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quinta-feira, 31 de julho de 2025

HISTÓRIA DO BASQUETE DO FLAMENGO


Com um click nas imagens abaixo, acesse o respectivo link com o histórico de cada uma das histórias narradas sobre situações políticas e econômicas do futebol rubro-negro e brasileiro:

































Um Resumo da História:





Veja ainda:






Campeão Mundial 2014


Os Campeões: Nico Laprovittola, Gegê, Vítor Benite, Marcelinho Machado, Marquinhos, Olivinha, Jerome Meyinsse, Walter Herrmann, Cristiano Felício e Derrick Caracter. Técnico: José Neto.


Campeão Mundial 2022


Os Campeões: Franco Balbi, Yago Mateus, Luke Martinez, Dar Tucker, Brandon Robinson, Túlio da Silva, Olivinha, Rafael Mineiro, JP Batista e Vitor Faverani. Téc: Gustavo de Conti.




sábado, 26 de julho de 2025

Herói do Basquete Rubro-Negro: Olivinha, o Deus da Raça


Carlos Alexandre Rodrigues do Nascimento é um nome pouco conhecido para aqueles torcedores rubro-negros menos fanáticos. Ele escreveu o seu nome na história do basquete do Flamengo, mas ninguém o conhece assim. Vão reconhece-lo como o "Deus da Raça", ou pelo apelido que herdou dentro das quadras: Olivinha. Nascido em 18 de abril de 1983 na cidade do Rio de Janeiro, ele herdou o apelido por causa do irmão mais velho, também jogador de basquete, também da história do basquete rubro-negro, o pivô Carlos Henrique Rodrigues do Nascimento, que era conhecido no basquete como Olívia, em alusão à alta e magra companheira do marinheiro Popeye nos desenhos animados, a "Olívia Palito". De "irmão do Olívia", ainda na base, ele virou o "Olivinha", o "Pequeno Olívia".


Também nascido no Rio de Janeiro, o irmão do Olivinha, Olívia foi um pivô de 2,11 metros. A altura e o físico esguio do atleta lhe motivaram o apelido incomum ainda na adolescência. Com a altura diferenciada, ele se destacou no jogo de garrafão logo jovem, e acabou recrutado para testes nas equipes de basquete da cidade de São Paulo, que dominavam o cenário do basquete nacional no final dos Anos 1980 e início dos anos 1990. Nas categorias de base, Olívia jogou pelo Suzano e pelo Monte Líbano, até chegar ao Sírio, equipe pela qual se profissionalizou, e a qual defendeu de 1992 a 1995, época em que recebeu as primeiras convocações para a Seleção Brasileira.

Em 1995 o Flamengo decidiu remontar a sua atividade de basquete masculino, que havia sido interrompida por alguns anos. Contratou ao técnico Miguel Ângelo da Luz, carioca, que havia sido Campeão Mundial de 1994 com a Seleção Brasileira Feminina. Entra as peças indicadas por Miguel Ângelo para ser contratado estava Olívia, que não pensou duas vezes frente à oportunidade de voltar a estar mais perto da família, aceitando a oferta rubro-negra. Ele defendeu a camisa do Flamengo pela primeira vez de 1995 a 1998. Depois jogou duas temporadas novamente no basquete paulista, primeiro no Mackenzie, da capital, e depois no projeto que havia sido montado poucos anos antes em Ribeirão Preto, no interior do estado. Em 2000 recebeu uma nova proposta e regressou ao Flamengo, para atuar no clube entre 2000 e 2004. Nesta época, o irmão mais novo estava jogando basquete na base do Grajaú Country Clube, onde já era conhecido como Olivinha.



A chegada do irmão moveu ao jovem Olivinha para o basquete profissional do Flamengo. Olívia e Olivinha atuaram no mesmo elenco, com a camisa rubro-negra, de 2001 até 2004, quando estiveram juntos no time que se sagrou Vice-Campeão Brasileiro naquela temporada. Em 2004, Olivinha, com seus 2,03 metros, estava jogando como ala, alternando com a função de ala-pivô, na qual viria a se consagrar no auge da carreira. Era titular daquele equipe comandada pelo veterano treinador Emmanuel Bonfim, cujo quinteto titular tinha o veterano armador norte-americano Marc Brown, ao principal pontuador daquela equipe, Leandro Salgueiro, atuando como ala-armador, com Olivinha na posição três, e uma dupla de garrafão formada por Mãozão e Gema (Mãozão, o pai do futuro jogador de basquete da Seleção Brasileira, o Mãozinha). No banco estavam o irmão do Olivinha, Olívia, fazendo o rodízio no garrafão junto ao veterano armador Alberto, e a Duda Machado, irmão do já consagrado Marcelinho Machado, que estava atuando na Europa.

Depois daquela campanha, Olívia passaria pelo Beijing Ducks, da China, pelo Corinthians/Mogi, e regressaria ao Flamengo em 2005 para uma terceira passagem pelo clube, que durou de 2005 a 2007, período no qual voltou a jogar ao lado de Olivinha vestindo a camisa do Flamengo. Foi a sua última passagem pelo clube, uma relação crucial para abrir caminho para a relação de identidade e amor entre o irmão caçula e o Flamengo, aonde foi consagrado para a história como o "Deus da Raça". Ao se despedir da Gávea, Olívia passou primeiro pelo Provincial Osorno, do Chile, e na sequência para o Barreteros de Zacatecas, do México, onde atuou mais uma vez ao lado do irmão Olivinha. Em 2008, Olívia chegou para jogar basquete à cidade de Joinville, em Santa Catarina, onde acabou se casando e fixando residência. As últimas temporadas no basquete profissional brasileiro, estas já após a criação do Novo Basquete Brasil (NBB) foram mais uma vez no Rio de Janeiro, desta vez com a camisa do Tijuca Tênis Clube. Olívia se aposentou das quadras de basquete profissional em 2012, e a partir de então se fixou em Joinville, onde se envolveu a fundo com a formação de atletas para o basquete.
  
Introduzida a história do irmão, a qual foi fundamental para construir os laços entre o Flamengo e Olivinha, que na juventude torcia para o Fluminense, é hora de se dedicar a falar no "Deus da Raça" e sua história, no basquete profissional e no Clube de Regatas do Flamengo. Em 2001 ele trocou a base do Grajaú Country pelas quadras da Gávea. Ficou no Flamengo até 2004 jogando, como já contado, ao lado irmão. Foi um dos grandes nomes na grande campanha que deu o Vice-campeonato Nacional ao Flamengo em 2004. Deu-se então um primeiro parêntesis temporal entre a história dele e do clube. Olivinha ficou duas temporadas fora, uma no Corinthians/Mogi, na capital paulista, e outra no clube/empresa Telemar/Rio de Janeiro. Regressou então ao Flamengo em 2006 para uma passagem rápida, na qual o clube voltava a reestruturar o seu basquete após um breve recesso longe das competições. A passagem foi curta, tendo ele recebido e aceitado uma proposta parta a sua única experiência no basquete profissional num torneio nacional fora do Brasil, foi para o México, onde atuou ao lado do irmão com a camisa do Barreteros de Zacatecas. Regressou ao basquete brasileiro em 2008 para defender à equipe mineira de Uberlândia. Depois, em 2009, voltou a se mudar para a cidade de São Paulo, desta vez para defender ao Pinheiros, camisa com a qual começou a construir uma expressiva história de destaque no NBB. No clube paulista encontrou o parceiro de conquistas Marquinhos. Os dois se destacaram juntos pelo Pinheiros e foram contratados no meio de 2012 pelo Flamengo, na terceira passagem de Olivinha pelo clube, a mais longeva e significativa de todas, e que o levou a escrever seu nome na galeria de heróis do esporte rubro-negro.


No NBB, Olivinha disputou as quatro primeiras edições pelo Pinheiros, em 2009, e nas temporadas 2009/10/ 2010/11 e 2011/12. Depois foram 12 temporadas consecutivas com a camisa do Flamengo na competição, da 2012/13 à 2023/24. No total foram 564 partidas disputadas de NBB, 135 pelo Pinheiros e 429 pelo Flamengo. Foram 13.939 minutos em quadra no acumulado destas 16 temporadas disputadas, com 7.051 pontos convertidos, um aproveitamento de 52,7%. Em lances-livres, converteu 1.256 de 1.647 tentados um aproveitamento de 76,3%; em jogadas de 2 pontos converteu 2.014 pontos em 3.329 tentados (aproveitamento de 60,5%) e da linha de três pontos converteu 589 em 1.692 tentativas  (aproveitamento de 34,8%). Mas onde realmente brilhou e fez história foi pegando rebotes, o recordista máximo destas 16 temporadas, apesar da estatura não ser das maiores, sempre com um grande senso de colocação, e com muita gana e raça para ficar com a bola nas mãos. Em 16 temporadas de NBB foram 3.996 rebotes (quase 4 mil!) tendo sido 2.744 defensivos, e 1.252 ofensivos. Uma média de 7,1 rebotes por partida no total das temporadas, 4,9 por jogo na atuação defensiva, e 2,2 na atuação ofensiva. Temporada a temporada, suas médias foram de: 10,3, 10,7, 8,5, e 7,1 nas quatro temporadas pelo Pinheiros. E com a camisa rubro-negras, suas médias de rebotes totais por partida foram de: 8,2, 8,1, 6,1, 5,2, 9,5, 6,3, 5,9, 6,3, 7,4, 5,7, 4,8, e 3,9, com um decaimento, como esperado, após os 38 anos.

Na galeria de títulos, antes da chegada ao Flamengo em 2012, ele tinha conquistado 2 vezes o Campeonato Carioca com o Flamengo, em 2002 e 2006, estado no elenco da Seleção Brasileira que foi Campeão da Copa América em 2009, e tinha sido Campeão Paulista de 2011 com o Pinheiros. Nas 12 temporadas disputadas com o Flamengo a partir de 2012, ele ganhou de tudo: foi 6 vezes Campeão Brasileiro, nas Temporadas 2012/13, 2013/14, 2014/15, 2015/16, 2018/19 e 2020/21, foi 3 vezes Campeão da Copa Super, em 2018, 2021 e 2024, foi Campeão da Liga das Américas e da Copa Intercontinental (Mundial de Clubes) em 2014, repetindo o feito no time que foi Campeão da Champions League Américas (Liga dos Campeões das Américas) em 2021, e novamente da Copa Intercontinental, o Mundial Interclubes, em 2022. Uma carreira super vitoriosa, e tingida de conquistas em vermelho e preto!


A garra de Olivinha em quadra deu a ele um lugar especial no coração da torcida rubro-negra, tendo ele sido um dos maiores pilares da geração que conquistou os mais importantes títulos do basquete rubro-negro na história. Com ele não tinha bola perdida, atirava-se em busca até das mais improváveis. Por sua garra, recebeu o apelido de "Deus da Raça do Basquete". Como ele mesmo sempre repetiu: "a Nação vai ter orgulho de mim em quadra pela entrega, dedicação, raça e amor que eu demonstro pelo clube e pela vontade de vencer qualquer desafio pela frente, sempre". E foi este entrega que o colocou dentro da galeria dos inesquecíveis do Clube de Regatas do Flamengo!

A sua primeira temporada no Flamengo foi a última do lendário Oscar Schmidt. Juntos, os dois conquistaram o título de Campeões Cariocas de 2002. E as palavras de Oscar reverenciam o reconhecimento do "Mão Santa" à carreira do "Deus da Raça". Nas palavras de Oscar: "o Olivinha é um cara com muita raça, que quer jogar, não tem bola perdida para ele, vai em todas, não desiste nunca. Por isso, é o companheiro ideal que a gente pode ter no time". A relação de Olivinha com a torcida também foi de idolatria mútua. Não à toa, em jogos do Flamengo dentro de casa, como mandante, os torcedores sempre se orgulhavam de exaltar o "Orgulho da Nação".

A prova de que a força da relação de amor ferveu mesmo foi somente a partir de 2012 foi contada pelo próprio Olivinha em entrevista concedida ao Programa Bola da Vez, da ESPN Brasil: "Eu nunca tinha ido ao Maracanã para ver o Flamengo. Quando eu fui pela primeira vez foi uma coisa surreal. Eu senti uma energia que fiquei todo arrepiado. Eu falava: 'o que está acontecendo aqui?'. Depois de 2012 até os dias de hoje, a torcida me abraçou de uma forma absurda. Ai não teve como". Palavras dadas para a emissora de televisão em 2024.


Em junho de 2024 ele encerrou sua história como jogador profissional de basquete e com a camisa do Flamengo. O "Deus da Raça" se despediu das quadras como jogador profissional em 13 de junho no Maracanãzinho, diante da torcida que o aclamou como herói. Não foi do jeito que gostaria, a derrota para o SESI Franca por 69 a 59 que deu o título nacional para o rival. O jogador de 41 anos encerrou a carreira como Vice-Campeão Brasileiro da Temporada 2023/24. Mas nada jamais apagaria o que Olivinha fez pelo Flamengo e pelo basquete nacional, um dos maiores de seu tempo, com 6 títulos de NBB conquistados, e se aposentou como o líder histórico de rebotes da competição até então. O ala-pivô encerou a sua carreira como líder nos números de partidas (564 até a temporada 2023/24), tendo superado a marca de 7.000 pontos durante aquela temporada, tendo sido o 4º atleta a conseguir tal feito na história do NBB.


Muitas reverências ao camisa 16 do Flamengo, incluindo a homenagem singela de seus companheiros de equipe, que subiram todos ao pódio para receber a medalha de prata vestidos com a mesma camisa 16 que consagrou Olivinha no panteão rubro-negro. Foi no Maracanãzinho, um dos maiores templos do basquete brasileiro, que Carlos Alexandre Rodrigues do Nascimento, o Olivinha, pendurou seu tênis e entrou em definitivo para um hall seleto na história do esporte do clube.  Após tudo isto, ainda abalado pela derrota, ele fez questão de atender a todas as entrevistas, demonstrar suas emoções para receber cartazes de crianças, tirar selfies e dar autógrafos. Recebeu abraços dos jogadores adversários de Franca, que acabam de derrotá-lo em sua despedida, em reconhecimento a um atleta que extrapolou fronteiras de camisas e cidades. Aos microfones, as últimas palavras como atleta profissional: "já chorei um bocado, quase chorei novamente, o sentimento do término é o melhor possível, eu me entreguei ao máximo dentro da quadra, não só no Flamengo, mas em todos os clubes que passei. Foi uma honra estar aqui, desfrutando do esporte, o basquete é minha vida, sem dúvida nenhuma. Passei 30 anos jogando basquete, mas chega a hora para todo mundo. Meu corpo está pedindo isso, estou com muitas dores, me dediquei ao máximo. Tenho um orgulho muito grande da minha carreira. Não diminuo nos outros lugares, mas minha carreira aqui no Flamengo é uma coisa que tenho orgulho muito grande, por tudo o que aconteceu. Foram 19 anos no Flamengo, o clube em que eu fiquei a maior parte da minha carreira, um clube que aprendi a amar, que tenho um respeito, uma paixão muito grande. Não tenho nada o que reclamar, só agradecer pelo apoio de todos. Obrigado à Liga Nacional de Basquete por tudo o que fizeram por mim. Agora é hora de me afastar um pouco das quadras, minha jornada como jogador profissional termina aqui. Todo o tempo que não pude estar ao lado da minha família, agora vou aproveitar bastante. É tudo o que eu queria. Muito obrigado a todos, foi uma honra". O Flamengo e os flamenguistas é que sempre repetiram: "Obrigado, Deus da Raça". Um cara que lutou dentro de quadra como nenhum outro por cada bola que parecia perdida, por cada rebote que parecia improvável. Um mito na história do basquete do Flamengo, que o homenageou com um busto da entrada do Museu do Flamengo, na Gávea, o único jogador de basquete na história rubro-negra a ter recebido tal honraria.




terça-feira, 22 de julho de 2025

Marcelinho Machado, o maior ídolo do FlaBasquete na história


Marcelo Magalhães Machado

O craque da Camisa 4 rubro-negra deixou as quadras de basquete ao fim da Temporada 2017/2018. "MarceZico" quando parou, acabou um capítulo em especial na história do basquete do Clube de Regatas do Flamengo. Foram muitos jogos, títulos, cestas, conquistas e alegrias. Impossível relacionar tudo. Cada torcedor tem o seu momento mais feliz e seria até injusto marcar alguns definitivamente. Como um apanhado resumido da história, títulos números e dados importantes sobre a passagem mais do que vitoriosa de Marcelinho pelo "Mais Querido do Brasil".


1) Antes e Depois de Marcelinho Machado

O basquete sempre foi forte no Flamengo. No período "Antes de Marcelinho" já era o mais vitorioso do Rio de Janeiro, com 34 títulos, mas ainda carecia de um título nacional para se consagrar no Brasil. Antes de Marcelinho, o único troféu internacional havia sido o Campeonato Sul-Americano de Clubes de 1953, quando o Flamengo dividiu a taça com Olimpia (Paraguai) e Santa Fé (Argentina). Marcelinho chegou à Gávea em 2007 e tudo mudou! Desde que ele assumiu o número 4 do "Manto Sagrado", o Flamengo levantou nada menos do que 20 títulos em todos os possíveis. Ganhou tudo, absolutamente tudo. Marcelinho foi, com certeza, um divisor de águas na história da bola laranja do Flamengo!

Confira a lista de títulos conquistados por Marcelinho no Flamengo:

Campeonato Estadual – 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016 e 2017 (11 títulos)
Campeonato Brasileiro da CBB – 2008 (1 título)
Novo Basquete Brasil (NBB) – 2008/2009, 2012/2013, 2013/2014, 2014/2015 e 2016/2017 (5 títulos)
Liga Sul-Americana de 2009
Liga das Américas de 2014
Mundial de Clubes de 2014




2) Família do basquetebol

Marcelinho Machado é filho de Renê Machado, jogador histórico do Fluminense, com quem foi Penta-Campeão Carioca consecutivamente no início dos Anos 1970. Seu pai nunca jogou pelo Flamengo, mas o seu tio sim, o irmão de Renê era o pivô Sérgio Macarrão, que também se destacou nesta equipe do Fluminense e que chegou a servir à Seleção Brasileira, tendo vestido a camisa rubro-negra no fim dos Anos 1970.

Além do pai e do tio, quando chegou ao Flamengo em 2007 encontrou já no clube o seu irmão mais novo, Duda Machado, que a seu lado venceu os principais títulos obtidos pelo basquete rubro-negro naqueles anos. E a sua dinastia seguiu no clube, com seu filho jogando e sendo formado na divisão de base do basquete da Gávea, onde treinava na quadra batizada com o nome do ícone e ídolo rubro-negro: "Quadra Marcelinho Machado".

Na infância, praticava judô, natação, futebol e basquete. Quando era aluno do Colégio Santo Inácio, integrava as seleções da série e, pela altura, era um dos principais zagueiros do time de futebol. No basquete, começou aos 10 anos, quando assistia a um treino do seu irmão mais velho, no Flamengo. Naquele dia, o técnico Peixoto avisou que o clube teria uma categoria mais nova e perguntou se o menino tinha interesse. Posteriormente, como o seu pai era diretor do Fluminense, se transferiu para o clube das Laranjeiras aos 14 anos, para poder ser mais bem supervisionado. Ficou no Flu até se tornar profissional e, a partir daí, começou a sua saga. Depois dos primeiros anos profissionais pelo Fluminense, passou pelo time do Tijuca Tênis Clube, pelo Ginástico, de Belo Horizonte, e então chegou ao Botafogo no final dos Anos 1990, onde começou a obter números mais expressivos e se destacar, rendendo-lhe as primeiras convocações para a Seleção Brasileira. De General Severiano seguiu para o basquete europeu, jogou no Rimini Crabs, da Itália, no Cantabria Lobos, da Espanha, e no Zalgiris Kaunas, da Lituânia. Em meio a isto, uma passagem pelo Brasil em 2004, quando conquistou pela primeira vez um título nacional, com a camisa azul e branca do Telemar/Rio de Janeiro, clube-empresa financiado pela companhia de telefonia. Até ter em 2007 aportado de volta na Gávea para defender profissionalmente a camisa do Flamengo, quando já estava com 33 anos.


3) O primeiro de muitos títulos em vermelho e preto

Marcelinho tem cinco títulos do NBB e mais um Campeonato Brasileiro, totalizando 6 títulos nacionais. O primeiro é um clássico do "nunca esquece". Em 2008, o Flamengo foi líder absoluto do começo ao fim da competição. Na fase de classificação, 19 vitórias e apenas 3 derrotas. Das quartas de final em diante, o Mais Querido resolveu todas as séries de cinco em três jogos, com três vitórias. A decisão foi contra o Universo/BRB/Converse, de Brasília, e Marcelinho brilhou demais, tendo sido o cestinha nos três jogos, com 40 pontos e um incrível aproveitamento de 20 acertos em 20 arremessos de lance livre na terceira partida. No último jogo, o placar marcava 90 a 86 para o Mengão quando a bola parou na mão dele. Preparou, olhou, mandou e abriu 7 pontos, praticamente matando a decisão. Finalmente Marcelinho Machado realizava o seu sonho de ser campeão nacional pelo Flamengo, mas ainda estava longe de terminar sua brilhante passagem pelo clube. E nem poderia imaginar o que viria na sequência.


4) Depois do Brasil, a América do Sul

Desde 1953 o Flamengo não levantava um título continental. E o jejum acabou em 2009, graças a um time aplicado, raçudo e que contava com um craque em estado de graça. Marcelinho foi o MVP da competição e na partida decisiva, contra o Quimsa, da Argentina, guardou nada menos do que 41 pontos. Acertou de todos os lugares e foi o grande responsável pela vitória por 98 a 96 em plena Santiago Del Estero que valeu a taça inédita para o clube, Campeão da Liga Sul-Americana. Título histórico que também mostrou o seu lado de liderança.


5) A camisa 4

Mozer, Juan, Leonardo, Gamarra, Ronaldo Angelim.... A camisa 4 sempre vestiu nomes importantes na história do Flamengo no futebol. Não foi diferente com Marcelinho no basquete. Um número que sempre significou garra, raça e coração rubro-negro e que vestiu muito bem ao "Capitão do FlaBasquete". E ele a vestiu por acaso. Ele vestia a camisa 8, mas uma vez chegou na Seleção Brasileira ainda jovem e foi informado que já havia um camisa 8, então pegou a camisa 4, e nunca mais a largou. Gostou tanto que pediu para mudar no clube em que jogava também. E foi assim que a escreveu na história do basquete o seu nome com este número nas costas.

Com a Seleção Brasileira, o ala jogou 5 Mundiais com a camisa verde e amarela, sendo um dos dois únicos jogadores a alcançarem este feito até então. Em 2014, entrou para a história do basquete como o jogador que mais vezes participou de um Campeonato Mundial, chegando a 5 participações no torneio - 1998/2002/2006/2010/2014 - igualando-se ao portorriquenho Jerome Mincy (o recordista anterior), presente nas edições entre 1986 e 2002.

Com a Seleção Brasileira, foi destaque nsas três Medalhas de Ouro no inédito Tri-campeonato dos Jogos Pan-Americanos conquistados em 1999 em Winnipeg, em 2003 em Santo Domingo, e em 2007 no Rio de Janeiro. Da Copa América foi duas vezes Medalha de Ouro, Bi-Campeão em 2005 em Santo Domingo e em 2009 em San Juan, e foi duas vezes Medalha de Prata, ambas as vezes na Argentina, em 2001 em Neuquén e em 2011 em Mar Del Plata. Do Campeonato Sul-Americano, foi Campeão em 1999 jogando na Argentina, em Bahia Blanca, e voltou a conquistar o título em 2003 em Montevidéu. A única participação em Olimpíadas foi em 2012, e terminou com um 5º lugar, com a equipe que era treinada pelo argentino Ruben Magnano.

Individualmente, foram muitos prêmios: MVP da FIBA AmeriCup de 2005 (Copa América), MVP da Final da Liga das Américas em 2014 (FIBA Americas League Grand Finals), MVP da Liga Sul-Americana de 2009, 2 vezes MVP do NBB (nas edições de 2008/2009 e 2009/2010), escolhido como "Melhor Sexto Jogador do NBB" em 2016, e 2× campeão do torneio de 3 pontos do Jogo das Estrelas do NBB, em 2014 e 2015.



6) Senhor NBB

São cinco títulos no NBB. Cinco: 2008/2009, 2012/2013, 2013/2014, 2014/2015 e 2016/2017. Ter o Flamengo se tornado o maior campeão do Novo Basquete Brasil em sua largada deve-se muito a Marcelinho. Apenas na temporada 2012/2013 ele não teve participação decisiva em quadra, afastado por uma grave lesão, mas foi essencial fora, com a liderança e sua influência no time. Nas outras, ele foi "O Cara". Na primeira edição do NBB, o primeiro título, e o craque teve os seus melhores números: marcou 1.047 pontos, com aproveitamento de 54.3%, o melhor em toda sua carreira na competição, pegou 243 rebotes, seu recorde pessoal, deu 131 assistências, também a sua melhor marca, teve 43% de aproveitamento nos chutes de três, também o seu recorde, como também teve seu melhores números em lances livres (86.7%) e bolas roubadas (79).

No NBB, Marcelo Magalhães Machado disputou as 10 primeiras edições do torneio, todas com a camisa do Flamengo. No total foram 314 partidas disputadas, pouco mais de 9.232 minutos dentro de quadra, 5.709 pontos convertidos em 12.023 tentados, um aproveitamento de 47,5%. A evolução deste aproveitamento temporada a temporada: 54,3% em 2008/09 em 39 jogos, 49,6% em 38 jogos, 50,0% em 35 partidas, 45,9% em 32 partidas, 40,0% em 1 jogo, quando sofreu grave lesão no joelho, 44,4% em 36 jogos, 44,1% em 35 partidas, 43,8% em 39 partidas, 40,4% em 28 jogos, e 44,9% em 31 jogos. Uma regularidade impressionante, ainda mais considerando se tratar de um jogador já veterano. Neste período, os aproveitamentos de 2 pontos, desconsiderando a temporada lesionado, foram: 57,2%, 52,7%, 54,1%, 49,8%, 45,8%, 44,3%, 42,3%, 45,4% e 53,7%. Já o da linha de 3 pontos, também desconsiderando a temporada lesionado, foi: 43,0%, 42,3%, 39,8%, 35,9%, 37,6%, 39,8%, 40,3%, 32,6% e 36,6%. Na linha de lances-livres, o aproveitamento médio total nestas 10 temporadas foi de 85,1%.



7) Senhor do Mundo

O apelido MarceZico não é à toa. Zico comandou uma geração que levou o Flamengo a conquistar o Mundo no futebol, contra o Liverpool, em 1981. Marcelinho foi o líder do time que conquistou o planeta em 2014, ao vencer o Maccabi Tel-Aviv, de Israel, então Campeão da EuroLiga, no Rio de Janeiro, levando o pavilhão rubro-negro ao topo. Um jogo histórico, um momento único uma partida que jamais será esquecida. Aquele que certamente foi o maior time da história do basquete rubro-negro.



8) Senhor Clássicos

Marcelinho brilhava nos jogos importantes. Não foram poucas as vezes que ele foi essencial num jogo mais apertado, numa decisão, num clássico. Contra o Vasco, ele sempre reservou uma energia extra. No seu último NBB, na Arena Carioca 1, na Barra da Tijuca, Marcelinho doutrinou: foram 22 pontos, 6 rebotes e 4 assistências. O jogo estava apertado, o Vasco pressionava e queria o resultado diante de uma arena com torcida única. O veterano Marcelinho então foi para a quadra, jogou 29 minutos e decidiu a partida, saiu ovacionado pela Nação presente na Arena.


9) Um recorde inatingível

Sessenta e três pontos. Recorde absoluto do NBB. Ninguém fez mais pontos que Marcelinho num jogo. A marca foi atingida contra o São José, em 07 de março de 2010, na Arena da Barra. Além de recordista de títulos, Marcelinho é o maior pontuador em um único jogo de NBB. O "Senhor NBB".




sexta-feira, 18 de julho de 2025

FLABASQUETE vs Brasília: A Marca de Uma Era


Flamengo x Brasília: duelo que marcou uma era na história do basquete brasileiro




Nélson Rodrigues eternizou que o primeiro Fla-Flu aconteceu 40 minutos antes do nada. Pois a rivalidade entre Flamengo e Brasília no basquete começou numa final 6 meses antes da primeira final entre Flamengo e Brasília.

O Universo/Brasília tinha sido o campeão brasileiro de 2007 ao bater Franca na final da Liga Nacional, quando o Flamengo, então bi-campeão carioca, decidiu aumentar o investimento no basquete e contratou a Marcelinho Machado para a temporada 2007/08.

Para o Campeonato Carioca de 2007 abriu-se a possibilidade de agremiações do Rio "alugarem" times de outros estados. O Vasco, na última cartada em esportes olímpicos dada pela "Dinastia Eurico Miranda", acertou com o time campeão brasileiro do Brasília, e o Fluminense com o time do Minas Tênis Clube. O Vasco tentava desesperadamente romper a hegemonia rubro-negra no basquete. Entretanto, o campeão brasileiro perdeu para o Estadual do Rio a seu principal jogador: Alex Garcia assinou contrato por uma temporada com o Maccabi Tel Aviv, de Israel. Na apresentação do time do Vasco, seu presidente, Eurico, quando indagado sobre Alex, tentando blefar para não diminuir os holofotes sobre a sua cartada para derrubar a hegemonia de seu adversário da Gávea, respondeu de supetão: "vem todo mundo, inclusive o Alex". Mas ele nunca vestiu a camisa cruzmaltina.

Ali se iniciava uma série de finais entre os times de Flamengo e Brasília que representaram um capítulo a parte na história do basquete brasileiro e marcaram uma época! No Carioca de 2007 foram 4 jogos entre Flamengo e Vasco, com três vitórias rubro-negras, mas tendo todos os jogos sido duríssimos: 73 x 74 / 81 x 80 / 92 x 74 / 75 x 73. No Brasileiro de 2008, foram 5 jogos entre Flamengo e Brasília, e em todos com vitória rubro-negra: 106 x 102 / 103 x 96 / 93 x 66 / 91 x 76 / 101 x 96.

O equilíbrio se reestabeleceu na temporada seguinte quando, para o Brasileiro 2009, Alex voltou a defender a camisa do Brasília. A disputa então se equilibrou muito, tendo em 7 confrontos havido quatro vitórias a três em favor do Flamengo: 78 x 82 / 100 x 92 / 81 x 74 / 71 x 81 / 99 x 78 / 78 x 82 / 76 x 88.

Na temporada 2009-2010, Brasília contratou a Guilherme Giovannoni e o time do Universo conseguiu mudar o jogo e passar a deter um período de hegemonia no confronto. No Brasileiro foram outros 7 confrontos, duas vitórias rubro-negras e cinco derrotas. Entretanto, um novo título nacional rubro-negro escapou por apenas dois pontos no jogo decisivo: 73 x 81 / 83 x 90 / 88 x 84 / 90 x 93 / 84 x 85 / 94 x 74 / 74 x 76.

Na temporada 2010/11 o basquete de Brasília mudou de universidade: o nome do time trocou de Universo para UniCEUB. Neste temporada foram só 3 duelos, um deles porém valendo o título da Liga Sul-Americana, e foram uma vitória e duas derrotas do Flamengo: 86 x 96 / 71 x 85 / 93 x 80. O principal confronto, a final sul-americana, foi em pleno Rio de Janeiro, mas terminou com o título do Brasília.

No acumulado de 2008 a 2011, Flamengo e Brasília jogaram 23 vezes, com 12 vitórias do Flamengo e 11 do Brasília (sem contar os jogos sob a camisa do Vasco). Já acumulando no período 2009 a 2011, ficou 11 x 7 a favor do Brasília. Para virar este jogo, na temporada 2011/12, o time rubro-negro montou um tripé formado por David Jackson, Marcelinho Machado e Federico Kammerichs, mas não funcionou, e mais uma vez Brasília se impôs e foi o campeão. O último capítulo histórico deste confronto foi no início da temporada 2011/12, quando um amistoso preparatório entre as duas equipes marcou a esteia de Leandrinho Barbosa com a camisa rubro-negra.

Entre 2007 e 2016 todos os títulos nas 10 edições de Liga Nacional disputadas foram ou de Flamengo ou de Brasília, com 6 títulos nacionais rubro-negros e 4 da equipe da capital federal. Uma década inteira de confrontos marcantes! Nas duas últimas edições organizadas pela Confederação Brasileira de Basquete, o título foi do Brasília em 2007 e do Flamengo em 2008. E nas 8 primeiras edições do Novo Basquete Brasil, o Flamengo foi o campeão em 2009, o Brasília foi tri-campeão em 2010-2011-2012, e o Flamengo ficou com o tetra-campeonato em 2013-2014-2015-2016. Os dois marcaram uma era na história do basquete brasileiro! Uma história curiosamente em progressão aritmética: consecutivamente 1 taça para um lado, 2 para outra, 3 para um e 4 para o outro.

Marcelinho Machado vs Alex Garcia


AS CINCO FINAIS HISTÓRICAS:

CARIOCA 2007
FINAL (SÉRIE FECHOU FLAMENGO 2 x 0) - 15/12/2007 - Local: MARACANÃZINHO
FLAMENGO 75
Hélio (30), Marcelinho (17), Amiel (9), Coloneze (3) e Alírio (7). Entraram: Fred (0), Duda (1), Fernando Alvim (4) e Wagner (4). Técnico: Paulo Chupeta
VASCO 73
Valtinho (20), Arthur (17), Jefferson Sobral (7), Márcio Cipriano (9) e Estevam (2). Depois: Rossi (9), Luiz Fernando (9) e Brasília (0). Técnico: José Carlos Vidal

BRASILEIRO 2008
FINAL (SÉRIE FECHOU FLAMENGO 3 x 0) - 03/06/2008 - Local: Ginásio da ASCEB, Brasília
FLAMENGO (23 + 19 + 20 + 39 = 101)
Hélio (13), Duda (22), Marcelinho (40), Coloneze (11) e Alírio (5). Depois: Fred (5), Fernando Alvim (2), Amiel (0) e Wagner (3). Técnico: Paulo Chupeta
UNIVERSO/BRB/BRASÍLIA (28 + 18 + 21 + 29 = 96)
Ratto (17), Valtinho (17), Arthur (20), Maurice Spillers (13) e Márcio Cipriano (14). Depois: Rossi (3), Charles (2), Luis Fernando (3) e Estevam (7).Técnico: Lula Ferreira.

BRASILEIRO 2009
FINAL (SÉRIE FECHOU FLAMENGO 3 x 2) - 28/06/2009 - Local: HSBC Arena, Rio de Janeiro
FLAMENGO (19 + 23 + 15 + 19 = 76)
Hélio (5), Duda (15), Marcelinho (27), Jefferson William (16) e Baby (0) Depois: Fred (2), Fernando Alvim (4), Wagner (3), Coloneze (2) e Alírio (2). Técnico: Paulo Chupeta
UNIVERSO/BRB/BRASÍLIA (17 + 19 + 15 + 17 = 68)
Valtinho (15), Alex Garcia (14), Arthur (7), Márcio Cipriano (0) e Estevam (11). Depois: Ratto (0), Rossi (0), Diego (21) e Mineiro (0) Técnico: Lula Ferreira.

BRASILEIRO 2009-10
FINAL (SÉRIE FECHOU BRASÍLIA 3 x 2) - 06/06/2010 - Local: Ginásio de Anápolis, Goiás
UNIVERSO/BRB/BRASÍLIA (22 + 17 + 13 + 24 = 76)
Valtinho (21), Alex Garcia (23), Arthur (3), Guilherme Giovannoni (15) e Estevam (11). Depois: Nezinho (3) e Márcio Cipriano (0). Técnico: Lula Ferreira
FLAMENGO (15 + 26 + 14 + 19 = 74)
Hélio (15), Duda (16), Marcelinho (16), Jefferson William (9) e Wagner (6). Depois: Fred (6), Vitor Boccardo (2) e Guilherme Teichmann (4). Técnico: Paulo Chupeta

LIGA SUL-AMERICANA 2010
FINAL (JOGO ÚNICO) - 28/11/2010 - Local: HSBC Arena, Rio de Janeiro
UNICEUB/BRB/BRASÍLIA (24 + 29 + 20 + 23 = 96)
Nezinho (22), Alex Garcia (16), Arthur (10), Guilherme Giovannoni (22) e Lucas Tischer (3). Depois: Bruno Langsdorff (0), Rossi (0), Fábio (3), Márcio Cipriano (15) e Alírio (5). Técnico: José Carlos Vidal
FLAMENGO (33 + 11 + 27 + 15 = 86)
Hélio (9), Duda (3), Marcelinho (28), Jefferson William (11) e Babby (11). Depois: Fred (2), Guto (3), Wagner (3), Guilherme Teichmann (12) e Átila dos Santos (4). Técnico: Paulo Chupeta



A Passagem de Leandro Barbosa pela Gávea

Foram dois meses de exibições do jogador da NBA com o manto vermelho e preto. Uma passagem curta, mas intensa. Quando o Flamengo anunciou o sonho de trazer Leandrinho durante o lock-out da NBA, só se escutavam deboches e ironias, era mais "devaneio lunático do Flamengo" para muitos. O devaneio virou realidade, mas ainda assim muitos foram os questionamentos: "vai jogar meia dúzia de jogos e vai embora". O fato é: ele veio, vestiu rubro-negro, mostrou ao Brasil que o projeto foi sério e financeiramente viável, colocou o basquete brasileiro de forma mais intensa na mídia, e reforçou a seriedade dos investimentos em basquete na Gávea. Em suma, representou uma tremenda ação de marketing! Quando acabou a greve no basquete norte-americano, ele voltou, como estava planejado e estipulado no contrato desde o início, para vestir novamente a camiseta do Toronto Raptors.

Mas mais do que uma ação de marketing nacional, foi uma ação internacional de fortalecimento de marca. Por todo o mundo a mídia especializada divulgou: enquanto outros jogadores acertavam para jogar na Espanha, na Turquia, na Rússia e na China durante o lock-out, Leandro Barbosa seguia para o Brasil, para o Flamengo. Foi notícia no mundo inteiro.

Mais, entrava num quinteto no qual todos os jogadores tinham renome internacional: Leandro Barbosa, David Jackson, Marcelo Machado, Federico Kammerichs e Caio Torres. Um jogador de NBA, outro com mais de 10 anos na Seleção Brasileira, outro da Seleção da Argentina, outro que foi o melhor estrangeiro da Liga Argentina, e outro que jogou a Liga Espanhola. Um time de nível internacional.

O maior projeto era disputar o Hexagonal Final da Liga Sul-Americana, que estava inicialmente programado para ser jogado entre 29 de novembro e 3 de dezembro. Teria sido o tempo exato para Leandrinho jogar, não tivesse o evento sido desmarcado por desavenças burocrático-financeiras sobre qual seria o local de disputa.

Era para tudo ter sido tão só uma grande ação de marketing, mas Flamengo é Flamengo, não há relação fria e breve que suporte. Com a palavra, Leandrinho: "Vestir a camisa do Flamengo tem um sabor diferente. E eu quero ter o prazer de sentir isso novamente. Não sei o que vai acontecer, como está o Toronto e como vai ser a temporada da NBA. Mas meu coração já está guardado para o Flamengo" (Leandro Barbosa, 03/12/2011). Mas este desejo não se realizou, depois da passagem em vermelho e preto em 2011, ele regressou para atuar no Brasil na temporada 2013/14 para jogar pelo Pinheiros, por quem disputou apenas 8 partidas. Depois de mais um giro no exterior, jogou mais três temporadas do NBB, tendo feito 12 jogos por Franca na temporada 2017/18, e 34 pelo Minas Tênis Clube no somatório nas temporadas 2018/19 e 2019/20.


A histórica estreia de Leandro Barbosa com a camisa do Flamengo:

TORNEIO AMISTOSO JOÃO HERCULINO
Data: 09/10/2011 - LOCAL: Ginásio Nilson Nélson, Brasília
UNICEUB/BRB/BRASÍLIA (26 + 22 + 10 + 27 = 85)
Nezinho (20), Alex Garcia (27), Arthur (8), Guilherme Giovannoni (6) e Alírio (9). Depois: Bruno Langsdorff (5), Rossi (2), Fábio (0), Márcio Cipriano (2), Ronald (0) e Lucas Tischer (6). Técnico: José Carlos Vidal
FLAMENGO (22 + 17 + 28 + 15 = 82)
Leandrinho (11), David Jackson (8), Marcelinho (28), Kammerichs (7) e Caio Torres (18). Depois: Hélio (3), Fred (3), Guto (0), Guilherme Teichmann (0), Wagner (0) e Átila dos Santos (4). Técnico: Gonzalo Garcia


 Leandrinho, cercado por Nezinho, Rossi e Cipriano


Jogos pelo Flamengo:
09/10 -  82 x 85 UniCEUB/Brasília - Amistoso em Brasília: 11 pontos
13/10 - 105 x 86 Uberlândia - Amistoso na Gávea: 15 pontos
14/10 -  92 x 84 Uberlândia - Amistoso na Gávea a portões fechados: 19 pontos
20/10 -  98 x 68 Tijuca - Amistoso na Gávea a portões fechados: 16 pontos
03/11 - 109 x 77 UTE Quito (EQU) - Liga Sul-Americana, em Córdoba (ARG): 22 pontos
04/11 -  97 x 44 Boston College (CHL) - Liga Sul-Americana, em Córdoba (ARG): 15 pontos
05/11 -  74 x 83 Atenas (ARG) - Liga Sul-Americana, em Córdoba (ARG): 14 pontos
11/11 - 101 x 74 Tijuca - Final do Estadual, Ginásio da Gávea: 20 pontos
15/11 -  93 x 75 Tijuca - Final do Estadual, Ginásio da Gávea: 15 pontos
19/11 -  88 x 78 Paulistano - Liga Nacional, Ginásio do Tijuca TC: 26 pontos
21/11 -  84 x 89 Pinheiros - Liga Nacional, Ginásio do Tijuca TC: 20 pontos
24/11 -  83 x 70 Minas - Liga Nacional, em Belo Horizonte: 6 pontos
26/11 - 110 x 72 UniCEUB/Brasília - Liga Nacional, Ginásio do Tijuca TC: 22 pontos
01/12 -  81 x 66 Bauru - Liga Nacional, Ginásio do Tijuca TC: 16 pontos
03/12 -  93 x 55 Liga Sorocabana - Liga Nacional, Ginásio do Tijuca TC: 24 pontos

15 jogos, 12 vitórias e 3 derrotas - 261 pontos, 17,4 pontos por jogo