terça-feira, 4 de outubro de 2016

Grandes Temporadas: Campeão Brasileiro de 1982

O Flamengo havia terminado a temporada de 1981 com as maiores conquistas de sua história, a Libertadores da América e o Mundial Interclubes. Para o Campeonato Brasileiro de 1982, disputado no 1º semestre, entrava como favoritíssimo ao título. Tinha uma escalação que todos seus torcedores sabiam: Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior, Andrade, Adílio e Zico, Tita, Nunes e Lico. O técnico continuava sendo Paulo César Carpegiani, que em 1981 tinha trocado seu lugar no meio de campo rubro-negro, aposentando-se dos campos, por sua primeira experiência como técnico de futebol.

A única troca de peça no elenco na virada de ano foi a saída do lateral reserva Nei Dias, que foi para o Fluminense. Para seu ligar foi contratado Jacenir, do Campo Grande, do Rio de Janeiro, lateral que ficou muito pouco tempo na Gávea, e que anos depois conseguiu alguma projeção com a camisa do Corinthians. A lateral-direita também perdeu o reserva, Carlos Alberto sofreu uma lesão que o deixou longo tempo ausente. Para repor, a diretoria fez um teste com a contratação por empréstimo de Djalma Braga junto ao Matsubara, do Paraná.

O elenco rubro-negro na disputa do Brasileiro de 1982 era formado por:

Goleiros: Raul e Cantareli
Laterais: Leandro, Júnior e Jacenir
Zagueiros: Marinho, Mozer e Figueiredo
Volantes: Andrade e Vitor
Meias: Adílio e Zico
Pontas: Tita, Popéia, Chiquinho, Lico e Édson
Atacantes: Nunes, Ronaldo Marques, Reinaldo Potiguar, Peu e Anselmo





Na 1ª fase, o Flamengo fez sua estréia com um resultado espetacular no Maracanã. Sua primeira partida após as férias foi o primeiro jogo válido pelo Campeonato Brasileiro, sem qualquer amistoso para aquecer os motores. O Flamengo deu, naquela tarde, uma amostra inquestionável da grandeza daquele time, que 40 dias antes conquistara o Mundial. Depois de estar perdendo por 2 a 0 para o São Paulo no 1º tempo, o Flamengo foi buscar uma sensacional virada e venceu por 3 x 2, com dois gols de Zico e um de Andrade.

Naquele campeonato, os 40 clubes estavam organizados em oito grupos de cinco. Os três primeiros avançavam automaticamente à 2ª fase, e ainda haveriam repescagem entre os quarto colocados, de forma que 24 clubes no total avançariam à 2ª fase. Os jogos eram em turno e returno. O Flamengo atropelou seus adversários. Venceu ao São Paulo por 3 x 2, ao Náutico por 4 x 3, em Recife, goleou ao Treze, da Paraíba, por 5 x 0, e venceu ao Ferroviário, do Ceará, por 3 x 0, estes dois confrontos tendo sido jogados no Maracanã. Com quatro vitórias em quatro jogos, já estava garantido na fase seguinte. No returno, fez 3 x 1 no Treze, em Campina Grande, e 2 x 1 no Ferroviário, em Fortaleza. Só perdeu ponto no sétimo jogo, quando empatou por 1 x 1 com o Náutico, no Maracanã. Para fechar com chave de ouro, bateu o São Paulo por 4 x 3 no Morumbi. Um time que estava jogando o fino do futebol.

Na 2ª fase, os clubes foram divididos em oito grupos de quatro, que jogariam em turno e returno, e os dois primeiros de cada grupo avançavam à fase de mata-mata, que começaria a partir das oitavas de final. O forte grupo rubro-negro tinha Corinthians, Atlético Mineiro e Internacional. O primeiro jogo foi no Morumbi diante da geração que ficou conhecida como Democracia Corinthians, com Sócrates, Wladimir, Casagrande e Biro-Biro. Empate em 1 x 1.

Na sequência, dois jogos no Maracanã, vitória por 2 x 1 no Atlético e empate em 1 x 1 com o Inter. A campanha no turno não foi boa, e no returno a maioria dos jogos eram fora do Rio. Classificação ameaçada? Pior ainda quando o Flamengo perdeu por 3 x 1 para o Galo no Mineirão. O jogo seguinte, no Beira-Rio, era fundamental para as pretensões rubro-negras, uma derrota implicaria numa quase desclassificação. Até o empate era ruim. Zico abriu o placar, mas os colorados viraram, com gols de Mauro Pastor e Geraldo. Aos 30 minutos do 2º tempo, o centroavante reserva Reinaldo Potiguar empatou para o Flamengo. E aos 42 minutos do 2º tempo, Vítor fez o gol que selou uma virada heroica. Um jogo que mostrou que aquele time também tinha banco de reservas que dava conta.

No último jogo, uma vitória por 2 x 0 no Corinthians, no Maracanã selou a classificação. Nas oitavas, o adversário foi o Sport Recife. Não foi fácil. O rubro-negro carioca fez 2 x 0 no Maracanã, e foi jogar contra o rubro-negro pernambucano em Recife. Saiu atrás, mas com gol de Leandro, buscou o empate antes do intervalo. Tomou ou gol no 2º tempo e sofreu pressão por um gol. No fim, Sport 2 x 1 e Mengo classificado às quartas, para pegar o Santos.

Foi outra pedreira. Vitória por 2 x 1 no Maracanã, gols de Tita e Marinho, e um empate por 1 x 1 no Morumbi. Muita luta, muita pressão, mais uma vez o time resistiu e conseguiu avanças. Na semi-final, o adversário era o Guarani, de Campinas, onde brilhava Jorge Mendonça. Depois de uma vitória magra no Maracanã, no primeiro jogo da semi-final, todos sabiam que seria uma pedreira a partida em Campinas. Mas quando Zico está numa noite inspirada, não há pedreira que resista. Com três gols do Galinho de Quintino, o Mengo fez 3 a 2 e garantiu presença, pela segunda vez em sua história, na final do Campeonato Brasileiro.

A final foi contra o Grêmio, que eliminara o Corinthians na outra semi-final, e que por ter melhor campanha tinha a vantagem de fazer a segunda partida em casa, e de ser sede também de um eventual jogo-desempate, em caso de resultados iguais. Quando a primeira partida, no Maracanã, terminou empatada em 1 x 1, com o Flamengo tenso sofrido gol aos 38 minutos do 2º tempo, e ido buscar o empate com um gol de Zico aos 44 minutos do 2º tempo, a missão de evitar que o troféu ficasse em Porto Alegre parecia improvável.

No 2º jogo, um empate em 0 x 0 levou o confronto para um terceiro jogo, mais uma vez a ser jogado no Estádio Olímpico. Conquistar um título sobre o Grêmio em plena Porto Alegre, é tarefa para quem joga muita bola. Depois de dois empates, a taça parecia estar mais inclinada para os lados do sul do país. Mas com um gol de Nunes, o Mengo foi Bi-campeão Brasileiro sobre um time fortíssimo, que viria a conquistar a Taça Libertadores do ano seguinte.

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