terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

1987

Abaixo, trecho de "A Nação", páginas 146 e 147:

"No segundo semestre de 1987, houve o famoso episódio no qual os clubes mais tradicionais do Brasil se rebelaram, cansados da forma não lucrativa do Campeonato Brasileiro, que reunia mais de quarenta equipes. As maiores agremiações futebolísticas do país fundaram o Clube dos 13. Sob as mãos lavadas da CBF, organizaram a Copa União. Essa foi a primeira e maior revolução na história do futebol brasileiro. A iniciativa foi bem-sucedida, levada adiante pelos principais clubes do país contra os desmandos de uma Confederação Brasileira arcaica e sustentada por interesses feudalistas e clientelistas. O Clube dos 13 formou-se com Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, São Paulo, Palmeiras, Santos, Corinthians, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Grêmio, Internacional e Bahia. Eram os treze clubes de maior torcida no Brasil. Eles organizaram seu próprio campeonato e convidaram Santa Cruz, Goiás e Coritiba para estruturar um torneio com dezesseis times. Foram organizadas quatro divisões, com dezesseis clubes cada, batizadas como Módulos Verde, Amarelo, Azul e Branco, em alusão às cores da bandeira nacional. A Confederação Brasileira de Futebol teve de engolir e viu a Copa União iniciar-se e transformar-se em um sucesso absoluto de público.

Mas a CBF não assistiu quieta por muito tempo; quando o torneio já passava da metade, com várias rodadas disputadas, a CBF resolveu que só aceitaria o torneio se houvesse um cruzamento entre os dois primeiros colocados dos módulos verde e amarelo. O vencedor de um quadrangular entre estas quatro equipes seria declarado campeão nacional. Os dezesseis clubes que disputavam o Módulo Verde prontamente se recusaram a aceitar tal imposição e firmaram acordo de que não cumpririam tal determinação. Havia muitos clubes insatisfeitos por terem sido relegados na escolha dos dezesseis que fariam parte da Primeira Divisão (Módulo Verde). Por pressão de clubes como Bangu, América, Guarani, Portuguesa, Atlético Paranaense, Sport Recife e Náutico, a CBF inventou aquele cruzamento esdrúxulo. O Clube dos 13 não aceitou a interferência, sob a alegação de que a CBF havia consentido na fórmula inicialmente acordada. Os treze clubes revoltosos firmaram então um documento, no qual se comprometiam a não disputar tal quadrangular sugerido pela confederação. E assim foi. Flamengo e Internacional foram, respectivamente, campeão e vice do Módulo Verde. Sport e Guarani dividiram o título do Módulo Amarelo (na final, a decisão por pênaltis terminou empatada por 11 a 11). Como Fla e Inter se negaram a jogar o quadrangular, Sport e Guarani fizeram um jogo, vencido pelo primeiro, que foi declarado campeão nacional pela CBF, tendo os dois disputado a Taça Libertadores de 1988.

Nesta vida, há coisas que são e que não são, não importa o que seja dito. Um time que é declarado campeão em uma competição na qual não se defrontou com nenhuma das treze maiores forças do país, jamais será considerado um campeão de verdade. Não há nada forjável que assim o faça ser, independentemente das conjecturas oficiais e políticas".

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