terça-feira, 19 de junho de 2018

Gestão Azul: Capítulo 19 - Estancando o sangramento


Mais uma vez: Crise na Gávea! Após as seis demissões no Departamento de Futebol depois da eliminação para o Botafogo no Campeonato Carioca, a primeira peça a ser reposta foi a de Diretor Executivo do Futebol: para o lugar de Rodrigo Caetano, o escolhido foi o Diretor das Divisões de Base, no clube desde 2010, Carlos Noval. Em sua primeira entrevista, o novo diretor afirmou que a escolha do novo treinador seria rápida, levaria no máximo cinco dias. Todas as fichas foram colocadas em Renato Gaúcho, técnico do Grêmio. Ele recusou a proposta rubro-negra, apesar de financeiramente mais vantajosa. Os dias se passavam sob um suposto trabalho silencioso, deixando muitas incertezas no ar. A estreia no Campeonato Brasileiro e a terceira rodada da Fase de Grupos se acercavam, nada se definia, ninguém se manifestava. Os trabalhos de campo eram comandados enquanto isto pelo "jovem" Maurício Barbieri, treinador de 36 anos contratado como auxiliar para a Comissão Técnica Permanente no início da temporada, e que acumulava passagens por Audax Rio, Red Bull Brasil, Guarani e Desportivo Brasil. Nenhum resultado expressivo no curriculum. Como seu auxiliar, foi promovido Maurício Souza, técnico que no início de 2018 havia comandado o time Sub-20 na conquista do título da Copa São Paulo de Juniores. A vaga de gerente de futebol foi deixada vaga. As novas peças da engrenagem tinham muito pouca experiência com futebol profissional e trabalhariam sob uma pressão por resultados enorme. Um momento decisivo se acercava, e havia um sentimento de náu a deriva. Com estas decisões, a diretoria havia assumido um altíssimo risco. Ela foi deixando a dupla, medindo como se saía resultado a resultado.

Uma pequena amostra de como estavam os ânimos é bem resumida pelas palavras de Mauro Cézar Pereira, jornalista do canal ESPN, ilustrando o tom e o peso das críticas que soavam por vários lados, referindo-se à negativa de Renato: "Para que ele iria sair do Grêmio para treinar o Flamengo? Para que ele iria se meter com Bandeira de Mello e Fred Luz? Os caras que não entendem nada de futebol e ficam na beira do campo atrapalhando. O Renato tem carta branca no Grêmio, faz o que ele quer, vai ficar brigando com os dois no Fla? Lidando com elenco de jogadores mimados, paparicados, que não gostam de nada, que foram reclamar com o vice de futebol outro dia, com os números do GPS: ‘você falou que a gente não correu. Nós corremos sim, está aqui anotado’, e perderam para o Botafogo, não ganharam do Fluminense, foram eliminados. O Flamengo com a sua gestão de futebol ridícula, péssima, pífia e patética". Opiniões similares ressoavam nas vozes de outros jornalistas. Havia uma ferida aberta e jorrando sangue. Só resultados em campo estancariam o sangramento.

Sob este cenário, a primeira e principal missão rubro-negra, para se libertar do trauma das três competições continentais anteriores, era passar da 1ª fase na Copa Libertadores. Era pouco, mas num primeiro momento era o fundamental. O Flamengo caiu mais uma vez num grupo difícil. Na 1ª rodada, jogando no Rio de Janeiro de portões fechados, em função da pena aplicada pela Conmebol pelos distúrbios em volta do Maracanã na final da Copa Sul-Americana 2017 entre Flamengo e Independiente, uma largada num clássico continental contra o River Plate. Já de cara, pela dificuldade do grupo, e pela experiência do ano anterior, quando o time rubro-negro não conseguiu a classificação ao vencer as três partidas em casa, mas perder as três fora, havia uma forte pressão pelos 3 pontos já no primeiro jogo, o qual se arrastou truncado, com pouquíssimas chances de gol de lado a lado. Até que, já no 2º tempo, Diego foi derrubado na área e Henrique Dourado converteu o pênalti. Mas não deu tempo de comemorar, pois no minuto seguinte, em posição de clamoroso impedimento após uma bola alçada na área, o time argentino empatou. O time rubro-negro, no entanto, não tardou muito, conseguiu voltar a liderar o placar, com gol de Everton. Porém, a partir daí, com o jogo já passando da metade da etapa final, o time recuou e se fechou defensivamente, despachando chutões para longe, sem conseguir segurar a bola no ataque, virando um jogo de ataque contra defesa. Estratégia arriscadíssima que cobrou seu preço. No fim, aos 41 minutos do 2º tempo, um chute de fora da área colocou 2 x 2 no marcador. Justo castigo à apatia e ao acovardamento do time naquela noite. No outro jogo do grupo, em Bogotá, Independiente Santa Fé e Emelec empataram em 1 x 1. Ao fim da 1ª rodada, todos empatados na largada do grupo.

Na 2ª rodada, parecia que iria se repetir o filme do ano anterior, quando no primeiro confronto fora de casa, contra o Universidad Católica, no Chile, o time dominou, criou poucas chances de gol, tomou um gol do 2º tempo e saiu derrotado. Desta vez, o Flamengo foi ao Equador para enfrentar ao Emelec, e o filme parecia que iria se repetir quando os equatorianos balançaram as redes já quase na metade da etapa final. O Flamengo não tinha um domínio tão amplo como aquele frente à Católica, no Chile, no ano anterior, mas tinha mais tempo com a posse de bola, e não via o adversário conseguir criar nenhuma chance de muito perigo. Isto até ver suas redes serem balançadas. Desta vez, porém, o Flamengo obteve uma virada heroica. O elemento novo, para mudar a repetição da história, entrou em campo logo após o gol do Emelec: Vinícius Júnior, 17 anos, àquele momento já vendido ao Real Madrid como maior transação de um jogador Sub-20 até então na história do futebol mundial. O garoto fez dois golaços, aos 32 e aos 40, e garantiu uma vitória daquelas de "lavar a alma". Resultado importantíssimo para não deixar os flamenguistas abatidos e pressionados para as rodadas seguintes. O fantasma de uma eventual nova eliminação logo na Fase de Grupos atormentava a alma rubro-negra. No outro jogo do grupo na rodada, River Plate e Independiente Santa Fé empataram sem gols em Buenos Aires. Assim, ao fim da rodada, o Flamengo era o líder do grupo com 4 pontos.

Na 3ª rodada, o time enfreontou ao Independiente Santa Fé, da Colômbia, novamente num Maracanã sem público, em seu último jogo pagando a punição pelos distúrbios causados por sua torcida na final da Copa Sul-Americana. Dias antes Carpeggiani havia sido demitido, e, em crise, o time estava pressionado para que obtivesse um resultado positivo. Abriu o marcador logo no início, e na sequência teve algumas oportunidades de ampliar, obtendo total domínio sobre o adversário nos 25 minutos iniciais. Ainda no 1º tempo, porém, na única chance real de gol que o adversário teve no jogo inteiro, o time rubro-negro cedeu o empate. A maior posse de bola em todo o 2º tempo não se converteu em gol. Mais um empate em casa, levando o time a viajar sob a obrigação de vitória para a Colômbia na rodada seguinte para não correr risco de eliminação, mais um jogo com ar de decisão. Na 4ª rodada, o time obteve um novo empate contra o Independiente Santa Fé, na altitude de 2.640 metros de Bogotá, na Colômbia, num jogo no qual o Flamengo não fez mais do que lutar para manter o empate sem gols, resultado que ainda assim não lhe dava conforto na tabela de classificação.

Seguiu-se mais um jogo decisivo no Maracanã na 5ª rodada, desta vez com público e estádio cheio, mas desta vez com o time rubro-negro entrando em campo já tendo ciência do resultado do outro jogo do grupo: o River Plate havia vencido ao Santa Fé na Colômbia, garantindo sua classificação, e permitindo ao Flamengo saber que bastava a vitória em casa diante do Emelec para o clube assegurar matematicamente sua classificação à fase mata-mata. Foi sofrido, mas o time rubro-negro venceu por 2 x 0. Abriu o marcador no início do 2º tempo, correu riscos nos minutos finais, e já nos acréscimos sacramentou a vitória para matematicamente exorcisar o fantasma de três eliminações seguidas em Fase de Grupos. Para fechar a 1ª Fase, na última rodada um clássico continental em Buenos Aires, um jogo que o Flamengo não teve vontade de ganhar e o River Plate não teve vontade de perder, ficou em 0 x 0. No outro jogo, o Independiente Santa Fé fez 3 a 0 sobre o Emelec no Equador. Classificação final: 1º River Plate com 12 pontos, 2º Flamengo com 10, 3º Independiente Santa Fe com 7, e 4º o Emelec com apenas 1 ponto. O Flamengo não perdeu nenhum dos seis jogos, mas só venceu ao Emelec. Bastou, mas a sensação era de que havia sido pouco. Mas para "conter o sangramento" e amançar os espíritos, para aquele momento já era suficiente.

Em meio a toda a turbulência, uma dificuldade a mais, o time perdeu uma peça importante. O São Paulo pagou a multa rescisória e contratou Everton, o jogador mais regular no time flamenguista. As dificuldades se acumulavam, mas o time respondia em campo: em meio à maratona do calendário do futebol brasileiro, o time ainda começou em paralelo sua luta na Copa do Brasil, enfrentando à Ponte Preta pelas oitavas de final. Superou o adversário e avançou à fase seguinte, que assim como a Libertadores, só seria disputada após a paralisação no calendário para a disputa da Copa do Mundo na Rússia. Sorteados os confrontos, dois duelos duríssimos reservados para o mês de agosto: o Flamengo enfrentaria ao Grêmio pelas quartas de final da Copa do Brasil, e ao Cruzeiro pelas oitavas de final da Copa Libertadores. Algumas batalhas já haviam sido vencidas, mas era necessário, para estancar o sangramento, e trabalhar com calma durante a pausa para a Copa, que o desempenho no Campeonato Brasileiro atendesse às expectativas de rubro-negros e críticos. Esta demanda também foi atendida...

A largada era fundamental, porque era a sequência mais fácil dentre as que estavam por ser jogadas. Na 1ª rodada, o Flamengo fez 1 x 0 em Salvador contra o Vitória antes do relógio marcar 1 minuto de jogo, gol de Lucas Paquetá. Aos 10 do 1º tempo, no entanto, tudo mudou. A bola bateu na cabeça de Everton Ribeiro em cima da linha, o juiz viu mão, marcou pênalti, e expulsou o atacante. Jogo empatado e o time rubro-negro com um a menos em campo. No 2º tempo, num lance de impedimento, o zagueiro Réver colocou o Flamengo de novo a frente. Mas não tardou muito, pois numa bola cruzada na área em que Juan não fez a marcação como deveria, o jogo ganhou números finais. Muita reclamação com a arbitragem, e um empate na estreia, na tabela o Flamengo aparecia em 10º lugar ao fim da rodada de abertura. Na 2ª rodada, jogo em casa contra o recém acendido da Séie B América Mineiro. Obrigação pelos 3 pontos. Festa de despedida do goleiro Júlio César. O time rubro-negro não vinha fazendo um bom jogo, mas num lampejo do oportunismo que fez dele artilheiro do Campeonato Brasileiro anterior com a camisa do Fluminense, Henrique Dourado abriu o marcador. Pouco depois, ele mesmo sofreu pênalti ao driblar o goleiro, cobrou, e colocou 2 x 0 no placar. Foi o suficiente para garantir o resultado e os três pontos. Ao fim da 2ª rodada, com 4 pontos, o Flamengo era o 3º nos critérios de desempate. Só o Corinthians havia vencido 2 vezes. Atlético Paranaense, Flamengo, Vasco, Palmeiras, São Paulo e Grêmio tinham 1 vitória e 1 empate. Na 3ª rodada, jogo fora de casa em Fortaleza contra o Ceará, em que o time obteve uma importante vitória, não desperdiçando a oportunidade de pontuar perante uma equipe que muito provavelmente terminaria o campeonato na parte de baixo da tabela. Em meio a uma grave crise, com o time viajando sob protesto e tentativas de agressão partindo de torcidas organizadas aos jogadores, o time reverteu a pressão. Vinícius Júnior marcou duas vezes, e Diego completou a vitória por 3 x 0 que colocou o Flamengo ao fim da rodada como líder isolado do Campeonato Brasileiro com 7 pontos, um a mais do que Corinthians, Atlético Mineiro e América Mineiro, e dois a mais do que Atlético Paranaense, São Paulo, Palmeiras e Botafogo. Desde 2011 o Flamengo não terminava uma rodada na liderança do Brasileirão.

Na 4ª rodada, jogo em casa contra o Internacional, que voltava de uma temporada na Série B. Ingressos mais baratos e casa cheia: 55 mil pagantes e 60 mil presentes para empurrar o time e celebrar a volta de Paolo Guerrero, que entrou em campo na etapa final. Na segunda metade do 2º tempo, o Flamengo resolveu o jogo, com gols de Lucas Paquetá e Everton Ribeiro, em dois chutaços de fora da área. Líder, com 10 pontos e tendo no retrovisor ao vice-líder, Palmeiras, com 8 pontos, e seis clubes com 7 pontos: Corinthians, Vasco, Grêmio, Atlético Mineiro, Fluminense e Sport Recife. Na 5ª rodada, visita à Chapecoense em Santa Catarina. Usando um time reserva, já que haveria confronto decisivo pela Libertadores na 4ª feira seguinte, o time saiu atrás no 1º tempo. Conseguiu o empate no início do 2º tempo através de Paolo Guerrero, que jogava seu segundo jogo desde o fim da suspensão de 6 meses por doping. Mas o árbitro Leandro Vuaden, então, inventou um pênalti para a Chape e o time rubro-negro voltou a ficar atrás no marcador. Logo depois, porém, conseguiu mais uma vez obter o empate, que sustentou até os 44 minutos do 2º tempo, quando o goleiro César falhou: Chape 3 x 2. O empate teria deixado o Flamengo na liderança isolada com 11 pontos. Porém, ao fim da rodada Flamengo, Corinthians e Atlético Mineiro tinham 10 pontos, com o Flamengo sendo o líder pelo melhor saldo de gols. Foi tão só a 3ª vez na história do Campeonato Brasileiro por pontos corridos que o Flamengo conseguiu obter pelo menos 10 pontos nas 5 primeiras rodadas: igualou 2016, e só ficou atrás do desempenho de 2008. Detalhe, em todos os pontos que perdeu, o time rubro-negro foi descaradamente prejudicado pela arbitragem.

Na 6ª rodada, o Flamengo entrou em campo poucos dias após a vitória decisiva pela Libertadores que lhe garantiu o avance às oitavas de final. Maracanã cheio para o clássico frente do Vasco, que vinha em má fase. Mas clássico, é clássico! O time rubro-negro saiu na frente. Diego Alves estava havia 618 minutos sem tomar gol. Porém, pouco depois de abrir o placar, o time tomou o gol de empate. Depois do gol, praticamente não criou novas chances de gol. Com o resultado, o Flamengo saiu da liderança: ao fim da rodada o líder era o Atlético Mineiro com 13 pontos, e Flamengo (pelo saldo de gols, 2º colocado), Corinthians e Palmeiras tinham 11 pontos. Para dificultar, uma trapalhada do árbitro no fim do jogo resultou numa confusão que gerou 2 expulsões de cada lado. A arbitragem tirava assim dois titulares para o duelo contra o líder na rodada seguinte, quando o time foi a Belo Horizonte para enfrentar o Atlético Mineiro, que recebia casa cheia. Fechado na defesa, o time rubro-negro deu a posse de bola ao adversário e resistiu bravamente à pressão. No 2º tempo, Vinícius Júnior fez bela jogada individual em contra-ataque e tocou para Everton Ribeiro, com o gol vazio, completar para as redes. Vitória decisiva fora de casa, com o Flamengo voltando à liderança com 14 pontos, contra 13 pontos de Fluminense, Atlético Mineiro e São Paulo, num campeonato ainda bastante embolado, com a diferença do líder para o 11º colocado sendo de apenas 4 pontos.

Na 8ª rodada, jogo com Maracanã cheio contra o Bahia, que lutava para escapar da Zona de Rebaixamento. O time rubro-negro dominou amplamente o 1º tempo, e foi premiado com dois gols nos cinco minutos que antecederam ao intervalo. No 2º tempo, conteve a pressão baiana, e garantiu mais três pontos que lhe mantinham na liderança. O líder tinha 17 pontos, seguido pelo São Paulo com 16 pontos, e Corinthians, Fluminense, Internacional e Sport Recife com 14 pontos. Na rodada seguinte, o Maracanã recebeu um duelo direto pela ponta do campeonato: Flamengo x Corinthians, o clássico das massas. Jogo duro e muito disputado, com o Flamengo chegando a manter mais de 75% da posse de bola na maior parte do jogo. No fim, aos 35 minutos do 2º tempo, Felipe Vizeu, que havia entrado no lugar de Henrique Dourado, completou com maestria o rebote dado pelo goleiro corinthiano após magistral jogada de Diego e bela conclusão de Lucas Paquetá. Líder, com 20 pontos, o Flamengo abria 4 de vantagem para Cruzeiro, Grêmio e São Paulo. Na 10ª rodada, clássico carioca em Brasília, um Fla-Flu com mando de campo tricolor disputado no Estádio Mané Garrincha. Num jogo duro, o Flamengo dominou o 1º tempo e conseguiu um gol de pênalti sofrido pelo colombiano Marlos Moreno. No 2º tempo, o time recuou, explorou os contra-ataques, e conseguiu o 2º gol, sacramentando a vitória por 2 x 0. Líder isolado, com 23 pontos, o clube abria vantagem para o Sport Recife, com 18, e Palmeiras, São Paulo, Atlético Mineiro e Cruzeiro, que tinham 17. O Flamengo igualava seu melhor início para 10 primeiras rodadas na história desde que o Campeonato Brasileiro passou a ser por pontos corridos: 23 pontos, igualando a campanha na largada em 2008.

Mais dois jogos para fechar este excelente desempenho antes da parada de inter-temporada durante a Copa do Mundo. O Flamengo enfrentou ao Paraná Clube no Maracanã, em mais um duelo em casa contra uma equipe que estava na parte de baixo da tabela. Era fundamental não perder pontos. Sem ter uma grande atuação, o time foi suficientemente eficiente. Em cobrança de falta, Diego fez 1 a 0 no 1º tempo. Com oportunismo, Felipe Vizeu, em seu primeiro toque na bola após entrar no lugar de Henrique Dourado, fez 2 a 0 no 2º tempo. O líder saltava a 26 pontos, abrindo vantagem de seis pontos para Atlético Mineiro e São Paulo, que eram os vice-líderes. Na 12ª rodada, um jogo dificílimo na Arena do Palmeiras em São Paulo contra um adversário direto na luta pelo título. Logo no início do jogo, sob o alvoroço de um estádio lotado, os palmeirenses fizeram 1 a 0, interrompendo uma nova sequência de Diego Alves de 618 minutos sem levar gol. O jovem time rubro-negro sentiu a pressão, mas não arrefeceu. Segurou a pressão, cresceu no jogo, e no 2º tempo conseguiu o empate em gol de cabeça do jovem zagueiro Matheus Thuler. Numa partida ríspida, na qual os paulistas abusavam da violência sob um pulso frouxo da arbitragem, o clima foi esquentando até culminar numa confuão generalizada já nos acréscimos que resultou em três expulsões para cada lado. O Flamengo perdia Cuéllar, Jonas e Henrique Dourado para o primeiro jogo após a parada durante a Copa do Mundo (partida contra o vice-líder São Paulo, no Maracanã). O líder Flamengo tinha 27 pontos, seguido por Atlético Mineiro e São Paulo com 23, e Internacional com 22. Àquela altura, a vantagem para o Grêmio era de 7 pontos, para o Palmeiras era de 8 pontos, e para o Corinthians era de expressivos 11 pontos.

Estes 27 pontos representavam a melhor campanha rubro-negra acumulada em 12 primeiras rodadas na história do Campeonato Brasileiro por pontos corridos, superando o desempenho em 2008, quando o clube obteve 26 pontos nas doze primeiras rodadas. Nem mesmo o fato de ter perdido três zagueios lesionados - Réver, Juan e Rhodolfo - forçando o time a atuar com uma zaga muito jovem, nem a extensão da pena de doping imposta pela FIFA a Paolo Guerrero após novo julgamento, nada impediu o time de Maurício Barbieri de conseguir um impressionante arrancada no Brasileirão 2018. A escalação era praticamente a mesma de Carpeggiani - Diego Alves, Rodinei, Réver, Léo Duarte e Renê; Cuéllar, Lucas Paquetá e Diego; Éverton Ribeiro, Henrique Dourado e Vinícius Júnior - mas a organização tática e o padrão de jogo eram outros. O time parou de insistir em cruzamentos, e passou a trabalhar melhor a posse de bola. Não jogava um futebol vistoso, mas atuava de forma extremamente eficiente. Na parada o time perderia Vicícius Júnior e Felipe Vizeu, que já estavam vendidos respectivamente para Real Madrid e Udinese. Outras peças vinham sendo assediadas, e novas contratações certamente seriam feitas. Primeira parte da missão cumprida. Sangramento estancado! No 2º semestre, as chances de conquista de um título expressivo nuca tinham sido tão altas.


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