Atualizando os númeeros da Artilharia do Flamengo no Século XXI, contabilizando todos os gols rubro-negros até dezembro de 2015, o que se tem são os números abaixo:
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Sócio-Torcedor Nação Rubro-Negra teve seu pior trimestre desde sua criação
O programa Nação Rubro-Negra havia dado um belo arranque após as contratações de Paolo Guerrero e Emerson Sheik. Porém, com a queda brusca de desempenho da equipe no Brasileiro 2015, a quantidade de sócios-torcedores acompanhou a queda, e a quantidade de sócios despencou.
Em 26 de dezembro o Nação Rubro-Negra completou 33 meses de vida. E seu 11º trimestre de vida apresentou seu pior desempenho trimestral desde sua criação. É o que mostram os números do gráfico abaixo, correspondentes à variação líquida acumulada. Foram 7.028 sócios-torcedores a menos no período de outubro a dezembro de 2015.
O gráfico de evolução mensal dá uma boa ideia da intensidade da inflexão, mostrando como a quantidade de sócios caiu, o que naturalmente traz resultado sobre as receitas do clube.
Ainda assim, o Flamengo teve o 5º maior crescimento de sócios-torcedores no acumulado total do ano de 2015. Em 2013, o Flamengo gerou 58.962 STs, ficando em 1º lugar, sendo o clube que mais adicionou sócios em 2013. Já em 2014, o Nação Rubro-Negra foi da ponta para a ribeira, com o programa tendo uma queda acumulada no ano de 6.737 STs. Em 2015, o Flamengo conseguiu adicionar 12.682 STs no ano, sendo o 5º colocado no ano entre os clubes do Brasil.
O gráfico abaixo mostra a evolução do número total de faturas ativas por trimestre, valores acumulados dos três meses de cada período, que geraram receita para o clube.
Abaixo, segue a evolução do Ticket Médio do Programa Nação Rubro-Negra.
Diante destes números, a previsão de arrecadação com o Sócio-Torcedor em 2015 ficará um pouco abaixo do valor arrecadado em 2014. Também ficará abaixo da previsão que eu fiz aqui quando apresentei os números da Análise Financeira do 3º Trimestre (havia previsto receitas superiores a R$ 30 milhões no acumulado 2015.
A previsão é de que a Receita Acumulada com o Programa de Sócio-Torcedor do Flamengo em 2015 feche o ano na casa de R$ 29,1 milhões.
Ainda assim, vale lembrar que esta receita não existia há três anos atrás. E gerar uma receita nova na casa de R$ 30 milhões é o mesmo, por exemplo, que dobrar as receitas com patrocínio que o Flamengo tem hoje. E não custa lembrar que no Triênio 2010-2012, o Flamengo mal teve receitas de patrocínio. O foco para 2016 deveria ser o de levar este volume de receitas para pelo menos R$ 40 milhões.
domingo, 20 de dezembro de 2015
Artilheiros do Flamengo por Temporada
Artilheiros do Flamengo por Temporada desde 1999:
A CARÊNCIA DO HOMEM-GOL: Na temporada 2015, o jogador que fez mais gols com a camisa rubro-negra, Marcelo Cirino, fez apenas 11 gols. Desde 1931, o goleador do Flamengo na temporada não terminava o ano com apenas 11 gols. E olha que o Triênio 1929-1930-1931 foi o período no qual o clube, que na época nem estava na Gávea ainda, treinava na Rua Paissandu, no bairro do Flamengo, vivia a pior crise de sua história,
Em 1929, o artilheiro do Flamengo no ano foi Fragoso, com 11 gols. Em 1930 foi Vicentino, também com 11 gols. E em 1931 foi Rolinha, também com 11 gols. Depois disso, em poucas temporadas o artilheiro rubro-negro teve menos de 15 gols no ano. Isto só voltou a acontecer na temporada de 1971, quando o artilheiro rubro-negro no ano foi Fio Maravilha, com 12 gols. O período entre 1969 e 1973 também corresponde a uma das maiores crises na história do futebol do Flamengo. Em 2005, o artilheiro rubro-negro foi Renato Abreu, com apenas 14 gols. E na temporada 2015, Marcelo Cirino terminou o ano com 11 gols, como maior goleador rubro-negro no ano.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Resultados das últimas Eleições no Flamengo
A pesquisa de resultados históricos das eleições do C.R. Flamengo só foi possível graças à cooperação de Celso Júnior, do site FLAESTATÍSTICA (www.flaestatistica.com).
Resultado das eleições de 1976
A eleição para escolher o mandatário do clube no biênio 1977-1978 marcou a chegada ao poder do grupo "Frente Ampla pelo Flamengo". Os jornais então noticiavam como tendo sido a eleição como maior adesão de sócios a votar na história do C.R. Flamengo.
Foram 2.016 votos, com o seguinte resultado final:
1º Márcio Braga: 1.302 votos (64,6%)
2º Hélio Maurício: 614 votos (30,5%)
3º Radamés Lattari: 100 votos (5,0%)
Resultado das eleições de 1978
O pleito para escolher o mandatário do clube no biênio 1979-1980 marcou a continuidade no poder do grupo "Frente Ampla pelo Flamengo", sem que houvesse candidato de oposição. Noticiava o jornal O Globo no dia seguinte à eleição: "As eleições pela primeira vez na história do Flamengo foram concluídas dentro de um ambiente de tranquilidade".
Na eleição direta aberta aos sócios do clube foram 1.968 votos, com o seguinte resultado:
1º George Helal: 875 votos (44,5%)
2º Márcio Braga: 666 votos (33,8%)
3º Roberto Abranches: 427 votos (21,7%)
Na eleição indireta feita pelo Conselho Deliberativo foi apresentado uma chapa única, com Márcio Braga presidente e George Helal vice-presidente. No total, foram 189 votos, com o seguinte resultado final:
1º Márcio Braga: 186 votos (98,4%)
Nulos: 3 votos (1,6%)
Resultado das eleições de 1980
Eleição para escolher o mandatário do clube no biênio 1981-1982 marcou mais uma vitória do grupo político liderado por Márcio Braga e George Helal.
Foram 236 votos na eleição indireta feita pelos membros do Conselho Deliberativo, com o seguinte resultado final:
1º Antônio Augusto Dunshee de Abranches: 162 votos (68,6%)
2º Luiz de Mello Rêgo: 74 votos (31,4%)
Resultado das eleições de 1982
Pleito para definir o presidente até dezembro de 1983. A eleição marcou um racha político no grupo que estava a frente do clube, com Márcio Braga tendo apoiado ao candidato derrotado, Moreira Leite, o que não impediu a reeleição de Dunshee de Abranches, apoiado por George Helal.
Foram 2.190 votos, com o seguinte resultado final:
1º Antônio Augusto Dunshee de Abranches: 1.727 votos (78,9%)
2º Marco Aurélio Moreira Leite: 463 votos (21,1%)
Resultado das eleições de 1983
Pleito para definir o presidente até dezembro de 1984.
Foram 230 votos na eleição indireta feita pelos membros do Conselho Deliberativo, com o seguinte resultado final:
1º George Helal: 127 votos (55,2%)
2º Luiz de Mello Rêgo: 103 votos (44,8%)
Resultado das eleições de 1985
Pleito para definir o presidente até dezembro de 1986, com o então presidente George Helal sendo o candidato único.
Foram 526 votos na eleição indireta feita pelos membros do Conselho Deliberativo, com o seguinte resultado final:
1º George Helal: 509 votos (96,8%)
Nulos: 17 votos (3,2%)
Resultado das eleições de 1986
Dez anos após vencer sua primeira eleição para presidir o Flamengo, Márcio Braga voltou a vencer, desta vez para estar a frente do clube no biênio 1987-1988. O pleito teve a participação de 4 candidatos.
Foram 4.679 votos, com o seguinte resultado final:
1º Márcio Braga: 2.432 votos (52,0%)
2º Eduardo Motta: 1.062 votos (22,7%)
3º Paulo Bandeira de Mello: 680 votos (14,5%)
4º Orlando de Souza Barros: 505 votos (10,8%)
Resultado das eleições de 1988
Mais um embate entre os dois principais grupos políticos que dividiam o poder na Gávea, desta vez buscando liderar o biênio 1989-1990. A corrente apoiada na liderança de Márcio Braga saiu mais uma vez como vencedora.
Foram 2.832 votos, com o seguinte resultado final:
1º Gilberto Cardoso Filho: 1.522 votos (53,7%)
2º Júlio Gomes: 1.310 votos (46,3%)
Resultado das Eleições de 1990
A definição para o presidente no mandato vigente para o biênio 1991-1992 voltou a colocar frente a frente as duas principais correntes políticas do clube. De um lado Márcio Braga, com Luiz Augusto Veloso como candidato a vice, e do outro Júlio Gomes.
Foram 4.388 votos, com o seguinte resultado final:
1º Márcio Braga: 2.308 votos (52,6%)
2º Júlio Gomes: 2.080 votos (47,4%)
Resultado das Eleições de 1992
Para a sucessão de Márcio Braga, a eleição rubro-negra para o mandato 1993-1994, restringia-se a dois candidatos para ocupar o cargo, sendo vencido pelo presidente eleito mais jovem da história do clube, de apenas 34 anos.
Foram 3.399 votos, com o seguinte resultado final:
1º Luiz Augusto Veloso: 2.268 votos (66,7%)
2° George Helal: 1.131 votos (33,3%)
Resultado das Eleições de 1994
Na definição para o biênio 1995-1996, a eleição rubro-negra tinha três candidatos, incluindo o presidente do mandato anterior que tentava a reeleição, mas acabou em último no pleito.
Foram 2.142 votos, com o seguinte resultado final:
1º Kléber Leite: 1.271 votos (59,3%)
2° Júlio Gomes: 522 votos (24,4%)
3º Luiz Augusto Veloso: 349 (16,3%)
Resultado das Eleições de 1996
Eleição com Chapa Única, na qual Kléber Leite lutava pela reeleição para o mandato 1997-1998.
Foram 1.834 votos, com o seguinte resultado final:
1º Kléber Leite: 1.596 votos (87,0%)
Brancos/Nulos: 238 votos (13,0%)
Resultado das Eleições de 1998
Após dois mandatos consecutivos de Kléber Leite (1995-96 e 1997-98), a eleição rubro-negra se restringia a dois candidatos para ocupar o cargo no mandato 1999-2000.
Foram 2.388 votos, com o seguinte resultado final:
1º Edmundo Santos Silva: 1.293 votos (54,1%)
2° Márcio Braga: 1.095 votos (45,9%)
Resultado das Eleições de 2000
A eleição estava dividida entre a chapa da situação, que buscava a reeleição de Edmundo Santos Silva, e a oposição dividida em dois grupos, num deles o candidato mais uma vez era Márcio Braga, no outro era liderado por Roberto Abranches, que se agarrava no discurso de renovação na política rubro-negra.
Foram 2.356 votos, com o seguinte resultado final:
1º Edmundo Santos Silva: 1.320 votos (56,0%)
2° Márcio Braga: 711 votos (30,2%)
3° Roberto Abranches: 325 votos (13,8%)
3° Roberto Abranches: 325 votos (13,8%)
Resultado das Eleições Extraordinárias de 2002
Após o Impeachment do presidente Edmundo Santos Silva, foram convocadas eleições extraordinárias para cobrir pouco mais de um ano de mandato.
Eram três candidatos, foram 1.981 votos, com o seguinte resultado final:
1º Hélio Ferraz: 1.017 votos (51,3%)
2° Júlio Gomes: 545 votos (27,5%)
3° Delair Dumbrosck: 419 votos (21,2%)
3° Delair Dumbrosck: 419 votos (21,2%)
Resultado das Eleições de 2003
Danos de intensa turbulência, com o Impeachment do presidente Edmundo Santos Silva e um mandato-tampão de Hélio Ferraz, a corrida eleitoral para rearrumar a política rubro-negra se resumiu a três candidatos. Márcio Braga foi eleito com folga para seu 5º mandato como Presidente do Flamengo, cargo que ocupou nos mandatos 1977-78, 1979-80, 1987-88 e 1991-92. Agora ele ocuparia a presidência no triênio 2004-05-06.
Foram 2.036 votos, com o seguinte resultado final:
1º Márcio Braga: 1.017 votos (50,0%)
2° Delair Dumbrosck: 807 votos (39,6%)
3° Gérson Biscotto: 212 votos (10,4%)
3° Gérson Biscotto: 212 votos (10,4%)
Resultado das Eleições de 2006
O pleito eleitoral foi acirrado e concentrado na disputa entre três candidatos. No final, Márcio Braga conseguiu ser reeleito, indo para seu 6º mandato como Presidente na história do Flamengo.
Foram 1.669 votos no pleito, o resultado final da eleição rubro-negra naquele ano:
Foram 1.669 votos no pleito, o resultado final da eleição rubro-negra naquele ano:
1º Márcio Braga: 734 votos (44,0%)
2° Arnaldo Cardoso: 508 votos (30,4%)
3° Ronaldo Gomlevsky: 427 votos (25,6%)
3° Ronaldo Gomlevsky: 427 votos (25,6%)
Resultado das Eleições de 2009
Inicialmente eram 7 candidatos, às vésperas da eleição, João Henrique Areias retirou sua candidatura. Um detalhe muito importante, a eleição ocorreu no dia seguinte à conquista do título de Campeão Brasileiro de 2009.
O candidato de situação era Delair Dumbrosck, que havia assumido a presidência naquele mesmo ano no lugar de Márcio Braga, que se afastou da presidência por problemas de saúde. Delair era seu vice e assumiu em seu lugar.
Foram 2.328 votos no pleito de 2009 que decidiram a corrida, com o seguinte resultado:
1º Patrícia Amorim: 792 votos (34,0%)
2° Delair Dumbrosck: 699 votos (30,0%)
3° Clovis Sahione: 388 votos (16,7%)
4º Plínio Serpa Pinto: 311 votos (13,4%)
5° Pedrinho Ferrer: 89 votos (3,8%)
6° Lysias Itapicurú: 49 votos (2,1%)
Resultado das Eleições de 2012
A Eleição 2012 no Flamengo começou com 8 pré-candidatos. O primeiro a cair foi José Carlos Peruano, líder de Torcida Organizada, que teve a candidatura impugnada por problemas de antecedentes criminais. O movimento seguinte foi a fusão da chapa de Marcos Braz à de Patrícia Amorim (Chapa Amarelo Ouro). A seguir, Lysias Itapicurú e Maurício Rodrígues fundiram suas chapas à de Jorge Rodrigues (chapa Rosa). O último movimento foi a fusão da candidatura de Ronaldo Gomlevsky à de Eduardo Bandeira de Mello (Chapa Azul).
Restaram três candidaturas. Foram 2.675 votos no pleito de 2012, com o seguinte resultado:
1º Eduardo Bandeira de Mello - 1.414 votos (52,9%)
2º Patrícia Amorim - 914 votos (34,2%)
3º Jorge Rodrigues - 347 votos (13,0%)
Resultado das Eleições de 2015
A Eleição 2015 no Flamengo esteve todo o tempo resumida a três candidatos: Eduardo Bandeira de Mello, da Chapa Azul, Wallim Vasconcelos, na Chapa Verde, representante o grupo dissidente que fez parte do mandato de Bandeira de Mello no triênio 2013-15, e Cacau Cotta, da Chapa Branca.
Foram 2.725 votos, e o seguinte resultado final:
Foram 2.725 votos, e o seguinte resultado final:
1º Eduardo Bandeira de Mello - 1.632 votos (59,9%)
2º Wallim Vasconcelos - 834 votos (30,6%)
3º Cacau Cotta - 259 votos (9,5%)
Resultado das Eleições de 2018
Mais uma vez as duas correntes que representavam a dissidência dentro do grupo que venceu a eleição de 2012. De um lado o VP de Futebol de Eduardo Bandeira, Ricardo Lomba (Chapa Rosa), e do outro Rodolfo Landim (Chapa Roxa) com apoio da maioria dos VPs das Gestões 2013-2015 e 2016-2018. Os outros dois candidatos eram dois ex-presidentes de torcidas organizadas.
Foram 3.039 votos, com o seguinte resultado final:
1º Rodolfo Landim: 1.879 votos (61,8 %)
2º Ricardo Lomba: 1.097 votos (36,1 %)
3º Marcelo Vargas: 41 votos (1,3 %)
4º José Carlos Peruano: 22 votos (0,7 %)
Resultado das Eleições de 2018
Mais uma vez as duas correntes que representavam a dissidência dentro do grupo que venceu a eleição de 2012. De um lado o VP de Futebol de Eduardo Bandeira, Ricardo Lomba (Chapa Rosa), e do outro Rodolfo Landim (Chapa Roxa) com apoio da maioria dos VPs das Gestões 2013-2015 e 2016-2018. Os outros dois candidatos eram dois ex-presidentes de torcidas organizadas.
Foram 3.039 votos, com o seguinte resultado final:
1º Rodolfo Landim: 1.879 votos (61,8 %)
2º Ricardo Lomba: 1.097 votos (36,1 %)
3º Marcelo Vargas: 41 votos (1,3 %)
4º José Carlos Peruano: 22 votos (0,7 %)
Resultado das Eleições de 2021
A Chapa Roxa não teve dificuldade para se reeleger após os resultados do futebol entre 2019 e 2021, mesmo tendo a eleição ocorrido tão só uma semana após a derrota na final da Libertadores para o Palmeiras.
Foram 2.002 votos válidos, com o seguinte resultado final:
1º Rodolfo Landim: 1.301 votos (65,0%)
2º Marco Aurélio Assef: 284 votos (14,2%)
3º Wálter Monteiro: 283 votos (14,1%)
4º Ricardo Hinrichsen: 134 votos (6,7%)
Resultado das Eleições de 2024
O candidato da Chapa Roxa, da situação, não conseguiu ser eleito, com a vitória tendo sido daquela que se batizou como a "Verdadeira Chapa Azul", pois reunia quase todos os vice-presidentes da Gestão 2013-2018. Foi a maior quantidade de sócios votando na história do clube até então!
Foram 3.260 votos válidos, com o seguinte resultado final:
1º Luiz Eduardo Baptista: 1.731 votos (53,1%)
2º Rodrigo Dunshee de Abranches: 1.166 votos (35,8%)
3º Maurício Gomes de Mattos: 363 votos (11,1%)
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
Gestão Azul: Capítulo 12 - Stop and Go! And Stop!
A virada do Primeiro para o Segundo Turno do Brasileiro 2015 foi sob forte pressão da imprensa e de parte da torcida pela demissão de Cristóvão Borges. A diretoria demorou a investir e a situação no campeonato refletia esta má decisão. O time estava tecnicamente melhor em sua construção ofensiva, e agora era o sistema defensivo quem mostrava suas limitações.
O sorteio colocou Flamengo e Vasco frente a frente pelas oitavas de final da Copa do Brasil. O rival era o 20º e último colocado no Brasileiro, tinha feito apenas 13 pontos nas 19 rodadas do Turno e precisava de um milagre para evitar sua terceira queda à 2ª Divisão. Na semi-final do Carioca, o Vasco fez 1 x 0 e eliminou o Flamengo. No 1º turno do Brasileiro, o Vasco voltou a vencer por 1 x 0. No jogo de ida da Copa do Brasil, Vasco 1 x 0. Panela de pressão! O treinador não resistiu... mais uma troca de técnico. O novo treinador rubro-negro era Oswaldo de Oliveira.
No futebol, a diretoria da Gestão Azul parecia não aprender com seus erros. Quanto às escolhas de técnicos, a história nos três foi praticamente a mesma. Tanto em 2013, quanto em 2014 e 2015, o ano começou dando-se continuidade ao trabalho do treinador que terminara o ano anterior. Em seguida, a demissão e a escolha de um "perfil novo", que se reverteram em passagens curtas, voltando-se a apostar num técnico renomado. Em cada troca, o discurso era "tendo aprendido com nossos erros, aprendemos as lições, agora vai!". A realidade não indicava isto.
O ano 2013 começou dando-se continuidade a Dorival Júnior. Ele ficou oito meses no cargo entre 2012 e 2013. Decidiu-se mudar e foi escolhido Jorginho, que durou só dois meses e meio e 14 jogos no cargo. Apostou-se então em Mano Menezes, que foi o único a causar alguma mudança de padrão, pois pegou a diretoria de surpresa e pediu demissão. Para sucede-lo entrou Jayme de Almeida. O ano 2014 começou dando-se continuidade a Jayme. Ele ficou oito meses no cargo entre 2013 e 2014. Decidiu-se mudar e foi escolhido Ney Franco, que durou só dois meses e 7 jogos no cargo. Apostou-se então em Vanderlei Luxemburgo. O ano 2015 começou dando-se continuidade a Vanderlei. Ele ficou dez meses no cargo entre 2014 e 2015. Decidiu-se mudar e foi escolhido Cristóvão Borges, que durou só dois meses e meio e 18 jogos no cargo. Apostou-se então em Oswaldo de Oliveira. Sem querer, mas um mesmo padrão em cada um dos três anos de gestão.
O trabalho do novo treinador começou com uma importante vitória sobre o São Paulo no Maracanã. Depois, com um empate em 1 x 1 com o rival Vasco, o Flamengo acabou dando adeus prematuro, nas oitavas de final, à Copa do Brasil. Uma eliminação dura. E que obviamente causou tenções ao ambiente da Gávea. Mas no jogo seguinte, o Flamengo venceu o Sport por 1 x 0 em Recife, acabando com uma invencibilidade de 30 jogos do Sport em seu estádio só em partidas de Campeonato Brasileiro. Uma vitória importante, que alçou o Flamengo à 10ª posição, estando a apenas cinco pontos de distância do 4º colocado, permitindo ao clube começar a sonhar com vaga na Libertadores de 2016.
Dentre todas as trocas de treinador durante a Gestão Azul, nenhuma foi mais feliz do que a troca de Cristóvão por Oswaldo. Apesar da eliminação para o Vasco na Copa do Brasil, ele engatou uma impressionante sequência de vitórias. Depois de bater São Paulo e Sport, o Flamengo venceu ao Avaí (3 x 0) e ao Fluminense (3 x 1), chegando à 6ª posição na tabela. Estando só a 3 pontos do G-4, já era claramente possível sonhar com uma classificação à Libertadores. Na rodada seguinte, Maracanã lotado numa quinta-feira à noite e o Flamengo aproveitou a energia. Venceu o Cruzeiro por 2 x 0 e terminou a 24ª rodada em 4º lugar. A imprensa vinha havia tempos martelando que o Flamengo era entre os grandes o que estava há mais tempo fora do G-4, a Zona de Classificação à Libertadores. Depois de 138 rodadas, o jejum estava terminado, desde 2011 a camisa rubro-negra não sabia o que era estar entre os quatro primeiros colocados. A distância para o líder Corinthians era de 13 pontos, para o vice-líder Atlético Mineiro era de 10 pontos, e para o terceiro, Grêmio, era de 7 pontos.
Cinco vitórias consecutivas mesmo com as lesões de Ederson e Paolo Guerrero, ambos de fora desde o empate da Copa do Brasil contra o Vasco. O time titular nesta arrancada: Paulo Victor, Pará, Wallace, Samir e Jorge; Márcio Araújo, Héctor Canteros e Alan Patrick; Everton, Emerson Sheik e Paolo Guerrero (Kayke). O técnico: Oswaldo de Oliveira.
Nas duas rodadas seguintes, no entanto, duas derrotas. A primeira foi a pior, pois com mando de campo o Flamengo levou o jogo para Brasília contra um adversário que estava na Zona de Rebaixamento. Teve a possibilidade de obter uma incrível sequência de 7 vitórias consecutivas, que seria a maior do clube na história de todas as edições de Campeonato Brasileiro, mas acabou derrotado por 2 x 0 pelo Coritiba. Ainda pior pela parada seguinte ser contra o vice-líder, Atlético Mineiro, no Estádio Independência, em Belo Horizonte. O time rubro-negro foi totalmente dominado e acabou goleado por 4 x 1. Mas os demais resultados nestas duas rodadas ajudaram, o Flamengo se manteve em 6º lugar e próximo à Zona de Classificação à Libertadores. E a sequência de jogos trazia os três últimos colocados na tabela: Vasco, Joinville e Figueirense, dois deles no Maracanã. O Clássico dos Milhões ditaria as aspirações possíveis até o fim do ano. Três derrotas seguidas para o Vasco por 1 x 0, incluindo a eliminação para o rival nas oitavas de final da Copa do Brasil. Perder de novo seria imperdoável, ganhar seria renovável. E o Flamengo conseguiu perder! Seis jogos seguidos sem conseguir vencer os cruzmaltinos (dois empates e quatro derrotas). Desde 1988 o Flamengo não perdia quatro vezes para o Vasco dentro de um mesmo ano.
Na sequência, vitória sobre o Joinville no Maracanã, seguida por três derrotas: 3 x 0 para o Figueirense em Santa Catarina, 1 x 0 para o Palmeiras no Maracanã e 1 x 0 para o Corinthians em São Paulo. Ao final da 32ª rodada, o Flamengo estava na 10ª colocação na tabela.
Reta final de Campeonato Brasileiro, seis rodadas para o fim: derrota para o Grêmio em Porto Alegre (2 x 0), goleado sobre o Goiás no Maracanã (4 x 1), empates com Santos e Ponte Preta. Antes mesmo de terminar o campeonato, foi anunciada a saída de Oswaldo de Oliveira. O objetivo era ter um novo treinador para iniciar 2016. Em 21 de agosto, o presidente do Flamengo sentou-se ao lado de Oswaldo, na coletiva de imprensa que apresentava o 8º treinador do triênio 2013-15. Estas foram as palavras de Eduardo Bandeira de Mello reproduzidas pela imprensa lá presente: "A intenção de todo dirigente é construir uma relação duradoura com seus treinadores, nem sempre é possível, estamos aprendendo. O Oswaldo vai durar muito tempo". Durou três meses. O conceito de estabilidade e longo prazo seguiam sendo meros discursos. A gestão dos técnicos foi definitivamente o pior na Gestão Azul.
Nas duas últimas rodadas, com Jayme de Almeida como técnico interino, o Flamengo foi derrotado por Atlético Paranaense (3 x 0) e Palmeiras (2 x 1). Terminou o Brasileiro 2015 como 12° colocado. Nos três anos do primeiro triênio da Gestão Azul, o Flamengo terminou em 11º, 10º e 12º, no primeiro dos três anos ainda perdeu pontos pelo Caso André Santos e terminou em 16º lugar. Nenhuma melhora em termos de competitividade frente ao 11º lugar no Brasileiro de 2012. O Flamengo estava estagnado entre a 10ª e a 12ª posição entre as forças do futebol brasileiro.
Três anos com resultados excelentes no campo financeiro, e bastante medianos no campo de futebol. A aposta daqui para frente era num triênio 2016-2018 no qual o Flamengo voltaria a disputar no topo da tabela a nível nacional. As cartas, no entanto, estavam na mesa, e em 7 de dezembro de 2015 seria escolhido o novo presidente: Eduardo Bandeira de Melo, da Chapa Azul, teria mais três anos de mandato, ou Wallim Vasconcelos, da Chapa Verde, receberia o bastão?
No futebol, a diretoria da Gestão Azul parecia não aprender com seus erros. Quanto às escolhas de técnicos, a história nos três foi praticamente a mesma. Tanto em 2013, quanto em 2014 e 2015, o ano começou dando-se continuidade ao trabalho do treinador que terminara o ano anterior. Em seguida, a demissão e a escolha de um "perfil novo", que se reverteram em passagens curtas, voltando-se a apostar num técnico renomado. Em cada troca, o discurso era "tendo aprendido com nossos erros, aprendemos as lições, agora vai!". A realidade não indicava isto.
O ano 2013 começou dando-se continuidade a Dorival Júnior. Ele ficou oito meses no cargo entre 2012 e 2013. Decidiu-se mudar e foi escolhido Jorginho, que durou só dois meses e meio e 14 jogos no cargo. Apostou-se então em Mano Menezes, que foi o único a causar alguma mudança de padrão, pois pegou a diretoria de surpresa e pediu demissão. Para sucede-lo entrou Jayme de Almeida. O ano 2014 começou dando-se continuidade a Jayme. Ele ficou oito meses no cargo entre 2013 e 2014. Decidiu-se mudar e foi escolhido Ney Franco, que durou só dois meses e 7 jogos no cargo. Apostou-se então em Vanderlei Luxemburgo. O ano 2015 começou dando-se continuidade a Vanderlei. Ele ficou dez meses no cargo entre 2014 e 2015. Decidiu-se mudar e foi escolhido Cristóvão Borges, que durou só dois meses e meio e 18 jogos no cargo. Apostou-se então em Oswaldo de Oliveira. Sem querer, mas um mesmo padrão em cada um dos três anos de gestão.
O trabalho do novo treinador começou com uma importante vitória sobre o São Paulo no Maracanã. Depois, com um empate em 1 x 1 com o rival Vasco, o Flamengo acabou dando adeus prematuro, nas oitavas de final, à Copa do Brasil. Uma eliminação dura. E que obviamente causou tenções ao ambiente da Gávea. Mas no jogo seguinte, o Flamengo venceu o Sport por 1 x 0 em Recife, acabando com uma invencibilidade de 30 jogos do Sport em seu estádio só em partidas de Campeonato Brasileiro. Uma vitória importante, que alçou o Flamengo à 10ª posição, estando a apenas cinco pontos de distância do 4º colocado, permitindo ao clube começar a sonhar com vaga na Libertadores de 2016.
Dentre todas as trocas de treinador durante a Gestão Azul, nenhuma foi mais feliz do que a troca de Cristóvão por Oswaldo. Apesar da eliminação para o Vasco na Copa do Brasil, ele engatou uma impressionante sequência de vitórias. Depois de bater São Paulo e Sport, o Flamengo venceu ao Avaí (3 x 0) e ao Fluminense (3 x 1), chegando à 6ª posição na tabela. Estando só a 3 pontos do G-4, já era claramente possível sonhar com uma classificação à Libertadores. Na rodada seguinte, Maracanã lotado numa quinta-feira à noite e o Flamengo aproveitou a energia. Venceu o Cruzeiro por 2 x 0 e terminou a 24ª rodada em 4º lugar. A imprensa vinha havia tempos martelando que o Flamengo era entre os grandes o que estava há mais tempo fora do G-4, a Zona de Classificação à Libertadores. Depois de 138 rodadas, o jejum estava terminado, desde 2011 a camisa rubro-negra não sabia o que era estar entre os quatro primeiros colocados. A distância para o líder Corinthians era de 13 pontos, para o vice-líder Atlético Mineiro era de 10 pontos, e para o terceiro, Grêmio, era de 7 pontos.
Cinco vitórias consecutivas mesmo com as lesões de Ederson e Paolo Guerrero, ambos de fora desde o empate da Copa do Brasil contra o Vasco. O time titular nesta arrancada: Paulo Victor, Pará, Wallace, Samir e Jorge; Márcio Araújo, Héctor Canteros e Alan Patrick; Everton, Emerson Sheik e Paolo Guerrero (Kayke). O técnico: Oswaldo de Oliveira.
Nas duas rodadas seguintes, no entanto, duas derrotas. A primeira foi a pior, pois com mando de campo o Flamengo levou o jogo para Brasília contra um adversário que estava na Zona de Rebaixamento. Teve a possibilidade de obter uma incrível sequência de 7 vitórias consecutivas, que seria a maior do clube na história de todas as edições de Campeonato Brasileiro, mas acabou derrotado por 2 x 0 pelo Coritiba. Ainda pior pela parada seguinte ser contra o vice-líder, Atlético Mineiro, no Estádio Independência, em Belo Horizonte. O time rubro-negro foi totalmente dominado e acabou goleado por 4 x 1. Mas os demais resultados nestas duas rodadas ajudaram, o Flamengo se manteve em 6º lugar e próximo à Zona de Classificação à Libertadores. E a sequência de jogos trazia os três últimos colocados na tabela: Vasco, Joinville e Figueirense, dois deles no Maracanã. O Clássico dos Milhões ditaria as aspirações possíveis até o fim do ano. Três derrotas seguidas para o Vasco por 1 x 0, incluindo a eliminação para o rival nas oitavas de final da Copa do Brasil. Perder de novo seria imperdoável, ganhar seria renovável. E o Flamengo conseguiu perder! Seis jogos seguidos sem conseguir vencer os cruzmaltinos (dois empates e quatro derrotas). Desde 1988 o Flamengo não perdia quatro vezes para o Vasco dentro de um mesmo ano.
Na sequência, vitória sobre o Joinville no Maracanã, seguida por três derrotas: 3 x 0 para o Figueirense em Santa Catarina, 1 x 0 para o Palmeiras no Maracanã e 1 x 0 para o Corinthians em São Paulo. Ao final da 32ª rodada, o Flamengo estava na 10ª colocação na tabela.
O Flamengo do Brasileiro 2015 foi o time do Stop and Go. And Stop! Ninguém dava muito pelo time no 1º turno. De repente chegaram Oswaldo de Oliveira e algumas contratações e o time emplacou incríveis seis vitórias consecutivas: esperança! Arrancadas como em 2007 e 2009? Na sequência, porém, seis derrotas em sete jogos, e o time não tinha condições de brigar seriamente por nada, não dava para sonhar nem com vaga em Libertadores.
O dia 28 de outubro, na cidade do Rio de Janeiro, foi declarado como o Dia do Flamenguista, por ser este o dia de São Judas Tadeu. E o dia 28/10/2015 foi extremamente simbólico para definir o momento do Clube de Regatas do Flamengo. No campo administrativo-financeiro o Flamengo se tornou, nesta data, o primeiro clube do Brasil a aderir à Lei de Responsabilidade Fiscal do Futebol, o Profut. Aprovação com louvor no campo da gestão administrativa. No mesmo dia, mesmo após uma sequência de derrotas, uma festinha durante a madrugada, recheada a bebidas alcóolicas e prostitutas, envolveu cinco jogadores, que a diretoria decidiu afastar: Marcelo Cirino, Éverton, Alan Patrick, Paulinho e Pará. A gestão futebolística seguia deixando a desejar. Por mais que no triênio 2013-15 tenham havido avanços em profissionalização, o que se via é que ainda restava uma larga caminhada até um padrão mínimo de qualidade.
A gestão do futebol do Flamengo continuava manca. Por que? Porque a estrutura de gestão do futebol ainda tinha muito por ser aperfeiçoada. Um bom trabalho no futebol depende de uma boa escolha das peças de trabalho (jogadores e comissão técnica) e de uma boa liderança para manutenção da ordem dentro do vestiário e do Centro de Treinamento.
Em sua passagem, Paulo Pelaipe deixou a desejar na escolha das peças de montagem do elenco, mas teve um excelente comando do grupo, o que bastou para levar ao título da Copa do Brasil de 2013 (após a conquista do título, ficou marcada a imagem dos jogadores jogando-o para o alto dentro do campo). Rodrigo Caetano foi bem melhor na escolha das peças, mas deixava a desejar no comando do grupo.
Em sua passagem, Paulo Pelaipe deixou a desejar na escolha das peças de montagem do elenco, mas teve um excelente comando do grupo, o que bastou para levar ao título da Copa do Brasil de 2013 (após a conquista do título, ficou marcada a imagem dos jogadores jogando-o para o alto dentro do campo). Rodrigo Caetano foi bem melhor na escolha das peças, mas deixava a desejar no comando do grupo.
Reta final de Campeonato Brasileiro, seis rodadas para o fim: derrota para o Grêmio em Porto Alegre (2 x 0), goleado sobre o Goiás no Maracanã (4 x 1), empates com Santos e Ponte Preta. Antes mesmo de terminar o campeonato, foi anunciada a saída de Oswaldo de Oliveira. O objetivo era ter um novo treinador para iniciar 2016. Em 21 de agosto, o presidente do Flamengo sentou-se ao lado de Oswaldo, na coletiva de imprensa que apresentava o 8º treinador do triênio 2013-15. Estas foram as palavras de Eduardo Bandeira de Mello reproduzidas pela imprensa lá presente: "A intenção de todo dirigente é construir uma relação duradoura com seus treinadores, nem sempre é possível, estamos aprendendo. O Oswaldo vai durar muito tempo". Durou três meses. O conceito de estabilidade e longo prazo seguiam sendo meros discursos. A gestão dos técnicos foi definitivamente o pior na Gestão Azul.
Nas duas últimas rodadas, com Jayme de Almeida como técnico interino, o Flamengo foi derrotado por Atlético Paranaense (3 x 0) e Palmeiras (2 x 1). Terminou o Brasileiro 2015 como 12° colocado. Nos três anos do primeiro triênio da Gestão Azul, o Flamengo terminou em 11º, 10º e 12º, no primeiro dos três anos ainda perdeu pontos pelo Caso André Santos e terminou em 16º lugar. Nenhuma melhora em termos de competitividade frente ao 11º lugar no Brasileiro de 2012. O Flamengo estava estagnado entre a 10ª e a 12ª posição entre as forças do futebol brasileiro.
Três anos com resultados excelentes no campo financeiro, e bastante medianos no campo de futebol. A aposta daqui para frente era num triênio 2016-2018 no qual o Flamengo voltaria a disputar no topo da tabela a nível nacional. As cartas, no entanto, estavam na mesa, e em 7 de dezembro de 2015 seria escolhido o novo presidente: Eduardo Bandeira de Melo, da Chapa Azul, teria mais três anos de mandato, ou Wallim Vasconcelos, da Chapa Verde, receberia o bastão?
sábado, 5 de dezembro de 2015
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Sócio-torcedor Nação Rubro-Negra despencou em novembro
O programa Nação Rubro-Negra havia dado um belo arranque após as contratações de Paolo Guerrero e Emerson Sheik. Porém, com a queda brusca de desempenho da equipe no Brasileiro 2015, a quantidade de sócios-torcedores acompanhou a queda, e a quantidade de sócios despencou,
No dia 26 de novembro o Nação Rubro-Negra completou 32 meses de vida. E com o 11º trimestre de vida incompleto, os números indicam que este poderá ser o pior desempenho trimestral desde a criação do programa.
è o que mostram os números do gráfico abaixo, reforçando que os números do 11º Tri ainda não representam um trimestre completo, correspondendo à variação líquida acumulada em outubro e novembro.
O gráfico de evolução mensal dá uma boa ideia da intensidade da inflexão, mostrando como a quantidade de sócios caiu, o que naturalmente traz resultado sobre as receitas do clube.
O gráfico abaixo mostra a evolução do número total de faturas ativas por trimestre, valores acumulados dos três meses de cada período, que geraram receita para o clube.
Abaixo, segue a evolução do Ticket Médio do Programa Nação Rubro-Negra.
Diante destes números, a previsão de arrecadação com o Sócio-Torcedor em 2015 ficará um pouco abaixo do valor arrecadado em 2014. Também ficará abaixo da previsão que eu fiz aqui quando apresentei os números da Análise Financeira do 3º Trimestre (havia previsto receitas superiores a R$ 30 milhões no acumulado 2015.
A previsão é de que a Receita Acumulada com o Programa de Sócio-Torcedor do Flamengo em 2015 feche o ano na casa de R$ 29,1 milhões.
Ainda assim, vale lembrar que esta receita não existia há três anos atrás. E gerar uma receita nova na casa de R$ 30 milhões é o mesmo, por exemplo, que dobrar as receitas com patrocínio que o Flamengo tem hoje. E não custa lembrar que no Triênio 2010-2012, o Flamengo mal teve receitas de patrocínio. O foco para 2016 deveria ser o de levar este volume de receitas para pelo menos R$ 40 milhões.
domingo, 29 de novembro de 2015
Fanfarronice sem limites
A demissão de Oswaldo de Oliveira é o patético retrato da péssima gestão de treinadores da Gestão Eduardo Bandeira de Mello.
Em 21 de agosto, o presidente do Flamengo sentou-se ao lado de Oswaldo, na coletiva de imprensa que apresentava o 8º treinador do triênio 2013-15. Estas foram as palavras de Eduardo Bandeira de Mello reproduzidas pela imprensa lá presente: "A intenção de todo dirigente é construir uma relação duradoura com seus treinadores, nem sempre é possível, estamos aprendendo. O Oswaldo vai durar muito tempo".
Em 28 de novembro foi anunciada sua saída. Meros três meses depois. "Aprenderam com os erros?". Com certeza não! E dão todos os sinais de que continuarão errando! E o pior é demitir um treinador uma semana antes das eleições presidenciais do clube.
Curiosidade ou não, a última vez que o Flamengo teve tantos treinadores num mesmo ano foi em 2005 (Júlio César Leal, Cuca, Celso Roth, Andrade e Joel Santana) o vice-presidente de futebol era o mesmo que exerce a função neste fim de mandato de Bandeira de Mello: Gérson Biscotto.
Até que ponto Eduardo Bandeira de Mello está realmente comprometido em construir um novo Flamengo? Sua coligação reconectou peças da velha política rubro-negra. Biscotto, do grupo político de Márcio Braga, é um. Plinio Serpa Pinto, do grupo político de Kléber Leite, é outro. Jorge Rodrigues e Marcos Bras, do grupo político de Patrícia Amorim, também são parte deste estranho movimento que toma forma ao fim de sua gestão. Só falta o apoio de Cacau Cotta para a coligação pelo Velho Flamengo estar completa!
Até o interlocutor das novidades voltou a ser o mesmo. No dia da demissão de Oswaldo, Renato Maurício Prado estampava em O Globo: "Muricy Ramalho é o novo treinador do Flamengo". O mesmo RMP que foi ferrenho crítico da gestão Bandeira de Mello, havia perdido seu acesso privilegiado às fanfarronices das notícias antecipadas à imprensa antes de concretizadas (o "Velho Flamengo"). De repente, voltou a ser o porta-voz dos vazamentos e subitamente passou a fiel defensor de Bandeira de Mello.
A outra fanfarronice é o novo treinador. Anunciar um novo nome às vésperas da eleição é de um mau-caratismo imenso. E ainda que não fosse o caso, se este acerto ainda não existir, é porque estariam usando Muricy como cabo eleitoral, o que seria um mau-caratismo igual ou maior.
Em 2010, Muricy Ramalho recebeu mais de meio milhão por mês durante um bom tempo, teve as condições suficientes para levar o Fluminense a ser campeão brasileiro, mas na primeira oportunidade que teve, quando o Santos lhe ofereceu proposta para a Libertadores de 2011, para a qual seu time também estava classificado, ele pulou fora do barco e humilhou o Fluminense, dizendo que os vestiários das Laranjeiras estavam literalmente cheios de ratos. É melhor avisar a ele, que quem tem medo ou nojinho de rato, deveria se manter longe da política rubro-negra.
Qual foi o aprendizado com o episódio Mano Menezes? Em 2013 o Flamengo lhe ofereceu todas as condições de trabalho e um projeto de longo prazo, mas foi só Tite sair do Corinthians e ele pulou fora do barco, pediu demissão, sem dar mínimos detalhes, e foi embora, após alguns meses de trabalho sobre um salário também na casa de meio milhão. Tinha apalavrado o acerto com o Corinthians, que lhe daria melhores condições de trabalho.
O Flamengo não tem um Centro de Treinamento finalizado. Eduardo Bandeira de Mello diz ser adepto da estabilidade ao treinador. Diz ter aprendido com os erros. Mas em 2013 passaram pelo Flamengo: Dorival Júnior, Jorginho, Mano Menezes e Jayme de Almeida. Em 2014 passaram pela Gávea: Jayme de Almeida, Ney Franco e Vanderlei Luxemburgo. E em 2015 o Flamengo foi treinado por Vanderlei Luxemburgo, Cristóvão Borges, Oswaldo de Oliveira e agora Jayme de Almeida. A pergunta é: sem CT e sem estabilidade, o que espera Muricy Ramalho no Flamengo?
Talvez espere apenas que São Paulo, Corinthians ou Palmeiras se encontrem num momento no qual lhe possam oferecer algo que neste momento, por diferentes motivos, e nem todos negativos, nenhum dos três pode.
Estou vendo um Velho Flamengo ressurgir das cinzas diante dos meus olhos. O que falta agora? Voltar às páginas policiais?
7 de dezembro: o que está em jogo? Trata-se do Velho Flamengo vs o Novo Flamengo
Matéria publicada hoje, 25 de novembro, no UOL:
Ex-presidentes agora são Todos por Bandeira de Mello
O presidente Eduardo Bandeira de Mello obteve importantes aliados para tentar se reeleger no Flamengo. Favorito ao pleito de 7 de dezembro, ele conta com o apoio público de ex-mandatários para sair vitorioso e comandar o clube da Gávea por mais três anos. Alguns destes "caciques" fizeram oposição e criticaram duramente a gestão. Mas as diferenças ficaram de lado pelo menos até as urnas abrirem.
Márcio Braga, Kleber Leite, Luiz Augusto Veloso e George Helal são personagens conhecidos na política rubro-negra e manifestaram a preferência pela Chapa Azul. Eles costumam angariar votos dos simpatizantes, principalmente o último.
Márcio e Kleber foram críticos ferrenhos da administração no que diz respeito ao futebol. A dupla passou a se manifestar de forma intensa de um ano para cá. Eles questionaram as ações nas contratações de jogadores e a falta de comando no carro-chefe do clube.
Braga adotou uma espécie de mantra para as críticas. "Eles conduziram muito bem a administração financeira, mas foram um desastre absoluto no futebol". Kleber utilizou o próprio Blog para criticar e até sugerir a união das chapas Azul e Verde.
Com os apoios declarados dos ex-presidentes, as críticas diminuíram em meio ao momento turbulento. George Helal levou consigo o Grande Benemérito Jorge Rodrigues e o ex-vice de futebol Marcos Braz. A maioria da política rubro-negra está com o atual mandatário.
Na divisão entre os grupos, os ex-presidentes Hélio Ferraz e Gilberto Cardoso Filho optaram por Wallim Vasconcellos. Parte dos aliados de Márcio Braga segue este caminho. A Chapa Branca, de Cacau Cotta, não teve manifestação favorável de ex-presidentes até o momento.
Patricia Amorim é capítulo à parte
A ex-presidente é um capítulo à parte na eleição pela forma como deixou o cargo em 2012. Bombardeada por críticas e pela campanha contrária nas redes sociais, Patricia Amorim saiu do Flamengo como uma espécie de "persona non grata".
Até por isso esperava-se nos bastidores que o apoio dela fosse para Cacau Cotta, ex-vice de administração e de Fla-Gávea na sua gestão. Mas não foi o que aconteceu. Como a ex-mandatária nem sequer cogita se juntar ao grupo de Wallim Vasconcellos e Luiz Eduardo Baptista, o Bap, a movimentação a favor de Bandeira de Mello é dada como certa nos corredores do clube.
Patricia não se pronuncia publicamente, mas há quem garanta na Gávea que ela pode voltar ao Rubro-negro para trabalhar nos esportes olímpicos em um possível próximo mandato da Chapa Azul. A reportagem tentou contato com a ex-presidente, porém, não obteve retorno até o fechamento da matéria. Apenas Eduardo Bandeira de Mello respondeu ao questionamento e negou qualquer acerto.
"Não fizemos nenhum acordo e nunca trocamos apoio por cargos. Não sei em quem a presidente Patricia Amorim vai votar, mas nenhum ex-presidente me pediu nada, mesmo aqueles que nos apoiam, casos de André Richer, Antônio Augusto Dunshee de Abranches, Eduardo Motta, Márcio Braga, Luiz Augusto Veloso, George Helal e Kleber Leite", encerrou.
Veja também: Uma Breve História da Política do Flamengo
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
O Corinthians nunca será o Flamengo!
Em 3 de fevereiro de 2012, eu publiquei: Por que o Corinthians não consegue ser o Flamengo?
Em 24 de novembro de 2015, foi a vez do Blog Teoria dos Jogos perguntar: Por que o Flamengo não é um Corinthians?. O Blog Teoria dos Jogos usa inclusive a mesma capa da Placar que eu usei no meu texto.
Eu respondo ao Teoria dos Jogos:
O Flamengo não é um Corinthians, porque o Corinthians nunca será o Flamengo! Nem no dia em que numericamente a quantidade de torcedores que o Corinthians tem em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, superar a quantidade de torcedores que o Flamengo tem espalhados pelo Brasil inteiro, o Corinthians será o Flamengo. Nunca serão!
Vale relembrar aqui a Dispersão das torcidas pelo Brasil, feita recentemente pelo Facebook.
Releia o meu post Por que o Corinthians não consegue ser o Flamengo? e veja no detalhe quais são meus argumentos. Flamengo: A Maior Torcida do Brasil.
Eis abaixo a integra do texto do blog Teoria dos Jogos:
Em fevereiro de 1982 – mês e ano de nascimento deste blogueiro – a revista Placar se saiu com uma de suas capas mais marcantes e polêmicas. Dirigida à época pelo corintianíssimo Juca Kfouri, a publicação questionou o porquê do clube tido e havido como “Flamengo paulista” se encontrar tão abaixo do original. Desestruturado, endividado e com provincianismos de um clube de colônia, o Corinthians chafurdava na Taça de Prata do Brasileirão (equivalente à atual Série B), enquanto o Mais Querido colhia os frutos de sua geração mais vitoriosa – incluindo os títulos da Libertadores e do Mundial, meses antes.
Só que nossa pergunta difere do “por que o Corinthians não é um Flamengo”, de três décadas atrás. A indagação é contrária.
Seria para tanto?
Decerto já houve momentos mais propícios para denotar a reversão de papéis entre os dois gigantes. Um período marcante, por exemplo, foi a temporada de 2005. À época, os do Parque São Jorge, fazendo valer a força de sua marca, atraíram investidores internacionais que culminaram na montagem de um verdadeiro esquadrão. Tal qual há uma semana, atletas de exceção como Tevez e Mascherano deram ao Timão o título Brasileiro daquele ano. Enquanto um Rubro Negro jogado às traças vivia da falta de credibilidade até mesmo para assinar um cheque. Os meses com mais de 90 dias geravam debandadas que fragilizavam o elenco, a ponto de o Flamengo terminar o Carioca na inacreditável oitava colocação. Não só: o time caiu nas oitavas da Copa do Brasil frente ao Ceará, lutando contra o rebaixamento no Brasileiro até as últimas rodadas.
Se hoje as coisas aparentam melhores – ao menos no tocante à catástrofe rubro-negra – por que então a indagação?
A resposta tem origem num panorama novo. Bem administrado após anos de falcatruas, o Flamengo vem fazendo valer seu peso no campo dos negócios. A partir de 2014, o Mengão assumiu a liderança do ranking de receitas e faturamento de marketing, mantendo-se no topo das audiências e das vendas de pay per view. Tais parâmetros, contudo, eclipsam uma intransponibilidade que impede a conversão de cifras em títulos.
Enquanto o Corinthians entra como favorito na maioria das competições, o Flamengo segue na condição de mero figurante em muitas delas – que o diga as duas últimas eliminações na primeira fase da Libertadores. Ao passo que o novo hexacampeão recheia sua sala de troféus, rubro-negros completarão dois anos sem nenhuma conquista.
Novamente: por quê?
Primeiramente, temos a questão da dívida: não basta ter a maior receita se o endividamento também for brutal. Embora a situação do Flamengo tenha melhorado – de inacreditáveis R$ 750 milhões para algo próximo a R$ 450 milhões – não restam dúvidas que a amortização teria apenas tirado o rubro-negro do leito de uma UTI. Longe de ter a “doença” curada, o Fla destina mais de R$ 10 milhões mensais ao pagamento de impostos e passivos diversos. Grosso modo, é como se o Corinthians arcasse com somente metade deste valor. Dinheiro que sobra limpo para investir no que mais importa ao torcedor: a montagem do elenco.
Em segundo lugar, uma questão abstrata chamada “cultura vencedora”, inerente aos que historicamente levaram a sério toda a ciranda do futebol, desde a revelação, passando pelas condições de trabalho e culminando na seriedade da busca pelos objetivos. A cultura vencedora está presente não apenas no Corinthians, mas na maioria dos paulistas – o que explica um São Paulo destroçado pelo maior rival e ainda assim dentro do G4. É ela que justifica os gaúchos sempre tão fortes, raramente vistos lutando por algo diferente do título. Em desenvolvimento também nos de Belo Horizonte, esta é a cultura que há décadas falta não só ao Flamengo, mas a todo o futebol carioca. Se neste período beliscaram conquistas, o fizeram pela grandeza das instituições, à revelia da seriedade com que Flamengos patricistas ou Vascos euriquistas trataram a coisa.
Por fim, e é lógico, existe um sem número de outros “detalhes”: infra estrutura (CTs de ponta e estádios próprios, escassos no Rio); credibilidade institucional (que resulta em mais negócios e maiores somas), etc.
Mas o fato é que nem dívida, nem cultura vencedora, nem infra estrutura ou credibilidade, nada se resgata do dia para a noite. Pelo contrário. São conquistas que levam anos, que dependem da implementação de um novo pensamento e da solidificação do profissionalismo. Algo impossível quando diretorias sérias não se sucedem.
Enquanto não germinarem as sementes plantadas pela atual gestão – seja com os atuais ou seus bons concorrentes – os flamenguistas seguirão desprovidos da satisfação de se verem à frente daqueles que, um dia, neles se espelharam. Já que no Corinthians, mesmo aos trancos e barrancos, o processo de resgate se iniciou ainda na década de 90.
O lado bom é que o Flamengo está, sim, no caminho certo. E mesmo diante do caos vivido há tão pouco tempo, em uma coisa ninguém será um Flamengo: na grandeza de sua torcida. Não é pouco, visto que o resgate passará de maneira indelével pelas mãos da Nação.
Um grande abraço e saudações!
Vinícius Paiva
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Lamentável! Com divisão política, Alexandre Póvoa decide se manter fora do Flamengo no triênio 2016-2018.
A entrevista abaixo foi publicada pelo excelente Blog Ninho da Nação.
Confira uma entrevista que fiz com o vice-presidente de esportes olímpicos, Alexandre Póvoa:
Por que você, após ter participado de toda a gestão nos últimos 3 anos, decidiu ficar neutro nessa disputa eleitoral do Flamengo?
Tenho enorme orgulho de ter participado de um processo duro de sacrifício e coragem de um grupo que se juntou para mudar o Flamengo. Hoje, é até engraçado como as pessoas têm a cara de pau de dizer que “pagar imposto é obrigação e que esse mérito não pode ser atribuído a grupo nenhum”. Engraçado que essas mesmas pessoas ajudaram a construir essa enorme dívida do Flamengo, a partir de apropriação indébita. É uma confissão de culpa o fraco argumento de que trocamos “dívida pública por dívida privada”. Quem se financia com dívida pública é Governo. “Dívida pública” de uma pessoa física/jurídica privada é sinônimo de sonegação de impostos. Muito engraçada também a miopia seletiva de se recusar a enxergar no balanço uma redução auditada de R$ 200 milhões. Teve até um ex-vice-presidente geral que teve a coragem de dizer que “o Flamengo não pagava impostos para sustentar os esportes olímpicos”. Pobres esportes olímpicos, “o culpado pela dívida fiscal do Flamengo”. Risível.
Entre a gente, brigamos muito noite afora nesses três anos, discutimos o tempo todo por todos os meios de comunicação, tomamos decisões certas e erradas, mas fizemos uma reviravolta histórica no Flamengo. Se a FAF entrou para história como o grupo que propiciou a fase mais próspera do futebol do clube, a Chapa Azul original de 2012 (Eduardo, Wallim, Bap, Tostes, Cláudio, Gustavo, Póvoa, Landim, Dr. Walter, Flávio, Wrobel, Rafael, entre outros) vai entrar para os livros rubro-negros como o grupo que revolucionou a gestão no Flamengo, nos livrando da falência. Com todo o respeito às pessoas que saíram logo no começo e/ou as que chegaram depois, que podem e espero até que façam uma boa gestão a partir de agora, a história vai mostrar quem realmente roeu esse osso e assumiu a postura corajosa de enfrentar ciclos viciosos passados.
Fiquei neutro para tentar ainda juntar essas pessoas, objetivo impossível hoje. Na verdade, todos nós (incluindo eu) fomos incompetentes em permitir essa cisão, que somente prejudica o futuro do Flamengo. Faltou inteligência emocional. Depois de tudo que construímos juntos, qual é a condição que eu tinha de tomar partido entre dois lados que tanto contribuíram para a nova realidade? Esse período eleitoral está sendo profundamente frustrante para mim, sobretudo quando ouço agressões de lado a lado entre as Chapas Azul e Verde, com histórias que eu presenciei e que muitas vezes estão sendo distorcidas no calor eleitoral. Começamos a escutar que a Arena Multiuso deixou de ser prioridade, formar time de vôlei não é importante, votar a estrela do basquete no uniforme pode ficar para depois, entre outros fatos que vão esclarecendo muita coisa em termos de visão geral sobre esportes olímpicos.
Comparo o futebol e os esportes olímpicos/clube social a dois filhos do mesmo pai. Ao primeiro, tudo é permitido: hotel cinco estrelas, luxo, investimentos, chance de errar, coluna social, tudo com as bênçãos paternas. Já os esportes olímpicos representam aquele filho ao qual o pai exige total parcimônia, hotel no máximo de duas estrelas. Quando o local tem frigobar, é bronca na certa quando o filho pega uma barra de chocolate, porque “está gastando demais”. Talvez, por tantos sacrifícios realizados, que exigem enorme disciplina e gestão, fizemos e ganhamos tanta coisa.
Enfim, fiquei para ter voz livre para defender e dar voz ao filho que certamente não é o preferido do pai. Por várias razões, a cada dia que passa, tenho ainda mais convicção que tomei a decisão correta de ficar neutro, apesar de como sócio, exercer no dia 07/12 o meu direito de voto.
Por que essa sua certeza da neutralidade aumentou e como você está vendo os esportes olímpicos nesse cenário eleitoral?
Evidentemente, somente considero duas chapas para votar, a Azul e a Verde, oriundas da mesma gestão que mudou o Flamengo. Estou cada vez mais convicto da neutralidade por três razões:
Primeiro, era inevitável que as agressões entre ex-aliados acontecessem. Eu, que participei de toda essa luta, ficaria completamente constrangido se, ao escolher um lado, visse alguma agressão a um companheiro, mesmo em outra chapa.
Segundo, porque havia uma lista grande de projetos para serem entregues na Gávea, que os esportes olímpicos aguardam há anos. Tenho sérias dúvidas se conseguiríamos entregar sem a liderança de alguém totalmente focado, para o bem do Flamengo, sem pensar em eleição. Além das inaugurações físicas, tem o Anjo da Guarda que começa a sua campanha para sustentar as modalidades em 2016.
Terceiro, porque, de fora, consegui observar, sem emoção, que nenhuma das duas chapas vê o Flamengo da forma que eu enxergo: um clube multiesportivo e único (Futebol + Esportes Olímpicos + Fla-Gávea) e indivisível. É claro que o futebol é o carro-chefe do clube, o esporte que tanto amamos. Mas é triste ver os esportes olímpicos e o Fla-Gávea relegados ao quinto plano nessa eleição. Os eventos de apresentação das Chapas Azul e Verde, por exemplo, simplesmente ignoraram que o Flamengo foi campeão mundial de basquete há um ano e as campanhas praticamente não comentam esse fato. Triste. Nos museus do Barcelona e do Real Madrid, essas conquistas têm enorme destaque. O esporte olímpico ainda hoje não é valorizado com um orgulho espontâneo, o mérito repetido é apenas a autossustentabilidade. Há o desconhecimento de que nossos 750 atletas ganharam 97 títulos para o Flamengo nos últimos 34 meses. Uma média de 1 título a cada dez dias de gestão.
É claro que houve ajuda indireta aos esportes olímpicos nesse processo de saneamento financeiro. O inegável grande suporte nesses anos foi a conquista e a manutenção da Certidão Negativa de Débito, que permitiu corrermos atrás, com grande suor, de patrocínios incentivados. Alguns patrocínios privados importantes também vieram graças ao trabalho conjunto. As pessoas não têm ideia do que é fazer esporte olímpico no Brasil (onde boa parte das empresas, por falta de cultura, ignora a existência) e dentro de um clube de futebol como o Flamengo. Aqui, independente da época da gestão, normalmente, de dez vice-presidentes, quatro só conseguem enxergar o futebol (literalmente preferindo que o esporte olímpico não existisse), quatro acham até “legal” que o clube tenha esportes olímpicos (até a página em que atrapalhar o futebol em alguma coisa) e somente dois, em média, lutam realmente de verdade por outras modalidades (um é o VP de Esportes Olímpicos). Esse é o padrão, infelizmente.
Como vê a crítica da Chapa Branca de que, “com exceção do basquete (que foi somente uma continuação do que existia), os esportes olímpicos do Flamengo acabaram e as escolinhas estão destruídas”?
Só posso classificar essas críticas a partir de duas hipóteses: Ignorância ou amnésia. Ou um misto das duas.
A ignorância: 2012: 19 milhões de despesas e 2 milhões de receitas nos esportes olímpicos (17 milhões de déficit financiado pelo futebol); 2015: 30 milhões de receitas e R$ 30 milhões de despesas no mesmo departamento. Será que os esportes olímpicos acabaram ou renasceram?
Em três anos, R$ 57 milhões de recursos foram investidos nos esportes olímpicos, sendo R$ 41 milhões oriundos em leis de incentivo – os bônus de um clube-cidadão – IR, ICMS e Lei Pelé e R$ 16 milhões de origem privada (patrocínios diretos, comitês olímpicos e escola de esportes). Desse montante, R$ 14 milhões foram aplicados diretamente na infraestrutura da Gávea (duas academias de força de alto padrão, dojô totalmente modernizado, Ginásio Kanela e Hélio Maurício completamente reformados, a piscina e o Ginásio Cláudio Coutinho que ainda será inaugurado, além de compra de equipamentos). Investimos na base do Flamengo e em infraestrutura, os alicerces inexistentes para o crescimento foram construídos.
As escolinhas (agora Escola de Esportes Sempre Flamengo) de esportes coletivos só tinham aula em 2012 se os alunos levassem suas próprias bolas para as aulas. Completamente sucateadas. Cada um com sua roupa, sem uniforme. De lá para cá, para equiparar com os clubes da região, dobramos o valor das mensalidades (fomos demagogicamente criticados por isso), passamos de prejuízo e lucro crescente que é reinvestido integralmente no equipamento das modalidades e o número de alunos saltou de 1.900 para 2.600. Com a nova estrutura esportiva da Gávea, planejamos chegar a 4 mil alunos em três anos. Quem realmente é o destruidor de escolinhas?
A amnésia: Passando da ignorância à amnésia, o interessante é a crítica que tenho escutado sobre as duas obras que ainda não foram entregues e que foram exatamente os espaços que encontramos em estado calamitoso em 2012: O Ginásio Cláudio Coutinho (inauguração prevista para o dia 29/11), que sofreu com um lamentável incêndio e a piscina (a nova Myrtha, a mais moderna do mundo, deve estar instalada até o final do ano e em pleno funcionamento em março/16), que foi interditada porque estava literalmente desabando e jorrando litros na conta de agua do clube. Antes de criticar a demora das reformas (feitas com recursos incentivados), seria interessante os críticos puxarem pela memória e perguntar as razões daquele terrível estado dos locais ao responsável pelo Fla-Gávea 2012. Alias, é até covardia comparar a atual condição de infraestrutura esportiva da Gávea hoje com três anos atrás, apesar de eu reconhecer que podemos evoluir muito na parte de eventos sociais.
Quanto ao basquete, realmente a modalidade sempre foi uma tradição no clube, da qual inclusive tenho orgulho de ter participado como atleta laureado. Acho que essa diretoria deve ter tido algum mérito, sem falsa modéstia, na conquista de um tricampeonato da NBB (que não era ganho desde 2008/2009), a inédita Liga das Américas e de ter entrado de forma pioneira no radar da NBA. Fomos simplesmente campeões do mundo, o maior título da história recente do Flamengo (e o pessoal da monocultura futebolística ainda rejeita a estrela do basquete no uniforme do clube!). De repente, tivemos apenas mais sorte que outras diretorias …
Sobre o “Esporte Olímpico grande” que esse pessoal prega – equipe de natação sem piscina, time de judô com dojô quente e com goteiras, time de basquete e vôlei com vestiário caindo aos pedaços, atletas sem receber durante meses (estamos terminando somente agora de pagar algumas dívidas) e tudo 100% financiado pelo futebol – o Flamengo não sentirá saudades.
Tenho profundo respeito pelas antigas diretorias, sem exceção. Fui criado dentro da Gávea, sou atleta laureado. Só chegamos a esse nível hoje, porque desde a fundação do remo, há 120 anos, todos lutaram muito. Sem a nossa linda história, não teríamos chegado até aqui. Por isso, acho lamentável esse tipo de declaração eleitoreira, da pior qualidade e que não reconhece o trabalho que foi realizado (pela gestão original, dos companheiros que hoje estão espalhados entre a Chapa Azul e Verde e os grandes profissionais ao nosso lado). Mas quanto a isso não me preocupo, porque tenho a convicção que o sócio reconhece tudo isso e aposto que o somatório da Chapa Azul e Verde atingirá os 90% nessa eleição de 7 de dezembro.
Ganhando a Chapa Azul ou Verde, ambas já anunciaram que convidarão você para continuar como VP de Esportes Olímpicos. Quais são as metas da próxima gestão na pasta?
2013 foi um ano de sobrevivência, 2014 foi de organização e 2015 da autossustentabilidade. No próximo triênio, com a infraestrutura totalmente reformada, o vice-presidente que assumir deve buscar a excelência na formação e a reconstrução paulatina de equipes de alto nível nas diversas modalidades. A autossustentabilidade financeira e de estrutura não deve consistir mais em elogio, mas em obrigação. O Projeto Cuidar, que será lançado até o final de novembro e que vai unificar a Ciência dos Esportes Olímpicos (medicina, preparação física, fisiologia, fisioterapia, nutrição, entre outros) em um só núcleo na Gávea, representa apenas o começo dessa nova fase, a ponta desse iceberg. Temos que aproveitar ao máximo o ciclo até a Rio2016, “sugando” todo o conhecimento possível do Comitê Olímpico Americano e do Comitê Olímpico Britânico (em fase final de negociação), que estarão na Gávea.
A questão é que ser autossustentável não pode ser um fim em si mesmo. Deve ser apenas uma etapa do processo de crescimento que vem agora. Quero lutar para que o sucesso do basquete rubro-negro seja um exemplo para outros esportes, que devem paulatinamente voltar a formar equipes de ponta. Mas fica a pergunta: O Flamengo de hoje quer somente que os esportes olímpicos sobrevivam e não sejam um estorvo para o futebol, ou o Flamengo de hoje almeja um projeto de clube multiesportivo, com sucesso em várias modalidades?
Como não vejo nos grupos que disputam a eleição, sinceramente, essa visão de um Flamengo desse multiesportivo e indivisível (futebol, esportes olímpicos e clube social), acho pouco provável que eu continue à frente da pasta no próximo triênio. Gosto muito de algumas pessoas de ambos os lados, respeito profundamente a opinião de todos os grandes rubro-negros, mas identifico a existência de uma visão grandiosa somente para o futebol do clube. Se esse é o caminho preferido pela maioria, há de ser respeitado, mas me recuso a participar dessa ótica. O meu Flamengo é C.R. Flamengo e não “Flamengo Futebol Clube”, apesar de eu ser “o primeiro” a chegar ao Maracanã ou a qualquer outro estádio, com total assiduidade de quem não gosta pay per view quando o assunto é Flamengo. Com todo o respeito, há dezenas de milhares de clubes de futebol pelo mundo. Agora, o número de clubes de futebol multiesportivos de alto nível não passa de 100 no planeta. Eu me orgulho demais de o Flamengo fazer parte dessa seleção.
A definição estratégica sobre o crescimento de esportes olímpicos e do clube social deve partir claramente do grupo que ganhar a eleição e não apenas de uma minoria que o compõe. Depois de anos de reestruturação profunda, chegou a hora de a chapa vencedora nas próximas eleições se posicionar de forma cristalina sobre o assunto, de preferência antes do pleito. Que sejamos um clube de futebol apenas, se esse for pensamento legítimo da maioria dos sócios do Flamengo. Vou lamentar, mas hoje estou tranquilo quanto a essa potencial transição para uma pessoa na posição de vice-presidente (que atenda os objetivos de quem vencer a eleição), dado que formamos uma área estruturada com um Diretor Executivo de alto nível – Marcelo Vido – e um grupo de profissionais supercompetentes em cada modalidade e na área de projetos incentivados. A Comunicação tem ajudado bastante, mas continuo insistindo que temos que voltar ao modelo de marketing dos Esportes Olímpicos separado do futebol, dado que esse absorve o tempo e a energia de todos.
Enfim, tenho enorme orgulho do verdadeiro trabalho de time que fizemos nos Esportes Olímpicos no triênio 2013-15 (Conselho Diretor, profissionais, comissões técnicas e atletas) e do grupo do qual participei e aprendi muito (a Chapa Azul completa de 2012 – dividida entre a Chapa Azul e Verde de 2015) e que hoje propicia condições ao Flamengo de voltar a sonhar muito grande novamente. Estarei sempre por perto para ajudar o clube da forma que for. Quem sabe, no futuro, terei condições de realizar o meu sonho e objetivo de alçar voos mais altos na política do clube, que sempre será a minha segunda casa. Certamente, propondo de forma clara e aberta, o meu compromisso e sonho de um futebol muito forte, mas sempre acompanhado de outras modalidades vencedoras e um clube social grandioso, colocando o Flamengo na dimensão que ele merece.
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
Análise do Resultado Financeiro do Flamengo no 3º Trimestre
O Flamengo publicou o Balanço Financeiro do 3º Trimestre de 2015.
Para relembrar os resultados anteriores, revisite a análise detalhada dos números referentes ao fechamento de 2014 (veja aqui) e análise dos números do 1º Tri e análise dos números do 2º Tri.
A análise mais uma vez se debruçará sobre indicadores de estoque: Empréstimos de Curto Prazo, Dívida e Razão Dívida/Receita Anualizada (indicadores de estoque são um retrato de momento) e em indicadores de fluxo: Receita Total, Receitas Brutas do Futebol e Resultado Líquido (os indicadores de fluxo são crescentes no exercício, acumulando-se ao longo do ano até o resultado anual final).
Eu havia dito na Análise do Balanço Financeiro de 2014: "o que mostra como a situação, ainda que tendo melhorado bastante, está longe de ser tranquila é que cresceram nestes dois anos tanto os Empréstimos com vencimento de curto prazo (eram R$ 70,9 milhões no fechamento de dezembro de 2014), quanto o volume de Contas a Pagar de curto prazo (eram R$ 51,8 milhões no fechamento de dezembro de 2014). Estas duas rubricas precisam ser atentamente acompanhadas nos exercícios de 2015 e 2016".
Estas contas precisam ser monitoradas de perto, como termômetro da Saúde Financeira do Flamengo. As contas a pagar de curto prazo estão estáveis, já os empréstimos seguem em viés de alta! É nesta rubrica que cabe maior atenção! Ao fim do 3º Tri 2015, eram R$ 74,2 milhões em empréstimos de curto prazo, bem acima dos R$ 53,7 milhões do fim do 1º Tri e acima dos R$ 70,9 milhões do fim de 2014, e muito maior ainda do que os R$ 32,3 milhões verificados no fim de 2013.
Quanto aos fluxos, notícias muito boas! O nível de receitas do Flamengo continua muito bom, mantendo o patamar de 2014, quando o clube passou a ser o líder em receitas no futebol brasileiro.
O Flamengo teve em 2014 a maior receita da história do futebol brasileiro: R$ 334,3 milhões. A receita do 1º Tri 2015 havia sido maior que a do 1º Tri 2014 (R$ 86,8 MM vs R$ 85,7 MM, um aumento de R$ 1,1 milhão). A do 2º Tri foi levemente menor que a do 2º Tri 2014 (R$ 163,7 MM vs R$ 164,9 MM). No 3º Tri o acumulado supera em quase R$ 10 milhões o resultado no mesmo período do ano anterior (R$ 253,0 milhões vs R$ 243,2 MM). O Flamengo caminha a passos largos para o Bi-campeonato Nacional em Receita. O caminho indica que as receitas em 2015 deverão ser maiores que em 2014.
A receita com patrocínio do futebol também subiu, R$ 9 milhões a mais do que o verificado no mesmo período do ano anterior. Coroa o excelente trabalho de marketing da diretoria. Com a crise econômica grave pela qual passa o país, esta rubrica tende a sofrer nos próximos doze meses, mas é um problema que já afeta a todos os clubes, que tendem a sofrer neste quesito mais do que o Flamengo (muitos já estão sofrendo bastante).
O endividamento mantém a trajetória de queda. A razão entre dívida e receita era de 3,6x no fim de 2012, passou a 2,4x no fim de 2013 e a 1,7x no fim de 2014 e agora está em 1,4x. Excelente desempenho, aproximando-se da relação observada em clubes cujas finanças são consideradas exemplo, e não por coincidência são os clubes que brigam na ponta da tabela do Campeonato Brasileiro na última década. Neles esta proporção está abaixo de 1,0x.
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