quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Casas do Flamengo: Estádios dos Rivais

100 Anos de Futebol do Flamengo

Mais uma série aqui no blog, extraída das páginas de A NAÇÃO, para celebrar o Centenário do Futebol Rubro-Negro: Casas do Flamengo.

Sem casa própria, o Flamengo viveu 100 anos de futebol em muitas casas, fossem emprestadas, alugadas, cedidas pelo poder público. A história do Flamengo começou sem haver sequer campo para treinar, os jogadores treinavam em praça pública, na Praia do Russel. O primeiro campo foi a na Rua Paissandu, naregião limítrofe entre os bairros do Flamengo e Laranjeiras. Depois foi o modesto campo da Gávea. Nenhuma delas, propriedade à altura do C.R. Flamengo. Vamos visitar cada uma destas casas.
Serão 6 capítulos:
Maracanã, o Templo Maior / Estádios dos Rivais / A Rua Paissandu / A Gávea / Juiz de Fora e Taguatinga / Arena da Ilha, Raulino e Moacirzão
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No campos dos rivais: General Severiano, Laranjeiras, São Januário, Caio Martins e Engenhão

"Apesar da ainda pequena popularidade deste esporte, já nos primórdios, era o Flamengo o clube a conseguir aglomerar mais gente para ver um jogo de futebol. A partida entre Flamengo e Botafogo, no dia 30 de maio de 1915, em General Severiano, levou cerca de 15 mil expectadores ao estádio, um recorde para aqueles tempos, numa época em que a população do Rio de Janeiro ainda era de pouco menos de 1,5 milhão de habitantes. O Flamengo vinha de duas vitórias consecutivas por 5 a 0 sobre Fluminense e São Cristóvão, deixando sua torcida empolgada. E venceu mais uma, por 2 a 1. Começava a florescer a popularidade do vermelho e preto". (A NAÇÃO, pg. 32)

Estádio de General Severiano, do Botafogo, capacidade para 15 mil
 
"O Flamengo carecia, com urgência, de um estádio. De 1912 a 1915, mandava seus jogos no campo do Botafogo, em General Severiano. De 1916 a 1932, passou a mandá-los em seu próprio campo, na rua Paissandu, no bairro do Flamengo, em um terreno pertencente à família Guinle, a mesma que era dona do Copacabana Palace. Ao fim de 1932, os proprietários solicitaram o terreno, e o Flamengo voltou a ficar sem casa. Foi então que se conseguiu o terreno na Gávea, onde começou a construção do novo estádio. Entre 1933 a 1938, antes da conclusão da obra, o Flamengo teve que mandar seus jogos no campo do Fluminense, nas Laranjeiras, que ficava em frente – literalmente do outro lado da rua – ao campo da rua Paissandu.". (A NAÇÃO, pg. 49)

Estádio do Botafogo, em General Severiano, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro
 
"Os clubes que disputaram os primeiros torneios se dividiam entre o norte e o sul da cidade. Entre os times da Zona Sul estavam o Fluminense e o Botafogo, pioneiros do futebol carioca, o próprio Flamengo e seu vizinho de bairro, o Paysandu – da colônia inglesa – e o Carioca, do Jardim Botânico. Os jogos destes times eram mandados nas Laranjeiras, campo do Fluminense, ou em General Severiano, do Botafogo. Foi neste último que o rubro-negro jogou suas primeiras partidas como mandante". (A NAÇÃO, pg. 34)
 
"Nos anos de 1910, foi um Flamengo e Botafogo que lotou General Severiano e mostrou, pela primeira vez, que o futebol estava superando o remo no gosto e no conceito popular. Nos anos de 1920, um Flamengo x Vasco superlotou as Laranjeiras de uma forma que não havia acontecido nem na final do Sul-Americano para a gente ver a conquista da seleção brasileira. Ao final dos anos 40, foi um jogo do Flamengo em São Januário, contra o Southampton, que marcou o recorde de público em jogos de futebol na era pré-Maracanã". (A NAÇÃO, pg. 76)

Estádio do Fluminense, no bairro das Laranjeiras: capacidade para 18 mil torcedores
 
"Até 1932, o Flamengo havia enfrentado adversários estrangeiros só cinco vezes (três jogos nas Laranjeiras, um em São Januário e um na rua Paissandu): uma vitória (sobre o Peñarol), um empate (com o Barracas, da Argentina) e três derrotas (duas vezes para o Universal e uma para o Montevidéu Wanderers, ambos do Uruguai)". (A NAÇÃO, pg. 45)
 
"Foi igualmente em 1948 que o Flamengo enfrentou pela primeira vez um clube europeu. O Southampton, da Inglaterra, veio em excursão ao Brasil. A partida contra o Flamengo foi em 6 de junho de 1948, em São Januário, e juntou, segundo estimativa da Polícia Militar feita à época, 40 mil pessoas no estádio do Vasco (que tem capacidade oficial para 35 mil). Foi o acontecimento do ano. O Flamengo perdeu por 3 a 1, mas a torcida saiu satisfeita, dizendo que o Mengo havia conseguido jogar de igual para igual contra os ingleses, inventores do futebol". (A NAÇÃO, pgs. 66-67)

Estádio de São Januário, do Vasco: capacidade para 25 mil torcedores
 
"Esta era de tantas glórias cariocas terminou no final do primeiro semestre de 1992, com a final do Campeonato Brasileiro entre Flamengo e Botafogo – campeonato no qual o Vasco ainda terminou em terceiro lugar. Neste jogo, por alguns segundos, o Gigante ficou mudo, em silêncio absoluto: minutos antes de começar a partida, a plateia assustada viu parte da grade da arquibancada despencar, um episódio no qual morreram três torcedores e cerca de noventa saíram com ferimentos. Esta tragédia forçou o fechamento do estádio por seis meses. Os jogos do Campeonato Carioca de 1992 foram disputados em São Januário, estádio do Vasco. Depois de reaberto, o estádio teve uma significativa redução em sua capacidade, e o menor poder de faturamento através da arrecadação junto ao público pagante mexeu com as finanças dos clubes cariocas". (A NAÇÃO, pg. 149)
 
"Antes da inauguração do Maracanã, o Flamengo também usou muitas vezes o São Januário. De 1938 e 1950, jogou 66 vezes por lá em partidas contra outros adversários que não o Vasco, que era proprietário do estádio, e, obviamente, lá mandava seus jogos". (A NAÇÃO, pg. 201)

"Para fugir deste ônus, a primeira alternativa tentada no período posterior à inauguração do Maracanã foi com a utilização do estádio Caio Martins – pertencente à prefeitura de Niterói, com capacidade para 12 mil pessoas, e que, nos anos 90, foi concedido ao Botafogo. Entre 1985 e 1994, a equipe rubro-negra atuou 42 vezes nele como mandante". (A NAÇÃO, pg. 201)

Em Campeonatos Brasileiro foram alguns poucos jogos em Caio Martins, incluindo um duelo contra o Santos em 1991 e um contra o Corinthians em 1993. O estádio era mais utilizado para jogos contra os pequenos do Campeonato Carioca.

Estádio de Caio Martins, pertencente à Prefeitura de Niterói, foi o estádio do Canto do Rio até 1963, depois foi cedido ao Botafogo na década de 1990. Tinha capacidade para 12 mil torcedores
 
A última casa rival utilizada foi o Engenhão, estádio construídopelo poder público para os Jogos Pan-Americanos de 2007, e que o Botafogo ganhou concessão para utilização por 20 anos.
 
Estádio joão Havenlange, o Engenhão, no bairro do Engenho de Dentro, no Rio
Capacidade para 45 mil torcedores
 
A relação do Flamengo com o Engenhão começou avassalora: nos 23 primeiros jogos no estádio, entre 2008 e 2011, foram 15 vitórias, 7 empates e só 1 derrota. Depois uma sequência de 6 jogos sem vencer no estádio (5 empates e 1 derrota) e 6 vitórias consecutivas. Até o fim de 2011, eram 24 vitórias no Engenhão, 18 empates e apenas 5 derrotas, em 47 duelos.

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