Flamengo.

Em 1993, Júnior encerrou sua excepcional trajetória na Gávea como o atleta que mais vezes vestiu o Manto Sagrado, sempre o defendendo com fibra e mentalidade vencedora. Imediatamente foi convidado e aceitou o convite para se tornar técnico do Flamengo, repetingo Paulo César Carpegiani, que em 1981 assim que se aposentou como jogador, tornou-se técnico do time, quando Júnior passou de um de seus companheiros a um de seus comandados.


Depois que a primeira experiência como treinador não deu certo, decidiu se dedicar à sua maior paixão, o futebol de praia, e se envolveu num projeto de internacionalização da prática, organizando os primeiros campeonatos mundias de Beach Soccer, e jogando com a Seleção Brasileira de futebol de areia. Foi cinco vezes Campeão Mundial com a Seleção Brasileira de Beach Soccer, ajudando o esporte a ficar conhecido no mundo inteiro e a ganhar até a chancela da FIFA. Depois do brilho praiano, o Maestro Júnior se retirou de vez e seguiu uma bem-sucedida carreira de comentarista esportivo nas Organizações Globo, maior cadeia brasileira de televisão, trabalhando primeiro na TV fechada, no canal SporTv, e depois na TV aberta, comentando partidas na Rede Globo.

Fez duas breves interrupções na sua carreira na televisão: teve uma experiência frustrada como treinador do Corinthians, cargo que exerceu por apenas três partidas, que culminaram em três derrotas, e aceitou uma segunda passagem como técnico do Flamengo, assumindo o time em parceria com Leandro, que assumiu como seu assistente-técnico.

Duas frases emblemáticas do Maestro definem sua relação com o vermelho e o preto: "a camisa do Flamengo é como a minha segunda pele", e "quem não tiver uma profunda identificação com o Flamengo, profissional e sobretudo pessoal, não durará muito tempo no clube".

Com mais de 850 jogos disputados com a camisa rubro-negra, Júnior é o recordistas em partidas pelo clube e dificilmente será ultrapassado por algum atleta, ainda mais com a constante mudança de camisas que o futebol passou a ter. Por isso e pelos inúmeros títulos conquistados, o craque é uma lenda rubro-negra e presente em qualquer lista com os 11 maiores jogadores do Flamengo de todos os tempos. Acima de tudo, Júnior foi exemplo de jogador dentro e fora de campo, exímio profissional e esbanjou vitalidade em seus 20 anos de carreira. Se faltou uma Copa, não faltou talento, garra, técnica, golaços e atuações magistrais. Um craque imortal. Com o Flamengo, foi Campeão Carioca de 1974, 1978, 1979, 1979 especial, 1981 e 1991; Campeão da Taça Guanabara em 1978, 1979, 1980, 1981 e 1982; Campeão Brasileiro de 1980, 1982, 1983 e 1992, Campeão da Copa do Brasil de 1990; e Campeão da Copa Libertadores da América e do Copa Intercontinental em 1981. E conquistou o Troféu Bola de Prata da Revista Placar nas edições de 1980, 1983, 1984, 1991 e 1992, quando também foi premiado com o Troféu Bola de Ouro.

Com a Seleção Brasileira, disputou as Olimpíadas de 1976 em Montreal e as Copas do Mundo de 1982 na Espanha e de 1986 no México. No total com a camisa da Seleção Brasileira disputou 70 jogos e marcou 6 gols. Uma pena que Leogevildo Lins Gama Júnior não tenha levantado uma taça digna de seu futebol arte com a camisa da Seleção Brasileira. Ah, como ele merecia aquela Copa de 1982. Combinaria demais com seu carisma e sua energia a Taça FIFA reluzindo sob seus braços. Mesmo assim, Júnior se consagrou como um dos mais completos, brilhantes e talentosos jogadores de todos os tempos, e um dos maiores laterais que o mundo já viu. Desarmava adversários como poucos. Batia na bola com extrema precisão. Atacava tão bem quanto tarimbados atacantes. Enxergava o jogo como poucos, descobrindo "atalhos" em campo. E percorria os cantos do campo como só ele sabia.



quarta-feira, 6 de junho de 2012

JÚNIOR: o Maestro

Carreira: 1974-1984 Flamengo; 1984-1987 Torino (Itália); 1987-1989 Pescara (Itália); 1989-1993 Flamengo. 

Pelo lamengo foram 857 jogos (recorde máximo na história do clube) e 73 gols. Como técnico do Flamengo foram outros 76 jogos.

Pela Seleção Brasileira foram 88 jogos e 8 gols.

O Capacete, como era chamado pelos jogadores rubro-negros da Era de Ouro, foi lateral-direito em 1974, lateral-esquerdo entre 75 e 84, zagueiro central em 1989-90 e cabeça-de-área entre 1991 e 93. O versátil paraibano foi mais um gênio da nobre galeria rubro-negra. Em suas palavras: "a camisa do Flamengo sempre foi minha segunda pele".

"Os campeonatos de futebol de areia no Rio de Janeiro moviam nesses tempos um grande público para a praia de Copacabana. Os campeonatos eram bem organizados e os jogos costumavam ser disputados nas tardes de sábado. O público se aglomerava para ver as partidas no calçadão e no entorno da cancha. Times como o Areia, o Dínamo e o Juventus eram os mais badalados e disputavam a simpatia dos fiéis torcedores que iam à praia ver as acirradas disputas. As vagas entre os titulares destas equipes eram bastante disputadas. Só aqueles com refinada habilidade conseguiam um lugar nestes times. E não era qualquer técnica. É muito diferente jogar futebol na areia, exige muito mais resistência muscular, é uma disputa com muito mais contato físico e precisa-se estar acostumado a conduzir a bola num piso que oferece muito mais resistência e atrito, exigindo um menor contato entre a pelota e o chão. Foi nestes jogos na praia, sob a camisa do Juventus, que se avistou o talento do garoto Leovegildo Lins da Gama Júnior. Para alguns era o Léo, para a história do futebol mundial o Júnior, lateral esquerdo da seleção brasileira na Copa de 1982. Ele foi levado para treinar na Gávea e de lá só foi sair muitos anos depois, quando brilhou nos gramados italianos com as camisas do Torino e do Pescara". (A NAÇÃO, pgs. 99-100)

"em uma sondagem realizada em novembro de 2006 pelo jornal italiano La Repubblica, Zico apareceu em primeiro na lista que apontou os dez brasileiros que mais marcaram o campeonato italiano. Foram eles, em ordem: Zico, Falcão, Kaká, Careca, Júnior, Ronaldo, Cerezo, Aldair, Cafu e Emerson". (A NAÇÃO, pg. 144)


Como treinador, treinou o Flamengo em 1993-94 (53 jogos) e em 1997 (23 jogos). Foi diretor de futebol do clube em 2004. Posteriormente, foi comentarista de futebol na televisão, na Rede Globo e no canal de TV fechada SporTV, da Rede Globo.

Júnior como comentarista na TV

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Maiores Jogos da História do Flamengo: 12/07/92 - Flamengo 3 x 0 Botafogo




Jogos Inesquecíveis: 
12/07/1992 - Flamengo 3 x 0 Botafogo

Foi uma atuação implacável. Um primeiro tempo surpreendente e arrasador. O Botafogo entrava como grande favorito na final do Campeonato Brasileiro de 1992. Em pouco menos de 40 minutos, desmoronou este favoritismo. Com gols de Júnior, Gaúcho e Nélio, o Mengão atropelou os alvi-negros. A torcida foi para casa se dando como campeã. A tarefa ainda foi facilitada com a demissão de Renato Gaúcho, principal jogador do time, pela diretoria do Botafogo. Depois do jogo, ele ofereceu um churrasco a Gaúcho, centroavante do Flamengo, e seu melhor amigo, com a presença de outros ex-companheiros em seus tempos de Flamengo. A dretoria achou intolerável e ele nunca mais vestiu a camisa do Botafogo. No domingo seguinte, o Flamengo abrui 1 a 0 no primeiro tempo, com Júnior, e no início do segundo, ampliou com Júlio César. O Botafogo ainda empatou, com dois pênaltes inventados pelo árbitro. Mengão, Pentacampeão do Brasil!!!!!




Ficha Técnica
12/07/1992 - Flamengo 3 x 0 Botafogo
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (Público: 102.547 pagantes)
Gols: Júnior (15'1T), Nélio (34'1T) e Gaúcho (38'1T)
Fla: Gilmar, Fabinho, Wilson Gottardo, Júnior Baiano e Piá; Uidemar, Júnior, Nélio (Paulo Nunes (Marcelinho Carioca)) e Zinho; Júlio César e Gaúcho
Téc: Carlinhos
Botafogo: Ricardo Cruz, Odemilson, Válber, Márcio Santos e Renê Playboy; Carlos Alberto Santos, Pingo e Carlos Alberto Dias; Renato Gaúcho, Pichetti (Vivinho) e Valdeir.
Téc: Gil




A História do Jogo

Mais uma vez o Flamengo chegava a uma final de Campeonato Brasileiro sem ser considerado favorito. O jovem time rubro-negro terminou a 1ª Fase com a 4ª colocação, atrás do líder Vasco da Gama, do vice-líder Botafogo, e do Bragantino. Avançou entre os oito classificados, que foram divididos em dois grupos de quatro, dos quais os vencedores fariam a final. O grupo rubro-negro ainda tinha a Vasco, São Paulo e Santos. Todos os prognósticos apostavam no time vascaíno, com seu poderoso ataque formado por Edmundo e Bebeto, como favorito para avançar. Pois o Flamengo ficou com a vaga.

O Botafogo confirmou o seu favoritismo no outro grupo e se habilitou para decidir o título frente ao time de garotos comandados por Júnior, o Maestro, já então com 38 anos. O time rubro-negro contava com 8 jogadores que tinham conquistado o título da Copa São Paulo de Juniores de 1990, principal competição Sub-20 do futebol brasileiro na época. Entre os titulares naquela tarde, Fabinho, Júnior Baiano, Piá e Nélio participaram da campanha dois anos antes, e entre os que estavam no banco de reservas, Marquinhos, Marcelinho, Djalminha e Paulo Nunes também foram campeões.

Assim, na final, mais uma vez, todo o favoritismo era dado ao adversário. Ainda mais porque o regulamento dava ao Botafogo a vantagem de obter dois resultados iguais para se sagrar campeão brasileiro. A expectativa, no entanto, ruiu por terra em apenas quarenta e cinco minutos, pois com uma atuação de gala, o time rubro-negro colocou um 3 a 0 logo no 1º tempo, naquela tarde de domingo, 12 de julho de 1992, e praticamente sacramentou a conquista do título. No dia seguinte, o Jornal dos Sports abria seu relato do jogo falando: "O Flamengo já deve ter mandado confeccionar as faixas para festejar o quinto título brasileiro. A vitória por 3 a 0 sobre o Botafogo deixou o time rubro-negro em ótima situação para ser campeão". No entanto, algumas páginas mais a frente no mesmo jornal, o título em letras garrafais chamava a atenção no alto da página: "Mengão proíbe comemorações", trazendo palavras de Júnior: "o momento exige aplicação e muito cuidado dentro e fora de campo".

Desde o começo da partida a superioridade em campo do Flamengo ficou nítida. O time rubro-negro atuava desfalcado do lateral-direito titular Charles Guerreira, e entrou em campo deslocando, como sempre fazia, o cabeça de área Fabinho para executar a função pelo lado direito do campo. E para ganhar o meio de campo, o técnico Carlinhos lançou o goiano Júlio César, um meia-atacante que jogava mais fechando o meio de campo do que no ataque, pressionando a defesa adversária. O meio de campo rubro-negro se sobrepovoou, com Uidemar mais recuado, fazendo o "trabalho sujo" na contenção, dando liberdade ao Maestro Júnior para que se movimentasse por trás de uma linha de frente na qual Júlio César, Zinho e Nélio davam o primeiro combate à saída de bola adversária, com constantes inversões de posição pelo lado esquerdo entre Nélio e Zinho. Com esta formação, Carlinhos ganhou o meio de campo, matou a articulação ofensiva do adversário, dominou a troca de passes no setor, e foi construindo gols uns em sequência dos outros. O Botafogo parecia até que estava com menos homens em campo desde a saída de bola. O meio de campo alvi-negro era completamente envolvido pelo rubro-negro.

Aos nove minutos, o time botafoguense ainda conseguiu chegar com perigo, Renato Gaúcho lançou Valdeir em profundida, mas Gilnar conseguiu se antecipar, sair do gol, e fazer a defesa. Um minuto depois, Júnior deu uma sequência de dribles desconcertantes no ponta Renato no meio da intermediária de defesa rubro-negra, incendiando as arquibancadas, que já tinham iniciado a partida animadas, e a partir dali se inflamaram ainda mais. Era o início da festa rubro-negra, pois quatro minutos depois, quando o relógio assinalava quatorze minutos do primeiro tempo, Zinho avançou pelo lado esquerdo de ataque e tocou para o lateral Piá, que passava em velocidade às suas costas, que tocou para o meio, rasteiro, o centroavante Gaúcho fez um conta-luz, a zaga alvi-negra se desorientou, e a bola encontrou os pés de Júnior, que disparou ao gol sem qualquer chance de defesa para Ricardo Cruz: Flamengo 1 a 0!

O Botafogo partiu para pressionar pelo empate, e o time rubro-negro, ainda dono do meio de campo, soube se aproveitar. Aos trinta e três minutos, Fabinho roubou uma bola e fez um lançamento em profundidade para Nélio, o "Marreco", que partiu em velocidade desde antes da linha do meio de campo. O meia, que na campanha do título da Copinha Sub-20 de dois anos antes era o centroavante do time, mostrou seu senso de goleador. Era penetrou em direção à área, perseguido pelos zagueiros do Botafogo, esperou a saída do goleiro, e tocou entre as pernas dele, a bola foi mansa, como se estivesse rolando numa mesa de sinuca, até encontrar a rede do gol: Flamengo 2 a 0!

Com os botafoguenses completamente atordoados, o time rubro-negro aproveitou para mandar o adversário direto à lona: pois quatro minutos depois, numa jogada de almanaque, a bola chegou limpa a Piá na ponta-esquerda, e ele, num dia no qual teve uma atuação majestosa, cruzou com perfeição para a pequena área, na primeira trave; Ricardo Cruz tentou sair e cortar, mas Gaúcho se antecipou e fez aquilo que fazia de melhor, uma testada fulminante para dentro do gol: Flamengo 3 a 0! O Maracanã explodia! Aos 38 minutos do 1º tempo, a fatura já parecia que podia ser dada como liquidada.

O técnico alvi-negro mexeu no intervalo, lançando o rápido Vivinho no lugar de Pichetti, que havia sido o escolhido para substituir o titular Chicão, ausente naquela tarde. Com a rapidez de uma dupla de ataque formada por Vivinho e Valdeir, o Botafogo cresceu no jogo, e passou a ameaçar mais. Mas o time acabou derrubado por seus nervos. O zagueiro Márcio Santos - aquele que dois anos depois seria o titular da Seleção Brasileira na conquista da Copa do Mundo de 1994 - apelou com uma primeira falta dura, para matar uma chance de contra-ataque rubro-negro, e recebeu o cartão amarelo. Alguns minutos depois, aos dezessete minutos, ele fez falta dura em Júlio César na entrada da área, recebeu o segundo cartão amarelo e foi assim automaticamente expulso de campo. Mesmo após este cartão vermelho, no entanto, o Botafogo não diminuiu a intensidade e passou a estar melhor no jogo. Mas criou muito poucas chances de gol efetivamente.

Teve uma grande oportunidade aos vinte e quatro minutos, quando seu camisa 10, Carlos Alberto Dias, recebeu passe perfeito de Valdeir quase sobre a linha da pequena área. Eles estava frente a frente a um Gilmar que quase nada teria o que fazer naquela oportunidade, mas Dias isolou para longe das traves. Dois minutos depois, uma penetração de Valdeir e um chute a gol que, este sim saiu com mais perigo, passando rente à trave. Mas foi só. Administrando o resultado no segundo tempo, o Flamengo construiu uma enorme vantagem para a segunda partida da decisão, na qual poderia perder por até dois gols de diferença que ainda seria o campeão.

Para o segundo jogo, o Flamengo teria a volta de Charles, entretanto perdeu Nélio, com uma entorse no joelho, garantindo a manutenção de Fabinho entre os onze que iriam a campo. Do lado botafoguense, haveria a volta de Chicão, mas por outro lado, a diretoria ficou revoltada com Renato Gaúcho, que no seguinte à vitória neste primeiro jogo, pagou um churrasco ao amigo Gaúcho, com quem havia feito uma aposta, e decidiu expulsá-lo do clube, tendo esta sido a última vez na qual ele vestiu a camisa alvi-negra.






Geralmente, o normal é que um jogo histórico, numa final de campeonato, seja aquele no qual efetivamente é sacramentada a conquista. Porém, naquela final de 1992 não foi assim. O momento mais marcante, guardado para a história, foram os primeiros 45 minutos de jogo. Um momento épico. Com enorme vantagem, no segundo jogo o Flamengo ainda saiu na frente, com um gol de falta de Júnior logo no começo da partida que praticamente liquidava a fatura. No início do segundo tempo, Júlio César ainda ampliou. No fim, o árbitro ainda inventou dois pênaltis para o Botafogo, um convertido e outro desperdiçado, que só serviram para impedir duas vitórias rubro-negras na final. O jogo terminou empatado em 2 a 2, e o título foi rubro-negro. Mengão, Penta-Campeão Brasileiro de Futebol. Era a quinta conquista rubro-negra em treze edições disputadas entre 1980 e 1992, período no qual o São Paulo, com duas conquistas, foi o único outro clube a ter vencido mais de uma vez (Grêmio, Fluminense, Coritiba, Bahia, Vasco e Corinthians faturaram uma vez cada). Um grande encerramento para uma época de ouro da história do Flamengo!






quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

ZICO & JÚNIOR

"Mas em tempos escassos para o futebol rubro-negro, sem que seu torcedor soubesse, o universo já conspirava para transformar os dias do time vermelho e preto na direção de momentos mais gloriosos. Não era possível se prever ainda que os dois maiores ídolos da história do Flamengo já andavam refinando suas técnicas em outros campos, começando a desenvolver as habilidades de dois garotos que, em extremos opostos da cidade, aprendiam a ganhar mais intimidade com uma bola de futebol. Um nas areias da praia, e outro em quadras apertadas de salão.


Os campeonatos de futebol de areia no Rio de Janeiro moviam nesses tempos um grande público para a praia de Copacabana. Os campeonatos eram bem organizados e os jogos costumavam ser disputados nas tardes de sábado. O público se aglomerava para ver as partidas no calçadão e no entorno da cancha. Times como o Areia, o Dínamo e o Juventus eram os mais badalados e disputavam a simpatia dos fiéis torcedores que iam à praia ver as acirradas disputas. As vagas entre os titulares destas equipes eram bastante disputadas. Só aqueles com refinada habilidade conseguiam um lugar nestes times. E não era qualquer técnica. É muito diferente jogar futebol na areia, exige muito mais resistência muscular, é uma disputa com muito mais contato físico e precisa-se estar acostumado a conduzir a bola num piso que oferece muito mais resistência e atrito, exigindo um menor contato entre a pelota e o chão. Foi nestes jogos na praia, sob a camisa do Juventus, que se avistou o talento do garoto Leovegildo Lins da Gama Júnior. Para alguns era o Léo, para a história do futebol mundial o Júnior, lateral esquerdo da seleção brasileira na Copa de 1982. Ele foi levado para treinar na Gávea e de lá só foi sair muitos anos depois, quando brilhou nos gramados italianos com as camisas do Torino e do Pescara.

No outro extremo do Rio de Janeiro, e por outro esporte também derivado do futebol, nascia mais uma estrela a brilhar pela constelação vermelha e preta. Só que esta não era qualquer estrela, era a maior delas. O refinamento de sua habilidade para o futebol se deu nas estreitas quadras do futebol de salão, esporte cujo principal reduto na cidade, naqueles tempos, era a Zona Norte. Depois de se destacar nas peladas de rua em seu bairro natal, Quintino, o garoto Arthurzico foi levado para o River Futebol Clube, do bairro da Piedade, onde treinou e jogou por três anos. Arthur Antunes Coimbra, o Zico, era irmão de dois ex-jogadores de futebol, e sua técnica, logo cedo, chamou a atenção dos que o viram jogar amadoramente. O futebol de salão é uma atividade que exige agilidade e velocidade. A quadra rápida – que naqueles tempos tinha piso de tábua de madeira corrida – com uma bola pequena e pesada, que pouco quicava, exigia rapidez de raciocínio, toques rápidos para se acertar os passes, e dribles curtos, para se desvencilhar dos marcadores adversários. O Rio de Janeiro foi pioneiro na realização de campeonatos de futebol de salão. Embora o Rio Grande do Sul e São Paulo tenham os primeiros registros da prática do esporte, criado pela Associação Cristã de Moços (ACM), a primeira competição oficial registrada foi o Campeonato Carioca organizado em 1956. Durante as vinte primeiras edições do torneio a maioria dos títulos foi parar em clubes da Zona Norte, os quais se destacavam por amplos quadros sociais. Dentre os campeões nestes tempos, destacaram-se: América, Vila Isabel, Grajaú Tênis Clube, Grajaú Country Clube, Club Municipal e Monte Sinai (ambos da Tijuca), Imperial (de Madureira) e Mackenzie (do Méier). O River, da Piedade, brigava no segundo escalão. De suas quadras para os gramados da Gávea saiu Zico, o maior ídolo da história do clube.

O Flamengo sempre teve um histórico de grande produção de pratas da casa. Os anos 70-80 seriam marcados pelo ápice da geração de talentos nas divisões de base do clube, com o nascimento do lema “Craque, o Flamengo faz em casa” (A NAÇÃO, pgs. 99-100-101)".

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Foi há 30 anos ...


Foi em 13 de dezembro de 1981 que Tóquio recebeu o dia mais feliz da história do Clube de Regatas do Flamengo.


A divulgação acima trazia Zico e Kenny Dalglish. Os dois camisas 10, os dois ídolos de cada uma das respectivas torcidas, duas lendas na história de cada um dos respectivos clubes.


Depois daquele Flamengo 3 x 0 Liverpool foram onze as lendas que voltaram ao Brasil: Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior, Andrade, Adílio e Zico, Tita, Nunes e Lico. Os Onze do Mundial de 81. O time caricaturizado no desenho abaixo.


13/12/81, o dia mais feliz da torcida mais feliz e apaixonada do mundo! 





quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ficha Técnica: 40 dias de sonho

"Foram quarenta dias de sonho, iniciados em 8 de novembro de 1981, com uma goleada de 6 a 0 no Botafogo, na qual o Flamengo vingava-se, definitivamente, da goleada sofrida em 15 de novembro de 1972. E com o mesmo placar. Por nove anos, em todos os clássicos entre Flamengo e Botafogo, lá estava pendurada, no lado destinado aos botafoguenses, uma faixa em alusão àqueles 6 a 0. Era um trauma... Quando o Mengo fez 5 a 0, se o sexto não tivesse saído, todos os rubro-negros, naquele dia, iriam para casa tristes. A torcida berrava “Queremos 6!” E foi dos pés de Andrade, o camisa 6 rubro-negro, que partiu o chute que estufou a rede a cinco minutos do fim do jogo. Seis!!!!!! O fantasma estava exorcizado!
Na rodada seguinte do Carioca, nova goleada: 6 a 1 no Americano. Então veio a vitória por 2 a 1 sobre o Cobreloa, no primeiro jogo da final da Libertadores. Mais uma vitória num Fla-Flu (3 a 1) e veio a derrota no segundo jogo da final da Libertadores. Três dias depois (23 de novembro), o Flamengo venceu e foi campeão sul-americano, em Montevidéu. Mais uns dias e outra goleada, 5 a 1 no Volta Redonda. Até que veio a final do Campeonato Carioca contra o Vasco. O Flamengo tinha vantagem por ter vencido dois dos três turnos, mas duas vitórias consecutivas do Vasco inverteram a vantagem. No terceiro jogo, o Vasco jogava pelo empate. Em 6 de dezembro, pouco menos de trinta dias após a goleada no Botafogo, o Mengo venceu, com gols de Adílio e Nunes, e faturou o título carioca. Uma semana depois, entrava em campo em Tóquio, frente ao Liverpool, para conquistar o mundo!" (A NAÇÃO, pgs. 132-133)



QUARENTA DIAS DE SONHO

08/11/1981 (domingo) - Flamengo 6 x 0 Botafogo
Local: Maracanã (Púlico: 69.051 espectadores)
Gols: Nunes (7'1T), Zico (27'1T), Lico (33'1T), Adílio (40'1T), Zico (30'2T) e Andrade (42'2T)

Fla: Raul, Leandro, Figueiredo, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico.
Téc: Paulo César Carpeggiani
Botafogo: Paulo Sérgio, Perivaldo, Gaúcho, Osvaldo e Jorge Luís; Rocha, Mendonça e Ademir Lobo; Édson Carpeggiani (Jairzinho), Mirandinha e Ziza.
Téc: Paulinho de Almeida


10/11/1981 (terça-feira) - Flamengo 6 x 1 Americano
Local: Maracanã (Público: 8.093 espectadores)
Gols: Lico (6'1T), Adílio (26'1T) e (28'1T), Té (6'2T), Nunes (28'2T) e (34'2T), e Tita (44'2T)

Fla: Raul, Leandro, Figueiredo, Mozer e Nei Dias; Andrade, Adílio (Chiquinho) e Zico (Baroninho); Tita, Nunes e Lico.
Téc: Paulo César Carpeggiani
Americano: Chico Santos, Orlando Fumaça, Ronaldo, Tita e César; Wilson Bispo, Índio e Zé Roberto (Marquinhos); Neilson (Piscina), Té e Gilson.
Téc: Ailton Tavares


13/11/1981 (sexta-feira) - Flamengo 2 x 1 Cobreloa (Chile)
Local: Maracanã (Público: 93.985 espectadores)
Gols: Zico (12'1T) e (30'1T), e Victor Merello (20'2T)

Fla: Raul, Leandro, Figueiredo, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico (Baroninho).
Téc: Paulo César Carpegiani
Cobreloa: Oscar Wirth, Hugo Tabilo, Carlos Rojas, Mario Soto e Enzo Escobar; Eduardo Jiménez, Armando Alarcón e Victor Merello; Héctor Puebla, Jorge Luis Siviero e Óscar Muñoz (Rubén Gómez).
Téc: Vicente Cantatore


15/11/1981 (domingo) - Flamengo 3 x 1 Fluminense
Local: Maracanã (Público: 109.514 espectadores)
Gols: Nunes (19'1T), Lico (4'2T), Edinho (28'2T) e Tita (37'2T)

Fla: Raul, Leandro, Figueiredo, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes (Baroninho) e Lico (Nei Dias).
Téc: Paulo César Carpeggiani
Flu: Paulo Vítor, Edevaldo, Tadeu, Edinho e Rubem Galaxe; Delei, Valtair e Gilberto; Robertinho (Cristovão), Cláudio Adão e Zezé.
Téc: Dino Sani


20/11/1981 (sexta-feira) - Flamengo 0 x 1 Cobreloa (Chile)
Local: Estádio Nacional, Santiago (Público: 61.721 espectadores)
Gol: Victor Merello (39'2/T)

Fla: Raul, Leandro, Figueiredo, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes (Nei Dias) e Lico (Baroninho).
Téc: Paulo César Carpegiani
Cobreloa: Oscar Wirth, Hugo Tabilo, Eduardo Jiménez, Mario Soto e Enzo Escobar; Armando Alarcón, Victor Merello e Washington Olivera; Héctor Puebla, Jorge Luis Siviero e Rubén Gómez (Óscar Muñoz).
Téc: Vicente Cantatore


23/11/1981 (segunda-feira) - Flamengo 2 x 0 Cobreloa (Chile)
Local: Estádio Centenário, Montevidéu (Público: 30.200 espectadores (estimado))
Gols: Zico (18'1T) e (32'2T)

Fla: Raul, Nei Dias, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Leandro, Nunes (Anselmo) e Tita.
Téc: Paulo César Carpegiani
Cobreloa: Oscar Wirth, Hugo Tabilo, Juan Páez (Óscar Muñoz), Mario Soto e Enzo Escobar; Eduardo Jiménez, Armando Alarcón e Victor Merello; Héctor Puebla, Jorge Luis Siviero e Washington Olivera.
Téc: Vicente Cantatore


25/11/1981 (quarta-feira) - Flamengo 5 x 1 Volta Redonda
Local: Estádio Raulino de Oliveira, Volta Redonda (Público: 17.818 espectadores)
Gols: Lico (19'1T), Nunes (38'1T), Adílio (43'1T), Zico (19'2T), Beto Rocha (20'2T) e Adílio (23'2T)

Fla: Raul (Luís Alberto), Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico (Baroninho); Tita, Nunes e Lico.
Téc: Paulo César Carpeggiani
Volta Redonda: Colonesi, Paulo Verdum, Edinho, Da Costa e Nem; Russo, Miguel Amaral e Moreno (Beto Rocha); Botelho, Eli Mendes e Sivaldo.
Téc: Jorge Vitório


29/11/1981 (domingo) - Flamengo 0 x 2 Vasco
Local: Maracanã (Público: 80.908 espectadores)
Gols: Roberto Dinamite (19'2T) e (32'2T)

Fla: Raul, Leandro (Nei Dias), Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico (Anselmo).
Téc: Paulo César Carpeggiani
Vasco: Mazarópi, Rosemiro, Serginho, Ivã e João Luís; Dudu, Amauri (Ricardo) e Marquinho; Wilsinho (Ticão), Roberto e Silvinho.
Téc: Antônio Lopes


02/12/1981 (quarta-feira) - Flamengo 0 x 1 Vasco
Local: Maracanã (Público: 45.704 espectadores)
Gol: Roberto Dinamite (43'2T)

Fla: Cantareli, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior (Baroninho); Andrade, Adílio e Zico; Tita, Reinaldo Potiguar e Lico (Nei Dias).
Téc: Paulo César Carpeggiani
Vasco: Mazarópi, Rosemiro, Serginho, Ivã e João Luís; Dudu, Marquinho e Amauri; Wilsinho (Ticão), Roberto Dinamite e Silvinho.
Téc: Antônio Lopes


06/12/1981 (domingo) - Flamengo 2 x 1 Vasco
Local: Maracanã (Público: 161.989 pagantes, 169.989 presentes)
Gols: Adílio (20'1T), Nunes (24'1T) e Ticão (38'2T)

Fla: Raul, Nei Dias, Marinho, Mozer e Júnior (Figueiredo); Andrade, Adílio e Zico; Leandro, Nunes e Lico (Chiquinho).
Téc: Paulo César Carpeggiani
Vasco: Mazarópi, Rosemiro, Serginho, Ivã e Gilberto; Dudu, Amauri (Ticão) e Marquinho; Wilsinho, Roberto Dinamite e Silvinho.
Téc: Antônio Lopes


13/12/1981 (domingo) - Flamengo 3 x 0 Liverpool (Inglaterra)
Local: Estádio Nacional de Tóquio, Japão (Público: 62.000 espectadores (estimado))
Gols: Nunes (13'1T), Adílio (34'1T) e Nunes (41'1T)

Fla: Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico.
Téc: Paulo César Carpeggiani
Liverpool: Bruce Grobbelaar, Phil Neal, Ray Kennedy, Mark Lawrenson e Phil Thompson; Alan Hansen, Kenny Dalglish e Sammy Lee; Craig Johnston, Graeme Souness e Terry McDermott (David Johnson).
Téc: Bob Paisley



Resumo dos 40 Dias de Sonho:

Time-base: Raul, Leandro, Marinho (Figueiredo), Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico

Artilharia: Nunes (8), Zico (7), Adílio (7), Lico (4), Tita (2) e Andrade (1)

Participação:
11 jogos: Leandro, Mozer, Andrade, Adílio e Zico
10 jogos: Raul, Júnior, Tita, Nunes e Lico
9 jogos: --
8 jogos: --
7 jogos: Nei Dias
6 jogos: Marinho, Figueiredo e Baroninho
5 jogos: --
4 jogos: --
3 jogos: --
2 jogos: Chiquinho e Anselmo
1 jogo: Cantareli, Luís Alberto e Reinaldo Potiguar



quarta-feira, 4 de maio de 2011

Nunca haverá marca e hegemonia como essa: 7 turnos consecutivos vencidos pelo Flamengo

A notícia da vez na imprensa é a descoberta da recente hegemonia rubro-negra nos últimos tempos em Campeonato Carioca. Quem tenha lido A NAÇÃO não está descobrindo isto agora não. Está lá no capítulo 12: ANOS DE RECONSTRUÇÃO, que destaca o período 2006-2009 (quatro anos) como o segundo melhor em conquistas de títulos na história do clube, perdendo só para o período 1978-1983 (seis anos).

É fato: nos últimos 13 anos, o rubro-negro da Gávea faturou 8 canecos. Jamais na história do torneio houve uma concentração de títulos tão grande na mão de um clube.

Mas houve uma marca que esta sim eu acredito que jamais será batida ou repetida por ninguém. Está lá, em A NAÇÃO, páginas 125-126:

"(O Flamengo) venceu sete turnos consecutivos do Campeonato Carioca. Foi tricampeão sem permitir a realização de uma final em nenhum dos três campeonatos. Em 1978, venceu turno e returno. No último campeonato da FCF, em 1979, também venceu turno e returno, e no primeiro campeonato da FERJ, venceu os três turnos, conquistando, de forma inquestionável, o Estado do Rio de Janeiro".