terça-feira, 3 de maio de 2022

Futebol do Flamengo de 2016 a 2022: investimentos com lastro e uma nova era de ouro


HISTÓRIA DO FUTEBOL DO FLAMENGO

A NOVA ERA DE OURO DO FUTEBOL RUBRO-NEGRO (2016 a 2021)
Uma revolução financeira e a prudência dos investimentos com lastro


Após um primeiro mandato priorizando a reestruração financeira, e enfrentando a realidade de passar alguns anos longe da disputa por títulos de expressão, Eduardo Bandeira de Mello prometeu que colheria os frutos de sua primeira gestão no mandato dos três anos seguintes, para o qual foi reeleito. Porém, o grupo original que havia vencido a eleição de dezembro de 2012 havia se dividido, e os dissidentes formaram chapa contra ele na eleição de dezembro de 2015. Dos nomes que seguiram apoiando Bandeira de Mello em seu segundo mandato, apenas Cláudio Pracownik, Flávio Willeman e Alexandre Póvoa tinham estado em sua gestão entre 2013 e 2015. Concorrendo contra ele, na chapa encabeçada por Wallim Vasconcelos, e que saiu derrotada naquela eleição, estavam Luiz Eduardo Baptista (o "BAP"), Rodrigo Tostes, Gustavo Oliveira e Rodolfo Landim.

Na eleição seguinte, em dezembro de 2018, esta ala dissidente a Bandeira de Mello voltou a concorrer, desta vez encabeçada por Rodolfo Landim, que desta vez venceu a Ricardo Lomba, candidato do presidente que estava a frente do clube naqueles seis anos entre 2013 e 2018. E dos nomes daquele grupo da eleição de 2012, os que tiveram algum cargo no mandato de Landim foram: Luiz Eduardo Baptista, Rodrigo Tostes, Gustavo Oliveira e Wallim Vasconcelos. E já no primeiro ano deste novo mandato, o Flamengo teve o desempenho mais espetacular e vitorioso de toda a sua história!

Com a recuperação administrativa e financeira do Flamengo, passou a existir capacidade de investimentos lastreados num ganho de receita já obtido, e não sobre uma receita futura esperada, como aconteceu na história do clube entre 1995 e 2000. Os resultados desta eficiência de gestão apareceram em campo: a partir de 2016, o Flamengo iniciou uma longa série de edições consecutivas do Campeonato Brasileiro na qual terminou entre os seis primeiros colocados. De 1967 a 2015, o Flamengo havia sido 6 vezes campeão, e terminado apenas dez vezes entre a 2ª e a 6ª colocações. Em 49 edições do Brasileirão neste período havia ficado 16 vezes no Top 6.


Depois de haver dado em 2015 os primeiros sinais de recuperação na capacidade de realização de investimento na contratação de reforços de peso para o time de futebol, com as chegadas de Paolo Guerrero, Emerson Sheik e Marcelo Cirino, a diretoria do clube focou em investir na contratação de um técnico de peso para a temporada de 2016, investindo num nome que era quase uma unanimidade no cenário nacional naquele momento: Muricy Ramalho. Um treinador multicampeão, que havia sido quatro vezes campeão brasileiro - com o São Paulo em 2006, 2007 e 2008, e com o Fluminense em 2010 - e três vezes campeão paulista - com o São Caetano em 2004 e com o Santos em 2011 e 2012 - tendo ainda com o alvi-negro praiano sido o campeão da Libertadores de 2011.

O elenco foi bastante reformulado. Para fazer caixa, o jovem zagueiro Samir, poucos anos antes ascendido do sub-20 rubro-negro, foi vendido à Udinese, da Itália, e o centroavante Kayke para o Yokohama Marinos, do Japão. E também deixaram o clube: Pablo Armero, Ayrton, Marcelo, Jonas, Luiz Antônio, Almir e Paulinho. E foram contratados 7 reforços naquele início da temporada: o goleiro Alex Muralha, do Figueirense, o lateral-direito Rodinei, da Ponte Preta, o veterano zagueiro Juan, de volta ao clube que o revelou, que estava no Internacional, o lateral-esquerdo Chiquinho, do Santos, os volantes Willian Arão, do Botafogo, e Gustavo Cuellar, do Deportivo Cali, da Colômbia, e o meia Federico Mancuello, do Independiente, da Argentina. Como apostas, foram contratados também o lateral-esquerdo Arthur Henrique, do América de Natal, e o zagueiro Antônio Carlos, do Avaí (que jogou pouquíssimo no Flamengo, e depois foi titular do time do Palmeiras campeão brasileiro de 2018). Muricy tinha em mãos um elenco mais qualificado do que o dos anos anteriores.

Em 2016, a fórmula do Carioca voltou a ser modificada. O 1º turno era formado por dois grupos de 8 clubes cada, com cada clube enfrentando aos adversários do outro grupo. Ao fim das oito rodadas, os quatro primeiros de cada grupo avançavam para jogar a Taça Guanabara, na qual todos se enfrentavam e os quatro primeiros colocados avançavam para fazer a semi-final do Estadual. No 1º turno, o time rubro-negro venceu seis dos oito jogos, com direito a duas goleadas por 5 x 0, sobre Portuguesa e Resende, porém tendo empatado com o Boavista e perdido de 1 x 0 para o Vasco. No 2º turno, só venceu três dos sete jogos, empatando com Vasco, Fluminense e Botafogo, e tropeçando com uma derrota por 1 x 0 para o Volta Redonda. Avançou como 4º colocado à semi-final.

O adversário no mata-mata era novamente o Vasco, para quem havia perdido e sido eliminado no ano anterior. A vantagem do empate era cruzmaltina. A partida, por motivos financeiros, foi disputada na Arena Amazônia, em Manaus. E o Vasco voltou a eliminar ao Flamengo. Fez 1 a 0 no 1º tempo, com gol do ex-rubro-negro Andrézinho, e quando era pressionado pelo empate, conseguiu o segundo gol, através do colombiano Riascos. O recapitalizado Flamengo começava mal a trajetória na qual esperava chegar ao topo do futebol do Brasil e da América do Sul.

Flamengo no Carioca de 2016
Paulo Victor, Rodinei, Wallace, Juan e Jorge; Cuéllar, Willian Arão, Mancuello (Alan Patrick) e Gabriel; Marcelo Cirino e Paolo Guerrero
Téc: Muricy Ramalho
Banco: Alex Muralha, César Martins, Márcio Araújo, Éderson, Éverton, Emerson Sheik e Felipe Vizeu

Apesar do tropeço, a diretoria rubro-negra estava determinada a dar toda a continuidade que fosse necessária a Muricy Ramalho. Para a disputa do Brasileirão, foram feitas poucas mudanças no elenco. Saíram dois zagueiros, César Martins que voltou de empréstimo ao Benfica, e Wallace Reis, que aceitou proposta financeira do Grêmio. Arthur Henrique e Antônio Carlos também acabaram dispensados. E foram contratados 3 reforços: os zagueiros Réver, do Internacional, e Rafael Vaz, do Vasco, e o meia Fernandinho, do Grêmio. O elenco estava entre os mais fortes do campeonato.

No entanto, os planos de continuidade ao trabalho do treinador foram interrompidos por um acaso do destino: Muricy Ramalho sofreu uma taquicardia causada por stress e os cardiologistas o mandaram se afastar dos campos de futebol. Ele comandou a equipe rubro-negra apenas na 1ª rodada, uma vitória sobre o Sport Recife. Diante da situação inesperada, a diretoria rubro-negra decidiu então apostar numa solução caseira, e o cargo de treinador foi dado a Zé Ricardo, técnico que comandou o time sub-20 que havia conquistado em janeiro daquele ano o terceiro título vermelho e preto da Copa São Paulo de Juniores (campeão também em 1990 e 2011), com uma geração da qual faziam parte o goleiro Thiago, o zagueiro Léo Duarte, o volante Ronaldo, os meias Lucas Paquetá e Matheus Sávio, e o centroavante Felipe Vizeu.

Foi um campeonato fora do padrão, pela troca de treinador forçada e pelo posicionamento político contrário ao processo de cessão do Maracanã à iniciativa privada, que levou o clube a jogar fora do Rio de Janeiro a temporada inteira. Os primeiros jogos como mandante foram realizados no Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, mas logo as partidas passaram a ser ora no Estádio Mané Garrincha, em Brasília (as de maior apelo de público), ora no Estádio Kléber Andrade, na cidade de Cariacica, no Espírito Santos (as de menor apelo de público). O excesso de viagens certamente foi sentido fisicamente pelo elenco.

Ainda assim a campanha no 1º turno foi muito boa, com 10 vitórias, 4 empates e 5 derrotas, o que representou um aproveitamento de 60% dos pontos disputados. Desde que o campeonato passou a ser por pontos corridos, em 2003, era tão só a terceira vez que o clube alcançava dez vitórias num turno, sendo aquele o melhor 1º turno feito pelo clube até então, superando o de 2008. E era o 3º melhor turno feito pelo clube, só superado pelas campanhas no 2º turno em 2007 e em 2009. O Flamengo estava cabeça a cabeça na luta pela liderança, ao lado de Corinthians, Palmeiras, Santos, Grêmio e Atlético Mineiro. Apesar da maratona de viagens, e de estar sob a batuta de um treinador sem experiência no profissional, o grupo se manteve vivo na luta pelo título.

Flamengo no 1º Turno do Brasileiro de 2016
Alex Muralha, Pará (Rodinei), Réver, Rafael Vaz e Jorge; Márcio Araújo, Willian Arão, Alan Patrick (Mancuello) e Éverton; Marcelo Cirino e Paolo Guerrero
Téc: Muricy Ramalho, depois Zé Ricardo
Banco: Paulo Victor, Léo Duarte, Cuéllar, Gabriel, Éderson, Fernandinho e Felipe Vizeu

Para o 2º turno, a baixa no elenco foi a de um jogador que estava sendo muito pouco usado, o argentino Héctor Canteros, que seguiu para o Vélez Sarsfield. E seguindo um trabalho de paulatino fortalecimento do elenco, foram feitas mais 3 contratações. A principal delas foi a do meia Diego Ribas, que regressava ao Brasil após doze anos na Europa, onde vestiu as camisas de Porto, Werder Bremen, Juventus, Wolfsburg, Atlético de Madrid e Fenerbahce. Junto a ele, chegaram o zagueiro argentino Alejandro Donatti, do Rosário Central, e o centroavante Leandro Damião, do Santos. Para fechar, regressou ao clube o jovem meia Adryan, após ter sido cedido por empréstimo ao Cagliari, da Itália, ao Leeds United, da Inglaterra, e ao Nantes, da França. Era, definitivamente, o elenco mais forte que o Flamengo conseguiu formar em duas décadas.

No 2º turno, o time praticamente repetiu a campanha do 1º turno, voltando a alcançar 10 vitórias. Mas o time não conseguia vencer confrontos diretos contra as equipes da ponta da tabela, e isto lhe custou caro. Entre a 21ª e a 24ª rodada, encaixou quatro vitórias consecutivas, como mandante sobre Grêmio e Ponte Preta, e como visitante sobre Chapecoense e Vitória. Com a sequência, saltou à vice-liderança, com 46 pontos, um a menos do que o líder Palmeiras, seu adversário na rodada seguinte. Empolgada com a sequência positiva, e confiante pela a crença "deixou o Flamengo chegar, já era, que ele vai ser campeão", a torcida rubro-negra viralizou nas redes sociais estar sentindo o "cheirinho do hepta".


O duelo pela 25ª rodada era contra o líder alvi-verde na Arena do Palmeiras. Alan Patrick pôs o time rubro-negro a frente, mas Gabriel Jesus empatou aos 37 minutos do 2º tempo, impedindo o Flamengo de assumir a liderança. Seguiram-se mais cinco jogos sem derrota, com vitórias sobre Figueirense, Cruzeiro, Santa Cruz e Fluminense, e um empate sem gols com o São Paulo, levando a uma série de 10 jogos invictos entre a 21ª e a 30ª rodada (8 vitórias e 2 empates, ambos na capital paulista). Também embalado por uma série invicta, o Palmeiras seguia líder com um ponto de vantagem: 61 contra 60. E a torcida rubro-negra, otimista, seguia ostentando o "cheirinho de título".

Pela 31ª rodada, o time perdeu de virada para o Internacional, por 2 x 1, em Porto Alegre. Depois empatou três jogos seguidos, contra Corinthians, Atlético Mineiro e Botafogo, e viu os palmeirenses abrirem vantagem. Nas quatro últimas rodadas, não perdeu, venceu a América Mineiro e Santos, e empatou com Coritiba e Atlético Paranaense, terminando o campeonato em 3º lugar, com 71 pontos, atrás do campeão Palmeiras e do vice Santos. E nos anos seguintes teve que aguentar as provocações pelo "cheirinho" que não se converteu em título. Mas, vale a ressalva que foi a primeira vez que o Flamengo superou os 70 pontos conquistados desde que a fórmula do Brasileirão por pontos corridos foi adotada.

Flamengo no 2º Turno do Brasileiro de 2016
Alex Muralha, Pará, Réver, Rafael Vaz e Jorge; Márcio Araújo, Willian Arão, Diego, Gabriel e Éverton; Paolo Guerrero (Leandro Damião)
Téc: Zé Ricardo
Banco: Paulo Victor, Juan, Cuéllar, Alan Patrick, Mancuello, Marcelo Cirino, Fernandinho e Emerson Sheik

Após o bom desempenho no Brasileirão de 2016, ainda que com a perda do título, a diretoria deu continuidade ao trabalho de Zé Ricardo. No elenco, foram necessários ajustes. Em fim de contrato de empréstimo, Alan Patrick regressou ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, e Fernandinho ao Grêmio. Para encorpar o caixa, o jovem lateral-esquerdo Jorge, outra cria da base rubro-negra, foi vendido ao Monaco, da França. Com pouco espaço no elenco, também saíram o goleiro Paulo Victor, que seguiu para o Gaziantepspor, da Turquia, e o atacante Emerson Sheik, rumo à Ponte Preta. E ainda houve uma sexta baixa, com a saída de Chiquinho para o Shonan Bellmare, do Japão. Para reforçar ao elenco foram adquiridos 5 reforços, com a contratação de dois laterais-esquerdo - Renê, do Sport Recife, e o peruano Miguel Trauco, do Universitário -, um volante - Rômulo, ex-Vasco, do Spartak Moscou, da Rússia - e um atacante - o colombiano Orlando Berrío, do Atlético Nacional de Medellín -. E por empréstimo houve a chegada do meia argentino Dario Conca, ídolo do Fluminense, e que se recuperava de uma grave cirurgia no joelho, cedido pelo Shangai SIPG, da China, e com contrato de risco, só recebendo salário se entrasse em campo.

Em paralelo a tudo isto, o investimento feito nos anos anteriores no desenvolvimento das divisões de base seguia trazendo resultados. No Sub-20, o clube foi campeão da Copa São Paulo de Juniores em 2016 e em 2018. Antes só havia conquistado o torneio duas vezes em toda a história, em 1990 e em 2011. A geração de 2016 com o goleiro Thiago, o zagueiro Léo Duarte, os meias Lucas Paquetá e Matheus Sávio, e o centroavante Felipe Vizeu; e a de 2018 com Hugo Moura e Pepê no meio, e Lucas Silva no ataque. E no Campeonato Carioca Sub-17 de 2017 o time que contava com Vinícius Souza no meio-campo, e Vinícius Júnior e Lincoln no ataque, fez história ao superar ao Vasco por 10 a 1 no agregado da final, vencendo por 4 x 0 em São Januário e por 6 x 1 na Gávea. Vini Jr teria uma ascensão meteórica e nem passaria pela categoria Sub-20, alçado naquele mesmo ano de 2017 para o profissional.

A fórmula do Carioca em 2017 voltou a ser modificada, voltando a haver dois turnos, com dois grupos e os primeiros de cada avançando à semi-final. Mas houve uma diferença expressiva: os títulos dos turnos passaram a ser meramente simbólicos, com o título do Carioca sendo definido entre os quatro melhores na soma das fases de confronto direto dos dois turnos, em mata-matas semi-final e final. Uma fórmula bastante confusa... mas para a sorte rubro-negra naquele ano.

Na Taça Guanabara, o time venceu seus cinco jogos, e goleando por quatro gols a Boavista, Nova Iguaçu e Madureira. Na semi-final, venceu ao Vasco, em Volta Redonda, por 1 x 0. Favorito na final contra o Fluminense, do técnico Abel Braga, empatou por 3 x 3, em partida na qual brilharam os atacantes tricolores Richarlison e Henrique Dourado. A decisão foi então para os pênaltis, com o time rubro-negro sendo derrotado por 4 x 2.

Na Taça Rio, empatou com Vasco, Volta Redonda e Fluminense, mas venceu seus outros três jogos e avançou à semi-final, para jogar contra o Vasco. Pela melhor campanha no 2º turno, a vantagem do empate era cruzmaltina, e após um empate sem gols, o Flamengo ficou fora da final. Em outros formatos do Estadual, ali terminaria sua campanha. Porém, na esdrúxula fórmula de 2017, o time já estava garantido nas semi-finais por ter feito, ao lado de Vasco, Fluminense e Botafogo, uma das quatro melhores campanhas, e era ali que o título seria efetivamente disputado, o que diminuía a importância de todas as partidas anteriores, dado que era muito pouco provável, pelo maior investimento, que o time rubro-negro não conseguisse obter uma das quatro melhores campanhas.

Na semi-final do Campeonato Carioca daquele ano, venceu ao Botafogo por 2 x 1 em jogo único, com dois gols de Guerrero, avançando para fazer a final contra o Fluminense em melhor de dois jogos. A vantagem de dois resultados iguais era tricolor. O Maracanã recebeu 41 mil pagantes na primeira partida decisiva, vencida pelo Flamengo por 1 x 0, com gol do meia Éverton. No segundo jogo, diante de mais de 68 mil pagantes, o Flu saiu na frente logo aos três minutos, com gol de seu artilheiro Henrique Dourado, e encaminhava a conquista do título até os 39 minutos do 2º tempo, quando o peruano Paolo Guerrero estufou as redes para empatar. O gol garantia o título, mas a vitória foi sacramentada com Rodinei nos acréscimos. O Flamengo era assim mais uma vez o campeão do Rio de Janeiro.

Flamengo no Carioca de 2017
Alex Muralha, Pará, Réver, Rafael Vaz e Trauco; Márcio Araújo, Willian Arão, Diego (Mancuello) e Éverton; Berrío e Paolo Guerrero
Téc: Zé Ricardo
Banco: Thiago, Rodinei, Rômulo, Gabriel e Leandro Damião

O principal objetivo do semestre, no entanto, era a Libertadores da América. Com o investimento feito no time, havia grande expectativa por um bom resultado. E a estreia foi promissora, com uma goleada por 4 x 0 sobre o San Lorenzo, da Argentina, no Maracanã. Na segunda partida, contra a Universidad Católica, no Estádio San Carlos de Apoquindo, em Santiago, o domínio do jogo foi total e massivamente rubro-negro, mas numa das poucas chegadas do adversário à área, o centroavante Santiago Silva marcou de cabeça, decretando a derrota flamenguista por 1 x 0.

Seguiram-se dois duelos contra o Atlético Paranaense, com uma vitória por 2 x 1 no Rio e uma derrota pelo mesmo placar em Curitiba. Na sequência o time venceu à Católica no Maracanã sem muita dificuldade. Assim, obteve vitórias em todas as suas partidas como mandante, mas não conseguiu conquistar pontos como visitante. Faltando uma rodada, o grupo tinha o Flamengo na liderança com 9 pontos, seguido pelo San Lorenzo e Atlético com 7 e pela Católica com 5 pontos. Só uma combinação de resultado eliminava o time rubro-negro: perder em Buenos Aires para o San Lorenzo e ver o Atlético Paranaense vencer à Universidad Católica em Santiago. Em nove possíveis combinações de resultado, só uma eliminava ao Flamengo.


O Flamengo não só segurou a pressão inicial do San Lorenzo, como conseguiu abrir o placar, com gol de Rodinei no início da partida. E em Santiago, o 1º tempo terminou 1 x 0 para a Universidad Católica. Tudo corria muito bem até os 29 minutos do 2º tempo, quando o meia Matheus Sávio errou e o San Lorenzo conseguiu o empate. Dois minutos depois o Atlético também obteve o empate no Chile. O relógio marcava 37 minutos quando os paranaenses conseguiram a virada sobre a Católica, e a partir de então, se sofresse um gol, o Flamengo seria eliminado. Nos acréscimos, quase aos 48 minutos do 2º tempo, literalmente na última bola do jogo, Fernando Belluschi chutou para dentro das redes e pôs 2 x 1 no placar. A partida sequer foi reiniciada. Pela terceira edição consecutiva (2012, 2014 e 2017) a camisa rubro-negra era eliminada logo na Fase de Grupos do torneio continental. Uma frustração enorme.

Flamengo na Libertadores de 2017
Alex Muralha, Pará, Réver, Rafael Vaz e Trauco; Márcio Araújo, Willian Arão, Diego, Gabriel e Éverton; Paolo Guerrero
Téc: Zé Ricardo
Banco: Thiago, Rodinei, Renê, Rômulo, Matheus Sávio, Mancuello e Berrío

Para o Brasileirão foram feitos ajustes no elenco. Saíram três jogadores reservas que estavam sem espaço e sendo pouco utilizados: o zagueiro argentino Donatti, para o Tijuana, do México, o meia Adryan, para o Sion, da Suíça, e o ponta Marcelo Cirino para o Internacional. E foram adquiridos 3 reforços. A principal e mais badalada contratação foi a do meia Éverton Ribeiro, comprado ao Al Ahli, dos Emirados Árabes. Além dele, foram contratados o zagueiro Rhodolfo, do Besiktas, da Turquia, e o meia-atacante Geuvânio, ex-Santos, que estava no Tianjin Quanjian, da China. Mais uma vez, pelo terceiro ano consecutivo, o Flamengo fazia uma grande contratação para a sua linha de ataque, provando o poder de sua recuperação financeira: em 2015 chegou Paolo Guerrero, em 2016 foi a vez de Diego Ribas, e em 2017 foi Éverton Ribeiro. O otimismo pela conquista de um título era enorme.

No entanto, o time de Zé Ricardo não começou bem. Nas seis primeiras rodadas, empatou quatro vezes e só conseguiu uma vitória, como visitante sobre o Atlético Goianiense. A largada ruim foi crucial para deixar o time fora da luta pelo título, pois na 5ª rodada o Corinthians assumiu a ponta da tabela e não a perdeu mais até a 38ª rodada. O time rubro-negro ainda ensaiou uma reação, com uma sequência sem derrotas entre a 7ª e a 12ª rodada, na qual venceu como mandante a Ponte Preta, Chapecoense e São Paulo, como visitante ao Bahia, além de haver vencido ao Vasco e empatado com o Fluminense. Com a sequência, o time saltou para a 2ª colocação na tabela.

Diferentemente de 2016, quando questões políticas ligadas ao processo de privatização do Maracanã levaram o clube a praticamente não atuar no Rio de Janeiro o campeonato inteiro, na edição de 2017 o time voltou a usar o Maracanã para os jogos de maior apelo de público, tendo nos jogos de menor apelo utilizado o Estádio Luso-Brasileiro, na Ilha do Governador, reformando-o com recursos próprios, e batizando-o como "Ilha do Urubu".

Após haver alcançado a vice-liderança, na 13ª rodada o time perdeu como mandante para o Grêmio, na Ilha, e na sequência empatou com Cruzeiro e Palmeiras, perdendo algumas posições. O time então venceu ao Coritiba e empatou fora de casa com o líder Corinthians, mas nas duas últimas rodadas perdeu para Santos e Vitória, resultados que levaram à demissão do criticado treinador Zé Ricardo.

Flamengo no 1º Turno do Brasileiro de 2017
Thiago, Pará (Rodinei), Réver, Rafael Vaz e Trauco; Márcio Araújo, Willian Arão, Diego e Éverton; Éverton Ribeiro e Paolo Guerrero
Téc: Zé Ricardo
Banco: Alex Muralha, Juan, Renê, Cuéllar, Mancuello, Vinícius Júnior, Berrío, Felipe Vizeu e Leandro Damião

Sob o comando do treinador Zé Ricardo, o time rubro-negro havia eliminado a Atlético Goianiense e Santos, e obtido a classificação para as semi-finais da Copa do Brasil de 2017. Com a demissão do treinador ao fim do 1º turno do Brasileirão, coube ao escolhido para lhe substituir estar a frente da equipe a partir de então. A diretoria rubro-negro buscou inovar, escolhendo um nome completamente novo na conjuntura do futebol brasileiro, contratando ao colombiano Reinaldo Rueda, técnico campeão da Copa Libertadores da América de 2016 a frente do Atlético Nacional de Medellín.

A equipe também estava sofrendo com uma crise no gol, após uma vertiginosa queda de produção, com subsequentes falhas de Alex Muralha, e a instabilidade do jovem Thiago. A diretoria fez então mais uma grande contratação de impacto: o goleiro Diego Alves, do Valencia, da Espanha. Porém, quando fechado o negócio, o prazo de inscrição na Copa do Brasil já estava encerrado, e ele não pode atuar na competição, o que foi determinante para o destino rubro-negro naquele torneio. O mesmo aconteceu com Éverton Ribeiro, que também não pôde jogar aquela competição.

Na semi-final, o Flamengo passou pelo Botafogo, após um empate sem gols no Engenhão, e uma vitória por 1 x 0, gol de Diego, no Maracanã, avançando para fazer a final contra o Cruzeiro. Era a segunda vez na história que os dois clubes se enfrentavam numa final de Copa do Brasil, tendo os alvi-celestes vencido com sobras em 2003. Na primeira partida da final, no Mineirão, em Belo Horizonte, o time rubro-negro saiu em vantagem quando o relógio já apontava 31 minutos do 2º tempo, gol de Lucas Paquetá. Sete minutos depois, porém, o goleiro Thiago falhou, "batendo-roupa" e soltando um chute de longe nos pés do uruguaio De Arrascaeta, que empatou. O regulamento daquele ano não previa o gol fora de casa como critério de desempate, então após o 1 x 1 em Minas e um empate sem gols diante de mais de 56 mil pagantes no Maracanã, o título foi decido nas penalidades, com vitória cruzeirense por 5 x 3. O Flamengo era, assim, mais uma vez vice-campeão da Copa do Brasil. 

Flamengo na Copa do Brasil de 2017
Alex Muralha, Rodinei, Juan, Réver e Pará; Cuéllar, Willian Arão, Diego e Éverton; Berrío e Paolo Guerrero
Téc: Zé Ricardo, depois Reinaldo Rueda
Banco: Thiago, Rafael Vaz, Trauco, Márcio Araújo, Lucas Paquetá, Gabriel e Vinícius Júnior

A outra competição mata-mata na qual o time brigou forte foi a Copa Sul-Americana. O clube havia disputado o torneio em 2003, 2004, 2009, 2011 e 2016. Nas três primeiras vezes sequer passou da 1ª fase, eliminado duas vezes pelo Santos e uma pelo Fluminense. Em 2011, após passar pelo Atlético Paranaense, caiu nas oitavas de final perante a Universidad de Chile, com direito a ter sofrido uma goleada de 4 x 0 no Rio de Janeiro, no Engenhão. Em 2016, chegou novamente às oitavas, sendo eliminado pelo Palestino, também do Chile.

Na edição de 2017, ainda sob o comando de Zé Ricardo, o time passou pelo Palestino na 1ª fase. A partir das oitavas de final, já sob o comando do colombiano Rueda, eliminou a Chapecoense, Fluminense e Atlético Júnior de Barranquilla, da Colômbia, postulando-se para fazer a final contra o Independiente, da Argentina. Era a segunda vez na história que os dois clubes se enfrentavam numa final, tendo os argentinos levado vantagem na Supercopa dos Campeões da Libertadores de 1995.

Naquela temporada o gol foi o calvário rubro-negro. Na primeira partida da semi-final, contra o Júnior de Barranquilla, no Maracanã, o goleiro Diego Alves fraturou a clavícula num choque com um adversário, sendo substituído nos três últimos jogos do torneio por César, o quarto goleiro que estava sendo utilizado naquela temporada. A sorte não estava definitivamente a favor do clube, que também perdeu seu centroavante titular, o peruano Paolo Guerrero, na reta final da competição.

Na final, o Flamengo saiu na frente em Avellaneda, com gol do zagueiro Réver, mas acabou sofrendo a virada. Diferentemente da Copa do Brasil, na Sul-Americana o gol fora servia como critério de desempate, assim bastava uma vitória simples por 1 x 0 no Maracanã para o título ser rubro-negro. O estádio recebeu mais de 62 mil pagantes. E foi novamente Lucas Paquetá, assim como na final da Copa do Brasil, quem fez o gol aos 29 minutos do 1º tempo que bastaria para o título ser rubro-negro. Porém, dez minutos depois, o juiz assinalou um pênalti duvidoso que o Independiente não desperdiçou: 1 x 1. O placar não se alterou mais dali até o fim da partida, e pela segunda vez na temporada o Flamengo era vice-campeão.

Flamengo na Copa Sul-Americana de 2017
Diego Alves, Pará, Réver, Juan e Trauco; Cuéllar, Willian Arão, Diego e Lucas Paquetá; Éverton Ribeiro e Felipe Vizeu
Téc: Zé Ricardo, depois Reinaldo Rueda
Banco: César, Rodinei, Rhodolfo, Márcio Araújo, Éverton, Vinícius Júnior e Berrío

No 2º turno do Brasileirão, além da troca de treinador, o time perdeu o centroavante reserva Leandro Damião, que foi negociado com o Internacional. Aquela saída pesou frente ao que estava por acontecer semanas depois: o peruano Paolo Guerrero testou positivo para doping após a partida entre Argentina e Peru pelas Eliminatórias, disputada em Buenos Aires, aparentemente por uma ingestão involuntária de chá de coca, ficando de fora da equipe no 2º turno quase inteiro, tendo sua última participação sido na 29ª rodada.

O time treinado pelo colombiano Reinaldo Rueda iniciou o returno com um padrão "2 a 0" nos cinco primeiros jogos, três vezes com vitória, sobre Atlético Goianiense, Atlético Paranaense e Sport Recife, e duas com derrota, para Atlético Mineiro e Botafogo. Nas rodadas seguintes, empates no Rio de Janeiro contra Avaí e Fluminense, e uma derrota fora de casa para a Ponte Preta, afastaram definitivamente o time da briga pelo título. A equipe ainda venceu à Chapecoense e ao Bahia, mas então perdeu Guerrero por doping.


Na sequência, o time só caiu de produção. Ficou três jogos sem vencer, perdendo como visitante para São Paulo e Grêmio, e empatando sem gols com o Vasco. Respirou ao vencer ao Cruzeiro na Ilha, mas perdeu como visitante para Palmeiras e Coritiba, mantendo-se em queda. Voltou a respirar com uma vitória sobre o Corinthians na Ilha, mas na sequência perdeu em casa para o Santos, correndo o risco de não obter a classificação à Libertadores. Na última rodada enfrentou ao Vitória em Salvador, e só uma vitória lhe garantia na competição continental, ou a vaga ficaria com o rival Vasco. O Flamengo terminou o 1º tempo em desvantagem: 1 x 0. No 2º tempo, conseguiu o empate, através de gol do zagueiro Rafael Vaz, aos 30 minutos. A vaga estava sendo perdida, mas nos acréscimos Diego Ribas teve a oportunidade de cobrar uma falta e a bola foi cortada com uma mão para o alto na barreira. Pênalti marcado, que o próprio Diego cobrou e converteu, garantindo a classificação e determinando o 6º lugar na tabela final de classificação.

O desempenho com Rueda foi praticamente o mesmo que teve Zé Ricardo. No 1º turno, nas 19 rodadas, Zé Ricardo teve um aproveitamento de 51% dos pontos disputados: 7 vitórias, 8 empates e 4 derrotas. No 2º turno, Reinaldo Rueda dirigiu a equipe em 18 rodadas, tendo conquistado 50% dos pontos que disputou: 8 vitórias, 3 empates e 7 derrotas. Ainda assim, e mesmo com os dois vice-campeonatos da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana, a opção da diretoria era dar continuidade ao seu trabalho. Entretanto, após muitos rumores na imprensa sul-americana durante as férias, ele não se reapresentou ao clube no início da temporada seguinte, aceitando proposta para assumir à Seleção do Chile.

Flamengo no 2º Turno do Brasileiro de 2017
Diego Alves, Pará, Rhodolfo, Rafael Vaz e Renê (Trauco); Cuéllar, Willian Arão, Lucas Paquetá e Diego; Éverton Ribeiro e Felipe Vizeu
Téc: Reinaldo Rueda
Banco: Alex Muralha, Rodinei, Réver, Márcio Araújo, Éverton, Geuvânio, Vinícius Júnior e Berrío

Com a saída de Rueda, o treinador escolhido para o substituir foi o experiente Paulo César Carpegiani, campeão com o Flamengo da Libertadores de 1981. Ele chegava ao clube após trabalhos nos anos anteriores em Vitória, Ponte Preta, Coritiba e Bahia. O elenco também teve uma baixa importante, tendo Paolo Guerrero aceitado proposta e se transferido para o Internacional. A diretoria buscou ser ousada para repor sua saída, contratando ao artilheiro do recém concluído Campeonato Brasileiro de 2017, o centroavante Henrique Dourado, do Fluminense. Apareceu uma boa oportunidade financeira, e o clube vendeu o meia argentino Mancuello para o Cruzeiro. De resto, foram mexidas pontuais no elenco, com as saídas do goleiro Alex Muralha, para o Albirex Niigata, do Japão, do zagueiro Rafael Vaz, para o Universidad de Chile, do volante Márcio Araújo, para a Chapecoense, e dos meias Gabriel, para o Sport Recife, e Matheus Sávio, para o Estoril, de Portugal. E houve só uma outra contratação, com a chegada por empréstimo do ponta colombiano Marlos Moreno, cedido pelo Manchester City, que o havia contratado ao Nacional de Medellín, e mal o utilizado.

Na Taça Guanabara, o time fez excelente campanha, sobrando perante os adversários. Venceu quatro de seus cinco jogos, apenas empatando sem gols com o Vasco, e avançando para enfrentar ao Botafogo na semi-final, a quem venceu por 3 x 1. A final do 1º turno foi contra o Boavista, que havia eliminado ao Bangu na outra semi-final. Vitória e título simbólico rubro-negro: 2 x 0, com Vinícius Júnior consolidando o resultado com o segundo gol aos 32 minutos do 2º tempo.

Na Taça Rio, o time tropeçou duas vezes. Poupou os titulares, por conta da Libertadores, e foi goleado por 4 x 0 no Fla-Flu e ainda perdeu por 1 x 0 para o Macaé. Venceu às demais partidas, e avançou em 2º lugar à semi-final, um Fla-Flu, no qual os tricolores tinham a vantagem do empate. O jogo terminou 1 x 1. Mas o que importava era a semi-final do Carioca, já que na esdrúxula fórmula de disputa, os títulos de turno passaram a ser meramente simbólicos. O Flamengo enfrentou ao Botafogo, tendo a vantagem do empate, pela melhor campanha, para ir à final. Porém, Luiz Fernando marcou para os alvi-negros aos 38 minutos do 1º tempo, e os rubro-negros não conseguiram reagir. Com a queda no Carioca, a diretoria demitiu ao treinador Paulo César Carpegiani.

Flamengo no Carioca de 2018
Diego Alves, Rodinei (Pará), Réver (Juan), Rhodolfo e Renê; Jonas (Cuéllar), Lucas Paquetá, Diego e Éverton; Éverton Ribeiro (Vinícius Júnior) e Henrique Dourado
Téc: Carpegiani
Banco: César, Léo Duarte, Rômulo, Geuvânio e Felipe Vizeu

Na Libertadores, o técnico foi Carpegiani apenas nos dois primeiros jogos, um empate por 2 x 2 com o River Plate no Rio de Janeiro, e uma vitória por 2 x 1 sobre o Emelec em Guayaquil. Com a queda no Campeonato Carioca, o treinador foi demitido. A escolha de seu substituto foi ousada, com a aposta no jovem Maurício Barbieri, que havia sido contratado no início daquele ano para fazer parte da comissão técnica permanente. Barbieri tinha então apenas 36 anos, tendo nascido menos de dois meses antes de Carpegiani conquistar ao título da Libertadores com o Flamengo em 1981. Suas únicas experiências como treinador tinham sido a frente de Audax Osasco, Red Bull Brasil e Desportivo Brasil, clubes paulistas ligados a agentes de jogadores.

Com Barbieri, o time empatou duas vezes com o Independiente Santa Fé, no Rio e em Bogotá, e voltou a vencer ao Emelec, desta vez no Maracanã. Com a classificação matematicamente já assegurada, o time enfrentou ao River Plate em Buenos Aires na última rodada, empatando sem gols no Monumental de Nuñez. O adversário nas oitavas de final foi o Cruzeiro, e os alvi-celestes voltaram a ser os carrascos rubro-negros, como tinham sido na final da Copa do Brasil do ano anterior. No primeiro jogo no Maracanã, vitória cruzeirense por 2 x 0, com gols de Arrascaeta e Thiago Neves. O Flamengo ainda venceu no Mineirão, por 1 x 0, mas não conseguiu evitar a eliminação. Após 1993, em 8 participações na Libertadores, o clube havia chegado uma única vez às quartas de final, em 2010.

Flamengo na Libertadores de 2018
Diego Alves, Rodinei, Réver, Juan e Renê; Cuéllar, Lucas Paquetá, Diego e Éverton Ribeiro; Vinícius Júnior e Henrique Dourado
Téc: Carpegiani, depois Maurício Barbieri
Banco: César, Léo Duarte, Jonas, Willian Arão, Geuvânio, Marlos Moreno e Lincoln

Apesar dos fracassos no começo do ano, só foi feita uma contratação para o Brasileirão, com a chegada ao clube do centroavante colombiano Fernando Uribe, contratado ao Toluca, do México. Com ele, o elenco teria um trio colombiano: Cuéllar, Marlos Moreno e Uribe. O elenco teve também uma baixa, com a saída do meia Éverton, contratado pelo São Paulo.

O time do Flamengo arrancou forte no campeonato. Após um empate na estreia, como visitante contra o Vitória, em Salvador, a equipe rubro-negro encaixou três vitórias consecutivas, sobre América Mineiro, Ceará e Internacional, e assumiu a liderança da competição. Na 5ª rodada perdeu como visitante para a Chapecoense, mas a seguir encaixou mais uma sequência sem derrotas, empatando com Vasco e Palmeiras, e vencendo cinco jogos consecutivos, sobre Atlético Mineiro, Bahia, Corinthians, Fluminense e Paraná Clube.

O campeonato ficou, então, um mês paralisado - durante a disputa da Copa do Mundo - com o Flamengo na liderança, com 8 vitórias, 3 empates e 1 derrota. Na retomada, um duelo entre líder e vice-líder no Maracanã, que terminou com uma derrota para o São Paulo por 1 x 0, gol de seu ex-jogador Éverton. Na reta final do turno, o time venceu a Botafogo, Sport Recife e Cruzeiro, empatou com o Santos, e sofreu mais duas derrotas como visitante, perante Grêmio e Athlético Paranaense, tendo uma pequena queda de rendimento na perseguição ao tricolor paulista na tabela.

Flamengo no 1º Turno do Brasileiro de 2018
Diego Alves, Rodinei, Réver, Léo Duarte e Renê; Cuéllar, Lucas Paquetá, Diego e Éverton Ribeiro; Vinícius Júnior e Henrique Dourado
Téc: Maurício Barbieri
Banco: César, Thuler, Jonas, Willian Arão, Jean Lucas, Geuvânio, Marlos Moreno, Uribe e Felipe Vizeu

Durante aquele campeonato houve a saída do jovem Vinícius Júnior para o Real Madrid, com a ida do jovem talento para a Espanha tendo representado a maior transação de um jogador sub-20 na história do futebol mundial de até então, por 45 milhões de euros. O clube ainda arrecadou com as vendas do volante Jonas para o Al Ittihad, da Arábia Saudita, e do jovem centroavante Felipe Vizeu, para a Udinese, da Itália. Com as finanças reforçadas, a diretoria fez duas contratações no decorrer do Brasileirão, tendo chegado ao Ninho do Urubu o volante paraguaio Piris da Motta, contratado ao San Lorenzo, da Argentina, e o meia ofensivo Vitinho, contratado ao CSKA Moscou, da Rússia (que foi o maior investimento da história do Flamengo até então, em valores que viriam a ser mais de uma vez superados no ano seguinte). Eram sinais de que o clube estava financeiramente recuperado depois da reestruturação de suas finanças iniciada em 2013. E após subsequentes fracassos, eram necessários resultados, pois a cobrança e a desconfiança sobre o processo eram enormes após subsequentes fracassos em campo: entre 2013 e 2018 havia sido conquistado apenas um título de Copa do Brasil e dois do Carioca. Os críticos entoavam cada vez mais que "finanças não ganham jogo de futebol".

Após vencer o Vitória na primeira partida do returno, o time rubro-negro ficou três rodadas sem vencer, afastando-se da briga pela ponta da tabela. Empatou com o América Mineiro, perdeu no Maracanã para o Ceará, e foi derrotado pelo Internacional no Beira-Rio, em Porto Alegre. Em paralelo houve a ascensão do Palmeiras na tabela de classificação, que em subida vertiginosa, deixou Flamengo e São Paulo para trás e assumiu a ponta. Vacilante, o time rubro-negro venceu a Chapecoense e Atlético Mineiro, e empatou com o Vasco. A diretoria decidiu então substituir o treinador pouco experiente, por um nome mais renomado. Saiu Maurício Barbieri, que em 26 rodadas, obteve 14 vitórias, 6 empates e 6 derrotas, um aproveitamento de 61,5% dos pontos disputados, e entrou Dorival Júnior. Como era o último ano de mandato de Bandeira de Mello na presidência, ele assinou com o treinador um contrato curto, de apenas três meses, até o fim de seu mandato. Curiosamente com o mesmo Dorival com quem havia iniciado por três meses seus seis anos de mandato.

Com Dorival, o desempenho seria um pouco melhor que o de seu antecessor. Ele comandou a equipe nas últimas 12 rodadas, conseguindo 7 vitórias, 3 empates e 2 derrotas, um aproveitamento de 67%. Começou com um empate contra o Bahia, mas a seguir encaixou uma bela sequência de três vitórias consecutivas - fazendo 3 x 0 no Corinthians na capital paulista, 3 x 0 no Fla-Flu, e 4 x 0 no Paraná Clube, também como visitante - com estes resultados, colou no líder Palmeiras, seu adversário na rodada seguinte, a 31ª, no Maracanã. Se o Flamengo vencesse, assumiria a liderança. O estádio lotou, recebendo 65 mil flamenguistas. Mas não bastou. No início do 2º tempo, Dudu marcou para os alvi-verdes. Aos 35 minutos, o colombiano Marlos Moreno empatou, naquele que seria seu único gol em vermelho e preto. A torcida empurrou, o time pressionou, mas a virada não saiu. O empate por 1 x 1 manteve o Palmeiras a frente na tabela.

Na rodada seguinte, mais um duelo decisivo, contra o São Paulo, no Morumbi. Outro empate, desta vez por 2 x 2. Na hora de decidir, o time não conseguia vencer. Pior ainda, que na rodada seguinte tropeçou, perdendo para o Botafogo, no Engenhão. Depois disso, o time ainda encaixou quatro vitórias consecutivas, sobre Santos, Sport Recife, Grêmio e Cruzeiro, assegurando sua classificação para a Libertadores de 2019. Na última rodada, sem chances matemáticas de aspirar ao título, perdeu em casa para o Athlético Paranaense, mas terminou sendo o vice-campeão do Brasileirão. Assim como em 2016, o clube disputou o título até o final mas viu o Palmeiras ser o campeão nacional.

Com este 2º lugar, o Flamengo acumulava o terceiro vice-campeonato consecutivo em duas temporadas, somando-se aos resultados na Copa do Brasil e na Copa Sul-Americana do ano anterior, o que não amenizava as críticas e ironias a uma reestruturação financeira sem títulos expressivos. A temporada, ao menos, terminou com os frutos dos investimentos nas divisões de base aparecendo. Se no começo de 2018, o clube já havia sido campeão da Copa São Paulo Sub-20, o ano terminou com a conquista da Copa do Brasil Sub-17, batendo ao Fluminense na final, com uma geração com nomes como o zagueiro Natan, o volante João Gomes e o meia-atacante Reinier, três jogadores que vingariam muito rápido e teriam participações importantes já nos dois anos seguintes, antes ainda de terem completado vinte anos.

Flamengo no 2º Turno do Brasileiro de 2018
César, Pará, Réver, Léo Duarte e Renê; Cuéllar, Willian Arão, Lucas Paquetá e Éverton Ribeiro; Vitinho e Uribe
Téc: Maurício Barbieri, depois Dorival Júnior
Banco: Diego Alves, Rodinei, Rhodolfo, Piris da Motta, Diego, Marlos Moreno, Berrío e Henrique Dourado

Para a temporada 2019, o Flamengo iniciava o ano com diretoria nova. E com diretriz nova. Quem assumia - a ala dissidente que foi parte da gestão de 2013 a 2018 - entendia que o esforço de ajuste financeiro estava concluído, e era hora de voltar a realizar grandes investimentos. A diferença frente ao passado, é que desta vez sob um orçamento lastreado pelas novas receitas obtidas com o Programa de Sócio-Torcedor e com bilheteria. Em caminho oposto, o clube vendeu sua jovem revelação Lucas Paquetá para o Milan, da Itália, e também vendeu o centroavante Henrique Dourado para o Henan Jianye, da China. Perdeu o zagueiro Réver para o Atlético Mineiro, e não renovou com alguns jogadores que não brilharam em suas passagens pelo Ninho do Urubu: Rômulo, Geuvânio e Marlos Moreno.

A nova diretoria decidiu escolher um novo treinador, substituindo Dorival Júnior por Abel Braga, um técnico vitorioso e renomado. Desde que Abel havia deixado o Flamengo em 2004, ele havia sido campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes com o Internacional em 2006, e campeão carioca e brasileiro com o Fluminense em 2012, além de haver sido duas vezes campeão gaúcho com o Inter em 2008 e 2014. E o novo treinador recebeu um polpudo pacote de reforços, com quatro nomes de ponta. Foram contratados o zagueiro Rodrigo Caio, ao São Paulo, o meia uruguaio De Arrascaeta, ao Cruzeiro, e o ponta Bruno Henrique, ao Santos. E ainda foi adquirido por empréstimo o centroavante Gabriel Barbosa, o Gabigol, artilheiro do Brasileirão 2018 pelo Santos, e cedido pela Internazionale, da Itália, por onde teve uma passagem sem sucesso.

O forte investimento se materializou logo em resultados, ainda mais frente aos financeiramente debilitados adversários do Rio de Janeiro. Assim como no ano anterior, o Estadual teria dois turnos cujos títulos eram meramente simbólicos, pois os quatro melhores da soma dos dois turnos disputariam a semi-final, quando o título seria efetivamente disputado.

Na Taça Guanabara, ainda que poupando jogadores em duas partidas por conta da disputa da Libertadores, o time venceu quatro de seus cinco jogos, empatando com o Resende numa partida na qual utilizou uma equipe reserva. Avançou à semi-final e enfrentou ao Fluminense. Saiu eliminado do Fla-Flu, tomando um gol do atacante Luciano já nos acréscimos do 2º tempo. Na Taça Rio, venceu quatro dos seis jogos, empatando em duas oportunidades na qual usou novamente os reservas, contra Vasco e Volta Redonda. Foi à semi-final de novo num Fla-Flu, desta vez vencido por 2 x 1 com um gol de Éverton Ribeiro nos acréscimos. Já classificado à semi-final do Carioca, a final do turno contra o Vasco era indiferente em sua vida no campeonato. Por isso, jogou-a com o time de reservas contra os titulares vascaínos. Perdia até os 48 minutos do 2º tempo, quando Arrascaeta marcou o gol de empate que levou a disputa às penalidades, vencidas por 3 x 1, faturando o título do 2º turno.

O título do Carioca começou a ser decidido a partir das semi-finais. Num Fla-Flu em jogo único, com a vantagem do empate sendo rubro-negra, o time saiu atrás, mas conseguiu o empate no 2º tempo, avançando para fazer a final contra o Vasco, que superou ao Bangu na outra semi. No 1º jogo da decisão, disputado no Engenhão, Bruno Henrique marcou duas vezes e o Flamengo saiu com uma cômoda vantagem de 2 a 0. No 2º jogo, no Maracanã, Willian Arão abriu o placar de cabeça logo no início. No fim, Vitinho ainda ampliou, repetindo o 2 a 0. Com folgas e certa tranquilidade, o Flamengo foi campeão carioca.

Flamengo no Carioca de 2019
Diego Alves, Pará, Rodrigo Caio, Léo Duarte e Renê; Cuéllar, Willian Arão, Arrascaeta (Diego) e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabriel Barbosa
Téc: Abel Braga
Banco: César, Rodinei, Rhodolfo, Ronaldo, Vitinho e Uribe

Para a disputa do Campeonato Brasileiro, o elenco foi ainda mais reforçado. Entretanto, o clube seguia fazendo caixa com vendas de jogadores, especialmente jovens valores. Foram vendidos os jovens Jean Lucas para o Lyon, da França, e Matheus Sávio para o Kashiwa Reysol, do Japão. Também se fez caixa com as vendas do centroavante colombiano Uribe para o Santos, e do lateral-esquerdo peruano Trauco para o Saint-Etienne, da França. O elenco também perdeu o zagueiro Juan, que se aposentou. No decorrer do 1º turno ainda haveria a venda do jovem zagueiro Léo Duarte, para o Milan, da Itália, e a saída do lateral-direito Pará ao Santos.

Mas o elenco recebeu um outro pacote de reforços renomados. Após uma sequência muito bem feita no início do ano, com todos os contratados tendo vingado como titulares absolutos do time, o fenômeno se repetiu para o Brasileirão, com as contratações dos laterais Rafinha, do Bayern Munique, da Alemanha, e Filipe Luís, do Atlético de Madrid, da Espanha, e do meia Gérson, da Roma, da Itália. Foi feita uma aposta, sobre o jovem lateral-direito João Lucas, que havia se destacado no Carioca pelo Bangu, e uma outra aposta, com a aquisição do zagueiro espanhol Pablo Marí que, com passe vinculado ao Manchester City, da Inglaterra, estava atuando por empréstimo no Deportivo La Couña, na 2ª Divisão da Espanha.

Apesar do título estadual, o clima no Flamengo estava turbulento. Havia muitas críticas a Abel Braga por ele afirmar que não entendia ser possível utilizar De Arrascaeta, Éverton Ribeiro e Bruno Henrique juntos. Nas seis primeiras rodadas, o time largou com 3 vitórias, sobre Cruzeiro, Chapecoense e Athlético Paranaense, um empate, contra o São Paulo como visitante, e duas derrotas, para Internacional e Atlético Mineiro, ambas também como visitante. Na partida contra o Galo, pela 5ª rodada, no Estádio Independência, estava assistindo à partida nas dependências do estádio o técnico português Jorge Jesus, que segundo a imprensa estava avaliando proposta mineira para assumir a equipe atleticana.

Sob muitas críticas, após a vitória rubro-negra na 6ª rodada, Abel Braga pediu demissão. Nas três rodadas seguintes, o time foi comandado pelo auxiliar Marcelo Salles, e não perdeu, vencendo Fortaleza e CSA e empatando sem gols com o Fluminense. O novo treinador então foi escolhido: o português Jorge Jesus. Ele era tricampeão português com o Benfica, nas temporadas 2009/10, 2013/14 e 2014/15. Mas a aposta era ousada. A única tentativa de colocar um treinador europeu no futebol brasileiro havia sido um retumbante fracasso, com a chegada do português Paulo Bento ao Cruzeiro em 2016.

O técnico fez sua estreia com um empate diante do Athlético Paranaense pelas quartas de final da Copa do Brasil, da qual acabaria eliminado após um novo empate no Rio, e derrota nos pênaltis. Mas o primeiro jogo pelo Brasileiro, pela 10ª rodada, começou muito bem, com uma goleada por 6 x 1 sobre o Goiás no Maracanã. Nos três jogos seguintes, o time venceu ao Botafogo, empatou como visitante com o Corinthians, e foi surrado por 3 x 0 pelo Bahia em Salvador. Os resultados ainda não afastavam a desconfiança em torno da escolha por ele.

Entretanto, a partir de então o trabalho engatou. Nas últimas seis rodadas do turno, o time obteve seis vitórias, entrando definitivamente na luta pelo título. Venceu com autoridade a Grêmio (3 x 1), Vasco (4 x 1), Ceará fora (3 x 0), Palmeiras (3 x 0), Avaí (3 x 0) e Santos (1 x 0 no Maracanã). O trio de frente brilhava na tabela de artilharia, Gabigol marcou 16 gols, Arrascaeta fez 8 e Bruno Henrique tinha 7 gols. No confronto direto na ponta da tabela contra o Palmeiras, a imponente vitória no Maracanã causou a demissão do treinador alvi-verde Luiz Felipe Scolari, substituído por Mano Menezes.

Flamengo no 1º Turno do Brasileiro de 2019
Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí (Léo Duarte) e Filipe Luís (Renê); Willian Arão, Gérson (Cuéllar), Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabriel Barbosa
Téc: Abel Braga, depois Jorge Jesus
Banco: César, Thuler, Piris da Motta, Diego, Vitinho, Berrío e Lincoln

Durante a disputa da Copa Libertadores e para o 2º turno do Brasileirão, o elenco teve uma baixa, com a venda do volante colombiano Gustavo Cuéllar para o Al Hilal, da Arábia Saudita. Antes disto, na Fase de Grupos, a equipe, então ainda treinada por Abel Braga, começou bem, vencendo ao San Jose na altitude de mais de 3.700 metros de Oruro, na Bolívia, e à LDU no Maracanã. Na 3ª rodada, porém, tropeçou, perdendo por 1 x 0 para o Peñarol no mesmo Maracanã. O fantasma de eliminações precoces nas edições anteriores voltava a atormentar aos corações rubro-negros.

Dando sequência à caminhada, o time não teve dificuldade para atropelar ao San Jose em casa, goleando por 6 x 1. E seguiu para um novo encontro com a altitude, desta vez em Quito, no Equador, aonde foi derrotado por 2 x 1 pela LDU. O duelo na última rodada era contra o Peñarol em Montevidéu, e se fosse derrotado, o Flamengo estava fora mais uma vez já na fase de grupos. Foram noventa minutos de sofrimento num arrastado empate sem gols, mas os rubro-negros seguiram adiante. Mas já sem seu treinador, com a substituição de Abel Braga por Jorge Jesus.

Nas oitavas de final, no início de trabalho do técnico português, o Flamengo passou sufoco. Foi derrotado pelo Emelec por 2 x 0 em Guayaquil, no Equador. Na volta, no Maracanã, fez dois gols nos vinte primeiros minutos, mas nada mais fez no jogo. Com a vitória por 2 x 0, levou a disputa para os pênaltis. Apareceu então o goleiro Diego Alves para garantir a classificação, com uma vitória por 4 x 2.

Nas quartas de final, o duelo foi brasileiro, contra o Internacional. No Maracanã, vitória por 2 x 0, com dois gols de Bruno Henrique. Na volta, em Porto Alegre, os colorados saíram na frente no início do 2º tempo, mas Gabigol empatou a seis minutos do fim, selando a classificação à semi-final, que o Flamengo não disputava desde 1984. Outra vez diante de um gaúcho, desta vez o Grêmio. O confronto se iniciou na capital do Rio Grande do Sul. O time rubro-negro dominou amplamente, saiu na frente já na etapa final, mas tomou o gol de empate aos 42 minutos do 2º tempo. Deixou para decidir em casa. Mas não correu riscos. Com uma atuação de gala, goleou ao tricolor gaúcho por 5 x 0 no Maracanã, voltando à final da Libertadores após 38 anos.

No dia 23 de novembro de 2019, Flamengo e River Plate entrariam em campo em Santiago, no Chile, para decidir o título sul-americano. Porém, pelas agitações políticas sob intensos protestos nas ruas da capital chilena que se estendiam por algumas semana, na noite de 5 de novembro, a menos de três semanas para o jogo decisivo, a primeira final em jogo único da história da Libertadores foi transferida de Santiago para Lima, no Peru, a ser jogada no Estádio Monumental.

Era a primeira vez que a final da Libertadores seria nos "moldes europeus", em jogo único, numa sede fixa. Pela primeira vez uma final de Libertadores num sábado a tarde, quando antes sempre fora em noites de meio de semana. Dentro de campo, certamente os dois melhores times da América do Sul naquele momento. O River Plate, então detentor do título, campeão da Libertadores 2018, tentava seu 5º título sul-americano na sua história. O Flamengo iria a campo lutar pelo 2º título sul-americano de sua história. O inesquecível time do português Jorge Jesus: Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Willian Arão, Gérson, De Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabigol. Este time chegava à final vindo de uma incrível sequência de 25 jogos sem perder, entre partidas pela Libertadores e pelo Campeonato Brasileiro.

Quando a bola rolou no Estádio Monumental em Lima, o time do River Plate começou jogando muita bola. O Flamengo não conseguia se impor, com o meio de campo totalmente dominado pelos argentinos. Com 14 minutos, o atacante Rafael Borré marcou para o River. Em todo o 1º tempo, o Flamengo só conseguiu dar um chute a gol. A missão rubro-negra estava difícil. Mas jogava-se uma grande partida de futebol em Lima. No 2º tempo, o quadro só mudou a partir dos 25 minutos, a partir de então o time argentino começou a dar sinais de cansaço físico, e o Flamengo passou a se impor na preparação física. Daí em diante foram várias chances de gol, a pressão aumentava, o time rubro-negro passou a dominar o meio de campo e a cadenciar a partida da forma que estava habituado. Mas o relógio avançava e o título parecia caminhar para a Argentina. Mas assim que o cronômetro virou para 43 minutos do 2º tempo, De Arrascaeta roubou uma bola de Lucas Pratto na intermediária e avançou para o ataque. Tocou para Bruno Henrique na ponta, e em cima dele imediatamente fecharam três jogadores do River Plate. Ele conseguiu se desvencilhar e entre eles tocar para Arrascaeta penetrar na área. O uruguaio rolou para o meio e encontrou Gabigol entrando atrás da zaga para, na pequena área, livre, empurrar com o pé esquerdo para a rede. Explosão rubro-negra! O jogo iria para a prorrogação. Mas um momento épico e improvável não deixaria que fosse assim. Aos 46 minuros, Diego lançou para Gabigol entrar disputando com dois zagueiros. Tentando tirar, na entrada da grande área, o zagueiro Javier Pinola acabou ajeitando de cabeça para Gabigol, que bateu firme, por baixo do goleiro Armani, para estufar as redes! Gol da virada! Gol para a história! Flamengo, pela segunda vez na história campeão da Libertadores. Um jogo épico! Uma final inesquecível! Assim como havia acontecido em 23 de novembro de 1981, o filme se repetia em 23 de novembro de 2019, o Flamengo era o campeão da América!


Flamengo na Libertadores de 2019
Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Willian Arão, Gérson, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabriel Barbosa
Téc: Abel Braga, depois Jorge Jesus
Banco: César, Léo Duarte, Renê, Cuéllar, Piris da Motta, Diego e Vitinho

Após ter terminado o turno com uma sequência de seis vitórias consecutivas, o time iniciou o returno vencendo ao Cruzeiro como visitante e ao Internacional como mandante. Empatou sem gols contra o São Paulo no Maracanã, e encaixou mais uma sequência de seis vitórias consecutivas, como visitante contra Chapecoense, Athlético Paranaense e Fortaleza, e como mandante contra Atlético Mineiro, Fluminense e CSA. Empatou fora de casa com o Goiás por 2 x 2, goleou o Corinthians por 4 x 1, venceu a Botafogo e Bahia, empatou por 4 x 4 com o Vasco, e venceu ao Grêmio em Porto Alegre.

Em 23 de novembro venceu ao River Plate em Lima e se sagrou campeão da Libertadores. Menos de 24 horas depois, sem entrar em campo, viu o Grêmio vencer ao Palmeiras em São Paulo, resultado que lhe deu matematicamente o título de campeão brasileiro. Sem entrar em campo, era o campeão ao fim da 34ª rodada, um recorde na história do Campeonato Brasileiro por pontos corridos. Um time inesquecível. O maior da história do Flamengo!


Já campeão, continuou dando espetáculo nas quatro últimas rodadas. Celebrou o título e levantou a taça após golear por 4 x 1 ao Ceará no Maracanã. Depois venceu ao Palmeiras por 3 x 1 na capital paulista, causando a demissão de Mano Menezes. Pela segunda vez naquele campeonato, o time rubro-negro carimbava a demissão de um treinador palmeirense. Ainda voltou a dar espetáculo ao golear ao Avaí por 6 x 1 no Maracanã. Na última rodada, às vésperas da viagem para disputar o Mundial Interclubes, foi goleado por 4 x 0 pelo Santos na Vila Belmiro, resultado que levou o alvi-negro praiano a superar ao Palmeiras e terminar como vice-campeão. Esta foi a única derrota rubro-negra em toda a fantástica campanha no 2º turno do Brasileirão de 2019. Quem puxou o time no returno foi Bruno Henrique, que fez 14 gols, enquanto Gabigol fez 9. A dupla de ataque rubro-negra liderou a tabela de artilharia da competição, com Gabriel marcando 25 vezes e BH fazendo 21 gols.

Flamengo no 2º Turno do Brasileiro de 2019
Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís (Renê); Willian Arão, Gérson, Arrascaeta (Vitinho) e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabriel Barbosa
Téc: Jorge Jesus
Banco: César, Rodinei, Rhodolfo, Piris da Motta, Diego e Reinier

O Mundial Interclubes da FIFA foi disputado em Doha, no Catar. Na semi-final, o adversário rubro-negro foi o Al Hilal, da Arábia Saudita, que havia eliminado ao Esperance, da Tunísia. Os árabes saíram na frente no 1º tempo e foram para o intervalo vencendo. No 2º tempo, no entanto, o jogo foi todo rubro-negro, com uma virada e a vitória por 3 x 1. A final seria contra o campeão inglês e europeu Liverpool, que havia passado na chave que deixou Monterrey, do México, Al Sadd, do Catar, e Hienghene, da Nova Caledônia, pelo caminho.


Trinta e oito anos depois, e Flamengo e Liverpool se enfrentavam novamente valendo o título mundial. Desta vez frente a um time inglês com o grande zagueiro holandês Van Dijk, uma poderosa linha de frente com o egípcio Mohamed Salah, o brasileiro Roberto Firmino e o senegalês Sadio Mané, treinador pelo alemão Jurgen Klopp. Após noventa minutos sem gol, a partida seguiu para a prorrogação. E então o centroavante Firmino matou o sonho rubro-negro, com um gol aos 8 minutos do 1º tempo da prorrogação.

Mesmo sem o título mundial, 2019 foi um ano inesquecível e impossível de ser repetido por qualquer um. Campeão da Tríplice Coroa: Carioca, Brasileiro e Libertadores. Unificador de todas as categorias do Campeonato Brasileiro, pois além de vencer no profissional, foi campeão sub-17 - equipe com o zagueiro Gabriel Noga, o volante Daniel Cabral e o meia Lázaro - e campeão sub-20 - equipe com o goleiro Hugo Souza, o lateral-direito Matheuzinho, o zagueiro Natan, o volante João Gomes e o centroavante Rodrigo Muniz -.

Flamengo no Mundial de 2019
Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Willian Arão (Berrío), Gérson, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabriel Barbosa
Téc: Jorge Jesus

Mesmo após as glórias da histórica temporada de 2019, o clube seguiu investindo para encorpar o elenco. Chegaram ao Ninho do Urubu seis reforços: os zagueiros Gustavo Henrique, do Santos, e Léo Pereira, do Athlético Paranaense, o volante Thiago Maia, emprestado pelo Lille, da França, os pontas Michael, do Goiás, e Pedro Rocha, do Cruzeiro (emprestado pelo Spartak Moscou, da Rússia) e o centroavante Pedro, contratado junto à Fiorentina, da Itália. Gustavo Henrique havia sido escolhido o melhor zagueiro do Brasileirão de 2019, e Michael considerado a revelação do campeonato. Em parte, as escolhas foram feitas para repor as saídas do zagueiro Pablo Marí, vendido ao Arsenal, da Inglaterra, e do jovem meia-atacante Reinier, vendido ao Real Madrid, da Espanha. Por opção rubro-negra, Rodinei ainda foi emprestado ao Internacional, e o zagueiro Rhodolfo não teve eu contrato renovado, seguindo para o Coritiba. Um elenco ainda mais forte que o do ano anterior.

A equipe de Jorge Jesus seguia imparável. Conquistou outro título internacional ao superar ao campeão da Copa Sul-Americana, o Independiente del Valle, do Equador, levantando a taça da Recopa Sul-Americana. No Carioca, jogou os quatro primeiros jogos com uma equipe de jovens, vencendo a Vasco e Volta Redonda, empatando com o Macaé, e perdendo para o Fluminense. Quando passou a usar seus titulares, venceu a Resende e Madureira, passou pela semi-final com vitória no Fla-Flu, e decidiu a Taça Guanabara contra o Boavista, a quem superou por 2 x 1, faturando o título.

O modelo do Estadual havia mudado, e o título voltou a ser disputado pelos campeões de turno. Assim, o Flamengo já se garantiu na final, e se vencesse o 2º turno, seria automaticamente o campeão. Na Taça Rio, venceu seus cinco jogos e avançou para a semi-final, na qual superou sem sustos ao Volta Redonda. Mas a conjuntura sofreu uma mudança radical. Após a 2ª rodada do 2º turno, a pandemia do coronavírus forçou a paralisação de todas as competições esportivas no mundo. O campeonato ficou paralisado por três meses.

Na final da Taça Rio, se vencesse ao Fla-Flu, o título seria rubro-negro. Os tricolores saíram em vantagem no 1º tempo, e os rubro-negros só conseguiram o empate na segunda metade da etapa final. A disputa foi levada para os pênaltis. O Fluminense venceu por 3 x 2 e impediu o título antecipado. A decisão foi então numa melhor de dois Fla-Flus. E desta vez o time não vacilou. Ganhou o primeiro jogo por 2 x 1, com gols de Pedro e Michael, e o segundo por 1 x 0, com gol de Vitinho nos acréscimos da etapa final. Flamengo, bi-campeão carioca.

Flamengo no Carioca de 2020
Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Léo Pereira e Filipe Luís; Willian Arão, Gérson, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabriel Barbosa
Téc: Jorge Jesus
Banco: César, Gustavo Henrique, Renê, Diego, Vitinho, Michael e Pedro

Em paralelo, o time teve a disputa da principal competição continental, sonhando com a segunda conquista consecutiva. Com o técnico Jorge Jesus, venceu os dois primeiros jogos, contra o Júnior de Barranquilla como visitante, e contra o Barcelona de Guayaquil como mandante. O otimismo pelo bi-campeonato foi abalado quando o técnico Jorge Jesus pediu demissão. Longe da família em meio à pandemia que restringia a livre circulação de pessoas entre os países, ele aceitou proposta do Benfica, deixando o Brasil para regressar a Portugal. Deixou o clube com um impressionante retrospecto histórico: em 58 jogos, só perdeu 4, e levantou 6 títulos. Foram mais taças do que derrotas. E em 34 jogos disputados no Maracanã, não perdeu nenhum!

Para substituí-lo, a diretoria rubro-negra fez um grande processo seletivo na Europa. Os preferidos eram os portugueses Marco Silva, Leonardo Jardim e Carlos Carvalhal. Mas quem acabou contratado foi o espanhol Domenec Torrent. Ele havia sido auxiliar técnico de Pep Guardiola por 10 anos, no Barcelona, no Bayern Munique e no Manchester City. Tinha uma única experiência como treinador, a frente do New York City, dos Estados Unidos.

Além da troca de treinador, a pandemia também forçou uma mudança no elenco, com a saída do lateral-direito Rafinha, que aceitou proposta do Olympiakos, da Grécia. A diretoria foi rápida em contratar um substituto, fechando com o lateral Maurício Isla, da Seleção do Chile, e que estava atuando pelo Fenerbahce, da Turquia.

A primeira partida de Domenec Torrent pela Libertadores foi uma catástrofe. A equipe viajou para dois jogos consecutivos no Equador. No primeiro, foi goleado sem piedade pelo Independiente del Valle por 5 x 0. No segundo, venceu ao Barcelona de Guayaquil. Na volta da viagem ao Equador praticamente a delegação inteira testou positivo para o coronavírus.

O Flamengo completou os dois últimos jogos da Fase de Grupos, ainda treinado por Domenec, com mais duas vitórias, que lhe garantiram, sem sustos, a 1ª posição do grupo. O time goleou ao Independiente del Valle por 4 x 0 no Maracanã, e venceu ao Junior de Barranquilla. Antes das oitavas de final, porém, a oscilação de desempenho no Campeonato Brasileiro levaria a mais uma troca de treinador, com a saída de Domenec Torrent e a entrada de Rogério Ceni. O ex-goleiro, ídolo do São Paulo Futebol Clube, por quem disputou 1.237 partidas e, como goleiro-artilheiro, cobrador de faltas e de pênaltis, marcou 131 gols. Como treinador, acumulava fracassos a frente de São Paulo e Cruzeiro, mas com o Fortaleza foi quatro vezes campeão: da Série B do Brasileirão de 2018, bi-cearense em 2019 e 2020, e da Copa do Nordeste de 2019.

Com o novo treinador, o time rubro-negro enfrentou ao Racing nas oitavas de final. A primeira partida foi em Buenos Aires. O Flamengo tomou um gol no início, empatou na bola seguinte, mas ficou nisso, 1 a 1, e decisão da vaga no Maracanã. Em casa, o time voltou a tomar um gol, só que já no 2º tempo. Quando tudo parecia perdido, conseguiu empatar, com Willian Arão, nos acréscimos. Nos pênaltis, Diego Alves não conseguiu defender nenhuma cobrança, o próprio Arão desperdiçou a sua, e o Racing venceu por 5 x 3. O sonho do bi-campeonato consecutivo ruía ali.


Flamengo na Libertadores de 2020
Diego Alves, Isla, Gustavo Henrique, Léo Pereira e Filipe Luís; Willian Arão (Thiago Maia), Gérson, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Pedro (Gabriel Barbosa)
Téc: Jorge Jesus, depois Domenec Torrent, depois Rogério Ceni
Banco: César, Rodrigo Caio, Renê, Diego, Vitinho, Michael e Lincoln

Com um novo treinador europeu, o espanhol Domenec Torrent, e com a troca de Rafinha por Isla na lateral-direita, o Flamengo iniciou a luta pelo bi-campeonato brasileiro consecutivo. O elenco teve outros ajustes, saindo por empréstimo, para o Gençlerbirligi, da Turquia, o volante paraguaio Piris da Motta, e a diretoria seguia vendendo jovens para fazer caixa: Vinícius Souza foi para o Manchester City, da Inglaterra, e Lucas Silva para o Paços de Ferreira, de Portugal. Também saiu o colombiano Berrío, vendido ao Khor Fakkan, dos Emirados Árabes. Entretanto, a base do elenco era quase a mesma. Mas o trabalho teve que ser feito sob constantes problemas de lesão. Já no 1º turno, Diego Alves, Rodrigo Caio, Arrascaeta e Gabigol ficaram bastante tempo fora do time.

A caminhada do novo treinador começou bastante tortuosa. Nas duas primeiras rodadas, o time perdeu em casa para o Atlético Mineiro, então treinado por Jorge Sampaoli, e na sequência foi derrotado por 3 x 0 pelo Atlético Goianiense como visitante. Se já não bastasse a grandiosa sombra de Jorge Jesus, que no Brasileirão de 2019 teve um aproveitamento impressionante de conquista de 83,9% dos pontos disputados, a largada de Domenec Torrent foi sofrível. E assim o trabalho já largou sob pressão.

Nas três rodadas seguintes, uma vitória como visitante sobre o Coritiba, e empates com Grêmio e Botafogo no Maracanã. A partir da 6ª rodada, o resultado melhorou bastante. O time obteve uma sequência de quatro vitórias consecutivas, como visitante sobre Santos e Bahia, como mandante contra o Fortaleza, e ainda venceu o Fla-Flu. A boa sequência foi interrompida com uma derrota em casa frente ao Ceará. Após este tropeço, empatou fora de casa com o Palmeiras, num jogo no qual um surto de coronavírus no elenco após uma viagem ao Equador fez com que o time rubro-negro entrasse em campo desfalcado de 20 jogadores, 14 dos quais contaminados pelo covid. Um empate heroico, portanto! Na sequência, a equipe venceu quatro jogos consecutivos disputados no Rio de Janeiro, contra Athlético Paranaense, Sport Recife, Vasco e Goiás.

O Flamengo se mantinha na briga pela ponta, mantendo-se colado a Palmeiras, Internacional, São Paulo e Atlético Mineiro. A boa sequência teve um soluço com um empate no Maracanã contra o Red Bull Bragantino, compensado na rodada seguinte com uma goleada por 5 x 1 sobre o Corinthians em plena capital paulista, a pior sofrida por seu rival em sua casa. Com o resultado, o Flamengo se igualou em números de pontos ao Internacional, então líder pelos critérios de desempate. E na rodada seguinte, os dois se enfrentavam em Porto Alegre. Com uma grande atuação, o time rubro-negro conseguiu um empate por 2 x 2. Tudo parecia caminhar bem na luta pelo bi-campeonato.

Nas duas rodadas seguintes, no entanto, dois confrontos diretos pela ponta. O primeiro, pela última rodada do turno, contra o São Paulo, no Maracanã. Numa tarde tenebrosa, o Flamengo acabou goleado por 4 x 1. No jogo seguinte, o primeiro do returno, o time caiu de novo de quatro, desta vez goleado pelo Atlético Mineiro por 4 x 0 no Mineirão. O aproveitamento do técnico espanhol não era ruim, ele havia conquistado 61,4% dos pontos disputados. Mas receosa de que as duas goleadas abalassem o time e o impedissem de se manter na luta pelo título, a diretoria optou por demitir ao treinador.

Flamengo no 1º Turno do Brasileiro de 2020
Hugo Souza, Isla, Rodrigo Caio (Gustavo Henrique), Natan e Filipe Luís; Willian Arão, Thiago Maia (Vitinho), Gérson e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Pedro
Téc: Domenec Torrent
Banco: Diego Alves, Léo Pereira, Diego, Arrascaeta, Michael, Lincoln e Gabriel Barbosa

Após as duas goleadas seguidas por quatro gols, Domenec Torrent foi substituído por Rogério Ceni. As lesões seguiram atormentando o trabalho: Diego Alves e Rodrigo Caio voltaram a estar fora por longos períodos, e Thiago Maia teve uma longa ausência por necessidade de passar por cirurgia no joelho.

A caminhada de Rogério Ceni se iniciou com um tropeço, num empate em casa frente ao Atlético Goianiense. Depois disto, porém, o time encaixou uma sequência de quatro vitórias seguidas no Rio de Janeiro, sobre Coritiba, Botafogo, Santos e Bahia. Os resultados acabaram sucedidos por três rodadas sem vitória, empatando fora com o Fortaleza, perdendo o Fla-Flu, e sendo novamente derrotado pelo Ceará, e desta vez como mandante.

Oscilante, o time venceu a Goiás e Palmeiras, e perdeu como visitante para o Athlético Paranaense. Recuperou-se com três vitórias consecutivas, sobre Grêmio, Sport Recife e Vasco. Interrompeu a sequência ao voltar a empatar com o Red Bull Bragantino, desta vez como visitante. Parecia que o time não teria forças para alcançar a ponta da tabela.

A sorte, no entanto, passou a soprar a seu favor. Enquanto empatava em Bragança Paulista, o líder Internacional perdeu em Porto Alegre para o Sport Recife por 2 x 1. Na rodada seguinte, o Flamengo venceu ao Corinthians por 2 x 1 no Maracanã, numa vitória crucial e decisiva para manter a equipe na luta pelo título. Na penúltima rodada, confronto direto contra o Internacional no Maracanã. Jogo decisivo. Os colorados saíram em vantagem no início, mas Arrascaeta e Gabigol marcaram e decretaram a virada. Com a vitória, a liderança era rubro-negra. Assim como aconteceu em 2009, pela primeira vez em todo o campeonato, o Flamengo terminou a penúltima rodada na liderança do torneio.

Mas a história nem sempre se repete. Na última rodada, o time rubro-negro foi derrotado por 2 x 1 pelo São Paulo no Morumbi, não dependendo mais apenas de si para conquistar o título. Fim de jogo e os jogadores rubro-negros correram para acompanhar os minutos finais de Porto Alegre nas telinhas de seus aparelhos de telefone celular. Aos 51 minutos (para matar um do coração!) a bola é cruzada na área do Corinthians e Edenílson, livre na pequena área, marca o gol... desespero rubro-negro... euforia colorada... mas na lateral do campo o auxiliar, impávido, está com a bandeirinha levantada assinalando impedimento, para desespero dos jogadores do Internacional. As câmeras não deixam dúvida, o jogador estava bastante adiantado no momento do passe, impedimento clamoroso. Aos 52 minutos ainda houve tempo para um cruzamento na área sobrar para o zagueiro Lucas Ribeiro, que deu um toque por cima, numa claríssima oportunidade de quase-gol. Que sufoco! Depois disto, porém, o árbitro enfim ergueu o braço, apitando o fim de jogo. Com 71 pontos na tabela contra os 70 ao qual chegava o Inter com seu empate frente ao Corinthians, a explosão era rubro-negra Brasil a fora! Flamengo bi-campeão brasileiro consecutivo! Flamengo oito vezes campeão do Brasil! E Rogério Ceni com um desempenho apenas um pouco melhor do que o de Domenec Torrent, tendo conquistado 66,7% dos pontos disputados, fez o necessário para garantir o título nacional.

Flamengo no 2º Turno do Brasileiro de 2020
Hugo Souza, Isla, Rodrigo Caio (Gustavo Henrique), Willian Arão e Filipe Luís; Gérson, Diego, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabriel Barbosa (Pedro)
Téc: Rogério Ceni
Banco: Diego Alves, Natan, João Gomes, Pepê, Vitinho e Michael

Campeão nacional num torneio que adentrou 2021, por conta da paralisação de três meses do calendário causada pela pandemia do coronavírus, houve pouco tempo para ajustar elenco. As mudanças que aconteceram foram pontuais: ao fim do empréstimo, Pedro Rocha voltou ao futebol russo, necessitando correções de caixa para minimizar os impactos financeiros da crise gerada pelo futebol sem público nos estádios, o clube vendeu quatro jovens talentos, arrecadando com as idas dos zagueiros Thuler, para o Montpellier, da França, e Natan, para o grupo Red Bull, e dos atacantes Yuri César, para o Shabab Al Ahli, dos Emirados Árabes, e Lincoln, para o Vissel Kobe, do Japão. Para reforçar o elenco, houve apenas um novo nome, emprestado pelo Braga, de Portugal, o zagueiro Bruno Viana.

O Flamengo jogou as seis primeiras rodadas do Carioca de 2021 sem usar seus titulares, com uma equipe sub-23 nas três primeiras rodadas e com os reservas nas três rodadas seguintes. Ainda assim, terminou estas seis rodadas na liderança, e com o jovem Rodrigo Muniz então como o artilheiro da competição, com 5 gols. Nestas seis rodadas, venceu a Nova Iguaçu, Macaé, Resende e Botafogo, empatou com o Boavista, e perdeu para o Fluminense.

Nas três rodadas seguintes jogou com os titulares, em vitórias sobre Bangu e Madureira, e numa derrota para o Vasco. Na penúltima rodada voltou a usar os reservas, empatando com a Portuguesa. E na última rodada, com os titulares de novo, venceu ao Volta Redonda e foi campeão da Taça Guanabara. O mesmo Volta Redonda a quem enfrentou nas semi-finais, na qual jogou as duas partidas com a equipe reserva, e ainda assim obteve duas vitórias fáceis, por 3 x 0 e 4 x 1.

Na final, pelo segundo ano consecutivo o título foi decidido num Fla-Flu. Após empate por 1 x 1 no primeiro jogo, Gabigol marcou duas vezes, e João Gomes selou a vitória nos minutos finais com um 3 x 1 que fez do Flamengo, pela sexta vez na história, tri-campeão do Rio de Janeiro. Um campeonato literalmente conquistado usando o elenco inteiro.

Flamengo no Carioca de 2021
Gabriel Batista, Isla (Matheuzinho), Willian Arão, Rodrigo Caio e Filipe Luís; Gérson (João Gomes), Diego, Arrascaeta (Vitinho) e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique (Pedro (Rodrigo Muniz)) e Gabriel Barbosa
Téc: Rogério Ceni
Banco: Diego Alves (Hugo Souza), Bruno Viana, Renê, Hugo Moura, Max e Michael

Após o tri do Estadual, foram feitas mudanças pontuais no elenco. Recuperando-se ainda financeiramente das consequências da pandemia do covid, o clube, para ajustar as contas, vendeu o meia Gérson para o Olympique de Marselha, da França, e o jovem zagueiro Natan para o Red Bull Bragantino. Reservas no elenco, o lateral-direito João Lucas e o meia Pepê foram cedidos ao Cuiabá, que chegava à Série A do Brasileirão. E não houve contratações, só tendo havido dois regressos de empréstimo: o lateral-direito Rodinei, do Internacional, e o volante paraguaio Piris da Motta, do futebol turco.

A campanha rubro-negra na tentativa de conquista do tri-campeonato consecutivo se iniciou promissora. O Flamengo começou batendo ao Palmeiras por 1 a 0 no Maracanã, com gol de Pedro, e depois venceu ao América Mineiro também como mandante. Mas no terceiro jogo foi derrotado em casa pelo Red Bull Bragantino. Nos cinco confrontos seguintes, ainda sofreria mais três derrotas: no Fla-Flu e como visitante perante Juventude e Atlético Mineiro. Nos 8 primeiros jogos foram 4 vitórias e 4 derrotas, com um aproveitamento de 50% e a 12ª posição na tabela, com forte pressão de torcedores e da mídia, a diretoria optou pela demissão de Rogério Ceni.

Após vencer à Chapecoense com Maurício Souza interinamente no comando, o substituto foi escolhido: Renato Gaúcho. O treinador se credenciava após levar o Grêmio a três semi-finais consecutivas de Libertadores (em duas das quais acabou eliminado, o que no Flamengo teria sido considerado pela crítica um resultado negativo). No tricolor gaúcho, ele foi campeão da Copa do Brasil de 2016, da Libertadores de 2017 e tri gaúcho em 2018, 2019 e 2020.

O início com Renato foi avassalador: goleadas por 5 x 0 no Bahia como visitante e por 5 x 1 no São Paulo como mandante, e vitória imponente por 3 x 1 sobre o Corinthians na capital paulista. Na sequência, porém, foi goleado por 4 a 0 pelo Internacional em pleno Maracanã. Nas últimas rodadas ainda conseguiu duas vitórias imponentes em São Paulo como visitante, por 4 x 0 sobre o Santos e por 3 x 1 sobre o Palmeiras, mas empatou com Ceará e América Mineiro e foi derrotado pelo Grêmio. Com 6 vitórias, 2 empates e 2 derrotas - um aproveitamento de 66,7% - alcançava a metade de sua campanha em recuperação, convivendo muitas perdas de jogadores por lesões e convocações para as Eliminatórias da Copa do Mundo (Rodrigo Caio, Arrascaeta, Éverton Ribeiro e Gabigol foram as principais baixas). Assim, via Atlético Mineiro e Palmeiras se distanciarem na tabela.

Flamengo no 1º Turno do Brasileiro de 2021
Diego Alves, Matheuzinho (Isla), Rodrigo Caio (Léo Pereira), Gustavo Henrique e Filipe Luís; Willian Arão, Diego e Vitinho (Arrascaeta); Michael (Éverton Ribeiro), Pedro (Gabriel Barbosa) e Bruno Henrique
Téc: Rogério Ceni, depois Renato Gaúcho
Banco: Gabriel Batista, Bruno Viana, Renê, João Gomes, Thiago Maia, Max e Rodrigo Muniz

No meio do campeonato, o fortalecimento do elenco passou por um "padrão Premier League". Ainda reconstruindo as finanças, o jovem centroavante Rodrigo Muniz foi vendido ao Fulham, da Inglaterra. Foi de onde chegaram os três reforços para fortalecer o elenco: o zagueiro David Luiz, do Arsenal, o meia belgo-brasileiro Andreas Pereira, do Manchester United, e o atacante Kenedy, do Chelsea, estes dois últimos cedidos por empréstimo.

A campanha na segunda metade começou com vitórias sobre Athlético Paranaense, Fortaleza e Juventude, e tropeços em empates com Red Bull Bragantino e Cuiabá e uma derrota no Fla-Flu. Houve bons momentos, como as vitórias sobre Atlético Mineiro e Corinthians no Maracanã, e uma goleada por 4 x 0 sobre o São Paulo no Morumbi. Em paralelo, pelas quartas de final da Copa do Brasil, ainda houve uma goleada de 4 a 0 sobre o Grêmio em Porto Alegre, mas o time cairia perante o Athlético Paranaense na semi-final.

Na segunda metade do Brasileirão fez uma campanha com aproveitamento de 63%, com 10 vitórias, 6 empates e 3 derrotas, duas das quais nas duas últimas rodadas, quando o título já estava perdido, nas mãos do Atlético Mineiro, e o foco estava todo voltado para a disputa de mais uma final de Libertadores. Mas com um aproveitamento superior ao de Rogério Ceni, seu antecessor, Renato Gaúcho alçou a equipe da 12ª colocação ao vice-campeonato brasileiro.

Enquanto isto, na base, o ano terminou com um espetacular time sub-17 conquistando tudo que era possível a nível nacional na categoria. Com o meia Victor Hugo, o atacante Matheus França e o centroavante Mateusão, o Flamengo foi campeão do Brasileiro e da Copa do Brasil Sub-17.

Flamengo no 2º Turno do Brasileiro de 2021
Diego Alves, Matheuzinho (Rodinei), Rodrigo Caio (Bruno Viana), Gustavo Henrique (Léo Pereira) e Ramon (Renê); Willian Arão, Andreas Pereira e Éverton Ribeiro (Vitinho); Michael, Gabriel Barbosa e Bruno Henrique
Téc: Renato Gaúcho
Banco: Hugo Souza, David Luiz, Filipe Luís, João Gomes, Thiago Maia, Kenedy e Pedro

Na Copa Libertadores da América, a campanha rubro-negra na Fase de Grupos, ainda sob o comando de Rogério Ceni, conseguiu a classificação sem sobressaltos. A campanha começou com vitória sobre o Vélez Sarsfield em plena Argentina, e seguiu com goleada sobre o Unión La Calera, do Chile, por 4 a 1 no Maracanã, e vitória sobre a LDU na altitude de Quito. Após as três vitórias, nos jogos de volta o time obteve três empates. Classificou-se com tranquilidade.

No mata-mata, Renato Gaúcho assumiu como novo treinador. O time não teve dificuldades para eliminar ao Defensa y Justicia, da Argentina, ao Olimpia do Paraguai com duas históricas goleadas (4 a 1 em Assunção e 5 a 1 no Rio de Janeiro), e ao Barcelona de Guayaquil. Seis vitórias em seis jogos eliminatórios que o habilitaram, com uma campanha invicta, a jogar pela terceira vez em sua história uma final de Libertadores. Uma decisão mais uma vez em jogo único, desta vez em Montevidéu, no Uruguai, onde o Flamengo havia sido campeão em 1981, e tendo ao Palmeiras como adversário. Eram os campeões das duas edições anteriores que se enfrentavam em busca daquele que representaria o terceiro título continental de um ou de outro.

O Palmeiras, treinado pelo português Abel Ferreira, dominou plenamente as ações iniciais em campo, abrindo o placar com gol de Raphael Veiga logo aos 5 minutos do 1º tempo. Arrascaeta não estava no melhor de suas condições físicas e o time rubro-negro sentia isso. Mas o Flamengo encontrou forças para empatar, com gol de Gabigol na metade da segunda etapa. E aos 40 minutos quase saiu a virada: Michael entrou cara a cara pela direita de ataque, bateu cruzado, mas chutou para fora. Empate no tempo normal, e o jogo foi para a prorrogação.

A final acabou decidida num erro individual bizarro: Andreas Pereira era o último homem, enrolou-se para passar para trás na tentativa de recuo para Diego Alves, caiu de bunda no chão e deixou a bola para Deyverson penetrar livre e tocar na saída do goleiro: Palmeiras 2 a 1. Certamente o vice-campeonato mais dolorido de toda a história do Flamengo. Um triste fim para uma campanha espetacular.

Flamengo na Libertadores de 2021
Diego Alves, Isla, Rodrigo Caio (Bruno Viana), David Luiz (Gustavo Henrique) e Filipe Luís; Willian Arão, Andreas Pereira (Diego), Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabriel Barbosa
Téc: Rogério Ceni, depois Renato Gaúcho
Banco: Gabriel Batista, Matheuzinho, Léo Pereira, João Gomes, Vitinho, Michael e Pedro

Com os vice-campeonatos do Brasileirão e da Libertadores de 2021, decidiu-se pela não continuidade de Renato Gaúcho como técnico da equipe. E para o substituir, a diretoria voltou a fazer um processo seletivo de escolha na Europa. E ao fim contratou ao português Paulo Sousa, ex-treinador de Bordeaux, da França, e Fiorentina, da Itália, e então treinador da Seleção da Polônia, estando a dois jogos da possibilidade de disputar uma Copa do Mundo. Mas ele renunciou a este sonho, pediu demissão, e assumiu o Flamengo.

A reformulação do elenco passou pelas saídas de Bruno Viana, Piris da Motta e Kenedy, que não estavam apresentando um bom futebol, e por uma oportunidade de fortalecimento de caixa, com o Al Hilal, da Arábia Saudita, pagando um bom montante de dinheiro pelo ponteiro Michael. Para repor as saídas, duas contratações: o zagueiro Fabrício Bruno, do Red Bull Bragantino, e o atacante Marinho, do Santos.

O trabalho no Campeonato Carioca começou mais uma vez poupando jogadores nas três primeiras rodadas. A Taça Guanabara era turno único, em pontos corridos, com os quatro primeiros avançando à semi-final do Carioca. Com uma derrota para o Fluminense e um empate com o Resende, o time terminou em 2º lugar. E com o time novamente sofrendo com lesões, desta vez tendo sido Bruno Henrique quem esteve a maior parte do tempo ausente. Na semi-final do Estadual venceu ao Vasco duas vezes por 1 a 0, avançando para decidir o título num Fla-Flu. Era a sexta vez na história que o clube tinha a oportunidade de ser tetra-campeão carioca. E certamente era aquela na qual tinha a maior possibilidade de conseguir este feito.

Logo no primeiro jogo da final a situação ficou bem complicada para o Flamengo. O Fluminense voltou a vencer, como já havia vencido na Taça Guanabara, desta vez com dois gols do argentino Germán Cano, e com um 2 a 0 contra, ficou difícil reverter na segunda partida. Gabigol ainda colocou o rubro-negro a frente no segundo jogo, mas um novo gol de Cano, no fim do 1º tempo, sacramentou o título tricolor e o naufrágio do sonho rubro-negro com o tetra.

Flamengo no Carioca de 2022
Hugo Souza, Matheuzinho, Fabrício Bruno, David Luiz e Filipe Luís; Willian Arão, João Gomes, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Lázaro (Marinho) e Gabriel Barbosa (Pedro)
Téc: Paulo Sousa
Banco: Diego Alves, Rodinei, Léo Pereira, Andreas Pereira, Vitinho e Bruno Henrique

Para o início do Brasileirão de 2022, foram feitas três contratações, todas para o sistema defensivo, com as chegadas do goleiro Santos, do Athlético Paranaense, do zagueiro Pablo, do Lokomotiv Moscou, da Rússia, e do lateral-esquerdo Ayrton Lucas, do Spartak Moscou, também da Rússia. E houve a saída dos laterais-esquerdos reservas, com Renê seguindo para o Internacional, e o jovem Ramon cedido por empréstimo ao Red Bull Bragantino.

Após a perda do título carioca, o trabalho de Paulo Sousa começou sob pressão. E a campanha se iniciou oscilante. Tropeço na estreia com um empate como visitante contra o Atlético Goianiense seguido por dois jogos importantes como mandante, uma vitória sobre o São Paulo e um empate sem gols com o Palmeiras. Seguiram-se duas derrotas, para Athlético Paranaense e Botafogo, e um empate fora contra o Ceará. Duas vitórias sobre Goiás e Fluminense amenizaram a crise. Mas o time perdeu então em casa para o Fortaleza e fora para o Red Bull Bragantino, chegando à 14ª posição. Com 40% de aproveitamento (3 vitórias, 3 empates e 4 derrotas), o português Paulo Sousa foi demitido.

A escolha do sucessor recaiu sobre o então técnico do Ceará, Dorival Júnior, que acumulava duas boas passagens pelo Flamengo. Desde que deixara o clube, ao fim de 2018, havia treinado Athlético Paranaense e o próprio Ceará. E a escolha deu muito certo. Sua trajetória começou com uma derrota como visitante para o Internacional em Porto Alegre. Daí venceu ao Cuiabá e perdeu para o Atlético no Mineirão. Na partida contra o Cuiabá, Bruno Henrique sofreu uma lesão de ligamentos do joelho que o deixou de fora do restante do ano. Na sequência rubro-negra, o time engatou cinco vitórias nos últimos seis jogos do turno: passou como mandante por América Mineiro, Coritiba e Juventude, e como visitante por Santos e Avaí. Perdeu apenas para o Corinthians, por 1 a 0, e com gol contra de Rodinei. Com aproveitamento de 66,7% na segunda metade do turno (6 vitórias e 3 derrotas), Dorival alçou o clube da 14ª para a 6ª colocação ao fim da primeira metade de campeonato.

Flamengo no 1º Turno do Brasileiro de 2022
Santos (Hugo Souza), Matheuzinho, David Luiz, Pablo e Ayrton Lucas; Thiago Maia (Willian Arão), João Gomes (Andreas Pereira), Arrascaeta (Lázaro) e Éverton Ribeiro; Gabriel Barbosa e Pedro
Téc: Paulo Sousa, depois Dorival Júnior
Banco: Diego Alves, Rodinei, Rodrigo Caio, Léo Pereira, Filipe Luís, Diego, Vitinho, Marinho e Bruno Henrique

Os resultados ruins levaram a diretoria a trabalhar numa reformulação mais intensa do elenco. Andreas Pereira, tendo terminado o empréstimo, regressou ao futebol inglês. Mauricio Isla foi dispensado, Gustavo Henrique e Willian Arão vendidos para o Fenerbahce, da Turquia, onde o português Jorge Jesus iniciava um novo trabalho, e Vitinho foi vendido ao Al Ettifaq, da Arábia Saudita. Na rota oposta, com uma postura mais agressiva no mercado, foram feitas quatro contratações. Enquanto Isla deu adeus, também da Seleção do Chile chegaram ao Ninho do Urubu os meio-campistas Erick Pulgar e Arturo Vidal. Da Seleção do Uruguai, foi contratado o lateral-direito Varela, que estava no Dínamo Moscou, da Rússia. E na maior das quatro transações, o clube abriu os cofres para contratar o atacante Éverton Cebolinha ao Benfica, de Portugal.

Mesmo tendo perdido Rodrigo Caio e Bruno Henrique por lesões graves de ligamentos do joelho, com elenco reforçado para o returno, Dorival Júnior pode apostar em jogar com duas equipes diferentes, uma no Brasileirão, e outra nos jogos da Libertadores e da Copa do Brasil. E mesmo tirando seus titulares da principal competição nacional, iniciou o returno com três vitórias impactantes que alçaram o clube ao 2º lugar: goleou ao Atlético Goianiense por 4 a 1, venceu ao São Paulo como visitante, e goleou ao Athlético Paranaense por 5 a 0 no Maracanã. Depois empatou com o líder Palmeiras fora de casa, e venceu ao Botafogo.

Mas a estratégia de poupar titulares cobrou seu preço nas rodadas seguintes, com empates no Rio contra o Ceará e fora contra o Goiás, e com derrotas no Fla-Flu e para o Fortaleza como visitante. Resultados que tiraram o time da briga pelo título. As apostas ficaram concentradas então nas copas, já que o Flamengo havia obtido a classificação à final tanto da Copa do Brasil quanto da Copa Libertadores. Mas mesmo jogando todo o 2º turno com reservas, ainda assim o Flamengo terminou em 5º lugar. O time estava com um aproveitamento de 68,9% dos pontos disputados no returno até a 34ª rodada (melhor até do que no 1º turno, quando usou os titulares) mas nos quatro últimos jogos conseguiu um mísero empate e terminou tendo 56,1% de aproveitamento no 2º turno.

Flamengo no 2º Turno do Brasileiro de 2022
Santos, Matheuzinho, Fabrício Bruno, Pablo e Ayrton Lucas; João Gomes, Vidal e Victor Hugo; Marinho, Matheus França e Éverton Cebolinha
Téc: Dorival Júnior
Banco: Hugo Souza, Rodinei, David Luiz, Thiago Maia, Diego, Arrascaeta, Éverton Ribeiro, Gabriel Barbosa e Pedro

A caminhada na Copa do Brasil se iniciou eliminando, com duas vitórias, ao Altos, do Piauí. O segundo duelo já foi logo uma pedreira, o Atlético Mineiro, então campeão brasileiro. No Mineirão, depois de estar com dois gols de desvantagem, Lázaro marcou um gol crucial no fim para diminuir a desvantagem. No Maracanã, com dois gols de Arrascaeta, vitória rubro-negra e vaga nas quartas de final. Outro duelo duríssimo, contra o Athlético Paranaense. No primeiro jogo empate sem gols no Maracanã, e a vaga teve que ser conquistada em Curitiba, onde Pedro marcou um gol histórico, de bicicleta, que construiu a vitória por 1 a 0. Na semi-final, duas vitórias sobre o São Paulo, como mandante como visitante, e o time avançou para fazer sua 8ª final de Copa do Brasil até então na história, desta vez contra o Corinthians, que superou o Fluminense e impediu um Fla-Flu na final.

Decisão de título entre os clubes com as duas maiores torcidas do Brasil, dando uma dimensão ainda maior para a disputa. A decisão começou na capital paulista, onde a partida terminou num acirrado empate sem gols. No Rio de Janeiro, em celebração histórica no Maracanã, Pedro abriu o placar logo aos 7 minutos, mas o Flamengo não matou o jogo, e o Corinthians empatou no final, levando a decisão para os pênaltis. Quando Cássio defendeu logo a primeira cobrança rubro-negra, a conquista parecia longe, mas as bolas foram entrando, e as corinthianas foram uma no travessão e outra para fora, dando a vitória por 6 x 5 ao Flamengo, Campeão da Copa do Brasil de 2022! E dez dias depois o time entrava em campo para outra decisão, esta no Equador, valendo o título da Copa Libertadores da América.

Flamengo na Copa do Brasil de 2022
Santos, Rodinei, David Luiz, Léo Pereira e Filipe Luís; Thiago Maia, João Gomes, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Gabriel Barbosa e Pedro.
Téc: Paulo Sousa, depois Dorival Júnior
Banco: Hugo Souza, Fabrício Bruno, Ayrton Lucas, Vidal, Diego, Victor Hugo, Lázaro e Éverton Cebolinha

Ainda com o português Paulo Sousa como seu treinador, o time rubro-negro fez campanha avassaladora na Fase de Grupos da Libertadores 2022, com 5 vitórias e 1 empate, só não tendo vencido ao duelo como visitante contra o Talleres, na Argentina. Os demais participantes do grupo eram o Universidad Católica, do Chile, e o Sporting Cristal, do Peru. Após a fase inicial, o técnico Paulo Sousa foi substituído por Dorival Júnior.

Com o novo treinador, o Flamengo teve desempenho arrasador nos confrontos diretos de mata-mata, vencendo todos os seus jogos de oitavas, quartas e semi-final. Nas oitavas, com direito a uma impiedosa goleada por 7 a 1 sobre o Deportes Tolima, da Colômbia, no jogo de volta no Maracanã. Nas quartas, passou duas vezes pelo Corinthians, sem muita dificuldade. E na semi-final obteve mais um resultado histórico, goleando ao Vélez Sarsfield por 4 x 0 no jogo de ida em plena Buenos Aires, a maior vitória como visitante de um brasileiro sobre um argentino na história da Libertadores até então. Assim, chegou à sua segunda final consecutiva, e à terceira em quatro anos, desta vez para enfrentar ao Athlético Paranaense, que superou ao então campeão Palmeiras na outra semi-final.

O título foi decidido em jogo único em Guayaquil, no Equador. Já diz um ditado do futebol: final não se joga, final se ganha! E o que o Flamengo realmente precisava fazer quando entrou em campo em Guayaquil, no Equador, era jogar para conquistar o título, como um prêmio à majestosa campanha que fez até ali e contra o peso histórico que representaria perder uma segunda final de Libertadores consecutivamente. E foi o que o time do Flamengo fez. Não teve uma atuação exuberante, tendo feito o justo e suficiente para obter uma vitória magra por 1 a 0, com gol de Gabigol nos acréscimos do 1º tempo, que lhe deu seu terceiro título sul-americano em sua história, o segundo em quatro anos, e com a maior campanha da história da Copa Libertadores da América até então, invicto com 12 vitória e 1 empate, um aproveitamento de 94,9% dos pontos disputados. O Flamengo consolidava o período mais vitorioso de sua história!

Flamengo na Libertadores de 2022
Santos, Rodinei, David Luiz, Léo Pereira e Filipe Luís; Thiago Maia, João Gomes, Arrascaeta e Éverton Ribeiro; Gabriel Barbosa e Pedro.
Téc: Paulo Sousa, depois Dorival Júnior
Banco: Hugo Souza, Matheuzinho, Pablo, Ayrton Lucas, Arturo Vidal, Diego, Victor Hugo, Lázaro, Marinho, Bruno Henrique e Éverton Cebolinha



O Flamengo teve o melhor desempenho relativo do país no Campeonato Brasileiro entre 2016 e 2020, tendo sido duas vezes campeão, em 2019 e 2020, uma vez 2º lugar, em 2018, uma vez 3º colocado, em 2016, e uma vez 6º colocado, em 2017. Foi, portanto, cinco anos consecutivos Top 6 do Brasileirão, um feito que jamais havia obtido em toda a sua história. O desempenho foi ligeiramente melhor do que o do Palmeiras, que neste mesmo intervalo de cinco anos foi 2 vezes 1º (2016 e 2018), uma 2º (2017), uma 3º (2019) e uma 7º colocado (2020).

Entre 1978 e 1983, o Flamengo havia sido campeão Mundial, da Libertadores, 3 vezes campeão brasileiro, e 4 vezes campeão carioca. Entre 2017 e 2021, o Flamengo foi campeão da Libertadores, 2 vezes campeão brasileiro, e 4 vezes campeão carioca. Os investimentos e reformulações feitos nas divisões de base também surtiram efeitos bastante positivos para o clube. Entre 2016 e 2019 foram vários os títulos a nível nacional: Campeão da Copa São Paulo de Juniores em 2016 e 2018, Campeão da Copa do Brasil Sub-17 em 2018, Campeão Brasileiro Sub-17 em 2019 e Campeão Brasileiro Sub-20 em 2019. O ano de 2019 então foi extraordinário e praticamente impossível de ser repetido: o Flamengo foi Campeão da Tríplice Coroa, conquistando Estadual, Brasileiro e Libertadores no mesmo ano; e foi campeão de todas as categorias do Campeonato Brasileiro, Profissional, Sub-20 e Sub-17. Tanto um feito quanto o outro jamais havia sido conseguido por nenhum outro clube na história do futebol brasileiro!



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