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quinta-feira, 18 de junho de 2026
segunda-feira, 20 de abril de 2026
terça-feira, 14 de abril de 2026
terça-feira, 25 de março de 2025
Maiores Artilheiros do Flamengo por Década
GOLEADORES DÉCADA A DÉCADA
Olhar a história do Flamengo por este prisma traz uma ótica diferente e que em vários aspectos foge do senso comum. Por um lado reforça e endossa fatos e conhecimentos já sob amplo domínio do senso comum, mas por outro ilustra novidades que são pouco exacerbadas na história rubro-negra.
Já nas três primeiras décadas isto é perceptível. O maior goleador nos Anos 1910 foi Riemer, a quem já endossamos na Sessão de Hall da Fama aqui desde blog como personagem que elevou o futebol rubro-negro a outro patamar em seus primeiros anos, personagem essencial para o primeiro título conquistado, o Campeonato Carioca de 1914. Depois dele, um estrangeiro, o inglês Sidney Pullen, campeão carioca de 1912 com o Paysandu, migrou para a Gávea após a extinção do clube da colônia inglesa, e no Flamengo construiu uma rica história por mais de uma década.
Nos Anos 1920, o personagem central e o já tantas vezes exacerbado Nonô, seguido por uma figurinha constante das convocações da Seleção Brasileira na época, Junqueira. Nos Anos 1930, surpreende a grandeza do ponta-esquerda Jarbas, que marcou mais gols do que o grandioso Leônidas da Silva, e isto é surpreendente. O ponta jogou mais de uma década na Gávea, e também é poucas vezes exaltado ao tamanho da história que construiu em vermelho e preto.
A Artilharia Agregada de 1914 até 1939 mostra o tamanho dos nomes nas três primeiras décadas de história do Flamengo.
Nas três décadas seguintes reforçam mais as grandezas de nomes já consagrados na história rubro-negra. Ainda sim, demonstram de certa forma, reforçando, a grandeza diferenciada de nomes como Dida e Henrique Frade. O primeiro, em especial, com números que deixam ainda mais claro porque ele, Dida, tornou-se o maior ídolo do maior ídolo da história do Flamengo, Zico.
Chama atenção também o tamanho de Gérson, o Canhotinho de Ouro, entre os goleadores rubro-negros nos Anos 1960. Ainda mais não sendo ele centroavante, e nem sequer atacante. Se não houvesse saído tão cedo do Flamengo, em 1963, pelas desavenças com o técnico veterano Flávio Costa, dá para tentar imaginar a grandeza de história que ele poderia ter vindo a construir em vermelho e preto, mas que ficou reservada às camisas de Botafogo, São Paulo, Fluminense e Seleção Brasileira.
A Artilharia Agregada Acumulada de 1914 até 1969 reforça o tamanho dos nomes de Dida, Henrique e Pìrilo (o substituto de Leônidas da Silva) na história do Flamengo.
A artilharia entre as Décadas de 1970, 1980 e 1990 contam duas histórias: primeiro ilustrando de forma clara e cristalina o tamanho de Zico, e explicando o porquê de seu tamanho na história rubro-negra; e segundo reforçando mais uma vez o tamanho da Década de 1980 para o agregado da história do Flamengo.
Ao mesmo tempo, a maior surpresa é o tamanho que o nome de Luisinho Lemos construiu em vermelho e preto em tão pouco tempo que esteve no clube, outro nome pouco exaltado proporcionalmente ao tamanho do que foi. Acabou prejudicado por um período sem títulos. Se tivesse jogado uns dois anos mais na Gávea, ao menos em 1978 e 1979, certamente teria escrito seu nome em letras garrafais na história do clube.
Para concluir, os nome das primeiras décadas do Século XXI, com o espeço em branco para os Anos 2020, em meio do qual tal história ainda está em construção.
Veja também:
quarta-feira, 5 de março de 2025
Time dos Sonhos do Flamengo pela Revista Placar, versão 2025
A Revista Placar voltou a publicar um Time dos Sonhos dos 12 clubes mais tradicionais do futebol brasileiro, soltando-o na edição de Janeiro de 2025. É a 4ª vez que a revista reúne torcedores ilustres destes clubes para fazer uma eleição deste tipo. Já tinha feito isto em 1982, 1994 e 2006.
Os escolhidos pela votação para representar o Flamengo dos Sonhos foram organizados num sistema tático 4-4-2. Dos 11 jogadores escolhidos, nada menos do 8 fizeram parte da equipe que foi Campeão Mundial Interclubes em 1981, vencendo ao Liverpool e conquistando a Copa Intercontinental.
O Time dos Sonhos do Flamengo em sua versão 2025 contou com o goleiro Raul Plassmann, uma linha de defesa formada por Leandro, Mozer, Aldair e Júnior, um meio de campo com Andrade, Adílio, Zizinho e Zico, e um ataque de artilheiros de decisões, formado por Gabigol e Nunes. O técnico escolhido foi o português Jorge Jesus.
Time dos Sonhos do Flamengo escolhido em 2025
OPINIÃO DO BLOG A NAÇÃO: eu só não concordo com 1 dos 11 escolhidos. Na minha opinião, há pelo menos 4 jogadores a frente de Nunes para entrar com a camisa 9 rubro-negra. São eles, nesta ordem de preferência: 1º) ROMÁRIO, 2º) LEÔNIDAS DA SILVA, 3º) ADRIANO, e 4º) BRUNO HENRIQUE.
Nunes pode ter sido o herói das decisões, mas só teve números expressivos com a camisa rubro-negra em 1 temporada, a de 1980. Embora tenha decidido os Campeonatos Brasileiros de 1980 e 1982, seus números nestas temporadas foram bem razoáveis. E todo este tempo tendo Zico para servir a ele em condições especiais para marcar seus gols.
Nunes não passou de 100 gols com a camisa do Flamengo, Romário passou de 200, Leônidas da Silva passou de 100 quando não era comum isto acontecer, Adriano decidiu um Campeonato Brasileiro quase levando o time nas costas em 2009, e Bruno Henrique foi decisivo em 2019.
Fora esta posição, dá para discutir se De Arrascaeta não poderia entrar na posição de Adílio. É bastante plausível, mas eu concordo com a escolha de Adílio.
HISTÓRICO DO FLAMENGO DOS SONHOS
NAS QUATRO VOTAÇÕES DA PLACAR
Jogadores Mais Mencionados:
4x: Júnior, Zizinho e Zico
3x: Raul, Leandro, Domingos da Guia e Mozer
2x: Aldair, Dequinha, Andrade, Adílio, Joel, Leônidas da Silva e Nunes
1x: Garcia, Biguá, Reyes, Bebeto, Gabigol e Vevé
Veja aqui: HALL DA FAMA DO C.R. FLAMENGO
sexta-feira, 31 de maio de 2024
MÁRCIO BRAGA: o presidente mais vitorioso da história do Flamengo
O mais vitorioso da história do Flamengo: Márcio Brasil foi presidente por dois mandatos consecutivos entre 1977 e 1980, formando a base do time que foi Tri-campeão Carioca de 1978-1979.I-1979.II e Campeão Brasileiro de 1980, e veio a ser Campeão da Libertadores de 1981, do Mundial Interclubes de 1981 e Bi-campeão Brasileiro em 1982-1983. Dez anos depois da vitória na eleição de 1976, voltou a ser eleito em dezembro de 1986 para o mandato 1987-1988, durante o qual o clube voltou a ser Campeão Brasileiro de 1987. Ganhou mais uma eleição em dezembro de 1990 e no mandato 1991-1992 foi pela quinta vez Campeão Brasileiro, em 1992. Após a pior crise da história do clube, a partir já de meados de 2001, voltou como presidente ao vencer a eleição em dezembro de 2003 para reerguer o clube, já em tempos de mandatos trienais, ocupou dois mandatos na presidência entre 2004 e 2009, período no qual o Flamengo foi Campeão da Copa do Brasil de 2006, Tri-campeão Carioca 2007-2008-2009, e Campeão Brasileiro de 2009. Por um problema de saúde, de ordem cardíaca, teve que deixar a presidência alguns meses antes do gol de Ronaldo Angelim que concretizou o sexto título nacional rubro-negro.
Entrevista dada em 12 de abril de 2024 para o site Globo Esporte (www.ge.globo.com): assim definiu o clube: "Ninguém vai entender o Flamengo direito. Basta amar". Ele contou os aprendizados com Juscelino Kubitschek, "JK", aplicados para o futebol, conta que comprou jogador com bilheteria de baile na Gávea e faz revelação de antigo desafeto: "Caixa D'Água era Flamengo". Recordou a formação e o desmanche do Clube dos 13, os times inesquecíveis e as polêmicas, que vão das Papeletas Amarelas de 1986 até os desafetos nas andanças de décadas no futebol brasileiro. Tabelião no Rio de Janeiro desde 1957, gosta mesmo é de ser chamado de presidente. Da sua maior e inexplicável paixão: o Flamengo.
Ficha técnica:
Nome completo: Marcio Baroukel de Souza Braga
Nascimento: 14 de maio de 1936, no Rio de Janeiro, RJ
Profissão: Formado em Direito, tabelião no Rio de Janeiro desde 1957, foi auditor do STJD de 1963 a 1976.
Outras atividades: Foi deputado federal em dois mandatos: Deputado federal de 1983 a 1987 pelo PMDB-RJ, Deputado federal constituinte de 1987 a 1991 também pelo PMDB-RJ.
Presidências no Flamengo: seis mandatos (1977-1978; 1979-1980; 1987-1988; 1991-1992; 2004-2006; 2007-2009). São 14 anos de duração em todos os mandatos.
Títulos no Flamengo: 32 títulos oficiais, o maior vencedor da história do clube. Entre as principais conquistas estão sete títulos estaduais (dois tricampeonatos), quatro Brasileiros e uma Copa do Brasil.
GE: Como nós devemos nos dirigir ao senhor?
— Presidente. Eu não gosto de deputado, não gosto de senhor, não gosto de tabelião. Eu sou presidente.
GE: Como o Flamengo entrou na sua vida? É verdade que o senhor quase foi botafoguense?
— Eu sou carioca e sou Flamengo de nascimento. Mas o meu padrasto, que me criou, era botafoguense doente. Naquela época eu era pequeno, menor de idade, e só podia ir ao futebol com ele. Então eu ia com ele para General Severiano. Me lembro até hoje do time que foi campeão em 1948 contra o Vasco. Eu tinha 12 anos: Era Oswaldo, Gérson e Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirillo, Otávio e Braguinha. Queriam que eu fosse botafoguense.
GE: E como o Flamengo entrou na sua vida?
— Em 1950 veio a Copa do Mundo. E o Maracanã. Foi aí que eu adquiri a liberdade de ir ao jogo do Flamengo. Tinha um motorista de lotação que se chamava Orestes. Morava na minha rua, no posto 6, em Copacabana. Quando o Flamengo jogava, ele pegava a meninada toda: “Vamos para o Maracanã”. E eu ia ver o Zizinho jogar. O Zizinho era uma coisa sensacional.
GE: Como aquele garoto se tornou presidente do Flamengo?
— Bom, começa em 1970, quando eu vi o André Richer (ex-presidente do Flamengo) pela televisão. Puxando os poucos cabelos que tinha, e chorando que não tinha condição de montar um time para disputar o campeonato porque não tinha dinheiro. Eu sou tabelião desde 1957, sou muito conhecido no Rio de Janeiro. Então eu vou procurar quem é credor do Flamengo. Os credores são realmente os donos do Flamengo.
GE: Os encontrou?
— Eu saí procurando banco por banco. Até que cheguei a um senhor maravilhoso, infelizmente já falecido, que era diretor do Banco Central, Ernesto Albrecht, que acabou sendo um grande benemérito do Flamengo. Marcaram reunião minha com ele. Quando entrei, me deu um frio na espinha. Encontrei um alemão sério. Cara fechada, olhos azuis. “Pois não. O que o senhor deseja?” "O senhor vai me desculpar, talvez tenha sido inoportuno, mas eu vim falar sobre o Flamengo"; “um minuto”. Então, apertou um botão: “Dona Maria, não atendo mais ninguém”. Ele lidava com os bancos todos, e o Flamengo devia para todos. Albrecht negociava, pegava dinheiro de um, pagava o outro, pagava para lá e para cá. E deu uma vida ao Richer, que conseguiu respirar um pouco.
GE: E como isso influencia a eleição de 1976?
— Aí chegamos em 1974 ou 1975, tínhamos um grupo, mas ninguém tinha pretensão de ser nada, de participar da política interna, da administração. Era só ajudar a tirar o Flamengo daquela situação difícil. O presidente já era o doutor Hélio Maurício, que havia sido eleito, reeleito e disputaria o terceiro mandato. Ou seja, iria se eternizar. Aí é que saiu esse grupo que era chamado de banqueiros, de grupo forte, de homens da sociedade, isso, aquilo, que resolveu se declarar "Frente Ampla pelo Flamengo".
A FAF - Frente Ampla pelo Flamengo
Uma 1ª Revolução Financeiro a partir da vitória da FAF na eleição de 1976. Já em 1977, o presidente Márcio Braga declarava guerra às TVs em busca de aumentar a arrecadação ruro-negra: "As TVs estão acostumadas a transmitir jogos de graça (...) A TV fatura em cima dos clubes e isso vai acabar. Não abrirei mão dos meus direitos".
GE: Foi uma eleição tumultuada… Era um choque de gerações também, você com 40 anos. Como foi?
— Eu almoçava na sede social do Jockey, ali no Centro, tinha uma mesinha com a bandeirinha do Flamengo. De vez em quando o João Havelange ia lá. E ele comentou com um amigo: “Márcio vai perder. Hélio Maurício tem 600 votos cativos no conselho. Ninguém tira isso”. Respondi: “Diz a ele que vou ganhar com o dobro de votos”. Você não tem o menor dúvida que devemos essa vitória muito à nossa inteligência, ao nosso charme, mas se não fosse o doutor Roberto Marinho soltar as chamadas pela TV Globo para que o sócio do Flamengo comparecesse para votar… Nós demos um banho. Eles tiveram 600 votos que o João Havelange disse. Eu tive 1.100. Não tive 1.200 porque houve um candidato, um terceiro candidato, Radamés Lattari (pai e homônimo do ex-técnico da Seleção Brasileira de Vôlei Masculino), que levou 100 votos.
GE: Tem uma foto no O Globo do dia seguinte à eleição que mostra o ex-presidente Médici no clube.
— General Garrastazu Médici veio votar contra nós. Nós viemos com um discurso de que a democracia começava pelo Flamengo. E isso acho que ofendeu um pouco os militares. O sistema era contra nós.
GE: A partir da sua vitória a relação com os militares foi tranquila?
— Eu tive uma formação política muito boa. Primeiro em casa e depois por ter desde muito jovem que conviver com o presidente Juscelino Kubitschek (Márcio Braga foi casado com uma sobrinha do ex-presidente). Então eu sei que em política você não deve transformar seu adversário de hoje em inimigo permanente. É melhor ter sempre diálogo. Se eu tivesse sido mais áspero, se tivesse aprofundado posições mais radicais… E, no fundo, no fundo, todo mundo tem um pouco de Flamengo no coração. Todo mundo tem um pontinho rubro-negro, preto e vermelho no coração, o que facilita as coisas. Ou seja, com o Flamengo as facilitam, né, desde que você realmente não seja um radical nem de esquerda, nem de direita, mas que seja radical pelos interesses do Flamengo.
Revista Placar, janeiro de 1977
GE: Como foi a montagem daquele grande time do final dos Anos 70, começo dos Anos 80?
— Eu sei que fui um bom presidente, um grande presidente. Mas nada disso a gente faz sozinho. Tomei posse em janeiro de 1977. No final de 1976, o Flamengo não tinha dinheiro para contratar um técnico. E o almirante Heleno Nunes, então presidente da CBD, sugeriu o nome do Cláudio Coutinho, que não era técnico de futebol, era preparador físico. Quando nós chegamos lá e tivemos a oportunidade de entrevistar… a conversa com o Coutinho nos impressionou muito.
GE: Por quê?
— Tem uma imagem que nunca me sai da cabeça. Eu só fiquei tranquilo quando cheguei no Flamengo e vi o Coutinho conversando no meio do gramado da Gávea com o Kanela (Togo Renan Soares, lendário técnico de basquete) e Buck (Guilherme Augusto do Eirado Silva, lendário remador e técnico de remo do Flamengo). Pensei: posso ficar tranquilo. Está salvo. Os profissionais vão tratar do assunto.
GE: E o time?
— Nós fizemos um contrato com o Coutinho. Fizemos o primeiro contrato de trabalho com o Zico. Tínhamos uma base maravilhosa: Andrade, Adílio, Leandro, Zico. Trouxemos o Nunes, que era cria do Flamengo. E mais um ou dois sugeridos pelo Coutinho: o Carpegiani e o Cláudio Adão, que eu fui comprar do Santos. O Raul, eu fui comprar o passe dele lá em Belo Horizonte, do Cruzeiro, em dez prestações. Que atletas, eu até me emociono. E formamos um time que foi campeão, bicampeão, tricampeão, campeão do Brasil, campeão da América, campeão do mundo. Foi isso. Fomos nós que fizemos isso aí, essa revolução.
GE: O senhor aparecia muito em coluna social. Tinha um glamour ser presidente do Flamengo?
— Meu padrasto, que me criou, era dono da Rio Magazine, a revista social mais importante do Rio de Janeiro. O Ibrahim Sued (antigo colunista social) é cria da revista dele. Eu sempre vivi na sociedade, tabelião, e aí me meto no Flamengo.
GE: Dessa sua vivência veio o Baile do Vermelho e Preto?
— Criamos para agradecer a nossa eleição. O primeiro foi em 1977 e foi bom. Os de 1978, 1979, 1980 explodiram o Rio de Janeiro. Vinha gente da Europa, artistas de cinema, todo mundo. A sociedade toda era Flamengo. Com o resultado de um Baile do Vermelho e Preto nós fomos no Londrina e compramos o Marinho, que foi campeão do mundo. Que atleta, meu Deus do céu!
GE: Qual foi a maior loucura que já fez pelo Flamengo?
— A maior loucura que já fiz, e raramente encontrei parceiros, era assinar notas promissórias, né? Arriscar comprometer seu patrimônio pessoal com a administração do clube. Isso eu tive que fazer algumas vezes.
GE: Qual foi a maior dificuldade que enfrentou como presidente?
— Dificuldade eu tive todas. Não tinha dinheiro, não tinha um tostão. E nem por isso deixamos de ser campeões. Porque sempre tratamos com os profissionais. Esta é a solução: entregar para os profissionais. Eu nunca tive problemas na administração do futebol. Porque eu não entendo de futebol. Todos os presidentes que tiveram dificuldade é porque são metidos a entender de futebol. E não entendem. Futebol é para quem é profissional do futebol.
GE: O seu grande mérito foi entender de Flamengo?
— Amar. Mais do que entender. Entender ninguém vai entender aquilo direito. Mas amar intensamente é uma boa resposta para a sua pergunta. Entender é complicado. Eu não me arrependo de nada no Flamengo.
GE: O senhor voltou ao Flamengo logo após o caso que ficou conhecido como "Papeletas Amarelas", em 1986. O que afinal aconteceu ali?
— Papeleta amarela era uma moeda interna do Flamengo. Quando você tinha que pagar alguma coisa, emitia uma papeleta amarela. E parece que estavam emitindo papeletas amarelas para comprar juiz. A acusação era essa.
GE: E tinha isso mesmo? Houve compra de juízes?
— Eu não sou capaz de falar que sim nem que não. Mas deu uma confusão enorme com a Polícia Federal. Eu era deputado federal, saí candidato a deputado federal constituinte (em 1986). Ganhei a eleição e fui candidato a presidente do Flamengo em 15 dias. Ganhei a eleição para abafar isso. Eu tomei posse com a Polícia Federal lá dentro por causa dessa papeleta amarela aí. Era um papel amarelo, um formulário que emitiam para tirar dinheiro do caixa.
GE: Hoje se fala em manipulação de resultados. Antes, houve a Loteria Esportiva, a Máfia do Apito. Acredita que há corrupção no futebol?
— Ah, a gente sempre ouve. Mas eu nunca me aprofundei nisso, não.
GE: Por que o Flamengo demorou tanto para se tornar a potência econômica que é hoje?
— Ah, porque não é fácil. Precisaríamos de uma outra entrevista só para falar dos interesses que são contrários ao interesse dos clubes. Agora mesmo estava revendo um programa sobre a Copa União (de 1987). A força dessas instituições. Repare: eu deputado federal, constituinte, com a lei na minha mão, fui eu quem colocou ali. Com o CND (Conselho Nacional do Desporto) a meu favor, a nosso favor. Com tudo isso, aquele cara da Federação lá de São Paulo, o Nabi Abi Chedid, criou problema conosco. Então essas instituições mais antigas, que tinham o duto do poder, o duto dos recursos voltado para eles, é que transformavam esses clubes todos, todos, mendigando. Nós fazemos o futebol, nós pagamos os atletas, nós montamos o espetáculo. E eles ganham dinheiro.
GE: O Clube dos 13, a Copa União, foram uma resposta a isso?
— Sim. Otávio Pinto Guimarães (presidente da CBF) foi ao Jornal Nacional e disse: “Este ano não temos condições de organizar o campeonato nacional”. Eu peguei o telefone e liguei para o Carlos Miguel Aidar (presidente do São Paulo): “Está na hora de agir. A revolução está na rua. A bandeira é de quem pegar”. Foi assim que começou. Montamos um campeonato. Veio a TV Globo, doutor Roberto Marinho comprou. A Coca Cola bancou quem não tinha anúncio na camisa. Vendemos para a Varig e fizemos o campeonato. Fizemos um campeonato que foi o mais rentável. E, para terminar, Flamengo campeão.
GE: Por que os clubes não conseguem fazer uma liga até hoje?
— Olha, naquela época foi possível porque nós demos um golpe ali, né? E agora eu não vejo condições de se dar esse golpe. E os clubes divididos fica difícil mudar as coisas. Esse pessoal de federação, das entidades de administração, é um jogo muito pesado deles. Melhorou muito. Mas continua sendo muito complicado você virar esse tipo de coisa. Então não vejo como fazer isso. E olha que eu sou de briga, mas também já estou um pouco velho.
GE: O senhor se sente traído pelo que aconteceu depois? Por quem?
— Ah, sim. Pelo Eurico Miranda, que se fechou aqui com o Caixa D’Água (Eduardo Viana, ex-presidente da FERJ) e elegeram o Ricardo Teixeira presidente da CBF, que veio com a proposta das federações. Quem votava eram as federações. Acabaram com o Clube dos 13. E se encheram de dinheiro, tanto as federações quanto eles e os seus bolsos.
GE: Como era sua relação com o Eurico?
— No fundo, no fundo, não era má pessoa. Não era um Nabi Abi Chedid. Ele viveu a vida inteira dessa briga com o Flamengo. Era inteligente, se elegeu deputado duas vezes graças à briga com o Flamengo. E jogava com o poder, se juntava com o presidente da Federação, tudo para ficar contra o Flamengo. Tudo que o Eurico desejava era destruir o Flamengo, e fizeram essa dupla aí.
GE: Teve alguma relação mais marcante com dirigentes de Botafogo ou Fluminense?
— Nunca tive maiores problemas. Sempre fui muito amigo, de infância, do Francisco Horta, uma grande figura, um grande presidente do Fluminense. Nós chegamos a fazer um time Fla-Flu, que ganhou da Seleção Brasileira. Botei o Horta de chefe de delegação do Flamengo na Europa.
GE: E com o Castor de Andrade?
— O Castor de Andrade era muito amigo. Vou contar uma história boa do Castor. Houve um jogo Flamengo e Bonsucesso que o Caixa D’Água marcou numa quarta-feira à noite. Não tinha nada pior do que isso, botar o Flamengo para jogar com o Bonsucesso num campo tal… eu não sabia o que fazer. Aquela briga danada que nós tínhamos com a federação, com o Caixa D’Água, com o Eurico. Botar lá (longe)... era de um desprestígio. Eu pensei: o que eu vou fazer, como vou sair dessa? Liguei pro Castor: “Castor, tô com um problema. Será que você podia me ajudar. O Caixa D’Água acaba de marcar um jogo do Flamengo assim, assim, contra o Bonsucesso numa quarta-feira à noite”. E nós naquela época não tínhamos seguranças como têm hoje. Eu não sei o que fazer, Castor. “Deixa comigo. Não se preocupa. Não vai acontecer nada. Mas não vá ao jogo. Deixa comigo. O Castor mandou um batalhão para lá. Fechou (o quarteirão), tomou conta, isso e aquilo, não ocorreu nada. O Flamengo ganhou o jogo e foi tudo mundo embora. Eles armavam tudo. Contra o time. Não tinha segurança nenhuma. Não tinha como se tem hoje. Não tinha. Não era. Eu acho que naquela época não tinha nada. Nós tínhamos o Pinheiro no Flamengo como chefe da segurança, que está até hoje. Mas não é como hoje em dia. O Castor foi lá, botou, acabou. Jogou, o Flamengo jogou tranquilo.
GE: Qual é a sua avaliação da gestão Rodolfo Landim?
— Ele não é má pessoa. É um bom rubro-negro, mas está conduzindo essa história do futebol muito mal. A forma de ele conduzir o Flamengo não me parece condizente com o momento exitoso que vive o Flamengo. Do lado da economia ele vai bem, mas no lado da política – interna e externa – ele deixa a desejar. Eu tenho muitas dúvidas se ele ganha a eleição (em 2024), se quem está na situação ganha. Landim está se unindo com o submundo do Flamengo para se manter no poder e ter voto.
GE: Tite lhe agrada? É do nível do Jorge Jesus?
— Não vejo ele nesse nível todo, não. De qualquer maneira, é excelente técnico. E me parece que está indo muito bem no Flamengo. Agora o Jorge Jesus é um fenômeno. Ele era realmente uma pessoa muito especial. Ele se preocupava com a grama do Flamengo. Ele chegava na concentração às 7 da manhã, discutia a torneira que estava quebrada. Ele realmente foi excepcional. Eu gostaria de tê-lo de volta. Gostaria muito.
GE: O senhor consegue escalar um Flamengo de todos os tempos?
— Ah, não sou capaz de montar um time. Tem que citar muitos. Entre os goleiros indiscutivelmente o Raul, que não é cria do Flamengo. Lá atrás teve o Jurandir. Laterais sem dúvida o Júnior e o Leandro. O Leandro está para mim quase no mesmo, se não no mesmo patamar que o Zico. Entre os beques tem que lembrar Mozer, Rondinelli, o Deus da Raça. Aldair era um jogadoraço. Andrade, Adílio, Zico. Carpegiani. Zizinho. Dida.
GE: Alguém que joga hoje entra nessa conversa? Gabigol?
— Eu não gosto de falar dos “vivos”. Mas... cadê o Gabigol, ele sumiu? Não está nem escalado. Não consegue se escalar. Não dá para ter uma perspectiva maior para compará-lo a estes outros que nós citamos.
GE: Ainda convive com o meme do "acabou o dinheiro"?
— Todo dia me lembram dessa frase. E não é coisa muito antiga. E essa imagem tem uns sete anos, oito anos, nove anos. Hoje está aí o Flamengo com uma receita de R$ 1,37 bilhão. É fenomenal. Mas naquele momento, o que estava acontecendo era a pressão do esporte olímpico, do esporte amador, para fazer contrato dos atletas de ginástica olímpica. Queriam ganhar tanto quanto o Zico. Aí eu abri a reunião e disse “acabou o dinheiro. Vocês estão entendendo? Acabou o dinheiro". E não tenho condições mais de tirar recursos dessa ordem do departamento de futebol, porque quem sustenta tudo é o futebol. Qual era a outra receita que tinha o Flamengo que não fosse do futebol para investir no esporte olímpico? E o pior de tudo, aqueles atletas concorriam com o escudo do Brasil, e não do Flamengo. Era preparar para eles concorrerem pelo Brasil e não pelo Flamengo. E nem reconhecerem que o Flamengo era o formador daquilo tudo. Olha, que luta. Acabou o dinheiro. Para isso aí, acabou o dinheiro.
VEJA TAMBÉM:
A BIOGRAFIA "CORAÇÃO RUBRO-NEGRO"
No fim de 2013 foi publicada a biografia de Márcio Braga, entitulada "Coração Rubro-Negro", onde todas as histórias desta entrevista estiveram contadas em muito mais detalhes. Márcio Braga incorpora três dos estereótipos mais apedrejados do Brasil: o tabelião, o cartola e o político. Foi o dirigente que ficou mais tempo à frente do Flamengo, assumindo o clube em situações dramáticas e comandando as conquistas mais importantes. É o notário mais antigo em atuação no país, um dos nomes mais prestigiados da profissão. Viveu a política desde os tempos de JK e participou de episódios decisivos da Campanha das Diretas, da Nova República e da Constituinte ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e outros grandes nomes da história da redemocratização.
Segundo Mário Braga, por ele mesmo, um lutador e combatente das boas causas. Este livro é uma coleção de histórias dessas brigas nos mundos do futebol, da política e dos negócios. É também uma coleção de lembranças, desde a origem judaica e a saga dos antepassados na Amazônia até a intimidade com o presidente Juscelino Kubitschek e as delícias dos Anos Dourados no Rio de Janeiro, a euforia no jet set e os amores de cinema. Cenários e personagens se multiplicam. Épocas e aventuras se sucedem. E em todas as histórias do livro está viva a paixão da maior torcida do mundo – a Nação Rubro-negra. Mesmo sendo parte desta seita faz tanto tempo, Marcio não se atreve a explicar o que é a entidade mágica chamada Flamengo, essência e comunhão de gente de todo jeito e todo lugar, pelo Brasil e pelo planeta. Ele aprendeu e ensina que esse mistério, que está em cada palavra deste livro, nunca será desvendado por qualquer ciência. Sabe-se que habita a alma do torcedor enlouquecido e assombra o espírito do adversário.
sábado, 13 de maio de 2023
FLAMENGO e SELEÇÃO BRASILEIRA: uma Conexão Vanguardista de Precursores
Há uma íntima relação histórica de pioneirismo conectando os laços construídos pelo Clube de Regatas do Flamengo e a Seleção Brasileira de Futebol. Eram jogadores que vestiam a camisa rubro-negra carioca quando prestaram serviço à seleção nacional do Brasil aqueles que formaram a 1ª dupla de zaga de sua história, aqueles que foram pela 1ª vez eleitos para o Time Ideal de uma Copa do Mundo, o autor do primeiro hat trick num Mundial, o primeiro a ter feito dois hat tricks em jogos oficiais, o primeiro a fazer 4 gols num mesmo jogo oficial, o único a ter feito 5 gols num mesmo jogo, e o primeiro a ter feito duas vezes 4 gols num mesmo jogo! É muita história conectando o Flamengo e a Seleção Brasileira. Aos fatos:
1. A PRIMEIRA DUPLA DE ZAGA: PÍNDARO E NERY
A primeira dupla de zaga da história do Flamengo foi a mesma primeira dupla de zaga da história da Seleção Brasileira. A formação tática nos primórdios do futebol tinha dois zagueiros a frente do goleiro, três meios-campistas, sendo um meia-direita, um meia-central e um meia-esquerda, e cinco atacantes, sendo dois pontas extremos, um pela direita e outro pela esquerda, um ponta de lança centralizado fazendo a armação, e dois homens de área. Na prática, eram cinco contra cinco na defesa e no ataque, porque os homens de frente nunca recuavam e os homens de trás nunca avançavam.
Em 3 de maio de 1912, eram Píndaro e Nery os dois zagueiros que faziam a proteção do goleiro Baena quando o Flamengo entrou pela primeira em campo em sua história no futebol, para enfrentar ao Mangueira no Estádio da Rua Campos Salles, na Tijuca. Em 21 de julho de 1914, também foram Píndaro e Nery os dois zagueiros que faziam a proteção do goleiro Marcos Carneiro de Mendonça quando a Seleção Brasileira entrou pela primeira em campo em sua história no futebol, para enfrentar ao clube inglês Exeter City no Estádio da Rua das Laranjeiras.
O paulistano Píndaro de Carvalho, chamado de "O Gigante de Pedra", e o carioca Emmanuel Nery, formaram a primeira dupla de zaga da história da Seleção Brasileira, e também formaram a primeira dupla de zaga da história do Flamengo!
Eles faziam parte do grupo de 10 jogadores campeões cariocas de 1911 que abandonaram o Fluminense e aportaram na República Paz e Amor, sede da equipe de regatas da Praia do Flamengo, para dar início ao Departamento de Esportes Terrestres que levava a prática do futebol - aquele esporte considerado da esnobe elite que insistia em importar práticas da Inglaterra - para dentro do Flamengo, o segundo esporte na história do clube, que até então só tinha o remo.
2. OS PRIMEIROS ELEITOS NO TIME IDEAL DE UMA COPA DO MUNDO: DOMINGOS E LEÔNIDAS
Na Copa do Mundo de 1938, a Seleção Brasileira fez sua primeira campanha histórica num Mundial de Futebol. No torneio disputado na França, acabou derrotada pela Itália na semi-final. Na decisão de 3º lugar, venceu à Suécia, e ficando pela primeira vez em sua história entre as 3 melhores seleções de futebol do mundo. Aquela histórica Seleção Brasileira tinha 3 jogadores do Flamengo em seu time titular: o goleiro Wálter Goulart, o zagueiro Domingos da Guia, e o centroavante Leônidas da Silva. E dois deles foram os dois primeiros brasileiros a serem escolhidos para o Time Ideal de uma Copa do Mundo, que naquela edição foi formado por: Planicka (Tchecoslováquia), Domingos da Guia (Brasil), Pietro Rava (Itália) e Foni (Itália); Andreolo (Itália) e Locatelli (Itália); Zsengeller (Hungria), Gyorgy Sarosi (Hungria), Leônidas da Silva (Brasil), Silvio Piola (Itália) e Colaussi (Itália).
Wálter já tinha sido o arqueiro das metas de Andarahí, Cocotá, América e Bangu quando chegou ao clube, naquele mesmo ano de 1938. Ficou no Flamengo até 1941. Depois, antes de encerrar a carreira, ainda defendeu ao Vasco e ao América. O zagueiro Domingos, o "Divino Mestre", eternizou-se em vermelho e preto. Quando chegou ao clube, já tinha passado por Bangu, Vasco, Nacional de Montevidéu e Boca Juniors, da Argentina. Em nenhum destes clubes teve uma passagem tão longa e construiu relação tão íntima como no Flamengo, onde atuou por 8 anos, de 1936 a 1943. Depois ainda jogou 4 anos no Corinthians e 2 anos no Bangu. E o centroavante Leônidas, o "Diamante Negro", teve trajetória parecia à dele. Já tinha passado por São Cistóvão, Bonsucesso, Peñarol do Uruguai, Vasco e Botafogo quando chegou ao clube. Deixou o time alvi-negro em meio a uma controvérsia, expulso do clube por um dirigente do Botafogo após uma suposta entrevista na qual teria dito que seu sonho era jogar pelo Flamengo. E foi exatamente onde foi jogar, e onde assim como Domingos, teve uma relação tão longa e uma relação tão íntima com o Flamengo como não teve com nenhum outro clube. Atuou em vermelho e preto por 5 anos, de 1936 a 1940. Depois defendeu ao São Paulo de 1942 a 1950.
3. O PRIMEIRO BRASILEIRO COM HAT TRICK NUMA COPA DO MUNDO: LEÔNIDAS DA SILVA
Em 5 de junho de 1938, a Seleção Brasileira entrou em campo toda de azul - camisa, calção e meias - no Estádio Meinau, em Strasburgo, na França, para enfrentar à Polônia pelas oitavas de final daquela Copa do Mundo. Foi um dos maiores jogos da história do futebol, que encantou à Europa e recebeu enorme destaque dos jornais do Velho Continente. O Brasil venceu por 6 a 5, avançando para as quartas de final.
Foi o centroavante Leônidas, então jogador do Flamengo, quem abriu o placar aos 18 minutos do 1º tempo. Friedrich Scherfke empatou aos 23, mas dois minutos depois Romeu Pellicciari colocou a Seleção Brasileira novamente a frente. Antes do intervalo, Perácio fez 3 a 1 para o Brasil, aos 44 minutos. No 2º tempo, Ernst Willimowski marcou duas vezes, aos 8 e aos 14 minutos, e voltou a empatar. Aos 26, Perácio marcou seu segundo gol, fazendo 4 a 3. Porém, no minuto final, aos 44 minutos do 2º tempo, Willimowski marcou seu hat trick, colocando no placar um 4 a 4 que levou a partida à prorrogação. Foi então que emergiu o herói brasileiro, jogador do Flamengo.
Logo no 1º tempo da Prorrogação, Leônidas da Silva marcou dois gols, aos 3 e aos 14 minutos, tornando-se o primeiro brasileiro a converter um hat trick na história da Copa do Mundo! No 2º tempo, Willimowski ainda converteria seu quarto gol naquela tarde, colocando o placar definitivo. O centroavante do Flamengo ainda se converteria no primeiro brasileiro a ser Artilheiro de uma Copa do Mundo, terminando a competição com 7 gols convertidos!
4. O PRIMEIRO BRASILEIRO COM 2 HAT TRICKS EM JOGOS OFICIAIS: SILVIO PIRILO
O primeiro brasileiro a fazer dois hat tricks na história da Seleção Brasileira foi Leônidas da Silva, o primeiro num jogo em 1934 contra o Náutico Capibaribe, e o segundo na vitória sobre a Polônia pela Copa do Mundo de 1938. O primeiro a ter feito dois hat tricks em jogos oficiais foi um centroavante do Flamengo, o gaúcho Silvio Pirilo. Ele marcou três gols num mesmo jogo duas vezes no Campeonato Sul-Americano de 1942, disputado em Montevidéu, no Uruguai.
Pirilo havia chegado ao Flamengo em 1941 para substituir a Leônidas da Silva, que havia trocado o Flamengo pelo São Paulo. Havia começado a carreira no futebol defendendo a dois clubes de Porto Alegre, o Americano e o Internacional. Mas foi com a camisa do Nacional de Montevidéu entre 1939 e 1941 que se destacou mais, chamando atenção no Campeonato Uruguaio. Foi contratado então pelo Flamengo, jogando pelo clube por 7 anos, de 1941 a 1947, sua relação mais longa e mais íntima com uma camisa em toda a sua carreira de futebolista. Ainda jogou pelo Botafogo antes de se aposentar.
O Campeonato Sul-Americano de 1942 foi disputado justamente na cidade de Montevidéu, que ele tão bem conhecia. Pirilo marcou 3 gols em 14 de janeiro na vitória da Seleção Brasileira por 6 a 1 sobre o Chile, e em 31 de janeiro na vitória por 5 a 1 sobre o Equador. Todas as duas partidas foram disputadas no mítico Estado Centenário.
5. O PRIMEIRO COM 4 GOLS NUM JOGO OFICIAL PELA SELEÇÂO BRASILEIRA: ZIZINHO
Em 4 oportunidades um jogador de futebol já tinha marcado 4 gols numa mesma partida pela Seleção Brasileira, mas todas em partidas contra clubes ou combinados. O primeiro a obter esta marca num jogo oficial foi o meia rubro-negro Zizinho, no Campeonato Sul-Americano de 1946. Em 1923, Zezé marcou 4 no Combinado da Liga de Durazno, do Uruguai. Em 1928, Feitiço marcou quatro vezes na goleada sobre o clube Motherwell, da Escócia. Em 1934, foi Armandinho quem marcou quatro vezes numa goleada sobre o Galícia, clube da Bahia. Em 1938, Leônidas marcou quatro vezes na goleada da Seleção Brasileira sobre o Bahia.
A primeira vez num jogo oficial foi pelo Sul-Americano de 1946, quando em 3 de fevereiro, em partida disputada no Estádio El Gasometro, em Buenos Aires, o meio-campista Zizinho marcou quatro vezes na goleada de 5 a 1 sobre o Chile, tendo o outro gol brasileiro sido marcado pelo ponta-esquerda Chico. Na rodada seguinte, a Seleção Brasileira acabaria derrotada pela Argentina por 2 a 0 e perderia o título, numa partida histórica que terminou em tremenda pancadaria, invasão de campo e agressões aos jogadores brasileiros, num conflito que levou as duas seleções a ficarem vários anos sem se enfrentarem.
Thomaz Soares da Silva, o Zizinho, foi cria das divisões inferiores do Flamengo, tendo feito sua primeira partida em vermelho e preto em 1940. Defendeu o clube por uma década inteira, de 1940 até 1950. Pouco antes da Copa do Mundo de 1950 foi vendido pelo Flamengo para o Bangu, onde seguiu fazendo história. Ainda vestiu as camisas do São Paulo e do Audax Italiano, do Chile, antes de se retirar dos gramados de futebol.
6. O ÚNICO COM 5 GOLS NUM JOGO OFICIAL PELA SELEÇÂO BRASILEIRA: EVARISTO
Somente um jogador fez 5 gols com a camisa da Seleção Brasileira em partidas oficiais, o meia Evaristo de Macedo, na goleada por 9 a 0 sobre a Colômbia pelo Campeonato Sul-Americano de 1957, em partida disputada no Estádio Nacional de Lima, no Peru. Evaristo que só vestiu 4 camisas em toda a sua carreira de jogador de futebol: Flamengo, Barcelona, Real Madrid e Seleção Brasileira. Justamente pelos longos anos jogados na Espanha, que naqueles tempos eram um impeditivo para que o jogador fosse convocado para defender a camisa do Brasil, Evaristo curiosamente fez 8 gols com a camisa verde e amarela, ou seja, apenas três a mais do que os incríveis cinco marcados em 24 de março de 1957.
Antes dele, dois jogadores tinham feito cinco gols pela Seleção Brasileira, mas em partidas contra clubes, Preguinho em 1932 numa goleada sobre o Andarahí, e Waldemar de Brito em 1943 numa goleada sobre o Galícia, da Bahia. Depois do feito de Evaristo, somente um brasileiro voltou a marcar cinco vezes num mesmo jogo, e novamente um jogador rubro-negro, Zico que marcou cinco vezes em 1978 na goleada sobre uma Seleção do Estado do Rio de Janeiro, em amistoso jogado em Niterói.
Evaristo chegou para vestir a camisa 19 do Flamengo em 1953, após se destacar nos Campeonatos Cariocas dos anos anteriores pelo Madureira. Ficou na Gávea de 1953 até 1957, quando foi contratado pelo Barcelona. Jogou na Espanha até 1965, quando regressou para encerrar a carreira com a camisa do Flamengo. No futebol ainda veio a ser treinador, tendo nesta função, Evaristo de Macedo treinada diversas equipes.
7. O ÚNICO A TER FEITO 2 VEZES 4 GOLS NUM JOGO DA SELEÇÃO BRASILEIRA: ZICO
Se foi um então jogador do Flamengo o primeiro a ter feito 4 gols num jogo oficial da Seleção Brasileira - Zizinho no Campeonato Sul-Americano de 1946 - coube a outro camisa 10 histórico do Flamengo ter sido o primeiro e único a fazer 4 gols num jogo por duas vezes. Depois de Zizinho, Ademir Menezes marcou quatro na goleada de 7 a 1 sobre a Suécia na Copa do Mundo de 1950, e Julinho Botelho marcou quatro na goleada por 8 a 1 sobre a Bolívia pelo Campeonato Sul-Americano de 1953. Mas foi o Arthurzico o único quem conseguiu repetir este feito duas vezes: em 14 de julho de 1977, pelas Eliminatórias, no Estádio Pascual Guerrero, em Cali, na Colômbia, na goleada de 8 a 0 sobre a Bolívia que selou a classificação para a Copa do Mundo de 1978, e posteriormente numa goleada por 6 a 0 sobre a Irlanda, em amistoso disputado no Estádio Rei Pelé, em Maceió, em 23 de setembro de 1981.
O maior jogador da história do Flamengo também tem uma outra marca histórica com a camisa da Seleção Brasileira. Dado que Pelé é um ser a parte, que é o recordista de hat tricks com a camisa verde e amarela, marca que obteve por 8 vezes, Zico foi o primeiro a marcar três hat tricks com a camisa do Brasil: em 1979 num 6 a 1 no Paraguai, em 1981 num 3 a 1 na Bolívia, e em 1986 numa 4 a 2 na Iugoslávia. Com um detalhe, em todo o Século XX, a Seleção Brasileira só teve um jogador marcando um hat trick sobre uma seleção da Europa em 5 oportunidades: três vezes com Pelé - dois na França e um na Bélgica -, o de Leônidas em 1938 sobre a Polônia na Copa do Mundo, e este de Zico sobre a Iugoslávia. E só duas vezes com um jogador fazendo 4 gols numa seleção da Europa, com Ademir Menezes sobre a Suécia na Copa de 50, e o já citado de Zico sobre a Irlanda.
Após tanta história, uma curiosidade histórica para fechar: o Flamengo é o único clube brasileiro que teve jogador cedido aos campos de batalha nas Duas Grandes Guerras Mundiais: Sidney Pullen lutou com o exército da Inglaterra na Primeira Guerra Mundial, e o atacante Perácio lutou com o exército brasileiro na Segunda Guerra Mundial.
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domingo, 16 de abril de 2023
Top 11 Jogadores do Flamengo com Mais Gols pela Seleção Brasileira
A lista dos 11 jogadores que mais gols marcaram com a camisa da Seleção Brasileira enquanto eram jogadores do Flamengo tem atletas das Décadas de 1930, 1940, 1950, 1970, 1980 e 1990. Eis quem são, em ordem decrescente das posições:
11º lugar: TITA - 6 gols
Carreira: 1977-1982 Flamengo; 1983 Grêmio; 1983-1985 Flamengo; 1985-1986 Internacional; 1987 Vasco; 1987-1988 Bayer Leverkusen (Alemanha); 1989 Pescara (Itália); 1989-1990 Vasco; 1991-1994 León (México); 1994-1995 Puebla (México); 1996-1997 León (México); 1997 Comunicaciones (Guatemala)
10º lugar: JÚNIOR - 6 gols
Carreira: 1974-1984 Flamengo; 1984-1987 Torino (Itália); 1987-1989 Pescara (Itália); 1989-1993 Flamengo
9º lugar: SILVIO PIRILO - 6 gols
Carreira: 1934-1935 Americano (RS); 1936-1939 Internacional; 1939-1941 Nacional (Uruguai); 1941-1947 Flamengo; 1948-1952 Botafogo
8º lugar: PAULO CÉSAR CAJU - 7 gols
Carreira: 1967-72 Botafogo, 1972-74 Flamengo, 1974-75 Olympique Marselha (França), 1975-77 Fluminense, 1978 Botafogo, 1979 Vasco, 1980 Grêmio, 1981 Corinthians, 1982-83 Aix (França) e 1983 Grêmio
7º lugar: EVARISTO - 8 gols
Carreira: 1950-1952 Madureira; 1953-1957 Flamengo; 1957-1962 Barcelona (Espanha); 1962-1965 Real Madrid (Espanha); 1965-1966 Flamengo
6º lugar: JAIR ROSA PINTO - 9 gols
Carreira: 1938-1943 Madureira (RJ), 1943-1946 Vasco, 1947-1949 Flamengo, 1949-1955 Palmeiras, 1956-1960 Santos, 1961 São Paulo e 1962-1963 Ponte Preta (SP)
5º lugar: BEBETO - 12 gols
Carreira: 1982-1983 Vitória (BA); 1983-1989 Flamengo; 1989-1992 Vasco; 1992-1996 Deportivo La Coruña (Espanha); 1996 Flamengo; 1997 Sevilla (Espanha); 1997 Vitória (BA); 1997 Cruzeiro; 1998 Botafogo; 1999 Toros Neza (México); 2000 Kashima Antlers (Japão); 2001 Vasco; 2002 Al Ittihad
(Arábia Saudita)
4º lugar: ROMÁRIO - 14 gols
Carreira: 1985-1988 Vasco; 1988-1993 PSV Eindhoven (Holanda); 1993-1994 Barcelona (Espanha); 1995-1996 Flamengo; 1996 Valência (Espanha); 1997 Flamengo; 1997 Valência (Espanha); 1998-1999 Flamengo; 2000-2002 Vasco; 2002-2003 Fluminense; 2003 Al Sadd (Qatar); 2004 Fluminense; 2005-2006 Vasco; 2006 Miami (EUA); 2007 Adelaide United (Austrália); 2007-2008 Vasco
3º lugar: LEÔNIDAS DA SILVA - 15 gols
Carreira: 1929-1930 São Cristóvão; 1931-1932 Bonsucesso; 1933 Peñarol (Uruguai); 1934 Vasco; 1935-1936 Botafogo; 1936-1940 Flamengo; 1942-1950 São Paulo
2º lugar: ZIZINHO - 17 gols
Carreira: 1940-1950 Flamengo; 1950-1957 Bangu; 1957-58 São Paulo; 1959-60 Uberaba (MG); 1960-62 Audax Italiano (Chile)
1º lugar: ZICO - 63 gols
Carreira: 1971-1983 Flamengo; 1983-1985 Udinese (Itália); 1985-1989 Flamengo; 1991-1992 Sumitomo Metals (Japão); 1992-1994 Kashima Anthlers (Japão)
Entre muitas razões, eis mais um motivo para Zico ser o maior e o inigualável na história rubro-negra: além de ter sido o jogador do Flamengo com mais jogos pela Seleção Brasileira no Século XX, foi o jogador do Flamengo que marcou mais gols com a camisa verde e amarela na história! O maior artilheiro da história do Flamengo, com 513 gols marcados! O maior artilheiro da história do Maracanã, com 333 gols marcados! A maior quantidade de temporadas como artilheiro rubro-negro: 9 vezes (1974, 1975, 1976, 1977, 1978, 1979, 1980, 1982 e 1983). Maior quantidade de hat tricks de um jogador do Flamengo: 24 vezes, sendo 19 vezes em jogos oficiais! A maior quantidade de hat tricks pelo Flamengo em Campeonatos Brasileiros: 5 vezes (além de um jogo em que marcou 4 gols). Jogador do Flamengo com mais gols numa mesma partida no Maracanã: 6 marcados contra o Goytacaz em 1979, tendo ainda em 5 vezes marcado 4 gols, e tendo feito a maior quantidade de hat tricks de um jogador do Flamengo no Maracanã: 15 vezes!
Enquanto jogador rubro-negro, fez 83 partidas pela Seleção Brasileira e marcou impressionantes 63 gols! Arthur Antunes Coimbra, o Zico: Inigualável! Nunca haverá outro!
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