A marca atingida pelo Flamengo na Libertadores em 2025 foi espetacular: 4 vezes finalista no intervalo de 7 anos entre 2019 e 2025, tendo mais vezes chegado à final do que ficado fora dela neste período, e conquistando o título em 3 destas 4 oportunidades. Um feito gigante! Vamos aos parâmetros históricos... clubes que disputaram 4 finais de Libertadores num intervalo de 7 anos: o Peñarol, do Uruguai, nas 7 primeiras edições do torneio, entre 1960 e 1966, chegou 5 vezes à final, campeão em 60, 61 e 66, e vice em 62 e 65; Estudiantes, da Argentina, com 4 finais consecutivas entre 1968 e 1971, três vezes campeão e vice em 71; e Independiente, também da Argentina, com 4 finais consecutivas entre 1972 e 1975, e campeão em todas elas. Todas estas três oportunidades na fase na qual o campeão da Libertadores entrava diretamente na semifinal na edição seguinte, o que facilitava imensamente a realização destes grandiosos feitos! O quarto caso foi o Boca Juniors, também da Argentina, que disputou 4 finais num intervalo de 5 anos, campeão em 2000, 2001 e 2003, e vice em 2004 (ainda voltou a ser campeão em 2007, mas aí foram 5 finais em 8 anos). Logo, o feito do Flamengo entre 2019 e 2025 só tem como inigualável na história a este Boca da primeira década do Século XXI... três vezes campeão num intervalo de 7 anos, antes só estes já citados casos de Peñarol, Estudiantes, Independiente e Boca Juniors. É neste salão de mais tradicionais da história da Copa Libertadores da América que o Flamengo adentrou com sua conquista em 2025! Ainda mais do que o já grandioso feito de ter sido o primeiro clube de futebol do Brasil a ter conquistado o título sul-americano pela 4ª vez na história.
Em 1981, o Flamengo foi campeão com o marco de um dos poucos casos a história de título de um debutante no torneio. Em 2019, a virada mais épica da história, com os dois gols de Gabriel Barbosa nos minutos finais. Em 2022, fazendo a maior campanha da história da competição, não bastando ter sido invicto, mas com um aproveitamento espetacular de 95%, sem perder nem sequer um dos confrontos mata-mata. Em 2025, a conquistado teve área menos épicos mas de superação, com resultados suados, vitórias magras, mais de uma situação de alto risco de eliminação, uma história com características de resiliência. Quatro histórias, cada uma construída por seu caminho próprio.
A largada da campanha de 2025 foi outra vez como visitante, contra o Deportivo Táchira, da Venezuela, em 3 de abril no Estádio Polideportivo Pueblo Nuevo, na cidade de San Cristóbal. O técnico do time rubro-negro era um debutante na função, que já em seus primeiros meses como treinador havia conquistado o título da Copa do Brasil de 2024, o ex-lateral-esquerdo rubro-negro, titular nas equipes campeãs em 2019 e 2022, Filipe Luís. Ele levou a campo um time escalado com Agustin Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Pulgar, De La Cruz e Luiz Araújo; Michael, Bruno Henrique e Éverton Cebolinha. Uma equipe ainda sem o centroavante Pedro, que se recuperava de lesão, e também desfalcado naquele dia de Arrascaeta. O Táchira foi a campo escalado pelo técnico Edgar Pérez Greco com: Jesús Camargo, Roberto Rosales, Carlos Vivas, Mauro Maidana e Pablo Camacho; Juan Manuel Requena, Edicson Tamiche (Juan Carlos Ortíz), Maurice Cova (Lucas Cano), Carlos Sosa (Jean Franco Castillo) e Daniel Saggimo; Bryan Castillo (José Balza).
Foi um jogo bastante complicado, sem uma boa atuação do Flamengo. A vitória acabou conquistada com um gol chorado no início do 2º tempo, em que a bola subiu e decaiu dentro da pequena área, próxima à linha do gol, onde o centroavante reserva Juninho, recém chegado do futebol do Azerbaijão, onde se destacou em campanha da Liga Europa, e que havia entrado no lugar de Michael no intervalo, apareceu saltando para empurrar com o peito para dentro do gol. Assim foi a estreia rubro-negra com vitória magra no placar: 1 a 0.
O primeiro jogo como mandante, no Maracanã, era contra um time argentino sem nenhuma tradição internacional, e que debutava na Libertadores. O Central Córdoba havia sido a surpresa de seu país no ano anterior, quando se sagrou campeão da Copa da Argentina. Como reagiria ao encarar o confronto diante de quase 60 mil pessoas no Maracanã? O treinador Filipe Luís levou a campo uma equipe com Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Évertton Araújo, De La Cruz e Arrascaeta; Gonzalo Plata, Juninho e Bruno Henrique. Já os argentinos, escalados por Omar de Felippe, iniciaram a partida formados por Aguerre, Abascia, Lautaro Rivero, Moyano e Cufré; Jonathan Galván, Iván Gómez, José Florentín e Leo Heredia; Perelló e Luis Angulo. O Flamengo com uniforme rubro-negro, e os argentinos com camisas e meiões brancos, e calções azuis escuros.
O time flamenguista tentava controlar o jogo e criar chances, mas acabou surpreendido pelos cordobeses - que já tinham assustado com um chutaço de Cufré de fora da área - aos 23 minutos do 1º tempo, quando numa dividida entre Perello e Léo Pereira na área, a bola raspou na mão do zagueiro rubro-negro, sendo assinalado pênalti, que Heredia cobrou e converteu. A situação piorou aos 43 minutos, quando uma cobrança de falta pela ponta esquerda de ataque encontrou a cabeça de Florentin penetrando em meio aos zagueiros, eles testou firme, com força, e ampliou a vantagem da equipe argentina. Aqueles primeiros 45 minutos representaram a única partida em toda aquela edição da Libertadores na qual o time rubro-negro de Filipe Luís sofreu 2 gols.
Na volta para o 2º tempo, a pressão ofensiva por uma reação na partida foi intensa. Com um gol de falta marcado pelo uruguaio Nico De La Cruz aos 15 minutos do 2º tempo, o 1-2 no placar colocou a equipe de volta no jogo. Mas o empate não saiu. Derrota surpreendente no Maracanã, muitas críticas de público e mídias, e a pressão por reagir na tabela, já que as duas partidas seguidas eram como visitante, uma delas na altitude de Quito. Não havia mais margem para erros, ou uma impensada eliminação logo na Fase de Grupos se tornaria uma realidade amarga.
Com a derrota na segunda rodada, o jogo pela 3ª rodada contra a LDU, nos de altura da cidade de Quito, ganhou contornos de partida decisiva no Estádio Casa Blanca, na altitude de 2.850 metros de Quito. Filipe Luís começou a partida com a equipe com uma escalação mais defensiva, optando por dois cabeças de área juntos, e um meio de campo com quatro peças. O time entrou escalado com: Rossi, Wesley, Danilo, Léo Ortiz e Ayrton Lucas; Évertton Araújo, Pulgar, Gérson e Arrascaeta; Bruno Henrique e Juninho. Embora não viesse sendo utilizado como titular no Brasileirão, na ausência de Pedro, Juninho continuava ganhando ampla minutagem na Libertadores. A Liga de Quito, do técnico Pablo Sánchez, entrou em campo atuando com: Gonzalo Valle, Daniel De La Cruz, Ricardo Adé, Allala e Leonel Quiñónez; Kevin Minda, Carlos Gruezo e Fernando Cornejo; Bryan Ramírez, Lisandro Alzugraray e Álex Arce.
Foi um jogo amarrado e muito tenso. Mais uma vez a atuação rubro-negra não foi boa, como aconteceu em toda aquela perna de ida da Fase de Grupos. No entanto, bravamente, o time segurou o empate sem gols, e voltou de viagem com um importante ponto conquistado. Naquele momento, o Flamengo ocupava a 3ª colocação, e via a sua classificação seriamente ameaçada.
O duelo seguinte era no interior da Argentina, no Estádio Único, na cidade de Santiago Del Estero, contra a equipe que o havia derrotado no Maracanã. Era mais uma decisão para o time! A equipe tinha a volta de Pedro, e foi a campo escalada com: Rossi, Wesley, Danilo, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Pulgar, De La Cruz, Gérson e Arrascaeta; Bruno Henrique e Pedro. Do lado argentino, Omar de Felippe levava a campo praticamente a mesma equipe que havia entrado em campo no Maracanã, apenas com uma modificação no meio de campo, o time entrou em campo escalado com: Alan Aguerre, Lucas Abascia, Lautaro Rivero, Santiago Moyano e Braian Cufré; Jonathan Galván, Quagliata, José Florentín e Leonardo Heredia; Matías Perelló e o equatoriano Luis Angulo.
Sob pressão, o Flamengo foi quem saiu na frente, aos 9 minutos do 1º tempo: Gérson deu passe de primeira para Arrascaeta, que invadiu a área e bateu com classe na saída do goleiro Aguerre para abrir a contagem. O próprio Arrascaeta quase ampliou aos 23 minutos, mas frente a frente ao goleiro, concluiu mal. A vantagem rubro-negra perdurou até o intervalo. Mas na volta para o segundo tempo não tardou a cair, com Gastón Verón, que recém havia entrado em campo, empatando logo aos 15 minutos. Assim, a parte final da partida foi extremamente tensa. O Central Córdoba pressionava, e se sofresse um gol o time rubro-negro se encontraria em situação bastante delicada na tabela. Conseguiu segurar o empate até o fim. Faltavam então dois jogos no Maracanã para selar a classificação. A situação não era nem um pouco confortável: Central Córdoba e LDU tinham 8 pontos, o Flamengo tinha 5 e o Deportivo Táchira não tinha nenhum ponto conquistado.
Decisão contra a LDU no Maracanã. O adversário não tinha nada de fraco, tanto que chegaria à semifinal daquela edição da Libertadores. O Maracanã recebeu quase 66 mil espectadores. Era decisão. Se não vencesse, a eliminação precoce estaria eminente. O time rubro-negro entrou em campo com uma formação ofensiva, sem uma peça de contenção de mais voluntariedade no meio, e com três atacantes rápidos na frente. A equipe mandada a campo por Filipe Luís: Rossi, Wesley, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; De La Cruz, Gérson e Arrascaeta; Luiz Araújo, Bruno Henrique e Michael. Do outro lado, o treinador Pablo Sánchez lançou a campo quase a mesma formação que havia jogado em Quito, trocando um ponta por um meia, e mudando o esquema de 4-3-3 para 4-4-2. Seus titulares: Valle, Daniel De La Cruz, Ricardo Adé, Allala e Leonel Quiñónez; Kevin Minda, Gruezo, Cornejo e Alexander Alvarado; Álex Arce e Alzugraray.
O Flamengo saiu em vantagem logo aos 9 minutos do 1ª tempo, com um importante gol de cabeça marcado pelo zagueiro Léo Ortiz. No restante da 1º etapa, o time teve dificuldades ofensivas, não conseguindo ampliar, e deixando a torcida cada vez mais impaciente nas arquibancadas. Na volta do intervalo, também aos 9 minutos, o lateral-esquerdo Alex Sandro fez excepcional jogada pela ponta esquerda, foi ao fundo e cruzou, após bate e rebate na área, a bola sobrou para Luiz Araújo, que arrematou firme para ampliar e colocar um 2 a 0 importantíssimo e definitivo no placar final do jogo. A situação rubro-negra com aquele empate ficava bem mais tranquila: a uma rodada do fim, o líder era o Central Córdoba com 11 pontos, que enfrentaria à LDU em Quito na última rodada, os equatorianos estavam juntos ao Flamengo com 8 pontos. Na rodada derradeira, o time rubro-negro enfrentaria ao Táchira no Maracanã e só dependia de si mesmo, já que obteria a classificação com uma vitória por qualquer placar.
Para o confronto final contra o já eliminado time venezuelano, o Maracanã recebeu um público de 66 mil presentes naquela noite de 29 de maio. Casa cheia e festa montada, faltava corresponder em campo. Um resultado negativo certamente comprometeria toda a temporada! Era decisão! A expectativa era de uma vitória imponente, para embalar uma campanha até então titubeante. Não foi o que aconteceu! A equipe de Filipe Luís entrou em campo formada por: Rossi, Wesley, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Allan, Gérson e Arrascaeta; Luiz Araújo, Pedro e Michael. O Deportivo Táchira, que jogou com uniforme todo ele amarelo, entrou escalado por Edgar Pérez Greco com: Táchira: Jesús Camargo, Roberto Rosales, Lucas Acevedo, Jesús Quintero e Juan Sánchez; Carlos Calzadilla, Juan Requena, Maurice Cova e Daniel Saggiomo; José Balza e Bryan Castillo.
Embora tenha tido controle do jogo, e maior volume, o Flamengo não conseguia marcar um gol. O tempo foi avançando, e a tensão aumentando. Até que aos 20 minutos do 2º tempo, cruzamento para a área e o zagueiro Léo Pereira se antecipou aos zagueiros do time venezuelano para completar de primeira para o gol, sem dar chances de defesa para o goleiro Jesús Camargo: 1 a 0. O time não conseguiu voltar a marcar, e acabou por sofrer uma pressão enorme nos minutos finais. Ainda que já estivesse eliminado, o adversário pressionava intensamente em busca do empate, e o time rubro-negro, nervoso, espanava tudo para longe da área. Já nos acréscimos, aos 49 minutos, praticamente na úlrima bola do jogo, após uma cobrança de escanteio a bola sobrou dentro da pequena para o jogador do Táchira, que bateu cruzado. Rossi salvou com a ponta do pé. Um gol teria significado a eliminação! Até oárbitro apitar o fim de jogo. Foi mais uma vitória apertada e suada numa campanha sob uma imensa dificuldade para engrenar. Mas foi o suficiente para garantir a classificação! No Equador, a LDU venceu, e avançou em 1º lugar nos critérios de desempate, deixando o Flamengo em 2º lugar, eliminando assim à única equipe que havia sido capaz de vencer ao time rubro-negro naquele grupo, e no Maracanã, o Central Córdoba.
O técnico Filipe Luís utilizou intensamente a seu elenco na Fase De Grupos, sendo difícil definir quais eram os titulares, os mais utilizados foram: Agustin Rossi, Wesley, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro (Ayrton Lucas); Pulgar (Évertton Araújo), De La Cruz, Gérson e Arrascaeta; Luiz Araújo e Bruno Henrique (Michael). Para a continuação da competição esta equipe seria bastante mexida, e o elenco seguiria sendo todo ele bastante utilizado. Houve as saídas do lateral-direito Wesley, vendido à Roma, da Itália, e do meia Gérson, para o Zenit, da Rússia. E entraram 5 reforços: o lateral-direito Emerson Royal, dois meio-campistas, o ítalo-brasileiro Jorginho Frello e o espanhol Saúl Ñíguez, mais o meia-atacante colombiano Jorge Carrascal e o ponta-esquerda Samuel Lino.
A fase oitavas de final foi disputada somente dois meses e meio após o fim da Fase de Grupos. O adversário rubro-negro era brasileiro, o Internacional, de Porto Alegre. Como o Flamengo havia avançado na segunda posição, a disputa se iniciou no Rio de Janeiro, onde na noite de 13 de agosto as equipes entraram em campo para iniciar a disputa mata-mata no Maracanã, que recebeu um público de mais de 68 mil presentes. De um lado a tradicional camisa rubro-negra, do outro a equipe do Colorado utilizando o seu segundo uniforme, de camisas brancas e calções vermelhos. O Flamengo iniciou a partida jogando com: Rossi, Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Jorginho, Allan e Luiz Araújo; Gonzalo Plata, Bruno Henrique e Samuel Lino. A equipe jogava desfalcada de seu principal jogador, seu camisa 10 uruguaio Giorgian De Arrascaeta. O adversário, treinado por Roger Machado, foi a campo com: Sergio Rochet, Braian Aguirre, Vitão, Juninho e Alexandro Bernabei; Thiago Maia, Alan Rodríguez, Alan Patrick e Bruno Tabata; Wesley e Ricardo Mathias.
Nos primeiros minutos, só o time rubro-negro ficava com a bola, dominando completamente as ações. Quando o Inter tentava sair tocando, o Flamengo subia as linhas e conseguia recuperar a posse de bola rapidamente. No embalo dos cânticos que emanavam da arquibancada, o Flamengo pressionava ao adversário, e aos 28 minutos do 1º tempo conseguiu o seu gol. Escanteio cobrado pela esquerda de ataque por Luiz Araújo, e a bola encontrou Bruno Henrique livre, por trás da linha de defesa colorada, para testar colocado, no canto, e longe do alcance do goleiro uruguaio Rochet: 1 a 0.
A partida foi acirrada, com maior controle do Flamengo, mas sem que isto fosse convertido numa vantagem maior. A vitória por um placar magro dava alguma vantagem, mas deixava o cenário totalmente em aberto para o jogo da volta em Porto Alegre. Entre as duas partidas pela Libertadores, os dois adversários se enfrentaram pelo Brasileirão, em Porto Alegre. O Flamengo poupou jogadores, mas venceu, por 3 a 1, com dois gols de Pedro e um do equatoriano Gonzalo Plata.
Já no jogo de volta pela Libertadores, também no Estádio Beira-Rio, um fato inusitado: o jogo teve o seu início atrasado em 21 minutos por conta de uma chuva de papel picado na entrada das duas equipes em campo. Um problema técnico fez os canhões dispararem muito mais papel do que o previsto, cobrindo toda a grama. O tempo de espera até que funcionários do clube removessem o excesso, esfriou o ímpeto dos cânticos dos mais de 43 mil torcedores que lotavam o estádio. Filipe Luís entrou em campo com uma equipe totalmente diferente em relação ao jogo de ida: Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Jorginho, Saúl Ñíguez e Arrascaeta; Gonzalo Plata, Bruno Henrique e Samuel Lino. Já o Internacional iniciou com os mesmos 11 titulares que tinham iniciado no Maracanã. Desta vez era o Flamengo quem vestia camisa branca, com o Internacional com a sua tradicional camisa vermelha com calção branco.
Quando a bola enfim rolou, o time rubro-negro voltou a ser mais envolvente do que o adversário, controlando a maior parte das ações. Aos 26 minutos, conseguiu um gol: Samuel Lino recebeu na ponta esquerda e cortou pra dentro, chutou cruzado, Rochet deu rebote, a bola subiu para a lateral da pequena área, onde encontrou a cabeça de Gonzalo Plata, ele ajeitou para a entrada da pequena área, onde a bola decaiu para que Arrascaeta acertasse um potente chute de primeira para estufar as redes. Um golaço! Flamengo 1 a 0. E dois gols de vantagem no agregado.
Dali em diante, o Flamengo administrou a vantagem. O Internacional ameaçava muito pouco à meta rubro-negra. Nos minutos finais, Pedro ainda ampliou, fazendo 2 a 0, e garantindo a classificação para as quartas de final. O time rubro-negro foi inquestionavelmente superior ao Internacional, classificando-se com um agregado de 3-0 e fechando a trilogia de três jogos consecutivos contra o Colorado num intervalo de uma semana: três vitórias rubro-negras.
O duelo de quartas de final foi contra o Estudiantes de La Plata, da Argentina. Foi uma guerra! No jogo de ida, uma noite de 18 de setembro, o Maracanã estava tomado pelo vermelho e o preto, ardendo em brasa pelo calor humano da multidão de 70 mil vozes que lotavam o estádio. Filipe Luís mandou a campo a equipe formada por: Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas; De La Cruz, Saúl Ñíguez e Arrascaeta; Gonzalo Plata, Pedro e Samuel Lino. O Estudiantes entrou escalado por Eduardo Dominguez com: Muslera, Román Gómez, Santiago Núñez, Facundo Rodríguez e Santiago Arzamendia; Piovi, Cristian Medina, Ascacibar e Amondarain; Facundo Farías e Guido Carrillo.
O Flamengo começou avassalador, impondo pressão alta. Logo com 15 segundos de bola rolando, o placar foi aberto! Bola correndo de pé em pé até Pedro se livrar do marcador e tocar na saída do goleiro uruguaio Muslera. Com 8 minutos saiu já um segundo gol, quando após cruzamento na área o lateral-direito uruguaio Varela acertou um chutaço de primeira: golaço! Flamengo 2 a 0!
O Flamengo era o dono absoluto do jogo! Mas era continuamente contido pela arbitragem. Foram inúmeras as polêmicas contra rubro-negros e a favor dos argentinos, culminando com uma expulsão absurda de Gonzalo Plata no 2º tempo, num lance que nem toque houve (cartão vermelho que seria anulado dias depois pela Confederação Sul-Americana). O Flamengo teve que atuar nos minutos finais com um jogador a menos, e nos acréscimos acabou sofrendo um gol do time argentino que mudava completamente as condições para a partida de volta: 2 a 1 no placar final.
O jogo de volta, no Estádio Jorge Luis Hirschi, em 25 de setembro, foi sob o típico clima de Libertadores da América: estádio lotado e cânticos argentinos incessantes na arquibancada. Pressão contrária total! Eduardo Domínguez fez pequenos ajustes na sua escalação inicial para aumentar a capacidade de pressão ofensiva da equipe. Lançou a campo: Muslera, Román Gómez, Santiago Núñez, Facundo Rodríguez e Gastón Benedetti; Cristian Medina, Ascacibar, Amondarain e Arzamendia; Tiago Palácios e Guido Carrillo. Já o Flamengo de Filipe Luís, entrou com: Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Jorginho, Saúl Ñíguez e Arrascaeta; Gonzalo Plata, Pedro e Samuel Lino. As mudanças aconteceram pelas voltas à equipe de Alex Sandro e Jorginho, titulares, mas que tinham ficado de fora no jogo de ida.
O Flamengo estava aguentando bem à pressão do adversário no primeiro tempo, no entanto, nos acréscimos, Benedetti marcou e igualou a série no agregado. Na etapa final, o Estudiantes chegou a balançar a rede de novo com Benedetti, mas a arbitragem de vídeo traçou suas linhas e apontou o impedimento. O segundo gol, que mudaria a gravidade da noite, evaporou. Na segunda metade, o time de La Plata começou a dar sinais de cansaço físico. O time rubro-negro resistiu até o fim e quando o apito final soou, estava sacramentado que a decisão da vaga na semi-final seria nos pênaltis.
O Flamengo abriu com seu cobrador oficial, Jorginho e seu saltinho antes do chute. Infalível: 1 a 0. Sosa empatou. Luiz Araújo bateu firme e marcou. E então apareceu pela primeira vez Agustin Rossi. O goleiro argentino defendeu a cobrança de Gastón Benedetti, jogando pressão para o lado rival. Veio então a cobrança de Carrascal, firme e forte, o chute do colombiano estufou a rede: 3 a 1. Tento fundamental para as evolução emocional das cobranças seguintes. Edwin Cetré converteu e diminuiu. Léo Pereira cobrou magistralmente, acertando a bola no ângulo. Um golaço de pênalti: 4 x 2. Faltava pouco. Na quarta cobrança, Mikel Ascacibar bateu e Rossi voou no canto para defender. Fim de papo! 4 a 2 nos pênaltis! O Flamengo estava na semi-final!
A semi era contra o Racing. Tendo eliminado ao Estudiantes, o Flamengo duelava contra as duas equipes que dali a algumas semanas fariam a final do Campeonato Argentino. Duelos contra o que havia de melhor no país vizinho. E a decisão do finalista saiu da mesma forma como se arrastava a história da campanha rubro-negra até ali: placares magros, resultados suados e obtidos em mínimos detalhes. Assim foi a história de Flamengo versus Racing em 2025. Primeiro encontro no Maracanã, em 22 de outubro, com o estádio mais uma vez lotado, recebendo mais de 71 mil espectadores. O time rubro-negro entrou em campo escalado com: Rossi, Varela, Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Jorginho, Arrascaeta e Carrascal; Luiz Araújo e Pedro. O desfalque era o zagueiro Léo Ortiz, que com lesão sofrida na partida contra o Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro. Já o Racing, do técnico Gustavo Costas, entrou com: Cambeses, Martirena, Colombo, Marcos Rojo e Gabriel Rojas; Santiago Sosa, Zuculini e Almendra; Santiago Solari, Adrián "Maravilla" Martínez e Tomás Conechny.
A partida foi franca e bem jogada, tendo havido oportunidades de gol de lado a lado. Do lado rubro-negro, a má notícia foi a fratura no braço de Pedro sofrida num choque casual, a qual o tiraria do restante do torneio. Na reta final de partida, o Flamengo pressionava e pressionava, mas o gol não saía. Até que aos 35 minutos do 2º tempo, bola lançada na área e Samuel Lino, que havia entrado no lugar de Arrascaeta, toca de cabeça e encobre o goleiro. Explosão de euforia no Maracanã, mas a arbitragem de vídeo revisa o lance e detecta a posição de impedimento, anulando o gol. Sete minutos depois, aos 42, Bruno Henrique é lançado em profundidade magistralmente por Carrascal (por milímetros não foi outro impedimento). Ele penetra pela área e chuta cruzado, a bola bate no rosto do goleiro Cambeses e retorna para a linha de entrada da grande área, onde encontra os pés de Carrascal. Havia 7 jogadores do Racing entre ele e a linha do gol. Ele chuta firme, a bola bate na barriga de Marcos Rojo, pega o zagueiro que corria para proteger a linha do gol no contrapé, e morre mansa no canto. Gol revisado e desta vez confirmado. O juiz da partida acabaria tirando-o do colombiano, e indicando gol contra. 1 a 0. O Flamengo sai com vantagem magra do Rio de Janeiro, com um gol chorado, mas que viria a ser decisivo para o destino daquela semi-final.
Uma semana depois, em 29 de outubro, no Estádio Presidente Juan Domingo Perón, mais conhecido como "El Cilindro", na região de Avellaneda, em Buenos Aires, o duelo derradeiro, valendo vaga na final. A equipe argentina entras em campo com: Cambeses, Mura, Colombo, Marcos Rojo e Gabriel Rojas; Juan Nardoni, Zuculini e Almendra; Santiago Solari, Adrián "Maravilla" Martínez e Tomás Conechny. Uma única mudança, na lateral-direita, em relação à equipe que havia iniciado a partida no Maracanã. Já o Flamengo, foi mandado a campo, por Filipe Luís, escalado com: Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Jorginho, Arrascaeta e Carrascal; Luiz Araújo e Gonzalo Plata, com Bruno Henrique colocado como opção no banco para a etapa final.
Foi mais uma batalha! E mais um exemplo de superação e raça para vencer à adversidade. Mais uma vez foi um jogo franco e aberto, com oportunidades de lado a lado. O Flamengo teve uma boa atuação na etapa inicial. Só que ninguém balançou a rede, num empate sem gols até então que dava a classificação à final para os flamenguistas. Aos 11 minutos do 2º tempo, lance capital que mudaria a dinâmica do jogo a partir de então. Gonzalo Plata cai no chão reclamando de agressão, o veterano Marcos Rojo abaixa e grita com ele, e Plata lhe difere um tapa. O árbitro dá cartão vermelho para o equatoriano. Assim como contra o Estudiantes, Plata é expulso e as coisas se complicam.
Deste momento em diante, o Racing foi absoluto no controle do jogo. O Flamengo se defendia, resistia, era ataque contra defesa, um sufoco enorme. Já nos acréscimos, Luciano Vietto chuta, a bola desvia na zaga, e Rossi consegue espalmar para escanteio. Até que é dado o apito final! Empate sem gols, e o Flamengo estava mais uma vez na final da Libertadores, como havia estado em 2019, 2021, 2022 e estava em 2025.
O adversário na final era o Palmeiras, que parecia estar emocionalmente mais forte após obter uma virada espetacular, tendo perdido por 3 a 0 para a LDU em Quito, e vencido por 4 a 0 em São Paulo. No momento desta virada, também era o líder do Campeonato Brasileiro, perseguido pelo vice líder Flamengo. Mas a final foi somente um mês após a conclusão da semi. Em 29 de novembro, o título foi decidido, mais uma em jogo único, como era desde 2019, no Estádio Monumental de Lima, no Peru, palco onde o Flamengo havia obtido a vitória de epopeia sobre o River Plate na final da Libertadores em 2019.
O tamanho daquela final era gigante! Flamengo e Palmeiras tinham três títulos sul-americanos, e aquele que se sagrasse campeão se tornaria o primeiro clube brasileiro a ser 4 vezes campeão da Libertadores. Ademais, Flamengo e Palmeiras disputavam cabeça a cabeça o título do Brasileirão 2025. Nas semanas que anteciparam o duelo, o time palmeirense havia sofrido derrotas seguidas para Santos, Mirassol e Grêmio, perdendo a liderança para o Flamengo, que viajava a Lima precisando de apenas uma vitória sobre o Ceará no Maracanã para assegurar matematicamente o título. Após a final da Libertadores, venceu por 1 a 0 e confirmou o título nacional, deixando o Palmeiras com o vice. Para dar a pitada final na rivalidade, os dois clubes tinham decidido o título da Libertadores de 2021 em Montevidéu, no Uruguai. Daquela vez o título foi palmeirense após um escorregão do meia Andreas Pereira, então vestindo a camisa do Flamengo. Nesta final, Andreas chegava como jogador do Palmeiras.
A equipe alvi-verde, comandada pelo técnico português Abel Ferreira, entrou em campo com: Carlos Miguel, Khellven, Gustavo Gómez, Murilo e Piquerez; Bruno Fuchs, Andreas Pereira e Raphael Veiga; Allan, "Flaco" López e Vítor Roque. O Flamengo de Filipe Luís entrou em campo com: Agustin Rossi, Varela, Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Jorginho, Arrascaeta e Carrascal; Samuel Lino e Bruno Henrique. Estava desfalcado dos lesionados Léo Ortiz, substituído por Danilo, e Pedro, com Bruno Henrique escalado como centroavante.
Quando a bola rolou, o domínio em campo foi todo do time rubro-negro, mas foi uma partida com poucas oportunidades de gol de lado a lado, tudo indicava que a partida seria decidida em detalhes. O 1º tempo foi muito acirrado, um jogo muito tenso. O chileno Erick Pulgar acertou uma solada na canela de Bruno Fuchs em momento que a partida já estava paralisada, recebeu cartão amarelo, mas os palmeirenses chiaram muito, pedindo um cartão vermelho. Mas a primeira etapa inteira decorreu sem que a bola balançasse a rede de nenhum lado.
Na volta para o 2ª tempo, o Flamengo atacava para o mesmo lado onde Gabigol havia marcado os dois gols da virada sobre o River em 2019. E foi nesta mesma baliza, após uma sequência de escanteios, aos 21 minutos, que Arrascaeta cobrou, achando Danilo que penetrava em velocidade pelo meio da área. Ele subiu muito alto, e testou colocado, com a bola atravessando a pequena área na diagonal, tocando na trave, e estudando a rede. Gol do camisa 13! Flamengo 1 a 0!
Do gol em diante, o jogo mudou. O controle passou a ser todo palmeirense, enquanto o time rubro-negro se defendia. O outro lance capital daquela partida aconteceu aos 43 minutos do 2º tempo. A bola sobrou para Vitor Roque na pequena área, e ele fuzilou em direção ao gol. Só não contava com o bote de Danilo, que esticou a perna, e a bola bateu na sua chuteira e subiu, passando por cima do gol. Danilo, Jorginho e Rossi comemoraram efusivamente, como se houvesse sido um gol rubro-negro!
Nos acréscimos, em cobrança de falta, Everton Cebolinha, que havia entrado em campo na segunda etapa no lugar de Samuel Lino, ainda acertou a trave, quase assinalando o gol definitivo do título. Mas nada mais mudaria aquela história. O apito final soou e a festa explodiu em Lima, no Rio de Janeiro, e no Brasil inteiro. O título do "Ninguém morre nos devendo!", o lema daquela conquista. Flamengo, Tetra-campeão da Libertadores, o primeiro a alcançar 4 títulos do continente. Mais do que o Flamengo na América do Sul, naquele momento, só os 5 títulos do Peñarol, os 6 do Boca Juniors e os 7 do Independiente de Avellaneda. O cume da América estava logo ali!
































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