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sábado, 6 de dezembro de 2025

Fichas Técnicas: Flamengo na Libertadores de 2025


Campanha

1ª Fase


1ª Rodada - 03/04 - Flamengo 1 x 0 Deportivo Táchira (Venezuela)
Local: Estádio Polideportivo Pueblo Nuevo, San Cristóbal, Venezuela
Gol: Juninho (12'2T)

Fla: Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas (Alex Sandro); Pulgar, De La Cruz (Allan) e Luiz Araújo; Michael (Juninho), Bruno Henrique (Wallace Yan) e Éverton Cebolinha (João Victor).
Téc: Filipe Luís
Táchira: Jesús Camargo, Roberto Rosales, Carlos Vivas, Mauro Maidana e Pablo Camacho; Edicson Tamiche (Juan Carlos Ortíz), Juan Manuel Requena, Maurice Cova (Lucas Cano), Carlos Sosa (Jean Franco Castillo) e Daniel Saggiomo; Bryan Castillo (José Balza).
Téc: Edgar Pérez Greco


2ª Rodada - 09/04 - Flamengo 1 x 2 Central Córdoba (Argentina)
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (Público: 53.095 pagantes; 56.515 presentes)
Gols: Heredia (23'1T), Florentin (43'1T) e De La Cruz (15'2T)

Fla: Rossi, Varela (Wesley), Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro (Pedro); Évertton Araújo (Pulgar), De La Cruz e Arrascaeta (Luiz Araújo); Gonzalo Plata, Juninho (Gérson) e Bruno Henrique.
Téc: Filipe Luís
Córdoba: Alan Aguerre, Lucas Abascia, Lautaro Rivero, Santiago Moyano (Ivan Pillud) e Braian Cufré (Yuri Casermeiro); Jonathan Galván, Iván Gómez (Sebastian Cristóforo), José Florentín e Leonardo Heredia; Matías Perelló (Fernando Martínez) e Luis Angulo (Gastón Verón).
Téc: Omar de Felippe


3ª Rodada - 22/04 - Flamengo 0 x 0 LDU (Equador)
Local: Estádio Casa Blanca, Quito, Equador

Fla: Rossi, Wesley, Léo Ortiz, Danilo e Ayrton Lucas (Varela); Évertton Araújo, Pulgar, Gérson e Arrascaeta (Luiz Araújo); Juninho (Pedro) e Bruno Henrique (Éverton Cebolinha).
Téc: Filipe Luís
LDU: Gonzalo Valle, Daniel De La Cruz, Ricardo Adé, Gian Franco Allala e Leonel Quiñónez; Kevin Minda (Gabriel Villamíl), Carlos Gruezo e Fernando Cornejo; Bryan Ramírez (Lautaro Pastrán), Lisandro Alzugraray (Alexander Alvarado) e Álex Arce (Michael Estrada).
Téc: Pablo Sánchez


4ª Rodada - 07/05 - Flamengo 1 x 1 Central Córdoba (Argentina)
Local: Estádio Único, Santiago Del Estero, Argentina
Gols: Arrascaeta (9'1T) e Gastón Verón (15'2T)

Fla: Rossi, Wesley (Varela), Danilo, Léo Pereira (Léo Ortiz) e Ayrton Lucas; Pulgar (Allan), De La Cruz (Luiz Araújo), Gérson e Arrascaeta; Bruno Henrique e Pedro (Juninho).
Téc: Filipe Luís
Córdoba: Alan Aguerre, Lucas Abascia, Lautaro Rivero, Santiago Moyano e Braian Cufré; Jonathan Galván (Dylan Glaby), Nicolás Quagliata (Gastón Verón), José Florentín e Leonardo Heredia (Iván Gómez); Matías Perelló (Franco Alfonso) e Luis Angulo (Fernando Martínez).
Téc: Omar de Felippe


5ª Rodada - 15/05 - Flamengo 2 x 0  LDU (Equador)
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (Público: 61.223 pagantes; 65.831 presentes)
Gols: Léo Ortiz (9'1T) e Luiz Araújo (9'2T)

Fla: Rossi, Wesley, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; De La Cruz (Évertton Araújo), Gérson e Arrascaeta (Wallace Yan); Luiz Araújo (Matheus Gonçalves), Bruno Henrique (Pedro) e Michael (Éverton Cebolinha).
Téc: Filipe Luís
LDU: Gonzalo Valle, Daniel De La Cruz (José Quintero), Ricardo Adé, Gian Franco Allala e Leonel Quiñónez; Kevin Minda (Gabriel Villamíl), Carlos Gruezo, Fernando Cornejo e Alexander Alvarado (Lautaro Pastrán); Álex Arce (Michael Estrada) e Lisandro Alzugraray (Melvin Díaz).
Téc: Pablo Sánchez


6ª Rodada - 29/05 - Flamengo 1 x 0 Deportivo Táchira (Venezuela)
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (Público: 61.484 pagantes; 66.082 presentes)
Gol: Léo Pereira (20'2T)

Fla: Rossi, Wesley, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Allan (Varela), Gérson (Ayrton Lucas) e Arrascaeta (Évertton Araújo); Luiz Araújo, Pedro (Wallace Yan) e Michael (Bruno Henrique).
Téc: Filipe Luís
Táchira: Jesús Camargo, Roberto Rosales, Lucas Acevedo, Jesús Quintero (Jean Franco Castillo) e Juan David Sánchez; Carlos Calzadilla, Juan Manuel Requena (Leandro Fioravanti), Maurice Cova e Daniel Saggiomo (Luis Zuñiga); José Balza (Jesús Duarte) e Bryan Castillo (Lucas Cano).
Téc: Edgar Pérez Greco


Oitavas - 13/08 - Flamengo 1 x 0 Internacional (Brasil)
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (Público: 63.567 pagantes; 68.483 presentes)
Gol: Bruno Henrique (28'1T)

Fla: Rossi, Emerson Royal (Varela), Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Jorginho, Allan (Évertton Araújo) e Luiz Araújo; Gonzalo Plata (Carrascal), Bruno Henrique (Pedro) e Samuel Lino (Éverton Cebolinha).
Téc: Filipe Luís
Inter: Sergio Rochet, Braian Aguirre, Vitão, Juninho e Alexandro Bernabei; Thiago Maia (Gustavo Prado), Alan Rodríguez (Bruno Henrique Corsini), Alan Patrick e Bruno Tabata (Richard); Wesley (Vitinho) e Ricardo Mathias (Rafael Borré).
Téc: Roger Machado


Oitavas - 20/08 - Flamengo 2 x 0 Internacional (Brasil)
Local: Estádio Beira-Rio, Porto Alegre (Público: 43.581 pagantes)
Gols: Arrascaeta (26'1T) e Pedro (43'2T)

Fla: Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro (Ayrton Lucas); Jorginho, Saul e Arrascaeta (Luiz Araújo); Gonzalo Plata (Wallace Yan), Bruno Henrique (Pedro) e Samuel Lino (Éverton Cebolinha).
Téc: Filipe Luís
Inter: Sergio Rochet, Braian Aguirre, Vitão, Juninho e Alexandro Bernabei; Thiago Maia, Alan Rodríguez (Johan Carbonero), Alan Patrick e Bruno Tabata (Rafael Borré); Wesley (Vitinho) e Ricardo Mathias (Enner Valencia).
Téc: Roger Machado


Quartas - 18/09 - Flamengo 2 x 1 Estudiantes (Argentina)
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (Público: 66.743 pagantes; 71.977 presentes)
Gols: Pedro (15''1T), Varela (8'1T) e Guido Carrillo (45+1'2T)

Fla: Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas; De La Cruz, Saul (Allan) e Arrascaeta (Luiz Araújo); Gonzalo Plata, Pedro (Bruno Henrique) e Samuel Lino (Danilo).
Téc: Filipe Luís
Estudiantes: Fernando Muslera, Román Gómez, Santiago Núñez, Facundo Rodríguez e Santiago Arzamendia; Ezequiel Piovi (Gastón Benedetti), Cristian Medina (Tiago Palácios), Santiago Ascacibar e Mikel Amondarain; Facundo Farías (Alexis Castro) e Guido Carrillo.
Téc: Eduardo Dominguez


Quartas - 26/09 - Flamengo 0 x 1 Estudiantes (Argentina) (pen: 4 x 2)
Local: Estádio Jorge Luis Hirschi, La Plata, Argentina
Gol: Gastón Benedetti (45+2'1T)

Fla: Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Jorginho, Saul e Arrascaeta (Carrascal); Gonzalo Plata (Luiz Araújo), Pedro (Bruno Henrique) e Samuel Lino.
Téc: Filipe Luís
Estudiantes: Fernando Muslera, Román Gómez, Santiago Núñez, Facundo Rodríguez e Gastón Benedetti; Cristian Medina (Alexis Castro), Santiago Ascacibar, Mikel Amondarain (José Sosa) e Santiago Arzamendia (Edwin Cetré); Tiago Palácios (Fabricio Pérez) e Guido Carrillo (Lucas Alario).
Téc: Eduardo Domínguez

Pênaltis: Jorginho (1 x 0), Jose Sosa (1 x 1), Luiz Araújo (2 x 1), Benedetti (Rossi defendeu), Carrascal (3 x 1), Cetré (3 x 2), Léo Pereira (4 x 2), e Ascacibar (Rossi defendeu)


Semi - 22/10 - Flamengo 1 x 0 Racing (Argentina)
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (Público: 65.704 pagantes; 71.368 presentes)
Gol: Marcos Rojo (contra, 42'2T)

Fla: Rossi, Varela (Emerson Royal), Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro (Ayrton Lucas); Pulgar, Jorginho, Arrascaeta (Samuel Lino) e Carrascal; Luiz Araújo (Gonzalo Plata) e Pedro (Bruno Henrique).
Téc: Filipe Luís
Racing: Facundo Cambeses, Gastón Martirena, Nazareno Colombo, Marcos Rojo e Gabriel Rojas (Facundo Mura); Santiago Sosa, Bruno Zuculini e Agustin Almendra (Juan Nardoni); Santiago Solari (Matias Zaracho), Adrián "Maravilla" Martínez (Adrián Balboa) e Tomás Conechny.
Téc: Gustavo Costas


Semi - 29/10 - Flamengo 0 x 0 Racing (Argentina)
Local: Estádio Presidente Juan Domingo Perón, "El Cilindro", Buenos Aires

Fla: Rossi, Varela (Emerson Royal), Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Jorginho (Évertton Araújo), Arrascaeta (Danilo) e Carrascal (Bruno Henrique); Luiz Araújo (Saul) e Gonzalo Plata.
Téc: Filipe Luís
Racing: Facundo Cambeses, Facundo Mura (Gastón Martirena), Nazareno Colombo, Marcos Rojo e Gabriel Rojas; Juan Nardoni (Matias Zaracho), Bruno Zuculini e Agustin Almendra (Adrián Balboa); Santiago Solari (Lucino Vietto), Adrián "Maravilla" Martínez e Tomás Conechny (Duvan Vergara).
Téc: Gustavo Costas


Final - 29/11 - Flamengo 1 x 0 Palmeiras (Brasil)
Local: Estádio Monumental, Lima, Peru
Gol: Danilo (21'2T)

Fla: Rossi, Varela, Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Jorginho, Arrascaeta (Luiz Araújo) e Carrascal; Samuel Lino (Éverton Cebolinha) e Bruno Henrique (Juninho).
Téc: Filipe Luís
Palmeias: Carlos Miguel, Khellven (Agustin Giay), Gustavo Gómez, Murilo (Ramón Sosa) e Joaquín Piquerez; Bruno Fuchs, Andreas Pereira e Raphael Veiga (Felipe Anderson (Maurício)); Allan (Facundo Torres), José Manuel "Flaco" López e Vitor Roque.
Téc: Abel Ferreira



Dados da Campanha:

Time-base: Rossi, Varela, Léo Ortiz (Danilo), Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Jorginho, Arrascaeta e Carrascal; Samuel Lino (Luiz Araújo) e Pedro (Bruno Henrique)
Banco: Matheus Cunha, Ayrton Lucas, Évertton Araújo, De La Cruz, Gonzalo Plata e Éverton Cebolinha

Artilharia: Pedro (2), Arrascaeta (2), Juninho (1), De La Cruz (1), Léo Ortiz (1), Luiz Araújo (1), Léo Pereira (1), Bruno Henrique (1), Varela (1), Danilo (1) e 1 gol contra

Participação:
13 jogos: Agustin Rossi, Luiz Araújo e Bruno Henrique
12 jogos: Guillermo Varela e Léo Pereira
11 jogos: Léo Ortiz e Giorgian De Arrascaeta
10 jogos: Alex Sandro e Pedro
9 jogos: --
8 jogos: --
7 jogos: Ayrton Lucas, Erick Pulgar e Gonzalo Plata
6 jogos: Danilo, Évertton Araújo, Jorginho, Samuel Lino e Éverton Cebolinha
5 jogos: Wesley, Allan, Gérson, Nicolas De La Cruz, Jorge Carrascal e Juninho
4 jogos: Saúl Ñíguez e Wallace Yan
3 jogos: Emerson Royal e Michael
2 jogos: --
1 jogo: João Victor e Matheus Gonçalves


segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Flamengo na Libertadores de 2025


Foi a 21ª participação do Flamengo - a 9ª consecutiva - e mais uma vez sonhando em ser o primeiro clube brasileiro a conquistar pela 4ª vez a Copa Libertadores da América. Obteve a sua classificação por ter sido o 3º colocado do Campeonato Brasileiro de 2024.

O sorteio foi favorável, tendo o clube caído num grupo considerado relativamente fácil, embora mais uma vez tendo que fazer uma partida na altitude, desta vez em Quito, no Equador. Embora o grupo tenha tido um clube da Argentina, o adversário era o Central Córdoba, que disputaria a competição pela primeira vez na história, após ter sido o Campeão da Copa Argentina 2024.


A Campanha:
Fase de Grupos
03/04/25 - 1 x 0 Deportivo Táchira, em San Cristóbal, Venezuela
09/04/25 - 1 x 2 Central Córdoba, no Maracanã
22/04/25 - 0 x 0 LDU, em Quito, Equador
07/05/25 - 1 x 1 Central Córdoba, em Santiago Del Estero, Argentina
15/05/25 - 2 x 0 LDU, no Maracanã
28/05/25 - 1 x 0 Deportivo Táchira, no Maracanã
Oitavas
13/08/25 - 1 x 0 Internacional, no Maracanã
20/08/25 - 2 x 0 Internacional, no Beira-Rio, em Porto Alegre
Quartas
18/09/25 - 2 x 1 Estudiantes, no Maracanã
26/09/25 - 0 x 1 Estudiantes, em La Plata, Argentina (pen: 4 x 2)
Semi
22/10/25 - 1 x 0 Racing, no Maracanã
29/10/25 - 0 x 0 Racing, em Buenos Aires, Argentina
Final
29/11/25 - 1 x 0 Palmeiras, em Lima, no Peru




1ª Fase

Na 1ª rodada, a estreia foi com um longo deslocamento até San Cristóbal, na Venezuela, cidade próxima à fronteira com a Colômbia. O Flamengo não vencia na Libertadores como visitante desde a semifinal de 2022, sobre o Vélez Sarsfield, na Argentina. Nas edições de 2023 e 2024 tinham sido 9 partidas como visitante, com 5 derrotas e 4 empates. Outra marca histórica, é que o Flamengo nunca havia sequer perdido ponto contra adversário venezuelano na história da Libertadores, com 10 jogos e 10 vitórias. Diante do Táchira, o jogo foi duro, com o time rubro-negra saindo dele com uma magra vitória por 1 a 0. Um resultado importante para encaminhar a classificação. No outro jogo do grupo na rodada, em solo argentino, Central Córdoba e LDU empataram sem gols.

Na 2ª rodada, a estreia no Maracanã era diante dos argentinos, o Flamengo jamais havia sido derrotado por uma equipe da Argentina jogando como mandante na história da Libertadores. Tinham sido 11 jogos, com 8 vitórias e 3 empates. O Central Córdoba, estreante e tendo ficado num empate sem gols na estreia, nunca tinha jogado como visitante nem marcado um gol em Libertadores. E sua primeira vez era diante de 56 mil pessoas no Maracanã. Pois conseguiram um gol de pênalti após um toque na mão dentro da área, e ainda ampliaram de cabeça numa cobrança de escanteio no fim da etapa inicial, indo para o intervalo com dois gols de vantagem. O time rubro-negro diminui no 2º tempo, pressionou, mas não empatou, acabando por sofrer a sua primeira derrota para argentinos na história numa partida como mandante. No outro jogo, a LDU venceu ao Táchira por 2 a 0 em Quito. Assim, o Flamengo terminava a rodada em 3º lugar, um ponto atrás dos dois adversários.

E a terceira partida era a mais difícil de todas, subindo a montanha para enfrentar a LDU na altitude de Quito. O time voltou de lá com 1 ponto na bagagem, após um insosso empate sem gols. No outro jogo, o Central Córdoba venceu por 2 x 1, mantendo Flamengo na 3º colocação. O duelo rubro-negro pela rodada seguinte era na pequena Santiago Del Estero, no interior da Argentina, e ganhou ares de decisão. Ainda mais porque antes de entrar em campo, o time já sabia que a LDU havia vencido ao Tachira por 3 x 2 na Venezuela. Se perdesse para o Córdoba, os argentinos iriam a 10 pontos, os equatorianos ficariam com 8 e o Flamengo com 4. Ainda que restasse dois jogos no Maracanã, a distância dificilmente seria reversível, e o clube estaria praticamente eliminado já na 1ª Fase.

O time rubro-negro saiu em vantagem com um gol do uruguaio Giorgian De Arrascaeta logo aos 9 minutos do 1º tempo, tranquilizando em parte a sua situação. Porém, não conseguia se impor em campo, sendo pressionado, e acabando por levar o gol de empate no meio do 2º tempo. O resultado deixava a classificação ainda ao alcance, mas a situação não era confortável. Central Córdoba e LDU tinham 8 pontos, o Flamengo tinha 5 e o Deportivo Tachira não tinha nenhum ponto conquistado. O jogo seguinte era contra a LDU no Maracanã. Os equatorianos tinham saldo positivo de 3 gols, enquanto o saldo rubro-negro era zero. Uma vitória por 2 gols de diferença colocaria o Flamengo a frente da LDU ao fim da 5ª rodada, e então restaria a partida derradeira contra os venezuelanos também no Maracanã, na qual uma vitória simples já seria suficiente para fazer o clube estar matematicamente classificado. Situação desconfortável, mas resultados bem plausíveis.

Noite de quinta-feira de decisão no Maracanã. Casa cheia. Festa montada. E o time correspondeu dentro de campo. Abriu o marcador logo com 9 minutos de bola rolando, com gol de cabeça do zagueiro Léo Ortiz após cobrança de escanteio. Dominou o jogo, com amplo domínio da posse de bola. No início do segundo tempo, conseguiu o segundo gol, que o fazia ultrapassar à própria LDU, pelo saldo de gols, na tabela de classificação. E assim fechou o jogo, com os 2 a 0 que necessitava no placar. A uma rodada do fim, o líder era o Central Córdoba com 11 pontos, que enfrentaria à LDU em Quito na última rodada. Os equatorianos, com 8 pontos, precisavam de uma vitória por dois gols de diferença para ultrapassar aos argentinos na classificação. O Flamengo, que enfrentaria ao Táchira no Maracanã, só dependia de si, obtendo a classificação com qualquer vitória. Os venezuelanos tinham perdido todos os seus 5 jogos até então. Para terminar em 1º lugar no grupo, só se o Córdoba fosse derrotado no Equador, e desde que a LDU mão vencesse por uma diferença de gols superior à do Flamengo sobre os venezuelanos.

Mais uma noite de decisão no Maracanã, com casa cheia e festa montada. E de muita angústia. Enquanto os gols da LDU saíam um atrás do outro em Quito, a rede não era balançada no Maracanã. O 1º lugar ia ficando cada vez mais distante, mas bastava um gol rubro-negro para selar o avanço às oitavas de final. E o gol só saiu aos 20 minutos do 2º tempo, quando Luiz Araújo cobrou falta na área e o zagueiro Léo Pereira, penetrando de trás, completou de primeira. Foi o suficiente para uma classificação suada e tensa, com direito a ter sofrido pressão nos minutos finais, e ao goleiro Rossi ter feito grande defesa na última bola do jogo, em chute a queima-roupa dentro da pequena área. No outro jogo, a LDU venceu na altitude por 3 a 0, fechando o grupo na liderança e eliminando aos argentinos. Tríplice empate com 11 pontos, e o Flamengo avançando em 2º lugar no saldo de gols. Uma campanha bem fraca, mas com a classificação assegurada.


Mata-Mata

A competição só foi retomada dois meses e meio depois, tendo havido no calendário, neste meio tempo, a 1ª Copa do Mundo de Clubes. O adversário rubro-negro, designado por sorteio, pelas oitavas de final foi o Internacional, de Porto Alegre. A disputa se iniciou com um confronto no Maracanã, onde o Flamengo obteve uma vitória magra por 1 a 0, com gol de Bruno Henrique de cabeça no 1º tempo. O duelo seguinte foi no Estádio Beira-Rio. E dominante, o time rubro-negro saiu na frente no 1º tempo, abrindo enorme vantagem. Na etapa final administro a vantagem, e nos minutos finais ampliou, garantindo a classificação às quartas para enfrentar ao Estudiantes de La Plata, que havia eliminado ao Cerro Porteño, do Paraguai. A chave rubro-negra até a final só tinha argentinos, pois se avançasse à semi-final o adversário sairia do confronto entre Racing e Vélez Sarsfield.

A trajetória nas quartas, no Maracanã, foi iniciada com um gol marcado só com 15 segundos de bola rolando. Aos 8 minutos do 1º tempo já tinha marcado 2 a 0. Uma partida que estava sob controle, mas o Flamengo não a liquidou, e acabou castigado. Primeiro com uma expulsão esdrúxula e absurda de Gonzalo Plata, e depois sofrendo um gol já nos acréscimos que deteriorava as condições para a partida de volta em La Plata, dois pênaltis mão marcados e sem intervenção da arbitragem de vídeo, e um episódio lastimável com o quarto árbitro falando para o técnico adversário substituir ao zagueiro, que já tinha cartão amarelo, ou ele seria expulso. Na Argentina, condições adversas tradicionais, um adversário que teve grande atuação, marcou um gol nos acréscimos da primeira etapa, e que com um 1 a 0 sustentado até do fim, levou a disputa aos pênaltis. Quando então apareceu um herói com a camisa 1 rubro-negra, o argentino Agustin Rossi defendeu dois pênaltis, o Flamengo converteu todos os seus, venceu por 4 a 2, e avançou à semifinal para enfrentar ao Racing.

O primeiro encontro da semifinal foi disputado no Rio de Janeiro, no Maracanã. E foi uma partida duríssima. Um jogo de poucas oportunidades de gol, no qual o time rubro-negro pressionou muito no final. Teve um gol corretamente anulado por impedimento, mas pouco depois, já aos 42 minutos, conseguiu marcar o tento que lhe deu uma magra vitória por 1 a 0. Um gol chorado, após muito bate e rebate dentro da área, com o colombiano Carrascal chutando, a bola desviando num zagueiro e enganando assim a outro. Vantagem magra mas importante, pois em Avellaneda seria uma batalha duríssima no Estádio El Cilindro. Não poderia ter sido diferente. Um jogo dificílimo, em que o herói rubro-negro foi o goleiro Agustin Rossi. Classificação ainda mais dramática depois que o árbitro chileno inventou uma expulsão de Gonzalo Plata na metade do segundo tempo. Zero a zero até o fim e a quarta final num intervalo de sete anos!

Uma final simbólica. O adversário que se classificou foi o Palmeiras, que após perder por 3 a 0 para a LDU na altitude de Quito, no Equador, no jogo de ida, reverteu e venceu por 4 a 0 em São Paulo. Se o Flamengo fazia a sua 4ª final em 7 anos, os palmeirenses chegavam à sua 3ª em 6 anos. Entre 2019 e 2025, em sete edições, em nada menos do que cinco ou Flamengo ou Palmeias tinham estado presentes, tem as exceções sido em 2023 e 2024. Os dois clubes se reencontravam numa final após ter decidido a edição de 2021, quando Andreas Pereira escorregou, o Palmeiras aproveitou, e venceu por 2 a 1 na prorrogação. Desta vez, Andreas ao invés de vestir rubro-negro, vestia alvi-verde. Uma final simbólica! Tempo de reencontros. E quem dos dois clubes saísse vencedor, tornar-se-ia o primeiro clube brasileiro a conquistar à Copa Libertadores pela 4ª vez na história! Um jogo épico!

O time rubro-negro que chegou à final de 2025 chegava com uma presença de estrangeiros como nunca antes. Destaque especial para a presença deles no meio de campo, que tinha ao chileno Erick Pulgar, ao espanhol Saúl Ñíguez, aos uruguaios Nico De La Cruz e Giorgian De Arrascaeta, e ao colombiano Jorge Carrascal. Além destes cinco meio-campistas, o elenco ainda tinha o goleiro argentino Agustin Rossi, os laterais uruguaios Guillermo Varela pela direita e Matias Viña pela esquerda, e o atacante equatoriano Gonzalo Plata. Um elenco com nove estrangeiros.

Em 29 de novembro, Flamengo e Palmeiras entraram em campo no Estádio Monumental de Lima, palco da histórica vitória rubro-negra sobre o River Plate em 2019. Uma final histórica e épica! Do lado do Flamengo, lesões tiraram dois jogadores que tinham sido titulares importantíssimos na campanha, o zagueiro Léo Ortiz e o centroavante Pedro ficaram fora do time na reta final. E foi o substituto de um deles que se tornou o herói da final. Aos 16 minutos do 2º tempo, escanteio pelo lado direito de ataque cobrado por Arrascaeta, a bola encontrou o zagueiro Danilo, o camisa 13 subiu mais alto que todos, testou firme, a bola acertou a trave e estufou as redes. Dali em diante foi segurar a pressão. Aos 43 minutos do 2º tempo, o atacante palmeirense Vítor Roque teve a oportunidade do empate dentro da pequena área, e foi novamente Danilo quem deu o bote, com a bola resvalando na perna dele e saindo por cima do gol. Vitória consumada! A final de 2021 estava vingada! Ninguém morre devendo ao Flamengo... o primeiro brasileiro Tetra-campeão da Libertadores na história. Somente Peñarol, com 5, Boca Juniors, com 6, e Independiente, com 7, tinham conquistado mais títulos sul-americanos do que o Flamengo até ali na história! Uma campanha com um detalhe em especial: em nenhum dos 13 jogos disputados, o time do Flamengo marcou mais do que 2 gols. Perfeito defensivamente, e eficiente ofensivamente.









Fotogaleria: 29 de novembro de 2025 - Flamengo 1 x 0 Palmeiras









domingo, 2 de novembro de 2025

Contra Tudo e Contra Todos: a guerra vencida nas Quartas da Libertadores 2025


Era noite de 18 de setembro de 2025 e o Maracanã estava tomado pelo vermelho e o preto, ardendo em brasa pelo calor humano da multidão, 70 mil vozes. Dois escudos múltiplas vezes campeões da Libertadores estavam por definir um dos semifinalistas daquela edição – o do Flamengo, campeão em 1981, 2019 e 2022, e o do Estudiantes de La Plata, campeão em 1968, 1969, 1970 e 2009 – dois velhos conhecidos que se reencontravam em palcos de grandes epopeias. O apito inicial ainda nem ecoara e já havia a impressão de que aquele confronto de quartas de final carregava algo de irrespirável, como se cada lance trouxesse um pequeno destino dentro dele, uma quantidade de tensão que transbordava pelos vãos do estádio.

No primeiro duelo, no Maracanã, no Rio de Janeiro, o Flamengo começou como se tivesse pressa de escrever a própria versão dos fatos. A pressão alta, a faca nos dentes, a bola que parecia magnetizada nos pés e a sensação de que, se houvesse fôlego, aplicariam uma goleada histórica. Cm 15 segundos de bola rolando, o placar foi aberto. Bola correndo de pé em pé até Pedro se livrar do marcador e tocar na saída do goleiro uruguaio Muslera. Com 8 minutos saiu já um segundo gol. Um começo avassalador. A vantagem de 2 a 0 nos minutos iniciais tinha cara de roteiro pronto: microfissuras no sistema argentino, infiltrações cirúrgicas pelo lado esquerdo, o camisa 10 Giorgian De Arrascaeta com um relógio interno de aço suíço em ser preciso em cada jogada, Pedro ocupando a área como quem reclamava o seu próprio território. Mas o futebol, que nunca se contenta com um primeiro ato linear, tinha guardado para a noite uma bateria de episódios que dariam combustível a muitos debates.


Aos 45 do primeiro tempo, Samuel Lino arrancou pela esquerda e caiu na área. O Maracanã inteiro prendeu o ar. O Flamengo pediu pênalti! Houve um toque em seu pé, aparentemente involuntário sim, do zagueiro rival, um contato sutil, que lhe causou um trançar de suas pernas. Sem querer também é pênalti! O juiz não apontou nada. A arbitragem de vídeo chamaria para uma revisão? Nada foi assinalado, moldando a primeira grande discussão da noite: houve ou não a penalidade?

Também é impossível passar incólume pela polêmica em torno de um diálogo nos momentos finais daquela primeira etapa. Segundo o lateral-esquerdo uruguaio do Flamengo, Matías Viña, que estava no banco de reservas: todo mundo escutou quando o quarto árbitro colombiano Jhon Ospina teria alertado ao técnico do Estudiantes, Eduardo Domínguez, sobre o risco do amarelado de que ele devia tirar o seu camisa 4 de campo, porque ele já estava amarelado e seria expulso. No dia seguinte, Viña ainda reforçou em entrevista para a televisão: "eu falo o mesmo idioma que eles, não tenho dúvida nenhuma do que escutei". Do ponto de vista da ética funcional, o episódio abriu um debate nada trivial sobre o papel do quarto árbitro no gerenciamento do calor do banco. Domínguez devolveu a bola dizendo que o conteúdo foi de outra natureza: uma "sugestão" sobre como manter a casa arrumada no tumulto de um grande jogo. O acontecimento, documentado e repercutido, é daqueles que irão reaparecer em discussões sobre protocolos, como um precedente incômodo. A pressão pela indignação dos jogadores rubro-negros em cima da equipe de arbitragem na entrada do túnel de saída de campo, em nada mudou a algo. Entretanto, o episódio ganhou vida própria, como costumam ganhar os fatos que tocam na fronteira frágil entre norma e convenção, entre conversa de campo e interferência técnica.


O segundo tempo, por sua vez, acendeu outras brasas. A história ficaria gravada com a expulsão de Gonzalo Plata – duplamente amarelado, quando, na leitura da maioria, tinha sido ele o alvo da falta, e não o autor. A decisão, assinada pelo árbitro colombiano Andrés Rojas, foi recebida no campo com incredulidade e fúria contida. Horas depois, a própria Conmebol revogaria o segundo amarelo, liberando Plata para a partida de volta, ao avaliar que de fato havia sido um erro da arbitragem. O reconhecimento do erro, noticiado aliviou o impacto disciplinar, mas não desfez a cicatriz daquela noite. O diretor de futebol do Flamengo, o português José Boto, ainda no calor do pós jogo, falaria em atuação "escandalosa e vergonhosa", citando não apenas a expulsão, mas pênaltis não marcados e uma possível infração de mão na origem do gol argentino que encurtou o placar nos acréscimos. A palavra "condicionado" passou a atravessar entrevistas e manchetes.

Para quem viu o jogo sem o filtro da paixão, a sensação de arbitrariedade foi se instalando como um nevoeiro. Desde o primeiro tempo as fortes faltas platenses para matar contra-ataques passavam sem qualquer cartão amarelo, enquanto mínimas faltas rubro-negras logo faziam subir um cartão. No jogo inteiro: 12 faltas e 5 cartões amarelos para o Flamengo, e 16 faltas e apenas 3 cartões amarelos para o Estudiantes.


Para piorar, no lance que vem a acontecer a expulsão de Gonzalo Plata, as câmeras de TV no dia seguinte captaram que o zagueiro argentino desvia a bola com um leve soco nela dentro da área. Já seria pênalti. Na sequência, o zagueiro se prepara para espanar a bola, Plata estica o pé e recebe um chute, num lance ocorrido sobre a linha da grande área. Poderiam ser dois pênaltis no mesmo lance, mas o árbitro interpreta uma solada de Plata (que não existiu) e lhe aplica cartão vermelho, forçando o Flamengo a atuar nos minutos finais com um jogador a menor. Nos acréscimos, acabou saindo um gol argentino, diminuindo o placar para 2 a 1. Uma sobra de bola depois que Ayrton Lucas afastou de cabeça da área, a bola bateu por trás num braço aberto do jogador argentino, e sobrou na pequena área para um empurrão com um leve toque que venceu Agustin Rossi e foi para dentro da rede.

É impossível revisitar o primeiro jogo daquela fase quartas de final sem posicionar a discussão sobre os episódios que moldaram a percepção coletiva: o pênalti em Samuel Lino visto como lance de marcação plausível, a reclamação por um segundo pênalti a favor do Flamengo, o gol argentino cujo nascedouro teria esbarrado em toque de mão, e a expulsão que mudou o desenho tático do encerramento daquele jogo. Na soma do rumor e dos recortes, o que ficou foi o desconforto – e, de novo, a constatação de que a arbitragem de vídeo deixou zonas de sombra onde erros se acomodaram. Para quem gosta de catalogar o jogo de futebol como uma ciência, aquela noite foi um manual de exceções.


Se a ida foi um caldeirão de controvérsias, o jogo de volta, no Estádio Jorge Luis Hirschi, em 25 de setembro, tratou de recordar que a Libertadores tem uma estética própria, e ela costuma eleger seus narradores na marca da cal. A densidade emocional da noite em La Plata – gol no final do primeiro tempo, gol anulado depois, o pacto com a sobrevivência nas mãos do goleiro – condensou tudo o que os livros gostam de chamar de "grandeza do imprevisível". O Flamengo perdeu o jogo, mas desenhou a própria passagem com um conjunto de pequenas decisões, e encontrou num gesto repetitivo – voar para o canto, esticar a luva, domar o instante – a assinatura necessária para atravessar o rio e chegar do outro lado, desta vez mais uma semifinal. A imprensa descreveu o camisa 1 rubro-negro, o argentino Agustin Rossi, como o herói, e a classificação como "sofrida", o que, em "idioma de Copa", significa autêntica!


A noite em La Plata tinha outra densidade. O estádio do Estudiantes, com suas arquibancadas íntimas e a acústica de panela de pressão, parecia conspirar para que cada passe rubro-negro se tornasse um teste de nervos. Os argentinos foram ao chão como quem conhece o território ao milímetro: pressão alta, bolas aéreas milimétricas, segundas bolas disputadas como pedaços de pão. O Flamengo, que muitas vezes sabia sofrer, desta vez precisou aprender a respirar. O primeiro tempo terminou com um punhal discreto: Benedetti, em chute que vibrou no ar como fio de navalha, fez 1 a 0 e igualou a série no agregado. O detalhe cruel de ser no fim da etapa empurrou o jogo para aquele território em que o relógio lateja.

A partir dali, o duelo ganhou tons de jogo de xadrez. Filipe Luís mexeu no tabuleiro com frieza pouco comum em noites de avalanche emocional: tirou nomes pesados, protegeu zonas, travou as laterais com dobras de marcação, aceitou não ter a bola por instantes longos, como quem aceita perder metros para não perder o mapa.


O Estudiantes chegou a balançar a rede de novo com Benedetti, mas a arbitragem de vídeo traçou suas linhas, reconstituiu o lance e apontou o impedimento. Incompreensível que o auxiliar não o tenha visto em campo, sem a necessidade de ajuda de revisão, dado que tamanha era a distância a frente de Léo Ortiz. O segundo gol, que mudaria a gravidade da noite, evaporou como um espectro.

O tempo curto, a perna pesada, a mente ruidosa: faltou um último gesto de precisão a ambos. Quando o apito final escancarou os pênaltis, a Libertadores mostrou sua face mais cruel e mais lírica – o salão das decisões em que os heróis costumam ser goleiros, e os vilões, a matemática banal do erro. Houve mãos na cintura, olhares para o chão, orações silenciosas, brados nas redes. Agustín Rossi, que já tinha uma história com grandes noites, abriu uma nova página ao defender as cobranças de Benedetti e de Ascacíbar – e, com isto, anotou o seu nome no registro dos duelos que são ganhos saboreando-se cada pedaço.




A coreografia das cobranças de penalidades teve de tudo. As passadas curtas e frias, os goleiros tentando ler calcanhares, os olhos que denunciam o canto um milímetro antes da batida. Do lado argentino, Benedetti – algoz no tempo normal – reencontrou Rossi, e desta vez perdeu. Quando Ascacíbar colocou a bola e mediu a passada, a arquibancada fez o barulho que se faz quando se deseja que um homem erre – e o homem errou, porque Rossi empurrou a bola para fora com um tapa de aço. Do lado rubro-negro, a precisão foi suficiente para erguer a ponte em cima do abismo. Um, dois, três, quatro: o trajeto que começa no meio-campo, termina na marca da cal, e, se tudo dá certo, continua numa corrida até o abraço.



Quando a última cobrança beijou a rede, não houve catarse: houve alívio. O tipo de alívio que desmancha ombros e transforma o grito num soluço breve. O Flamengo, que havia vencido no Rio, perdido em La Plata, e sobrevivido na marca fatal, saía de uma eliminatória que será lembrada por detalhes fora do comum: a expulsão corrigida horas depois, os pênaltis discutidos que nunca vieram, a acusação de que o quarto árbitro atravessara a fronteira invisível entre a função de organizar e a de orientar, e a mão seguríssima de Rossi na disputa final. O saldo, enquanto narrativa, parece o de uma velha enciclopédia de Copa Libertadores da América: noites aquecidas por polêmicas, campo inclinado por catarses instantâneas, e uma classificação que tem mais cicatriz do que brilho.


Uma eliminatória se organizou em quatro linhas: no enredo técnico, o Flamengo foi superior no Rio de Janeiro por uma hora e oscilou depois, o Estudiantes empurrou em La Plata e quase virou. No equilíbrio final – 2 a 2 no agregado – um espelho fiel da soma de virtudes e imperfeições. No enredo disciplinar, a expulsão de Gonzalo Plata numa inversão da falta, transformando-se no símbolo de uma noite fora da curva, a ponto da confederação, em gesto raro, retirar o cartão no dia seguinte. A decisão salvou o elenco de um desfalque pesado na volta, mas não devolveu os minutos jogados com um a menos. No enredo institucional, as queixas do Flamengo e o discurso duro de José Boto pedindo atenção da Conmebol reavivaram a discussão sobre a governança da arbitragem no continente, enquanto o caso do quarto árbitro e a negação de Domínguez apontaram para um terreno ainda nebuloso de protocolos a clarificar. E no enredo dos heróis: Benedetti e o gol da esperança, Filipe Luís e as escolhas frias sob calor insuportável, e Rossi como o homem que fechou a porta quando tudo mais parecia aberto. Há noites em que a classificação é uma geografia de pequenas defesas: duas mãos, duas bolas, duas quedas, e uma semifinal ao alcance: Flamengo x Racing.

A memória fará o seu trabalho de cinzelar as arestas. Provavelmente, o torcedor lembrará mais do pulo de Rossi do que do toque sutil em Lino, mais da corrida até o abraço final do que do botão da cabine da arbitragem de vídeo. Mas, para quem escreve a história, é preciso guardar as camadas. A ida no Maracanã, com seus diálogos laterais, cartão com volta atrás, pênaltis que não vieram e interpretações que se chocam, foi tanto um jogo de futebol quanto um laboratório de protocolar o caos. A volta na Argentina, com sua neblina de nervos, foi a prova de que a Libertadores não é apenas um campeonato: é um modo de existir no futebol, com códigos próprios e tribunais invisíveis.

Se alguma moral precisa ser tirada, talvez seja esta: nas noites grandes, a verdade do jogo se reparte. Uma parte é bola, quilates de técnica e planos, outra parte são os homens de preto e suas decisões, certas ou não, e uma terceira parte, sempre decisiva, são os goleiros, esses especialistas em interditar o destino. No confronto entre Flamengo e Estudiantes, em setembro de 2025, todas as porções ficaram à vista. E, quando a última bola de pênalti cruzou a linha, foi possível ouvir, no mesmo segundo, a queda de um mundo em La Plata e a ascensão de outro no Rio. A semifinal estava garantida; o resto, como convém às grandes histórias, ficará disputando espaço entre o arquivo e a lenda. Dias e minutos de epopeia!


quarta-feira, 17 de setembro de 2025

RAIO-X: Flamengo Tri-Campeão da Libertadores 1981 - 2019 - 2022


Vamos fazer aqui um raio-x completo dos times do Flamengo que entraram em campo no jogo decisivo que selou a conquista dos títulos de Campeão da Copa Liberadores da América em cada uma das edições. Um retrato não só do 11 titular, como também dos três reservas mais utilizados em cada uma das campanhas, de forma a ter uma visão comparativa das 14 peças mais utilizadas em cada campanha. Um raio-x da defesa, do meio de campo, do ataque, e do banco de reservas.

1981
Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Nei Dias.
Técnico: Paulo César Carpegiani
Outros: Figueiredo, Baroninho e Lico

2019
Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Mari e Filipe Luís; Willian Arão, Gérson e Arrascaeta; Bruno Henrique, Gabigol e Éverton Ribeiro.
Técnico: Jorge Jesus
Outros: Piris da Motta, Diego Ribas e Vitinho

2022
Santos, Rodinei, David Luiz, Léo Pereira e Filipe Luís; João Gomes, Thiago Maia e Arrascaeta; Gabigol, Pedro e Éverton Ribeiro.
Técnico: Dorival Júnior
Outros: Ayrton Lucas, Arturo Vidal e Éverton Cebolinha


DEFESA

Goleiros


Lateral Direita


Zaga pela Direita


Zaga pela Esquerda


Lateral Esquerda


Na média de idade, uma escadinha das defesas. O sistema defensivo de 1981 tinha apenas 27,1 anos de média de idade, a de 2019 tinha 31,1 anos, e a de 2022 era a mais experiente das três, com 32,6 anos de idade na média.


MEIO DE CAMPO




No meio de campo, médias de idade muito parecidas, tendo sido de 26,3 em 1981, o mais experiente das três, e quase iguais entre os titulares de 2019 e de 2022, com um meio com pouco mais de 25 anos como idade média.


LINHA DE FRENTE




A média de idade da linha de frente apresenta uma escadinha também, assim como a da defesa. O sistema ofensivo de 1981 tinha 26,6 anos de média de idade, em 2019 tinha 27,6 anos, e em 2022 tinha a mais experiente das três, ,as apenas um pouquinho a mais, com 28,4 anos de idade na média.



TIME TITULAR

Médias de idade dos 11 jogadores que entraram em campo na partida que selou a conquista do taça, em 1981 o terceiro jogo, de desempate, contra o Cobreloa, em 2019 no jogo único contra o River Plate em Lima, e em 2022 no jogo único contra o Athlético Paranaense em Guayaquil:


Na mediana de idade destes mesmos 11 jogadores:


OUTROS 3+




ELENCO COM 14 + USADOS

Médias de idade do Elenco de 14 jogadores mais destacados nas campanhas de conquista das edições da Copa Libertadores da América de 1981, 2019 e 2022: