Sergio Santos Hernández, "El Oveja", é uma figura emblemática do esporte argentino. Ele é, sem dúvida alguma, um dos treinadores de basquete mais influentes da história da Argentina, tanto em nível de clubes quanto na seleção nacional. Nascido em 1º de novembro de 1963 em Bahía Blanca, uma cidade com profunda tradição no basquetebol, Hernández construiu uma carreira que o consolidou como uma referência tática revolucionária, formador de equipes e líder de gerações de jogadores.
Sua carreira como treinador começou na década de 1990 e, desde então, deixou uma marca indelével em alguns dos clubes mais prestigiados da Argentina. O auge de sua trajetória foi a frente de Estudiantes de Olavarría, Boca Juniors e Peñarol de Mar del Plata, equipes pelas quais conquistou inúmeros títulos e consolidou uma reputação como estrategista vencedor. Entre seus principais feitos em clubes destacam-se: 6 campeonatos da Liga Nacional Argentina de Basquete (2000, 2001, 2004, 2010, 2011 e 2012), colocando-se entre os técnicos mais bem-sucedidos da história do país, 2 títulos da Liga das Américas (2008 e 2010), e uma Liga Sul-Americana de Clubes (2001). Seu sucesso não reflete apenas sua capacidade de montar equipes fortes, mas também sua visão profunda de jogo, adaptação a diferentes contextos e habilidade para liderar projetos competitivos e duradouros.
Porém, o impacto mais reconhecido de Hernández se deu com o seu trabalho a frente da Seleção Argentina de Basquete. Ele foi técnico principal em dois períodos decisivos: 2005–2010 e 2015–2021, além de ter atuado como assistente em 2012. No total, dirigiu 116 partidas oficiais, o maior número na história da seleção masculina da Argentina, alcançando o melhor aproveitamento (72,4%: com 84 vitórias e 32 derrotas). Entre seus marcos mais importantes estão: Medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, Vice-campeonato na Copa do Mundo 2019 na China, em uma campanha histórica que levou a seleção à final do torneio, sendo derrotada somente pela Espanha, Medalha de Ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima em 2019, e participações olímpicas sob seu comando em Pequim 2008, Rio de Janeiro 2016 e Tóquio 2020.
A influência de Sergio “Oveja” Hernández vai muito além dos títulos. Para o esporte, ele foi um construtor de projetos sólidos e duradouros, responsáveis por manter a Argentina constantemente entre as melhores seleções do mundo, foi um mentor de gerações, contribuindo para a formação técnica e humana de inúmeros jogadores, foi um ícone de profissionalismo e evolução estratégica, combinando disciplina, planejamento, inteligência tática e capacidade de adaptação, e foi uma ponte entre eras, garantindo a continuidade do sucesso argentino após a lendária Geração de Ouro e preparando novos ciclos competitivos.
Quando Hernández deixou o comando da seleção após Tóquio 2020, ele encerrou seu ciclo com uma das marcas mais importantes da história do basquete argentino: recorde de vitórias, identidade de jogo e continuidade de alto rendimento. Grandes figuras da seleção reconheceram publicamente sua liderança e impacto. Sergio "Oveja" Hernández não foi apenas um treinador vencedor, mas um verdadeiro pilar do basquete argentino. Sua carreira, repleta de títulos, momentos históricos e transformações estratégicas, faz dele uma figura essencial para compreender por que a Argentina foi — e continua sendo — uma potência mundial no basquete.
Com toda esta bagagem, Oveja chegou ao Flamengo, para assumir a equipe de basquete, tendo o anúncio oficial sido feito em 12 de fevereiro de 2025, quando o Flamengo comunicou a saída de Gustavo De Conti, e a entrada de Sergio em seu lugar. Sua estreia como técnico do Flamengo aconteceu em 28 de fevereiro daquele ano. Em sua primeira temporada, levou o basquete do clube a conquistar a Liga dos Campeões das Américas naquele ano de 2025.
Em dezembro de 2025, quando o futebol masculino do Flamengo perdeu a final da Copa Intercontinental de Clubes para o Paris St-Germain, nos pênaltis, ele ainda era o treinador do basquete rubro-negro. E suas palavras após a derrota tiveram uma enorme repercussão na Argentina. A mídia esportiva argentina repercutiu as palavras do treinador:
Destacando matéria do site BasquetPlus: "Não contente com a América do Sul, o Flamengo partiu para o cenário internacional. Primeiro, chegou às oitavas de final do Mundial de Clubes, perdendo um jogo emocionante para o Bayern de Munique. Mais recentemente, terminou em segundo lugar na Copa Intercontinental, perdendo a final nos pênaltis para o super PSG de Luis Enrique. Na sequência, Sergio Hernández, o treinador argentino de basquete do Flamengo, compartilhou em seu Instagram que havia se tornado fã do time: "Um ano incrível chegou ao fim para o futebol do Flamengo. Com a dor compreensível de ter chegado tão perto, perdendo a final do Mundial de Clubes para o PSG, mas também com imenso orgulho do que este time representa. Sou torcedor do Boca Juniors, isso não mudou. Mas desde que cheguei ao Flamengo, nasceu uma profunda admiração por este clube, seu povo e sua identidade. Estive no Maracanã assistindo a um jogo ao vivo e senti algo muito especial. Aquela energia e aquela conexão que, para mim, eu só havia sentido antes na Bombonera".
"A energia e a conexão do Maracanã, eu só havia sentido antes em La Bombonera"
Sergio Hernández, "El Oveja"
Seguindo as palavras de Hernandez em sua rede social: "Orgulhoso de compartilhar o clube e o cargo com Felipe Luís, um treinador que trabalha silenciosamente em tempos de barulho, com profissionalismo e humanidade. E uma alegria pessoal: vestir as mesmas cores que Agustín Rossi, um amigo e entusiasta do basquete antes do futebol. Obrigado, Flamengo. Orgulhoso de estar aqui".





















































