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domingo, 26 de outubro de 2025

Maiores Jogos da História do Flamengo: 20/06/25 - Flamengo 3 x 1 Chelsea



Jogos Inesquecíveis: 20/06/2025 - Flamengo 3 x 1 Chelsea

Há vitórias que não levantaram taça, mas que tem um valor simbólico como se assim tivesse. Em 2025, a vitória rubro-negra sobre o Chelsea pela 1ª edição da Copa do Mundo de Clubes foi uma dessas. No Século XXI tinham sido poucas as vezes nas quais sul-americanos derrubaram europeus na disputa da Copa Intercontinental. Diferentemente do Século XX, quando isto aconteceu várias vezes, no Século XXI a situação era outra, pois havia se aberto uma colossal diferença econômica entre os clubes dos dois continentes, além de mudanças na conjuntura política que permitiram aos clubes europeus reunir jogadores de diversas nacionalidades na mesma equipe.

No primeiro um quarto de século, quando os times brasileiros conseguiram vencer a europeus, obtiveram tais vitórias em condições particulares, tendo passado a maior parte das respectivas partidas recuados defensivamente, vendo o adversário com superioridade de posse de bola, e jogando por uma bola para vencer. Foi assim em 2005 quando o São Paulo venceu ao Liverpool com gol de Mineiro, em 2006 quando o Internacional venceu ao Barcelona com gol de Adriano Gabiru, e em 2012 quando o Corinthians venceu ao Chelsea com gol de Paolo Guerrero. Havia sido assim também no dia anterior, pela mesma Copa do Mundo, quando o Botafogo havia vencido ao campeão europeu Paris St-Germain com gol de Igor Jesus. Todas vitórias por 1 a 0. Nem mesmo o supertime de 2019 do Flamengo havia conseguido construir uma história diferente, pois no Mundial de Clubes empatou sem gols com o Liverpool no tempo normal, e foi derrotado por 1 a 0 na prorrogação, com gol do brasileiro Roberto Firmino.

É preciso introduzir a todo este contexto para falar do duelo entre Flamengo e Chelsea em 2025. O jogo valia pela 2ª rodada da Copa do Mundo de clubes. Pela primeira rodada, ambos tinham vencido por 2 a 0, o time rubro-negro ao Esperance, da Tunísia, e os ingleses ao Los Angeles FC, dos Estados Unidos. Quem vencesse, estaria matematicamente garantido na fase oitavas de final. O Chelsea saiu em vantagem logo aos 12 minutos do 1º tempo. Mas o Flamengo, com muita atitude e com autoridade, surpreendeu ao mundo, conseguindo uma virada épica! O Chelsea na havia pouco terminada Temporada 2024/25 do futebol europeu, havia sido campeão da UEFA Conference League e terminado em 4º lugar na Premier League, o Campeonato Inglês. Uma vitória ainda mais maiúscula porque o Chelsea viria a se consagrar o Campeão daquela 1ª Copa do Mundo de Clubes!


Ficha Técnica
20/06/2025 - Flamengo 3 x 1 Chelsea
Local: Lincoln Financial Field, Philadelphia, Estados Unidos (Público: 54.019 espectadores)
Gols: Pedro Neto (12'1T), Bruno Henrique (16'2T), Danilo (19'2T) e Wallace Yan (37'2T)

Fla: Rossi, Wesley (Varela), Danilo, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Pulgar, Jorginho, Gérson (Wallace Yan) e Arrascaeta (Bruno Henrique); Luiz Araújo (Michael) e Gonzalo Plata (Pedro).
Téc: Filipe Luís
Chelsea: Robert Sánchez, Malo Gusto, Levi Colwill, Trevoh Chalobah e Marc Cucurella; Moisés Caicedo, Reece James (Romeo Lavia), Enzo Fernández (Marc Guiu) e Cole Palmer (Noni Madueke); Pedro Neto e Liam Delap (Nicolas Jackson).
Téc: Enzo Maresca



A História do Jogo

A partida começou com o Flamengo tomando a iniciativa de partir para o ataque. Aos 4 minutos, Ayrton Lucas arriscou um chute de fora da área que Sánchez defendeu sem muita dificuldade. O time rubro-negro iniciou a partida muito bem, tentando controlar a posse de bola e dando pouco espaço para o Chelsea. Porém, na primeira vacilada, logo aos 12 minutos, o lateral-direito Wesley tentou sair jogando com o chileno Erick Pulgar, mas errou o passe, que saiu muito forte. Pulgar tentou devolver como pode de volta para o lateral, mas recuou mal, a bola bateu novamente em Wesley, ricocheteou no atacante português Pedro Neto, que pressionou, resvalou na cabeça de Wesley, que a este momento havia caído sentado no chão, e sobrou na frente para Pedro Neto, que partiu então quase da linha do meio de campo, em velocidade, e perseguido por Pulgar, para penetrar até a entrada da grande área e escorar na saída do goleiro argentino Agustin Rossi, batendo colocado, vencendo ao camisa 1 rubro-negro, e abrindo o marcador: Chelsea 1 a 0.




Apesar da desvantagem, o time Flamengo seguiu mantendo o estilo de jogo implementado por seu técnico Filipe Luís, que fazia a sua primeira temporada como treinador. O time mantinha a posse de bola a maior parte do tempo, e fazia pressão em linha alta na saída de bola da equipe inglesa. O time quase conseguiu o empate aos 42 minutos da etapa inicial: o uruguaio Giorgian De Arrascaeta cobrou falta na segunda trave, Gérson tocou de cabeça, encobrindo o goleiro, mas Colwiil salvou, também de cabeça, em cima da linha, evitando o empate. Teria feito justiça para o que foi o 1º tempo. A superioridade do time de Filipe Luís traduziu-se em números na primeira etapa, tanto na posse de bola (55% x 45%) quanto em finalizações (6 x 5), mas quem foi para o intervalo em vantagem foi a equipe do técnico Enzo Maresca: Chelsea 1 x 0 Flamengo.


As grandes emoções estavam reservadas para os 45 minutos finais. No início da 2º tempo, o Chelsea voltou ocupando mais o campo ofensivo. Aos 8 minutos, no entanto, foi o Flamengo quem criou a melhor oportunidade até então. Rossi lançou para Gérson no ataque, Reece James errou o corte e o camisa 8 avançou desde a intermediária até a área, driblou a marcação, e chutou para o gol. A bola desviou em Reece James, que acompanhava fazendo a cobertura, cruzou a frente do goleiro, e encontrou o ponta equatoriano Gonzalo Plata entrando livre pelo lado oposto da área. Ele tentou desviar, mas não conseguiu. Chance claríssima de um gol de empate rubro-negro que acabou desperdiçada!

Logo depois, os Blues responderam em lançamento longo do goleiro Sánchez direto para o ataque na direção de Delap, mas Léo Pereira chegou antes, colocou o pé na bola para afastar o perigo e quase fez gol contra. O Flamengo, porém, não abriu mão da pressão e foi premiado a partir da entrada de um ídolo da torcida. Filipe Luís fez substituições que mudaram o jogo. Bruno Henrique foi chamado para sair do banco de reservas, e o camisa 27 precisou de apenas seis minutos em campo para empatar a partida. O relógio marcava 16 minutos do 2º tempo. O gol estava amadurecendo. Um minuto antes, um chute de fora da área de Plata havia obrigado o goleiro espanhol Robert Sánchez a fazer uma defesaça, de ponta de dedos.

Gérson recebeu pelo lado direito de ataque e cruzou, fazendo a bola atravessar a toda a área e encontrar a Gonzalo Plata entrando por trás da defesa, vindo de trás, no lado oposto. O equatoriano, camisa 50, ajeitou de cabeça para o meio da pequena área. A bola atravessou toda a sua extensão, entre o goleiro e os zagueiros, e encontrou Bruno Henrique entrando por trás dos zagueiros na trave oposta. Ele só escorou para dentro da rede, para empatar a partida novamente: 1 a 1!








A igualdade no marcador durou apenas três minutos! Aos 19 minutos, em jogada parecida. A bola novamente veio do lado direito de ataque, desta vez, porém, numa cobrança de escanteio, que atravessou a área e encontrou a cabeça de Bruno Henrique do lado oposto. O atacante ajeitou de cabeça para o lado oposto, com a bola encobrindo a toda a defesa e encontrando o zagueiro Danilo entrando pelo mesmo lado onde havia saído o gol anterior. Ele se esticou todo, e com a ponta do pé escorou para dentro da rede. Virada! Mengão 2 a 1!



Atordoado, o Chelsea perdeu a cabeça. Pouco depois da saída de bola para recomeço do jogo, Nicolas Jackson, que havia entrado em campo poucos minutos antes, perdeu o tempo de bola e entrou com a sola da chuteira pouco abaixo do joelho do lateral-esquerdo Ayrton Lucas, levando o cartão vermelho imediatamente. Aproveitando-se da vantagem numérica, o Flamengo ampliou ainda mais o domínio, e conseguiu assim chegar ao seu terceiro gol, sacramentando a vitória.


Foi mais uma vez pela lado direito de ataque, e mais uma vez com participação do equatoriano Gonzalo Plata, que saiu uma tabela entre ele e o jovem revelado nas categorias de base rubro-negras, Wallace Yan. Eram 37 minutos do 2º tempo. Wallace e Plata trocaram passes desde a intermediária, até que o equatoriano chutou para o gol, a bola bateu em Wallace Yan e sobrou mansa em seus pés. Dentro da pequena área, ele teve tempo de levantar a cabeça, ver a posição do goleiro, escolher o canto, e com tranquilidade tocar colocado, sem chance alguma de defesa: 3 a 1! O jovem, com a camisa 64 nas costas, selava de forma definitiva a uma vitória emblemática.





O Flamengo foi o primeiro clube matematicamente classificado para as Oitavas de Final da 1ª Copa do Mundo de Clubes da FIFA, edição 2025. Ao final da 2ª rodada, somente quatro clubes estavam classificados às oitavas de final: Flamengo, Bayern Munique, Manchester City e Juventus. Uma virada histórica! O triunfo rubro-negro representou a primeira virada de um clube brasileiro sobre um europeu em jogos oficiais desde o Mundial de Clubes de 1992, quando São Paulo havia vencido ao Barcelona por 2 a 1. Foram 33 anos sem isto acontecer! Em jogos oficiais, sem considerar amistosos, foi tão só a 7ª vez que um clube brasileiro marcou pelo menos 3 gols num clube europeu, tendo as vezes anteriores sido as vitórias do Santos, de Pelé, duas vezes sobre o Benfica em 1962 e sobre o Milan em 1963, o próprio Flamengo, de Zico, quando "colocou os ingleses na roda" com o 3 a 0 no Liverpool em 1981, o São Paulo sobre o Milan em 1993, e o Vasco, de Romário e Edmundo, sobre o Manchester United em 2000.

Na sequência da competição, fez uma outra partida extraordinária contra o Bayern de Munique pelas oitavas de final, mas desta saiu derrotado por 4 a 2, não indo mais a diante do que isto no torneio. Já o Chelsea, passou pelo Benfica nas oitavas, pelo Palmeiras nas quartas, e pelo Fluminense na semifinal. Na finalíssima, bateu ao Paris St-Germain e se sagrou campeão do mundo. Campanha muito bonita, mas não invicta, só tendo sido derrotado pelo Flamengo em sua trajetória.


sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Sub-20 Histórico: Flamengo 5 x 1 Bayer Leverkusen



Jogos Inesquecíveis (Sub-20): 18/07/2025 - Flamengo 5 x 1 Bayer Leverkusen

Em julho de 2025 foi a primeira vez que uma equipe de ponta do futebol europeu escolheu o Brasil para fazer a sua pré-temporada. Para ser mais específico, o Bayer Leverkusen, da Alemanha, escolheu ao Rio de Janeiro, e mais especificamente o Centro de Treinamento do Flamengo, o Ninho do Urubu, para se preparar para a Temporada 2025/2026. Um prêmio e um reconhecimento ao Clube de Regatas do Flamengo por ter construído um dos melhores CT de todo o planeta.

Em meio a esta preparação, o elenco do clube alemão fez uma partida amistosa contra o time Sub-20 do Flamengo no Estádio da Gávea. E a garotada rubro-negro deu um espetáculo histórico, aplicando uma impiedosa e inesquecível goleada! Atuações de gala, em especial, dos meias Lorran e Matheus Gonçalves, e do lateral Gusttavo. Vitória inesquecível!


Ficha Técnica:
18/07/2025 - Flamengo 5 x 1 Bayer Leverkusen
Local: Estádio da Gávea
Gols: Lorran (1'1T), Arthur (contra, 9'1T), Matheus Gonçalves (38'1T), Pedro Leão (45+3'1T), Gusttavo (8'2T) e Culbreath (24'2T)

Fla: Matheus Cunha (Léo Nanneti), Daniel Sales (Wanderson), Iago, Cleiton (Da Mata) e Viña (Gusttavo); João Alves, Joshua (Fabiano), Guilherme Gomes e Lorran (Shola); Matheus Gonçalves (Felipe Teresa) e Pedro Leão (Jorge Mora).
Téc: Bruno Pivetti.
Bayer: Mark Flekken (Niklas Lomb (Lukas Hradecky)), Ferdinand Pohl, Ben Hawighorst (Edmond Tapsoba), Osman Turay (Alex Grimaldo) e Arthur (Robert Andrich); Nebe Domnic (Montrell Culbreath), Axel Tape (Exequiel Palacios) e Jeremiah Mensah (Granit Xhaka); Amine Adli (Patrik Schick), Jonas Hofmann (Nathan Tella) e Victor Boniface (Alejo Sarco (Dustin Buck)).
Téc: Erik Ten Hag



A História do Jogo

O Bayer Leverkusen havia sido sensação na temporada 2023/24, quando se sagrou campeão alemão e foi vice-campeão da Liga Europa sob o comando do técnico espanhol Xabi Alonso. Na temporada anterior, 2024/25, havia ficado com o vice-campeonato alemão. Xabi Alonso foi então contratado pelo Real Madrid, e o escolhido para substitui-lo foi o holandês Erik Ten Hag, antes treinador do Manchester United. A pré-temporada no Rio de Janeiro era o início de trabalho do novo técnico, que fazia sua estreia a frente do Bayer Leverkusen naquela tarde de sexta-feira no Estádio José Bastos Padilha, na Gávea.

O elenco do Bayer Leverskusen reunia jogadores de uma diversidade de nacionalidades impressionante. Naquele jogo contra o Flamengo Sub-20, no gol a equipe alemã começou com o reserva Flekken, holandês, colocou o jovem alemão Lomb ainda no 1º tempo, e no meio da segunda etapa entrou o titular, o finlandês Hradecky. Na linha, jogaram o suíço Xhaka, o espanhol Grimaldo, o francês Tape e o tcheco Schick. O elenco também tinha o brasileiro Arthur, e os argentinos Sarco e Exequiel Palacios (este presente pelo River Plate na final da Libertadores de 2019 da icônica virada com dois gols de Gabigol). Entre os jogadores da África: Tapsoba nasceu em Burkina Faso, havia os nigerianos Tella e Boniface, e o marroquino Amine Adli. Entre alemães, os jovens Domnic, Pohl, Hawighorst, Turay, Culbreath, Jeremiah Mensah e Dustin Buck, todos jogadores ainda em idade sub-20, e somente dois mais experientes, Hofmann e Andrich.

A escolha do Rio de Janeiro, e em especial do Ninho do Urubu, para a realização da Pré-Temporada do Bayer foi um claro sinal da mudança de patamar e de infraestrutura que o Flamengo viveu. É a consolidação de algo que teria sido impensado 10 anos antes. O técnico holandês aprovou a experiência: "Você sente a vibração naquele grande campo de treinamento (Ninho do Urubu). Portanto, isso também serve como uma inspiração para os nossos treinos. Alguns já comentaram que, geralmente, clubes europeus não costumam visitar o Brasil para realizar pré-temporada e, provavelmente, somos os primeiros a fazer isso. Acredito que isso é especial e nós sentimos isso. Para o jogo de sexta-feira, não conheço nenhum atleta do Flamengo, mas estou certo de que eles possuem uma equipe forte. Meu analista já mencionou que há jogadores de alto nível e que a equipe é muito boa. Este será o nosso primeiro teste. Jogaremos com um time misto. Provavelmente, eles estarão em melhores condições físicas. Precisamos trabalhar e nos preparar para essa partida". O atacante marroquino Amine Adli declarou: "Estou muito surpreso. As instalações são muito boas. É incrível treinar com esse ambiente ao redor. Os campos são bons. Acho que o clube tem uma estrutura muito boa. E não me surpreende, já que o Brasil é o país do futebol. Estou muito feliz por estar aqui". Depois de um primeiro dia de relaxamento nas areias da Praia da Barra da Tijuca, de uma semana de treinos no Ninho do Urubu, e do jogo amistoso contra a base rubro-negra na Gávea, dois dias depois, no domingo, dia 20 de julho, o elenco inteiro do Bayer compareceu ao Maracanã para ver o Fla-Flu válido pelo Campeonato Brasileiro.






Para a partida amistosa na Gávea, o time sub-20 do Flamengo entrava em campo reforçado por quatro jogadores do elenco profissional, o goleiro Matheus Cunha, o zagueiro Cleiton, o lateral-esquerdo uruguaio Matías Viña que, voltando de contusão, aproveitava para ganhar ritmo de jogo, e o meia Matheus Gonçalves.

Quando a bola rolou, logo no primeiro minuto o Leverkusen estava todo dentro da área de defesa rubro-negra, no lado que dá para o Jockey Clube, quando Lorran conseguiu roubas e espetar para Matheus Gonçalves avanças pela intermediária. Lorran avançava em velocidade sem a bola pelo meio, recebeu o passe de volta em projeção na intermediária de ataque e penetrou a frente dos zagueiros para tocar na saída do goleiro holandês e abrir o placar: 1 a 0.



Fulminante, logo depois Matheus Gonçalves fez linda jogada individual e chutou da entrada da área, com a bola explodindo no travessão. Mas o segundo gol saiu antes ainda dos 10 minutos do 1º tempo. Lorran apareceu bem na jogada que terminou nos pés de Matheus Gonçalves dentro da área. Ele fintou e chutou para o meio da área sem muita força. A bola passou pelo goleiro e iria ser cortada pelo brasileiro Arthur Augusto, ex-jogador do América Mineiro e da Seleção Brasileira Sub-20. Entretanto, o lateral se enrolou todo e tocou desastradamente para dentro do próprio gol, bisonhamente: 2 a 0.


Matheus Gonçalves deixou o dele na reta final da etapa inicial. Após cruzamento de Gusttavo, o jovem cabeceou firme no contrapé do goleiro adversário e marcou o terceiro gol rubro-negro. Estava fácil! E logo o placar seria novamente ampliado. Nos acréscimos da etapa inicial, Lorran arriscou um chute de fora da área e acertou a trave. No rebote a bola voltou nos pés de Pedrinho Leão, e o centroavante aproveitou o rebote, dominando e tocando para desviar do goleiro e fazer a vitória virar goleada ainda no 1º tempo: 4 a 0! Um primeiro tempo impecável da garotada rubro-negra!

Os times voltaram bastante modificados para o segundo tempo. Mas o Flamengo não parou. E logo aos 8 minutos saiu o gol mais bonito da tarde. O lateral Gusttavo foi lançado em profundidade, entrou pela área ganhando na velocidade dos zagueiros, e deu um toque sutil por cima do goleiro: 5 a 0!  


A partir dos 15 minutos do 2º tempo, Ten Hag sacou a vários jovens que tinha optado por utilizar e lançou alguns de seus titulares. Só então as coisas se equilibraram, e daí em diante o Bayer teve o controle absoluto do jogo. Conseguiu diminuir aos 24 minutos, quando um cruzamento para a área encontrou ao jovem atacante Montrell Culbreath sozinho para dominar e tocar no contrapé de Léo Nanneti, diminuindo. O Bayer criou outras chances a partir de então, mas não voltou a marcar. No fim: 5 a 1! Resultado histórico da garotada rubro-negra.

A mídia europeia repercutiu o resultado. Na Espanha, os tradicionais jornais "Marca" e "Diário As" foram incisivos ao abordar o tropeço do clube alemão, tendo o Marca destacado que "a estreia de Erik Ten Hag no comando técnico do Bayer Leverkusen foi de um sonho a um pesadelo", descrevendo o desempenho da equipe como "decepcionante". Já o "As" foi ainda mais direto e usou a palavra "desastre" na manchete, mencionando o peso da ausência de Xabi Alonso — ex-técnico que deixou o clube para comandar o Real Madrid — e afirmando que "a vida sem o antigo comandante não começou fácil". Do lado alemão, o jornal "Bild", maior tabloide esportivo do país, avaliou a apresentação contra o Sub-20 do Flamengo como tendo acendido um sinal de alerta, considerando que o trabalho de Ten Hag à frente do Leverkusen será "longo e trabalhoso". A surpresa pela goleada sofrida diante de uma equipe de base gerou questionamentos. Um resultado histórico, surpreendente e inesperado! O discurso alemão não tardou em ruir. A garotada rubro-negra implodiu as convicções de longevidade do trabalho de treinadores na Europa. A passagem de Ten Hag pelo Bayer foi bem curta, tendo durado tão só 2 meses — de 1º de julho de 2025 a 1º de setembro de 2025 — tendo disputado apenas 3 jogos oficiais pelo clube de Leverkusen: uma vitória sobre o Sonnenhof pela Copa da Alemanha, e uma derrota para o Hoffenheim e um empate contra o Werder Bremen nas duas primeiras rodadas da Bundesliga 2025/26.



segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Maiores Jogos da História do Flamengo: 10/11/24 - Flamengo 1 x 0 Atlético Mineiro



Jogos Inesquecíveis: 10/11/2024 - Flamengo 1 x 0 Atlético Mineiro

A conquista na final da Copa do Brasil de 2024 foi mais uma daquelas partidas que tiveram um sabor especial na história do Flamengo. O clube vinha numa temporada turbulenta, havia perdido todo o seu ataque titular por lesão - Luiz Araújo, Pedro e Éverton Cebolinha - e para aquela final havia perdido também ao meio-campista uruguaio Nicolas De La Cruz.

A campanha na Copa do Brasil foi gigante. Eliminou ao Palmeiras nas oitavas de final e ao Corinthians na semi-final, tendo em ambas as oportunidades jogado a primeira partida no Maracanã e decidido a segunda fora de casa, mesma situação que se repetiria na final diante do Atlético Mineiro. Foi campeão sofrendo apenas dois gols em toda a campanha, no jogo se volta das oitavas contra o Palmeiras em São Paulo, e na primeira partida da final contra o Atlético no Maracanã.

O Flamengo venceu ao primeiro jogo da final por 3 a 1, após abrir três gols de vantagem, gols marcados por Gabigol e um por Arrascaeta. Podia perder em Belo Horizonte por até um gol que seria campeão. Primeira final disputada pelo Atlético em seu novo estádio, onde o Flamengo só havia atuado uma vez até então, no 1º turno do Brasileirão 2024, quando venceu por 4 a 2. O estádio utilizava os direitos de nome (naming rights, na expressão em inglês) da construtora imobiliária mineira MRV Engenharia. No fim, uma nova vitória do Flamengo, e com a volta olímpica rubro-negra, a Arena MRV se tornou a "Arena Meu Rival Venceu"! Flamengo, Campeão da Copa do Brasil de 2024! Quinto título rubro-negro desta competição na história.



Ficha Técnica
10/11/2024 - Flamengo 1 x 0 Atlético Mineiro
Local: Arena MRV (Arena do Galo), Belo Horizonte (Público: 44.876 pagantes)
Gol: Gonzalo Plata (37'2T)
Fla: Agustin Rossi, Wesley, Léo Ortiz, Léo Pereira (David Luiz) e Alex Sandro; Évertton Araújo, Erick Pulgar, Giorgian De Arrascaeta (Fabrício Bruno) e Gérson; Michael (Gonzalo Plata) e Gabriel Barbosa (Bruno Henrique).
Téc: Filipe Luís
Atlético: Everson, Lyanco (Renzo Saravia), Rodrigo Battaglia, Junior Alonso e Guilherme Arana (Rubens); Otávio (Alan Kardec), Alan Franco, Gustavo Scarpa (Alisson Santana) e Matías Zaracho (Bernard); Paulinho e Hulk.
Téc: Gabriel Milito



A História do Jogo

Após o primeiro jogo com vitória por 3 a 1 no Maracanã, o Flamengo podia perder em Belo Horizonte por até um gol de diferença que seria o campeão daquela edição da Copa do Brasil.

O treinador rubro-negro era o ex-lateral-esquerdo Filipe Luís, que iniciando a carreira como treinador, tinha tido um ano cheio de emoções. Após se aposentar dos gramados no fim de 2023, com direito a jogo de despedida no Maracanã, ele começou o ano de 2024 a frente da equipe rubro-negra Sub-17, com a qual se sagrou Campeão da Copa Rio. Passou a treinar então a equipe Sub-20, com a qual se sagrou Campeão da Copa Intercontinental da categoria, batendo ao Olympiacos, da Grécia, campeão europeu sub-20, no Maracanã. Após a saída do técnico Tite, assumiu o time profissional. Naquela tarde de domingo em Belo Horizonte fazia tão só a sua 9ª partida comandando o Flamengo.

Com a vantagem, Filipe Luís foi mais cauteloso na escalação para o segundo jogo. Na primeira partida ele não pode contar com o volante chileno Erick Pulgar e o atacante Bruno Henrique, que estavam suspensos. Para a segunda, lançou Pulgar no time e jogou com dois cabeças-de-área, sacando o atacante equatoriano Gonzalo Plata da formação titular que começaria jogando. Do lado atleticano, o técnico argentino Gabriel Milito, que na primeira partida havia começado com dois laterais-esquerdo, preocupado com os avanços do lateral-direito rubro-negro Wesley ao ataque, sacou um e começou com o meia argentino Zaracho, para reforçar o poderio ofensivo da sua equipe.

A partida se iniciou tensa, como não deixaria de ser. A primeira oportunidade real foi rubro-negra: aos 2 minutos do 1º tempo, Arrascaeta encontrou Gérson no meio da defesa alvi-negra, o camisa 8 bateu na saída do goleiro Everson, que fechou o ângulo e fez a defesa com o peito. Aos 13 minutos, o atacante Hulk cobrou uma falta da intermediária com um potente chute forte, que o goleiro argentino Agustin Rossi não conseguiu segurar, mas a zaga deu cobertura para impedir que Guilherme Arana completasse para o gol, e o arqueiro rubro-negro conseguiu fazer a defesa.


A chance mais perigosa mesmo, no entanto, só aconteceu aos 18 minutos: Zaracho deu passe para Hulk na entrada da área, que novamente disparou um petardo, que mais uma vez não pode ser segurado por Rossi. O rebote sobrou na pequena área, com o goleiro caído, e enquanto os zagueiros tentavam impedir que Paulinho finalizasse para abrir o placar, o próprio goleiro rubro-negro conseguiu, ainda deitado, usar o pé para dar um chute para a lateral do campo. Oportunidade de muito perigo em favor do time alvi-negro.

O Flamengo também quase marcou sete minutos depois: aos 25 minutos o lateral Wesley conseguiu avançar em velocidade pela linha de fundo, penetrar na área quase junto à linha de fundo e cruzar. De Arrascaeta mergulhou na entrada da pequena área e, com consciência, tentou tirar força da bola e tocá-la no contra-pé de Everson, que se movimentava em direção ao centro do gol. A bola caprichosamente fez uma parábola e passou tirando tinta da trave. Quase que o Flamengo saiu na frente!

Aos 27 minutos, Gérson acertou um bom chute da entrada da área, que Everson defendeu a escanteio. Mas foi o Atlético quem quase marcou de novo numa trapalhada de saída de bola rubro-negra aos 35 minutos. Rossi trocou passes com os zagueiros, recebeu de volta e ao ser pressionado por Paulinho tentou sair jogando com um passe para Pulgar, que saiu forte e longe de seu pé. O chileno tentou devolver como pode e jogou a bola no peito de Paulinho, com a bola batendo nele e indo em direção ao meio da área. O atacante alvi-negro concluiu para o gol, mas Rossi teve tempo de se recuperar e abafar, impedindo com a perna que a bola fosse em direção ao gol. Um susto!

No minuto, um lance que poderia ter mudado a história da partida! Aos 36 minutos, o time rubro-negro pressionou a saída e recuperou a posse de bola, o meia uruguaio Arrascaeta foi acionado, recebeu, partiu em velocidade e driblou o zagueiro Lyanco, que o agarrou pela cintura e ainda lhe deu uma rasteira. Se houvesse passado, não haveria nenhum outro atleticano entre ele e o goleiro, e Michael ainda entreva completamente livre, sem nenhuma marcação, pelo meio. Era inquestionavelmente para aplicação de cartão vermelho, mas a verdade é que o árbitro não teve coragem para o aplicar, dando-lhe apenas cartão amarelo.

O Flamengo conseguiu segurar o ímpeto atleticano na primeira metade de jogo e foi para o intervalo segurando um empate sem gols que lhe era suficiente para assegurar o título. O Atlético precisaria se arriscar na etapa final, seu treinador já fez substituições no intervalo com este intuito, mas do lado rubro-negro, Filipe Luís anteviu o movimento estratégico do treinador argentino e também mexeu. Foi muito feliz na mudança que fez!

Na volta do intervalo, o técnico Milito sacou da equipe o já amarelado zagueiro Lyanco, precavendo-se frente ao árbitro ter repensado no vestiário durante o intervalo a justiça por trás do vermelho não dado, e no seu lugar lançou um lateral-direito de ofício, o argentino Saravia, para formar a defesa junto ao também argentino Battaglia e ao paraguaio Junior Alonso. Ele também tirou o cabeça-de-área Otávio e lançou o centroavante Alan Kardec, autor do gol, atleticano na primeira partida no Maracanã. Iria com tudo para o ataque para buscar o título a seu favor. 

Filipe Luís anteviu isto, e voltou do intervalo com Bruno Henrique no lugar de Gabigol. Assim teria dois velocistas na frente, Michael e BH, numa estratégia clara de tentar encontrar buracos defensivos em meio à ofensividade tática que Milito traria para o 2º tempo. E funcionou! O Galo passou a ter mais posse e presença no ataque no início da segunda etapa, pressionando em busca de fazer o seu primeiro gol.

O Flamengo se defendia muito bem, sem tomar sustos. Enquanto isto, o Flamengo saía em rápidas contra-ataques e empilhava oportunidades seguidas de matar a partida. Com o Atlético indo à frente em bloco, o Flamengo começou a achar espaços e encaixou contra-golpes: aos 6 minutos Rossi repôs rápido e acionou Bruno Henrique, que ganhou de Battaglia na velocidade e chutou para boa defesa de Everson, e aos 17 minutos foi BH de novo quem ganhou disputa com Saravia e entrou livre, frente a frente com Everson, tendo tentado tocar por cobertura, mas com o goleiro dando um tapa para impedir o gol. Aos 20 minutos, em mais um contra-ataque, a bola sobrou para Michael dentro da área, que poderia ter tentado concluir, mas ele preferiu tentar o drible sobre o goleiro, que se tirou para conseguir arrancar a bola de seus pés.

Em mais uma mudança estratégica na qual teve perfeita leitura do jogo, Filipe Luís tirou Arrascaeta de campo e colocou o zagueiro Fabricio Bruno. Ao mesmo tempo que buscava se proteger defensivamente, queria utilizar a boa capacidade para fazer lançamentos tanto do próprio Fabrício quanto do também zagueiro Léo Ortiz. Porém, seus atacantes começaram a dar sinais de desgaste físico, e então ele lançou o atacante equatoriano Gonzalo Plata no lugar de Michael, para seguir tentando explorar a força dos contra-ataques para definitivamente matar o jogo.

Aos 34, em outro contra-ataque, BH acionou Plata pela direita de ataque, que avançou e cruzou para o meio. A bola atravessou a área e encontrou Alex Sandro sozinho na entrada da pequena área pelo lado esquerdo, com o gol estando quase vazio. Ele chutou, mas Everson defendeu. Um gol inacreditavelmente perdido!

Aos 35 minutos, Gérson chutou, a bola bateu na defesa e subiu, decaindo dentro da grande área, tendo Plata, vindo correndo de trás, ganhado em impulsão do zagueiro e tocado por cima do goleiro. A bola atravessou à frente do gol e dava a impressão que entraria, mas caprichosamente passou próxima à trave e não entrou! Era inacreditável a quantidade de oportunidades claras que o Flamengo desperdiçava para liquidar a fatura de forma definitiva e sacramentar o seu título.

Parecei que iria prevalecer a máxima do folclore futebolístico do "quem não faz, leva". E quase foi assim. Aos 36 minutos saiu a chance mais clara de gol do Atlético em toda a partida, num escanteio pelo lado esquerdo de ataque, a bola atravessou a pequena área rubro-negra pelo alto, sem que Rossi conseguisse cortar. Veio então uma ajeitada de cabeça para o meio que cruzou novamente a pequena área, agora em sentido contrário, encontrando Alan Kardec livre no meio dela, com Rossi já tendo ficado para trás. O centroavante atleticano tentou concluir mas furou, e a zaga rubro-negra conseguiu afastar com um bico para o alto.

Este bico caiu no meio da intermediária, Bruno Henrique conseguiu então ganhar a bola após um bate-rebate e se lanças em diagonal. Ele viu o equatoriano Plata partir em velocidade e lançou para frente. Plata partiu de trás da linha do meio de campo, não caracterizando impedimento e avançou em direção ao gol. Foi combatido por Saravia e se livrou dele com um drible seco, partindo em diagonal da esquerda para o centro. Battaglia tentou chegar para dar combate, mas não o alcançou. Ele ficou frente a frente a Everson, e com um toque sutil encobriu o goleiro o atleticano, até a bola morrer no fundo da rede. O relógio marcava 36 minutos e 42 segundos quando ela cruzou a linha: Flamengo 1 a 0!



Dali em diante praticamente não teve mais jogo. Uma chuva de copos foi atirada em direção aos jogadores do Flamengo que correram para comemorar com a torcida rubro-negra que estava em parte do anel superior. Bombas foram jogadas, tentativas de invasão de campo, algumas consumadas, mas contidas pela equipe de segurança antes que chegassem a algum rubro-negro.

O jogo ainda foi reiniciado e o Flamengo quase marcou um segundo gol. Aos 46 minutos, Bruno Henrique avançou e cruzou para Wesley, que chegou batendo forte e acertando a cabeça do goleiro Everson, quase marcando o segundo. Aos 50 minutos, foi BH novamente quem entrou em velocidade, iria para ficar frente a frente ao goleiro, mas Saravia o agarrou como pode para o jogar ao chão. Desta vez o árbitro não foi covarde: cartão vermelho para o argentino.

Após 9 minutos de acréscimo, enfim foi apitado o fim do jogo. Festa rubro-negra em Belo Horizonte! Festa do Flamengo na "Arena Meu Rival Venceu"! E se repetiram as cenas de copos e garrafas, bombas e tentativa de invasão de campo para impedir a comemoração rubro-negra. Festa histórica! Flamengo, Campeão da Copa do Brasil de 2024.

Enquanto a polícia continha os baderneiros e o estádio ia se esvaziando, os jogadores esperavam em campo e davam entrevistas antes de erguer a taça. Numa delas, Gabriel Barbosa anunciava que era a sua última final pelo Flamengo. Após duas temporadas ruins, a diretoria rubro-negra optou pela não renovação de contrato. Desde julho ele tinha liberdade para assinar com outro clube, e às vésperas da final havia assinado para, a partir de janeiro de 2025, defender ao Cruzeiro. O herói das conquistas da Libertadores de 2019 e 2022 dava seu adeus. Era um misto de sentimentos, como no anúncio da saída de Zico para a Udinese após a vitória sobre o Santos na final do Campeonato Brasileiro de 1983. Mas a festa era toda em vermelho e preto, e nada atrapalharia. Flamengo campeão!







segunda-feira, 24 de junho de 2024

Maiores Jogos da História do Flamengo: 02/06/24 - Flamengo 6 x 1 Vasco




Jogos Inesquecíveis: 02/06/2024 - Flamengo 6 x 1 Vasco

A maior goleada aplicada pelo Flamengo sobre o Vasco na história! Numa tarde de domingo no Maracanã de um domínio absoluto e pleno, após sair atrás no começo de jogo - naquela que foi praticamente a única chance de gol cruzmaltina em toda a partida - o time rubro-negro não só obteve a virada, como destroçou ao adversário. Virou em três no primeiro tempo, fechou em seis na etapa final: 6 a 1 no placar. Um dia histórico!



Ficha Técnica
02/06/2024 - Flamengo 6 x 1 Vasco
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (Público: 54.552 pagantes; 62.228 presentes)
Gols: Vegetti (8'1T), Éverton Cebolinha (27'1T), Pedro (32'2T), David Luiz (42'1T), Arrascaeta (6'2T), Bruno Henrique (28'2T) e Gabriel Barbosa (44'2T)
Fla: Agustin Rossi, Guillermo Varela (Wesley), Fabrício Bruno, David Luiz e Matías Viña; Allan (Erick Pulgar), Nicolas De La Cruz, Giorgian De Arrascaeta e Gérson (Luiz Araújo); Éverton Cebolinha (Bruno Henrique) e Pedro (Gabriel Barbosa).
Téc: Tite
Vasco: Léo Jardim, Jose Luis "Puma" Rodríguez (Zé Gabriel), João Victor, Maicon, Léo e Lucas Piton; Pablo Galdames, Juan Sforza (Paulo Henrique) e Dimitri Payet (Praxedes); Rayan (Rossi) e Pablo Vegetti.
Téc: Álvaro Pacheco




A História do Jogo

Havia um contexto de turbulência dos dois lados da rivalidade. Do lado rubro-negro, embora o time de Tite houvesse sido Campeão Carioca Invicto, com a melhor campanha da história - havia sofrido apenas um gol - o desempenho irregular na Fase de Grupos da Copa Libertadores havia levantado vozes pedindo por sua demissão. Ao mesmo tempo estava tendo que ser administrada a situação de Gabigol, que semanas antes havia sido flagrado dentro de sua casa, num dia de folga, vestindo a camisa do Corinthians, o que despertou a ira dos torcedores rubro-negros. Como punição, perdeu a camisa 10 e passou a utilizar a de número 99, com a qual ainda não havia entrado em campo.

Do outro lado, a turma de São Januário detinha algum otimismo em fase dos rumores em torno da possível chegada ao clube do meia Philippe Coutinho. Embora a fase na tabela do campeonato não fosse boa, tendo o clube inclusive já sofrido uma goleada por 4 a 0 para o Criciúma dentro de seu próprio estádio, a chegada de um novo treinador havia gerado novas esperanças. Mas a crise era mais profunda: o momento político era conturbado, com um juiz tendo afastado a empresa norte-americana 777 Partners do comando acionário da Vasco SAF, devolvendo-o ao presidente do clube, o ex-jogador Pedrinho.

Era para aquela partida ter sido realizada duas semanas antes, mas o campeonato foi paralisado por conta da enchente que assolou o Rio Grande do Sul, e a partida, válida pela 7ª rodada do Campeonato Brasileiro, só foi disputada naquele 2 de junho. O Vasco então faria a estreia de seu novo treinador, o português Álvaro Pacheco, que havia se demitido no Vitória de Guimarães para assumir a equipe cruzmaltina.

O retrospecto em jogos anteriores era amplamente favorável ao Flamengo. Um ano antes, em 5 de junho de 2023, na partida válida pela 9ª rodada do Brasileirão daquele ano, o time rubro-negro ainda comandado pelo argentino Jorge Sampaoli, aplicou uma goleada de 4 a 0 só no 1º tempo, com gols de Pulgar, Gérson, Pedro e Ayrton Lucas. Foi aquele que ficou sendo chamado de "Jogo do Abandono" já que uma parte bastante expressiva da torcida vascaína abandonou as arquibancadas no intervalo e sequer ficou no estádio para assistir ao 2º tempo, no qual o time flamenguista "tirou o pé". O Vasco diminuiu com gol de Jair, e o 4-1 definitivo gerou cobranças sobre o time rubro-negro, deixando em seus torcedores um sabor de oportunidade perdida. E do time do Flamengo que entrava em campo naquela tarde, cinco jogadores - Fabrício Bruno, David Luiz, Gérson, Arrascaeta e Pedro - tinham sido titulares naquela oportunidade perdida após o 4 a 0 só na etapa inicial.

No returno do Brasileiro de 2023, Tite substituiu a Sampaoli e o duelo contra o Vasco pela 28ª Rodada, em 22 de outubro, foi o segundo sobre seu comando, após a estreia com vitória sobre o Cruzeiro. O Flamengo venceu por 1 a 0, com gol de Gérson aos 30 minutos do 2º tempo. No Campeonato Carioca de 2024, os dois empataram sem gols. Assim, o Vasco vinha tendo dificuldades até para fazer gols no confronto direto. O novo técnico do Vasco não participou de nada disto, mas parece ter sido contagiado pela necessidade de cautela, optando por entrar em campo com três zagueiros e uma linha defensiva postada de cinco homens para proteger ao arco.

O Flamengo entrou em campo de camisa branca e o Vasco com camisas toda pretas, sem a tradicional faixa diagonal. Nas formações iniciais, quase metade de cada equipe era formada por estrangeiros, cinco de cada lado. Entre os escolhidos por Tite estavam o goleiro argentino Rossi e o quarteto uruguaio formado pelos laterais Varela e Viña e os meias De La Cruz e Arrascaeta. Já entre os escolhidos pelo estreante treinador português estavam o lateral uruguaio Puma Rodríguez (os dois laterais-direitos da Celeste em campo, um de cada lado), o volante chileno Galdames, os argentinos Sforza e Vegetti, e o francês Payet. Nos bancos de reserva, um chileno de cada lado: Pulgar que entrou em campo após Allan sentir uma lesão muscular, e o veterano zagueiro Gary Medel. Seis estrangeiros de cada lado.


Com todo este contexto, a bola enfim rolou. E o ritmo ainda estava morno, com as equipes se estudando em campo, quando os 8 minutos se aproximavam e Puma Rodríguez alçou um lateral para a área. Iniciou-se um bate e rebate de cabeça dentro da grande área até Galdames escorar para o alto e Vegetti acertar um chutaço de voleio, de primeira, antes de deixar a bola tocar no chão, que atravessou cruzado e passou a frente de Rossi. O chute foi forte, e o arqueiro rubro-negro talvez ainda tenha sido atrapalhado pelo brilho do sol de fim de tarde, porque não esboçou qualquer reação. A bola estufou a lateral da rede no lado oposto ao chute: Vasco 1 a 0. Golaço no Maracanã!

Com a desvantagem no placar, o Vasco se postou atrás e o Flamengo se lançou a frente. Mas não criava nenhuma chance de maior perigo. Até que quando o relógio já caminhava para completar 28 minutos, foi a vez do ataque rubro-negro se aproveitar de um pinga-pinha na entrada da área. Arrascaeta conseguiu se antecipar ao zagueiro Maicon e dar um toque de bico de chuteira que Éverton Cebolinha emendou de primeira, no canto do goleiro para empatar. Mais um belo gol no Maracanã: 1 a 1.


A desvantagem demorou muito pouco tempo para der revertida. Cinco minutos depois Éverton Cebolinha fez bela jogada individual e conseguiu um escanteio. Na cobrança, Gérson tocou curto para o próprio Cebolinha. Payet não deu combate, Lucas Piton foi facilmente fintado, e o ponta cruzou para a área. A bola encobriu Léo Jardim e encontrou Pedro sozinho no meio da pequena área, ainda que cercado por defensores de preto bem próximos a ele. Ele escorou de peito para o gol vazio: 2 a 1!


A virada atordoou ao time do Vasco. Aos 41 minutos quase saiu o terceiro, com Viña fazendo lançamento longo para Gérson, que passou por João Victor na velocidade e chutou para o gol, com o goleiro cruzmaltino espalmando para escanteio. Na cobrança, Cebolinha alçou na segunda trave e encontrou David Luiz livre no meio da pequena área para escorar de primeira e fazer 3 a 1!


Se o quadro já parecia tenebroso para os vascaínos, logo ficou ainda pior. Nos acréscimos, Piton errou um passe fácil, interceptado por De La Cruz, que partiria em direção ao gol. O zagueiro João Victor voou sobre suas pernas para impedi-lo de avançar, fazendo a falta e recebendo cartão amarelo do árbitro. A arbitragem de vídeo chamou-o então para revisar o lance no monitor. Não deixava dúvida alguma, todas as travas da chuteira na canela do meia rubro-negro, acima da linha do tornozelo. Lance revisado e cartão com nova cor: vermelho! Zagueiro expulso, Vasco com um a menos, e em situação ainda mais aflitiva para a turma da cruz de malta!

Na volta do intervalo o Flamengo tratou logo de mostrar que não iria tirar o pé, como havia sido cobrado por seus torcedores por ter feito na partida de um ano antes. Logo aos 6 minutos, o goleiro do Vasco repôs a bola em jogo, Fabrício Bruno escorou de cabeça na linha do meio de campo, De La Cruz deu uma leve ajeitada, e Pedro lançou em profundidade para que Arrascaeta tomasse a frente de Léo, entrasse pela área frente a frente ao arqueiro, e desse um toquinho por cobertura para decretar a goleada de 4 a 1.


Aos 26 minutos, De La Cruz cobrou falta e exigiu que Léo Jardim fizesse uma bela defesa. Quando o relógio se aproximava dos 28 minutos, Arrascaeta deu um belo giro sobre o defensor no meio de campo, avançou pela intermediária, cortou em diagonal, e encontrou Bruno Henrique livre - ele que havia recém entrado em campo, aos 24 minutos no lugar de Éverton Cebolinha - o camisa 27 deu uma "chapada" de direita longe do alcançe do goleiro. Mais um belo gol: Flamengo 5 a 1!


Aos 33 minutos, com as arquibancadas em êxtase festivo, Tite lançou Gabigol a campo, fazendo três substituições ao mesmo tempo. Era a primeira vez em campo do agora camisa 99 depois do vazamento da polêmica foto com a camisa do Corinthians. Apesar da festa, ele ainda ouviu alguns protestos das arquibancadas.

Parecia que já havia acontecido tudo que havia para acontecer naquele fim de tarde. Só que não. Arrascaeta tocou para Luiz Araújo, que de calcanhar lanço em profundidade para Wesley no fundo. Ele cruzou, Maicon tentou cortar, mas só conseguiu dar um leve toque de ponta de chuteira, e Gabriel sozinho, quase sobre a linha, só escorou para dentro: 6 a 1! Que baile!


Quando a bola cruzou a linha e decretou o sexto gol, o relógio marcava 44 minutos e 48 segundos. Mas o árbitro Braulio da Silva Machado achou que já era suficiente. A partida sequer foi reiniciada, privando a todos dos minutos de acréscimo que seriam de direito.

A maior goleada rubro-negra sobre o Vasco na história. Em tempos de estatísticas para avaliar o jogo, os números mostravam o massacre daquela tarde: o Flamengo teve 74% da posse de bola, trocou 650 passes, contra apenas 230 do adversário, tentou 30 chutes, 18 dos quais foram em direção ao gol, enquanto os vascaínos só deram 2 chutes a gol em todo o jogo. Um domínio acachapante. Seis gols de seis jogadores diferentes.

Uma cereja robusta e reluzente em um bolo que sinalizava um pleno domínio como nunca antes na história do "Clássico dos Milhões": nos 28 jogos disputados desde fevereiro de 2017 até aquele 2 de junho de 2024, foram 16 vitórias do Flamengo, 10 empates e apenas 2 vitórias do Vasco, por 3 a 1 no Carioca de 2021, e por 1 a 0 no Carioca de 2023. Após ter goleado por 4 a 1 em 2019 e novamente por 4 a 1 em 2023, em 2024 o placar apontou um impiedoso 6 a 1! Tempos de ampla soberania no clássico! O Flamengo estava em outro patamar!