Mostrando postagens com marcador Finanças. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Finanças. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de maio de 2026

Finanças dos Clubes Brasileiros em 2025: o tamanho do Flamengo diante de seus rivais


Segue um estudo da consultoria Sports Value a respeito dos Resultados Financeiros publicados pelos clubes brasileiros referentes ao Exercício 2025.

O original, com acesso ao PDF completo com 170 páginas está aqui: link de acesso.

O estudo conta com muitos dados financeiros inéditos e novidades sobre: Receitas, custos, lucratividade e dívidas.


RECEITAS

Os TOP 20 clubes em receitas do Brasil bateram um novo recorde em geração de receitas da história, um total de R$ 15 bilhões em 2025 frente aos R$ 11 bilhões de 2024, alta de 36%.

Em valores atualizados pela inflação a receita de 2024 foi de R$ 12 bi, crescimento real de 25%. A alta foi decorrente do aumento generalizado de receitas com forte impacto das transferências, direitos de TV, patrocínios e matchday.




Os direitos de TV subiram 44% e atingiram R$ 4,8 bi, muito em função dos pagamentos em dólares de competições internacionais como o Mundial de Clubes de FIFA e a Libertadores da América.

E um aumento expressivo de 45% em receitas de marketing, muito impactado pelo pagamento inflacionado das bets, que pagam bem mais que outros setores. Receitas de marketing bateram recorde e atingiram R$ 3,2 bi em 2025.





Comparação financeira das Ligas de Futebol Global

A Sports Value apresentou uma análise comparando os TOP 20 clubes em receitas do Brasil com as principais ligas do futebol mundial.

Brasil ocupa a 7ª posição em receitas operacionais ( sem as transferências de jogadores) entre as maiores ligas do futebol mundial atualmente.



CUSTOS COM FUTEBOL

Os TOP 20 clubes apresentaram custos com futebol consolidados de R$ 11,6 bilhões, em 2025, frente aos R$ 8,9 bilhões de 2024,  alta de 30%. Atualizado pela inflação os custos com futebol de 2024 foram de R$  9,8 bilhões. Alta real de 19%.


Os custos com futebol, além de salários e custeio das operações do futebol, também incluem gastos com contratações e custos com as transferências dos jogadores.


Mesmo com o crescimento nas receitas, a alta nos custos sem controle gerou mais um ano de déficits, que somaram R$ -1,1 bi.

Resultado não foi pior, pelos superávits altíssimos gerados por Flamengo e Palmeiras, que neutralizaram o impacto das perdas de muitos clubes.

Em dois anos TOP 20 clubes acumulam perdas de R$ -2,7  bi.


DÍVIDAS

As dívidas dos TOP 20 clubes atingiram valor recorde na história do futebol brasileiro, R$ 16 bilhões em 2025 , frente aos R$ 13,8 bilhões de 2024, alta de 16%. Atualizado pela inflação as dívidas de 2024 foram de R$  15 bilhões. Alta real foi de quase 7%.




IMPACTO DIGITAL: Receitas >> Digital

A Sports Value criou uma aliança estratégica com a empresa Zeeng Data Driven, especializada em avaliação de marcas no ambiente digital. As duas empresas já estão desenvolvendo muitas análises conjuntas, especialmente para o mercado patrocinador. Estamos analisando dados e tendências, para que as marcas patrocinadoras possam obter retorno efetivo com investimentos com patrocínios. Não faz sentido apenas analisar o número de seguidores. Nossas análises cruzam dados, dando dinamismo e fazendo com que a informação gere insights valiosos.





sexta-feira, 22 de maio de 2026

Finanças do Flamengo em 2025: Resultado Excepcional!!


Para analisar os resultados financeiros do Flamengo em 2025, pegamos carona na análise e no artigo sobre ela feita por César Grafietti, em artigo publicado no LinkedIn. Segue a seguir a íntegra do material, de excelente qualidade!


Podemos dizer que é quase mais do mesmo. Mas há movimentos e comportamentos que merecem a atenção, não porque representem risco, mas para entendermos o modus operandi do clube. Que vai bem, obrigado.

Uma explicação antes de seguirmos: utilizo o balanço da Controladora, sem a operação do Maracanã, e o motivo é que se trata de uma operação apartada, sobre a qual o clube não tem acesso direto ao caixa. É uma forma comum de avaliar empresas.


RECEITAS

Sem mais delongas, porque quem gosta de resenha é ex-jogador, vamos ver como se comportaram as receitas em 2025.


Aqui já temos um tema para debatermos: enquanto as receitas totais cresceram 36%, impactadas pelas Premiações (Mundial de Clubes e título da Libertadores) e pelas Transferências de Atletas, as recorrentes caíram 10%, com alguma retração de Matchday (bilheteria e sócio torcedor), mas essencialmente pela queda nas receitas com Direitos de Transmissão, o que será uma reclamação dos torcedores nas redes sociais.

Passei a fazer um exercício excluindo as Premiações das receitas recorrentes. Quais premiações? Participação em competições sazonais (Mundial de Clubes), competições que pagam por evolução de fases (Copa do Brasil e Libertadores), mantendo apenas o Brasileiro e os estaduais nos Direitos de Transmissão. Mesmo que haja uma parte variável, ela é variável, mas recorrente. Servirá para todos os clubes.


Um destaque é o crescimento das receitas Comerciais, que isoladamente já deve representar perto do Top 10 de receitas da Série A, e coloca o Flamengo no mesmo perfil de clubes europeus de ponta, que estão trocando a relevância das receitas com TV pelas Comercias, mais dependentes da gestão dos clubes, que os Direitos, cujos contratos são longos e cada vez mais igualitários.

De qualquer forma, o crescimento das Comerciais não compensou a soma da redução em Direitos e Matchday, que curiosamente veio menor em termos reais, mesmo com títulos de Libertadores e do Brasileiro.


CUSTOS & DESPESAS

Quem tem mais dinheiro gasta mais, é a lógica do futebol. E no Flamengo aconteceu a mesma coisa. Os Custos e Despesas subiram 20%, com maior impacto nas Remunerações da parte esportiva.


As demais linhas se comportaram de maneira esperada para uma gestão austera, oscilando pouco, até porque a estrutura está pronta. Apenas as Comissões cresceram, mas porque houve aumento de contratações e transferências de atletas em 2025.

O crescimento de salários reflete um elenco claramente maior e mais qualificado, pelo menos em nomes disponíveis, e compatível com a capacidade do clube. Como sabemos que parte desses custos contemplam pagamento de premiações aos jogadores pelos títulos, então a melhor forma de analisá-los deve ser os comparando com as receitas recorrentes + premiações. E a relação vai de 43% em 2024 para 49% em 2025, completamente dentro do razoável se considerarmos o desempenho esportivo.


DESEMPENHO OPERACIONAL

analisando na visão completa, o desempenho do ano foi excelente, com Resultado Operacional (EBITDA) de R$ 797 milhões, que é mais um valor que seria Top 10 de receitas no Brasil em 2025. Por conta da redução das receitas recorrentes, o número nessa visão foi negativo em 2025 em R$ 101 milhões.


Antes que alguém reclame ou questione, nada com que se preocupar. Um ponto importante é que voltamos a falar sobre a premiação. Ela está sendo deduzida das receitas, mas os prêmios pagos aos atletas, associados às conquistas, não.

Claro que o ideal é operar com EBITDA recorrente positivo, e fica um ponto de atenção, mas que no geral será pouco relevante.


INVESTIMENTOS

Em 2025 o Flamengo investiu R$ 623 milhões em contratações, valor 50% superior ao que vimos em 2024 (R$ 430 milhões corrigidos pelo IPCA).

Infelizmente não foi possível avaliar os investimentos em categorias de base, pois não há detalhamentos, uma vez que os custos e receitas estão juntos do futebol profissional.

Em relação aos investimentos, uma avaliação que deve ser feita é a relação com as receitas de transferências de atletas. Vamos ver como ficou no Flamengo.


O desempenho em 2025 foi superior a 2024 porque o clube transferiu mais jogadores, que compensou boa parte das contratações. Por mais que o Flamengo tenha toda a robustez financeira que vemos, operar este balanço em desequilíbrio sempre traz um risco, por menor que seja num clube tão bem estruturado.


DÍVIDAS

E aqui está a maior fortaleza do clube: deve de maneira a não impactar a operação do clube. E, como sempre digo, a maior parte das dívidas hoje é olhando para o futuro, e não resolvendo problemas do passado.


As contratações representam 72% do total de dívidas líquidas, considerando que as remunerações representam 18% das líquidas. E o clube finalizou 2025 com caixa de R$ 147 milhões.

As dívidas representam 0,3x as receitas recorrentes, o que é uma posição bastante confortável considerando o volume de receitas do clube.

Então, 2025 foi…

Tranquilo, muito positivo. Além das conquistas esportivas, o Flamengo veio com receitas expressivas, desempenho consistente, dívidas controladas e investimentos compatíveis com suas capacidades.

Ou seja, nada de novo no front.

sábado, 9 de agosto de 2025

Resultado Financeiro do Flamengo no 1º Semestre de 2025


Excelente resultado financeiro do Flamengo no 1º semestre de 2025. Comentando estes números, reproduzo artigo pulicado no LinkedIn em 4 de agosto por César Grafietti, que publicou sob o título "Flamengo e o 1º semestre de 2025: números que agradam ao torcedor". O consultor é sócio da consultoria Convocados. Reproduzo a seguir a íntegra do texto dele:



O Flamengo divulgou os números do 1º semestre de 2025. Boa notícia para alguns, ruim para outros. Vamos avaliar alguns números e tentar mostrar onde estão as forças e riscos dos dados apresentados, já iniciando com um cumprimento ao clube, que disponibiliza informações bastante detalhadas para números intermediários. Transparência é parte do processo de desenvolvimento de uma marca, especialmente numa indústria que ainda tem muito a fazer até chegar num nível operacional sustentável.

Receitas


O Flamengo atingiu R$ 657 milhões de receitas totais ao final do primeiro semestre de 2025, representando crescimento de 43% sobre mesmo período de 2024 (R$ 458 milhões), em valores nominais. Nesta análise não estou aplicando correção pela inflação, porque o efeito não é relevante no período.

Lembrando que esses números não incluem a join-venture com o Fluminense para a gestão do Maracanã. Como o caixa é segregado, a partir do momento em que a empresa distribuir dividendos eles serão considerados como entrada de caixa.

Vamos avaliar o detalhamento das receitas. E começamos pelos Direitos de Transmissão. Na nota explicativa a conta está assim distribuída:


Não há detalhes sobre a composição dessas linhas, mas algumas inferências são possíveis. Por exemplo, os Direitos Fixos representam parte do Campeonato Carioca e parte do Brasileiro. Não há informação, mas como houve adiantamento da parcela fixa dos direitos, indicada no passivo, me parece que houve alteração na distribuição, e o valor será em parcelas ao longo da competição, e não mais mensalmente como era anteriormente.

Na parcela de Participação e Performance o destaque certamente é a parte antecipada pela participação na Copa do Mundo de Clubes. Foram cerca de R$ 154 milhões, segundo a imprensa. Ainda assim o valor sem contar o Mundial seria mais que o dobro de 2024, mas também sem destaques sobre a origem. Assim como na mídias digitais. Desconsiderando a competição da FIFA, a receita seria de R$ 158 milhões, 16% acima de 2024.

Sobre as demais receitas, as Comerciais foram bem, e devem ter sido impactadas positivamente pelo Mundial, enquanto as demais seguiram comportamento menos animador, inclusive com queda de 12% no Matchday.

Ou seja, desempenho bom na parte das receitas, mas positivamente impactado pela Copa do Mundo de Clubes.


Custos e Despesas

Os Custos e Despesas caixa, sem considerar as amortizações e depreciações, que é como devemos analisar os clubes de futebol, cresceu apenas 9% no período. Digo “apenas” na comparação com as receitas, conforme indicamos acima.


O crescimento está concentrado na conta de Salários da área esportiva, basicamente ao Futebol. Aliás, uma abertura interessante, ainda que limitada, é a indicação das receitas e custos por segmento. O futebol (profissional e base) representa 88% dos Custos, contra 91% das receitas, quando adicionamos as transferências de atletas. Na indicação da tabela apresentada, os Esportes Olímpicos operam em déficit, enquanto o Futebol, o Social e “Outros” tem resultado operacional positivo. Com um pouco mais de detalhes teremos a visão completa, mas a indicação apresentada já é bastante positiva, e mostra que Futebol é quem gera receitas para pagar a área de custos, formada por Administrativo e Comercial.


Resultado Operacional (EBITDA)

No final, o semestre foi bastante positivo, conforme gráfico abaixo.


Mesmo que excluíssemos as receitas com o Mundial de Clubes o clube teria apresentado resultado operacional positivo. E na visão recorrente teria sido de R$ 43 milhões, bastante próximo do desempenho de 2024.


Dívidas

As dívidas seguem controladas, mas é preciso parcimônia na avaliação. Vamos aos números.


A dívida total manteve-se praticamente inalterada, atingindo R$ 723 milhões. Entretanto, vimos crescimento de 14% na parcela líquida de curto prazo, enquanto a parcela bruta de longo prazo foi reduzida em 12%.

Maiores ofensores são as dividas Operacionais de CP, representada por salários, e os Adiantamentos, que vão de parcelas de TV a receitas comerciais. O dinheiro já entrou no caixa mas a receita virá ao longo do ano, e até de outros anos.

Aliás, o Caixa voltou a crescer, quase na proporção dos Adiantamentos, indicando uso racional do recurso.

Ou seja, o comportamento foi aceitável, considerando o crescimento das receitas. Veremos a seguir este ponto. Quando analisamos a relação das dividas em relação às receitas, vemos um comportamento bastante tranquilo, conforme abaixo.


Mesmo excluindo a receita vinda do Mundial de Clubes o Flamengo permaneceria com o nível de alavancagem estável em relação ao ano passado, indicando que a situação está sob controle.


Eventos Subsequentes

Alguns podem perguntar sobre o impacto das contratações recentes de Emerson Royal, Samuel Lino e Carrascal. Pois bem, o clube realizou transferências de 3 atletas – Alcaraz, Gerson e Wesley -, montando € 50 milhões, enquanto as contratações representaram € 43 milhões, gerando um saldo positivo de € 7 milhões, ou algo como R$ 38 milhões brutos.

Do ponto de vista de caixa há que se avaliar o equilíbrio entre pagamentos e recebimentos, visto que são pagos e recebidos em parcelas, mas na visão de receitas o clube apresentará cerca de R$ 270 milhões adicionais, que serão deduzidos das baixas de diferidos correspondentes. Já as aquisições entram apenas na dívida, contra aumento de diferido, e o impacto será de longo prazo. É um tema contábil, mas que gera impactos nas análises, porque o resultado de 2025 tende a ser muito maior que o efeito no caixa.


Resumo

O Flamengo passou o primeiro semestre de 2025 com bastante tranquilidade, fruto tanto das receitas com o Mundial quanto dos recebimentos de negociações passadas de atletas e dos adiantamentos. Isso é importante: a operação está contabilmente positiva, mas na visão de caixa o semestre foi mais tranquilo pelos eventos não recorrentes indicados acima.

Para a sequência da temporada não há novos eventos além das transferências realizadas, mas haverá entradas de receitas variáveis do Brasileirão e das competições em andamento, como Copa do Brasil e Libertadores, caso o time evolua esportivamente pelas fases.

Os números indicam um clube saudável, que mira receitas na casa dos R$ 1,7 bi em 2025, que segue controlado, mas que precisa estar ciente de que nem todos os anos teremos mundiais, adiantamentos e efeitos externos que impulsionam a gestão. E ainda tem o estádio no retrovisor indicando potenciais riscos adicionais. Motivos para destruir há muitos, dificuldade em construir é grande.

Pelo perfil da gestão, tende a estar tudo mapeado. Ou seja, notícias boas para os flamenguistas, e ruins para a maioria dos demais clubes adversários.


quarta-feira, 12 de junho de 2024

Relações entre Resultados Financeiros e Resultados Futebolísticos


Mais uma excelente reflexão no ótimo artigo de César Grafietti publicado em 12 de maio de 2024 no site Inteligência Financeira, sob o título "Competitividade no futebol: o dinheiro tem força, mas a paixão não tem preço". Veja o original aqui e a íntegra reproduzida abaixo:


Quanto mais dinheiro, maiores são as chances de um clube ir bem? Futebol é paixão, e paixão é um fogo que arde sem se ver, exceto quando a camisa do seu time entra em campo.

Com a publicação das demonstrações financeiras de 2023, estou atualizando os dados para o próximo "Relatório Convocados". Um dos temas é o da competitividade no futebol, associada à capacidade econômico-financeira. A ideia, contudo, de que ter mais dinheiro permite aumentar a chance de conquistas é algo que faz parte do imaginário dos torcedores. O que a maioria talvez ainda não conheça é o tamanho da distância até se tornar candidato efetivo aos títulos.


Resultado de campeonatos
Assim, na edição de 2023 do relatório, incluí os resultados de uma avaliação sobre este tema, considerando o desempenho dos campeonatos entre 2012 e 2022.

Alocamos os clubes conforme performance no Campeonato Brasileiro do período e comparamos a receita total com a posição na tabela.

A partir de uma análise estatística, calculamos qual é o intervalo de receita que cabe a cada posição da tabela, com 95% de confiança.


Receita mínima X receita máxima
O resultado sobre a competitividade no futebol, portanto, você vê no gráfico abaixo que indica qual é a receita mínima e máxima de cada grupo de posições, corrigidas pelo IPCA do período. Para simplificar a avaliação, agrupamos os 20 clubes em 4 clusters de acordo com a posição na tabela. Acompanhe:


Assim, para ocupar uma das 5 primeiras posições na classificação da Série A do Campeonato Brasileiro, o clube deve faturar entre R$ 464 milhões e R$ 549 milhões, conceito que vale para os demais clusters.

Mas o que isso revela sobre a competitividade no futebol?

Clubes com menos de R$ 170 milhões de receitas totais, então, correm enorme risco de serem rebaixados quando jogam a Série A. Claro que falamos de futebol, e isso não é escrito em pedra. Trata-se, portanto, de uma referência importante para o tema competitividade.

O gráfico trata de um período de 11 anos. Fiz, então, a mesma análise mas par ao período entre 2018 e 2022, fase de crescimento de receitas de alguns clubes, decadência financeira de outros e chegada das SAFs que pretendem ser competitivas. Este é o resultado:


Note que agora a diferença entre o bloco dos 5 primeiros e do 6º ao 10º colocados aumentou consideravelmente neste período mais curto.

Estamos falando de uma diferença de, no mínimo, R$ 233 milhões para chegar ao bloco dos 5 melhores classificados do Campeonato Brasileiro. E isso pesa na competitividade no futebol.

Assim, a receita total mínima para ficar entre os dois primeiros colocados está em R$ 792 milhões, quando o 6º colocado atingiu receita mínima de R$ 382 milhões. São R$ 410 milhões de diferença.

Estes números tendem a se ajustar ligeiramente após os dados de 2023, mas nada que tornará um clube que faturou em termos operacionais algo na casa dos R$ 500 milhões um candidato natural aos primeiros lugares da competição.


O que faria diferença na competitividade do futebol
Se considerássemos que o campeonato Brasileiro tivesse um Fair Play Financeiro que controlasse as finanças dos clubes de fato, limitando dívidas e atrasos, e considerando ainda que houvesse um limite de gastos da ordem de 80% das receitas totais, isto significa uma enorme diferença na capacidade de contratações e formação de elencos.

No futebol brasileiro sem controle, em alguns momentos os dirigentes cruzam a linha do equilíbrio e gastam muito mais do que podem, para tentar aumentar a competitividade. Isso vira atraso, dívida e aquele círculo vicioso que já conhecemos.


Capacidade competitiva dos clubes
Vamos a algumas ponderações sobre a capacidade competitiva dos clubes.

Gostaria de utilizar os números do Cruzeiro SAF de 2023, mas o clube sagrou-se campeão da falta de transparência, ao não publicar as demonstrações de 2023 até o momento.

Alguns torcedores comentaram que agora, com o novo acionista, o clube será mais competitivo. Infelizmente não será possível fazer os cálculos sobre isso.


Exemplos das SAFs
Utilizarei o Botafogo SAF. As receitas de 2023, excluindo-se os valores da venda dos direitos para a LCP, foi de R$ 322 milhões líquidos, com o clube terminando em 5º lugar.

O desempenho foi acima do que o histórico indica até 2022. Para estar em 5º lugar, o clube deveria faturar acima de R$ 500 milhões. Mas ficou atrás de Palmeiras, Grêmio, Atlético-MG e Flamengo, clubes que faturam bem acima.

A queda de rendimento está, também, associada a menor capacidade financeira, que permitiu um elenco menos competitivo para uma temporada tão longa. Isso faz diferença.

Como as receitas têm crescimento limitado e o acionista  resolveu vender 20% das maiores receitas por 50 anos, se tudo seguir como está, em 2025 o Botafogo terá cerca de R$ 316 milhões em receitas totais.

Isso já sem inflação e sem os 20% da venda dos direitos. O acionista precisaria injetar R$ 284 milhões para chegar a R$ 600 milhões e ser elegível ao 3º ou 4º postos.


Aporte bilionário
Em 5 anos são R$ 1,4 bilhão, que somados aos R$ 732 milhões de dívidas de curto prazo, significam mais de R$ 2 bilhões em aportes.

Aqui é apenas um exercício. Caso o clube tenha um elenco qualificado, gastando de forma inteligente, é possível ser competitivo. E isso traz um pouco mais de receitas e diminui a necessidade de aportes.

Mas não é razoável imaginar que será assim todos os anos, mesmo com certa – e duradoura – ineficiência esportiva de clubes de maior receita.


Só os ricos vencem?
É para desanimar o torcedor? Agora só os ricos vencerão? Nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

O torcedor precisa seguir torcendo pelo clube, apoiando, comparecendo, e cobrando ações e atitudes que possibilitem gestões controlada, eficientes e qualificadas. Ter mais dinheiro ajuda, mas não garante nada.

Ter menos dinheiro torna o processo mais duro, mas possível, e inesquecível.

Os torcedores do Bayer Leverkusen que o digam ao comemorar seu primeiro título do Campeonato Alemão, ainda que tivessem receitas bem menores que as do Bayern Munique, vencedor das 11 edições anteriores.

Futebol é paixão, e paixão é um fogo que arde sem se ver, exceto quando a camisa do seu time entra em campo.



Reflexões aqui do Blog A NAÇÃO já feitas sobre este assunto:







sexta-feira, 17 de maio de 2024

10 anos e redução de R$ 600 milhões em dívidas. Qual o segredo do Flamengo?


Artigo escrito por César Grafietti e publicado em 7 de abril de 2024 no site Inteligência Financeira, cuja íntegra original pode ser vista aqui. Segue o texto reproduzido:


Clube passou da fase de pagar contas do passado e está olhando para o presente e o futuro. Isso é uma mudança substancial!

Faturamento cresce mais de R$ 1 bilhão, enquanto a dívida do Flamengo permanece estável, mas com outra característica. Sem grandes surpresas, é certamente uma das três melhores estruturas econômico-financeiras do futebol brasileiro, se não a melhor. Receita elevada, boas margens, endividamento controlado.

Nesta coluna não analisarei os números do clube, cujo trabalho será feito no Relatório Convocados de 2024. O objetivo aqui é tratar de um tema que foi muito abordado ao longo da semana passada: a evolução das dívidas.



Dívida do Flamengo
É muito comum ouvirmos aqui e ali que o Flamengo pagou mais de R$ 1 bilhão em dívidas desde 2013. Usam cálculos incomuns e malabarismos para mostrar um esforço hercúleo e uma saúde financeira que está mais para click bait que realidade.

Não foi tudo isso, mas foi enorme o tamanho do esforço feito.

Primeiro, vamos tratar de definir as dívidas.

É muito comum fazerem contas usando todo o passivo do clube e deduzindo os ativos, ou outros cálculos. É questão de critério.

Meu critério usa como referência de dívidas os passivos que precisam ser pagos em dinheiro e que interferem o caixa do clube.

Nesse sentido, excluo dos cálculos as Antecipações que representam apenas o registro de luvas e as Provisões para Contingências, que são registro de potenciais problemas.

No caso das antecipações, há dois tipos: a que citei acima, e as antecipações efetivas de direitos de TV, contratos publicitários.

Essas deveriam ser consideradas, pois significarão menos receitas no futuro. O dinheiro não sai do caixa, mas também não entrar. Estas estão incluídas nos cálculos.


Inflação X dívidas
Outra coisa importante: não se corrige dívidas pela inflação para fins de cálculos temporais.

A correção da dívida é composta por juros mais a correção monetária do período, geralmente ligada à Selic . Se o clube devia 100 em 2013, e só pagou juros anuais até 2023, então ele continua devendo 100. Se corrigirmos os 100 de 2013 pelo IPCA, haverá a sensação de que a dívida diminui de algo como 175 para 100, e não é verdade. A dívida continua exatamente a mesma.


Evolução das dívidas do Flamengo
Como se faz, então?

Somam-se as despesas financeiras do período à parcela paga da dívida. E apenas as despesas financeiras caixa, e não as que representam correção de parcela de longo prazo.

Não é tão simples, mas é o correto.

Vamos, então, à evolução da dívida do Flamengo.


Aqui temos a primeira surpresa: a dívida não caiu quando comparamos 2013 a 2023.

Mas note que ela sofre uma redução relevante até 2017, quando volta a subir.

Estamos falando de dívida bruta, sem redução pelo valor que o clube carrega em caixa.

Se incluirmos o caixa, a conta fica a seguinte:



Qual é o segredo das dívidas do Flamengo?
De fato, o grande segredo do Flamengo está em manter uma posição de caixa elevada, acima dos R$ 200 milhões.

Isso lhe permite um enorme respiro do ponto-de-vista de gestão do fluxo de caixa.

Então, se a dívida bruta entre 2013 e 2023 aumentou 7%, a dívida líquida caiu 30% no período, puxada pela forte posição de caixa.

Mas quer dizer que a dívida então não foi paga?

Calma. Vamos analisá-la sob a ótica do perfil, e isso é muito importante.



Lá em 2013, 62% das dívidas do Flamengo eram com impostos e acordos trabalhistas diversos.

Ou seja, dívida formada no passado que consumia caixa e esforço de pagamento no presente, sem qualquer tipo de benefício de longo prazo.

Esse percentual caiu para 29% em 2023, com redução de R$ 377 milhões para R$ 188 milhões, alongado para cerca de 10 anos e com custo baixo.

Agora, note a parte vermelha do gráfico acima, que são as dívidas com fornecedores e outros clubes, referentes à contratação de atletas. Ela sai de R$ 39 milhões em 2013 (6%) para R$ 314 milhões em 2023 (49%).

Ou seja, dívida feita agora, para reforçar elenco e de efeito imediato. O clube passou da fase de pagar contas do passado e está olhando para o presente e o futuro. Isso é uma mudança substancial.

Este novo perfil significou um volume relevante de pagamento de dívidas no período.



Pagamento de dívidas do Flamengo
Aqui eu separei o movimento de pagamento das dívidas fiscais e trabalhistas. O clube pagou ao longo do período R$ 269 milhões.

Além disso, por conta de adesão ao Profut e outros programas de renegociação de passivos, conseguiu R$ 137 milhões em descontos de juros e multas – antes que falem algo, todos os clubes que aderiram a esses programas tiveram o mesmo benefício – e pagou R$ 169 milhões em despesas financeiras.

Estamos falando que, no total, entre reduções e pagamentos de principal e juros, foram R$ 575 milhões no período, sendo que R$ 438 milhões saíram efetivamente do caixa do clube.

Está longe de ser pouco dinheiro.

Se somarmos a diferença entre o pico de dívida com empréstimos – R$ 160 milhões em 2015 – e o valor atual – zero! – podemos incluir mais este valor na conta, de forma que o total de pagamentos feitos subiria para R$ 598 milhões.

E como isso foi possível? Com aumento de receitas. Veja o gráfico abaixo.


Relação entre dívida e receita
O faturamento cresce mais de R$ 1 bilhão em termos nominais, enquanto a dívida permanece estável, mas com outra característica.

E ainda tem o caixa, que sai de menos de R$ 20 milhões para mais de R$ 230 milhões. O que permitiu a mudança de perfil de dívida, o pagamento de quase R$ 600 milhões, a troca de passivos caros por passivos de baixo custo, foi justamente a capacidade de gerar receitas.

Trouxeram aos clubes vendedores mais conforto na hora de negociar um atleta para pagamento a prazo.



O segredo do Flamengo
O resumo dessa conversa toda é simples: o Flamengo pagou R$ 600 milhões em dívidas caras, mas manteve o total de dívida bruta inalterado no período.

Entretanto, o perfil é saudável: trocou dividas do passado por dívidas que representam o presente e o futuro, além de serem mais baratas.

O segredo está no crescimento das receitas, a ponto de clube conseguir formar um colchão de caixa que lhe dá o conforto suficiente para gerias as oscilações estruturais de fluxo de caixa.

E a dívida atual é totalmente compatível com a capacidade de pagamento, o que não acontecia lá em 2013.

Enquanto clubes como Atlético-MG, Corinthians e São Paulo aumentaram suas dívidas acima dos R$ 600 milhões, o Flamengo tirou um peso semelhante das costas.






quinta-feira, 29 de junho de 2023

O impacto do sócio torcedor na média de público do Campeonato Brasileiro


Excelente material desenvolvido por Marcelo Paciello da Silveira, aqui abaixo na integra de seu texto publicado nos sites "Sportinsider" e "Além das 4 linhas":


O site Convocados divulgou o relatório com a análise das finanças dos clubes brasileiros de 2022. Entre uma série de dados e análises relevantes, me chamou a atenção a inversão da relação que vinha sendo construída entre receitas com bilheteria e sócio torcedor. Em 2022, diferente da tendência desde 2016, as receitas com bilheteria corresponderam a 59% do total e as receitas com sócio torcedor foram responsáveis por 41%.

Para comprovar este fato, fiz uma análise dos jogos das dez primeiras rodadas do Brasileirão 2023 para verificar se este fenômeno está se mantendo na atual temporada. Utilizei como metodologia a soma de todos as descrições onde haviam os planos de sócio torcedor nos borderôs disponíveis no site da CBF.

Os dados gerais demonstram que nas dez primeiras rodadas cerca de 53% do público pagante foi proveniente dos sócios torcedores e 47% das receitas vieram das bilheterias. Esses dados demonstram que há uma divisão muito próxima entre receitas com ingressos comprados na bilheteria (física ou online) e dos sócios torcedores que vão aos jogos.

O gráfico traz uma visão mais clara da relação entre média de público pagante e porcentagem de sócio torcedor:



Com base na figura acima é possível classificar os clubes em quatro grupos:

1. Altamente dependentes dos sócios torcedores: Corinthians, Atlético Mineiro, Coritiba e Athletico.

Neste grupo vale destacar o Coritiba, onde 91% do público pagante é proveniente de sócios torcedores, seguido do seu rival Athlético, com 79%. Atlético Mineiro e Corinthians também são muito dependentes dos sócios torcedores, com 75% cada. 


2. Dependentes dos sócios torcedores: Fortaleza, Bahia, Fluminense, Vasco, Cruzeiro, Internacional e Grêmio.

Esses clubes estão na faixa onde no mínimo metade do público pagante é de sócios torcedores. Dentro deste grupo Bahia (64%), Fluminense (61%), Fortaleza (59%) , Vasco e Cruzeiro (58%) são os clubes mais dependentes. Internacional (56%) e Grêmio (53%) estão levemente abaixo mas também possuem uma dependência dos sócios torcedores.


3. Moderadamente dependente dos sócios torcedores: Flamengo, Palmeiras e Botafogo.

Chama a atenção que dois dos quatro clubes com maiores médias de público pagante tenham a presença de 45% de sócios torcedores e 55% de ingressos de outras origens. Esse fenômeno demonstra que para os dois clubes os resultados podem estar atraindo para as arenas mais torcedores que não fazem parte da base de sócios. 

O Maracanã é um estádio de alta capacidade e faz sentido que haja maior diversificação, já o Palmeiras, que tem sua arena gerida pela W Torre, além dos 45% de sócios torcedores, tem cerca de 23% de torcedores que pagam o plano da W Torre, que são assinaturas anuais de cadeiras. Portanto, para o Palmeiras são 32% de ingressos de outras origens e 68% entre sócios torcedores e cadeiras da W Torre.


4. Baixa dependência dos sócios torcedores: São Paulo, América Mineiro, Red Bull Bragantino, Santos, Cuiabá e Goiás.

O São Paulo tem a segunda maior média de público pagante e apenas 17% de sócios torcedores. Como o Maracanã, o Morumbi é um estádio de alta capacidade mas, diferente do Flamengo, a base de sócios torcedores é menos que da metade do Mengão. Isso significa que, para o torcedor são paulino, ser sócio torcedor não é um valor percebido como para outros clubes.


Provavelmente não é coincidência que todos os clubes dessa categoria são os que possuem menos sócios torcedores que os demais clubes da série A.

Este breve estudo visa demonstrar que de uma forma geral não é possível afirmar que a elevada média de público no Brasileirão é devido aos planos de sócio torcedor. Essa afirmação é verdadeira para 11 clubes mas, ao se analisar os clubes com as maiores médias, a realidade é mais ampla do que apenas o impacto dos planos de sócio torcedor.


sábado, 6 de maio de 2023

Interpretações sobre Estádios de Futebol no Brasil a partir da pesquisa "O Maior Raio-X do Torcedor"


Artigo publicado em 24 de abril de 2023 por Marcelo Paciello da Silveira no Blog "Além das 4 Linhas - Brasil" (https://alemdas4linhasbr.blogspot.com/)


Eis a íntegra:

Na semana passada a CNN/Itatiaia/Quaest divulgaram a pesquisa "O Maior Raio-X do Torcedor" com vários dados interessantes sobre as preferências e opiniões dos torcedores brasileiros.  De acordo com o publicado, foram 6.507 entrevistas com torcedores de 16 anos ou mais em 325 cidades brasileiras.

A pesquisa abordou diferentes temas como tamanho das torcidas, futebol feminino, seleção brasileira entre outros.

Como minha especialidade é avaliar o comportamento do torcedor em termos de consumo, o objetivo deste post é focar nesta parte específica dos resultados da pesquisa: a presença de público nos estádios.

De acordo com os dados, apenas um em cada cinco torcedores costumam frequentar os estádios e o preço dos ingressos é o fator determinante. Quando se faz um recorte de faixas de renda, quem ganha acima de cinco salários mínimos costuma ter maior frequência (30%) , enquanto quem ganha entre dois a cinco salários mínimos cais para 22% e abaixo de 2 salários cai para 15%.

Muito se questiona que as novas arenas aumentaram os preços e afastaram uma grande parte das classes sociais mais pobres dos estádios mas, por outro lado, a média de público do Brasileirão dos últimos anos são as maiores da história, apenas abaixo de 1983. Considerando o Brasileirão em suas diversas fórmulas de disputa, as maiores médias se concentram nos anos 80, período considerado como a década perdida em termos sócio econômicos. 

Portanto, a questão do preço dos ingressos pode ser questionada, pois em jogos de maior apelo como decisões de títulos, jogos das fases finais da Copa Libertadores da América e Copa do Brasil demostram que, mesmo com preços mais caros do que a média dos campeonatos, praticamente todos os ingressos são vendidos.

Esses fatos levam a um outro questionamento que a pesquisa traz. De acordo com os dados 50% dos torcedores preferem competições por mata-mata, como a Copa Libertadores da América, Copa do Brasil e as finais dos Regionais e Estaduais.  O formato dos pontos corridos, como é disputado o Brasileirão, é preferido por 38% dos torcedores. A Copa do Brasil agrada mais ao torcedor do que o Brasileirão, mesmo na região Sudeste, onde 12 dos 20 clubes da Série A disputam o Brasileirão.

Outra questão que a pesquisa mostra é que a falta de segurança é o principal motivo que o torcedor não vai aos estádios (26%), seguido pela preferência de ficar em casa/bar (19%). Para quem frequenta estádios, quase um terço também não se sente seguro. A pesquisa também demonstrou que 58% acham que as Torcidas Organizadas mais atrapalham do que ajudam o futebol.

O preço do ingresso cai para o terceiro lugar neste ranking, o que contradiz o que foi dito em outra pergunta da pesquisa e reforça o meu questionamento sobre quanto verdadeiramente o preço do ingresso é o principal impeditivo para o torcedor ir ao estádio.  

Como explicar que 80% dos torcedores pretendem acompanhar o Brasileirão, 62% dos torcedores que não se consideram fanáticos têm a camisa do seu time de coração e apenas 7% vão acompanhar no estádio?

Esses dados demonstram que o torcedor brasileiro é um ávido consumidor de futebol, mas referente à frequência aos estádios, ainda há um caminho a ser percorrido, pois a taxa de ocupação do Brasileirão é de 50%

Quais realmente são os fatores mais significativos para que haja um incremente de público nos estádios, principalmente no Brasileirão?

Isolar a hipótese do preço dos ingressos e a sensação de insegurança provavelmente não se sustenta, pois em jogos de mata-mata, principalmente nas finais e nas fases decisivas das Copas demonstram o contrário, já que os estádios ficam lotados, mesmo com preços mais elevados. Tudo isso somado ao horário das partidas e a acessibilidade.

Rever a fórmula de disputa do Brasileirão, premiando o mérito como no modelo atual, mas tendo uma final ou algumas decisões em mata-mata, podem aumentar a presença de público? Não estou sugerindo uma volta ao passado anterior a 2002, mas um ajuste onde a percepção de valor de cada partida seja melhor avaliada.

Uma melhoria na percepção de insegurança podem impactar positivamente na presença de público?

Implementar a Estratégia da Ampulheta visando atrair um novo perfil de torcedor poderia mudar o atual cenário?

O debate está posto.

terça-feira, 2 de maio de 2023

Flamengo + BRB: uma parceria de alto retorno sobre o investimento


Artigo de Amir Somoggi, diretor da Sports Value, publicado originalmente em inglês sob o título "A sponsorship with high ROI: Flamengo & BRB showcase". Abaixo a tradução, feita por este blog, podendo quem tiver interesse ler o texto original em inglês logo abaixo do texto traduzido para o português.

Artigo:

O Estudo de Caso Flamengo & BRB, um patrocínio com alto RoI (Return of Investment, em português: Retorno sobre o Investimento).

A parceria entre o Banco BRB e o Flamengo é um estudo de caso de marketing esportivo do futebol brasileiro.

Embora o mercado do futebol brasileiro seja gigantesco, com mais de 160 milhões de fãs, são raros os casos de sucesso em termos de negócios entre clubes e seus patrocinadores.

Em geral, os patrocínios são focados na pura visibilidade da marca, sem olhar para a geração de novos negócios e novas receitas.

É um caso que ilustra o atraso deste mercado brasileiro, um gigante de mídia global, mas bem fraco em patrocínio de times de futebol.

O Flamengo em junho de 2020 apresentou um novo patrocínio master, com o Banco BRB, com sede na cidade de Brasília, mas com objetivos de marketing a nível nacional.

O contrato previa o pagamento anual de US$ 7 milhões ao clube, mais ganhos adicionais por desempenho.

O Flamengo, o maior clube das Américas, com 40 milhões de torcedores e receita de US$ 230 milhões em 2022, encerrou o último exercício financeiro com US$ 46 milhões em receita comercial, incluindo patrocínios e licenciamento.

O banco, ao contrário de outras marcas, decidiu ativar o relacionamento com o clube, criando um produto específico para a torcida rubro-negra.

A instituição financeira, que tinha 680 mil clientes em 2018, com o patrocínio cresceu absurdamente, e em 2021 já contava com 3,7 milhões de clientes, encerrandou 2022 com 6,8 milhões.


Clientes BRB (em milhões)

O serviço criado foi uma conta digital gratuita chamada "NaçãoBRBFLa" que alcançou 3,2 milhões de novos clientes digitais para o banco. Simplesmente mais da metade dos clientes ativos do BRB são torcedores do Flamengo.


Eles também criaram um cartão específico para as fãs femininas, e foi um sucesso estrondoso!


O crescimento acelerado deveu-se principalmente pelas contas digitais criadas.

A receita saltou em mais de 60% em 2022 em relação a 2021, saltando de US$ 667 milhões para US$ 1,1 bilhão. O que só foi conseguido graças a este patrocínio.


Contas digitais de clientes - NaçãoBRBFla (em milhões)


Atualmente, estima-se que estes 3,2 milhões de clientes/torcedores em contas digitais, estejam avaliados em US$ 1,7 bilhão para o banco.

Um verdadeiro case de marketing esportivo, direto do Brasil!




ARTIGO ORIGINAL: A sponsorship with high ROI: Flamengo & BRB showcase

A sports marketing showcase from the Brazilian football: The partnership between the BRB bank and Flamengo.

Although the Brazilian football market is gigantic, with more than 160 million fans, it is rare showcases between clubs and their sponsors.

In general, the sponsorships are focused on pure visibility, without looking at the new business generation and revenues.

Here you can see how this model has delayed the Brazilian market, a global media giant, but weak in sponsorship of teams.

Flamengo in June 2020 presented a new master sponsorship, with Banco BRB, based on the city of Brasilia, but with national marketing objectives.

The contract provides for an annual payment of US$ 7 million to the club, plus additional earnings for performance.

Flamengo, the largest club in the Americas with 40 million fans and US$ 230 million revenues in 2022, ended last financial exercise with US$ 46 million in commercial revenue, including sponsorships and licensing.

The bank, unlike other brands, decided to activate the relationship with the club, creating a specific product for the fanbase.

The financial institution that had 680 K clients in 2018, after the sponsorship grew absurdly.
In 2021 it already had 3.7 million clients and ended 2022 with 6.8 million.

The service created was a fee-free digital account called "NaçãoBRBFLa" and reached 3.2 million new digital clients for the bank. Simply more than half of BRB's active clients are the club's fans.

They also created a specific card for female fans, a resounding success!

Accelerated growth was due to the digital accounts created.

Revenues jumped more than 60% in 2022 from 2021. Revenues were US$ 667 million and jumped to US$ 1.1 billion. This was only achieved thanks to sponsorship.

It is currently estimated that these 3.2 million clients/fans in digital accounts are valued at US$ 1.7 billion to the bank.

A true sports marketing case, direct from Brazil.


segunda-feira, 24 de outubro de 2022

O Flamengo vai embarcar na onda das SAFs?


O debate esquentou ao longo de 2022, ano que se iniviou com Cruzeiro, Botafogo e por último o Vasco sendo vendidos para investidores dentro da lei pouco antes aprovada de Sociedades Anônimas de Futebol (SAFs). No fim do ano o Bahia anunciou que seria o próximo da fila, e o Atlético Mineiro preparava-se para seguir na mesma direção. No contexto das discussões de quanto valeria cada clube de futebol, o debate naturalmente passou pelo Flamengo. O vice-presidente Rodrigo Dunshee de Abranches deu uma entrevista que repercutiu muito, e quem também se manifestou, numa série de publicaçõs no Twitter foi Ricardo Hinrichsen.

Ricardo Hinrichsen concorreu à Presidência do Flamengo na eleição realizada no fim de 2021, na qual acabou com a última colocação entre os quatro concorrentes, tendo recebido apenas 134 votos entre os 2.002 sócios que compareceram às urnas, o que representou meros 6,7% dos votos totais. 

Eis a seguir a reprodução dos tweets postados por ele, para reflexão dos rubro-negros. É consenso que o Flamengo não será vendido. Mas dentro do contexto do modelo de SAF, haveria margem para uma abertura de capital via entrada de sócios não maioritários. E é neste contexto de reflexão que as ideias abaixo são compartilhadas, para reflexão de todos os rubro-negros:

1 - Aproveitando que o tema SAF e Flamengo ganhou repercussão hoje, eu gostaria de lembrar aqui a nossa posição sobre isso, detalhada no capítulo Finanças de nosso Plano de Governança (PDG). Na ocasião identificamos 2 desafios estratégicos de longo prazo para o clube em termos financeiros.

2 - O primeiro desafio identificado foi a necessidade de desenvolver estratégias de captação de recursos extra geração orgânica de caixa futebol. Nossa sugestão na época foi criação de veículos de co-investimento, como alternativa a uma venda de participação no clube como um todo.

3 - Nesse caso seriam criadas pelo clube empresas para a exploração específica de uma oportunidade de negócio (mídia digital, tokens, licenciamento, etc), e o investidor compraria participação nessas empresas, não no clube, que permaneceria entidade associativa.

4 - Citamos alguns exemplos, inclusive o do projeto do Tondela (lembram?) que estava estruturado pela diretoria do Flamengo exatamente dessa forma. Havia ainda o exemplo do Barça Studios, empresa de mídia digital para o qual o Barcelona buscava investidores externos.

5 - A premissa para nossa recomendação é que o futebol brasileiro entrará nos próximos anos (2022/25) em uma fase de entrada de investidores internacionais, e que muitos deles poderiam financiar operações deficitárias por anos, para "comprar" market share.

6 - Recebemos algumas críticas durante a campanha nos acusando de alarmismo. Que horas a SAF e outros formatos demorariam anos para decolar no futebol brasileiro, se decolassem...

7 - Nosso PDG e suas recomendações foram escritas há exatamente 1 ano atrás, e vejam o que aconteceu de lá pra cá. Foi inclusive mais rápido do que havíamos projetado. Continuamos com a mesma visão de 2021. Não precisamos de SAF mas precisamos de alternativas para alavancagem.

8 - Além da onda das SAFs no Brasil, vimos esse ano o FC Barcelona vender 2 cotas do Barça Studios, totalizando 48% de seu capital. Isso salvou o clube de uma situação momentânea complicadíssima, onde não podia contratar jogadores.

9 - O segundo desafio estratégico identificado foi a necessidade de geração de caixa em moeda forte, desvinculado da venda de direitos econômicos. Nossa recomendação foi focada no desenvolvimento de novas tecnologias associadas ao negócio futebol, e sua exploração posterior.

10 - Nesse caso o benchmark usado foi o Inovation Hub, também do FC Barcelona, embora hajam exemplos cada vez mais abundantes de clubes que vem adotando estratégias semelhantes, como o Bayern de Munique, por exemplo.

11 - Finalmente consolidamos as 2 recomendações em uma estratégia de desenvolvimento de novos negócios (spin-offs) explorando tanto propriedade de marca, quanto knowhow.


12 - Somos amplamente favoráveis não apenas à manutenção do Flamengo como entidade associativa, mas que o Clube mergulhe nesse modelo ampliando significativamente seu quadro associativo, refletindo a grandeza da nação rubro-negra.

13 - Porém, a manutenção do clube como entidade associativa não significa que o Flamengo não possa (e deva) se ajustar a uma nova realidade em termos de investimento no futebol global, que agora chega ao Brasil. Precisamos preservar nossa essência, e ao mesmo tempo evoluir.


Em linha com as propostas acima do Ricardo Hinrichsen, uma sugestão adicional do Blog A NAÇÃO: em linha com o modelo "NBA House", já presente no Brasil enm São Paulo, um grande ponto de encontro para fãs de basquete verem partidas da NBA, o Flamengo tem um enorme potencial de levar a experiência do estádio de futebol para "Casas do Flamengo" espalhadas pelo Brasil inteiro. Seria um multiplicador da capacidade de Arrecadação com Bilheteria do clube.

O  modelo de negócio pode unir tecnologias de conectividade e transmissão de imagens, oferecendo locais em tela grande que fizessem estas "Casas Flamengo" passarem a sensação de que se estivesse vendo o jogo dentro do estádio, a um ticket menor do que a ida ao Maracanã, com intensivo consumo, em ambiente controlado e seguro, e atingindo uma quantidade muito maior de público do que qualquer estádio pode oferecer: Manaus, Belém, Natal, Brasília, Florianópolis... centenas de rubro-negros conectados Brasil a fora ao que estaria acontecendo no estádio durante o jogo. Fora o potencial de pré e pós-jogo conectado à Fla TV Mais. E com potencial de oferecer consumo durante outros dias passando reprises e programações da FlaTV.