segunda-feira, 14 de julho de 2025

FLABASQUETE 2008-2009: Bi-Campeão Brasileiro e Campeão Sul-Americano


BI-CAMPEÃO BASILEIRO DE BASQUETE, 2008-2009


"Reestruturado o trabalho no basquete, era hora de voltar a galgar sonhos maiores. Para o Carioca de 2007, o rubro-negro voltou a investir mais alto. Contratou os irmãos Marcelinho e Duda Machado, o pivô Alirio, o ala cubano Amiel e o armador Hélio. O grupo venceu o Carioca, sagrando-se mais uma vez tricampeão. Em seguida, disputou a primeira edição da Liga das Américas, e, pela terceira vez, participou da Liga Sul-Americana. Na primeira fase superou o Libertad Sunchales, da Argentina, campeão sul-americano em 2007, e, depois, na semifinal, fez um duelo histórico com o Boca Juniors, vencendo a série por 2 a 1. Foi à final com o Regatas Corrientes, também da Argentina. Perdeu os dois primeiros jogos em solo estrangeiro, depois venceu duas vezes seguidas no Maracanãzinho, forçando o quinto e decisivo jogo, a ser realizado em Corrientes. Foi uma batalha, com um clima entre quadra e arquibancada extremamente adverso. A cinco minutos do fim do tempo regulamentar, no último quarto de jogo, o time da Gávea chegou a empatar por 57 a 57. Mas os argentinos, mestres em usar o fator campo (neste caso, quadra) para desestabilizar emocionalmente o adversário, venceram por 73 a 65 e ficaram com o título.

Restava ao Flamengo perseguir o inédito título de campeão nacional, que o clube tanto ansiava havia muitos anos. Dentro da belíssima e longínqua tradição do basquetebol do clube, faltava o troféu máximo nacional na galeria da Gávea. O competitivo time rubro-negro terminou a primeira fase como líder, postulando-se como franco favorito à conquista inédita para o clube. Não perdeu nenhuma partida nem nas quartas nem na semifinal, fases em que superou, respectivamente, a Cetaf Vila Velha, do Espírito Santo, e Joinville, de Santa Catarina. Como em 2000 e 2004, o Flamengo estava na final da Liga Nacional de Basquete. O adversário a ser batido desta vez era o time do Universo Brasília, campeão nacional no ano anterior, comandado pelo ex-técnico da seleção brasileira Lula Ferreira, comandante do quinteto nacional entre 2002 e 2007. (...) Nos dois primeiros jogos, no Maracanãzinho, o time rubro-negro sobrou em quadra, arrasando o adversário. Venceu o primeiro duelo por 93 a 66, e o segundo por 91 a 76. O terceiro jogo era na capital federal. Ainda assim, a presença maciça de torcedores no ginásio era rubro-negra. O Flamengo passou o jogo inteiro atrás no marcador, mas conseguiu a virada nos sete minutos finais, vencendo por 101 a 96. O sonho do basquete rubro-negro estava sacramentado. Mengão campeão nacional!". (A NAÇÃO, pgs. 188-189)

A expectativa em 2008 era grande na Gávea. O Flamengo tinha diante de si uma das maiores oportunidades de sua história para ser campeão nacional, e enfim consumar um sonho que alimentava havia décadas. Vinha embalado pelo Tri-campeonato Carioca de 2005-2006-2007, e na última edição, aquela na qual conquistou ao tri, foi o campeão em uma competição da qual tinham participado o Universo/Brasília, Campeão Brasileiro de 2007, representando o Vasco, e o Minas Tênis Clube, que durante o Carioca se sagrou Campeão do Sul-Americano de Clubes Campeões, cuja equipe atuou com a camisa do Fluminense. Ou seja, campeão carioca, o Flamengo havia superado e estava com um time à altura dos melhores a nível nacional.

O basquete brasileiro vinha de um grande racha em 2006, que levou a não haver campeão nacional naquele ano, e ainda restavam resquícios deste racha, tanto que só uma equipe paulista participou do torneio de 2008. Dentre os que disputaram o Paulista de 2007, a grande ausência foi Franca. Limeira e Assis mantiveram-se fora, Rio Claro e Ribeirão Preto haviam desmanchado suas equipes e sequer disputado o Campeonato Paulista no segundo semestre do ano anterior. O time de São Bernardo, mantido pela Universidade Ulbra, foi vice-campeão paulista, tendo perdido a final para o Franca, e para aquela Liga Nacional o projeto mudou de município, trocando São Bernardo por Rio Claro, que assim reativou o seu projeto de basquete.

O torneio de 2008 foi assim o último campeonato nacional organizado pela CBB (Confederação Brasileira de Basquete) e contou com 12 equipes. Os adversários do Flamengo foram: Universo/Brasília (DF), Ulbra/Rio Claro (SP), Uberlândia (MG), Pitágoras/Minas (MG), Iguaçu (RJ), Saldanha da Gama (ES), Cetaf/Vila Velha (ES), Londrina (PR), Joinville (SC), Univates Bira Lajeado (RS) e FTC-EAD (BA). O principal adversário na luta pelo título era a equipe da capital federal, treinada por Lula Ferreira, e com um quinteto com Ratto, Valtinho, Arthur Belchor, Márcio Cipriano e o norte-americano Maurice Spillers.


Na Fase Regular, depois de 15 vitórias consecutivas, a equipe foi surpreendentemente superada em casa pelo Joinville. Antes do fim da fase, ainda perdeu como visitante para o Uberlândia e para o Ulbra/Rio Claro. Assim, em 22 jogos, venceu 19 e perdeu apenas 3, tendo superado duas vezes à equipe que dividia o favoritismo com a rubro-negra, a equipe de Brasília. Terminou em 1º lugar, seguido pelo Minas Tênis Clube, que sofreu 6 derrotas, o Universo/Brasília que sofreu 7, e Rio Claro e Joinville, ambos tendo sido derrotadas 8 vezes.


Sem dificuldades, varreu seus adversários nas quartas de final e na semi-final, tendo vencido por 3-0 a CETAF/Vila Velha e ao Joinville, habilitando-se para fazer a esperada final contra o Universo/Brasília, que venceu seus mata-matas duas vezes por 3-1 (sobre o Uberlândia nas quartas de final, e sobre o Minas Tênis Clube na semi-final).

Foi sofrido, mas novamente com varrida: Flamengo 3-0. O clube, enfim, era campeão brasileiro de basquete! E o grande herói rubro-negro foi Marcelinho Machado, pontuador máximo do time nas três partidas. As duas primeiras foram disputadas no Ginásio do Maracanãzinho, e o time aproveitou para abrir folgada vantagem. No Jogo 1, venceu aos dois primeiros quartos com folga, por 32 x 12 e por 29 x 15, terminando o 1º tempo com uma larga vantagem no placar de 61 x 27. Administrou no 2º tempo, e com um total de 24 pontos de Marcelinho, venceu sem sustos por 93 x 66. No Jogo 2, novamente se impôs logo no 1º tempo, mas desta vez com um pouco menos de folga, vencendo os dois primeiros quartos por 31 x 24 e 26 x 15, e indo para o intervalo com o placar de 57 x 39 a seu favor. Administrou o resto da partida, e com 25 pontos de Marcelinho, venceu por 91 x 76. Em casa, foram duas partidas com história bastante parecida.

A série seguiu em Brasília, com o Jogo 3 sendo disputado no Ginásio da ASCEB. Uma partida bastante disputada desde o início. Com a defesa funcionando, o time de Brasília marcava muito bem e gerava dificuldade à equipe rubro-negra. Marcelinho só foi fazer seus primeiros pontos na partida no final do 1º quarto. Após ter ficado pendurado com três faltas logo na volta do intervalo, ficou praticamente o 3º quarto inteiro sentado no banco de reservas. Ao fim do 3º quarto, o marcador apontava vantagem para Brasília: 67 x 62. Foi então que, no último quarto, a mão certeira de Marcelinho Machado foi decisiva, com o camisa 4 rubro-negro totalizando 40 pontos no jogo, liderando o time para uma virada histórica que confirmou a conquista do título brasileiro por 101 x 96. O troféu nacional enfim seguiu para a Gávea!



2008 - Campeão Brasileiro
Time: Hélio, Duda Machado, Marcelinho Machado, Alírio e Fernando Coloneze
Téc: Paulo "Chupeta" Sampaio
Banco: Fred, Amiel Vega, Fernando Alvim e Wágner

Campanha: 83 x 69 Bira Lajeado (f) / 82 x 65 Joinville (f) / 98 x 62 Cetaf (c) / 94 x 79 Saldanha da Gama (c) / 78 x 71 Londrina (f) / 122 x 57 Iguaçu (n) / 97 x 75 Uberlândia (c) / 93 x 68 FTC/EAD (f) / 106 x 102 Universo/Brasília (f) / 96 x 89 Minas (c) / 96 x 66 Rio Claro (c) / 113 x 57 Iguaçu (n) / 95 x 61 Londrina (c) / 80 x 78 Cetaf (f) / 90 x 59 Saldanha da Gama (f) / 64 x 81 Joinville (c) / 111 x 76 Bira Lajeado (c) / 93 x 71 FTC/EAD (c) / 84 x 71 Minas Tênis (f) / 81 x 85 Uberlândia (f) / 73 x 88 Rio Claro (f) / 103 x 96 Universo/Brasília (c) / Quartas de final: 90 x 77 Cetaf (c) / 79 x 72 Cetaf (c) / 97 x 70 Vetaf (f) / Semi-final: 94 x 72 Joinville (c) / 120 x 113 Joinville (c) / 94 x 85 Joinville (f) / Final: 93 x 66 Universo/Brasília (c) / 91 x 76 Universo/Brasília (c) / 101 x 96 Universo/Brasília (f)


2009 - Bi-campeão Brasileiro
Time: Hélio, Duda Machado, Marcelinho Machado, Jefferson Willian e Rafael Araújo "Baby"
Téc: Paulo "Chupeta" Sampaio
Banco: Fred, Fernando Alvim, Wágner, Alírio e Coloneze

Campanha: 90 x 89 Pinheiros (f) / 96 x 87 Paulistano (f) / 102 x 85 Minas (f) / 90 x 72 São José (f) / 101 x 108 Winner/Limeira (f) / 105 x 83 Joinville (c) / 110 x 69 Bira Lajeado (c) / 103 x 97 Bauru (c) / 104 x 81 Saldanha da Gama (f) / 74 x 63 Cetaf (f) / 78 x 82 Universo/Brasília (c) / 100 x 83 Araraquara (c) / 93 x 75 Franca (c) / 84 x 72 Assis (c) / 86 x 81 Pinheiros (c) / 105 x 71 Paulistano (c) / 76 x 65 Winner/Limeira (c) / 91 x 80 São José (c) / 106 x 88 Assis (f) / 98 x 91 Bauru (f) / 100 x 90 Joinville (f) / 90 x 73 Bira Lajeado (f) / 99 x 49 Saldanha da Gama (c) / 89 x 68 Cetaf (c) / 100 x 92 Universo/Brasília (f) / 76 x 69 Araraquara (f) / 86 x 81 Franca (f) / 84 x 80 Minas (c) / Quartas de final: 92 x 87 Pinheiros (f) / 92 x 85 Pinheiros (c) / 87 x 84 Pinheiros (c) / Semi-final: 88 x 86 Joinville (f) / 92 x 86 Joinville (c) / 109 x 94 Joinville (c) / Final: 81 x 74 Universo/Brasília (f) / 71 x 81 Universo/Brasília (c) / 99 x 78 Universo/Brasília (c) / 78 x 82 Universo/Brasília (f) / 76 x 68 Universo/Brasília (c)




Em 2009 houve enfim a união de todas as forças políticas do basquete brasileiro com uma mudança estrutural fundamental: a Liga Nacional de Basquete como uma organização autônoma e independente da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), de forma que o campeonato passou a ser todo ele organizado e gerido pelos clubes participantes, em modelo de franquias, com a criação do que foi batizado de Novo Basquete Brasil (NBB), uma repaginação e remodernização da Liga Nacional.

A 1ª edição do NBB reuniu 15 equipes, sendo que 7 delas haviam estado entre os 12 participantes da última edição do torneio da CBB, do qual o Flamengo foi campeão, em 2008. Além do rubro-negro, também participaram em 2009: Universo/Brasília (DF), Pitágoras/Minas (MG), Joinville (SC), Cetaf/Vila Velha (ES), Saldanha da Gama (ES) e Univates Bira Lajeado (RS). Os outros 8 participantes do 1º NBB eram todos do Estado de São Paulo: Franca, Winner/Limeira, Bauru, Pinheiros, Paulistano, Assis, Araraquara e São José. Campeão em 2008 contra apenas um paulista, era fundamental para a afirmação rubro-negra na elite nacional ser protagonista diante de todas as grandes forças do basquete do Estado de São Paulo. A diretoria manteve toda a equipe campeã e contratou dois reforços de peso para a disputa, com a chegada do ala-pivô Jéfferson William, jogador com convocações para a Seleção Brasileira, e a do pivô Rafael Araújo, o Babby, jogador com história na NBA, que após ter destaque na NCAA pela destacada equipe da BYU de Utah, foi a 8ª escolha do Draft da NBA, tendo atuado pelo Toronto Raptors e pelo Utah Jazz, e que após uma passagem pela Rússia, vestindo a camisa do Spartak Moscou, chegava à Gávea como o grande reforço rubro-negro para a temporada.

Entre os grandes adversários rubro-negros na disputa pelo título estavam as equipes do Universo/Brasília, do técnico Lula Ferreira, e com um quinteto formado por Valtinho, Alex Garcia, Arthur Belchor, Márcio Cipriano e Estevam, basicamente a mesma equipe vice-campeã no ano anterior; do Pitágoras/Minas Tênis Clube, do técnico Flávio Davis, e com um quinteto com Facundo Sucatzky, Joseph Shipp, Soró, Ricardo Probst e Murilo Becker; do Joinville, do técnico Alberto Bial, e com Manteiguinha, Espiga, Jéfferson Sobral, Antwine Williams e Shilton; e do Winner/Limeira, do técnico Zanon, e com Nezinho, Shamell Stallworth, Renato Lamas, Guilherme Teichmann e Bruno Fiorotto. A equipe rubro-negra tinha plenas condições para enfrentar qualquer um destes adversários de igual para igual.

Provou isto em quadra: o time fez uma excelente campanha! A desconfiança maior era para o confronto direto contra os paulistas, já que estas equipes que jogaram em 2009 não tinham estado no campeonato de 2008. E o desafio de afirmação era ainda maior dado que os cinco primeiros jogos rubro-negros foram todos fora de casa, sendo três em São Paulo. Na estreia, vitória apertada, por apenas um ponto, sobre o Pinheiros (90 x 89) na capital paulista, o que fazia a desconfiança crescer, dado que aquela havia sido a 4ª colocada do Campeonato Paulista de 2008, atrás de Limeira, Franca e Paulistano. Na quinta rodada, a primeira derrota, para o Winner/Limeira, campeão paulista (101 x 108). Até o fim do turno, o time sofreu uma segunda derrota, esta em casa, no Ginásio do Tijuca Tênis Clube, para o Universo/Brasília (78 x 82). Daí em diante, a equipe só cresceu, e fez uma campanha invicta no 2º turno, com vitórias como visitante sobre Brasília, Franca e Araraquara. Assim, na primeira fase o Flamengo garantiu a 1ª colocação, com 26 vitórias e apenas 2 derrotas.

Embalado, o time rubro-negro impôs duas varridas, vencendo suas séries por 3-0 nas quartas de final contra o Pinheiros e na semi-final contra o Joinville. É válido destacar: apesar da volta dos paulistas, os quatro semi-finalistas tanto em 2008 quanto em 2009 foram os mesmos: Flamengo, Brasília, Minas Tênis Clube e Joinville Basquete.

Na final o Flamengo conquistou o bicampeonato brasileiro vencendo novamente ao Universo Brasília, desta vez por 3 a 2. O quinteto rubro-negro venceu o primeiro jogo em Brasília por 81 a 74, mas perdeu o segundo no Rio por 81 a 71. O terceiro jogo também foi na HSBC Arena, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, desta vez com vitória rubro-negra por 99 a 78, seguida por uma derrota na capital federal por 82 a 78. A série estava empatada em 2-2. A partida que decidiu o título foi jogada na Arena Olímpica da Barra (então HSBC Arena) diante de mais de 15 mil torcedores (15.430 pagantes), batendo o recorde de público do ginásio. A vitória foi rubro-negra por 76 x 68, com Marcelinho Machado sendo o cestinha do jogo com 27 pontos.

O jogo foi quente! Com menos de 2 minutos, Babby e Márcio Cipriano brigaram e foram expulsos. O time rubro-negro perdia uma de suas principais peças, e a torcida, que lotava o ginásio, ficava tensa com isso. Mas o time rubro-negro, melhor em quadra, abriu 31 x 20 durante o 2º quarto. O Brasília reagiu, e no intervalo o placar apontava uma vitória rubro-negra por 42 x 36. A tensão rubro-negra cresceu quando o Brasília encostou e diminuiu a diferença para um ponto apenas (45 x 44). Mas o quarto terminou com um empate na parcial (15 x 15) que manteve a vantagem no agregado em 57 x 51 a favor do Flamengo. No quarto final, a tensão não baixava, com o placar sanfonando, mas sempre em vantagem vermelha e preta. Foi assim até o final: Mengão, Bi-Campeão Brasileiro de Basquete!! 76 -68, uma vitória histórica e de autoafirmação definitiva no cenário nacional da bola laranja.





Campeão da Liga Sul-Americana de 2009

A campanha rubro-negra naquela conquista: 105 x Cocodrilos (Venezuela) / 85 x 82 Obras Sanitarias (Argentina) / 82 x 83 Cúcuta Norte (Colômbia) / 92 x 72 Regatas Corrientes (Argentina) / 115 x 82 Cúcuta Norte (Colômbia) / 98 x 86 Quimsa (Argentina)



"O velho sonho de sagrar-se campeão nacional estava realizado, mas o Flamengo queria mais. A maior conquista estava reservada para o ano seguinte. Classificado para o quadrangular final da Liga Sul-Americana, a equipe rubro-negra viajou para Santiago Del Estero, na Argentina, para buscar a maior glória da história de seu basquetebol até então.

Nas doze primeiras edições da Liga Sul-Americana, os argentinos haviam levado o título nove vezes. No Brasil, até aquele momento, só Vasco (1999 e 2000) e Uberlândia (2005) haviam conquistado o troféu. O basquete brasileiro já havia perdido oito finais da liga para os argentinos: o Corinthians foi vice-campeão em 1996 e 1997, o Franca perdeu as finais de 1998 e 2007, o Vasco perdeu a de 2002, o Uberlândia a de 2004, o Ribeirão Preto em 2006 e o próprio Flamengo perdera em 2008.

Desde 1986 um clube brasileiro não retornava de solo argentino com um troféu na bagagem, quando então o time paulista do Monte Líbano havia vencido o Ferro Carril e conquistado o Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões. Neste período, só o Vasco havia sido campeão em cima de times argentinos, tendo vencido o Boca Juniors na final da Liga Sul-Americana de 1999, e o Atenas de Córdoba na final de 2000; mas em ambas as oportunidades a partida final, que definiu o título, ocorreu no Rio de Janeiro. Eram 23 anos sem que um quinteto de basquetebolistas brasileiros (fosse um clube ou a Seleção) voltasse de solo argentino trazendo um troféu. Foi uma brilhante e heroica conquista do basquete rubro-negro.

O campeão sul-americano de 2009, o maior time da história de basquete do Flamengo até então, jogava com: Hélio, Duda, Marcelinho, Jefferson Willian e Baby, e ainda tinha Fred, Fernando Alvim, Wagner, Coloneze e Alírio".

(A NAÇÃO, pgs 190-191)



Após amargar o vice-campeonato da Liga-Sul-Americana em 2008, quando passou pelo Boca Juniors na semi-final mas acabou derrotado na decisão pelo Regatas de Corrientes, perdendo a série por 3 x 2, o basquete rubro-negro estava de volta à final continental. Em Santiago del Estero, na Argentina, em 12 de março de 2009, Flamengo e Quimsa se enfrentaram pela Final da Liga Sul-Americana.

O Flamengo foi arrasador, obtendo uma vitória épica na Argentina! A campanha nos playoffs finais foi irrepreensível: 92 x 72 no Regatas Corrientes e 115 x 82 sobre o Cúcuta Norte, da Colômbia. O título, inédito, àquela altura representava a conquista mais importante da história do clube no basquete, conseguindo de volta para o Brasil o título do torneio após três anos em mãos argentinas. O Flamengo se juntava ao Vasco e ao Uberlândia como únicos brasileiros campeões da Liga Sul-Americana.




Ficha Técnica:

QUADRANGULAR FINAL

10 de março de 2009 – Santiago del Estero, Argentina
FLAMENGO  -  92 (20 + 21 + 25 + 26)
Hélio (19 pontos), Duda (15), Marcelinho Machado (25), Jefferson William (10) e Baby (12). Entraram depois: Fred (0), Coloneze (7), Wagner (4), Fernando Mineiro (0), Alírio (0), Daniel Soares (0). Técnico: Paulo Chupeta
REGATAS CORRIENTES  -  72 (20 + 18 + 14 + 20)
Alejandro Montecchia (0), Sebastian Acosta (12), Roberto López (7), Ramzee Stanton (13) e Kammerichs (10). Entraram depois: Damian Pineda (3), Durelle Brown (2), Damian Tintorelli (7), Ramiro Montes Cardozo (2), Mariano Fierro (16), Victor Rojas (0). Técnico: Pablo D’Angelo

11 de março de 2009 – Santiago del Estero, Argentina
FLAMENGO  -  115 (27 + 29 + 28 + 31)
Hélio (16), Duda (23), Marcelinho Machado (22), Jefferson William (10) e Baby (26). Entraram depois: Wagner (0), Fernando Mineiro (2), Coloneze (6), Alírio (3), Daniel Soares (2) e Marcellus (5). Técnico: Paulo Chupeta
CÚCUTA-NORTE  -  82 (18 + 22 + 19 + 23)
Edgar Asprilla (5), Monty Wilson (21), Jermaine Walker (5), Curtis Williams (8) e Eduardo Mendoza (9). Entraram depois: Enielsen Redondo (4), Alavaro Sandoval (2), Joseph Perea (7), Eleuterio Renteria (19), John Jairo Villamil (2), Norbey Aragon (0). Técnico: Tomás Diaz

12 de março de 2009 – Santiago del Estero, Argentina
FLAMENGO  -  98 (25 + 24 + 23 + 26)
Hélio (15), Duda (15), Marcelinho Machado (41), Jefferson William (8) e Baby (8). Entraram depois: Wagner (2), Fernando Mineiro (3), Fred (0) e Coloneze (6). Técnico: Paulo Chupeta
QUIMSA  -  96 (30 + 18 + 20 + 28)
Jonatan Treise (12), Julio Mázzaro (20), Wanderson (25), Gabriel Mikulas (17) e Ramel Allen (12). Entraram depois: Victor Cajal (8), Luis Federico Mansilla (2) e Juan Manuel Torres (0). Técnico: Carlos Romano


Nas palavras do então treinador rubro-negro Paulo Chupeta, sobre o poder de superação dos jogadores do Flamengo naquela final em entrevista dada ao Blog Garrafão Rubro-Negro em março de 2016: "Era um momento muito especial e complicado, pois era a busca de um título inédito e vivíamos um momento de cinco meses de atraso de salários. O que mais pedia a Deus, era para ele colocar as palavras certas em minha boca para motivar o grupo naquela decisão. Isso só tem uma explicação: é uma força que vem de dentro de todos que vestem o manto sagrado, pois quantas conquistas tivemos em momentos bem adversos. Você se lembra da Final do Campeonato Carioca em 2005 quando vencemos a poderosa equipe do Telemar após uma derrota de 25 pontos no primeiro jogo?".

Final: Quimsa 96 X 98 Flamengo
Marcelinho Machado fez 41 pontos, o armador Hélio marcou 15 pontos e deu 7 assistências, destaque também para o irmão de Marcelinho, Duda Machado, fazendo 15 pontos e obtendo 7 recuperações de bola. Participações marcantes também do ala-pivô Jéfferson William, que marcou 8 pontos, e do pivô Rafael "Babby" Araújo com 8 pontos. O pivô Fernando Coloneze fez 6 pontos, o ala Fernando Mineiro marcou 3 pontos, o pivô Wágner somou 2 pontos e o armador Fred não pontuou, mas deu 2 assistências.

A partida foi definida apenas nos últimos segundos, em dois lances livres convertidos por Duda. A releitura deste jogo histórico pela análise do jornalista especializado em basquete Enéas Lima: o Flamengo começou a partida com um bom aproveitamento nos arremessos de três pontos e com boa eficiência de Rafael Bábby no garrafão para abrir a parcial de 11 a 6. O Quimsa, apoiado por sua tradicional torcida, conseguiu se impor dentro de quadra e com a parcial de 12 a 0 virou o placar durante o período. Mas o time rubro-negro contou com a eficiência de Marcelinho Machado para terminar o quarto com a desvantagem menor no placar da decisão –  30 a 25.

As bolas de três de Marcelinho Machado e a boa eficiência da equipe nos lances livres acabaram fazendo toda a diferença para o Flamengo durante o segundo período, ajudando o Flamengo a assumir novamente a liderança da partida. Somente no primeiro tempo Marcelinho Machado já tinha assinalado 30 pontos, sendo 8 arremessos de três pontos e acerto nos 6 lances livres tentados. Mazzaro foi o destaque do Quimsa com 12 pontos. O time argentino foi para o vestiário atrás no marcador – 49 a 48.

No terceiro quarto, o Flamengo se mostrou não tão dependente das jogadas do armador Hélio e da excelente eficiência de Marcelinho Machado. Jefferson William começou a se destacar pelo time rubro-negro. Mas o Quimsa soube reagir esse panorama e se manteve vivo na decisão com os pontos de Vanderson e Gabriel Mikulas. O Flamengo foi para o quarto decisivo com a diferença de 4 pontos a seu favor – 72 a 68.

No inicio do último quarto, o Flamengo chegou a abrir 7 pontos de vantagem com a cesta de três pontos de Duda Machado. Mas o Quimsa novamente conseguiu uma reação dentro da partida e encostou no placar com os arremessos de Jonatan Treise e Ramel Allen. A final voltou a ficar imprevisível. Com os pontos de Treise, o Quimsa virou a partida faltando menos de 2 minutos pra acabar. Mas o Flamengo soube ter sangue frio para igualar e virar o jogo com pontos de Marcelinho Machado.

Em lance involuntário visto pela arbitragem, o Quimsa perdeu a posse no seu ataque após a bola ter batido no pé do pivô Fernando Coloneze. A posse voltou para o Flamengo que converteu um lance livre com Duda Machado e conseguiu pegar um rebote defensivo importantíssimo que selou a conquista internacional em plena casa do Quimsa! 98-96, Flamengo Campeão da América do Sul!




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