Mostrando postagens com marcador Televisão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Televisão. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Lições na Geração de Engajamento de Torcedores


Reflexão do blog Além das 4 Linhas, publicado sob o título: "Como as organizações esportivas vêm mudando sua percepção sobre o engajamento dos torcedores", publicado em 10 de fevereiro de 2022. Abaixo, a íntegra do texto:


Rui Biscaia, renomado pesquisador de engajamento de torcedores, deu uma excelente entrevista para o Instituto Johan Cruyff e explicou como as organizações esportivas vêm mudando sua percepção sobre o engajamento dos torcedores: "Os fãs têm voz e as organizações devem saber como reagir às mensagens deles, mesmo que sejam críticas".


Segue abaixo um resumo da entrevista.

Definição

O engajamento dos fãs é normalmente percebido como curtidas, tweets, compartilhamentos, mas, na verdade, o engajamento dos fãs é muito mais do que isso. Tem uma componente online e uma componente offline, e refere-se às interações voluntárias dos torcedores adeptos com o seu clube, seja online ou offline, para criar valor, para acrescentar valor ao clube, quer diretamente através de vendas, compra de produtos, participação em jogos, mas também indiretamente através de recomendações, voluntariado, ajuda ao clube e muitas outras coisas.

Isso implica ter uma conexão emocional com o clube, pensamentos positivos e, claro, essas duas coisas muitas vezes se traduzem no que se chama de comportamentos transacionais e não transacionais. O engajamento transacional está relacionado à troca direta de dinheiro, esforço e tempo. Quando os torcedores, por exemplo, assistem a jogos ao vivo, quando assistem a jogos na televisão, quando acompanham o time em outras plataformas de mídia, quando compram ingressos para a temporada, quando pagam anuidades, quando compram recordações, tudo isso são exemplos de comportamentos de engajamento transacional.

Os comportamentos não transacionais referem-se a outras atividades que agregam valor à equipe e não estão diretamente relacionadas ao consumo ou com benefícios econômicos para a equipe. Então, coisas como seguir o time pelas redes sociais, interagir com outros amigos online, ajudar outros torcedores navegando no site, navegando nas melhores práticas do time, rituais de apoio no estádio para apoiar o time, voluntariado para eventos esportivos, ajudando o time, participando de fóruns de discussão para ajudar a equipe a criar novos serviços – todos esses são exemplos de engajamento. Em resumo o engajamento dos torcedores se refere a todas as atividades online ou offline que são realizadas pelos torcedores para ajudar o time e outros torcedores, seja de forma direta ou indireta.

Evolução do conceito

Na década de 1990 a maioria das organizações, principalmente nos Estados Unidos, se preocupava com a transação, como eles poderiam fazer os fãs comprarem mais ingressos, mais mercadorias. No início dos anos 2000 as coisas mudaram um pouco e as organizações esportivas, principalmente as mais profissionais, se esforçaram para desenvolver um melhor relacionamento com os torcedores, oferecendo melhores serviços para que os torcedores ficassem satisfeitos e fidelizados.

Por causa das mídias sociais os torcedores agora têm a oportunidade de interagir com seus times 24 horas por dia, 7 dias por semana. Engajamento dos fãs é mais do que garantir que os serviços sejam bons, é principalmente engajá-los, garantir que os torcedores possam interagir com o time sempre que quiserem. É uma evolução da ideia de relacionamento para a ideia de engajamento.

Agora, não basta que eles recomendem um amigo para assistir a um jogo no Camp Nou e fiquem felizes. Isso não é suficiente porque os torcedores querem interagir com o FC Barcelona enquanto estão em casa, eles querem interagir com outros torcedores do Barcelona, fazer parte da comunidade. Então, essa ideia de engajamento dos fãs está relacionada a isso. É o que permite que equipes, torcedores e outras partes interessadas estejam sempre conectadas.

Objetivos

O objetivo do engajamento dos fãs é garantir que os fãs estejam em contato uns com os outros, que sejam parte da comunidade, que possam ajudar a equipe e a equipe possa ajudá-los a criar uma vida e valor mais significativos para todas as partes envolvidas. Obviamente, o engajamento dos fãs está relacionado aos benefícios para o time, mas é mais do que isso. Todo time quer ter torcedores altamente engajados, mas às vezes torcedores altamente engajados também podem ser prejudiciais para as organizações esportivas por causa das críticas contínuas, alguns comportamentos disruptivos, mensagens negativas nas mídias sociais entre outros.

Entender os consumidores é uma das coisas que é importante. Moldar o comportamento dos fãs também é importante, mas principalmente a ideia é criar um processo de comunicação de mão dupla. Permitir que os torcedores tenham voz, que ajudem o time, que se sintam parte da comunidade e que aprendam com isso a melhorar os serviços do time e a relação clube-torcedores.

A influência da tecnologia e o redimensionamento do engajamento dos fãs

A tecnologia agora permite que os torcedores estejam conectados com seus times 24 horas por dia, 7 dias por semana, cria muitos pontos de contato, cria uma comunicação bidirecional, permite que os clubes moldem o comportamento dos torcedores, permite que as organizações esportivas moldem sua estratégia. Não se trata apenas de redes sociais e tecnologia, mas pense na Super Liga e nas críticas dos fãs nas redes sociais. Os fãs agora têm voz, eles são empoderados parcialmente por causa das mídias sociais e outros desenvolvimentos tecnológicos.

Embora a tecnologia tenha sido o principal impulsionador, a experiência ao vivo é muito importante e continuará sendo de maneiras diferentes. As pessoas ainda querem estar lá para assistir ao jogo ao vivo, ver Messi jogar, ver Pep Guardiola discutindo com os jogadores. Essa é a razão pela qual as pessoas gostam de esportes e sempre que as pessoas têm a possibilidade de assistir a um jogo ao vivo, elas ainda o farão. Depois disso, eles provavelmente vão tirar uma foto e postar nas redes sociais, mas isso é um complemento. A tecnologia é um complemento, promove experiências ainda melhores, mas não é o cerne, porque a essência do esporte é o jogo, a competição em campo, é o ambiente emocional.

Ferramenta para conhecer o comportamento das novas gerações e a dificuldade de identificá-los

Existem plataformas para ajudar a monitorar os comportamentos de diferentes indivíduos, mesmo que não sejam identificados, mas com triangulação de dados em diferentes plataformas e técnicas avançadas de coleta de dados, sempre é possível. Por outro lado, é diferente o que dizem do que fazem. As gerações mais jovens, principalmente, não gostam de ser rastreadas, mas seu comportamento nas mídias sociais permite que as pessoas rastreiem o que fazem e, se eles entendem que estão ajudando os atletas ou o clube, eles normalmente aceitam e gostam de participar.

Monitorar essa triangulação de dados, técnicas avançadas de coleta de dados, aplicar pesquisas regulares, estar em contato com eles nas mídias sociais, tudo isso é possível ainda estar em contato com eles e entender o que eles sentem.

Aprendizados e melhores práticas com a Covid 19

A ideia de ter fãs remotos além de fãs ao vivo pode ser algo que algumas organizações farão no presente e no futuro. Passeios virtuais remotos também são algo que acredito ser útil, chats ao vivo com atletas. Uma das lições do Covid é que a tecnologia precisa ser usada para tornar as organizações esportivas mais inclusivas para garantir onde você está, você ainda faz parte da comunidade. As organizações esportivas provavelmente começam a olhar não apenas para como os fãs podem beneficiá-los, mas como podem beneficiar os fãs.

Algumas organizações realmente fizeram coisas muito boas e usaram plataformas de mídia social para ajudar os fãs e as comunidades. Podemos continuar adotando as melhores práticas que foram adotadas durante o Covid e a tecnologia desempenha um grande papel nisso.

Aprendizados com a indústria de e-sports para as organizações esportivas aumentarem o envolvimento dos fãs

Os e-sports estão aqui para ficar, quer as pessoas gostem ou não. Os e-sports podem ser, e já são em muitos casos, um bom caminho para se conectar especialmente com consumidores jovens, para ajudar os consumidores mais jovens a se conectarem com atletas, para promover algumas atividades offline do clube para garantir a adesão dos times. Além disso, alguns dos recursos desses esportes podem realmente ser úteis para as equipes aprenderem a se conectar online com os fãs.

Ainda há uma área cinzenta em torno do e-sports em coisas como comportamentos viciantes, problemas relacionados à saúde. Podemos e devemos aprender com os e-sports e usá-los como forma de atrair consumidores jovens, com certeza, mas precisamos ter cuidado. Se você pensar em times de futebol e jogadores de futebol, eles têm um papel muito importante na sociedade, influenciam muitas pessoas.

Precisamos ter cuidado em como usar o e-sports, e precisamos pesquisar e aprender mais sobre e-sports para garantir que possamos usá-lo para o bem de todos e que não prejudiquemos a mente das pessoas e que nós não fazemos algo que é prejudicial para a sociedade. Então, o esports pode ser usado para gerar mais benefícios financeiros para as equipes, pode e deve ser uma raiz para o engajamento, mas precisamos ter cuidado com algumas práticas prejudiciais, e precisamos aprender um pouco mais sobre as coisas boas para evitar as coisas ruins dos e-sports.


Reflexões do Blog A NAÇÃO sobre o conteúdo acima:

1. O Flamengo tem sido, nos últimos anos, pioneiro na aceleração deste engajamento entre os clubes brasileiros. Isto não quer dizer que não haja ainda coisas a serem aprendidas com estratégias que são adotadas por outros clubes. Um dos pilares que podem gerar mais engajamento seria a construção de um "Fórum de Discussões Contínuas sobre o Flamengo". Quase uma Rede Social própria... Mas isto exige investimento em Engajadores de Ideias, Geradores de Conteúdo Permanente e em Moderadores. Pessoas profissionais responsáveis por não deixar que o Fórum se transforme num "Muro das Lamentações", numa arma de "Manipulação Política", ou numa área comum de despejo de raiva coletiva através de "Críticas Contínuas e Sistemáticas". As redes sociais como um todo estão aí como o grande exemplo de que é muito, mas muito mais, fácil jogar pedra e criticar tudo e qualquer coisa sempre, do que ser propositivo e construtivo.

2. A FlaTV tem acertado a mão na estratégia de exposição do dia a dia interno do Ninho do Urubu e de demais dependências do clube. Mas há lições de riscos grandes que o excesso de exposição de intimidades e cotidiano podem trazer. O grande exemplo vem do surf, onde o multi-campeão Gabriel Medina transformou sua rotina quase num reality show, do qual se tornou refém, até chegar a um colapso emocional que o levou a precisar dar um tempo das competições oficiais. Há muitas lições que este episódio ensina sobre até onde deve ou não ir a exposição do lado pessoal e do vestiário para a geração de conteúdo. Há um risco que precisa ser trabalhado por estruturas profissionais para não deixar a coisa toda causar um efeito bumerangue nocivo à saúde emocional de jogadores e comissões técnicas. Até aqui, a FlaTV tem acertado a mão em sua estratégia.

3. A imprensa esportiva e o enorme viés clubístico e bairrista de seus profissionais e de seus programas esportivos abrem uma enorme oportunidade de geração de conteúdos próprios na FlaTV que ainda é subaproveitado. Ainda falta investimento em profissionais para realizar análises aprofundadas casadas à edição de imagens das transmissões. É preciso uma geração de conteúdo para rubro-negros, que não aguentam as excessivas malhações enviesadas da imprensa paulista e demais jornalistas arco-íris. Mas tudo tem que ser feito com profissionalismo. Apesar de análises e comentários enviesadamente feitos para rubro-negros, é preciso racionalidade para não se deixar levar por ufanismos e sensacionalismos fanáticos. É investimento em profissionais para falarem aos rubro-negros com seriedade, razão, lógica e profissionalismo, sem falta de respeito com os adversários, sem fanfarronices. Neste aspecto, a FlaTV ainda tem muito a crescer e se desenvolver.


quinta-feira, 24 de março de 2022

Flamengo vira dor de cabeça para TV Globo e pode alterar programação da emissora

 
Texto abaixo escrito por Bruno Guedes para o site Mundo Rubro-Negro:

A vitória do Flamengo por 1 a 0 sobre o Vasco no Maracanã, pelo Cariocão, levou a Record TV à liderança da audiência. De acordo com o site Teleguiado, especialista em televisão, a partida teve média de 19,8 (20) pontos contra 11,5 (11) da TV Globo. Os números são referentes à região metropolitana do Rio de Janeiro. A nova derrota voltou a incomodar a direção da emissora carioca.

O índice da concorrente preocupa a TV Globo para as finais do Estadual. No horário do futebol, a emissora carioca vem exibindo The Masked Singer Brasil, um dos programas com melhores audiências do canal. Mas a tentativa de segurar o Ibope não vem dando certo. O canal dos Marinho repetiu a vice-liderança, com a Record em primeiro.

Entretanto, os números mais expressivos vieram do pico de audiência: 23,8 pontos, registrado no segundo tempo do jogo. É um novo recorde, superando 19,5 pontos, do mesmo Flamengo x Vasco, mas na primeira fase do Campeonato Carioca.

Os dados viraram dores de cabeça para a Globo. Sem os direitos de transmissão dos jogos do Cariocão, o canal adotou a estratégia de apostar num público diferente do esportivo. No entanto, vem se mostrando ineficaz e derrubando a audiência do reality e do Domingão com Huck.

O temor da emissora é que seja prévia dos próximos meses. Além do Estadual do Rio, a Globo não poderá exibir a Libertadores. A competição continental segue com o SBT na TV aberta, os canais ESPN no circuito fechado, o Facebook em transmissões pela internet e os serviços de streaming Conmebol TV e Star+.

Flamengo foi a equipe com maior média na audiência do Campeonato Carioca de 2021

Há motivos para a TV Globo estar preocupada com o futebol. No ano de 2021, o Flamengo se consolidou como a maior audiência da Record no Campeonato Carioca. Somando os jogos exibidos, o clube alcançou média de 12,9 durante a competição contra 6 dos rivais. Assim, dos cinco maiores índices, apenas um não foi em partida do Rubro-Negro.

Cada ponto na cidade equivale a 49.809 domicílios e 125.721 indivíduos. Assim, cerca de 1,6 milhão de pessoas assistiram o duelo, em média. Entretanto, como no clássico contra o Botafogo, a Record chegou a ter a liderança no Ibope do Distrito Federal e foi recorde no Rio de Janeiro.







segunda-feira, 4 de outubro de 2021

A Quebra de Monopólio da Rede Globo: futebol paulista segue Flamengo e muda estratégia, passando a transmissão do Campeonato Paulista para o streaming


Abaixo, a integra da matéria publicada pelo GE (GloboEsporte.com) às 11h de 4 de outubro de 2021, texto assinado por Rodrigo Capelo e Vicente Seda, sob o título "Sem Globo, FPF experimenta novo modelo para venda dos direitos de transmissão do Paulista":

Com apoio dos clubes, federação vendeu pacotes de partidas do torneio de 2022 para Record e YouTube. Entidade decide agora se terá pay-per-view próprio ou repassará direitos.

A Federação Paulista de Futebol (FPF) colocará em prática, a partir de 2022, um novo modelo para a venda da transmissão do Campeonato Paulista. Em vez de vender todos os direitos apenas para a Globo, como fez nos últimos anos, a entidade experimentará a comercialização de pacotes de jogos para variadas plataformas.

Duas parcerias foram fechadas até o momento. Na TV aberta, os direitos foram comprados pela Record. A emissora adquiriu a transmissão de 16 partidas. Na internet, o YouTube também comprou um pacote com 16 jogos – que inclui 12 da fase de grupos, uma das quartas de final, uma semifinal e os dois confrontos na decisão. Os únicos dois confrontos que coincidem no acordo com ambas as empresas são os dois jogos da final.

A FPF agora avalia se fará a transmissão de todas as partidas em plataforma própria, o Paulistão Play, viabilizado pela startup LiveMode, ou se também repassará os direitos de pay-per-view. O Premiere, da Globo, é uma das possibilidades. A entidade também estuda vender um novo pacote de jogos, desta vez para TV fechada.

O novo modelo para a venda dos direitos de transmissão foi conduzido pela federação, com a validação de todos os clubes que participam do estadual. Esta é a primeira negociação que segue as diretrizes da Lei do Mandante, aprovada pelo Congresso brasileiro em agosto.

Valores vêm sendo mantidos em sigilo por todas as partes do negócio: clubes, federação e parceiros. O contrato em vigor até 2021, com a Globo, estava em R$ 225 milhões anuais. Após a pandemia e a mudança da postura da emissora no mercado, esse número é difícil de repetir.

Após adquirir 16 partidas do Campeonato Paulista, o YouTube partiu ao mercado publicitário para encontrar patrocinadores para seu pacote de futebol. A empresa, de propriedade do Google, precisará captar mais dinheiro do que gastou na compra dos direitos para lucrar.

De acordo com a apresentação comercial, obtida pela reportagem, a companhia criou quatro cotas estimadas em R$ 19,5 milhões cada. Potencialmente, portanto, o faturamento poderá chegar a R$ 78 milhões. Na prática, é comum que descontos sejam concedidos.

Além da transmissão em si do Campeonato Paulista, o YouTube oferece ao mercado a visibilidade em canais de clubes, na exibição do Paulista Feminino e em criadores de conteúdo – "Desimpedidos" e "Passa a Bola".

Os resultados que a empresa obterá em 2022 servirão, de certa forma, como sinalização ao mercado sobre o futuro da transmissão do futebol. A entrada dos gigantes da tecnologia é aguardada por dirigentes, sobretudo em negociações maiores, como a do Campeonato Brasileiro.

Até a edição de 2021, a Globo desembolsava R$ 225 milhões por ano para adquirir todos os direitos de transmissão do Campeonato Paulista. Esse valor inclui os pagamentos a todos os clubes, que por sua vez cediam parte de suas receitas para a federação estadual.

A emissora fez propostas para adquirir os direitos de TV aberta de 2022, mas se retirou da disputa. Consultada pela reportagem, a direção da Globo afirma que "a escalada dos valores dos direitos esportivos impôs uma revisão no investimento" que faz no futebol.

– Temos enorme respeito e reconhecimento pela Federação Paulista de Futebol e pelo Paulistão e a certeza de que, ao longo dos anos, tanto a Globo como o futebol paulista se beneficiaram mutuamente desta parceria. Somos o maior parceiro e investidor do esporte e do futebol em especial no Brasil. Papel que desempenhamos há algumas décadas – afirma a emissora ao ge.

– Nos últimos anos, vivemos um período de transição nos negócios no esporte e na mídia como um todo. A escalada dos valores dos direitos esportivos nos impôs uma revisão no investimento do portfólio de todas as janelas, com inúmeras decisões de investimento, sempre mirando a sustentabilidade dos negócios. Nos negócios nem sempre se conciliam possibilidades e expectativas. Foi o caso.

A saída do Paulista coloca pontos de interrogação sobre o modelo que a emissora adota no futebol há muitos anos, sobretudo no pay-per-view, o Premiere. Sem as partidas dos estaduais de São Paulo e Rio de Janeiro – que fez em 2021 sua edição sem a Globo –, o apelo comercial do produto perante o público será reduzido, pois terá menos partidas.

Apesar de ainda existir a possibilidade de um acerto entre FPF e Globo para os direitos de pay-per-view, a negociação não é simples. Isso porque a federação decidiu lançar em janeiro deste ano uma plataforma própria, o Paulistão Play. Para a exibição dos jogos no Premiere, teoricamente, teria de haver exclusividade. Esses produtos concorreriam.

Sobre o pay-per-view do Paulista, a Globo afirma que "mantém o diálogo e avalia possibilidades". Questionada pela reportagem sobre o impacto que a saída desse estadual causará no Premiere, a empresa diz que ainda conta com a maior oferta de conteúdo nesse tipo de plataforma, considerando os demais campeonatos sob contrato.

Leia o posicionamento da Globo sobre o Premiere na íntegra:

"O Premiere tem representado, há anos, a maior e mais completa oferta do futebol brasileiro (principais estaduais, Copa do Brasil, Séries A e B), colocando à disposição dos torcedores assinantes uma grande oferta de jogos, de maneira organizada. Valorizamos todos os campeonatos do futebol brasileiro, incluindo o Paulista.

É importante ressaltar também o impacto positivo do Premiere no futebol nacional, com ganhos crescentes para os clubes e as federações parceiras. Nesta sociedade os clubes são remunerados nos meses de campeonato nacional com uma participação da receita, ponderada pelo percentual de cadastro de cada torcida.

A ausência de oferta de um Estadual fragmenta a experiência para o torcedor dos times deste estado, o que pode gerar impacto na remuneração dos clubes durante os campeonatos nacionais, seja por reduzir a receita ou por alterar a proporção da torcida na base.

O Premiere continuará oferecendo conteúdo de qualidade com base nos direitos que adquirimos e em modelos de negócios que sigam gerando, de forma sustentável, benefícios para os clubes, para os torcedores e para a Globo."

A tentativa paulista não é a primeira. Em 2021, o Campeonato Carioca foi disputado sob um novo modelo de direitos de transmissão. A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) também optou por fragmentar os direitos de seu estadual entre vários parceiros.

Em resumo, a competição teve menos audiência e arrecadou menos do que seu contrato anterior rendia. Considerando os valores que chegam até as contas bancárias dos clubes, o montante passou de R$ 120 milhões anuais, até 2019, para menos de R$ 20 milhões em 2021.

Houve muitas queixas de demora nos repasses e boa parte da verba acabou consumida por custos de produção do campeonato.

Nos bastidores, os responsáveis pelo Campeonato Paulista evitam a comparação com os vizinhos. A entrada de um parceiro com o porte do Google, que não existiu no caso carioca, dá impulso à esperança por resultados melhores para os clubes e para a federação em São Paulo.

Ambos os estaduais são experimentos que influenciarão na maior negociação de direitos de transmissão do futebol nacional, a que envolve o Campeonato Brasileiro, cujos contratos atuais estão em vigor até 2024. O sucesso – ou o fracasso – dos novos modelos dará base para que dirigentes tomem as próximas decisões.



sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Semi-finais da Libertadores 2021: mais uma demonstração da força diferenciada de audiência que tem o Flamengo


Jogo do Flamengo contra o Barcelona de Guayaquil pela semi-final da Copa Libertadores atingiu 15 pontos de audiência e bateu o recorde da TV Paga (por assinatura). A partida transmitida pela Fox Sports bateu o recorde de audiência da TV paga em 2021, marcando 14 pontos de média com ápices de 15 pontos. De acordo com o portal Notícias da TV, o canal do grupo Disney ficou atrás apenas da Rede Globo.

Ao fim do primeiro tempo, a partida alcançou 14 pontos de média, liderando a audiência da TV paga. O SporTV marcava 0,5 pontos com a transmissão de Ponte Preta e Operário pela Série B do Brasileirão. Só neste intervalo, o jogo do Flamengo já era assistido por 2,9 milhões de domicílios.

O recorde de audiência na TV paga em 2021 já era do Flamengo, com a vitória contra o Olímpia, do Paraguai, pelas quartas de final da Libertadores. Naquela oportunidade, a Fox Sports registrou 12 pontos de média com picos de 14.


Apesar do duelo decisivo entre dois brasileiros na outra semi-final, um dia antes, o confronto entre Palmeiras e Atlético Mineiro levou um banho de audiência da Rede Globo, porém garantiu o 2º lugar na grade de programação do horário. O SBT exibiu, com exclusividade na TV Aberta, o primeiro jogo da semi-final da Libertadores, e no horário da transmissão das 21:30h às 23:22h conquistou a vice-liderança absoluta em 10 capitais: Manaus, Distrito Federal, São Paulo, Fortaleza, Goiânia, Rio de Janeiro, Belém, Recife, Florianópolis e Porto Alegre.

Em São Paulo, a transmissão do confronto rendeu ao canal a maior média, com 15,3 pontos, 22,9% de share e 17,2 pontos de pico. O índice foi 82% superior ao registrado pela TV Record, que na mesma faixa de exibição. No mesmo horário, a TV Globo obteve 24,4 com o tripé "Jornal Nacional", novela "Império" e reality "The Masked Singer Brasil". A TV Record obteve 8,3 com o tripé novelas "Gênesis" e "Quando Chama o Coração" e o reality show "A Fazenda 13". Entre 22h47 e 23h25, o SBT marcou o dobro da Record, vencendo por 16,4 a 8,6. Cada ponto de audiência corresponde a 76,5 mil domicílios sintonizados, ou 205.377 telespectadores.

Em Brasília, o SBT incomodou a Globo e alcançou a liderança durante 55 minutos consecutivos, das 22h27 às 23h22. Na média geral da transmissão, das 21h30 às 23h22, Palmeiras e Atlético fechou na vice-liderança com 16,1 pontos de média, 26% de share e 19,3 pontos de pico, o melhor desempenho em audiência da Libertadores no SBT desde a estreia da temporada 2021 da competição sul-americana. O índice foi 220% maior que o registrado pela Record, que ficou com apenas 5 pontos de média. A líder cravou 17,3 pontos de média.

Mesmo com duas equipes de fora do Rio, o SBT também obteve bons índices na capital fluminense, fechando na segunda colocação isolada no Rio de Janeiro ao registrar 9,4 pontos de média, 15% de share e 11 pontos de pico. Índice 25% superior ao registrado pela Record, que marcou 7,5 de média na mesma faixa horária. A Globo ficou com 26,5 pontos de média.

Em Porto Alegre, considerando o horário de bola em campo, das 21h30 às 23h22, o SBT fechou com 51% mais de audiência do que a TV Record. Na média geral, marcou 7,3 pontos de média, 12% de share e 9 pontos de pico. A Globo fechou com apenas 4,8 pontos de média e a líder com 23,8. Em Manaus, o SBT alcançou seu melhor desempenho entre todas as praças aferidas, registrando 20,2 pontos de média. A Globo ficou com apenas 3 pontos de vantagem e fechou com 23,1 e a Record com apenas 5,4 pontos de média. Em Goiânia, a diferença para a Globo também foi pequena: apenas 1,7 ponto separou as duas emissoras. O SBT marcou 13 pontos de média e a líder fechou com 14,7 pontos de média. A Record registrou 9,4 pontos de média. Em Fortaleza, o SBT alcançou 13,5 pontos de média contra 5,6 da Record e 22,6 da Globo. Em Belém, o SBT registrou 9,4 pontos de média, contra 7,6 da Record, com a Globo marcando 25,4 de média. Em Recife, o SBT fez 9,2 pontos de média, com a Record ficando com 6,5 pontos de média e a Globo 21,4. Em Florianópolis, o SBT teve 7,6 pontos de média, a Record marcou 4,3 pontos e a Globo encerrou com 22,9.

Apesar da satisfação interna no SBT por ter desbancado a Record e alcançado a vice-liderança, o resultado não foi bom, pois o jogo Palmeiras x Atlético-MG registrou a pior audiência da história de uma semi-final de Copa Libertadores da América transmitida no Brasil! Uma audiência bem abaixo do que a competição obteve historicamente quando chegou a esta fase. Como parâmetro: no jogo de volta da semi-final de 2020, quando o River Plate venceu ao Palmeiras por 2 a 0, um resultado que classificou os palmeirenses à final, o SBT alcançou 18 pontos de média, com picos de 23, ficando em primeiro lugar durante 40 minutos de jogo.


Para dar outro parâmetro: na semi-final de 2019, por exemplo, entre Flamengo e Grêmio, que terminou com goleada rubro-negra por 5 a 0 no Maracanã, os dados consolidados de audiência da partida representaram grandes números em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Na capital paulista, o jogo marcou 32 pontos de audiência com 48% de participação, marcando o recorde da Libertadores em 2019, inclusive frente aos jogos envolvendo times paulistas. Em Porto Alegre, o jogo obteve 46 pontos e 66% de participação, também recorde na Libertadores em 2019, superando em 2 pontos (5%) a audiência do primeiro jogo da semi-final da Libertadores entre Grêmio e Flamengo. Além disso, foi a maior audiência da Libertadores desde a final entre Grêmio e Lanus em 2017, que registrou 51 pontos.

Na capital fluminense, os índices foram extremamente imponentes: 52 pontos de média, com 55 de pico e 70% de participação. Ou seja, 7 em cada 10 domicílios estavam ligados na partida. Foi a maior audiência histórica de um jogo da Libertadores no Rio de Janeiro, segundo a Rede Globo. A emissora diz que não se tem registro de uma audiência maior em partidas da competição desde 2000, quando foi estabelecido um novo parâmetro de medição de audiência. A audiência da partida se igualou a jogos decisivos da Seleção Brasileira. Foi a média mais alta desde as oitavas de final da Copa do Mundo de 2018, quando Brasil x México marcou 56 pontos no Rio de Janeiro. Excluindo os jogos da seleção, foi a maior audiência em 15 anos, desde que o Flamengo disputou a final da Copa do Brasil contra o Santo André (53 pontos), em 2004.



Veja também: 







segunda-feira, 23 de agosto de 2021

A Quebra de Monopólio da Rede Globo: o Pedido de Arrego Final

Depois de muitos embates e após as Organizações Globo usaram todas as suas armas de comunicação para dividir opiniões, deturpar fatos e tentar formar opiniões a favor de seus interesses econômicos próprios, em 23 de agosto de 2021, a Globo publica uma "Carta Aberta a Todos os Clubes das Séries A e B", um pedido de arrego final, dando-se por derrotada na guerra política em favor da Quebra de Monopólio proprciada pela Lei do Mandante.

O Projeto de Lei (PL) nº 2.336/2021 - que altera a Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998 - foi aprovado na Câmara dos Deputados em 16 de julho, e aprovado por unanimidade (60 votos a favor e nenhum contra) no Senado Federal em 24 de agosto de 2021, seguindo então para sanção do Presidente da República.


Eis abaixo a íntegra da Carta Aberta da Globo:

"Aos 40 clubes da Série A e B do Campeonato Brasileiro de Futebol 2021,

Nos últimos meses muito tem se falado da relação da Globo com o futebol. Alguns tentam nos colocar como opositores de vocês, clubes. Em quase cinco décadas de parceria e investimentos, temos certeza que nossos caminhos foram convergentes e tiveram objetivo comum: um futebol forte e equilibrado para o torcedor. Como em toda parceria, existiram divergências que foram resolvidas com diálogo e negociação, sem perder de foco o objetivo de fortalecer a maior paixão nacional.

Não podemos deixar de lembrar dessa história, que foi dedicada à valorização do esporte que é a paixão de todos nós. Desde a década de 70, a Globo transmite as competições dos clubes do futebol brasileiro. Na década de 90 ajudamos na organização do calendário e na padronização do sistema de disputas das competições nacionais. Em 1997 criamos com vocês o PPV do futebol nacional, do qual somos sócios. Em 2003 foi criada a fórmula de disputa atual do Campeonato Brasileiro, com o sistema de pontos corridos e, mais recentemente, a partir de 2019, construímos juntos um novo modelo mais justo e equilibrado de divisão de receita dos direitos transmissão, seguindo as experiências de sucesso das ligas europeias de futebol. Esses são alguns poucos exemplos importantes da nossa trajetória conjunta.

Acreditamos muito no futebol brasileiro e, por isso, nunca medimos esforços para desenvolvê-lo como um negócio lucrativo para todas as partes. Destinamos bilhões de reais aos direitos de transmissão todos os anos. Fora o alto investimento na promoção das competições, na contratação dos melhores profissionais para as transmissões e cobertura dos jogos e na implantação de tecnologia de ponta para entregar ao torcedor transmissão de alta qualidade nas diversas plataformas. Nenhuma outra empresa investe tanto, e com tanta consistência, no futebol nacional. Nossa esperança se amplia nesse novo momento em que o futebol aponta para uma maior união entre os clubes, algo que acreditamos ser fundamental para o melhor desenvolvimento do Campeonato Brasileiro.

Queremos aproveitar para reforçar e registrar aqui nosso entendimento de que a alteração na legislação trazida pelo projeto de lei, já aprovado na Câmara dos Deputados, que dá ao time mandante os direitos de arena, caso seja esse o desejo de vocês clubes, poderia ser mais um passo nessa evolução. Um avanço no caminho de dar mais autonomia e flexibilidade, desde que respeitados os contratos já celebrados, em prol da segurança jurídica de todo o sistema. Inclusive apoiamos a negociação coletiva dos clubes por seus direitos de transmissão, como ocorre nas principais ligas do mundo (mesmo em países que adotam na legislação o sistema dos direitos do mandante) para assegurar que os clubes consigam maximizar seus ganhos, sem causar desequilíbrio no mercado.

Independentemente do modelo de negociação, a Globo manterá sua parceria histórica com os clubes, suas Federações e com o futebol brasileiro, contribuindo para o desenvolvimento de todo o mercado e para o engrandecimento do espetáculo. Quem ganha são os torcedores de cada um de vocês, apaixonados por futebol, assim como nós.

Saudações esportivas.

TV Globo, SporTV, Premiere e GE (GloboEsporte.com)"


domingo, 28 de março de 2021

O posicionamento do Flamengo no mercado de transmissões esportivas e o streaming


Entrevista com o Vice-Presidente de Marketing do Flamengo, feita e publicada no site da Revista VEJA em 26 de março de 2021, em texto de autoria de Luiz Felipe Castro, o mesmo responsável pelo texto seguinte, publicado na própria Revista VEJA (edição nº 2.731).


FlaTV+, Globo e patrocínios: os planos do marketing do Flamengo

Dirigente Gustavo Oliveira cita trunfos e entraves de iniciativas como a plataforma própria de streaming e rebate críticas sobre sua gestão. Afirmou ele: "O modelo tradicional de TV Aberta funcionou e ainda funciona bem para o Brasil, mas não acreditamos que seja o modelo do futuro".

Clubes mundo afora, dos mais riscos aos mais endividados, buscam formas de amenizar os danos financeiros causados pela pandemia do novo coronavírus. No Brasil, até mesmo o atual bicampeão nacional Flamengo sofre com a ausência de sua torcida nos estádios, a fuga de patrocínios e também a desvalorização do Campeonato Carioca. O cenário caótico é alvo de críticas de parte dos rubro-negros, mas a direção garante trabalhar com responsabilidade e visando o futuro. Reportagem de VEJA desta semana detalhou as tendências do mercado de transmissões esportivas, com destaque para as negociações entre Amazon e Disney com grandes ligas como a NFL, e também para a iniciativa da FlaTv+, o novo canal de streaming do Flamengo.

Gustavo Oliveira, vice-presidente de comunicação e marketing do Flamengo falou à VEJA sobre as estratégias do clube. Ele negou qualquer animosidade com a TV Globo, a "maior parceira do futebol nacional e também do Flamengo", e se disse satisfeito com os novos acordos para o Estadual — transmitido em TV Aberta pela Record TV e via pay-per-view do Carioca nas operadoras Claro, Sky e Vivo e também nos aplicativos dos clubes, como a FlaTV+, cujo pacote completo custa R$ 129,90.

O dirigente comentou as críticas que seu departamento vem recebendo e citou entraves tecnológicos e culturais que atrasam a popularização das novas plataformas. "É um processo de aprendizado, para nós e para os torcedores, mas é um caminho sem volta", explica. "O modelo tradicional de TV Aberta funcionou e ainda funciona bem para o Brasil, mas não acreditamos que seja o modelo do futuro. Queremos estar preparados para tudo". Gustavo Oliveira também detalhou as dificuldades para negociar novos patrocinadores — há quatro espaços vagos no uniforme — e detalhou qual o cenário que projeta para os próximos anos. Confira a entrevista, na íntegra:

Como avalia o cenário das transmissões esportivas e o crescimento dos serviços de streaming como a FlaTV+?

Gustavo Oliveira: Fora do Brasil, a Amazon, Disney e outros players estão fazendo movimentações realmente grandes. Nós ainda estamos engatinhando, mas nossos movimentos visam o futuro, o plano é exatamente estar preparado para entrar nesse jogo. É plantar para colher daqui uns anos, embora já estejamos ganhando um bom dinheiro com a implantação da FlaTv e FlaTV+.

Trata-se, então, de uma espécie de “laboratório”?

Gustavo Oliveira: É um laboratório que já dá dinheiro. Estamos investindo muito neste projeto, que ainda não é tão reconhecido. É um processo de aprendizado importante e de posicionamento para o futuro. Pensamos o Flamengo não só para a nossa administração, é algo para os próximos cinco ou dez anos. O modelo tradicional de TV Aberta funcionou e ainda funciona bem para o Brasil, mas não acreditamos que seja o modelo do futuro. Queremos estar preparados para tudo.

Talvez alguns torcedores ainda tenham dúvidas: quais as diferenças entre a FlaTV e a FlaTV+?

Gustavo Oliveira: A FlaTV é nosso canal no Youtube, de graça, com mais de 6 milhões de seguidores, só atrás de Barcelona e Real Madrid entre os clubes de futebol, e aproximadamente 150 programas por mês. Ali, monetizamos diretamente com anunciantes. Já a FlaTV+ é um aplicativo pago que não terá só a transmissão dos jogo. Esse foi um processo acelerado no Campeonato Carioca, uma oportunidade que apareceu, mas o conceito a curto e médio prazo é fazer uma grande rede de assinatura. A FlaTV+ terá conteúdos premium, exibição de treinos, bastidores exclusivos e eventualmente jogos de futebol e outros esportes. Numa comparação mais simples, é como se a FlaTV fosse a Globo e a FlaTV+ mais o GloboPlay. Se a gente cobrar, por exemplo, 10 reais, imaginando uns 200.000 clientes, teremos 24 milhões de reais por ano, um número bem representativo para o futebol. A FlaTV+ será o canal do torcedor mais fanático, este é o conceito que estamos desenvolvendo, mas é um processo.

Quantos assinantes a FlaTV+ já tem?

Gustavo Oliveira: Não gostaria de abrir isso agora, mas é um número bastante razoável, estamos muito contentes com o resultado. E além do valor da FlaTV+, que fica 100% conosco, recebemos dinheiro também das operadoras de TV a cabo, cerca de 50% do pay-per-view do Carioca.

Nas redes sociais, muitos torcedores reclamam que não conseguem assistir aos jogos. A que se deve isso?

Gustavo Oliveira: Há muitas dificuldades, como as questões tecnológicas, fila virtual, ataque hacker. Há também questões culturais, leva tempo. É um processo de aprendizado, para nós e para os torcedores, mas é um caminho sem volta. O clube tem que ter plantel bom, boa estrutura, e também valorizar sua marca e seu conteúdo.

O brasileiro ainda não está pronto para ver futebol fora da TV Aberta?

Gustavo Oliveira: Há uma confusão grande em relação a isso. O jogo em TV Aberta passa como sempre foi, mas agora na Record. A Globo nunca transmitiu todos os jogos do campeonato, era um jogo de quarta e outro de domingo, e o resto ia para o Premiere, para lucrar com pay-per-view, geralmente os melhores jogos iam para lá. Hoje é a mesma coisa, mas é que diante deste novo cenário algumas pessoas não entenderam que passou da Globo para Record e do Premiere para outras plataformas. E há outra confusão ao comparar preços, pois a pessoa não paga só o Premiere, é o pay-per-view mais a TV a cabo. Com a FlaTV+ ele pode comprar só o aplicativo. Há até mais oportunidades de se ver os jogos hoje. Existe ainda uma dificuldade na divulgação, pois fechamos tudo dias antes de começar o campeonato, o público estava acostumado com futebol na TV de quarta e domingo e agora é terça e sábado... demora um pouco a acostumar.

A proliferação de sites piratas também atrapalha este processo?

Gustavo Oliveira: Muito, mas o Campeonato Carioca está fazendo um trabalho especial para derrubar esses links, há uma equipe dedicada a combater a pirataria, um acordo com Google, Facebook, operadoras de TV a cabo, mas não é fácil. A pirataria é um problema grave, é impressionante, faz um mal enorme para toda a indústria. Tem gente que acha normal, mas é um crime. Tem torcedor que sai espalhando link pirata e nem percebe o quanto isso prejudica o próprio clube pelo qual ele torce.

Como está a relação do Flamengo com a Globo?

Gustavo Oliveira: A Globo é a maior parceira do futebol brasileiro e também do Flamengo, apesar de termos um grau de dependência menor do que outros times, pois ampliamos nossas fontes de renda. Temos ótimo relacionamento com a Globo, um contrato excelente com eles para o Brasileirão, vigente até 2024. O que acontece é que ano passado, tivemos uma decisão estratégica de valorizar nosso conteúdo e, no caso do Campeonato Carioca, o Flamengo representava 70% do pay-per-view, dava o dobro de audiência, mas recebia o mesmo que os outros clubes grandes. Achávamos que merecíamos receber mais, a Globo não concordou e tudo bem, o contrato não foi renovado. Buscamos então outras alternativas, como a FlaTV, conseguimos alguma receita, que evidentemente não igualou os R$ 18 milhões, mas serviu de aprendizado nesta valorização de conteúdo e o movimento foi crescendo, inclusive em outros clubes.

O quanto a pandemia atrapalhou os planos financeiros do Flamengo?

Gustavo Oliveira: Trabalhamos com um processo de responsabilidade financeira desde a entrada da nossa gestão em 2013 e, baseado nisso, estamos buscando todos os caminhos para passar pela pandemia. Em 2019, ganhamos R$ 110 milhões em bilheteria. Em 2020, tivemos pouco mais de R$ 20 milhões. Perdemos bilheteria, sócio-torcedor, patrocinador, fora a confusão logística, se joga ou não joga. É muito duro para nós e para todos os times. Temos muita receita, mas também muita despesa, é um time caro. Mas de maneira geral estamos conseguindo passar por isso.

Diante de toda essa crise, os 18 milhões que recebiam da Globo pelo Estadual não estão fazendo falta?

Gustavo Oliveira: Não dá para dizer. Ano passado teria entrado esse dinheiro, mas não tenho certeza se a Globo manteria os mesmos moldes do Estadual para 2021. Para você ter uma ideia, a Globo fez uma nova proposta esse ano: no total, baixou de R$ 125 milhões para R$ 45 milhões, sendo que só R$ 5 milhões ficariam para o Flamengo. Não concordamos, os outros times também não, e buscamos um modelo diferenciado.

Como imagina o cenário ideal para as transmissões de futebol?

Gustavo Oliveira: As coisas estão mudando com muita rapidez, é difícil prever. O que eu gostaria: que houvesse grandes players disputando o conteúdo do futebol brasileiro. A NFL está muito valorizada porque tem muita gente disputando: Facebook, Amazon, as emissoras de TV Aberta e Fechada, todo mundo brigando por aquele conteúdo. Guardadas as proporções, esse seria o nosso cenário sonhado, ter diversos players disputando o Brasileirão e eventualmente fatiando. Esse conceito é bastante razoável e dá bastante dinheiro lá fora. É o que já está acontecendo com a Libertadores, no SBT, Fox e Facebook.

Mas lá fora os clubes não transmitem seus próprios jogos de forma independente... Mas essa foi só uma oportunidade de mercado, quisemos abrir o leque para diversas alternativas e volto a dizer: isso não é um problema, não estamos perdendo dinheiro com isso e aprendendo muito com o processo.

A Libertadores deu audiências ótimas para os padrões do SBT, mas bem menos do que a Globo registrava. Os patrocinadores do Flamengo não ficam incomodados?

Gustavo Oliveira: É obvio que todos querem estar na Globo, mas não existe só ela. Hoje os conteúdos estão em todas as redes sociais e isso, de certa forma, complementa essa ausência. Hoje eu cobro "X" do patrocinador não só pela presença na TV, mas nos sites, jornais, YouTube, no Facebook, tem um mix de mídia. E o jogo passa no SBT ou na Record, mas a Globo também cobre, né, passa no noticiário dela. Hoje quando vou negociar um patrocinador, consigo cobrar mais porque não entrego só a marca no uniforme, mas todo o engajamento por trás disso. Todas as nossas redes sociais são superavitárias, consideramos como um patrocinador a mais.

Nas redes sociais, alguns torcedores reclamam da falta de novos patrocinadores e até pedem a sua demissão. Como avalia esta crítica?

Gustavo Oliveira: Não acompanho o que falam de mim, mas a cornetagem faz parte. Veja só, o patrocínio do Flamengo cresceu 15% de 2019 para 2020. Há quatro espaços em branco, é verdade. Mas isso ocorreu a partir de março, com a pandemia. A MRV saiu porque ela quer concentrar tudo no projeto do Atlético Mineiro, algo normal. Ano passado, mesmo com a pandemia, nós fizemos um negócio excepcional, que é o Banco Nação BRB, um patrimônio que construímos que nos garante um fixo de faturamento e mais uma verba maior no futuro. Tem gente que fala que o BRB é político... o Flamengo é a maior plataforma de esporte do Brasil, uma das maiores do mundo. As ações do banco subiram demais depois do acordo.

Mas o clube está à procura de novos parceiros...

Gustavo Oliveira: Sim, temos quatro lugares vagos: a meia, o calção, as costas e a manga. Tínhamos um bom acordo de calção, mas a empresa deixou de pagar três meses, por isso cortamos. Nossos patrocínios estão muito valorizados. Temos propostas que 95% dos clubes brasileiros aceitariam, mas eu não posso vender um espaço maior por menos do que os meus atuais patrocinadores pagam. Temos de ter muito cuidado, a pandemia afetou o mercado, mas em breve vamos anunciar um acordo muito interessante.

É ruim para o Flamengo que rivais estaduais como Vasco e Botafogo estejam em crise?

Gustavo Oliveira: Claro, gostaríamos que nossos coirmãos estivessem em uma situação melhor. Mas é preciso lembrar que em 2013 o Flamengo devia R$ 750 milhões e fez um dever de casa duro. Muita gente sacaneava nosso time. A estratégia era ficar alguns anos sem ganhar nada para colher os frutos na frente. Ainda ganhamos uma Copa do Brasil, que foi ótimo. Claro que o cenário de pandemia torna tudo mais difícil, mas acho que esse é o caminho. Agora, é claro que é ruim para todo o futebol carioca ver o Vasco e o Botafogo na Série B. Mas são clubes muito grandes e tenho certeza que têm condições de voltar fortes.


Transmissões esportivas sofrem concorrência de serviços de streaming

A ideia é buscar novos públicos. O serviço de streaming de filmes e séries Netflix foi direto ao ponto em um relatório recente: "Não estamos disputando dólares, mas horas. Competimos com (e perdemos para) o game Fortnite mais do que com a HBO". Fisgar a atenção do consumidor e oferecer o melhor cardápio ao menor preço se tornou um desafio ainda maior numa era em que o conceito de concorrência é radicalmente pulverizado. Assim como o iTunes balançou a indústria da música na virada do século e o streaming vem modificando o cinema, é inevitável que o esporte também viva uma revolução, que já começa a ganhar corpo.

Os melhores exemplos vêm dos Estados Unidos. A liga de futebol americano NFL fechou um acordo de direitos de transmissão de 110 bilhões de dólares por onze temporadas. A surpresa não está nos valores, mas na presença da Amazon, que desafiou as emissoras tradicionais CBS, ABC, NBC, Fox e ESPN e garantiu a exclusividade dos jogos de quinta-feira via streaming no Amazon Prime Video. Não é a única investida da empresa. A Twitch, sua plataforma especializada em e-sports, fechou parcerias com clubes como Real Madrid e Milan e com campeonatos como LaLiga, MotoGP, Fórmula 1 e NBA. A Disney também entrará forte na disputa pelo streaming esportivo, com o lançamento da Star+, serviço que oferecerá produções de seus braços esportivos, Fox e ESPN, e será vendida à parte no Disney+. A novidade deve chegar em junho ao Brasil.


Nenhuma outra liga tem contribuído tanto para a revolução nas transmissões quanto a NBA, o campeonato profissional de basquete americano. Além de ser transmitida por uma série de emissoras mundo afora — Band, ESPN, SporTV e Budweiser (isso mesmo, o canal de uma cervejaria) são os parceiros de mídia no Brasil —, oferece todos os seus jogos no aplicativo NBA League Pass, cujo pacote completo custa R$ 169,99 por ano e tem o Brasil como terceiro maior mercado, atrás apenas de EUA e Austrália. Há diversas alternativas, seja em plataformas consolidadas como YouTube e Facebook, seja em novas como DAZN e OneFootball.

O torcedor chega a ficar confuso diante de tanta oferta, ainda mais no Brasil, onde o modelo clássico de esporte em TV aberta imperou durante décadas e com 25% da população sem acesso à internet. Há, no entanto, um movimento de mudança, com o Flamengo puxando a fila. Embalado por conquistas e com ligações estreitas em Brasília, o clube mais popular do país liderou a campanha pela chamada MP do futebol, que daria aos mandantes o direito de vender ou transmitir seus jogos. O texto caducou, não sem antes causar uma enorme confusão jurídica que deu ao Flamengo a chance de mostrar seus jogos do Carioca em seu próprio canal, a FlaTV, e que levou a Globo a rescindir o acordo pelo estadual no ano passado.

Para aumentar o caos, veio a pandemia, que atingiu em cheio os cofres de clubes, ligas e emissoras. A animosidade baixou — dirigentes do Flamengo repetem aos quatro ventos que "a Globo sempre foi e seguirá sendo o maior parceiro do clube e do futebol nacional" —, mas bastante coisa mudou. SBT e Band abocanharam pacotes de peso como a Libertadores e a Fórmula 1, respectivamente. Estaria a Globo encrencada? Nem tanto. A emissora carioca compreendeu bem o espírito dos novos tempos e vem realocando seus investimentos no serviço Globoplay. O esporte continua sendo importante, mas não a ponto de levar a emissora a fazer loucuras.

O Flamengo foi além. Recentemente lançou a plataforma paga FlaTV+ para transmitir o estadual, um modelo que foi seguido pelos rivais cariocas. "Nosso movimento visa ao futuro", diz Gustavo Oliveira, vice-presidente de marketing rubro-negro. "É mais um posicionamento para o mercado de que estamos no jogo". Entre os entraves que o dirigente destaca está a popularização de sites e aplicativos piratas que roubam os sinais de transmissão. Como nos campeonatos de futebol, a jornada dos novos modelos de transmissão será árdua, mas quem largar bem sairá vitorioso.











sexta-feira, 26 de março de 2021

Flamengo ganha de goleada na audiência da Record TV


Mais uma evidência inquestionável do peso econômico do Flamengo no ecossistema do futebol brasileiro. Se por um lado há todo um movimento organizado de mídia (com seus interesses econômicos próprios) e de interesses daqueles que se esforçam orquestradamente para tentar destronar o Flamengo de seu posto, por outro o vermelho e o preto constantemente se reafirma e prova o seu peso.

No Campeonato Carioca de 2021 a transmissão pela primeira vez em décadas deixou de ser feita pelas Organizações Globo, com a transmissão em TV Aberta sendo feita pela emissora Record, e em TV Fechada pelo canal condicionado a assinatura (pay-per-view) da Claro Net, ademais da estreia da transmissão por streaming da Fla TV+. Sem ter ainda as divulgações dos resultados obtidos pelos outros meios, na TV Aberta o que se constatou logo nas primeiras rodadas foi uma grande goleada rubro-negra sobre os rivais.

Eis a seguir, os dados das transmissões feitas pela Record:


1ª Rodada: Flamengo x Nova Iguaçu, com um time sub-23 rubro-negro em campo
Audiência no Rio: 14,2 pontos com picos de 16 pontos

A estreia do Flamengo fez a Record dobrar sua audiência no Rio de Janeiro. A partida, numa terça-feira a noite, marcou no Rio uma média consolidada de 14,2 pontos de audiência, com picos de 16. Ou seja, até 2,01 milhões de telespectadores foram alcançados pela emissora na Região Metropolitana da capital fluminense. A Globo obteve 34 pontos, e o SBT, 5. Uma semana antes, a Record tinha conseguido um índice de 7 pontos. Isso significa que com o Flamengo teve um crescimento de 102% na sua audiência.

Em Brasília a Record obteve o maior crescimento, marcando 11,9 pontos de média, o canal subiu 126% em relação ao mesmo horário da semana anterior, quando havia alcançado 5,3 pontos. A Globo obteve 22 pontos com as exibições no mesmo horário da novela "A Força do Querer" e do "Big Brother Brasil 2021". O SBT ficou com 2 pontos. Também houve crescimento em Vitória e em Manaus. No Espírito Santo, a Record subiu 64%, indo de 6,8 para 11,1 pontos. No Amazonas, um crescimento mais modesto, porém muito celebrado na emissora: 31% - de 6,6 para 8,7. Porém, a audiência não cresceu seus números em todos os lugares. Em Belém, cidade que costuma dar ótimos índices ao futebol, a partida derrubou a audiência da Record em 42% em relação à semana anterior - de 8,8 para 5,1. Em Goiânia, caiu de 9,9 para 7,7, queda de 22%. Em Salvador, os números quase caíram pela metade, com a Record derrapando de 9,3 para 4,7, uma queda de 49%. Em Curitiba, a Record desceu de 5,9 para 3,0, menos 50% em audiência.

 
2ª Rodada: Vasco x Volta Redonda
Audiência no Rio: 6,3 pontos com picos de 7 pontos

A Record marcou 6 pontos de audiência, com picos de 7, na vitória por 1 a 0 do Volta Redonda sobre o Vasco no sábado a noite. O jogo alcançou até 880 mil telespectadores na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, menos da metade da quantidade de televisores ligados para verem o sub-23 do Flamengo em ação contra o Nova Iguaçu quatro dias antes. Na semana anterior, a audiência da emissora no horário havia sido de 5 pontos na exibição do compacto da novela "Gênesis", um aumento, portanto, de 20%. A Globo liderou o horário com 28 pontos com a novela "A Força do Querer" e com o "Big Brother Brasil 2021". O terceiro lugar ficou com o SBT, que marcou 4 pontos.

 
3ª Rodada: Botafogo x Bangu
Audiência no Rio: 5,7 pontos com picos de 7 pontos

A transmissão da partida entre Botafogo x Bangu numa noite de sábado fez a Record TV alcançar uma média de 6 pontos e 9,4% de share, obtendo o segundo lugar na audiência da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, com um resultado 50% maior do que o terceiro colocado, o SBT. O jogo teve pico de 7 pontos. A emissora registrou um aumento de 63% na audiência do público masculino, 39% nas classes ABC e 24% na faixa-etária de 18 a 49 anos.


4ª Rodada: Fluminense x Bangu
Audiência no Rio: 6,1 pontos com picos de 7 pontos

A transmissão em mais um sábado a noite da vitória do Fluminense sobre o Bangu, a emissora alcançou 6 pontos de audiência com um pico de 7, alcançando a vice-liderança no Rio de Janeiro. O SBT teve 4 pontos, e a Globo 27 pontos, tendo no horário havido as exibições do Jornal Nacional, da novela "Amor de Mãe" e do "Big Brother Brasil". Apesar de ter igualado a audiência de Vasco x Volta Redonda e Bangu x Botafogo, nos dois sábados anteriores, os números ficaram muito atrás da estreia da competição na Record, com Flamengo x Nova Iguaçu, que alcançou 14 pontos de audiência.


5ª Rodada: Flamengo x Botafogo
Audiência no Rio: 15,4 pontos com picos de 18 pontos

Na transmissão pela primeira vez de um dos clássicos locais, na noite de uma quarta-feira, a Record TV bateu seu recorde de audiência. O jogo registrou picos de 17,9 (18) pontos no país e bateu recorde do ano da emissora. Durante toda a partida, o canal permaneceu acima dos 15 pontos, mantendo média superior aos 14 pontos de auge na estreia do Flamengo contra o Nova Iguaçu.

Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, teve 15 pontos de média e picos de 19 entre 21:35h e 23:28h. No mesmo horário, com as exibições da novela "Amor de Mãe" e do filme "Velozes e Furiosos 8", a Globo marcou 23 pontos. A partida alcançou até 2,388 milhões de espectadores só na região metropolitana do Rio. No 1º tempo, a concorrência forte dos capítulos inéditos da novela "Amor de Mãe" na Globo conseguiu manter os números de audiência "globais" em bons patamares, acima dos 30 pontos no Rio. Mas, assim que começou o filme protagonizado por Vin Diesel e Charlize Theron na concorrente, a Record disparou, subindo de 14 para 18 pontos e mantendo-se neste patamar até o fim da etapa inicial. Na média, foram 17 pontos com picos de 18 para a Record contra 27 da Globo e 5 do SBT. No 2º tempo, a Record variou entre 15 e 17 pontos, enquanto o "blockbuster" norte-americano na Globo conseguiu segurar a audiência na casa dos 19 pontos, mantendo a Record atrás no placar com 15 de média.

Em Brasília, o clássico marcou 12 pontos de média contra 13 da TV Globo, que transmitiu o jogo do Campeonato Paulista entre Palmeiras x São Bento, tendo a Record, no entanto, obtido picos de 15 pontos não alcançados pela Globo. A média de audiência somada de todo o Brasil foi de 17,9 pontos. A menor diferença para a Globo foi registrada por volta de 22:20h, quando a audiência ficou em 20,8 x 17,5 em favor da Rede Globo.

Com os bons números, a Record TV focou sua estratégia no Flamengo como a oportunidade de alavancar a audiência do canal. Assim, a transmissão na 6ª rodada voltou a ser de uma partida rubro-Negra, num sábado a noite, em partida na cidade de Bacaxá, vizinha a Saquarema, na Região dos Lagos, com o duelo contra o time local Boavista.


6ª Rodada: Flamengo x Boavista
Audiência no Rio: 9,4 pontos com picos de 12 pontos

O primeiro jogo do Flamengo num sábado à noite na tela da Record elevou a audiência da emissora frente aos sábados anteriores, mas não foi o suficiente para fazer a emissora se aproximar da líder TV Globo em medição de audiência no Rio de Janeiro. O empate por 1 a 1 com o Boavista, a estreia de Gabigol na temporada, teve média de 9 pontos com pico de 12. A Rede Globo concorreu nessa mesma faixa de horário com as apresentações do Jornal Nacional, da novela "Amor de Mãe" e do "BBB 21", obtendo média de 28 pontos. Por outro lado, a Record superou o rendimento da emissora em suas últimas transmissões nos sábados anteriores com Botafogo, Fluminense e Vasco, que ficaram na casa de seis pontos. Além disso, o jogo também serviu para que a Record TV aumentasse sua vantagem sobre o SBT. Seu concorrente em uma já longa disputa pela vice-liderança do Ibope marcou 4 pontos, tendo apresentado no horário à novela "Chiquititas" e ao reality "Bake Off Brasil Celebridades". Em Brasília, onde a Record chegou a liderar o Ibope na quarta-feira anterior com o clássico Flamengo x Botafogo, a audiência da TV Globo também foi mais do que o dobro do que a Record obteve com o Campeonato Carioca: 19 pontos a 7.

Segundo matéria do Portal UOL: "audiência do Carioca despenca após troca de emissoras". Mas há um "porém" a ser feito sobre esta manchete. O UOL faz a comparação da audiência da Record TV no Carioca 2021 com os números obtidos pela Rede Globo no Carioca 2020, constatando que houve uma expressiva queda de audiência. A audiência da Record gira em torno de 41,1%, o que significa um terço de alcance perdido de um ano para o outro.

Em 2020, a Globo não exibiu nenhum jogo do Flamengo no Cariocão (passou todos os jogos na TV Fechada, no canal pay-per-view Premiere), o que aumenta a discrepância no volume de acesso às partidas. Ainda conforme o UOL, no Campeonato Carioca de 2020 a transmissão da Rede Globo alcançou em média a 806 mil domicílios no Rio de Janeiro (sem jogos do Flamengo). Já a Record, em 2021, contabilizando a exibição de partidas rubro-negras, só chegou 498 mil casas do Rio, representando uma queda de 38% de alcance do Estadual. O "porém" a ser feito, é que em 2020 só havia duas opções para se ver as partidas, ou na TV Aberta ou na TV Fechada. Em 2021 além destas duas há uma terceira, já que as partidas estão sendo transmitidas através do streaming, através da Fla TV+.


7ª Rodada: Fluminense x Vasco
Audiência no Rio: 9,2 pontos com picos de 11 pontos

A Record TV transmitiu o clássico entre Fluminense e Vasco na noite de terça-feira, no qual atingiu 9 pontos de média com picos de 11. Líder, a Rede Globo atingiu 36 pontos com as transmissões da novela "Amor de Mãe" e o dia de eliminação no "BBB 21". O SBT ficou em 3º lugar com 3 pontos, com as transmissões da novela "Chiquititas" e do "Programa do Ratinho". Foi o jogo de meio de semana com menor audiência registrada pela Record TV no Carioca 2021, que havia atingido 14 pontos transmitindo Flamengo x Nova Iguaçu, e 16 pontos com Flamengo x Botafogo. Por outro lado, foi a maior audiência em jogos que não envolveram o Flamengo na Record. Historicamente, foi a menor audiência do confronto Fluminense x Vasco no Rio de Janeiro pelo Campeonato Carioca desde 2000. O menor índice de uma transmissão deste clássico na TV Globo antes era de 21 pontos, obtidos duas vezes em 2017. Até 2020, os índices de audiência mais baixos registrados no Rio de Janeiro em partidas do Fluminense tinham sido de 12 pontos em duas partidas disputadas em 2014, e no caso do Vasco, a menor audiência anterior à estreia da Record havia sido de 13 pontos, também em dois jogos realizados em 2014.


8ª Rodada: Fluminense x Macaé
Audiência no Rio: 6,2 pontos com picos de 12 pontos

A vitória do Fluminense por 4 a 0 sobre o Macaé na noite de terça-feira no Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, teve audiência no Rio de Janeiro de 6,2 pontos de média, chegando a 12 pontos de pico e 9% de share na sua totalidade, números que representaram mais de 1,3 milhões de telespectadores ligados. Na mesma faixa de horário, a TV Globo registrou uma média de 42 pontos no Rio com as exibições da novela "Amor de Mãe" e "BBB 21", chegando a 46 pontos de pico nos momentos finais da novela. A Record ficou em 2º com seus 6 pontos e o SBT teve 3 pontos de média.

Para efeito de comparação, em São Paulo na mesma noite também teve futebol na TV Aberta, com o SBT transmitindo o triunfo do Santos por 3 a 1 contra o San Lorenzo, na Argentina, válido pela Copa Libertadores, marcando 6 pontos de média e ápices de 7 pontos, deixando o SBT em 3º lugar na Grande São Paulo, contra 7 pontos de média da Record TV, que exibiu as novelas "Topíssima" e "Gênesis", e 34 pontos da Rede Globo.


9ª Rodada: Botafogo x Volta Redonda
Audiência no Rio: 5,4 pontos com picos de 6 pontos

A partida num sábado a noite poderia ter um apelo um pouco maior uma vez que o Volta Redonda dividia a liderança da Taça Guanabara com o Flamengo, mas a atratividade foi muito baixa, repreentando a pior audiência de até então no Carioca 2021. O empate marcou 5 pontos de média com picos de 6, alcançando até 754 mil telespectadores só no Grande Rio, um número bem ruim para transmissões de futebol na TV brasileira. No mesmo horário, com a exibição de "Chiquititas", "Esquadrão da Moda" e "Bake Off Brasil", o SBT ficou com 4 pontos. A Rede Globo, com o "Jornal Nacional" e a reprise do último capítulo de "Amor de Mãe", obteve 28 pontos.


10ª Rodada: Flamengo x Portuguesa
Audiência no Rio: 11,1 pontos com picos de 13 pontos

A partida do Flamengo bateu o recorde de audiência da Record TV no Campeonato Carioca 2021 para noites de sábado. O empate por 2 a 2 com a Portuguesa na Ilha do Governador, teve o segundo lugar na audiência do Rio de Janeiro, a Record manteve média de 11 pontos com pico de 13, atingindo 647 mil televisores e 1,6 milhão de telespectadores no Grande Rio. A Rede Globo, que exibiu a novela "Império" e o "BBB 21", ficou com 23 pontos de média, e o SBT, que mostrou o "Esquadrão da Moda" e o "Back Off Brasil", anotou 4 pontos.

Para efeito de comparação, três dias depois o Flamengo fez sua estreia na Libertadores com transmissão na TV Aberta feita pelo SBT, e sem exclusividade, pois na TV Fechada a partida foi transmitida pelo canal Fox Sports. A vitória rubro-negra na Argentina marcou 16 pontos de média com picos de 18 na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, tendo no mesmo horário a Rede Globo ficado com 29 pontos com a novela "Império" e o paredão do "BBB21", e a Record TV obtido 7 pontos com "Gênesis", "Topíssima" e o "Cine Record Especial". Com seu jogo de estreia, o SBT conseguiu marcar o mesmo índice que o recorde do Campeonato Carioca 2021 transmitido pela Record. Em Brasília, o jogo do Flamengo cotra o Vélez conseguiu 12 pontos, contra 4 da Record e 22 da TV Globo. Na Fox Sports, o índice medido pelo Ibope nas 15 principais metrópoles do Brasl entre os canais pagos marcou 4 pontos de audiência com picos de 6, tendo no universo da TV por assinatura ficado com o primeiro lugar entre todas as transmissões em canais pagos durante a partida.


11ª Rodada: Fluminense x Madureira
Audiência no Rio: 4,2 pontos com picos de 5 pontos

Na última rodada da Taça Guanabara, a Record deixou de passar a partida entre Flamengo e Volta Redonda na noite de sábado, às 19h, partida que decidia o título do turno, conquistado pelos rubro-negros. Ela preferiu mudar o horário de sua transmissão e passar o duelo entre Fluminense e Madureira às 11h da manhã de domingo. A emissora paulista optou por passar um jogo num "horário de paulista" e pagou o preço por decisão tão estapafúrdia e sem qualquer sentido.

A partida Fluminense x Madureira bateu 4,1 pontos em média, com picos de 5 ao longo da partida. No mesmo horário, o SBT ficou com a segunda colocação no ranking de audiências com o programa "Domingo Legal", somando 6,3 pontos. Com o "Esporte Espetacular" e o começo da sessão de filmes "Temperatura Máxima", a TV Globo marcou 8,5 pontos de média. Dos 11 jogos exibidos pela Record TV na primeira fase de Carioca, 10 ficaram na vice-liderança e somente Fluminense x Madureira ficou com a medalha de bronze.

Nos fins de semanas seguintes seriam disputadas as duas partidas de cada semi-final e as duas da final do campeonato. Para efeito de comparação, na edição de 2020, que teve os direitos de transmissão nas mãos do SBT, a final do Campeonato Carioca fez a emissora atingir 35 pontos de pico no Rio de Janeiro e 15 em São Paulo.


Em resumo da transmissão da Taça Guanabara: só uma partida sem o Flamengo em campo teve mais de 6 pontos de média de audiência: o clássico entre Fluminense e Vasco teve 9 pontos de média. Das partidas transmitidas do Flamengo, só uma deu menos de 11 pontos de média: o jogo contra o Boavista teve 9 pontos de média. Só o Flamengo deu dois dígitos de audiência para a emissora durante a 1ª Fase, nas partidas contra Nova Iguaçu, Botafogo e Portuguesa.



Jogo 1 da Semi-final: Flamengo x Volta Redonda
Audiência no Rio: 13 pontos com picos de 15 pontos

Volta Redonda x Flamengo, primeiro jogo da fase semifinal do Cariocão 2020, garantiu 13 pontos de média e 15 pontos de pico à Record na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Um ponto de audiência equivale a 125.721 telespectadores. Foi a maior audiência da Record TV nas noites de sábado até então em todo o Campeonato Carioca, e a terceira maior em todo o campeonato até então. Durante o período de exibição da partida, a TV Globo - com Jornal Nacional, a novela "Império" e o BBB - liderou a audiência no Rio com uma média de 25 pontos. O SBT, 3º colocado, ficou com 4 pontos de média com as exibições de "Chiquititas", "Esquadrão da Moda" e com o reality show culinário "Mestres da Sabotagem".


Jogo 2 da Semi-final: Flamengo x Volta Redonda
Audiência no Rio: 13 pontos com picos de 14 pontos

A classificação do Flamengo à final do Carioca 2021 voltou a render 13 pontos de média à Record TV, e a emissora bateu com folga ao SBT, que marcou 2,7 pontos, mas não conseguiu incomodar a TV Globo, que amealhou 22,8 pontos com as transmissões do "Jornal Nacional", da novela "Império" e do humorístico "Vai Que Cola". O pico de audiência da transmissão foi de 14,4 pontos, registrado às 21:54h. Nesse minuto, o SBT tinha 2,5 pontos e a Globo tinha 22,8. Antes das tranmissões do futebol carioca, a audiência média da Record TV nestes horários nos sábados a noite era na faixa de 8 pontos, sendo que um ponto de audiência no Rio de Janeiro engloba 49.809 domicílios e 125.721 telespectadores.



Os dois jogos semi-finais renderam as duas maiores audiências da Record em transmissões na noite de sábado, mas ainda ficaram atrás de duas tranmissões, dos jogos do Flamengo contra o Nova Iguaçu, estreia rubro-negra no capeoneto, e do clássico contra o Botafogo. Por escolha da Record, ela não transmitiu os clássicos do Flamengo contra Fluminense e Vasco, que certamente teriam superado todas estas marcas.



Antes da Final do Carioca 2021, a transmissão da Copa Libertadores voltou a dar provas inequívocas de atratividade maior do que o Campeonato Carioca. E o Flamengo mais uma vez provou sua dimensão diferenciada. Os direitos de transmissão da Libertadores 2021 foram adquiridos pelo SBT. Pela 4ª rodada da Fase de Grupos, numa terça-feira a noite, o Flamengo foi ao Chile enfrentar à Unión La Calera, na mesma noite o canal transmitiu para a capital paulista o duelo entre o Palmeiras e o Independiente Del Valle, na altitude de Quito, no Equador. O jogo do Flamengo desbancou a Rede Globo durante mais de 14 minutos no Rio de Janeiro e em Brasília, enquanto na capital paulista o jogo palmeirense ficou em segundo lugar, mas bem distante dos índices de audiência da TV Globo.

No Rio de Janeiro, a partida rubro-negra marcou 19 pontos de média com picos de 23, enquando a TV Globo marcou 27 pontos com as transmissões do "Jornal Nacional", da novela "Império" e da estreia de reality show "No Limite 5". A Record TV obteve 7 pontos com a novela "Gênesis" e os programas "Topíssima" e "Power Couple Brasil". No 1º tempo, o jogo registrou 17 pontos de média com picos de 20, com a Globo tendo 29 e a Record 9 pontos. No momento de pico, por volta das 22:15h, o SBT chegou a 20 pontos contra 30 pontos da Globo. A audiência do Flamengo superou a da Globo no final da partida. A estreia do reality show "No Limite 5" fechou com 25 pontos de média no confronto com o jogo, com o SBT marcando média de 20 pontos com picos de 23. Por volta de 23:10h, o Flamengo assumiu a liderança e só deixou a posição ao fim do jogo, às 23:25h. Para segurar o público, a Rede Globo ficou 45 minutos sem comerciais durante a estreia do reality. No momento de máxima audiência, entre 23:15h e 23:19h, o SBT chegou a 23 pontos contra 20 da Globo. Em Brasília, o Flamengo também liderou por cerca de 20 minutos, entre 23:05h e 23:25h, com o SBT ficando com 15 pontos contra 13 da TV Globo. No jogo inteiro, a Globo marcou 16 pontos de média na capital federal, contra 14 do SBT e 4 da Record.


Jogo 1 da Final: Flamengo x Fluminense
Audiência no Rio: 22 pontos com picos de 25 pontos

Mesmo com a transmissão da final fora dos horários nobres tradicionais do futebol, com o Fla-Flu sendo jogado num sábado a noite, o empate no 1º jogo da Final entre Flamengo e Fluminense deixou a Record TV na liderança da audiência no Rio de Janeiro. A emissora marcou média 20,8 pontos entre 20:58h e 23:00h, contra 20,6 da Globo, que nesse intervalo exibiu três atrações. Excluídos os minutos de pré-jogo, a vantagem cresce sete décimos: 21,3 vs 20,4.

O jogo começou a abrir distância na liderança às 21:35h, quando atingiu 22,1 pontos contra 20,9 da novela "Império". Para segurar o público, a TV Globo estendeu o bloco de abertura da novela o quanto pôde, mas a estratégia não surtiu efeito. Com a entrada do primeiro intervalo, a Record cresceu ainda mais, chegando a 23,9 pontos às 21:49h. A Globo só virou o jogo às 21:54h, quando terminou o 1º tempo e a rival chamou os comerciais. Mas às 22:10h a Record já era líder de novo: 22,1 vs 21,8. A novela, em seus quase 80 minutos no ar, perdeu para o Campeonato Carioca na média de audiência por 21,5 vs 20,7. Durante o humorístico "Vai Que Cola", a vantagem da Record disparou, com a Globo ficando  com 17,4 pontos, contra 24,1 do clássico.

No total, o jogo marcou 22 pontos de média com picos de 25 no horário de bola rolando, entre 21:05h e 22:56h. Neste horário, com as transmissões do "Jornal Ncional", da novela "Império" e do "Vai Que Cola", a Globo ficou com 21 pontos de média. Longe, em terceiro, o SBT marcou 3 pontos de média com os programas "Chiquititas", "Esquadrão da Moda" e "Mestres da Sabotagem". Foi a 1ª vez que o Carioca na Record superou Globo no Ibope. E foi a segunda derrota que o Flamengo impõs à Rede Globo em menos de uma semana. Na terça-feira anterior o jogo rubro-negro na Libertadores deu ao SBT o pico de 23 pontos e venceu por alguns minutos a estreia do reality show "No Limite".

A Record TV também venceu no Distrito Federal, tendo conquistado 13 pontos de média contra 12 da TV Globo em Brasília. Em Belo Horizonte, Recife e Curitiba, a audiência foi de 6 pontos. Em Salvador e Curitiba, 11 pontos. Em Fortaleza, a Record registrou 7 pontos e em Belém a audiência também foi satisfatória, com 12 pontos de média.


Jogo 1 da Taça Rio: Vasco x Botafogo
Audiência no Rio: 8 pontos com picos de 10 pontos

Embora a final da Taça Rio fosse uma mera "decisão de 5º lugar", e mesmo com a Record optando por passar um jogo de Campeonato Carioca num "horário de paulista", como é domingo às 11h da manhã, o jogo entre Vasco e Botafogo ainda rendeu 7,8 pontos de média de audiência no Rio, empatando na média com a Globo, que exibiu o "Esporte Espetacular" e a sessão de filme "Temperatura Máxima". A Record chegou a registrar picos de 10 pontos, vencendo a Globo no 2º tempo por 10 x 7.


Jogo 2 da Taça Rio: Vasco x Botafogo
Audiência no Rio: 9 pontos com picos de 12 pontos

No jogo no sábado a tarde entre Vasco e Botafogo, que foi para a decisão por pênaltis, deu à Record TV uma média de 9 pontos de média, com pico de audiência acontecendo justamente durante a decisão por pênaltis, quando o índice bateu 12 pontos (valores contabilizados para o Estado do Rio de Janeiro). A TV Globo, isolada na liderança, marcou 14 pontos durante o horário, ficando em terceiro lugar o SBT, com 5 pontos.


Jogo 2 da Final: Flamengo x Fluminense
Audiência no Rio: 23 pontos com picos de 30 pontos

Com o Fla-Flu decisivo que deu ao Flamengo o tri-campeonato carioca, na noite de sábado, a partir das 21h, a Record TV bateu uma marca inédita nos índices de audiência, o canal somou 30 pontos de picos e foi a líder de audiência da noite de sábado. A Record somou 23 pontos de média, seu maior índice em todo o Carioca 2021. A Globo, na vice-colocação, teve 20 pontos de média com a novela "Império", e o SBT marcou 2 pontos, em terceiro (valores são referentes ao Estado do Rio de Janeiro).

No final dos 45 minutos iniciais, a emissora já tinha superado a Globo, principalmente após o fim da exibição do "Jornal Nacional" e o início da novela "Império", quando a faixa de horário começou a ser dominada pela Record. Durante o "JN" a Globo teve 22 pontos de média, enquanto a Record mantinha 20 pontos. No 2º tempo, o resultado foi o melhor, com a Record se sustentando sempre próximo aos 30 pontos de pico alcançados.


Consolidado da Record TV no Carioca 2021:

- no total o líder de audiência, com uma média de 15,14 pontos por jogo, foi o Flamengo, que teve 8 partidas transmitidas. Na sequência, o Fluminense, nas 6 partidas que teve transmitidas, teve média de 11,78 pontos, o Botafogo teve média de 8,70 nas suas 5 partidas transmitidas, e o Vasco teve média de 8,13 nas suas 4 partidas tranmitidas. Empilhando os índices e analisando a participação relativa, o Flamengo teve 52% da audiência, enquanto o Fluminense teve 41%, o Botafogo teve 30% e o Vasco teve 28%. Entretanto, estes números são enviesados pela audiência rubro-negra, que teve clássicos contra Fluminnse e Botafogo transmitidos, e não teve Flamengo x Vasco na TV Aberta.

- limpando um pouco os números, para uma comparação mais justa, e excluindo a audiência dos jogos finais, o Flamengo teve 12,68 pontos de audiência média em 6 jogos, contra 8,83 do Botafogo em 3 jogos, 7,75 do Vasco em 2 jogos, e 6,43 do Fluminense em 4 jogos. Novamente, empilhando os índices e analisando a participação relativa, o Flamengo teve 44% da audiência, o Botafogo 31% em 3 jogos, o Vasco 27% em 2 jogos, e o Fluminense 22% em 4 jogos.

- para se ter uma limpeza mais profunda, e eliminar efetivamente qualquer viés, a comparação mais justa e eliminar os clássicos da grade, de forma que a audiência rubro-negra não afete os números das demais. Considerando apenas jogos disputados entre os 4 de maior torcida e clubes de menor expressão, a liderança do Flamengo foi em média de 11,57 pontos de audiência em 3 jogos trasmitidos, seguido pelo Vasco com 6,30 em 1 jogo transmitido, e por Fluminense e Botafogo empatados com 5,5 pontos de média de audiência, tendo os tricolores tido 3 jogos transmitidos e os alvi-negros 2 jogos.  Empilhando os índices e analisando a participação relativa, o Flamengo teve 40% da audiência, seguido pelo Vasco, com 22%, e por Fluminense e Botafogo empatados com 19%. A distribuição é próxima à detectada pela média das últimas pesquisas de tamanho de torcida no Rio de Janeiro, que apontam a torcida do Flamengo sendo de aproximadamente 46%, a do Vasco sendo 17%, Fluminense 13% e Botafogo 11%, havendo cerca de 13% ou de pessoas que não acompanham futebol (11%) ou torcem para clubes ou menores ou de outros estados (2%).


Conclusões:

Muito difícil entender a estratégia da Record TV para o Carioca 2021, sendo incompreensível que a emissora não tenha optado por transmitir mais clássicos, tendo em especial descartado o jogo que certamente lhe daria mais audiência: Flamengo x Vasco. Além de ter ignorado a transmissão do jogo Flamengo x Volta Redonda que definiu o campeão da Taça Guanabara. Por mais que os executivos paulistas desconheçam muito do produto que compraram, um mínimo de conhecimentos gerais sobre futebol já seria suficiente para uma estratégia racional mais bem ajustada.

Se confiavam no futebol para melhorar sua audiência (e bastava avaliar os números obtidos pelo SBT em 2020 e comparar com a audiência de sua grade para saber que havia oportunidade), é incompreensível uma outra estratégia. A não ser que tenha havido qualquer outro objetivo envolvido que não fosse o de obter o máximo de audiência possível, escolher por horários de transmissão fora aos tradicionais construídos ao longo de muitos anos pela TV Globo jamais poderia ser a opção mais acertada. Recém entrando no ônibus, já quiz logo se sentar na janela? Achou que agora sendo a dona do produto, era ela quem mandaria? Grande engano, quem manda no ônibus é a audiência televisiva, os desejos do público, e não nenhuma emissora. A incapacidade de compreender isto certamente lhe custou alguns pontos de audiência.