Jogos Inesquecíveis: 29/11/2025 - Flamengo 1 x 0 Palmeias
Ninguém morre nos devendo! Assim bradaram milhões de corações rubro-negros! Flamengo e Palmeiras se reencontraram numa final de Copa Libertadores da América naquele fim de novembro de 2025. Reencontraram-se, dado que em 2021, em Montevidéu, o meio-campista Andreas Pereira escorregou e entregou, já na prorrogação, o gol de desempate para Deyverson naquela vitória palmeirense por 2 a 1. Quis o destino que neste reencontro, o mesmo meio-campista Andreas Pereira desta vez, em 2025, estivesse vestindo a camisa alvi-verde. O palco desta vez era o Estádio Monumental, na avenida Javier Prado Este, em Lima, no Peru, o mesmo onde Gabigol fez os dois gols que mudaram as história do Flamengo na virada sobre o River Plate em 2019.
Uma partida de futebol que por si só já tinha dimensões épicas: o Flamengo fazia a sua 4ª final de Libertadores em 7 anos, entre 2019 e 2025, e os palmeirenses chegavam à sua 3ª final em 6 anos. Entre 2019 e 2025, em 7 edições, em nada menos do que 5 delas ou Flamengo ou Palmeias tinham estado presentes. Os dois clubes estavam dominantes no cenário futebolístico da América do Sul. Uma final ainda mais simbólica porque aquele dentre os dois clubes que saísse vencedor, tornar-se-ia o primeiro clube brasileiro a conquistar à Copa Libertadores pela 4ª vez na história! Uma partida por si só de dimensões colossais para a história.
Aos 21 minutos do 2º tempo, o uruguaio Arrascaeta cobrou escanteio pelo lado direito de ataque e a bola encontrou a cabeça do herói improvável Danilo, que só estava em campo por causa da lesão muscular sofrida pelo zagueiro titular Léo Ortiz em jogo contra o próprio Palmeiras válido pelo 2º turno do Campeonato Brasileiro. Ali, naquele momento, estavam invocadas as cabeçadas históricas do argentino Agustin Valido em 1944, do também zagueiro Rondinelli em cobrança de escanteio de Zico também pelo lado direito de ataque em 1978, e a do também zagueiro Ronaldo Angelim em cobrança de escanteio do sérvio Petkovic em 2009. Danilo subiu a uma altura impressionante e meteu a testa na bola, na altura da linha da pequena área, mais ou menos alinhado ao centro da baliza. A bola atravessou a área em diagonal, tocou caprichosamente na trave, e estufou a rede! Um gol de redenção! Flamengo, Tetra-Campeão da América!
Ficha Técnica
29/11/2025 - Flamengo 1 x 0 Palmeias
Local: Estádio Monumental, Lima, Peru
Gol: Danilo (21'2T)
Fla: Rossi, Varela, Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Jorginho, Arrascaeta (Luiz Araújo) e Carrascal; Samuel Lino (Éverton Cebolinha) e Bruno Henrique (Juninho).
Téc: Filipe Luís
Palmeias: Carlos Miguel, Khellven (Agustin Giay), Gustavo Gómez, Murilo (Ramón Sosa) e Joaquín Piquerez; Bruno Fuchs, Andreas Pereira e Raphael Veiga (Felipe Anderson (Maurício)); Allan (Facundo Torres), José Manuel "Flaco" López e Vitor Roque.
Téc: Abel Ferreira
A História do Jogo
Numa temporada de duelos acirrados entre Flamengo e Palmeiras, a camisa rubro-negra foi dominante. Até entrarem em campo para se enfrentar em Lima, nos dois duelos até então no ano, o Flamengo tinha vencido a ambos. No fim de maio, pela 10ª rodada do 1º turno do Campeonato Brasileiro, em confronto no estado palmeirense, na capital paulista, Agustin Rossi defendeu pênalti, Arrascaeta e Ayrton Lucas marcaram na segunda metade da etapa final, e o Mengo fez 2 a 0. No 2º turno, pela 29ª rodada, no Maracanã, Arrascaeta marcou, Vítor Roque empatou, Jorginho converteu pênalti sofrido por Pedro, e o próprio Pedro ampliou para fazer 3 a 1. Nos acréscimos, o zagueiro paraguaio Gustavo Gómez ainda descontou e diminuiu. Foi uma vitória decisiva e fundamental para a disputa pelo título brasileiro. Nesta partida, em 19 de outubro, o zagueiro titular Léo Ortiz sofreu estiramento muscular, 40 dias antes da final da Libertadores, e o veterano Danilo assumiu a posição.
A disputa entre os dois clubes pelo título do Campeonato Brasileiro estava acirradíssima! O Palmeiras assumiu a liderança após a 27ª rodada, restando 12 jogos para o fim (os dois clubes tinham um jogo atrasado do 1º turno a cumprir). Faltando poucas rodadas para o término da competição, muitos acreditavam que o quadro era irreversível. Muitos viam favoritismo para o Palmeiras na Libertadores também, pois a autoestima estava inflamada após a reversão de uma derrota por 3 a 0 para a LDU na primeira partida da semifinal, na altitude de Quito. O time alvi-verde meteu 4 a 0 em São Paulo e se classificou. Porém, muita coisa mudou durante novembro: a partir do dia 9 (20 dias antes da final da Libertadores, o Palmeiras perdeu para Mirassol, Santos e Grêmio, e empatou com Fluminense e Vitória. Apesar de perder para o Fluminense, o Flamengo venceu ao Red Bull Bragantino em casa e empatou com o Atlético Mineiro fora, e viajou para a final da Libertadores precisando apenas de uma vitória simples sobre o Ceará no Maracanã, para matematicamente se sagrar Campeão Brasileiro. Repentinamente, os ares se viraram em favor rubro-negro. Restava aguardar o que Lima reservaria.
Nos dias que antecederam à final, a torcida do Flamengo fez uma imensa festa pelas ruas de Lima. O ponto central de encontro era a Calle de las Pizzas, que viveu dias de rodas de samba, muita festa, e a invasão de um mar de gente em vermelho e preto. Era o indício da supremacia que tomaria conta das arquibancadas do Estádio Monumental. No dia do jogo, era visível que os torcedores em vermelho e preto eram muito mais numerosos do que os em verde e branco. Visualmente a impressão que dava era de 3/4 de rubro-negros. Havia espaço na área destinada aos palmeirenses, e se buscou camufles isto com o estiramento de uma bandeira nesta parte vazia. A torcida do Flamengo tinha feito a sua parte. Seria um prenúncio do que estava por acontecer? Faltava os jogadores provarem em campo.
Maioria rubro-negra na arquibancada
O duelo começou tenso, disputado e com muita trocação no meio de campo. Era um jogo acirrado, mas que na primeira metade do primeiro tempo via um Flamengo mais arrumado e tendo mais domínio, ainda que não o conseguisse converter em oportunidades claras de gol. O Palmeiras arriscou uma formação com uma linha de cinco na defesa, recuando o cabeça-de-área Bruno Fuchs para jogar em meio a seus zagueiros de área. Só restando a Filipe Luís colocar seu time para fazer duelos "mano a mano" para furar esta marcação, através do quarteto Arrascaeta, Carrascal, Samuel Lino e Bruno Henrique.
Mais reativo, o time do técnico português Abel Ferreira usava a sua principal estratégia de jogo, a de buscar ligações mais longas para chegar ao setor ofensivo e assim tentar criar algumas chances. As melhores jogadas saíam com o jovem Allan pela ponta direita. Passada a tensão inicial, o Palmeiras subiu a marcação e conseguiu equilibrar o confronto a partir da metade do primeiro tempo. Teve a sua primeira oportunidade de gol aos 20 minutos, quando Vitor Roque tentou uma cabeçada após cruzamento do lateral-direito Khellven (lateral este que havia perdido a final da Libertadores de 2022 para o Flamengo, quando era jogador do Athlético Paranaense.
O maior momento de tensão na etapa inicial aconteceu aos 29 minutos, próximo à linha do meio de campo. O Flamengo recuperou a bola na defesa e saía em contra-ataque quando Arrascaeta foi derrubado e pressionado no chão pela marcação palmeirense. O jogo já estava parado. O chileno Erick Pulgar se aproximou para chutar a bola, Fuchs a tirou com um toque com a ponta da chuteira, e Pulgar cravou as travas de sua chuteira na canela do palmeirense, deixando marcas claras. Pressão palmeirense sobre o árbitro pedindo um cartão vermelho.
Foram três minutos de paralisação, muita bronca alvi-verde, tensão rubro-negro pelo risco de ter um jogador expulso e ficar a partir dali com um a menos em campo. Porém, a arbitragem de vídeo não chamou para revisão no monitor, ainda que tenha mantido contato de áudio pelo comunicador no ouvido do árbitro, o argentino Dario Herrera aplicou apenas o cartão amarelo, e tudo seguiu como estava.
Na reta final do 1º tempo, o Palmeiras equilibrou o jogo quando subiu o bloco e apertou a marcação, passando a impor mais dificuldades ao time rubro-negro, que se segurou bem na defesa, mas que foi para o intervalo com seus dois volantes, Pulgar e Jorginho, pendurados com cartão amarelo.
Filipe Luís arrumou a equipe no vestiário e o Flamengo voltou a ter o controle do jogo. As duas equipes estavam mais soltas e se arriscando mais, e assim o jogo ganhou em emoção. Mesmo que com estratégias diferentes, ambos os times conseguiam espaços e levavam algum perigo, sem que tenha havido, no entanto, nenhuma chance clara nem para um lado nem para o outro. Mas o Flamengo estava melhor e chegava mais ao ataque, tanto que até os 20 minutos do 2º tempo tinha uma ampla vantagem na quantidade de escanteios comparado ao Palmeiras (7 a 1 em favor dos rubro-negros).
E foi numa sequência de escanteios que saiu o gol rubro-negro. Primeiro com o colombiano Carrascal cobrando pela esquerda de ataque. Léo Pereira subiu para disputar com Fuchs, e o palmeirense raspou de cabeça. Khellven chegou a tempo de espanar e evitar um novo escanteio, mas achando que a bola seria a seu favor, recolheu o pé. O escanteio foi então pela direita, e Giorgian De Arrascaeta, o camisa 10 da Gávea, cobrou.
Eram 21 minutos do 2º tempo, caminhando-se para 22, quando Danilo subiu para cabecear no canto direito de Carlos Miguel. O zagueiro conseguiu uma impulsão impressionante, subiu muito alto, e testou firme. A bola tocou na trave e morreu no fundo das redes, na mesma baliza na qual Gabigol marcou duas vezes em 2019 em cima do River Plate. Flamengo 1 a 0!
Até o momento do gol, a distribuição de posse de bola na partida era de 70% do Flamengo e 30% do Palmeiras. Após Danilo estufar a rede com sua potente cabeçada, daquele momento em diante o jogo mudou, tendo o Palmeiras tido 74% de posse de bola e realizado 5 finalizações. Entretanto, Agustín Rossi não fez nenhuma defesa em toda a final, pois o Flamengo não sofreu chutes na direção das três traves da baliza do gol em toda a partida.
Após o gol, os técnicos fizeram modificações e o Palmeiras foi para o tudo ou nada, buscando o empate para tentar levar o duelo para a prorrogação. No Flamengo, Éverton Cebolinha entrou bem e passou a ser a válvula de escape da equipe. O relógio avançava e o time palmeirense aumentava cada vez mais as sua ansiedade. O Flamengo se segurava bem, amarrava o jogo, e se defendia como podia.
A conquista rubro-negra foi sacramentada nos minutos finais. Por muito pouco o Palmeiras não deixou tudo igual aos 43 minutos do 2º tempo! A bola sobrou para Vitor Roque na pequena área, e ele fuzilou em direção ao gol. Só não contava com o bote de Danilo, que esticou a perna, e a bola bateu na sua chuteira e subiu, passando por cima do gol. Danilo, Jorginho e Rossi comemoraram efusivamente, como se houvesse sido um gol rubro-negro!
Na última bola do jogo, Carrascal prendeu bem no ataque e sofreu falta na entrada da área. Cebolinha cobrou e acertou a trave. Quase o segundo! O ditado diz que final não se joga, se ganha. O Flamengo jogou e ganhou. Não foi avassalador, mas foi inteligente e superior ao Palmeiras. Controlou o adversário, e levantou a taça! O primeiro clube brasileiro se ser 4 vezes Campeão da Libertadores!
Os 4 uruguaios do elenco tetra-campeão


















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